Friday, December 26, 2008

Londres, 25 de Dezembro de 1999

‘Micah, telefone pra você’ Michael parou ao lado do filho adotivo na sala e lhe entregou o aparelho. Já era quase meia noite ‘Chris, ele disse que é seu amigo’

‘Ah, obrigado’ Micah apanhou o aparelho de sua mão, sorrindo ‘Oi, Chris. Feliz natal!’

‘Feliz natal pra você também’ Chris respondeu automaticamente, mas sua voz não era das melhores ‘Mas não ligo para dar boas noticias’

‘O que aconteceu? Sua voz está estranha’

‘Josh apareceu por aqui’ Chris foi direto ao assunto ‘Procurou Evie hoje à tarde e falou um monte de coisas a ela sobre você’

‘O que aquele filho da mãe falou?’ Micah levantou do sofá já nervoso

‘Não sei, foi Afonso que me ligou preocupado, porque depois que ele saiu de lá, ela disse que ia até a casa do pai’

‘O que?? E eles deixaram ela ir sozinha??’

‘Ele disse que ela desaparatou na mesma hora, não teve tempo de impedir. Disse também que ela voltou muito tempo depois e parecia muito nervosa e atordoada, foi direto para o quarto e não quer falar com ninguém’ Chris tinha uma voz urgente ‘Micah, você precisa vir pra cá agora. Fica aqui em casa se precisar, mas não estou com um bom pressentimento’

‘Estou chegando ai amanhã de manhã’

‘Ok, faça isso. Nos vemos amanhã’

Micah desligou o telefone nervoso e andava de um lado para o outro. Quando conseguiu se acalmar, foi até o quarto e jogou algumas peças de roupa dentro da mochila. Precisava pegar o próximo trem para a Bulgária e tentar reparar o estrago que sabia já estar feito.


ººº


Bulgária, 26 de Dezembro de 1999

Micah chegou à Bulgária já avisado do que se passava. Sabia que Josh havia procurado Evie e feito sua cabeça contra ele e sabia também que, naquele momento, a confiança que sua namorada tinha nele estava abalada. Precisava ao menos tentar reparar os danos, mas a idéia de que Evie havia acreditado em Josh o fazia sentir raiva.

Foi direto para o lugar onde sabia que a encontraria e esperou até que ela chegasse. Evie vinha caminhando lentamente para fora do parque, suas mãos afundadas nos bolsos do casaco e os cabelos voando com a brisa gelada que batia neles. Caminhava tão atordoada que não notou a presença de Micah.

‘Tudo bem?’ Ele disse preocupado com sua expressão. Ela se afastou dele depressa, tentando manter certa distancia.

‘Deixe-me em paz’ Ela murmurou, tentando passar. Ela estava na defensiva, como se tentasse fugir

Micah olhou nos olhos dela, e pela primeira vez desde que as coisas se ajeitaram, a viu assustada. Ele a comparou, naquele momento, a um animal encurralado: sem saber direito o que tinha acontecido e ainda incerto de fazer algum movimento. Seu olhar estava vago, como se ela procurasse uma saída, algum lugar seguro, para onde ela pudesse correr. Ele viu que ela estava assustada, no sentido real da palavra, e não era algo que ele pudesse evitar. Aquele medo estaria sempre presente, porque era parte dela, era algo que ele teria que aprender a conviver. Mas naquele momento, estava assustando a ele também.

‘Por que eu deveria lhe deixar em paz?’ Ele perguntou, dando um passo à frente.

‘Porque eu quero’ Ela disse tentando se esquivar dele. Micah entendeu isso como uma tentativa de fugir, e em um segundo, ele saltou até ela e segurou seu braço, seus corpos colidindo e seus rostos tão próximos que estavam quase se tocando.

‘Ah é? E por que isso?’ Micah começava a se irritar, sabia por que ela agia assim. Evie respondeu a essa pergunta com um olhar frio, seus olhos se cruzando.

‘Porque eu não confio em você’ Ela desviou o olhar dele antes de continuar, quebrando o contato ‘Porque eu não posso confiar em você’ Ela fez outra pausa, respirando fundo ‘Porque eu estou com medo’

‘Ah é? E está com medo de que, meu amor? Está com medo de mim? Ou você está com medo daquele seu ex-namoradinho?’ Começando a se irritar com o silencio de Evie, Micah diminuiu o tom de voz. Ele estava quase cuspindo as palavras, tentando machucá-la o máximo que pudesse naquele momento. ‘Quer saber o que eu penso? Acho que você está com medo de deixar essa vidinha boa que você teria com ele, a casinha confortável e o apoio do papai, para viver comigo o mundo real. É Evi, você está com medo de contrariar seu pai apesar de tudo que ele fez, mas quer saber? Você talvez tenha que fazer isso’

‘Me solta’ Ela sibilou, tentando se livrar do punho forte dele. Ignorando-a, ele continuou

‘Você não está com medo de mim; você não está com medo dele! Você está com medo de você mesma! Sua ficha caiu, não é? Percebeu que lutar contra o seu pai nem sempre vai ser fácil e está com medo de não agüentar’ Eles estavam tão próximos que se algum deles se movesse, eles se tocariam.

‘Me solta’ Ela protestou, e seus olhos se cruzaram mais uma vez. Dessa vez, no entanto, ela manteve o olhar fixo.

‘O que foi agora? Você quer saber a verdade? Eu digo a verdade, Evi. Sim, eu deveria estar enganando você. Nosso primeiro encontro não foi um acidente, eu estava disposto a conhecer você e fazer você se apaixonar por mim. E adivinha? Eu fiz!’ Com essas palavras ele soltou o braço dela, e ela lentamente foi se afastando, sem ter certeza se podia confiar em suas pernas.

Ela estava atordoada pela segunda vez naquele dia. Ela não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir, mesmo tendo estado preparada para isso, e ela vinha considerando essa possibilidade há semanas. Ainda assim, era inesperado, estranho e acima de tudo, de partir seu coração.

‘Acontece que eu não esperava me apaixonar por você também’

Segundo baque, esse ainda mais forte, se é que isso era possível. Ele tinha se apaixonado por ela.

‘Você estava me enganando’ Foi tudo que ela conseguiu dizer

‘Bem, não estou mais’

‘Como você pode?’ Ela murmurou, dando um passo para trás. Ela não queria mais ficar perto dele

‘Eu não fiz, Evi’ ele deu um passo à frente, se aproximando dela, mas ela deu mais um passo para trás. ‘Eu parei. Eu não queria enganar você’

‘Não interessa. Você estava mentindo esse tempo todo’ Seus olhos estavam cheios de lágrimas, não por tristeza, mas por outro motivo: raiva e desespero, tudo junto, fazendo seu mundo cair aos pedaços ‘Sabe do que mais eu tinha medo? Eu achei que estava grávida!’ Micah reagiu a noticia, mas ela não deixou que ele falasse ‘Mas graças a Merlin eu me enganei, pois veja quem seria o pai da criança, um mentiroso!’ Ela disse cuspindo as palavras, já não conseguindo conter as lágrimas

‘Não aja como se você fosse uma santa também. Eu não obriguei você a ficar comigo em momento algum’ Ele disse sem nem ao menos pensar

‘Não’ Ela murmurou, batendo em seu peito sem força. Ele segurou seus punhos para não deixá-la sair ‘Não se atreva’

‘Evie, eu estava sim enganando você, mas há meses atrás!’ Ele ainda prendia seus punhos, mesmo que ela não tentasse se soltar ‘Eu parei. Parei porque me apaixonei por você e percebi o quanto eu estava sendo um idiota. Eu parei porque eu te-’

‘Não!’ Ela o interrompeu, se afastando ‘Não ouse terminar essa frase. E me deixa em paz’

Evie olhou para Micah mais uma vez e correu na direção oposta até o outro lado da rua, sem saber ao certo para onde ir. A única coisa que sabia era que precisava ficar longe dele.

ººº


‘Vai aonde com tanta pressa?’ Um carro passou devagar ao lado de Evie na calçada e ela reconheceu a voz de Josh. Continuou andando sem olhar ‘Estou falando com você!’

Evie continuou andando, agora mais apressada, mas Josh a seguiu com o carro. A neve caia cada vez mais forte, mas ela não se importava, não ia entrar no mesmo carro que ele.

‘Tudo bem, não quer falar comigo, é um direito seu’ Josh falava de dentro do carro, sabendo que mesmo ignorando, ela o ouvia ‘Mas você sabe que fez o certo. Pode ficar com raiva agora, mas vai ser melhor assim. Você nos obrigou a agir, Evie!’

Ela parou de andar e o encarou dentro do carro. Já não chorava mais e sua expressão era de raiva. Aproximou-se do carro para ter certeza de que ele a ouviria.

‘Nunca mais chegue perto de mim’ Ela disse cuspindo cada palavra e sabia que ele estava assustado ‘Eu tenho nojo de você e não quero nunca mais ver sua cara e nem ouvir falar de você!’

Evie se afastou outra vez e continuou andando, mas dessa vez ele não a seguiu. Sua cabeça girava e tudo que ela queria naquele momento era voltar para a escola e deixar tudo para trás.

Thursday, December 25, 2008

‘Crianças, já para a cama!’ Madalena apareceu na sala perto da meia noite ‘Já está tarde e se ninguém dormir, Papai Noel não aparece’

‘Ah tia, por favor, né?’ Diego falou zombeteiro e todos riram ‘Nem o Filipe e a Luisa acreditam mais em Papai Noel!’

‘Eu sei disso, mas a única criança que sobrou nessa família é o Marko e ele ainda é novo demais pra entender, então não cortem o meu barato!’ Falou dando bronca, mas em tom de brincadeira ‘Todos pros quartos ou quando acordarem terei feito todos os presentes naquela árvore evaporarem!’

Não foi preciso um segundo aviso. Instantes depois a sala ficou completamente deserta e cada quarto da casa foi ocupado pelos netos de Andrei. E agora que Max não fazia mais questão de passar o natal com a família, Evie tinha um quarto só para ela. Mas não ficou sozinha nem cinco minutos e ouviu a porta ranger. A luz do corredor iluminou o quarto e as figuras de Filipe e Luísa, de pijamas e travesseiro debaixo do braço, sugiram.

‘Você não terminou de contar a história’ Luísa cobrou, se acomodando na cama da prima ‘Queremos saber como foi o resto do baile’

Evie riu e já se preparava para continuar a falar, mas a porta se abriu mais uma vez e a interrompeu. Dessa vez não eram apenas dois, mas todos os outros primos entrando de pijamas e cada um trazendo seu travesseiro. Pilar se atirou na cama ao lado dela e de Luísa e os outros se acomodaram pelo chão. Dario e Evie foram os únicos a participar do Baile de Inverno e todos queriam saber dos detalhes. Mas a história dos acontecimentos do baile terminou e ninguém foi embora. Continuaram conversando e adormeceram todos no mesmo quarto, espalhados pelo chão, por cima de almofadas e lençóis. Santiago foi o primeiro a acordar na manhã seguinte e tirou o pé de Mario do seu rosto, esfregando os olhos ao olhar para a janela.

‘É Natal!’ O garoto ficou de pé em um único salto e pulou para cima da cama ‘Acordem, acordem! É natal!’

Santiago saltou da cama e abriu a cortina, deixando a luz ainda tímida do sol invadir o quarto. Um por um, seus primos foram abrindo os olhos e ao perceberem que já era manhã, saíram da cama e correram atrás do garoto escada abaixo. Sofia colocava um presente de última hora na árvore quando viu os sobrinhos correndo na sua direção e saltou para o lado, rindo.

‘Calma, crianças!’ Tentou frear a turma, mas em vão ‘Ok, ok, só não destruam a árvore do papai, por favor!’

Em poucos minutos todos os embrulhos cuidadosamente preparados foram dilacerados e o chão da sala ficou repleto de papéis amassados e fitas coloridas, o ar se enchendo com os risos e gritos animados à medida que iam vendo o que haviam ganhado. Quando finalmente todos os embrulhos foram abertos, sentaram à mesa para o café e o resto da manhã foi reservado para cada um aproveitar seus presentes de natal.

ººº


‘Evie, tem visita pra você’ Afonso apareceu na sala, interrompendo a brincadeira de Evie e Mario com o filhote de labrador

‘Visita?’ Perguntou surpresa ‘Quem saiu de casa logo hoje?’

‘É melhor você ir até a porta’ Respondeu se sentando no chão e deixando o filhote lamber sua mão

Ela olhou desconfiada, mas deixou o cachorro com os primos e foi até a porta. Quando chegou ao hall de entrada, achou que estava tendo alucinações. Josh estava parado ao lado da porta e olhava ao redor, desconfortável. Sorriu quando percebeu que ela havia chegado e se adiantou para lhe dar um abraço, mas ela recuou.

