Thursday, December 11, 2008
‘O que é isso, criatura?’ Georgia reprimiu o grito ‘Tem gente trabalhando e que precisa de concentração!’
‘Ai, desculpa, mas é que eu acho que descobri quem vem tocar no Baile de Inverno e temos que publicar isso!’ Tatiana mal continha a empolgação ‘Lorcan d’Eath!’
Ela reprimiu outro grito, apertando um pedaço de pergaminho para conter a vontade de pular. Algumas meninas reagiram com animação, mas Georgia revirou os olhos e encarou Evie, que riu de sua expressão entediada.
‘Se você acha, então cheque as fontes primeiro e descubra se essa informação é verídica’ Georgia disse em tom de aviso ‘Não publicamos inverdades no Expresso Polar, principalmente uma que pode causar alvoroço’
‘Sim, claro, vou checar minha fonte antes de escrever qualquer coisa!’ Respondeu de imediato, voltando a se afundar na mesa com um espelho de duas vias na mão
‘Lorcan d’Eath?’ Evie comentou quando Georgia sentou outra vez ‘Nada mal, não?’
‘Meio deprimente, não acha?’ Respondeu com sarcasmo ‘Pensei que a idéia era agitar o baile, não transformá-lo num poço de mel’
‘Ah qual é, Lorcan d’Eath é demais! Ele não tem só músicas lentas, tem algumas agitadas também’
‘Quase nenhuma, eles deviam investir nas Esquisitonas de novo. Dar a elas a chance de tocar no Baile de Inverno de um torneio que não vai terminar em morte. Isso ficou marcado na carreira delas’
‘Bom, As Esquisitonas também seria demais’ Evie concordou com a cabeça, fechando o caderno onde escrevia ‘E com quem você vai ao baile?’
‘Não sei ainda, e não estou me preocupando com isso agora, porque ainda nem temos uma matéria de capa pra edição dessa semana!’ Disse ríspida, batendo com a mão nas fotos e mudando o assunto
‘Ok, entendi, assunto encerrado’ Ela abriu o caderno outra vez e voltou a apoiar a cabeça nas mãos ‘Que tal a constante presença de funcionários do Ministério aqui? Sabemos que não tem nada a ver com o torneio’
‘Ok, tudo bem, vamos com isso então’ Disse sem muita paciência ‘Não vai fazer mal aguçar a curiosidade dos alunos com isso. GABRIEL!’ Gritou de repente e Evie saltou da cadeira, coçando o ouvido
‘Você gritou, Georgia’ Gabriel disse sério, sem nem olhar para trás ‘Vai ter que colocar 1 sicle no pote’
‘Ah eu não gritei, só chamei você alto!’ Georgia reclamou quando Evie riu do seu lado ‘Se me devolvessem a poção, não teria gritado!’
‘Não importa, o trato era você não gritar mais’ Disse virando para ela, ainda sério ‘E você gritou, então vai ter que depositar 1 sicle no pote’
‘Gabriel tem razão, Georgia’ Evie se meteu no dialogo, apoiando o amigo ‘Você tem que aprender a controlar seu temperamento sem precisar se dopar. Não vamos devolver as poções, se conforma’
‘Está bem, está bem!’ Saiu da mesa irritada e tirou a moeda do bolso, colocando no pote já quase cheio ‘Satisfeitos?’
‘Muito’ Ele sorriu ‘Agora pode dizer o que quer’
‘Precisamos de uma foto dos funcionários do Ministério que andam rondando a escola. Mas seja discreto, não deixe que eles o vejam fotografando’
‘Sim senhora, isso é fácil. Mas amanhã consigo a foto, porque agora tenho um ensaio’ Disse não muito animado, consultando o relógio ‘Mi, Gina, é melhor irmos’
‘Lá vai o pé de valsa!’ Micah caçoou e ele retribuiu o comentário com um gesto não muito amigável, pegando o casaco em cima da mesa e saindo com as amigas
‘Você não vai deixá-lo em paz, não é?’ Evie comentou rindo quando o namorado se aproximou
‘Eu perco o amigo, mas não perco a piada. Já decidiram a matéria de capa, então?’
‘Sim, vamos ver o que os cães de guarda do pai da Inês andam fazendo por aqui’ Evie respondeu gostando da idéia de investigar o assunto
‘Então, gata, você já tem par pro baile?’ Micah sentou em cima da mesa e piscou pra namorada. Ela balançou a cabeça, rindo
‘Não sei, ainda não fui convidada por ninguém’ Disse entrando na brincadeira ‘Por quê? Vai me fazer uma proposta?’
‘Só se for uma proposta indecente’ Disse deitando o corpo na mesa para beijá-la
‘Parem com isso imediatamente’ Georgia voltou à mesa e interrompeu o beijo dos dois ‘
‘Georgia, você precisa de um namorado’ Micah foi enfático e Evie prendeu a risada
‘Só porque não acho que vê-los se agarrando é um entretenimento não significa que precisa de um namorado’ Respondeu seca
‘Você já tem par pro baile?’ Ele insistiu ‘Se não tiver, vou arrumar alguém pra você’
‘Por favor, não’ Georgia respondeu preocupada ‘Realmente não preciso da sua ajuda pra isso. E se está à toa, vá terminar de revelar as fotos do Gabriel!’
Micah bateu continência debochado e saiu da mesa delas, cumprimentando Wes, que tinha acabado de entrar e caminhava de encontro às meninas. Evie sorriu ao vê-lo entrar, mas Georgia não notou a presença do garoto e continuou escrevendo.
‘Oi Wes! Perdeu o caminho da republica ou veio ver o movimento do jornal?’ Evie perguntou
‘Não, na verdade vim falar com a Georgia’ Respondeu olhando para a garota, que ao ouvir seu nome notou que tinham companhia
‘Comigo?’ Se espantou ‘Se for vaga para redator, sinto muito, mas já temos pessoal demais e ocupação de menos’
‘Não quero vaga no jornal, quero saber se quer ir ao baile comigo’ Disse direto e Georgia arregalou o olho. Evie prendeu o riso.
‘Como é?’ Disse quase gaguejando
‘O baile, daqui a duas semanas. Você já tem par?’
‘Não, ela não tem’ Evie respondeu quando Georgia não conseguiu formar uma sentença ‘E adoraria ir com você’
‘Ótimo’ Wes sorriu ‘Pego você às 19:30’
‘Ela estará pronta’ Evie tornou a responder por ela e Wes saiu da sala, satisfeito ‘Olha que mágico! Dois minutos atrás você não tinha par, e agora tem!’ Evie disse tentando não rir
‘Eu não vou ao baile com ele!’ Georgia finalmente conseguiu falar, e soava irritada
‘Por que não? Wes é legal, bonito e disponível’ Defendeu o amigo ‘E aparentemente, o único garoto daqui que não se sente intimidado por você’
‘Mas eu não posso ir com ele!’ Georgia insistiu, menos irritada, mas mais assustada
‘Qual o problema, Georgia? Está com medo de acontecer o que?’ Evie disse em tom de deboche ‘O máximo que pode acontecer é ele beijar você, e não vejo mal nenhum nisso’
Georgia reagiu ao comentário de maneira estranha e para o seu desespero, Evie percebeu. Ficaram se encarando alguns segundos, Georgia tentando em vão desviar o olhar da garota.
‘Georgia, você já ficou com algum garoto antes, certo?’ Evie perguntou desconfiada
‘Claro que sim’ Disse olhando atravessado para ela
‘Tem certeza? Porque não me espantaria se encontrasse mais uma Annia aqui!’
‘Eu já namorei, ok? É só que... faz algum tempo já’
‘Não se preocupe, é como andar de bicicleta, você nunca esquece’
‘Quando parar de fazer piadinhas, podemos voltar ao trabalho?’ Georgia tentou encerrar o assunto, mas sem sucesso dessa vez
‘Georgia Yelchin com medo de beijar um garoto’ Evie continuou caçoando ‘Quem diria!’
‘Eu estou sem os meus remédios, se acontecer alguma coisa com você, posso alegar isso no tribunal’
‘Sugiro que você guarde essa fúria toda para o baile’ Evie levantou da mesa ‘Sabe como é, né? Garoto criado em uma fazenda... Ouvi dizer que são mais selvagens’
Georgia atirou um caderno na direção dela, mas Evie o pegou no ar e riu ainda mais. Sabia que agora teria munição para atormentar Georgia até o fim do ano, a menos que ela lhe provasse o contrário. E de um jeito ou de outro, seria divertido.
Sunday, November 30, 2008
Lembranças de Renomaru G. Kollontai
- E o campeão de Durmstrang é....Renomaru Goldensun Kollontai!!
O Diretor falou com entusiasmo o meu nome, e uma alegria enorme surgiu em meu peito, tomando todo o meu corpo. Com orgulho eu me levantei da cadeira, ainda não acreditando que havia sido escolhido como campeão. Apesar de eu saber que estava preparado, o nervosismo não deixava de surgir, e aumentar enquanto eu caminhava para a sala atrás da mesa dos professores, onde o Diretor segurava a porta para mim, com um sorriso. A escola gritava entusiasmada, me dando o apoio deles, mas não os ouvia mais quando o professor fechou a porta.
- Parabéns, Kollontai! – O Diretor Ivanovich falou quando passei por ele, entusiasmado.
- Obrigado, professor.
- Bem já que todos os campeões estão decididos podemos dar início ao Torneio! – Madame Madame Maxime falava com seu sotaque e sua voz fortes. Gabriel estava ao seu lado, e pareciam lhe faltar palavras, e cor...Mcgonogal, a Diretora de Hogwarts, também estava animada e ao seu lado, Gina parecia não querer abrir a boca para evitar algum grito, de alegria ou não.
- Parabéns a vocês três, o Cálice os considerou aptos a participarem do Torneio e os elegeram como representantes de suas escolas. É uma honra poder representar alguma das três maiores escolas da Europa – Mcgonogall falou, enérgica, mas com uma espécie de sorriso no rosto, o que parecia não lhe combinar muito, e pelo pouco que eu a conhecia era verdade.
- Essa reunião é apenas para informa-los um pouco. O Torneio será difícil e até mesmo perigoso, mas fiquem tranqüilos, há vários bruxos do Ministério que irão estar presentes para ajuda-los caso a situação sai do controle. A primeira prova acontecerá no dia 24 de Novembro, na parte da tarde. Nessa prova vocês não poderão levar nada além de suas varinhas e iremos testar as habilidades de vocês em improviso e conhecimento de magia sob pressão. Não, Kollontai, apenas as varinhas. – Ivanovich repetiu me dirigindo um olhar significativo. Merda! Estava pensando em levar meus aparatos de alquimia para me ajudarem, mas não vou poder...Droga!! – Muito bem, por agora estão dispensados, no dia da prova receberão mais informações. Boa sorte a todos e boa noite.
Os Diretores, assim como os funcionários do Ministério presentes, cumprimentaram todos os campeões com alegria e encorajamentos. Eles saíram primeiro, deixando-nos um pouco a sós, e enquanto saiam pude ouvir a gritaria das escolas.
- Bem é isso, ainda não acredito que fui selecionada, mas vamos ver como nos saímos. Boa sorte aos dois. – Gina falou, enquanto nos sorria e saia, pude ouvir a gritaria ficar mais forte onde Hogwarts estava reunida, aguardando-a.
- É Reno, estamos encrencados não acha? – Gabriel falou rindo. – Boa sorte também, já vi que sua escola também vai querer quase arrancar um pedaço de você de lembrança.
- Nem todos, tenho certeza que muitos não gostam de mim. Bem, boa sorte, porém não fique em meu caminho, a taça é minha. – Gabriel riu do desafio e saímos juntos. Assim que apareci no salão, Annia pulou em meu pescoço gritando e dando os parabéns, e logo me vi cercado por diversos alunos. Realmente Durmstrang e Beauxbatons só faltavam arrancar pedaços de nós...
Dia seguinte.
Eu acordei com dor de cabeça. Ainda bem que era fim de semana, pois estava cansado e sonolento. Durmstrang inteira pareceu se reunir na Chronos para comemorar, e só fomos dormir quando os professores vieram brigar conosco, dizendo que já era demais, pois já era quase 5 da manhã. A escola me dava apoio em peso, e até mesmo aqueles que não gostavam muito de mim, engoliam as adversidades para me dar os parabéns, pois sabiam que eu o melhor para conseguir a taça. Eu devia ter bebido menos na festa, pois a dor de cabeça estava me matando. Assim que levantei da cama, peguei um frasco de meu armário e o virei de um só gole, rapidamente o efeito da bebida sumiu de meu organismo e pude pensar com mais clareza. Só agora eu me dava conta: CAMPEÃO DE DURMSTRANG! Cheguei a ficar sem ar, mas o sorriso era enorme e eu estava feliz, muito feliz.