‘O que está fazendo aqui?’ Perguntou na defensiva

‘Feliz natal pra você também, Evie!’ Respondeu tentando descontrair

‘Feliz natal’ Respondeu seca ‘O que veio fazer aqui?’

‘Vim passar o natal na casa do seu pai, ele nos convidou. E quando cheguei lá descobri que agora você mora aqui, então vim te ver’

‘Pode parar com o teatro, eu sei que Max já havia contado do que aconteceu há muito tempo’ Evie cortou Josh, sem paciência ‘Por que não diz logo o que veio fazer aqui e vai embora?’

‘Ainda está com ele?’ Josh abandonou o ar amigável

‘Se o ele é o Micah, então sim’

‘Não acredito que está com ele, depois de tudo que ele fez’ Josh falou revoltado ‘Como pode confiar nele e não em mim?’

‘Se você veio aqui fazer fofoca, pode ir embora. Não quero ouvir’

‘Você sabe, não é?’ Disse em tom debochado ‘Sabe por que ele foi para Durmstrang’

Evie fraquejou e Josh percebeu. O segundo que ela hesitou foi suficiente para dar a ele a brecha para falar tudo que vinha ensaiando tanto tempo.

‘Você sabe que ele só foi pra lá para se vingar, não é?’ Josh começou ‘Eu sei que você sabe, não é burra. Sei que desconfia dele, mas prefere acreditar que ele é um santo e que tudo não passou de uma grande coincidência. Pois não passou, Evie. O único motivo que levou Micah a pedir transferência foi você. Ele sabia que era minha namorada e que era importante pra mim! No dia em que nos viu juntos, naquele dia que chegou com Max à Los Angeles, ele soube que era através de você que ele ia me atingir’ Josh dizia tudo de uma vez só e Evie começava a se sentir tonta ‘Você sabe de tudo isso, mas finge não saber!’

‘Vai embora, Josh!’ Evie abriu a porta nervosa e empurrou o garoto ‘Você não devia ter vindo aqui!’

‘Esse namoro é uma mentira, Evie!’ Ele prendeu a porta com o pé e gritou antes que ela o empurrasse ‘Tudo que teve com ele até agora não passou de uma armação, um teatro!’

‘Vai embora!’ Ela gritou de volta, conseguindo empurrá-lo e bater a porta. Viu ele se afastar pela janela e deixou o corpo deslizar pela parede, até sentar no chão. Sentia-se completamente perdida e sem saber o que fazer, então fez a única coisa que estava ao seu alcance naquele momento. Tapando o rosto com as mãos, Evie começou a chorar.

Monday, December 22, 2008

O “grande” dia havia chegado. E com ele o meu GRANDE mau humor.

Já não bastasse a humilhação de ser o último colocado do Torneio, eu agora teria que abrir um maldito baile, na frente de todos, dançando uma música idiota e antiga. E ainda melhor, tinha que aturar as implicâncias de todos, dizendo que durante o baile eu tropeçaria e seria o motivo de riso de todos por anos.

O que me acalmava e me deixava um pouco menos irritado era a Annia ter aceitado ser meu par, pois se não fosse ela, eu iria sozinho ao baile, nem que tivesse que dançar com o ar! E caso me obrigassem a arranjar um par, eu simplesmente transmutava um homunculus, porque não iria aturar qualquer uma das garotas imbecis que se jogavam aos meus pés. Não que eu não gostasse da atenção, era maravilhoso ter todas as garotas aos meus pés, mas eram todas imbecis e burras. A Annia era a única que eu queria como par para o baile, pois era minha melhor amiga, uma mulher linda e inteligente. Ela fazia todas as outras parecerem crianças idiotas.

- Reno, quer colocar um sorriso! Você não vai morrer! – Annia dizia rindo enquanto andávamos juntos pelos corredores da escola.

- É fácil falar. Eu sou péssimo dançarino, e ainda vou estar diante dos alunos de três escolas e de funcionários do Ministério! – Respondi carrancudo.

- Você só está nervoso! Quando conseguir se acalmar, vai ver como é mais fácil. – Ela falou rindo, tentando esconder o próprio nervosismo, pois eu sabia que ela estava tão nervosa quanto eu.

- Novamente, é fácil falar.

- Veja pelo lado bom, falta pouco para o Baile, e dançaremos por apenas alguns minutos. Você odeia tanto assim minha companhia? – Ela falou, fazendo biquinho e fingindo tristeza.

- Sim, odeio. – Falei carrancudo, mas ri quando ela ficou assustada, e a puxei para um abraço. – Eu não odeio sua companhia, na verdade eu adoro. Obrigado novamente por ir ao baile comigo, se não fosse você eu não aceitaria mais ninguém.

- De nada, Reno. Assim eu me apaixono, hein, garanhão! – Ela falou rindo e me deu um beijo na bochecha.

- Se quiser eu te faço esquecer o John... – Eu falei sorrindo também, porém sabia que tocava em um ponto sensível, e ela me direcionou um olhar assassino. – Não adianta me olhar assim, eu sou seu melhor amigo, eu sei que você ainda gosta dele, e ele é um cara legal, vocês deviam ficar juntos. Que foi? Só quero sua felicidade!

- Tudo bem. Mas eu realmente não me preocupo mais com ele! Vamos estamos atrasados.

Ela saiu me puxando pelo corredor para a aula seguinte e eu ria, pois sabia o quanto ela sentia falta do ex-namorado. Meu humor melhorou um pouco, e consegui agüentar os últimos dias antes do baile, e de vez em quando, eu e Annia treinávamos dança sozinhos, e ficava feliz em ver que eu estava ficando melhor, e mais confiante. Mas era a vez de Annia ficar cada vez mais nervosa, pois parecia que finalmente caia a ficha de que ela iria abrir o baile junto comigo, sendo que éramos os anfitriões da festa.

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Na noite do baile, combinei de buscar a Annia cedo, pois o diretor nos pediu que chegássemos cedo ao salão do baile, pois éramos o casal anfitrião. Dessa forma, enquanto todos ainda corriam para se arrumar na Chronos, eu já saia de lá totalmente arrumado e pronto.Bram iria depois, acompanhado de uma garota de Hogwarts, amiga de Gina e Luna. Minhas vestes a rigor eram negras, com uma camisa branca e gravata veremelha. Eu deixei meus cabelos presos em um rabo de cavalo e me dirigi para Avalon para ir buscar a Annia. A cada passo, o nervosismo crescia em mim novamente, e eu sentia que estava ficando roxo, no mínimo vermelho. A noção de que teria centenas de pares me olhando me fez engolir em seco e sentir meu coração acelerar. Droga porque eu não tomei uma poção para me acalmar?!

Tive que esperar alguns minutos, pois ela ainda terminava de se arrumar, e acabei encontrando com Gabriel, Seth, Micah e Wes, que chegavam para pegar seus pares, e lhes dei um aceno de cabeça rápido, com medo de falar algo, pois sentia como se meu estomago quisesse pular. Mal eles chegaram, Annia desceu e sorriu para mim e eu fiquei de queixo caído, pois ela estava belíssima. Ela falou com os outros garotos e me deu o braço para irmos para o castelo. Eu consegui me recuperar e fomos para o castelo conversando, quando chegamos lá, fomos chamados pelo pai da Annia, que nos deu os parabéns e elogiou a filha, me dirigindo um olhar do tipo: “Respeito com ela, Kollontai”, que eu devolvi com um olhar supostamente inocente, fazendo-o rir. Ele estava acompanhado de uma loira alta que vestia um vestido vermelho, ela era a namorada dele e mãe das gêmeas Beatrice e Julianne. Ficamos conversando até a chegada dos demais campeões, e quando eu e Annia, Gina e Potter e Gabriel e Miyako estávamos prontos, os diretores abriram as portas do salão sendo seguidos por nós seis, que nos dirigimos para uma grande mesa ao fundo do salão. Os diretores deram início ao banquete e passamos um bom tempo conversando e comendo, apesar de eu evitar comer muito, pois o nervosismo parecia que me faria colocar para fora tudo que eu comesse.

Eu torcia para que esquecessem do baile em si, mas quando achei que já tinha passado tempo suficiente para que todos esquecessem dele, o diretor levantou-se e com um aceno de varinha, afastou as mesinhas, fazendo surgir um palco em um dos cantos do salão, abrindo espaço para a dança...Eu olhei para Annia, e vi o quão nervosa ela estava, e tentamos sorrir, mas apenas nos encaramos com meio sorriso. Eu me levantei e puxei a cadeira para ela se levantar, dando-lhe a mão em seguida. Nós dois tremíamos levemente, mas nos seguramos e fomos para o centro do salão para a famigerada dança. As Esquisitonas começaram a tocar a música lenta e nós dois nos posicionamos para a dança. Começamos a dançar e logo no início eu me embolei um pouco, mas me recuperei rapidamente e conseguimos dançar muito bem juntos. Annia evitava olhar para nossos amigos e eu entendia, pois seria pedir demais que conseguíssemos dançar direito com os olhares em nós.

Quando o resto das escolas se reuniu a nós para dançar, eu e Annia respiramos aliviados e riamos junto de nossos amigos ao nosso redor. Quando fomos finalmente liberados, fomos nos sentar com nossos amigos, assim como Gabriel e Miyako também. Ficamos lá conversando e a Annia implicava com a Julianne, uma das primas do Ty, até a hora em que ela mencionou que iria ao baile com o John, foi necessário a minha mão em seu braço para segura-la e falei rapidamente em seu ouvido.

- Não faça besteira, vamos dançar? – Falei tentando tira-la dali, porém ela me ignorou e respondeu a Julianne.

- É... Desde que ele apareça, mas pelo jeito ele já começou te dando o bolo,que pena. – Annia respondeu com um sorriso malicioso, porém nesse exato momento John chegou pedindo desculpas pelo atraso e beijando Julianne no rosto, diante de Annia. Eu pude ver os olhos dela se estreitarem e tive que me segurar para não rir. Ela, porém se virou para mim e me beijou nos lábios rapidamente. Aquilo me pegou completamente de surpresa e fiquei alguns segundos sem entender, olhando para ela. Ela sorriu e retribui o sorriso, levando-a de volta para a pista de dança.

- Aquilo foi um pouco demais, não acha? – Comentei rindo, enquanto dançava com ela.

- Aquilo o que? – Ela fingiu não ouvir, e não tirava os olhos de Julianne e John.

- O beijo. Não precisava disso para implicar com o John.

- Eu não fiz porque queria implicar com o John!

- Ah, sim, quer que eu acredite que depois de sete anos juntos como amigos você decidiu me dar um beijo do nada, que eu saiba não te dei nenhuma poção do amor? – Eu falei rindo.

- E se for verdade? Você está lindo com essa roupa, querido. – Ela falou me olhando nos olhos e nós dois caímos na gargalhada no meio da pista de dança. – Ta bom, ta bom, eu exagerei. E eu tenho medo de estragar nossa amizade, confesso que já pensei em algo mais entre nós, mas gosto demais da sua amizade. Apesar de rabugento e esquentado, você é uma ótima pessoa, e por um bom tempo um dos poucos garotos decentes que existia.

- Obrigado pelo elogio, apesar de me chamar de rabugento. Eu também gosto muito de sua amizade, você é minha melhor amiga, e também é uma das poucas garotas que eu considero de verdade. Eu te vejo como minha irmã, até no gênio somos iguais!

- Está me chamando de rabugenta?! – Ela falou fingindo estar brava e dando um tapa em meu peito, porém descansando a cabeça no mesmo lugar em seguida. – Eu fiquei irritada com ele! E quis provocar.

- Então deixa comigo. – Eu falei dando um sorriso malicioso. Eu a girei e abracei por trás, beijando sua orelha. Ela riu e entrou no clima de provocação dançando colada a mim. Em questão de minutos John estava ao nosso lado, e Annia fez um bico, como se tentasse se afastar, mas John puxou-a pela mão e a beijou na frente de todos. Após alguns instantes eles apenas se encararam e ele ameaçou ir embora, e foi a vez de minha amiga puxa-lo.

Eu ri e quando os dois pararam, sorri para John dando tapinhas em seu ombro e indo para perto dos demais, que assistiam a quase uma coreografia de Ty, Griffon, Martina, Kay, Beatrice e Julianne, que assistiu ao beijo de John e Annia, porém quando viu meu olhar deu de ombros e sorriu para mim. Eu devolvi o sorriso convidativamente e estendi a mão, que ela segurou e a puxei para dançarmos juntos. Dançamos uma música inteira apenas nos olhando e eu via uma intensidade e uma inteligente voraz em seus olhos, e parecíamos hipnotizados um pelo outro. Ao final da música, quase que como atraídos nos beijamos por um longo tempo. Ao final do beijo ela sorriu travesa e indiquei os jardins com a cabeça, e fomos de mãos dadas nos conhecermos melhor.