Bram ainda dormia, e apenas para não perder o hábito o empurrei da cama, fazendo-o cair no chão. Ele me xingou, mas voltou a dormir, enquanto eu caia na gargalhada. Sai da república e vi que ainda estava relativamente cedo, e poucos alunos estavam acordados, a maioria de Durmstrang, que novamente me davam os parabéns. A maioria ainda estaria caído nas camas ou chão das repúblicas se recuperando da bebedeira, os mesmo para os demais alunos das outras escolas. Rumei para a escola, já sabendo para onde queria ir.
Eu sabia que minha mãe estaria em seu gabinete, preparando aulas ou fazendo novas experiências e rumei para lá, indo visitá-la. Ontem não tive como falar com ela quando fui escolhido como campeão, mas trocamos um olhar e vi o orgulho em seus olhos. Isso havia me feito sentir-me ainda mais feliz, e vi que havia emoção em seus olhos. Quando cheguei a porta de seu gabinete, dei uma batida de leve, e ouvi sua voz respondendo:
- Entre, Reno.
- Bom dia, mãe. Estou atrapalhando?
- Nunca me atrapalha, ainda mais agora que se tornou o campeão de Durmstrang! Venha aqui querido. – Ela falou com um sorriso largo em seu rosto e me puxou para um forte abraço, que eu retribui com felicidade. Como éramos aluno e professora na maior parte do tempo, não podíamos demonstrar afeto, então quando estávamos sozinhos aproveitávamos o tempo perdido. – Meus parabéns, Reno! Quando ouvi Igor dizendo seu nome eu quase pulei da cadeira para gritar com os demais. Estou orgulhosa!
- Eu pulei da cadeira, não acreditava que era verdade...O Ivanovich também estava animado.
- Claro que ele estaria, você é um ótimo aluno, há fortes chances de Durmstrang ganhar o Torneio, fora que ele gosta de você, ele estava realmente animado.
- Então é de família, achei que a Annia ia me matar enforcado ontem.
- Olha, se eu for ganhar uma nora, eu quero saber.
- Já falei que é só amizade, mãe. A Annia é maravilhosa, uma garota única, muito bonita, mas é só amizade...
- Pelo menos por enquanto, certo? Bem se algo um dia acontecer eu ficaria feliz.
- Mãe...Bem deixa pra lá. Fiquei muito feliz em ver que você estava tão feliz quanto eu.
- Estava radiante! E então, preparado para a primeira prova?
- Estaria mais se pudesse levar meus aparatos de alquimia...Só vou poder usar minha varinha, e estava pensando que poderia usar alquimia...
- Você pode tentar usar a alquimia com o que tiver no local de prova, não vai ter o mesmo efeito sem seus catalisadores, mas pode ajudar você um pouco. E eu confio em suas habilidades, querido!
- Obrigado mãe...Eu vou treinar mais alquimia sem catalisadores e alguns outros feitiços.
- Sim, é uma boa idéia. Quero lhe dar algo, estava esperando você ficar adulto ou se formar, mas isso é uma ótima oportunidade.
Enquanto dizia isso, ela se afastou e foi vasculhar seus armários. De lá, ela tirou uma caixa de madeira com um círculo dourado na tampa. Reconheci um selo alquímico e fiquei intrigado sobre o que estaria na caixa para que fosse lacrado dessa forma. Mamãe fez um pequeno corte no dedo e colocou a mão sob o círculo, imediatamente ouvi um som e a caixa se abriu. Mamãe retirou um cordão com uma pequena pedra vermelho vivo. Eu arregalei os olhos, e soltei ar dos pulmões sem notar.
- Isso era de seu pai. Eu dei a ele quando nos casamos...Foi seu bisavô que me deu.
- Isso...é um fragmento de uma Pedra!
- Como eu disse, foi seu bisavô que me deu. Antes de seu pai morrer, ele conseguiu esconder esse fragmento e quando encontramos seu corpo...A pedra estava em suas mãos. – Mamãe tremia enquanto contava... – Ele havia gasto toda a energia que ele tinha para escondê-la, transmutando-a em uma pedra comum, para que ela só voltasse ao normal em minha presença ou da sua... Desde então você sabe que para protege-lo, eu reneguei o nome de minha família, e escondi as evidências, aguardando que o mundo melhorasse e você ficava mais velho para poder carregar esse fardo. Agora sei que está pronto. Mas deve me prometer que não irá usar essa pedra, inclusive nas tarefas do Torneio. É uma lembrança de seu pai e de seu bisavô.
- E sua também, mãe. Eu prometo que não irei usa-la. Obrigado pelo presente. – Eu falei emocionado, e sentia lagrimas em meus olhos. – Queria que papai estivesse aqui.
- Seja lá onde ele estiver, ele está orgulhoso e feliz, você se tornou um homem maravilhoso, como ele. Estou realmente orgulhosa.
Nos abraçamos novamente, e ficamos calados por um tempo. Depois ela prendeu a pedra em meu pescoço e eu a transmutei, modificando sua cor e aparência, para a de uma pedra mais comum, uma safira ou algo do tipo. Mamãe passou a mão a pedra e sorriu enquanto me dava um beijo no rosto.
- Já chega de fugir. Nossa família sofreu muito por tempo demais, estou cansada de esconder. Quando terminar o torneio, iremos admitir nossa linhagem Flamel.
- Estou de acordo mãe.
Véspera da Primeira Tarefa
Os dias haviam passado rapidamente. Eles mal pareciam ter alguns minutos, o que dirá horas. Já era véspera da primeira tarefa e todos haviam ido dormir cedo, animados com o dia seguinte. Eu, porém, estava sem sono...E por nervosismo sai da república, esgueirando-me até o castelo, procurando a varanda secreta que eu usava quando queria pensar ou fazer experimentos sem que outros soubessem. A varanda era no topo do castelo, iluminada pela luz da lua, e era meu lugar favorito para pensar, ou para não fazer nada. Para chegar lá, eu precisava usar uma passagem secreta em uma gárgula dos jardins, que me levava a uma longa escadaria. Fiquei sentado lá, olhando a lua, enquanto pensava no dia de amanhã, quando ouvi um barulho.
Alguém PULAVA pelo parapeito da varanda, o que era impossível, pois estávamos algumas centenas de metros acima do chão. Fiquei quieto, com uma mão na varinha e a outra em meus frascos. A figura parou no parapeito, abaixada, me encarando na escuridão, como se soubesse que eu estava ali.
- Boa noite, Kollontai, sei que é você. – A voz falou com um tom de riso e reconheci na hora quem era. O único em toda a escola capaz de escalar centenas de metros: Seth Chronos.
- Ah, é você, Chronos. O que faz aqui? – falei, relaxando um pouco, mas sem largar a varinha.
- Pode largar a varinha, Reno, não vou fazer mal. Eu que pergunto, o que faz aqui? Se importa se eu chamá-lo de Reno?
- Pode, Seth. Estou apenas pensando, achei que só eu conhecia esse lugar.
- Provavelmente só você conhece em Durmstrang, mas eu tenho aptidão em achar lugares assim...E você acha realmente que eu já não vaguei pela escola inteira? Gostei mais daqui, então venho de vez em quando a noite.
- Sabia que você é proibido de vagar pela escola não? Principalmente a noite. Posso denunciá-lo.
- Você também não pode, então nós dois estamos errados. – Ele sorriu, e apesar de seus dentes pontiagudos, o sorriso me transmitiu serenidade e calma. Odeio admitir, mas eu gosto do Seth. – Fora que todos estão dormindo, tirando alguns alunos acordados.
- Como tem certeza?
- Eu sei. Posso escuta-los, ouvir suas batidas de coração e seus cheiros, e reconhece-los dessa forma. Cada ser humano tem um cheiro e uma batida de coração única, e já decorei todos desta escola. Biel e Gina estão acordados, deitados em suas camas, pensando em amanhã também. Tem um casal namorando, mas eles vão ser pegos em breve por um monitor. E Luna está dormindo. – Ele falou enquanto gesticulava para a cidade e depois pulou para meu lado sentando-se ao meu lado.
- Impressionante...Como o cálice não o escolheu? E você consegue reconhece-los assim de tão longe...
- Eu não me inscrevi no Cálice, não quis. Eu convivo com eles há tempo suficiente para praticamente poder vê-los apenas escutando seus corações e sentindo seus cheiros. Luna principalmente, ela é única, no cheiro, no coração, na presença. É maravilhoso.
- Você realmente ama essa garota hein? – Falei rindo, e ele riu também. – Vocês fazem um bonito casal, felicidades. E eu como eu cheiro?
- Você fede. Tem cheiro de enxofre e de amônia. – Ele falou, caindo na gargalhada, e não pude evitar um sorriso.
- Muito obrigado, mas você também não é muito cheiroso. – Falei dando-lhe um soco no ombro de brincadeira e rindo. Conjurei duas garrafas e dei uma para ele, ele cheirou e tocou com a varinha, trocando o whisky por cerveja-amanteigada, me fazendo revirar os olhos. Ficamos um tempo calados, apenas olhando a lua. A presença dele me acalmava e vi que era puramente birra minha não querer ser amigo dele.
- Vi que você e sua mãe decidiram assumir o ramo Flamel de vocês. Reconheci o pingente. – ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo e quase engasguei, como ele sabia?!
- Quer parar de usar leglimência em mim?!
- Não usei leglimência. Nossas famílias se conhecem há anos, e em uma das memórias de meus pais, seu pai usava esse pingente, porém em sua forma verdadeira, e o reconheci, mesmo modificado. Esquecesse que nossas famílias são amigas há anos?
- É havia me esquecido...Tudo bem, mas por enquanto não comente nada, eu e minha mãe decidimos que vamos assumir a linhagem Flamel após o Torneio.
- Não preciso reafirmar que têm o apoio dos Chronos certo? Qualquer necessidade basta falar conosco.
- Obrigado, mas não acho que vá ser necessário. Acho que vou tentar ir dormir, preciso ter forças amanhã.
- É verdade...Não se preocupe, pode ir para sua república sem medo, não há monitores naquela região.
- Não preciso que me diga isso, sei me virar.
- E amanhã, não precisa ficar com medo, baixinho, caso algo saia errado vão ter vários bruxos para ajuda-lo. Basta gritar por socorro. – Ele ria enquanto falava e eu acabei rindo também, segurando a raiva.
- Não me chame de baixinho, sanguessuga.
- Tudo bem, baixinho. – Ele falou já de pé no parapeito. – Boa sorte amanhã.
- Obrigado. Seth, amanhã não precisamos que os outros saibam de nossa nova amizade. Mas tenho que admitir, você é legal, obrigado.
- Ok, baixinho. Você também é legal, apesar do mau cheiro.
Ele falou rindo baixinho, enquanto se jogava para o vazio. Por curiosidade corri para o parapeito e o vi cair com leveza no chão, em seguida correndo na direção dos dormitórios femininos, ele devia ir ver a Luna antes de dormir. Eu me virei para a passagem secreta e desci ainda rindo do encontro inusitado.
Wednesday, November 26, 2008
O professor Klasnic parou de frente pra turma outra vez e nos observou. Puxei um fio de cabelo da Milla e ela puxou um meu. Adicionamos nas nossas poções, respiramos fundo e bebemos. Foi uma sensação muito esquisita. Sentia meu rosto e corpo como se fosse uma gelatina e segundos depois tinha me transformado na Milla e ela em mim. Durante uma hora, toda a turma permaneceu invertida. Micah e Ty se transformaram um no outro, Victor teve que usar os óculos de Ricard pra enxergar, Vina trocou de lugar com Annia e achou estranho não precisar de óculos, Chris trocou de corpo com o primo Gabriel, Griff trocou de lugar com o irmão gêmeo e não gostou do cabelo comprido e Nina havia trocado de lugar com a Miyako.
Quando o efeito passou e voltamos às nossas formas normais, o professor pediu que fizéssemos algumas anotações e liberou a turma. Demorei mais que o necessário para guardar meu material e assim que ele saiu da sala, peguei um frasco vazio e enchi com a poção que sobrou no meu caldeirão. Guardei com cuidado no bolso e corri para fora da sala.
‘Peguei’ Avisei à Milla, que me esperava do lado de fora ‘Avise às meninas que hoje à noite vamos ter uma festinha na república’
Descemos as escadas de braços dados e rindo alto. Hoje pegaríamos nosso quarto de volta, então era melhor começar a arrumar logo as malas.
~*~*~*~*~*~
Toda quarta-feira à noite era dia da lendária ‘Noite das Garotas’ na Avalon. Cada semana inventávamos um tema diferente e nos juntávamos todas na sala para beber e conversar. E o tema dessa semana era Cassino. Recentemente havíamos descoberto que Martina era uma crupiê nata e, devidamente caracterizada com gravata borboleta e viseira, havia assumido a mesa para as partidas de Black Jack. Montamos também uma mesa para jogarmos Poker e Georgia, agora sob o constante efeito de remédios, havia exagerado na quantidade de bebida para a festa da semana, o que acabou nos favorecendo. Havíamos bolado todo um esquema para reavermos nosso quarto e ele envolvia, principalmente, whisky de fogo.
A base do plano era simples: embebedar Inês. E não foi difícil. Descobrimos depressa que ela ficava absurdamente sociável quando estava ocupada jogando cartas e apenas nos certificamos de nunca deixar seu copo esvaziar. Já passava da meia noite quando percebemos que ela estava quase atingindo o ponto em que não se lembraria de nada quando acordasse. E era exatamente esse o ponto ideal. Corri até o quarto e um minuto depois estava de volta à sala. Kay veio de encontro a mim e passei um frasco para sua mão, sem ninguém perceber. Era a deixa para Martina sair da mesa.
‘Ei, Nina!’ Gritou com a mão erguida e Nina foi até ela ‘Assume a mesa um pouco, vou descansar’
‘Opa, deixa comigo!’ Nina disse animada, pegando o baralho de sua mão
Martina saiu de trás da bancada e Inês levantou segundos depois. Esperamos até que ela se afastasse da mesa e a seguimos.
‘Ei!’ Milla deu um esbarrão forte nela e seu relógio ficou preso nos seus cabelos ‘Meu cabelo, está arrancando tudo!’
‘Calma, calma, tem que tirar devagar!’ Martina se adiantou pra ajudar e puxou o cabelo de Inês do relógio, arrancando alguns fios no processo ‘Pronto’
‘Toma mais cuidado, garota’ Inês reclamou e Milla olhou atravessado para ela ‘Ai!’
Sem esperar, Inês levou um empurrão violento meu e da Annia e foi atirada pra dentro do banheiro. Trancamos a porta e a música alta impedia as pessoas de ouvirem os gritos dela pedindo para a soltarem. Kay abriu a porta da cozinha.
‘Vamos logo com isso, não podem manter ela ai por uma hora’
Assentimos com a cabeça e Martina entrou na cozinha, seguida por Vina. Demoraram cerca de cinco minutos e voltaram para o corredor. Vina escondeu a câmera na bolsa.
‘Vamos subir com a Kay escondida e você mantenha a Inês ocupada aqui embaixo, não deixe ela subir sob hipótese alguma por pelo menos uma hora!’ Disse apressada, saindo da porta do banheiro
‘E se certifique que ela continue bebendo’ Milla disse quando formamos uma parede para cobrir Kay ‘Precisamos de um black-out total amanhã’
‘Não se preocupem, ela vai subir carregada hoje’ Martina riu e parou do lado da porta
Subimos rápido com Kay escondida entre a gente e fechamos a porta do quarto. A maioria das nossas coisas já estava arrumada, então recolhemos só o que usamos antes da festa e subimos com tudo para o nosso antigo quarto. Juntamos as coisas de Inês sem nenhuma delicadeza e atiramos tudo em caixas de papelão, emboladas, e descemos outra vez. Em pouco mais de uma hora, tudo que restava naquele quarto pequeno era uma cama desmontada, um colchão no chão e muitas caixas espalhadas. Já estávamos prontas para descer quando a porta abriu com estrondo e Martina com Inês escorada no ombro.
‘Ela vai entrar em coma alcoólico de beber mais um dedo de whisky de fogo’ Comunicou rindo, enquanto Inês sorria debilmente para a gente
‘Ótimo! Se esse coma durar até Julho, pegou mais um copo agora mesmo!’ Milla falou batendo palmas e rimos
‘Legal essa decoração’ Inês comentou vaga, olhando pras paredes vazias. Ela andava se escorando na gente, mal conseguia se manter de pé ‘Bem clean, não é?’
Ficamos observando ela caminhar tropeçando nas caixas e se segurando na gente pra não cair de cara no chão. De repente ela sentou em uma das caixas e com os olhos arregalados, levou a mão à boca. Corri com Annia para cima dela e agarramos seus braços, a arrastando para a janela. Empurramos sua cabeça pro lado de fora bem a tempo. Inês começou a vomitar todo o whisky de fogo que bebeu essa noite e viramos o rosto para não ver, pois era impossível não ouvir. Seguramos a cabeça dela pro lado de fora por quase dez minutos e quando ela parecia não ter mais o que botar pra fora, apagou. Colocamos Inês deitada de bruços no colchão, pro caso de vomitar não se engasgar, e antes de sairmos Vina conjurou um balde e deixou do lado da cama. Aquela com certeza ia ser a pior ressaca da vida dela.
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O despertador tocou às 7 da manhã para nos acordar e apesar de termos ficado acordadas bebendo até quase 3 da manhã, levantamos no maior bom humor. Pela primeira vez em quase dois meses pudemos sair da cama sem pisarmos uma nas outras ou tropeçar em caixas espalhadas pelo chão. Abri a janela do quarto e sentir aquela brisa fria que entrava por ser o quarto mais alto da república foi revigorante. Tomamos banho sem pressa e quando já estávamos prontas, esperamos. Só mais cinco minutos e o show ia começar.
‘QUEM AUTORIZOU A TROCA DOS QUARTOS?’ Inês abriu a porta na hora exata. Ela estava com a mesma roupa de ontem, seus cabelos estavam uma bagunça e tinha olheiras que a deixavam parecida com um guaxinim
‘Bom dia pra você também, Inês’ Milla respondeu cínica
‘Saiam do meu quarto. Agora’ Disse apontando para a porta
‘Não’ Respondi calmamente, levantando ‘Sai você do nosso quarto’
‘Desculpe? “Nosso quarto?” Desde quando?’ Disse rindo debochada
‘Desde que a filha do Ministro da Magia não quer aparecer na 1ª página do Profeta Diário envolvida em um escândalo’ Annia levantou também e cruzou os braços
‘Vamos explicar melhor, você ainda está um pouco confusa depois da bebedeira’ Vina levantou e entregou uma foto a ela ‘Suponho que essa seja você, não? Beijando uma garota?’
O quarto caiu em silêncio por longos segundos. Inês olhava incrédula para a foto de si mesma beijando Martina e parecia sem palavras. Só soltava o ar sem conseguir formar uma palavra inteira.
‘Não sou eu’ Devolveu a foto pra Vina
‘Ah eu acho que é você sim’ Annia falou se aproximando dela
‘Não sou eu, eu não sou lésbica’ Inês estava claramente nervosa, mas tentava disfarçar ‘Eu nem conheço essa garota’
‘Claro que você conhece, é a Martina’ Milla pegou a foto da mão da Vina e mostrou a ela ‘Vocês se deram tão bem ontem, não lembra? Era ela que estava no comando da mesa de Black Jack. Vocês estavam quase íntimas já, todo mundo viu. Como pode dizer que não a conhece?’
‘Você não se lembra de ter beijado ela, não é? Bebeu tanto que nem sabia mais o que estava fazendo’ Nina perguntou debochada ‘Pois quando ela passou as cartas pra eu tomar conta da mesa, disse que estava indo encontrar você na cozinha’
‘Não, eu não fiquei com essa menina, eu teria me lembrado!’ Inês insistiu, desesperada
‘Você nem sabia que estava dormindo em um quarto diferente, como pode dizer que teria se lembrado de beijar a Martina?’ Coloquei-a contra a parede ‘Vai ver foi a própria que levou você pra lá, e quem sabe até dormiu com você. Seu cabelo está bem selvagem hoje, os movimentos nele ontem devem ter sido bruscos’
‘Vocês armaram isso!’ Nos acusou, com as mãos trêmulas ‘Não sei como, mas vocês armaram isso pra mim!’
‘Se nós armamos ou não, não vem ao caso’ Milla falou ‘O fato é que é você nessas fotos e não tem como negar’
‘E a menos que você queira que as fotos caiam na mão daqueles repórteres sem escrúpulos do Profeta Diário, e aqui no jornal da escola, é bom entrar na linha’ Falei em tom ameaçador e ela recuou alguns passos ‘Você vai ficar com aquele quarto e quando a Georgia perguntar, vai dizer que o perdeu em uma aposta no Black Jack ontem. E a partir de agora, seja muito boazinha. Quando passar pela gente, vai dar bom dia com um sorriso simpático no rosto; quando mandarmos fazer alguma coisa como o resto da calouras, vai fazer com toda a boa vontade do mundo; quando não vir ocupadas, vai perguntar se pode ajudar em alguma coisa; e quando tiver festas aqui na Avalon, vai trabalhar nelas como todas as outras novatas. Não se esqueça que temos suas fotos muito bem guardadas e que qualquer deslize seu, elas podem, sem querer, sair voando por ai’
‘Ouvi dizer que Rita Skeeter está louca por um furo de reportagem, e você sabe que ela está rondando por Durmstrang por causa do Torneio Tribruxo’ Nina ameaçou
‘E também não adianta ir correndo falar com o papai, porque você ia dizer o que? “Papai, eu beijei uma garota e estou sendo vítima de chantagem”. Acho que não vai ser bom pra sua reputação se boa menina’ Annia disse e rimos da imitação da voz dela
‘Agora pode sair’ Milla abriu a porta ‘Você não pode se atrasar para a aula e ainda precisa tirar esse ar de ressaca que contagia qualquer ambiente’
‘Ah, e antes de ir pra aula, peça pra alguém fazer um ponche da ressaca pra você’ Vina foi empurrando ela pra fora do quarto ‘Esse Ray-Ban desenhado na sua cara está horrível e temos uma reputação a zelar’ E bateu a porta
Assim que ela saiu, gritamos e nos jogamos nas camas caindo na gargalhada. Dava pra ouvir os passos furiosos de Inês descendo as escadas e descemos logo depois dela, felizes e satisfeitas. Saímos da república para as aulas do dia e os meninos já nos esperavam do lado de fora, olhando para as janelas da casa.
‘A festa ontem foi boa’ Micah me beijou e apontou pra janela do 2º andar, onde o rastro do vomito de Inês ainda estava estampado
‘Vocês não imaginam como, não é meninas?’ Falei olhando para elas e o abracei, rindo ‘A propósito, recuperamos nosso quarto ontem. Não é demais?’
As meninas riram mais ainda e eles ficaram com caras confusas, mas não explicamos. E a verdade era que eles não iam mesmo saber como a noite havia sido divertida. O que acontece na Avalon, fica na Avalon.
When the working day is done
Oh girls... they wanna have fun
Cindy Lauper - Girls Just Wanna Have Fun
Wednesday, November 19, 2008
- Não, eu estou em sono profundo e você é um pesadelo. - respondi com voz abafada.
- Acorda Milla, preciso falar com você.
Suspirei alto e descobri a cabeça, para ver uma Annia toda vestida parada ao lado da cama.
- Aconteceu alguma coisa? Tem alguém morrendo? Diga que é a Inês.- resmunguei esperançosa e ela riu enquanto respondia:
- Ainda não pegaram a megerinha, sossega. Você vai sair da republica hoje?
- Não, porque?
- Você pode me emprestar aquele seu casaco com capuz todo peludo?
- Claro pode pegar...- respondi voltando a me deitar.
- Mas só vou devolvê-lo amanhã à noite, tudo bem?
- Aonde você vai??- a curiosidade me fazendo levantar e olhar bem para ela. Annia tinha um ar maroto no rosto.
- Er...Hum...Vou até a minha casa com John, buscar algumas roupas e...Como fica longe e está muito frio...Acho que vamos dormir lá...- disse as últimas palavras baixinho.
Abri um enorme sorriso:
- Claro! Pode levar o casaco e mais alguma coisa que precise...- e ela pegou o meu casaco e saiu o mais rápido possível do quarto. Com o frio que estava fazendo a melhor coisa era dormir bastante e esperar as outras voltarem para contar que Annia ia passar a noite fora com John e fazermos planos de como arrancar todos os detalhes dela quando voltasse, afinal trancadas na republica por causa do frio, precisaríamos de diversão. O empréstimo do meu casaco sairia caro rsrs.
Teach me tiger i would kiss you.. wa wa wa wah
Show me tiger i´ll would kiss you.. wa wa wa wah
Take my lips, they belong to you..
But teach me first, teach me what to do..
O frio incomum para o verão na Bulgária, deixava o céu cheio de nuvens pesadas e ao final da tarde, o céu estava tão escuro que alguns lampiões na rua já estavam acesos para iluminar o caminho. Eu e John aparatamos no meio do quarteirão e fomos caminhando de mãos dadas, até a casa onde eu havia crescido. Sorríamos um para o outro e volta e meia durante o trajeto John me puxava e beijava de forma tão intensa que meus joelhos ficavam moles.