Saturday, December 20, 2008

Alright Durmstrang!
Are you ready for some real music?
I said are you ready?
Are you ready?!
I can't hear ya...
Alright
C'mon, i wanna see your hands in the air
We're gonna teach you a brand new dance tonight
So move your body
You gotta help us, Durmstrang
Together we can do this thing!
Are you ready?
Are you ready?
Can you dance like a hippogriff?
Na na na na na na na na na



Com estes gritos as Esquisitonas, quase botaram o salão de baile abaixo, mas finalmente começava a parte divertida do Baile. Todo mundo começou a pular e a dançar e Jean Savoy que era o meu par, era muito animado, não me deixando um minuto parada. Numa das vezes que voltei para a mesa Iago estava lá com uma garota de Hogwarts, ele acenou com a cabeça, e eu sorri de volta, mas logo a garota o puxava para a pista de dança, e ele estava se divertindo muito, pelo jeito que segurava nela. Como os campeões estavam liberados, Reno, Annia, Gabriel e Miyako vieram para perto de nós, e notei quando Julianne se aproximou, depois de dançar uma música com Griff e sua irmã Beatrice, que vinha logo atrás. Annia me olhou marota e não resistiu a uma provocação básica.
- Nossa, você veio sozinha ao baile, J.? Que triste. - disse imitando o jeito de falar das gêmeas. Julianne não se intimidou:
- Sim, acabei vindo com Griff e Beatrice. John está atrasado...- quando ela falou isso os olhos de Annia se estreitaram.
- John? Que John?
- O primo do Ty oras. Se é pra para ir a um baile de inverno que seja com alguém que saiba esquentar uma garota, não é? - Julianne respondeu. Annia queria pular no pescoço dela, mas a mão de Reno em seu braço, a impediu. Annia empinou o queixo e disse:
- Éé... Desde que ele apareça, mas pelo jeito ele já começou te dando o bolo,que pena. - antes que ela continuasse a provocar, John, chegou ao grupo e ele estava muito bonito. Pensei ter visto o queixo da Annia cair. Olhei para Iago e ele piscou, fazendo com que meu estômago tremesse. Voltei a olhar para a novela que se desenrolava na nossa frente.
- Olá pessoal, que festa animada hein? Hey, Julie, desculpa, tive uma coisa importante para fazer antes de vir para cá, prometo fazer tudo que você quiser para compensar. - e deu-lhe um beijo no rosto na frente da Annia, aquilo parecia uma partida de tênis, nossas cabeças iam de um para o outro. Annia ficou com as bochechas coradas e Julianne riu se colando em John:
- Claro que está desculpado, a noite agora vai ficar melhor. Annia, você não se importa não é?
- Porque me importaria quando o campeão de Durmstrang está comigo. Vamos Reno querido?- e ela se aproximou do Reno e deu-lhe um beijo rápido nos lábios. Reno ficou meio perdido por alguns segundos, mas depois de olhar para Annia sorriu e a puxou de volta para a pista. John não se fez de rogado, logo estava na pista e dançava bem animado com Julianne, e os casais estavam próximos.
Griffon riu e disse para os garotos:
- Aposto que até o final da noite teremos pares trocados...
- Não vai até o final da noite, John está se segurando e o Reno tá sabendo provocar ele. - disse Ty, e vimos quando Reno girou Annia e enquanto a segurava por trás, beijava-lhe a orelha.
- Vamos dançar, lá da pista podemos acompanhar melhor isso. - disse Ty animado
- Ty eu estou cansada...- resmungou Savannah e Ty respondeu, enquanto olhava para duas garotas passando perto da mesa:
- Vá dormir Savie, te vejo amanhã. Hey, garotas vamos dançar?- e as garotas acenaram positivamente.
Ty foi para a pista começou a dançar com Martina e Kay, e era uma dança bem animada, como Griff estava perto dançando com Beatrice, ela cochichou algo no ouvido dele, e eles se aproximaram, logo os dois rapazes estavam com as garotas dançando ao redor deles, parecia um daqueles shows e as pessoas iam abrindo espaço, para poder vê-los. Julianne se aproximou e começou a dançar junto com eles e os 6 estavam muito bem. O professor de Artes os olhava encantado.
John se aproximou de Annia e Reno, e foi engraçado ver o bico que ela fez, e tentou ir embora, mas ele a puxou e a beijou na frente de todo mundo. Ele a soltou depois de encarar por uns segundos, e como ela ainda estivesse de cara fechada, ele se virou para ir embora, mas ela o puxou pelo braço e o beijou de novo, depois se olharam por um tempo, sorriram e se deram as mãos. Reno deu uns tapinhas nas costas de John, e continuou vendo a dança, quando terminou Julianne que havia visto John e Annia abraçados, não fez cara feia. Olhou para os lados de Reno que estendeu a mão, com um meio sorriso nos lábios. Ela deu de ombros e pegou na mão dele, formavam um casal inusitado e não os vi mais pelo resto da noite.

o-o-o-o-o-o

Enquanto víamos Annia e John se resolverem, a acompanhante de Iago perguntou a ele:
- Você não vai me tirar para dançar?
- Não.
Ela olhou firme para Jean e ele depois de olhar para mim disse:
- Eu vou dançar com ela tudo bem Milla?
- Claro, tudo bem Jean. - e eles foram para a pista e ficamos eu e Iago na mesa. Depois de algum tempo, eu disse:
- Você não demorou a encontrar alguém. - quis morder minha língua e ele respondeu arrogante:
- O que é pouco para um, é o bastante para outros. - me senti envergonhada com a mágoa que percebi na voz dele e disse:
- Não tenho o direito de cobrar nada de você, sinto muito.
- É! Você não tem este direito...Mas gostaria que tivesse. (ele suspirou e disse). - Ela é irmã de um colega do time em que jogo, era a única forma de vir aqui, cansei de ficar longe de você. - e eu arregalei os olhos e ele sorriu.
- Você parece preocupada agora.
- Não...- eu disse, e minha voz falhou um pouco. Tomei fôlego e disse:
- Surpresa, na verdade...O que causou tudo isso?
- Eu já te disse... eu cansei de tentar ficar longe de você. Então, eu estou desistindo.
Ele ainda estava sorrindo, mas seus olhos estavam sérios.
- Desistindo?- eu repeti confusa.
- Sim. Desistindo de tentar ser bonzinho e ficar longe, para não forçar a barra com você. Eu vou fazer o que eu quiser agora, e deixar acontecer o que tiver de acontecer.
- E o que você acha que vai acontecer agora Iago?
- Eu vou dançar com você Lud, e se você quiser vou passar o resto da noite te beijando e mostrando o quanto me importo com você. Sem vínculos, sem promessas, só eu e você. Hoje!
E e se levantou me estendendo a mão, enquanto começava uma música lenta. Iago não era o que os outros chamam de bonito, mas quando ele me estendeu a mão, eu não via mais ninguém no mundo, e sorri ao por minha mão na sua, que ele pegou com força. Não importava o amanhã, tudo o que eu queria era o aqui e agora.

So, believe
That magic works
Don't be afraid
Of being hurt
Don't let this magic dies
The answer's there
Oh, just look in her eyes

And don't believe that magic can die
No, no, no, this magic can't die
So dance your final dance
'Cause this is
Your final chance


N.Autora: Can you dance like a hippogriff & Magic Works, As Esquisitonas

Friday, December 19, 2008

‘Micah, me ajuda aqui’ Wes ficou de frente para o irmão com duas gravatas na mão ‘Qual é melhor?’

‘A amarela vai ficar melhor’ Micah jogou a gravata verde na cama e rapidamente fez um nó, devolvendo ao irmão ‘Georgia não gosta de verde’

‘Eu gosto de verde’ Ele protestou e os garotos riram

‘Mas ela não gosta’ Micah apertou o nó em seu pescoço e bateu no ombro do irmão ‘Isso basta, acredite’

‘Como é que é?’ Ty apareceu na porta do quarto com Gabriel e já estavam prontos ‘As moças ainda vão demorar muito pra terminar de se arrumar?’

‘Eu já estou pronto’ Victor ajeitou o sapato no pé e levantou ‘E já vou buscar a Lavínia’

‘Eu também não posso esperar vocês, tenho que pegar a Miyako e ir logo pra lá, antes que Maxime venha nos buscar’ Gabriel disse consultando o relógio

‘Eu vou com vocês’ Ty falou sem nenhuma empolgação ‘Savanah vai ficar dando ataque se me atrasar’

‘Chris já saiu para pegar a Nina tem uns 15 minutos, então acho vou buscar a Inês’ Ricard também levantou, um pouco apreensivo

‘Você é um homem morto, Ricard’ Ty bateu em suas costas quando passou

‘A gente se encontra no salão então’ Micah disse enquanto procurava suas meias

Os quatro deixaram o quarto e Wes esperou o irmão ficar pronto. A república ainda estava movimentada quando desceram, os garotos que haviam ficado para o baile corriam de um lado para o outro calçando apenas um pé de sapato e gravatas com nós frouxos, enquanto vasculhavam a casa em busca das peças da roupa que haviam perdido. Cruzaram com muitos casais saindo das repúblicas e caminhando em direção ao salão principal até finalmente chegarem a Avalon, ainda mais bagunçada que a Spartacus.

‘Oi Micah, oi Wes’ Annia descia as escadas e Reno já a esperava ao pé dela ‘As meninas já estão descendo. Georgia estava um pouco neurótica, mas já saiu de seu estado normal e está tudo sob controle’ Disse rindo, segurando o braço de Reno

‘Neurótica?’ Wes comentou preocupado quando os dois saíram

‘Ei, você quer mexer em vespeiro, agora agüenta’ Micah riu do irmão e seu olhar congelou quando mirou a escada novamente.

As duas desciam as escadas conversando, mas pararam de falar e sorriram quando viram seus acompanhantes. Evie usava um vestido cinza sem alça e seus cabelos caiam por cima do ombro. Micah nunca tinha visto a namorada tão bonita e olhava hipnotizado para ela, segurando sua mão e a beijando devagar. Georgia sorria um pouco sem jeito para Wes e usava um vestido amarelo liso e muito bonito. Ele estendeu o braço para ela o segurar e Micah cutucou o irmão, apontando para sua gravata no mesmo tom do vestido e fazendo sinal de positivo com a mão, saindo juntos em direção ao salão principal.

Toda a extensão do jardim fora transformada em uma espécie de gruta cheia de luzes encantadas. Centenas de fadinhas vivas encontravam-se sentadas nas roseiras que tinham sido conjuradas ali e esvoaçavam sobre as estátuas que pareciam representar Papai Noel e suas renas. O saguão de entrada estava apinhado de estudantes e Durmstrang nunca esteve tão colorida. Todos aguardavam os portões serem abertos e não demorou muito para o diretor aparecer, de braços dados com uma mulher loira muito bonita usando um vestido vermelho que ia até o pé.

‘Campeões aqui, por favor!’ A voz do diretor ecoou no saguão lotado e logos os três campeões e seus pares formaram uma fila ao lado da porta, enquanto os demais alunos entravam no salão.

As paredes do salão estavam cobertas de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro salpicado de estrelas.
As mesas das casas haviam desaparecido e no lugar delas haviam centenas de mesinhas iluminadas com lanternas, que acomodavam cada uma doze pessoas. Micah e Evie se acomodaram em uma mesa com os amigos bem à frente da pista de dança, onde teriam uma visão privilegiada. Quando todos já estavam sentados o diretor entrou no salão com os campeões formando um cortejo logo atrás, e se acomodaram em uma grande mesa no fundo do salão onde estavam sentados os juízes, sob os aplausos de todos no salão.

‘Então...’ Micah olhou o prato dourado vazia na mesa e o cardápio postado em sua frente ‘Como fazemos? Alguém vem servir?’

‘Acho que não, não estou vendo nenhum elfo ou garçom por perto’ Ricard comentou olhando ao redor

‘Vamos fazer um teste’ Ty passo o dedo pelo cardápio e quando parecia ter escolhido o que comer, olhou para o prato vazio ‘Costeletas de porco!’ E o prato se encheu de costeletas ‘É, funcionou’

Os demais riram e, entendendo a idéia, repetiram o gesto. Quando finalmente toda a comida fora consumida, Ivanovich se levantou e pediu aos estudantes que fizessem o mesmo. Então, com um aceno de sua varinha, as mesas se encostaram às paredes, deixando o salão vazio, e em seguida ele conjurou uma plataforma ao longo da parede direita. Sobre ela foram colocados uma bateria, alguns violões, um alaúde, um violoncelo e algumas gaitas de foles. Houve um minuto de tensão e expectativa, então As Esquisitonas subiram no palco sob aplausos entusiasmados de todos os alunos.