Abri a casa e antes mesmo de fechar a porta, ele já me puxava para mais um beijo, deixando-me sem fôlego. Ficamos trocando beijos e quando a temperatura aumentou e começamos a tirar os pesados casacos, ouvimos sons de risos e passos apressados, alguém estava correndo dentro de casa. Antes que pudéssemos nos recompor, vimos uma mulher loira com uma camisola azul descendo as escadas correndo enquanto fingia fugir de... Meu Pai!
- Pai!O que está acontecendo aqui? - perguntei chocada. John ao meu lado apenas olhava a cena.
- Annia! - e então ele se deu conta de que eu estava em casa e estava acompanhada.
Meu pai olhou sério para John enquanto apertava o roupão ao redor do corpo e a mulher loira olhou para nós três com ar travesso. Ficamos nos encarando por alguns segundos, quando perguntei irritada:
- O que você está fazendo aqui?
- Você não costuma estar em casa nos fins de semana. - papai respondeu
- Eu moro aqui. Posso ir e vir quando quiser. - respondi.
- Quero saber o que você faz aqui e com este rapaz que eu não conheço. Não devia estar na sua república? - ele perguntou carrancudo:
- Ele é John McKellen, meu namorado. Pronto! Você já sabe quem ele é. È mais do que eu posso dizer desta... Pessoa.- e a mulher não ficou intimidada com a minha forma de falar e nem em estar quase nua no meio da sala, e disse com evidente bom humor:
- Olá, sou Claire Sheridan, uma amiga do seu pai. E você é a filha do Igor. Ele fala muito bem de você. - e estendeu a mão cheia de anéis que eu ignorei. Meu pai me olhou feio e antes que falasse algo, ela colocou a mão sobre seu braço, o acalmando. Fervi de raiva. Ela olhou para John e disse:
- Acho que eu já o conheço de algum lugar...
- Sou primo da sua cunhada Alexandra, senhora Sheridan.- John respondeu e a mulher olhou para ele sorrindo e bateu palmas. Sabe aquele tipo de alegria irritante, lembrava uma líder de torcida. Rosnei.
-Jura? Oh! Então estamos em família, Igor. Vamos até a cozinha achar alguma coisa quente para bebermos, enquanto eles conversam, Johny querido? - e botou aquelas unhas pintadas no braço de John e o traidor foi com ela e me largou sozinha. Meu pai e eu nos encaramos e nos dirigimos para a biblioteca e a julgar pelas coisas que eu vi, nestes poucos momentos aqui, a situação iria piorar. Devo ter caído em algum tipo de purgatório e não fui avisada.
Domingo de tarde e sem nada para fazer, começamos a jogar Twister na sala da república, para passar o tempo. Ty, Ricard e Nina, eram os últimos competidores, após duas rodadas animadas. Como tinha muita gente, precisamos dar uma acelerada no jogo, com direito a campainha de tempo, para mudar de posição, quem demorasse ia saindo e outro entrava no lugar. Micah, Evie, Chris, Vina, Miyako, Gabriel e eu já havíamos saído há algum tempo, e fazíamos bagunça para torcer e dar palpites durante a brincadeira, além de nos revesar para dar as coordenadas.
- Pé direito no verde...- disse Victor, depois de girar a seta.
- Brincou né? Assim não vai dar...Tô fora. - e Ricard se jogou no chão cansado.
- Oba! Nina vou ficar em cima de você muaháháhá...- e Ty ficou se equilibrando por cima da Nina.
- Sossega Ty, ou você só vai ter um filho nesta vida. - respondeu Nina e caímos na risada.
BAM!
A porta da república bateu tão forte que Ty se desequilibrou com o susto e caiu por cima da Nina. Que gritou eufórica:
-Eu ganhei! Eu ganhei!Eu ganhei!
Olhamos para a porta para ver o que tinha acontecido e Annia passou por nos feito um foguete. Não demorou muito e bateram na porta e era John, avisando ao primo que estava indo embora, e pela cara feia dele a coisa não estava boa. A nossa reação foi automática. Nunca um jogo foi recolhido tão depressa na história da humanidade. Ty e os rapazes saíram atrás de John e eu e as meninas, fomos atrás de Annia. Quando chegamos na porta do quarto ouvimos os estalos, parecia que havia uma guerra lá dentro.
- Pedra, papel tesoura??- perguntei e Vina contou baixinho até três e mostramos nossas mãos. Vina perdeu com sua tesoura para minha pedra e a de Evie. Abrimos a porta devagar e vimos quando uma bota voou perto da nossa cabeça. Annia parecia fumegar.
- Está com algum problema Annia? - perguntou Vina cautelosa.
- Tenho cara de quem tem problemas??? - Annia respondeu ríspida, e como a curiosidade era enorme, perguntei:
- Como foram as coisas na sua casa??
- Ah foram ótimas! (respondeu sarcástica). Muito agradável, pois meu pai estava lá...
- Ih! Fizemos enquanto Evie e torcia a cara e Annia resolveu despejar tudo de vez:
- E não estava sozinho, não mesmo. Tinha uma loira platinada, metida a cheerleader, correndo com ele pela casa, como dois adolescentes apaixonados.
- Hã? Como assim? Seu pai estava acompanhado?- perguntou Nina
- Sim, estava com a...’Namorada’ dele em casa. Um homem daquela idade...
Olhei para as garotas e ao entender a situação seguramos o riso e Evie disse:
- Mas seu pai não é tão velho assim... É até ‘boa pinta’.- meus olhos encheram de lágrimas, mas as segurei. Vina tossiu, enquanto Annia rosnava:
- Boa pinta? Deve ser isso que aquela loira siliconada vive dizendo a ele. - e começou a fazer uma voz afetada:
“Igor querido, não coma a pele do frango, faz mal para as artérias. Igor, vamos levantar pesos hoje. Annia seu pai é tão aplicado nos exercícios, que vai ganhar um prêmio. Barrinhas de proteína e beijinhos”, e fez barulho de beijos estalados, e fingiu vomitar. - eu tentei dizer algo mas ela continuou:
- E se não bastasse esta demonstração grotesca de que gente da terceira idade pode ser ridícula, ela transformou a biblioteca da casa da minha mãe numa sala de ginástica. Podem imaginar isso? Uma sala de ginástica. Com direito a espelhos nas paredes, esteira com televisão e pranchas para abdominal. Aquilo virou um antro de perdição, isso sim.
- Cof,cof drama queen cof,cof.- tossiu Evie e seguramos o riso, Annia pareceu não ouvir e continuou o seu monólogo:
- Ele está até pensando em se tornar vegetariano. Ele que adora ovos com bacon pela manhã, e goulash no almoço...
- Vegetarianos devem ser pessoas tristes...- comentou Evie e Vina respondeu:
- São sim, teve uma vez que eu até tentei isso para curar uma alergia...
- Hein, hein...O assunto aqui é o meu pai que perdeu a razão, podemos voltar a ele?- disse Annia nervosinha, porque já estávamos nos distraindo com outra coisa rsrs.
- Mas se exercitar faz bem....Meu pai faz caminhada com a minha mãe. - eu disse e Annia rosnou:
- Com a sua mãe, e não com a Barbie Malibu da geriatria. - então Vina fez a pergunta que não queria calar:
-Então se o seu pai estava lá... Você John não....? E Annia nos lançou olhares assassinos:
- De que jeito?? Primeiro tive que explicar quem era o John, aí quando a ‘vovózinha do piu-piu’ soube que ele era da ‘familia’, grudou nele e John era todo sorrisinhos para ela. Traidor. Afinal, ela é irmã do padrasto do Ty. É...Vocês agora estão percebendo de quem se trata? É a mãe de J&B.( e ela pareceu ter arrepios de verdade), rimos pelo drama, mas com a cara feia nos contemos, afinal ainda tinha coisas para sabermos, e Annia continuou:
- E meu pai fez questão de colocar o John num quarto no fim do corredor, onde ele demoraria pelo menos uns 15 minutos para conseguir se aproximar do meu. John até tentou, mas deu de cara com meu pai plantado no corredor, ele parecia adivinhar. E meu pai disse a ele que estava me preservando. Têm idéia de onde minha cara foi parar??? Preservando...Como se eu fosse algum artigo de museu. Humpft!- e nesta hora caímos na risada, depois de rirmos muito até as lágrimas escorrerem pelo nosso rosto, Evie sugeriu:
- Bom, nós não temos intenção de te guardar pra semente Annia, então se quiser, nós liberamos o nosso humilde quartinho para você e o John. É pequeno, mas de coração. - ela pôs as mãos cruzadas no peito e rimos quando Annia gritou:
-Evie!
- É de repente, você começa a ver o mundo um pouco mais cor de rosa...E pára de pegar no pé do seu pai. - disse Nina.
-É, muita coisa reprimida pode abalar os nervos... Tem gente que até mata...- disse Vina e continuamos a rir da cara revoltada de Annia, como já estava tarde e teríamos aula amanhã, olhei para as meninas e começamos a sair do quarto para nos trocar para dormir. Antes de sair perguntei séria:
- E ai Annia aceita o nosso quartinho? Podemos chamar o John para ele te jogar na parede e te chamar de lagartixa???
Fechei a porta rápido quando uma bota pesada veio em minha direção. Nos sentamos no corredor para dar risada. Quem disse que um quarto tão pequeno não pode ter suas ‘utilidades’ huahuahuahua.
N.Autora: trecho da música Teach me tiger, April Stevens
Sunday, November 16, 2008
Pretendia ir ao vilarejo tomar um café e ver um pouco de movimento, mas antes passaria na Esparta para chamar Micah para me acompanhar e aproveitar para ter notícias de Dario e Filipe, pois não falava com eles há alguns dias. Estava em pé na varanda da republica pronta pra bater na porta quando ouvi a voz de Hanna. Recuei alguns passos e não dava para entender o que ela dizia, só que falava alto. A porta abriu com violência.
‘Você pode se arrepender depois, Dario’ Ouvi Hanna ameaçar o irmão
‘Já me arrependo de muitas coisas, Hanna. E deixar você entrar aqui hoje é uma delas. Sai, por favor’ E o rosto de Dario apareceu, seguido dela.
‘Olá Evie’ Disse com aquele nariz em pé, me mirando de cima a baixo
‘Oi Hanna’ Respondi no mesmo tom e revirei os olhos pra Dario quando ela passou
‘Entra Evie’ Ele disse já sorrindo e fechou a porta quando passei ‘Veio procurar o Micah? Ele está no quarto’
‘Vim procurar ele sim, mas também saber de você e do Lipe’ Tirei as luvas grossas e o capuz enquanto falava, sentindo o fogo da lareira esquentar meu rosto ‘Como está se virando por aqui? Sentindo muito frio?’
‘Não sei como vocês agüentam! Sério, eu saio daqui parecendo um pingüim de tão gordo por causa dos casacos e o frio parece que não passa’
‘Vocês ainda deram o azar de pegar um frio que nem a gente ta acostumado. E o Lipe? Já se adaptou?’
‘Você sabe como ele é, né? Claro que ta tentando se encaixar, mas não perde o jeito nerd’ Dario riu ‘Mas seu namorado está fazendo um excelente trabalho corrompendo ele. Ontem mesmo ele participou da conversa sobre um contra-ataque a Chronos e parecia empolgado’
‘Ótimo, Micah vai conseguir provocar a primeira detenção da vida do Lipe’ Revirei os olhos, mas não consegui deixar de rir. Vovô ia ter um troço.
‘Ah, pensei mesmo ter escutado a voz da garota da minha vida’ Ouvi Micah falando descendo as escadas. Parou do meu lado me abraçando e me beijou
‘Preciso sair um pouco’ Falei já tirando as luvas do bolso ‘Posso cometer um homicídio se ficar naquela republica hoje’
‘Ah, Inês’ Ele riu e quando não ri, me beijou ‘Vamos, minha Deusa. Vamos pra onde você quiser’
‘O café do vilarejo está de bom tamanho’ Ri ‘Quer ir, Dario?’
‘Sair nesse frio? Está louca!’ Falou como se tivesse convidado ele pra nadar no lago ‘Bom passeio pra vocês, mas vou hibernar esse fim de semana’
Deixamos Dario enrolado em um cobertor no sofá lendo um livro e encaramos o frio da rua. Quase ninguém circulava pelos jardins da escola, mas o café do vilarejo estava bem movimentado. A maioria das pessoas ocupando as mesas eram alunos. Conseguimos uma mesa perto da lareira e pedimos uma torta e um café expresso cada um.
Passamos quase a tarde toda no café. Era até engraçado como os assuntos nunca terminavam, era fácil demais conversar com o Micah. Diferente de como era com Josh, onde depois de meia hora eu começava a me entediar. Era estranho como ele parecia me conhecer até mesmo melhor do que eu. Era a primeira vez que sentia que podia falar qualquer coisa, que não seria julgada por isso. Sabia que podia contar a ele o que fosse, que ele não mudaria em nada comigo.