‘As Esquisitonas?’ Victor disse empolgado ‘Não era o vampiro emo?’

‘Parece que o Ritalin errou’ Evie comentou animada se referindo a Tatiana e todos riram

‘É agora que os campeões vão entrar’ Micah riu, apontando para a mesa onde eles estavam ‘Olha a cara amarela do Gabriel!’

‘Gente, olha a Annia!’ Milla apontou também, rindo alto ‘Ei Annia, dá um sorriso!’ Gritou acenando e a garota, que ouviu a provocação, a olhou atravessado

As lanternas de todas as mesas se apagaram e os campeões e seus pares já estavam em pé, a postos. As Esquisitonas começaram a tocar uma música lenta e triste e os os seis entraram na pista de dança bem iluminada. Gabriel e Annia evitavam cuidadosamente o olhar dos amigos e giravam lentamente no mesmo lugar. Não demorou muito e outros casais entraram na pista de dança e os eles deixaram de ser o centro das atenções. Micah dançava lentamente com Evie, seus olhos fixos nos dela e um sorriso apaixonado estampado em seu rosto. Sequer ouvia a música, sua atenção estava toda voltada para a garota de sorriso doce e também apaixonado na sua frente. As Esquisitonas tocaram última nota trêmula da gaita de fole e os aplausos encheram mais uma vez o salão. Elas agradeceram e voltaram a tocar, mas dessa vez sua coletânea de musicas mais agitadas. A maioria dos professores se retirou e a pista de dança foi tomada por alunos pulando e sacudindo as cabeças, entoando as letras mais famosas aos berros.

A pista não se esvaziou por um minuto sequer durante todo o baile e quando as Esquisitonas terminaram de tocar à meia-noite, muitas pessoas fizeram coro para que o baile não terminasse. Quando o apelo não adiantou, a banda recebeu mais uma rodada de aplausos ainda mais entusiasmados e começou a sair em direção ao saguão de entrada. A multidão de alunos se espremia para sair toda ao mesmo tempo do salão e Micah puxou Evie pela lateral, conseguindo chegar aos jardins antes da confusão de gente.

‘Vamos comigo até a Spartacos, quero dar o seu presente de natal’ Micah disse enquanto caminhava com a namorada pelos jardins quase desertos

Ela concordou e seguiram juntos até a república. Ainda estava vazia, foram os primeiros a chegar. Evie foi direto para o quarto dos meninos e Micah foi até a cozinha pegar o presente. Chegou ao quarto com uma caixa grande embrulhada e vários furos nas laterais. Evie olhou curiosa e quando abriu a caixa, um sorriso iluminou seu rosto: dentro havia um filhote labrador amarelo com um laço no pescoço, mordendo a própria pata. Ao perceber que estava sendo observado, soltou a pata e latiu, com uma aparência carente e os olhos pequenos brilhando.

‘Micah!’ Ela olhou para o namorado e o beijou ‘Não acredito que fez isso!’

‘Gostou então?’ Ele sorria, satisfeito com a reação dela

‘Se gostei? Eu amei!’ Evie tirou o filhote da caixa e o abraçou, enquanto ele lambia sua orelha ‘Ele é lindo!’

‘Sei o quanto sente falta do Greg’ Micah sentou na cama e ela sentou ao seu lado, observando o filhote morder o lençol e se embolar nele

‘Poxa, agora meu presente vai parecer idiota perto dele’ Evie comentou fingindo desanimo

‘Você pode me dar uma caixa de fósforos que vou gostar’ Disse a beijando ‘Mas imagino que não tenha me comprado uma caixa de fósforos, certo?’

‘Não. Consegui ingressos para a Copa Européia de Quadribol’ Micah arregalou os olhos ‘Das quartas de final até a final, na tribuna de honra’

‘Seu presente bate o cachorro, com certeza’ Micah a beijou intensamente, deitando por cima dela na cama

Micah afrouxou o nó da gravata enquanto beijava o pescoço de Evie e sentiu alguma coisa morder seu pé. O cachorro arrancou sua meia e pulou em cima da cama, subindo em cima dos dois sacudindo o pedaço de pano já rasgado, querendo brincar. Micah ainda tentou espanta-lo, mas o cachorro entendeu como um sinal de brincadeira e saltou pra cima dele, tentando morder sua orelha.

‘Estou começando a me arrepender do presente’ Disse sentando na cama outra vez. Evie puxou o filhote para o seu colo e ele ficou quieto enquanto ela coçava atrás de suas orelhas

‘Filhotes são como crianças, querem atenção. Não é mesmo, lindinho? Você só quer que a gente lhe dê atenção’ Falou com voz de criança e riu quando Micah a olhou rindo

‘Bom, então temos que providenciar uma babá pro cachorro. Será que o seu primo topa? Ele estava doido pra se livrar daquela menina chata’ Disse fazendo menção de levantar e Evie riu

‘Sossega, ele não vai voltar pra escola comigo em Janeiro, você não vai precisar dividir seu tempo com ele’ Provocou, apertando o cachorro e beijando seu focinho

Micah riu e sentou outra vez ao lado dela, fazendo carinho no cachorro. Logo os outros ocupantes do quarto chegaram e a madrugada foi destinada a brincadeiras com o filhote de labrador, que Evie rapidamente descobriu ter bastante energia. Evie ficou apenas observando o namorado e os amigos se revezando para tentar cansar o cachorro e ria das brincadeiras, como um bando de crianças. E vendo aquela imagem, ela não conseguia sequer se lembrar da última vez que se sentiu tão feliz assim.

Thursday, December 18, 2008

O começo do ano letivo em Durmstrang trouxe na bagagem várias novidades. A maior delas, claro: O Torneio Tribruxo. Mesmo antes das delegações de Beauxbatons e Hogwarts terem chegado ao castelo, não se falava em outro assunto nos corredores, repúblicas e salas de aulas. A ansiedade era geral. Depois que as delegações chegaram, então... Parecia que ninguém estava interessado em discutir outra coisa. Por todos os lados, rolavam apostas acerca da seleção dos três campeões. Os três que estivessem mais preparados para competir pela honra de suas escolas. E o Cálice de Fogo não hesitou muito tempo em apontá-los. Nem o relógio se demorou muito para acelerar o passar de seus ponteiros e fazer com que o dia da primeira tarefa finalmente chegasse. E assim como veio, passou.
Poucos dias antes de todos os alunos embarcarem para casa para suas férias de Natal, porém, outra era a preocupação de um bom número deles. Por mais incrível que possa parecer, o tão idealizado e esperado “Baile de Inverno”, caminhava na direção daqueles que ainda não tinham um par como se fosse um grande e medonho trasgo montanhês...

- Ricard, você está me escutando? – Victor perguntou em voz alta, batendo palmas em frente aos meus olhos. Sacudi a cabeça e o nosso quarto da Spartacus entrou em foco.
- Não. Não escutei. O que você dizia?! – arrumei os óculos nos olhos, observando-o. Ele me encarava curioso.
- Eu perguntei se você viu aquele meu livro sobre Trancabola...? Não o encontrei em nenhum lugar por aqui.
- Também não sei onde está. Desculpe.
- Tudo bem. Depois pergunto ao Micah... – continuamos nos encarando uns segundos. – Você está bem? Me parece um pouco pálido.
- Estou. Só um pouco cansado. Cheguei um tanto tarde ontem... Allice não queria vir embora.
- Allice? – Victor perguntou em tom zombeteiro e um semi-sorriso já desenhado no rosto. – Você não está falando de Allice Godunov, está?
- Sim. É dela mesma de quem estou falando. Qual o problema? – perguntei um pouco irritado, pois Victor iniciou uma gargalhada alta.
- Problema nenhum. É só que ela é um tanto... excêntrica. Você não acha?
- Não. Não acho! Allice é uma garota muito bonita, inteligente...
-...maluca! – Victor completou e o olhei atravessado. – Vai negar? A menina jura que existem unicórnios azuis e violetas!!!
- Ok, ela tem esquisitices, mas é uma boa companhia. – completei me dando por vencido, cansado.
- Não só ela, não é? Aliás, esse ano você só saiu com meninas estranhas! Primeiro a sardenta do 5º ano que começou a te chamar de “Ricky”, depois a capitã do movimento feminista da escola (que convenhamos, é mais macho que todos nós, juntos!), agora essa? Francamente, Ricard. Você está precisando aumentar sua auto-estima.
- Certo. Podemos parar de discutir sobre a minha vida social-amorosa agora? Quando eu não saio com nenhuma garota, vocês reclamam. Quando saio, vocês implicam com ela... Difícil agradar, hein? – rebati mal-humorado.

Victor sacudiu os ombros rindo e não disse mais nada, por longos minutos, até a porta do quarto ser aberta violentamente e uma Lavínia bastante agitada e incrédula entrar, me encarando como se eu tivesse acabado de brotar do chão ali e fosse um completo estranho.

- É verdade? – ela perguntou histérica. – Você saiu mesmo com Allice Godunov? Aquela menina viciada em pó-de-flú vencido?

Victor não conseguiu segurar uma nova crise de risos e o olhei censurando, mas ele não deu importância. Encarei Lavínia, desafiando-a.

- Sim. Sai com Allice sim. E ela é uma ótima pessoa. Bem divertida, se quer saber... Algum problema?
- Você perdeu todo o resto de juízo que ainda tinha, Ricard! Parece que está louco! – ela respondeu ainda mais assustada.
- Perdeu o orgulho também, Vina. – Victor acrescentou enxugando as lágrimas.
- Victor, se não tem nada a acrescentar de útil, fique calado! – retruquei mal-educado. – Não vou discutir esse assunto com você, Lavínia. Não quero arrumar brigas. Lembra do combinado: eu escolho as meninas com quem vou sair e você não se intromete?!
- Se você estivesse convidando meninas “normais”, não me intrometeria. Mas você perdeu a noção! Isso só pode ser coisa da Miyako, que fica enchendo sua cabeça de idéias malucas...
- Deixa a Miyako fora disso, por favor? – falei com os dentes cerrados.
- É claro que você vai defender a sua “melhor amiga” oriental, não é? Afinal, ela está te incentivando a ser caridoso com todos os DRAGÕES do castelo!!! – ela gritou eufórica e Victor caiu na cama, rindo. – Me responde uma pergunta: com qual dos seres medonhos que andam te fazendo “companhia” ultimamente você vai ao Baile?

Foi o estopim. Victor já amassava o travesseiro no rosto para abafar as risadas cada vez mais altas e, Lavínia e eu, estávamos com os rostos tão vermelhos que não me espantaria se começasse a sair fumaça por nossas orelhas. Sai marchando nervoso para fora do quarto e da República, sem dizer mais nada.

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- Oi. – Miyako disse se sentando ao meu lado e apertando mais o cachecol em volta do pescoço. Havia me sentado na beira do lago, que tinha uma leve camada de gelo por cima de toda sua superfície. Não respondi. – Fui te procurar na Spartacus, mas Victor me disse que você saiu de lá há horas e não voltou mais. Disse que brigou com Lavínia...
- Victor está ficando muito fofoqueiro na minha opinião. – respondi baixo e Miyako riu.
- Qual o motivo da briga dessa vez? Eu, pra variar?!
- Não diretamente. Mas ela sempre dá um jeito de te encaixar na culpa. - Miyako riu ainda mais e ri também. – Ela disse que estou sendo caridoso só saindo com as meninas doidas do castelo...

Ela não disse nada, e nem eu. Ficamos alguns segundos calados.

- E ela tem razão, sabe? Não assumi isso para Victor e nem pra ela, mas confesso que sair com a maluca da Allice Godunov ontem foi uma tortura. Se ainda fosse doida com argumentos...
- Se você sabia que ela era doida antes de convidá-la pra sair... Porque convidou? Tenho que concordar com eles, Ricard. Seu padrão de seleção não está lá muito alto...
- Mas não foi você mesma quem disse que eu tinha que “me arriscar” mais com garotas? Chamá-las pra sair, conhecer pessoas novas, diferentes. Me livrar das amarras da Lavínia...? Então. Eu estou fazendo isso.
- Eu disse isso e confirmo. Mas quando falei que você devia se arriscar mais com garotas, quis dizer com garotas... “normais”. Sem maluquices. Você não precisa ser caridoso, Ricard! É bonito, é simpático, é inteligente... Só precisa se soltar mais.
- Não dá pra entender vocês, sinceramente.
- Você está entendendo sim. E já pode começar convidando alguém legal pra ir ao Baile com você. Se quiser, posso fazer uma lista das garotas que ainda estão sem par. E são muitas, acredite!

Do outro lado do lago, vi Inês Molotov entrar sozinha na Avalon. Uma idéia um tanto doida (e suicida) me ocorreu.

- Garota legal, bonita, “normal”, inteligente... Não vou precisar da lista não. Já tenho uma idéia de quem convidar. – respondi sorrindo de repente, encarando Miyako, que pareceu surpresa com a rapidez.
- Se está se preparando para me convidar, nem tente. Não estou mais disponível. – ela respondeu zombeteira e rimos. – Não vai me contar quem é?
- Não... Mas tenho a impressão de que logo você e o restante do castelo vão ficar sabendo. Se ela aceitar, claro!
- Então trate de convidá-la depressa. Me deixou curiosa.

Concordei com a cabeça já bolando um plano de abordagem...

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Como o previsto, ela estava sozinha na biblioteca, estudando. Quase se escondia atrás de uma pilha de livros e escrevia rápido em um pergaminho, concentrada. Respirei fundo e tracei uma reta até sua mesa. Minha sombra em pé na sua frente, a fez parar de escrever e olhar para mim, irritada. Já ia reclamar, mas fui mais rápido.

- Muito prazer, sou Ricard Dragash. Minha família não é importante, mas se você ainda não tem par para o baile e quer irritar algumas meninas da Avalon, sugiro que aceite o meu convite para te acompanhar.

Ela pareceu um tanto transtornada com minha proposta e ficou me encarando por longos segundos, sem saber o que dizer.

- Então. Quer ir ao Baile de Inverno comigo? – perguntei novamente, direto ao ponto.
- Você não é aquele amigo da Lavínia...?
- Esse mesmo. E você é Inês Molotov. Vamos pular as introduções desnecessárias.
- É algum tipo de armação? Não estou entendendo esse seu convite... – ela olhou ao redor, para todos os lados, como se esperasse ver alguém pular de trás da estante rindo.
- Não, não é armação. Juro.

Nos encaramos mais algum tempo e ela me avaliou, pensativa.

- Tudo bem. Eu aceito. Depois combinamos um horário para você ir me pegar, sem atrasos. – enfatizou séria e eu concordei com a cabeça, sorrindo. – Arrume um traje social decente.
- Não se preocupe. Sou um bom acompanhante. – completei virando as costas. Estava há alguns metros da saída quando sussurrei para mim mesmo – De garotas malas então... sou mestre! – soltei uma gargalhada sozinho ao pensar na reação de Lavínia e das outras meninas quando descobrissem.

Thursday, December 11, 2008

A quarta-feira já se encaminhava para o fim, mas a redação do Expresso Polar estava a todo vapor. Os redatores se esbarravam pela sala, todos apressados para finalizar a edição da semana. Cada um estava ocupado com o seu trabalho e alguns até evitavam se comunicar para não perder tempo. Georgia e Evie discutiam sobre a matéria de capa e tentavam chegar a um acordo, quando Tatiana, uma das novas redatoras, deu um grito que chamou a atenção de todos.

‘O que é isso, criatura?’ Georgia reprimiu o grito ‘Tem gente trabalhando e que precisa de concentração!’

‘Ai, desculpa, mas é que eu acho que descobri quem vem tocar no Baile de Inverno e temos que publicar isso!’ Tatiana mal continha a empolgação ‘Lorcan d’Eath!’

Ela reprimiu outro grito, apertando um pedaço de pergaminho para conter a vontade de pular. Algumas meninas reagiram com animação, mas Georgia revirou os olhos e encarou Evie, que riu de sua expressão entediada.

‘Se você acha, então cheque as fontes primeiro e descubra se essa informação é verídica’ Georgia disse em tom de aviso ‘Não publicamos inverdades no Expresso Polar, principalmente uma que pode causar alvoroço’

‘Sim, claro, vou checar minha fonte antes de escrever qualquer coisa!’ Respondeu de imediato, voltando a se afundar na mesa com um espelho de duas vias na mão

‘Lorcan d’Eath?’ Evie comentou quando Georgia sentou outra vez ‘Nada mal, não?’

‘Meio deprimente, não acha?’ Respondeu com sarcasmo ‘Pensei que a idéia era agitar o baile, não transformá-lo num poço de mel’

‘Ah qual é, Lorcan d’Eath é demais! Ele não tem só músicas lentas, tem algumas agitadas também’

‘Quase nenhuma, eles deviam investir nas Esquisitonas de novo. Dar a elas a chance de tocar no Baile de Inverno de um torneio que não vai terminar em morte. Isso ficou marcado na carreira delas’

‘Bom, As Esquisitonas também seria demais’ Evie concordou com a cabeça, fechando o caderno onde escrevia ‘E com quem você vai ao baile?’

‘Não sei ainda, e não estou me preocupando com isso agora, porque ainda nem temos uma matéria de capa pra edição dessa semana!’ Disse ríspida, batendo com a mão nas fotos e mudando o assunto

‘Ok, entendi, assunto encerrado’ Ela abriu o caderno outra vez e voltou a apoiar a cabeça nas mãos ‘Que tal a constante presença de funcionários do Ministério aqui? Sabemos que não tem nada a ver com o torneio’

‘Ok, tudo bem, vamos com isso então’ Disse sem muita paciência ‘Não vai fazer mal aguçar a curiosidade dos alunos com isso. GABRIEL!’ Gritou de repente e Evie saltou da cadeira, coçando o ouvido

‘Você gritou, Georgia’ Gabriel disse sério, sem nem olhar para trás ‘Vai ter que colocar 1 sicle no pote’

‘Ah eu não gritei, só chamei você alto!’ Georgia reclamou quando Evie riu do seu lado ‘Se me devolvessem a poção, não teria gritado!’

‘Não importa, o trato era você não gritar mais’ Disse virando para ela, ainda sério ‘E você gritou, então vai ter que depositar 1 sicle no pote’

‘Gabriel tem razão, Georgia’ Evie se meteu no dialogo, apoiando o amigo ‘Você tem que aprender a controlar seu temperamento sem precisar se dopar. Não vamos devolver as poções, se conforma’

‘Está bem, está bem!’ Saiu da mesa irritada e tirou a moeda do bolso, colocando no pote já quase cheio ‘Satisfeitos?’

‘Muito’ Ele sorriu ‘Agora pode dizer o que quer’

‘Precisamos de uma foto dos funcionários do Ministério que andam rondando a escola. Mas seja discreto, não deixe que eles o vejam fotografando’

‘Sim senhora, isso é fácil. Mas amanhã consigo a foto, porque agora tenho um ensaio’ Disse não muito animado, consultando o relógio ‘Mi, Gina, é melhor irmos’

‘Lá vai o pé de valsa!’ Micah caçoou e ele retribuiu o comentário com um gesto não muito amigável, pegando o casaco em cima da mesa e saindo com as amigas

‘Você não vai deixá-lo em paz, não é?’ Evie comentou rindo quando o namorado se aproximou

‘Eu perco o amigo, mas não perco a piada. Já decidiram a matéria de capa, então?’

‘Sim, vamos ver o que os cães de guarda do pai da Inês andam fazendo por aqui’ Evie respondeu gostando da idéia de investigar o assunto

‘Então, gata, você já tem par pro baile?’ Micah sentou em cima da mesa e piscou pra namorada. Ela balançou a cabeça, rindo

‘Não sei, ainda não fui convidada por ninguém’ Disse entrando na brincadeira ‘Por quê? Vai me fazer uma proposta?’

‘Só se for uma proposta indecente’ Disse deitando o corpo na mesa para beijá-la

‘Parem com isso imediatamente’ Georgia voltou à mesa e interrompeu o beijo dos dois ‘

‘Georgia, você precisa de um namorado’ Micah foi enfático e Evie prendeu a risada

‘Só porque não acho que vê-los se agarrando é um entretenimento não significa que precisa de um namorado’ Respondeu seca

‘Você já tem par pro baile?’ Ele insistiu ‘Se não tiver, vou arrumar alguém pra você’

‘Por favor, não’ Georgia respondeu preocupada ‘Realmente não preciso da sua ajuda pra isso. E se está à toa, vá terminar de revelar as fotos do Gabriel!’

Micah bateu continência debochado e saiu da mesa delas, cumprimentando Wes, que tinha acabado de entrar e caminhava de encontro às meninas. Evie sorriu ao vê-lo entrar, mas Georgia não notou a presença do garoto e continuou escrevendo.

‘Oi Wes! Perdeu o caminho da republica ou veio ver o movimento do jornal?’ Evie perguntou

‘Não, na verdade vim falar com a Georgia’ Respondeu olhando para a garota, que ao ouvir seu nome notou que tinham companhia

‘Comigo?’ Se espantou ‘Se for vaga para redator, sinto muito, mas já temos pessoal demais e ocupação de menos’

‘Não quero vaga no jornal, quero saber se quer ir ao baile comigo’ Disse direto e Georgia arregalou o olho. Evie prendeu o riso.

‘Como é?’ Disse quase gaguejando

‘O baile, daqui a duas semanas. Você já tem par?’

‘Não, ela não tem’ Evie respondeu quando Georgia não conseguiu formar uma sentença ‘E adoraria ir com você’

‘Ótimo’ Wes sorriu ‘Pego você às 19:30’

‘Ela estará pronta’ Evie tornou a responder por ela e Wes saiu da sala, satisfeito ‘Olha que mágico! Dois minutos atrás você não tinha par, e agora tem!’ Evie disse tentando não rir

‘Eu não vou ao baile com ele!’ Georgia finalmente conseguiu falar, e soava irritada

‘Por que não? Wes é legal, bonito e disponível’ Defendeu o amigo ‘E aparentemente, o único garoto daqui que não se sente intimidado por você’

‘Mas eu não posso ir com ele!’ Georgia insistiu, menos irritada, mas mais assustada

‘Qual o problema, Georgia? Está com medo de acontecer o que?’ Evie disse em tom de deboche ‘O máximo que pode acontecer é ele beijar você, e não vejo mal nenhum nisso’

Georgia reagiu ao comentário de maneira estranha e para o seu desespero, Evie percebeu. Ficaram se encarando alguns segundos, Georgia tentando em vão desviar o olhar da garota.

‘Georgia, você já ficou com algum garoto antes, certo?’ Evie perguntou desconfiada

‘Claro que sim’ Disse olhando atravessado para ela

‘Tem certeza? Porque não me espantaria se encontrasse mais uma Annia aqui!’

‘Eu já namorei, ok? É só que... faz algum tempo já’

‘Não se preocupe, é como andar de bicicleta, você nunca esquece’

‘Quando parar de fazer piadinhas, podemos voltar ao trabalho?’ Georgia tentou encerrar o assunto, mas sem sucesso dessa vez

‘Georgia Yelchin com medo de beijar um garoto’ Evie continuou caçoando ‘Quem diria!’

‘Eu estou sem os meus remédios, se acontecer alguma coisa com você, posso alegar isso no tribunal’

‘Sugiro que você guarde essa fúria toda para o baile’ Evie levantou da mesa ‘Sabe como é, né? Garoto criado em uma fazenda... Ouvi dizer que são mais selvagens’

Georgia atirou um caderno na direção dela, mas Evie o pegou no ar e riu ainda mais. Sabia que agora teria munição para atormentar Georgia até o fim do ano, a menos que ela lhe provasse o contrário. E de um jeito ou de outro, seria divertido.

Sunday, November 30, 2008

Lembranças de Renomaru G. Kollontai

- E o campeão de Durmstrang é....Renomaru Goldensun Kollontai!!

O Diretor falou com entusiasmo o meu nome, e uma alegria enorme surgiu em meu peito, tomando todo o meu corpo. Com orgulho eu me levantei da cadeira, ainda não acreditando que havia sido escolhido como campeão. Apesar de eu saber que estava preparado, o nervosismo não deixava de surgir, e aumentar enquanto eu caminhava para a sala atrás da mesa dos professores, onde o Diretor segurava a porta para mim, com um sorriso. A escola gritava entusiasmada, me dando o apoio deles, mas não os ouvia mais quando o professor fechou a porta.

- Parabéns, Kollontai! – O Diretor Ivanovich falou quando passei por ele, entusiasmado.

- Obrigado, professor.

- Bem já que todos os campeões estão decididos podemos dar início ao Torneio! – Madame Madame Maxime falava com seu sotaque e sua voz fortes. Gabriel estava ao seu lado, e pareciam lhe faltar palavras, e cor...Mcgonogal, a Diretora de Hogwarts, também estava animada e ao seu lado, Gina parecia não querer abrir a boca para evitar algum grito, de alegria ou não.