Já começava a escurecer e o café foi esvaziando. Micah já ia pedir a conta quando alguém derrubou um prato no chão e depois começou a rir alto. Reconheci a risada na mesma hora e olhei para trás. Georgia estava abaixada recolhendo os cacos de louça do chão e cutuquei Micah, indicando ela com a cabeça. Ele correu para ajudar e ela levantou ainda rindo, pedindo outro pedaço de torta. Depois veio sentar conosco.
‘Tudo bem, Georgia?’ Micah perguntou curioso ‘Sozinha aqui?’
‘Essa torta é divina, como não poderia estar bem?’ Falou pegando um pedaço enorme de torta e colocando na boca. Ela parecia um pouco fora do ar
‘Pensei que estava na Avalon. Não tem a festa com as diretoras pra organizar?’ Perguntei me divertindo com o jeito aéreo dela
‘Não posso pensar nisso agora’ Respondeu gesticulando com a colher e atirou uma cereja longe ‘Inês está me deixando louca! “Ora Georgia, seria muito bom para a sua presidência se me deixasse ajudar. Tenho contatos diretos, papai é Ministro da Magia e uma pessoa muito influente”. ARGH!’ Ela rosnou alto e nos assustamos ‘O único contato direto que ela vai fazer é com a palma da minha mão se não parar de me atormentar’
‘Sei que não é um bom momento, mas acho que é agora que entra a frase: eu avisei’ Ri e ela me olhou atravessado. Depois riu esquisito e olhou para a torta, decidindo que pedaço ia pegar
‘Não acredito que uma garota só vai vencer uma republica inteira’ Micah falou rindo ‘Vocês tem que ela pegar de algum jeito’
‘Ela tem que ter algum segredo!’ Bati a mão na mesa irritada e Micah a segurou para não fazer de novo ‘Não é possível que ela seja perfeita’
‘Claro que ela não é perfeita, mas vocês vão fazer o que? Contratar um detetive?’ Ele riu
‘Não é uma má idéia, sabem... Um detetive’ Georgia comentou distraída e sorriu quando a encaramos ‘Gente importante assim sempre tem algum podre’
‘É, aposto que ela tem os seus também!’ Falei empolgada e Micah balançou a cabeça. Ignorei ‘Mas aonde vamos achar um detetive profissional?’
‘Não precisa ser profissional, basta conhecer alguém que trabalhe em um jornal’ Georgia lambeu a colher da torta e observava o teto, curiosa ‘Tenho um contato no Profeta Diário, vou falar com ele. Se ela tiver algum segredo, ele vai descobrir’
‘Por que vocês não tomam uma medida mais rápida?’ Micah sugeriu ‘É mais eficiente revidarem logo’
‘Se tiver alguma solução imediata, pode compartilhar com a gente, porque não temos nada’ Falei irritada outra vez e ele tornou a apertar minha mão ‘O que eu queria mesmo era que ela fosse flagrada fazendo alguma coisa errada, a crista ia abaixar depressa’
‘Impossível ela ser pega em um escândalo, só se fosse alguém se passando por ela’ Georgia desviou a atenção do teto e agora fitava a taça vazia ‘Isso só seria possível com uma poção polissuco... Droga, acabou. Vou pegar mais’
‘Ela ta bem?’ Micah perguntou rindo, vendo Georgia andar meio desnorteada pelo café
‘Ela ta tomando uns remédios ai pra acalmar. A enfermeira da escola passou um monte de coisa pra ela, disse que ela tava a ponto de ter um colapso nervoso’ Respondi distraída, pois minha cabeça já estava em outro lugar. Inês precisava ser pega em um escândalo e para isso acontecer, só alguém se passando por ela. Micah tinha razão, precisamos revidar depressa. Acho que poderíamos providenciar isso enquanto o contato da Georgia não nos manda um relatório...
Friday, October 31, 2008
E tinha também os visitantes, a possibilidade de estarmos sendo anfitriões de um campeão de outra escola. Todas as repúblicas estavam abrigando cinco alunos de cada escola. Ty, Gabriel, Griffon, Seth e Dario, primo da Evie, eram os cinco de Beauxbatons. As meninas da Avalon estavam hospedando, entre as dez alunas das duas escolas, Miyako, Gina e Luna. Conseguimos colocar os garotos no quarto ao lado do nosso e os de Hogwarts estavam hospedados no quarto do 3º andar, perto do quarto de Ivan e Nicolas.
As aulas da sexta-feira foram suspensas e embora pudéssemos acordar mais tarde, logo cedo já estávamos todos de pé caminhando em direção ao saguão de entrada. O pergaminho com meu nome já estava dobrado na mão e o depositei no Cálice assim que passei. Chris e Vitor fizeram o mesmo e recebemos os cumprimentos dos alunos de Durmstrang que passavam na hora, junto com palavras de incentivo. Estávamos bastante confiantes. Logo depois Reno apareceu sendo seguido por alguns garotos da Chronos e fizeram muito barulho quando ele depositou seu papel nas chamas.
‘Não sei pra que esse circo todo’ Vitor resmungou enquanto sentávamos pra tomar café ‘Se querem aparecer, pendurem uma melancia no pescoço’
‘Relaxa, meu amigo’ Dei dois tapinhas em suas costas, rindo ‘Mais tarde nós é que vamos poder fazer barulho. Sem chance um desses otários ser o escolhido!’
‘Eu não vou apoiar ninguém de lá se não for o Reno’ Chris sentenciou e concordamos com a cabeça
‘Escutem isso’ Ricard fez sinal de silêncio com a mão e nos calamos
Muitos aplausos vinham do saguão de entrada. Viramos o corpo no banco para ver toda a delegação de Beauxbatons entrando depois de ter colocado o nome no Cálice. Os que não pensavam em competir aplaudiam os colegas da escola com muito entusiasmo. Gabriel e Ty vinham na frente com caras satisfeitas e sentaram na nossa frente.
‘A sorte está lançada’ Gabriel falou pegando uma torrada
‘Tenho certeza que vai ser um de nós quatro’ Ty estava confiante
‘A delegação de Hogwarts está vindo!’ Evie sentou correndo na mesa, me beijando ‘Vi quando eles saíram junto com a diretora deles das republicas’
‘Será que todos eles vão querem se inscrever?’ Miyako perguntou ‘São quase 20 alunos’
‘Luna não vai, mas Gina sim’ Gabriel olhou para trás e acenou para a amiga que segurava um papel na mão e sorriu ansiosa para ele ‘Ela não ia perder essa oportunidade’
Mais aplausos foram ouvidos, dessa vez dos alunos de Hogwarts, e Gina e Luna se juntaram ao nosso grupo para o café. A ruiva sorria confiante.
‘Nenhuma menina daqui vai competir?’ Ela perguntou olhando para Evie e as garotas
‘Eu sim’ Milla disse animada ‘E Annia também. Tomara que seja uma garota que represente Durmstrang, vai ser um tapa na cara dos machões daqui’
As garotas na mesa a aplaudiram assobiando e rimos. Terminamos o café e levamos os amigos de fora para passear no vilarejo e aproveitar o dia livre. Mas por mais que estivéssemos conversando bobagens, os pensamentos não saiam do sorteio que aconteceria de noite. Então, quando o céu começou a escurecer, corremos de volta para as repúblicas para nos preparamos para a festa.
Quando chegamos ao salão, já de noite, ele já se encontrava cheio. O Cálice agora estava em frente à cadeira do diretor. As mesas com as comidas e bebidas eram muito convidativas e encontramos um local vazio perto delas. Mas pareceu levar uma eternidade até que a maioria das travessas fossem esvaziadas. Não parava de olhar na direção dos diretores para checar se eles já pareciam satisfeitos. Depois do que pareceram muitas horas, o pai da Annia depositou sua taça na mesa e ergueu os braços. Imediatamente corremos para procurar um lugar para sentar entre as diversas cadeiras e bancos em forma de arquibancada espalhados pelo salão.
‘O Cálice de Fogo está pronto para decidir!’ anunciou com grande estardalhaço e dava até pra sentir o clima tenso e pesado entre os alunos ‘Quando os nomes dos campeões foram chamados, peço que se encaminhem para aquela sala à minha direita’ e apontou para uma porta que até então eu nunca tinha notado, atrás da mesa dos professores ‘onde receberão as primeiras instruções. Agora, sem mais delongas, vamos aos nomes...’
‘Merlin, papai está se sentindo um Pop Star’ Annia revirou os olhos
‘Silêncio, ele vai falar!’ Falamos quase todos ao mesmo tempo e ela se espantou
Ele puxou a varinha e com um gesto teatral todas as velas, exceto as que iluminavam a mesa dos professores, se apagaram, mergulhando o salão numa penumbra. O Cálice brilhava com mais intensidade do que qualquer outra coisa ali. O salão caiu em um silêncio quase sepulcral quando as chamas azuladas do Cálice assumiram um tom avermelhado e começaram a soltar faíscas. Alguns alunos até levantaram para ver melhor, quando uma língua de fogo se ergueu no ar, assustando a todos. A labareda cuspiu um pedaço de papel chamuscado. Os poucos que ainda respiravam prenderam a respiração quando o pai de Annia apanhou o papel no ar.
‘O campeão de Hogwarts é...’ Ele fez uma pausa proposital e fui obrigado a concordar com Annia, ele estava se sentido um pop star ‘Ginerva Weasley!’
Uma tempestade de vivas e aplausos tomou conta dos bancos que abrigavam os alunos de Hogwarts. Gabriel também aplaudia entusiasmado ao ver Gina se levantar sorridente e caminhar até a sala indicado pelo diretor, recebendo um sorriso de admiração da diretora de Hogwarts. O salão caiu em silêncio mais uma vez e a atenção se voltou ao Cálice. Segundos depois que ela sumiu pela porta, a labareda vermelha tornou a cuspir um pedaço de pergaminho. Vi Miyako apertar o braço de Gabriel e Ty, nervosa.
‘O campeão de Beauxbatons é...’ novamente uma pausa, e Ty reclamou que Miyako estava lhe arrancando a pele do braço ‘Gabriel Lupin!’
‘O QUE?’ Gabriel exclamou surpreso e soltou um palavrão em seguida
A tempestade de aplausos agora vinha do mar de alunos vestindo casacos azuis e Ty e Griffon saltaram do banco sacudindo Gabriel, enquanto Miyako se pendurava em seu pescoço gritando. Chris e eu começamos a bater na mesa fazendo as taças sacudirem e Ty empurrou Gabriel para caminhar até a sala. Ele andava pelo corredor de bancos trêmulo, mas sorrindo. Ainda batíamos as mãos na mesa, e agora os pés no chão para fazer mais barulho, quando a porta da sala fechou e tudo voltou a cair no mais absoluto silêncio. O Cálice voltou a soltar chamar vermelhas. O campeão de Durmstrang era o próximo...
‘O campeão de Durmstrang é!’ ele exclamou entusiasmado, capturando o papel no ar ‘Renomaru Kollontai!’
Vitor soltou um palavrão indignado, mas ninguém além de mim ouviu. A zoeira que tomou conta do salão foi muito grande. Todos os garotos da Chronos ficaram de pé nos bancos, gritando e sapateando em cima deles, abrindo caminho para Reno passar entre eles. Um sorriso satisfeito e um pouco presunçoso corria de uma ponta a outra de seu rosto. Como era o Reno, nos juntamos aos aplausos, que foram tão longos que o diretor teve que pedir silêncio para continuar a cerimônia.
‘Excelente! Parabéns aos três campeões! Agora que temos nossos bravos guerreiros definidos, estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os alunos de Beauxbatons e Hogwarts, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelo seu campeão, vocês estarão contribuindo de maneira muito real! Agora, se nos dão licença, vamos nos reunir a eles para que possam receber as devidas instruções. Aproveitem a festa!’
O diretor sacudiu a varinha e todas as velas voltaram a acender. Eles, junto com o resto da banca, desapareceu por trás da porta no fundo do salão e os alto falantes voltaram a tocar música.
‘É, agora ninguém vai agüentar aqueles otários da Chronos’ Vitor virou um copo de cerveja amanteigada, resmungando
‘Não importa, nós também temos um campeão na nossa casa!’ Chris pegou um copo também ‘Gabriel está sob o nosso teto, e por mais que ache o Reno legal, é pra ele que vou torcer. Família vem em primeiro lugar...’ Riu
‘Eu também gosto muito do Reno, mas acho que vou torcer pro Gabriel também, sabem...’ Falei rindo ‘Que o diretor não nos ouça!’
‘O baixinho é gente boa, mas é obvio que minha torcida é toda pro lobão!’ Ty falou entusiasmado, alto o suficiente para todo mundo ouvir ‘Beauxbatons vai ganhar!’