- Parabéns a vocês três, o Cálice os considerou aptos a participarem do Torneio e os elegeram como representantes de suas escolas. É uma honra poder representar alguma das três maiores escolas da Europa – Mcgonogall falou, enérgica, mas com uma espécie de sorriso no rosto, o que parecia não lhe combinar muito, e pelo pouco que eu a conhecia era verdade.

- Essa reunião é apenas para informa-los um pouco. O Torneio será difícil e até mesmo perigoso, mas fiquem tranqüilos, há vários bruxos do Ministério que irão estar presentes para ajuda-los caso a situação sai do controle. A primeira prova acontecerá no dia 24 de Novembro, na parte da tarde. Nessa prova vocês não poderão levar nada além de suas varinhas e iremos testar as habilidades de vocês em improviso e conhecimento de magia sob pressão. Não, Kollontai, apenas as varinhas. – Ivanovich repetiu me dirigindo um olhar significativo. Merda! Estava pensando em levar meus aparatos de alquimia para me ajudarem, mas não vou poder...Droga!! – Muito bem, por agora estão dispensados, no dia da prova receberão mais informações. Boa sorte a todos e boa noite.

Os Diretores, assim como os funcionários do Ministério presentes, cumprimentaram todos os campeões com alegria e encorajamentos. Eles saíram primeiro, deixando-nos um pouco a sós, e enquanto saiam pude ouvir a gritaria das escolas.

- Bem é isso, ainda não acredito que fui selecionada, mas vamos ver como nos saímos. Boa sorte aos dois. – Gina falou, enquanto nos sorria e saia, pude ouvir a gritaria ficar mais forte onde Hogwarts estava reunida, aguardando-a.

- É Reno, estamos encrencados não acha? – Gabriel falou rindo. – Boa sorte também, já vi que sua escola também vai querer quase arrancar um pedaço de você de lembrança.

- Nem todos, tenho certeza que muitos não gostam de mim. Bem, boa sorte, porém não fique em meu caminho, a taça é minha. – Gabriel riu do desafio e saímos juntos. Assim que apareci no salão, Annia pulou em meu pescoço gritando e dando os parabéns, e logo me vi cercado por diversos alunos. Realmente Durmstrang e Beauxbatons só faltavam arrancar pedaços de nós...

Dia seguinte.

Eu acordei com dor de cabeça. Ainda bem que era fim de semana, pois estava cansado e sonolento. Durmstrang inteira pareceu se reunir na Chronos para comemorar, e só fomos dormir quando os professores vieram brigar conosco, dizendo que já era demais, pois já era quase 5 da manhã. A escola me dava apoio em peso, e até mesmo aqueles que não gostavam muito de mim, engoliam as adversidades para me dar os parabéns, pois sabiam que eu o melhor para conseguir a taça. Eu devia ter bebido menos na festa, pois a dor de cabeça estava me matando. Assim que levantei da cama, peguei um frasco de meu armário e o virei de um só gole, rapidamente o efeito da bebida sumiu de meu organismo e pude pensar com mais clareza. Só agora eu me dava conta: CAMPEÃO DE DURMSTRANG! Cheguei a ficar sem ar, mas o sorriso era enorme e eu estava feliz, muito feliz.

Bram ainda dormia, e apenas para não perder o hábito o empurrei da cama, fazendo-o cair no chão. Ele me xingou, mas voltou a dormir, enquanto eu caia na gargalhada. Sai da república e vi que ainda estava relativamente cedo, e poucos alunos estavam acordados, a maioria de Durmstrang, que novamente me davam os parabéns. A maioria ainda estaria caído nas camas ou chão das repúblicas se recuperando da bebedeira, os mesmo para os demais alunos das outras escolas. Rumei para a escola, já sabendo para onde queria ir.

Eu sabia que minha mãe estaria em seu gabinete, preparando aulas ou fazendo novas experiências e rumei para lá, indo visitá-la. Ontem não tive como falar com ela quando fui escolhido como campeão, mas trocamos um olhar e vi o orgulho em seus olhos. Isso havia me feito sentir-me ainda mais feliz, e vi que havia emoção em seus olhos. Quando cheguei a porta de seu gabinete, dei uma batida de leve, e ouvi sua voz respondendo:

- Entre, Reno.

- Bom dia, mãe. Estou atrapalhando?

- Nunca me atrapalha, ainda mais agora que se tornou o campeão de Durmstrang! Venha aqui querido. – Ela falou com um sorriso largo em seu rosto e me puxou para um forte abraço, que eu retribui com felicidade. Como éramos aluno e professora na maior parte do tempo, não podíamos demonstrar afeto, então quando estávamos sozinhos aproveitávamos o tempo perdido. – Meus parabéns, Reno! Quando ouvi Igor dizendo seu nome eu quase pulei da cadeira para gritar com os demais. Estou orgulhosa!

- Eu pulei da cadeira, não acreditava que era verdade...O Ivanovich também estava animado.

- Claro que ele estaria, você é um ótimo aluno, há fortes chances de Durmstrang ganhar o Torneio, fora que ele gosta de você, ele estava realmente animado.

- Então é de família, achei que a Annia ia me matar enforcado ontem.

- Olha, se eu for ganhar uma nora, eu quero saber.

- Já falei que é só amizade, mãe. A Annia é maravilhosa, uma garota única, muito bonita, mas é só amizade...

- Pelo menos por enquanto, certo? Bem se algo um dia acontecer eu ficaria feliz.

- Mãe...Bem deixa pra lá. Fiquei muito feliz em ver que você estava tão feliz quanto eu.

- Estava radiante! E então, preparado para a primeira prova?

- Estaria mais se pudesse levar meus aparatos de alquimia...Só vou poder usar minha varinha, e estava pensando que poderia usar alquimia...

- Você pode tentar usar a alquimia com o que tiver no local de prova, não vai ter o mesmo efeito sem seus catalisadores, mas pode ajudar você um pouco. E eu confio em suas habilidades, querido!

- Obrigado mãe...Eu vou treinar mais alquimia sem catalisadores e alguns outros feitiços.

- Sim, é uma boa idéia. Quero lhe dar algo, estava esperando você ficar adulto ou se formar, mas isso é uma ótima oportunidade.

Enquanto dizia isso, ela se afastou e foi vasculhar seus armários. De lá, ela tirou uma caixa de madeira com um círculo dourado na tampa. Reconheci um selo alquímico e fiquei intrigado sobre o que estaria na caixa para que fosse lacrado dessa forma. Mamãe fez um pequeno corte no dedo e colocou a mão sob o círculo, imediatamente ouvi um som e a caixa se abriu. Mamãe retirou um cordão com uma pequena pedra vermelho vivo. Eu arregalei os olhos, e soltei ar dos pulmões sem notar.

- Isso era de seu pai. Eu dei a ele quando nos casamos...Foi seu bisavô que me deu.

- Isso...é um fragmento de uma Pedra!

- Como eu disse, foi seu bisavô que me deu. Antes de seu pai morrer, ele conseguiu esconder esse fragmento e quando encontramos seu corpo...A pedra estava em suas mãos. – Mamãe tremia enquanto contava... – Ele havia gasto toda a energia que ele tinha para escondê-la, transmutando-a em uma pedra comum, para que ela só voltasse ao normal em minha presença ou da sua... Desde então você sabe que para protege-lo, eu reneguei o nome de minha família, e escondi as evidências, aguardando que o mundo melhorasse e você ficava mais velho para poder carregar esse fardo. Agora sei que está pronto. Mas deve me prometer que não irá usar essa pedra, inclusive nas tarefas do Torneio. É uma lembrança de seu pai e de seu bisavô.

- E sua também, mãe. Eu prometo que não irei usa-la. Obrigado pelo presente. – Eu falei emocionado, e sentia lagrimas em meus olhos. – Queria que papai estivesse aqui.

- Seja lá onde ele estiver, ele está orgulhoso e feliz, você se tornou um homem maravilhoso, como ele. Estou realmente orgulhosa.

Nos abraçamos novamente, e ficamos calados por um tempo. Depois ela prendeu a pedra em meu pescoço e eu a transmutei, modificando sua cor e aparência, para a de uma pedra mais comum, uma safira ou algo do tipo. Mamãe passou a mão a pedra e sorriu enquanto me dava um beijo no rosto.

- Já chega de fugir. Nossa família sofreu muito por tempo demais, estou cansada de esconder. Quando terminar o torneio, iremos admitir nossa linhagem Flamel.

- Estou de acordo mãe.

Véspera da Primeira Tarefa

Os dias haviam passado rapidamente. Eles mal pareciam ter alguns minutos, o que dirá horas. Já era véspera da primeira tarefa e todos haviam ido dormir cedo, animados com o dia seguinte. Eu, porém, estava sem sono...E por nervosismo sai da república, esgueirando-me até o castelo, procurando a varanda secreta que eu usava quando queria pensar ou fazer experimentos sem que outros soubessem. A varanda era no topo do castelo, iluminada pela luz da lua, e era meu lugar favorito para pensar, ou para não fazer nada. Para chegar lá, eu precisava usar uma passagem secreta em uma gárgula dos jardins, que me levava a uma longa escadaria. Fiquei sentado lá, olhando a lua, enquanto pensava no dia de amanhã, quando ouvi um barulho.

Alguém PULAVA pelo parapeito da varanda, o que era impossível, pois estávamos algumas centenas de metros acima do chão. Fiquei quieto, com uma mão na varinha e a outra em meus frascos. A figura parou no parapeito, abaixada, me encarando na escuridão, como se soubesse que eu estava ali.

- Boa noite, Kollontai, sei que é você. – A voz falou com um tom de riso e reconheci na hora quem era. O único em toda a escola capaz de escalar centenas de metros: Seth Chronos.

- Ah, é você, Chronos. O que faz aqui? – falei, relaxando um pouco, mas sem largar a varinha.

- Pode largar a varinha, Reno, não vou fazer mal. Eu que pergunto, o que faz aqui? Se importa se eu chamá-lo de Reno?

- Pode, Seth. Estou apenas pensando, achei que só eu conhecia esse lugar.

- Provavelmente só você conhece em Durmstrang, mas eu tenho aptidão em achar lugares assim...E você acha realmente que eu já não vaguei pela escola inteira? Gostei mais daqui, então venho de vez em quando a noite.

- Sabia que você é proibido de vagar pela escola não? Principalmente a noite. Posso denunciá-lo.

- Você também não pode, então nós dois estamos errados. – Ele sorriu, e apesar de seus dentes pontiagudos, o sorriso me transmitiu serenidade e calma. Odeio admitir, mas eu gosto do Seth. – Fora que todos estão dormindo, tirando alguns alunos acordados.

- Como tem certeza?

- Eu sei. Posso escuta-los, ouvir suas batidas de coração e seus cheiros, e reconhece-los dessa forma. Cada ser humano tem um cheiro e uma batida de coração única, e já decorei todos desta escola. Biel e Gina estão acordados, deitados em suas camas, pensando em amanhã também. Tem um casal namorando, mas eles vão ser pegos em breve por um monitor. E Luna está dormindo. – Ele falou enquanto gesticulava para a cidade e depois pulou para meu lado sentando-se ao meu lado.

- Impressionante...Como o cálice não o escolheu? E você consegue reconhece-los assim de tão longe...

- Eu não me inscrevi no Cálice, não quis. Eu convivo com eles há tempo suficiente para praticamente poder vê-los apenas escutando seus corações e sentindo seus cheiros. Luna principalmente, ela é única, no cheiro, no coração, na presença. É maravilhoso.

- Você realmente ama essa garota hein? – Falei rindo, e ele riu também. – Vocês fazem um bonito casal, felicidades. E eu como eu cheiro?

- Você fede. Tem cheiro de enxofre e de amônia. – Ele falou, caindo na gargalhada, e não pude evitar um sorriso.

- Muito obrigado, mas você também não é muito cheiroso. – Falei dando-lhe um soco no ombro de brincadeira e rindo. Conjurei duas garrafas e dei uma para ele, ele cheirou e tocou com a varinha, trocando o whisky por cerveja-amanteigada, me fazendo revirar os olhos. Ficamos um tempo calados, apenas olhando a lua. A presença dele me acalmava e vi que era puramente birra minha não querer ser amigo dele.

- Vi que você e sua mãe decidiram assumir o ramo Flamel de vocês. Reconheci o pingente. – ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo e quase engasguei, como ele sabia?!

- Quer parar de usar leglimência em mim?!

- Não usei leglimência. Nossas famílias se conhecem há anos, e em uma das memórias de meus pais, seu pai usava esse pingente, porém em sua forma verdadeira, e o reconheci, mesmo modificado. Esquecesse que nossas famílias são amigas há anos?

- É havia me esquecido...Tudo bem, mas por enquanto não comente nada, eu e minha mãe decidimos que vamos assumir a linhagem Flamel após o Torneio.