‘A Avalon também está abrigando uma campeã então’ Evie falou animada ‘Isso com certeza vai ser um balde de água fria na enjoada da Inês, alguém na casa vai aparecer mais que ela’
‘Tia Louise vai cair pra trás quando souber disso’ Miyako falou e ela e Ty riram ‘E acho que o Biel ainda não ta acreditando muito não’
Rimos da reação do Gabriel ao ouvir seu nome e esperamos até que ele e Gina saíssem da sala para comemorarmos mais. Gabriel não parava de apertar a mão dos colegas de Beauxbatons que vinham cumprimentá-lo e Griffon dizia em alto e bom som que Gina agora ia ficar mais famosa que o namorado dela, Harry Potter. Aproveitamos a festa no salão por mais algum tempo, mas não demorou muito até que ela fosse transferida para a Esparta. Afinal, o dia seguinte era sábado e nas repúblicas a festa não teria hora pra acabar...
Wednesday, October 22, 2008
- Porque? Perdeu o interesse?
- Não, ela é incrível, mas vamos ter o Torneio Tribruxo e outras garotas vão estar pela escola, não quero estar preso, com tantas novidades por aqui. - e ambos riram, e depois Luka continuou:
- E Ivanovitch está me olhando diferente, acho que ela está desconfiada...
- Aquela garota sempre foi enxerida, e se ela falar com as amigas... Se a Evie começar a desconfiar, vai correndo contar ao meu avô. Agora ela está valente, desde que começou a namorar aquele lá...- resmungou Max.
- E com os visitantes aqui, eu teria que redobrar os cuidados, você sabe que aquele idiota está voltando. Há alguns dias deixei de dar a poção a ela, e nem renovei a Império, sabe que ela vai perdendo o efeito.
- É, e ela é jovem, se recupera rápido. - e Luka continuou:
- E para ajudar, meu pai diminuiu a minha mesada por causa da minha ‘insubordinação’. Preciso ficar na moita, por uns tempos.
- Eu falei que ela não valia o risco. - e recebeu um olhar irritado do outro:
- Ela vale o risco Max, mas não estou disposto a passar um ano brigando com meu pai por alguns galões. E quanto ao namoro da sua irmã, não se preocupe, as coisas vão se acertar no futuro, de um jeito ou de outro.
o-o-o-o-o-o
‘Querida maninha...
Como vão as coisas por ai? Soube que haverá o torneio Tribruxo. Isso é demais!
Queria muito estar estudando ainda e poder fazer parte, mas já que não posso, vou torcer pelo campeão de Durmstrang. E se o campeão for você, pode contar que vou dar um jeito de estar presente nas provas, nem que seja para limpar bosta de dragão, já tenho experiência, fiz isso no de Hogwarts e pude ver tudo de pertinho.
Sabe agora que me casei, o pai de Irina me arrumou um emprego no Ministério. Vou trabalhar no Departamento para Regulamentação das Criaturas Mágicas, na divisão de feras, seres e espíritos. Acho que vai ser bom. Uma nova vida, um novo trabalho.
Irina está feliz e manda um abraço a você.
O outro motivo desta carta além de sentir sua falta é para contar uma novidade: Irina está grávida! Não, não foi durante a lua de mel, ela já se casou grávida e optamos por não contar aos nossos pais. O pai dela é daquele jeito seco, não receberia muito bem a novidade e nossa mãe, já surtou quando organizou o casamento, imagina se fica sabendo que vai se tornar avó? Sua vida teria virado um inferno, quer dizer, eu sei o quanto você penou, papai me manteve atualizado, obrigado por tudo. Mas teria sido pior, se você também tivesse que providenciar um chá de bebê não é?
Uma decisão com relação ao bebê já foi tomada: queremos que você seja a madrinha, seja menino ou menina. Você gostaria? Espero sua resposta.
Sabe estes dias andei sonhando que eu e você estávamos tomando uma poção estranha e ouvíamos ordens sussurradas...Sabe que cheguei a sentir o cheiro adocicado?
Estranho não é?
Irina disse que é influência pela gravidez dela... Deve ser isso, afinal é uma mudança e tanto saber que vamos ter um filho.
Espero que você esteja bem e feliz,
Do seu irmão que a ama
Y.K.”
o-o-o-o-o
Já havíamos tirado nossas coisas do nosso quarto e tentávamos mudar para o quarto que seria de Inês. Era óbvio, que 5 garotas num quarto projetado para duas, geraria muitos esbarrões, manchas arroxeadas nas pernas, e uma tensão que ia além do aceitável.
- Vamos ter que colocoar duas beliches para cabermos aqui e uma tem que dormir numa cama auxiliar...- Dizia Nina, que sempre gostava de planejar as coisas.
- Precisamos é dar um jeito de trazer a Inês aqui e fazer a tal beliche cair por cima dela. Uma morte acidental e dolorosa. - resmungou Annia, depois de levar na cara a porta do guarda roupa, lotado, se recusando a fechar.
- Eu não posso dormir no alto do beliche, posso cair e me machucar...Talvez até ficar inválida. Altura me dá vertigem. - disse Vina dramática.
- Mas eu não acho justo só uma dormir na cama auxiliar, temos que nos revezar, até esta situação se resolver. - eu disse, tateando o chão, procurando uma caixa para guardar meus sapatos e desistindo. - Precisamos de mais alguns metros de quarto. Já viram que vamos ter que levantar mais cedo pa conseguir chegar a tempo no banheiro? Este quarto é muito longe. - resmunguei.
- Não vamos conseguir resolver isso logo, ela nos pegou direitinho. Precisamos bolar um plano à prova de falhas... - disse Evie desgostosa, enquanto amarrava uma trouxa com roupas limpas e pendurava num prego na parede.
Estávamos pensando na possibilidade de sortear para ver quem iria dormir na cama auxiliar, quando uma batida na porta nos interrompeu. Era uma menina do primeiro ano me avisando que Luka queria falar comigo.
Terminamos nosso sorteio e eu fui a feliz ganhadora de uma semana agradável, na cama dobrável ¬¬.
Quando desci, Luka estava olhando pela janela, e se virou quando me viu. Saímos porta afora, e começamos a andar de mãos dadas e trocando beijos, quando eu comentei:
- Como está se sentindo titio?
- Titio?
- É, vamos ser tios, Yuri me mandou uma carta dizendo que Irina está grávida. Não é legal? - disse animada e ele me olhou descrente:
- Grávida? Mas que idiota.
- Como assim idiota? Estar grávida é uma coisa maravilhosa e Yuri está muito feliz.
- Porque é um bobão. Eles estão começando a vida agora, e ter um filho é muito precipitado, pra não dizer irresponsável.
- Meu irmão não é bobão, e nem irresponsável, e muito menos sua irmã. Devemos ficar felizes por eles e apoiá-los.
- Ah sim, ficar contente quando voltarmos para casa, e ter um fedelho gritando no seu ouvido, impedindo-a de dormir. Porque minha irmã vai estar gorda demais para se levantar e calar a boca do garoto. Realmente isso é maravilhoso. - disse sarcástico e continuou:
- Mas não vim aqui falar disso, pouco me importa. Quero saber porque você e suas amigas armaram pra Inês. Vocês nem a conhecem direito.
- Peraí: Eu não estou ouvindo isso. Você veio aqui tomar as dores da enjoada?
- Não estou tomando as dores dela, só acho que vocês pegaram pesado com o trote, e...
- Mas quando vocês jogaram as roupas do Micah e do Ty no lago, vocês acharam que foi muito divertido, e vocês nem os conheciam também.
- Isso não tem nada a ver, e no final mostramos que eles não eram legais, viu o que fizeram no meu quarto?Com as coisas do Max e do Chris?
- Eles apenas reagiram à altura. No caso da Inês, bastava ela ter reconhecido que não conseguiria e pagar o castigo. Mas não, ela achou que podia fazer tudo e quando deu errado, ela correu e pediu ajuda ao papai.
- Claro que ela iria pedir ajuda ao pai, ela estava sozinha contra vocês, e é nova na escola, isso é normal.
- Normal?? Poupe-me Luka, Inês não vai estar sempre na sombra do pai, precisa aprender a se garantir sozinha. Se fosse uma de nós no lugar dela, não haveria esta comoção toda.
- Cresça, Milla. Você não percebe que ter inimizade com ela, pode prejudicá-la? Meu pai...
- Ahá! Chegamos ao ponto: Para o seu pai se envolver nisso é porque deve ser amigo do Ministro.
- Sim, ele é. E não me interessa perder esta amizade, e você devia tomar juízo.
- Está na hora de tomar o juízo mesmo. Porque eu não ligo para as opiniões do seu pai, e não vou me esforçar para ser amiga da Inês. Por mim ela que se exploda e você pode ir junto, já que não me apóia.
- Você não fala sério...Você quer alguém que pule no fogo com você quando você fizer besteira, e isso eu não vou fazer.
- Então não dá para continuar este namoro. Aliás, nem namoro direito é, pois basta seu pai estalar os dedos e você corre Ivanov. E não preciso que me apóie quando eu fizer besteira, posso arcar com as conseqüências sozinha, só preciso saber que você não vai estar contra mim. - disse decidida ele me olhou dizendo superior:
- Então é o fim. Eu não devia ter deixado a atração que sinto por você ter chegado a este ponto, e...
- Luka me faz um favor? Poupe-me deste discurso, nós ficamos juntos por livre e espontânea vontade. Agora é cada um por si, e vamos nos limitar a sermos colegas de escola, e bons vizinhos quando sairmos daqui. - ficamos nos encarando por alguns segundos e acho que ele pensava estar vendo um ser de outro planeta, suspirei impaciente, virei-lhe as costas e voltei para a Avalon, foi a melhor coisa a se fazer, eu guardaria a minha raiva para quem de fato a merecia.
When you come home (re, re, re ,re)
Or you might walk in (respect, just a little bit)
And find out I'm gone (just a little bit)
I got to have (just a little bit)
A little respect (just a little bit)
R-E-S-P-E-C-T
Find out what it means to me
R-E-S-P-E-C-T
Take care
N.Autora: Refrão de Respect, Aretha Franklin
Wednesday, October 15, 2008
‘Se ela nos dedurou, eu acabo com a raça dela!’ Annia esbravejou amassando uma cabeça imaginaria
‘Claro que ela nos dedurou Vocês viram a cara da Georgia, ela vai comer nosso fígado!’ Comentei sentindo meu estomago afundar
Ela já estava nos esperando quando chegamos à sala e Inês já havia desaparecido de vista. Tomamos nossos lugares na mesa, mas dessa vez Georgia nem esperou até que todas já estivessem sentadas para começar o sermão.
‘Muito legal meninas, muito legal mesmo! Até quando acharam que essa iam conseguir esconder essa brincadeira idiota?’ Começou a falar andando de um lado pro outro
‘Estávamos nos mantendo positivas de que você não fosse descobrir’ Milla respondeu sincera e prendemos o riso
‘Têm idéia de que tive que mentir pro diretor?’ Georgia a ignorou. Ela gesticulava tanto que estávamos receosas de receber um tapa sem rumo ‘Ele ficava perguntando o que era a lista e eu dizia que não sabia, que devia ser algum tipo de desafio entre os calouros, mas claro que ninguém acreditou. Estão alegando que foi trote, o que eu digo a eles?’ E pela primeira vez, Georgia parecia não saber a resposta
‘Que ela usa drogas?’ Annia arriscou
‘Ela nos dedurou, você quer uma dedo-duro na Avalon?’ Nina arriscou quando Goergia fechou a cara pro comentário de Annia
‘Ela não dedurou vocês, e pra ser sincera, nem foi preciso! O diretor me entregou a lista cobrando explicações e deduzi sozinha. Inês nem abriu a boca, não ouço a voz dela desde que saiu daqui de tarde pra cumprir as tarefas dessa lista que vocês criaram!’
‘Que seja! Qual é, Georgia? Vina se estressou ‘Se fosse qualquer garota ninguém ligaria, mas é só porque ela é Inês Molotov’
‘Ela vive sob observação e ficando aqui, nós também vamos ficar submetidas a isso’ Georgia parecia não gostar da imagem que plantei
‘É!’ Milla aproveitou a deixa e tentou reforçar ‘Não seria melhor se...’
A frase de Milla foi cortada com o barulho da porta da sala abrindo. Inês entrou vestida em um terninho que parecia ter sido emprestado pela avó e com cara mais lavada do mundo, cara de santa e arrependida.
‘Posso tomar um minuto do tempo de vocês?’ Falou com aquela voz de menina de 9 anos, e torci o nariz
‘É uma reunião fechada, somente para o conselho’ Georgia respondeu cansada
‘Vai ser rápido’ Georgia assentiu e ela entrou, fechando a porta ‘Eu sei que cometi um grande erro. Extrapolei com essa caça de itens, mas eu só estava tentando deixar minhas irmãs orgulhosas’ Ela andava de um lado pro outro ditando aquele discurso falso e olhava para as meninas com cara de nojo
Achamos que ninguém compraria aquela porcaria, mas quando ela parou de falçar, Georgia estava com cara de comovida. Milla me olhou alarmada, já sabíamos aonde aquilo ia parar.