- Não preciso reafirmar que têm o apoio dos Chronos certo? Qualquer necessidade basta falar conosco.

- Obrigado, mas não acho que vá ser necessário. Acho que vou tentar ir dormir, preciso ter forças amanhã.

- É verdade...Não se preocupe, pode ir para sua república sem medo, não há monitores naquela região.

- Não preciso que me diga isso, sei me virar.

- E amanhã, não precisa ficar com medo, baixinho, caso algo saia errado vão ter vários bruxos para ajuda-lo. Basta gritar por socorro. – Ele ria enquanto falava e eu acabei rindo também, segurando a raiva.

- Não me chame de baixinho, sanguessuga.

- Tudo bem, baixinho. – Ele falou já de pé no parapeito. – Boa sorte amanhã.

- Obrigado. Seth, amanhã não precisamos que os outros saibam de nossa nova amizade. Mas tenho que admitir, você é legal, obrigado.

- Ok, baixinho. Você também é legal, apesar do mau cheiro.

Ele falou rindo baixinho, enquanto se jogava para o vazio. Por curiosidade corri para o parapeito e o vi cair com leveza no chão, em seguida correndo na direção dos dormitórios femininos, ele devia ir ver a Luna antes de dormir. Eu me virei para a passagem secreta e desci ainda rindo do encontro inusitado.

Wednesday, November 26, 2008

‘Agora cada um deve pegar um fio de cabelo da pessoa em que querem se transformar, adicionar à poção e está pronta para beber. Vamos ver como se saíram!’

O professor Klasnic parou de frente pra turma outra vez e nos observou. Puxei um fio de cabelo da Milla e ela puxou um meu. Adicionamos nas nossas poções, respiramos fundo e bebemos. Foi uma sensação muito esquisita. Sentia meu rosto e corpo como se fosse uma gelatina e segundos depois tinha me transformado na Milla e ela em mim. Durante uma hora, toda a turma permaneceu invertida. Micah e Ty se transformaram um no outro, Victor teve que usar os óculos de Ricard pra enxergar, Vina trocou de lugar com Annia e achou estranho não precisar de óculos, Chris trocou de corpo com o primo Gabriel, Griff trocou de lugar com o irmão gêmeo e não gostou do cabelo comprido e Nina havia trocado de lugar com a Miyako.

Quando o efeito passou e voltamos às nossas formas normais, o professor pediu que fizéssemos algumas anotações e liberou a turma. Demorei mais que o necessário para guardar meu material e assim que ele saiu da sala, peguei um frasco vazio e enchi com a poção que sobrou no meu caldeirão. Guardei com cuidado no bolso e corri para fora da sala.

‘Peguei’ Avisei à Milla, que me esperava do lado de fora ‘Avise às meninas que hoje à noite vamos ter uma festinha na república’

Descemos as escadas de braços dados e rindo alto. Hoje pegaríamos nosso quarto de volta, então era melhor começar a arrumar logo as malas.

~*~*~*~*~*~

Toda quarta-feira à noite era dia da lendária ‘Noite das Garotas’ na Avalon. Cada semana inventávamos um tema diferente e nos juntávamos todas na sala para beber e conversar. E o tema dessa semana era Cassino. Recentemente havíamos descoberto que Martina era uma crupiê nata e, devidamente caracterizada com gravata borboleta e viseira, havia assumido a mesa para as partidas de Black Jack. Montamos também uma mesa para jogarmos Poker e Georgia, agora sob o constante efeito de remédios, havia exagerado na quantidade de bebida para a festa da semana, o que acabou nos favorecendo. Havíamos bolado todo um esquema para reavermos nosso quarto e ele envolvia, principalmente, whisky de fogo.

A base do plano era simples: embebedar Inês. E não foi difícil. Descobrimos depressa que ela ficava absurdamente sociável quando estava ocupada jogando cartas e apenas nos certificamos de nunca deixar seu copo esvaziar. Já passava da meia noite quando percebemos que ela estava quase atingindo o ponto em que não se lembraria de nada quando acordasse. E era exatamente esse o ponto ideal. Corri até o quarto e um minuto depois estava de volta à sala. Kay veio de encontro a mim e passei um frasco para sua mão, sem ninguém perceber. Era a deixa para Martina sair da mesa.

‘Ei, Nina!’ Gritou com a mão erguida e Nina foi até ela ‘Assume a mesa um pouco, vou descansar’

‘Opa, deixa comigo!’ Nina disse animada, pegando o baralho de sua mão

Martina saiu de trás da bancada e Inês levantou segundos depois. Esperamos até que ela se afastasse da mesa e a seguimos.

‘Ei!’ Milla deu um esbarrão forte nela e seu relógio ficou preso nos seus cabelos ‘Meu cabelo, está arrancando tudo!’

‘Calma, calma, tem que tirar devagar!’ Martina se adiantou pra ajudar e puxou o cabelo de Inês do relógio, arrancando alguns fios no processo ‘Pronto’

‘Toma mais cuidado, garota’ Inês reclamou e Milla olhou atravessado para ela ‘Ai!’

Sem esperar, Inês levou um empurrão violento meu e da Annia e foi atirada pra dentro do banheiro. Trancamos a porta e a música alta impedia as pessoas de ouvirem os gritos dela pedindo para a soltarem. Kay abriu a porta da cozinha.

‘Vamos logo com isso, não podem manter ela ai por uma hora’

Assentimos com a cabeça e Martina entrou na cozinha, seguida por Vina. Demoraram cerca de cinco minutos e voltaram para o corredor. Vina escondeu a câmera na bolsa.

‘Vamos subir com a Kay escondida e você mantenha a Inês ocupada aqui embaixo, não deixe ela subir sob hipótese alguma por pelo menos uma hora!’ Disse apressada, saindo da porta do banheiro

‘E se certifique que ela continue bebendo’ Milla disse quando formamos uma parede para cobrir Kay ‘Precisamos de um black-out total amanhã’

‘Não se preocupem, ela vai subir carregada hoje’ Martina riu e parou do lado da porta

Subimos rápido com Kay escondida entre a gente e fechamos a porta do quarto. A maioria das nossas coisas já estava arrumada, então recolhemos só o que usamos antes da festa e subimos com tudo para o nosso antigo quarto. Juntamos as coisas de Inês sem nenhuma delicadeza e atiramos tudo em caixas de papelão, emboladas, e descemos outra vez. Em pouco mais de uma hora, tudo que restava naquele quarto pequeno era uma cama desmontada, um colchão no chão e muitas caixas espalhadas. Já estávamos prontas para descer quando a porta abriu com estrondo e Martina com Inês escorada no ombro.

‘Ela vai entrar em coma alcoólico de beber mais um dedo de whisky de fogo’ Comunicou rindo, enquanto Inês sorria debilmente para a gente

‘Ótimo! Se esse coma durar até Julho, pegou mais um copo agora mesmo!’ Milla falou batendo palmas e rimos

‘Legal essa decoração’ Inês comentou vaga, olhando pras paredes vazias. Ela andava se escorando na gente, mal conseguia se manter de pé ‘Bem clean, não é?’

Ficamos observando ela caminhar tropeçando nas caixas e se segurando na gente pra não cair de cara no chão. De repente ela sentou em uma das caixas e com os olhos arregalados, levou a mão à boca. Corri com Annia para cima dela e agarramos seus braços, a arrastando para a janela. Empurramos sua cabeça pro lado de fora bem a tempo. Inês começou a vomitar todo o whisky de fogo que bebeu essa noite e viramos o rosto para não ver, pois era impossível não ouvir. Seguramos a cabeça dela pro lado de fora por quase dez minutos e quando ela parecia não ter mais o que botar pra fora, apagou. Colocamos Inês deitada de bruços no colchão, pro caso de vomitar não se engasgar, e antes de sairmos Vina conjurou um balde e deixou do lado da cama. Aquela com certeza ia ser a pior ressaca da vida dela.

~*~*~*~*~*~

O despertador tocou às 7 da manhã para nos acordar e apesar de termos ficado acordadas bebendo até quase 3 da manhã, levantamos no maior bom humor. Pela primeira vez em quase dois meses pudemos sair da cama sem pisarmos uma nas outras ou tropeçar em caixas espalhadas pelo chão. Abri a janela do quarto e sentir aquela brisa fria que entrava por ser o quarto mais alto da república foi revigorante. Tomamos banho sem pressa e quando já estávamos prontas, esperamos. Só mais cinco minutos e o show ia começar.

‘QUEM AUTORIZOU A TROCA DOS QUARTOS?’ Inês abriu a porta na hora exata. Ela estava com a mesma roupa de ontem, seus cabelos estavam uma bagunça e tinha olheiras que a deixavam parecida com um guaxinim

‘Bom dia pra você também, Inês’ Milla respondeu cínica

‘Saiam do meu quarto. Agora’ Disse apontando para a porta

‘Não’ Respondi calmamente, levantando ‘Sai você do nosso quarto’

‘Desculpe? “Nosso quarto?” Desde quando?’ Disse rindo debochada

‘Desde que a filha do Ministro da Magia não quer aparecer na 1ª página do Profeta Diário envolvida em um escândalo’ Annia levantou também e cruzou os braços

‘Vamos explicar melhor, você ainda está um pouco confusa depois da bebedeira’ Vina levantou e entregou uma foto a ela ‘Suponho que essa seja você, não? Beijando uma garota?’

O quarto caiu em silêncio por longos segundos. Inês olhava incrédula para a foto de si mesma beijando Martina e parecia sem palavras. Só soltava o ar sem conseguir formar uma palavra inteira.

‘Não sou eu’ Devolveu a foto pra Vina

‘Ah eu acho que é você sim’ Annia falou se aproximando dela

‘Não sou eu, eu não sou lésbica’ Inês estava claramente nervosa, mas tentava disfarçar ‘Eu nem conheço essa garota’

‘Claro que você conhece, é a Martina’ Milla pegou a foto da mão da Vina e mostrou a ela ‘Vocês se deram tão bem ontem, não lembra? Era ela que estava no comando da mesa de Black Jack. Vocês estavam quase íntimas já, todo mundo viu. Como pode dizer que não a conhece?’

‘Você não se lembra de ter beijado ela, não é? Bebeu tanto que nem sabia mais o que estava fazendo’ Nina perguntou debochada ‘Pois quando ela passou as cartas pra eu tomar conta da mesa, disse que estava indo encontrar você na cozinha’

‘Não, eu não fiquei com essa menina, eu teria me lembrado!’ Inês insistiu, desesperada

‘Você nem sabia que estava dormindo em um quarto diferente, como pode dizer que teria se lembrado de beijar a Martina?’ Coloquei-a contra a parede ‘Vai ver foi a própria que levou você pra lá, e quem sabe até dormiu com você. Seu cabelo está bem selvagem hoje, os movimentos nele ontem devem ter sido bruscos’

‘Vocês armaram isso!’ Nos acusou, com as mãos trêmulas ‘Não sei como, mas vocês armaram isso pra mim!’

‘Se nós armamos ou não, não vem ao caso’ Milla falou ‘O fato é que é você nessas fotos e não tem como negar’

‘E a menos que você queira que as fotos caiam na mão daqueles repórteres sem escrúpulos do Profeta Diário, e aqui no jornal da escola, é bom entrar na linha’ Falei em tom ameaçador e ela recuou alguns passos ‘Você vai ficar com aquele quarto e quando a Georgia perguntar, vai dizer que o perdeu em uma aposta no Black Jack ontem. E a partir de agora, seja muito boazinha. Quando passar pela gente, vai dar bom dia com um sorriso simpático no rosto; quando mandarmos fazer alguma coisa como o resto da calouras, vai fazer com toda a boa vontade do mundo; quando não vir ocupadas, vai perguntar se pode ajudar em alguma coisa; e quando tiver festas aqui na Avalon, vai trabalhar nelas como todas as outras novatas. Não se esqueça que temos suas fotos muito bem guardadas e que qualquer deslize seu, elas podem, sem querer, sair voando por ai’

‘Ouvi dizer que Rita Skeeter está louca por um furo de reportagem, e você sabe que ela está rondando por Durmstrang por causa do Torneio Tribruxo’ Nina ameaçou

‘E também não adianta ir correndo falar com o papai, porque você ia dizer o que? “Papai, eu beijei uma garota e estou sendo vítima de chantagem”. Acho que não vai ser bom pra sua reputação se boa menina’ Annia disse e rimos da imitação da voz dela

‘Agora pode sair’ Milla abriu a porta ‘Você não pode se atrasar para a aula e ainda precisa tirar esse ar de ressaca que contagia qualquer ambiente’

‘Ah, e antes de ir pra aula, peça pra alguém fazer um ponche da ressaca pra você’ Vina foi empurrando ela pra fora do quarto ‘Esse Ray-Ban desenhado na sua cara está horrível e temos uma reputação a zelar’ E bateu a porta

Assim que ela saiu, gritamos e nos jogamos nas camas caindo na gargalhada. Dava pra ouvir os passos furiosos de Inês descendo as escadas e descemos logo depois dela, felizes e satisfeitas. Saímos da república para as aulas do dia e os meninos já nos esperavam do lado de fora, olhando para as janelas da casa.