‘Ah Inês, você não precisa provar nada a ninguém, todo mundo aqui adora você!’
‘Er... Há controvérsias!’ Levantei a mão, mas Nina me beliscou
‘Seu discurso é muito bonito, mas nós ainda temos que responder ao diretor’ Nina cortou a falsidade dela
‘Já está tudo resolvido’ Inês disse simples e quando não entendemos, sorriu de um jeito que deveria ser gentil, mas não soou bem assim ‘Meu pai, o Ministro, acabou se envolvendo. Ele falou com o diretor e com a presidente sênior da Avalon e sugeriu que seria mais interessante para todos esquecer isso tudo. Então, foi esquecido’ Ela fez um aceno teatral, sem conter o sorriso de satisfação ‘Eu não permitirei que o meu infeliz julgamento afete minhas irmãs’ Ela parou atrás de mim e apertou meu ombro, sorrindo sinistramente, e controlei o impulso de estapear aquela cara falsa ‘E por todo o transtorno que causei, meu pai ofereceu nossa casa em Aruba para passarmos um fim de semana, só as meninas da Avalon’
O que era um silêncio fúnebre se transformou em falatório com o convite repentino. Até eu me empolguei de inicio, mas quando Georgia saiu abraçada a Inês já fazendo planos para o fim de semana em Aruba, a ficha caiu: a safada tinha dado uma volta na gente. E nós caímos direitinho...
~*~*~*~*~*~
Mais tarde...
A noite de sono já havia sido totalmente arruinada pelos eventos consecutivos e, desistindo de lutar contra a vontade de fofocar, nos largamos cada uma em sua cama e nos revezávamos para falar mal de Inês e de como ela nos manipulou tão bem, a ponto de nos fazer esquecer por breves segundos que a odiávamos. O relógio já marcava mais de 3 da manhã quando alguém bateu na porta e o rosto sorridente de Georgia apareceu. Pelo visto não éramos as únicas sem sono.
‘Boas noticias!’ Ela já foi entrando ‘Tudo foi realmente resolvido e esquecido. Mas tem um porém...’ Ela fez uma breve pausa, mas foi tempo suficiente para trocarmos olhares preocupados ‘Inês quer o quarto de vocês’
‘Ela não pode ficar com o nosso quarto, isso é ridículo’ A principio rimos, mas quando Georgia se manteve séria, Vina protestou.
‘Me expliquem uma coisa... Como Inês recebeu tantas coisas difíceis na caça aos itens?’ Georgia fingiu uma cara pensativa
‘Ela não recebeu coisas difíceis’ Annia negou
‘Professor sem roupa, prostituta de meia idade?’ Listou, indignada
‘Ora Georgia, foi só uma piada!’ Falei rindo e Georgia riu também, mas depois ficou séria
‘A questão é que essa piada nos rendeu uma bronca e agora os professores sabem que existem trotes nas repúblicas. Vocês tomaram implicância com ela e perderam o controle da brincadeira. Vocês colocaram a gente em perigo devido ao trote’
‘Não achamos que ela faria’ Protestei
‘Mas ela fez! E nós poderíamos estar em observação, ou pior, servir de exemplo e sermos expulsas. Vocês colocaram essa disputa idiota antes da republica. Então se a condição para que Inês não mude de idéia e diga a verdade é ter esse quarto, ela terá. Vocês ficam com o quarto do 2º andar, que seria o dela’ Disse em tom decidido e saiu do quarto ‘Se entendam com ela quanto ao tempo que vão levar para fazer a mudança’ E bateu a porta.
Ficamos mudas encarando a porta alguns segundos, mas que pareceram uma eternidade. Quando o efeito do transe passou, nos encaramos em silêncio e não foi preciso falar nada para saber que o pensamento era um só: se ela estava disposta a encarar uma briga, então que estivesse preparada, porque íamos até o fim!
Podemos ter perdido a batalha, mas não perdemos a guerra! E ela estava apenas começando...
Sunday, October 12, 2008
Os calouros entraram se arrastando, todos quase desmaiando, e caminhei até uma figura pequena dormindo encolhida no jardim. Era um menino um pouco baixo para 11 anos e muito loiro. Bati palma e ele acordou. Quando me viu, levantou do chão assustado. Era Filipe, o primo da Evie.
‘Acho que vai precisar disso’ Atirei um par de chinelos nele e olhei o quintal todo limpo ‘Bom trabalho com a erva daninho, não sobrou nada’
‘Fui o único candidato que dormiu?’ Perguntou olhando em volta e vendo o quintal vazio ‘Ah droga, não acredito que me deixaram dormir!’
‘Relaxa, você não é o primeiro e não vai ser o último’ Ri
‘O que acontece com quem dorme?’
‘Geralmente os próprios calouros cuidam deles’ Apontei pro pé dele e ri ‘Eles se superaram esse ano’
‘Eles pintam o seu pé de azul?’ Disse alarmado, meio em estado de choque ‘Eles pintaram meu pé’
‘É, mas eles pintam porque se importam, você foi notado’ Tentei encorajá-lo, mas era difícil não rir
‘Quando eu disse que gostava de alquimia, me olharam como se eu fosse um doente terminal’
‘Eles não te conhecem ainda, dê tempo a eles. Vamos entrar, Ivan vai passar algumas instruções’
Empurrei o garoto pra dentro da casa ainda em estado de choque. Era difícil não rir. Além de ter os pés pintados, ainda tinham unido suas sobrancelhas com caneta preta e cortado o fundo das calças, mas ele ainda não tinha reparado nesses detalhes, e esqueci propositalmente de contar. Ele se postou ao lado de Wes na sala e os outros começaram a rir, mas pararam quando Ivan pigarreou.
‘Parabéns. Todos sobreviveram à noite no jardim. Quer dizer, quase todos’ E olhou para Filipe, que abaixou a cabeça sem graça ‘Como somos veteranos muito bons, vamos deixá-los dormir por 2 horas antes de começarmos nossas atividades diurnas’ Alguns protestaram, mas Ivan fez com que se calassem outra vez ‘Duas horas é mais que suficiente para repor as energias, mas se preferirem podemos começar as atividades agora mesmo’
Os que não protestaram olharam ameaçadores para os reclamões e todos concordaram com as duas horas de sono. A maioria nem se deu ao trabalho de ir para o quarto, e se espalharam pelo chão da sala mesmo. Voltamos para a sala de reunião para começar a acertar os últimos detalhes. O dia seria movimentado para eles.
ººº
Passamos o dia inteiro na praça da cidade delegando tarefas malucas aos calouros. Filipe passou o dia todo com os pés pintados de azul e o rosto riscado, mas estava tão preocupado em nos impressionar e fazer os amigos calouros gostarem dele que não se importou e acabou sendo um dos mais empenhados nas tarefas. Ivan havia dispensado todos eles pra fazerem o que quisessem pelo resto da noite antes de seqüestrarmos todos outra vez e fui com Evie e o resto do pessoal pro Dobbler’s, o pub novo da cidade. Era o novo point da escola toda sexta e sábado se esbarrava com toda Durmstrang lá dentro. E como era só o 1º fim de semana de aula, o assunto eram os trotes. Evie disse que ia até o balcão pegar mais bebida e saiu de perto da roda, mas demorou tanto a voltar que fui procurá-la.
‘Por que essa demora toda?’ Parei atrás dela no balcão e notei a presença de Derek, o ex-namorado.
‘Erik’ Cumprimentei com a cabeça ‘Tudo bom?’
‘É Derek’ Ele me corrigiu
‘Tanto faz’
‘Só estava pagando um drink a ela’ Ele justificou
‘Você não tem sua própria namorada pra pagar drinks?’ Envolvi meu braço ao redor do ombro dela, querendo marcar território. Era mais forte que eu, não podia evitar.
‘Relaxa, cara. Evie e eu só estávamos conversando sobre os calouros’
‘Ah sim, como vão os trotes na Chronos? Já mataram os calouros de tédio?’
‘Ao menos não os fazemos passarem por humilhações. Por que mesmo fazem isso com eles?’
‘Para nossa diversão?’ Ri
‘Vi o primo dela passando na rua parecendo um mendigo. Vejo que estão fazendo muito bem a eles’
‘Pelo menos não precisamos treinar nossos calouros, eles já arrasam qualquer outro’ Provoquei e ele se mordeu
‘Está dizendo que os seus calouros são melhores que os nossos?’
‘Não fui claro? Deixe-me esclarecer. Nossos calouros arrasam os de vocês qualquer dia’
‘Isso é um desafio?’
‘Ah, por favor, parem com isso’ Evie resmungou, mas continuamos
‘Calma, meu amor’ Abracei ela mais forte e encarei-o ‘De que tipo de competição estamos falando? Quem tem o melhor suéter tricotado pela vovó?’
‘Nós podemos acabar com vocês em qualquer coisa, então pode escolher o desafio’
‘Beer-pong, amanhã às 18h, na nossa república’ Estendi a mão e ele apertou
‘Prepare-se pra dançar’ E saiu do balcão
‘Isso era mesmo necessário?’ Evie se virou para mim entediada ‘Que disputa ridícula entre vocês dois! Não tenho mais nada com ele, não precisa ficar marcando território desse jeito’
‘Ele que falou em desafio primeiro. E não esquenta, vai ser bom um duelo de repúblicas logo no começo do ano, que já abaixa a crista deles. Acham que podem dizer o que fazemos com os nossos calouros, são muito abusados’
‘Pra falar a verdade, foi bom mencionar isso. Não sei exatamente o que vocês estão fazendo dentro da república, mas pega leve com o Filipe, ok? Isso é tudo muito novo pra ele e não queria que ele ficasse marcado. Não sei se você notou, mas ele é um tanto quanto nerd’ Ela riu
‘É, eu percebi. Como ele veio parar aqui? Pensei que tinha dito que os gêmeos iam pra escola da Espanha’
‘Luísa foi, mas Filipe disse que 11 anos era a idade para se emancipar dela, e preferiu vir pra cá. Ninguém da família queria, porque ninguém acredita que ele vá sobreviver à semana de trotes’
‘Não se preocupe, ele vai ficar legal’
‘Espero que sim’ Ela bebeu o drink que Derek deixou e riu ‘Beer-pong? Isso vai ser divertido’
ººº
Às 18h do domingo os calouros da Chronos chegaram à Esparta para o desafio de beer-pong. A competição ia ser apenas entre os calouros do 1º ano e estavam todos nervosos. Evie contou que o desafio seria beer-pong e as meninas apareceram para assistir e torcer pelos nossos calouros.
O jogo era simples. Cinco copos cheios de cerveja amanteigada ficavam postados nas duas pontas da mesa. O adversário tinha que acertar a bolinha de ping-pong dentro do copo. Se acertasse, o adversário bebia o copo. Quem bebesse os cinco copos primeiro, perdia. Eram 7 calouros de cada lado e Filipe ficou para competir por ultimo. O jogo empatou em 3 a 3 e estava nas mãos dele desempatar para a Esparta.
‘Como faço mesmo?’ Me perguntou nervoso com a raquete na mão
‘Basta acertar a bola dentro do copo’ Apertei seu ombro o sacudindo e ele mirava os copos do adversário ‘Sua vida depende disso, não nos decepcione’
‘Valeu, isso ajuda bastante’
‘Eu faço o meu melhor. Agora vai lá e acaba com ele’
Derek apitou o inicio da partida e Filipe sacou. E logo de primeira acertou o copo do garoto. Nosso lado comemorou e ele me olhou animado.
‘Isso é igual à ping-pong! Eu fui campeão dos escoteiros!’ Disse empolgado e olhei para Evie rindo.
‘Seu primo era um escoteiro? Ele é mesmo único’
Filipe voltou à atenção a mesa quando o garoto da Chronos bebeu o copo inteiro e foi uma sucessão de bolas no copo. Filipe não deu chance a ele de acertar uma bola sequer em seus copos e os fez beber os 5 seguidos. O garoto caiu bêbado no gramado e nossos calouros erguerem Filipe do chão.
‘Viu?’ Abracei Evie olhando os calouros comemorando com Filipe no ombro deles, de braços erguidos ‘Ele vai ficar bem’
Don't worry about a thing,
'Cause every little thing
Gonna be all right
Bob Marley - Three Little Birds
Thursday, October 09, 2008
‘Tudo pronto?’ Nicolas abriu a porta da sala
‘Sim, estamos prontos’ Chris conferiu o papel em sua mão e os outros confirmaram com a cabeça ‘Vamos pegar os calouros’.