‘A festa ontem foi boa’ Micah me beijou e apontou pra janela do 2º andar, onde o rastro do vomito de Inês ainda estava estampado

‘Vocês não imaginam como, não é meninas?’ Falei olhando para elas e o abracei, rindo ‘A propósito, recuperamos nosso quarto ontem. Não é demais?’

As meninas riram mais ainda e eles ficaram com caras confusas, mas não explicamos. E a verdade era que eles não iam mesmo saber como a noite havia sido divertida. O que acontece na Avalon, fica na Avalon.


When the working day is done
Oh girls... they wanna have fun

Cindy Lauper - Girls Just Wanna Have Fun

Wednesday, November 19, 2008

- Milla, você está acordada?- perguntou Annia baixinho.
- Não, eu estou em sono profundo e você é um pesadelo. - respondi com voz abafada.
- Acorda Milla, preciso falar com você.
Suspirei alto e descobri a cabeça, para ver uma Annia toda vestida parada ao lado da cama.
- Aconteceu alguma coisa? Tem alguém morrendo? Diga que é a Inês.- resmunguei esperançosa e ela riu enquanto respondia:
- Ainda não pegaram a megerinha, sossega. Você vai sair da republica hoje?
- Não, porque?
- Você pode me emprestar aquele seu casaco com capuz todo peludo?
- Claro pode pegar...- respondi voltando a me deitar.
- Mas só vou devolvê-lo amanhã à noite, tudo bem?
- Aonde você vai??- a curiosidade me fazendo levantar e olhar bem para ela. Annia tinha um ar maroto no rosto.
- Er...Hum...Vou até a minha casa com John, buscar algumas roupas e...Como fica longe e está muito frio...Acho que vamos dormir lá...- disse as últimas palavras baixinho.
Abri um enorme sorriso:
- Claro! Pode levar o casaco e mais alguma coisa que precise...- e ela pegou o meu casaco e saiu o mais rápido possível do quarto. Com o frio que estava fazendo a melhor coisa era dormir bastante e esperar as outras voltarem para contar que Annia ia passar a noite fora com John e fazermos planos de como arrancar todos os detalhes dela quando voltasse, afinal trancadas na republica por causa do frio, precisaríamos de diversão. O empréstimo do meu casaco sairia caro rsrs.


Teach me tiger i would kiss you.. wa wa wa wah
Show me tiger i´ll would kiss you.. wa wa wa wah
Take my lips, they belong to you..
But teach me first, teach me what to do..



O frio incomum para o verão na Bulgária, deixava o céu cheio de nuvens pesadas e ao final da tarde, o céu estava tão escuro que alguns lampiões na rua já estavam acesos para iluminar o caminho. Eu e John aparatamos no meio do quarteirão e fomos caminhando de mãos dadas, até a casa onde eu havia crescido. Sorríamos um para o outro e volta e meia durante o trajeto John me puxava e beijava de forma tão intensa que meus joelhos ficavam moles.
Abri a casa e antes mesmo de fechar a porta, ele já me puxava para mais um beijo, deixando-me sem fôlego. Ficamos trocando beijos e quando a temperatura aumentou e começamos a tirar os pesados casacos, ouvimos sons de risos e passos apressados, alguém estava correndo dentro de casa. Antes que pudéssemos nos recompor, vimos uma mulher loira com uma camisola azul descendo as escadas correndo enquanto fingia fugir de... Meu Pai!

- Pai!O que está acontecendo aqui? - perguntei chocada. John ao meu lado apenas olhava a cena.
- Annia! - e então ele se deu conta de que eu estava em casa e estava acompanhada.
Meu pai olhou sério para John enquanto apertava o roupão ao redor do corpo e a mulher loira olhou para nós três com ar travesso. Ficamos nos encarando por alguns segundos, quando perguntei irritada:
- O que você está fazendo aqui?
- Você não costuma estar em casa nos fins de semana. - papai respondeu
- Eu moro aqui. Posso ir e vir quando quiser. - respondi.
- Quero saber o que você faz aqui e com este rapaz que eu não conheço. Não devia estar na sua república? - ele perguntou carrancudo:
- Ele é John McKellen, meu namorado. Pronto! Você já sabe quem ele é. È mais do que eu posso dizer desta... Pessoa.- e a mulher não ficou intimidada com a minha forma de falar e nem em estar quase nua no meio da sala, e disse com evidente bom humor:
- Olá, sou Claire Sheridan, uma amiga do seu pai. E você é a filha do Igor. Ele fala muito bem de você. - e estendeu a mão cheia de anéis que eu ignorei. Meu pai me olhou feio e antes que falasse algo, ela colocou a mão sobre seu braço, o acalmando. Fervi de raiva. Ela olhou para John e disse:
- Acho que eu já o conheço de algum lugar...
- Sou primo da sua cunhada Alexandra, senhora Sheridan.- John respondeu e a mulher olhou para ele sorrindo e bateu palmas. Sabe aquele tipo de alegria irritante, lembrava uma líder de torcida. Rosnei.
-Jura? Oh! Então estamos em família, Igor. Vamos até a cozinha achar alguma coisa quente para bebermos, enquanto eles conversam, Johny querido? - e botou aquelas unhas pintadas no braço de John e o traidor foi com ela e me largou sozinha. Meu pai e eu nos encaramos e nos dirigimos para a biblioteca e a julgar pelas coisas que eu vi, nestes poucos momentos aqui, a situação iria piorar. Devo ter caído em algum tipo de purgatório e não fui avisada.


Domingo de tarde e sem nada para fazer, começamos a jogar Twister na sala da república, para passar o tempo. Ty, Ricard e Nina, eram os últimos competidores, após duas rodadas animadas. Como tinha muita gente, precisamos dar uma acelerada no jogo, com direito a campainha de tempo, para mudar de posição, quem demorasse ia saindo e outro entrava no lugar. Micah, Evie, Chris, Vina, Miyako, Gabriel e eu já havíamos saído há algum tempo, e fazíamos bagunça para torcer e dar palpites durante a brincadeira, além de nos revesar para dar as coordenadas.
- Pé direito no verde...- disse Victor, depois de girar a seta.
- Brincou né? Assim não vai dar...Tô fora. - e Ricard se jogou no chão cansado.
- Oba! Nina vou ficar em cima de você muaháháhá...- e Ty ficou se equilibrando por cima da Nina.
- Sossega Ty, ou você só vai ter um filho nesta vida. - respondeu Nina e caímos na risada.
BAM!
A porta da república bateu tão forte que Ty se desequilibrou com o susto e caiu por cima da Nina. Que gritou eufórica:
-Eu ganhei! Eu ganhei!Eu ganhei!
Olhamos para a porta para ver o que tinha acontecido e Annia passou por nos feito um foguete. Não demorou muito e bateram na porta e era John, avisando ao primo que estava indo embora, e pela cara feia dele a coisa não estava boa. A nossa reação foi automática. Nunca um jogo foi recolhido tão depressa na história da humanidade. Ty e os rapazes saíram atrás de John e eu e as meninas, fomos atrás de Annia. Quando chegamos na porta do quarto ouvimos os estalos, parecia que havia uma guerra lá dentro.
- Pedra, papel tesoura??- perguntei e Vina contou baixinho até três e mostramos nossas mãos. Vina perdeu com sua tesoura para minha pedra e a de Evie. Abrimos a porta devagar e vimos quando uma bota voou perto da nossa cabeça. Annia parecia fumegar.
- Está com algum problema Annia? - perguntou Vina cautelosa.
- Tenho cara de quem tem problemas??? - Annia respondeu ríspida, e como a curiosidade era enorme, perguntei:
- Como foram as coisas na sua casa??
- Ah foram ótimas! (respondeu sarcástica). Muito agradável, pois meu pai estava lá...
- Ih! Fizemos enquanto Evie e torcia a cara e Annia resolveu despejar tudo de vez:
- E não estava sozinho, não mesmo. Tinha uma loira platinada, metida a cheerleader, correndo com ele pela casa, como dois adolescentes apaixonados.
- Hã? Como assim? Seu pai estava acompanhado?- perguntou Nina
- Sim, estava com a...’Namorada’ dele em casa. Um homem daquela idade...
Olhei para as garotas e ao entender a situação seguramos o riso e Evie disse:
- Mas seu pai não é tão velho assim... É até ‘boa pinta’.- meus olhos encheram de lágrimas, mas as segurei. Vina tossiu, enquanto Annia rosnava:
- Boa pinta? Deve ser isso que aquela loira siliconada vive dizendo a ele. - e começou a fazer uma voz afetada:
“Igor querido, não coma a pele do frango, faz mal para as artérias. Igor, vamos levantar pesos hoje. Annia seu pai é tão aplicado nos exercícios, que vai ganhar um prêmio. Barrinhas de proteína e beijinhos”, e fez barulho de beijos estalados, e fingiu vomitar. - eu tentei dizer algo mas ela continuou:
- E se não bastasse esta demonstração grotesca de que gente da terceira idade pode ser ridícula, ela transformou a biblioteca da casa da minha mãe numa sala de ginástica. Podem imaginar isso? Uma sala de ginástica. Com direito a espelhos nas paredes, esteira com televisão e pranchas para abdominal. Aquilo virou um antro de perdição, isso sim.
- Cof,cof drama queen cof,cof.- tossiu Evie e seguramos o riso, Annia pareceu não ouvir e continuou o seu monólogo:
- Ele está até pensando em se tornar vegetariano. Ele que adora ovos com bacon pela manhã, e goulash no almoço...
- Vegetarianos devem ser pessoas tristes...- comentou Evie e Vina respondeu:
- São sim, teve uma vez que eu até tentei isso para curar uma alergia...
- Hein, hein...O assunto aqui é o meu pai que perdeu a razão, podemos voltar a ele?- disse Annia nervosinha, porque já estávamos nos distraindo com outra coisa rsrs.
- Mas se exercitar faz bem....Meu pai faz caminhada com a minha mãe. - eu disse e Annia rosnou:
- Com a sua mãe, e não com a Barbie Malibu da geriatria. - então Vina fez a pergunta que não queria calar:
-Então se o seu pai estava lá... Você John não....? E Annia nos lançou olhares assassinos:
- De que jeito?? Primeiro tive que explicar quem era o John, aí quando a ‘vovózinha do piu-piu’ soube que ele era da ‘familia’, grudou nele e John era todo sorrisinhos para ela. Traidor. Afinal, ela é irmã do padrasto do Ty. É...Vocês agora estão percebendo de quem se trata? É a mãe de J&B.( e ela pareceu ter arrepios de verdade), rimos pelo drama, mas com a cara feia nos contemos, afinal ainda tinha coisas para sabermos, e Annia continuou:
- E meu pai fez questão de colocar o John num quarto no fim do corredor, onde ele demoraria pelo menos uns 15 minutos para conseguir se aproximar do meu. John até tentou, mas deu de cara com meu pai plantado no corredor, ele parecia adivinhar. E meu pai disse a ele que estava me preservando. Têm idéia de onde minha cara foi parar??? Preservando...Como se eu fosse algum artigo de museu. Humpft!- e nesta hora caímos na risada, depois de rirmos muito até as lágrimas escorrerem pelo nosso rosto, Evie sugeriu:
- Bom, nós não temos intenção de te guardar pra semente Annia, então se quiser, nós liberamos o nosso humilde quartinho para você e o John. É pequeno, mas de coração. - ela pôs as mãos cruzadas no peito e rimos quando Annia gritou:
-Evie!
- É de repente, você começa a ver o mundo um pouco mais cor de rosa...E pára de pegar no pé do seu pai. - disse Nina.
-É, muita coisa reprimida pode abalar os nervos... Tem gente que até mata...- disse Vina e continuamos a rir da cara revoltada de Annia, como já estava tarde e teríamos aula amanhã, olhei para as meninas e começamos a sair do quarto para nos trocar para dormir. Antes de sair perguntei séria:
- E ai Annia aceita o nosso quartinho? Podemos chamar o John para ele te jogar na parede e te chamar de lagartixa???
Fechei a porta rápido quando uma bota pesada veio em minha direção. Nos sentamos no corredor para dar risada. Quem disse que um quarto tão pequeno não pode ter suas ‘utilidades’ huahuahuahua.

N.Autora: trecho da música Teach me tiger, April Stevens