Os 10 garotos riram e abaixaram o capuz que cobria seus rostos. Bateram a porta da república ao saírem e se espalharam pelo campus. A noite do trote estava começando.
ººº
Biblioteca do Campus, 21h15min.
‘Não vou fazer Alquimia, Evie, sem chance’ Wes corria os olhos pelas folhas perdido ‘Se você está me dizendo que em 7 anos ainda não consegue transmutar grandes coisas, não há esperança pra mim’
‘É, você está certo em nem começar’ Evie escrevia em um pergaminho enquanto conversava com o amigo ‘E também, só temos mais esse ano. Pra que se matar tentando entender uma coisa que nem vai usar mais?’
‘Calouro’ O espelho preso na capa de Wes vibrou e ele logo se alarmou ao ouvir a voz de Micah ‘Você tem 5 minutos pra chegar à república ou sofrerá as conseqüências’.
‘Droga! Tenho que ir!’
Wes levantou com um único pulo e abraçou o material de qualquer jeito, correndo desabalado. Evie sacudiu a cabeça e começou a rir. Não era nada fácil ser calouro.
ººº
O caminho da biblioteca até as repúblicas era longo e Wes corria o mais rápido que suas pernas e a semana cansativa de aula permitiam. Já podia avistar, ainda que um pouco distante, as casas que abrigavam as repúblicas e apertou o passo, mas um par de mãos agarrou suas vestes e alguém enfiou um capuz em seu rosto. Três vozes distintas riam e dois de seus donos o ergueram do chão e saíram correndo.
Foi atirado sem cerimônias no chão e instruído a não remover a venda, ou as conseqüências seriam grandes. Ficou sentado no canto sem enxergar nada, mas sabia que outros calouros se encontravam na mesma situação. Alguns minutos se passaram e vários passos foram ouvidos. Ouviram uma porta abrir em seguida e os risos que acompanhavam os passos cessaram.
‘De pé!’ A voz grave de Ivan invadiu o quarto e todos levantaram ‘Removam o capuz’
Os calouros arrancaram o capuz que cobria seus rostos e iam encarando uns aos outros, reconhecendo os rostos das vitimas ali presas. Wes logo notou Ricard e Victor de pé um pouco mais a frente e caminhou até eles. Micah e Chris estavam de pé ao lado de Ivan, o presidente da Esparta, e Nicolas, o vice-presidente. Os quarto, assim como os outros 6 garotos atrás deles, mantinham os braços cruzados e uma expressão intimidadora.
‘Boa noite, calouros’ Ivan começou a percorrer a sala e os olhos dos calouros acompanhavam seus passos, atentos ‘ Vejo que todos chegaram no horário’ Os veteranos riram, mas logo pararam ‘Mas vou ter que pedir para pagarem 20 flexões mesmo assim, pois ninguém teria chegado no horário se não fosse nossa ajuda!’
‘É sério? Todos?’ Ricard perguntou descrente
‘Todos vocês!’ Micah berrou e a maioria já foi se atirando no chão ‘O sucesso de um irmão é o sucesso de todos e a falha de um afeta a todos, então quando delegamos uma tarefa, vocês têm que executá-la JUNTOS!’
O único som que se ouvia agora eram nossas respirações pesadas e do esforço para concluir as 20 flexões sem prejudicar aos outros. Ivan ia caminhando entre os calouros, observando com atenção.
‘Bem vindos à noite do trote. Eu sou o presidente da Esparta, irmão Chambers, e é meu dever transformá-los em espartanos. Auto-melhoramento, liderança e dedicação. E parte da dedicação é pontualidade’ Wes sentiu algo pesado cair em suas costas ‘A capa dura que estão sentindo nas costas é o livros dos iniciados da Esparta. Vocês serão testados por ele. A iniciação não serve apenas para humilhá-los, também tem o propósito de transformar os garotos comuns fazendo flexões nessa sala em verdadeiros espartanos’ As 20 flexões pedidas terminaram e todos ficaram de pé, encarando o grosso livro nas mãos. Micah empurrou um carrinho grande coberto com um pano para a sala e Ivan descobriu, revelando 10 blocos de gelo muito grandes ‘Vocês tem uma hora para derreter esses blocos de gelo. Ah sim, tem uma condição. Não podem usar nada mais que a boca. Por que ainda estão parados? VAMOS!’
Os calouros se encararam sem reação e os 10 veteranos sacudiram a varinha, lançando cordas que imediatamente prenderam suas mãos às costas. Os veteranos saíram da sala e Victor foi o primeiro a se aproximar dos blocos de gelo e lamber um. Quando viu que ninguém mais se movia, os encarou.
‘O que estão esperando? É muito gelo pra pouco tempo!’
‘Isso mesmo, gente, não vamos querer sofrer as conseqüências, seja lá quais forem!’ Wes se adiantou e começou a roer o gelo também
Os demais correram para ajudá-los e os 10 blocos de gelo foram cobertos por cabeças se esbarrando.
ººº
55 minutos depois
‘Wade, vá conferir como nossos calouros estão se saindo’ Ivan falou recolhendo o baralho ‘Estão muito quietos’
Micah levantou da mesa e caminhou até a sala. Os calouros ainda tentavam derreter o gelo. Estavam todos ensopados e suando, mas restava apenas um bloco de gelo que Wes, Ricard e Victor lutavam para eliminar, roendo depressa. Voltou para a sala de jogos rindo.
‘Estão quase terminando, mas os primeiranistas estão esgotados’ Comunicou aos outros veteranos.
‘Ótimo, assim vai ser mais difícil se manterem de pé até amanhã’ Chris riu maldoso
Todos levantaram, caminhando para a sala. Ivan conferiu o relógio e esperou que a hora chegasse ao fim. Alguns calouros notaram a presença dos veteranos assim que eles entraram na sala, mas outros mantinham a atenção nos últimos vestígios de gelo.
‘Tempo esgotado’ Ivan anunciou e os três se afastaram. Aproximou-se com Micah, Chris e Nicolas e examinaram a mesa ‘Bom trabalho, iniciados. Bom trabalho. Pena que não terminou aqui’
‘Acharam mesmo que era só isso?’ Chris riu outra vez quando os calouros se espantaram ‘Essa é a primeira noite da semana dos infernos que vocês terão’
‘Irmão O’Shea está certo, não terminou aqui’ Ivan tornou a falar ‘Todos para o jardim dos fundos’.
Ivan e Chris saíram na frente e os outros veteranos empurravam os calouros para fora da casa. Micah e Nicolas ficaram para trás para levar os últimos e aglomeraram todos em um circulo desenhado na grama do jardim. Todos tinham expressões que misturavam tensão e curiosidade.
‘Irmão Wade, quer ter a honra?’ Ivan indicou os calouros para Micah, que se adiantou.
‘Os espartanos são fortes e capazes de resistir a dias sem dormir a espera do inimigo’ Micah caminhava em volta do circulo ‘Vocês vão passar a noite aqui. Não podem dormir e nem entrar na casa. O primeiro calouro que dormir...’ Micah olhou para alguns alunos do 1º ano, que se encolheram 'Bom, acho que não preciso completar essa frase, não é mesmo?’
‘Vemos vocês amanhã Chris acenou divertido e os veteranos entraram
‘E não se enganem, pois estaremos de olho a noite inteira’ Ivan comunicou antes de fechar a porta.
‘É galera, é isso... Alguém tem um baralho ai?’ Wes sentou na grama cansado e os outros riram. A noite ia ser longa...
Tuesday, October 07, 2008
Das quatro calouras que entregaram o que pedimos, Tatiana foi a que se destacou. Ela era a mais empolgada e conseguiu todos os itens da lista. Enquanto conferíamos os demais, ela ia contando como conseguiu cada uma das fotos com uma empolgação tão grande que nossa vontade era de estrangular ela pra que calasse a boca um pouco, mas apenas sorrimos e ouvimos. Coitada, ela só era animada, talvez até um pouco demais. Georgia aprovou as quatro para a próxima fase do trote e dispensamos todas as calouras, indo para o quarto.
‘Aonde será que a Inês se meteu?’ Perguntei curiosa enquanto me jogava na cama
‘Tomara que tenha explodido!’ Milla respondeu e rimos
‘Deve ter desistido e ficou com vergonha de voltar’ Vina chutou
‘Será que ela foi procurar abrigo em outra republica?’ Nina perguntou intrigada
‘Vamos torcer pra isso!’ Annia puxou um jogo de snap explosivo da mala e sacudiu na mão ‘Alguém topa uma partida?’
Amontoamos-nos no chão para jogar e passamos horas sentadas naquela roda. Vez ou outra alguém descia na cozinha para busca comida e bebida, e o jogo continuava firme. Já devia ser quase meia noite quando bateram na porta do quarto e Georgia entrou sem cerimônia, de pijama e roupão.
‘As cinco na sala agora, reunião’ Disse autoritária e saiu do quarto.
Trocamos olhares intrigados e cansados, mas recolhemos as cartas e descemos atrás dela. O Conselho da Avalon já estava todo sentado em volta da mesa de reunião. Georgia andava de um lado para o outro, tensa. Ocupamos nossos lugares e comecei a me preocupar. Pra que aquele mistério todo?
‘Meninas, nós temos um problema’ Georgia começou, sem nem ao menos sentar ‘A professora Mira esteve aqui há alguns minutos, me comunicando que Inês Molotov está retida na sala do diretor desde as 19h. Ela foi pega tentando invadir o banheiro dos professores com uma câmera na mão. Alguém tem alguma idéia do que ela estava tentando fazer?’
‘Eu sabia que essa garota seria um problema’ Falei como se não soubesse do que ela estava falando ‘Tentamos avisar, mas você não nos deu ouvido, Georgia’
‘Pois é, olha só o que ela fez!’ Milla entrou na onda comigo
‘Ela não explicou o que estava fazendo?’ Vina pareceu um pouco mais preocupada que nós duas
‘Não, a professora disse que o diretor já fez todos os tipos de pergunta possíveis, até a ameaçou com veritasserum, mas ela não emite um único som. Eles não vão liberá-la até que fique claro o que ela estava tentando fazer’
‘Bom, parece obvio pra mim’ Annia começou muito séria ‘Inês estava tentando conferir os professores sem roupa, e talvez guardar uma recordação’
‘Annia pode estar certa, sabe como são esses filhos de pessoas importantes, acham que podem fazer tudo sem sofrer as conseqüências’ Dei mais corda. Não íamos confessar nem sob tortura.
‘Não sei se o problema é esse, mas acho que foi mesmo um erro mantê-la aqui’ Georgia ponderou e sorrimos vitoriosas, mas disfarçamos ‘Em todo caso, não sei se mais alguma republica vai aceita-la a essa altura do campeonato, mas vou ver o que posso fazer’
‘Não se preocupe com trocá-la de republica, porque depois dessa, acho que ela vai ser expulsa’ Milla levantou da mesa bocejando ‘Estou com sono, tem mais alguma coisa pra discutir?’
Georgia fez sinal com a mão nos dispensando e saímos da mesa. Subimos correndo para o quarto e assim que Vina bateu a porta, caímos na gargalhada. As risadas eram tão altas que sem duvida os quartos do andar de baixo podiam nos ouvir. Vimos quando Georgia saiu da república e caminhou na direção do castelo, parecendo furiosa. Mas depois de um tempo paramos de rir e acho que pensamos todas a mesma coisa: o que vai acontecer se ela contar a verdade? A dúvida pairou sobre o quarto por intermináveis 40 minutos, tempo que levou para que Georgia voltasse para a república com Inês ao lado. Ela olhou para a janela do nosso quarto e nem deu tempo de se esconder, então a encaramos de volta. Inês olhou para cima também e abaixou a cabeça, entrando rápido. Georgia sustentou a nossa encarada e sacudiu um papel amassado na mão, fazendo sinal para descermos outra vez.
‘É, agora ferrou’ Nina falou nervosa
Fechamos a janela e caminhamos outra vez até a porta. Tínhamos jogado bosta de dragão pro alto e agora estava começando a ventar...
((Continua))
Friday, October 03, 2008
Oscar Wilde
‘Atenção!’ Georgia bateu com um martelo na mesa ‘Silêncio! Se não tivermos ordem, não vamos terminar a reunião!’
‘Já nos calamos, Sra. Presidente’ Milla disse com sarcasmo ‘Conclua’
Georgia fingiu não se importar e continuou a falar. Estávamos na reunião do Conselho da Avalon, formado pelas alunas do 7º ano. E a pauta dessa primeira reunião do ano era o trote nas calouras. Esse ano seria diferente, pois tínhamos 5 garotas mais velhas que mereciam um trote separado. Georgia encerrou a reunião distribuindo as tarefas de cada uma e saímos da sala.
‘Vou ajudar com as novatas’ Nina disse lendo seu roteiro ‘Ótimo, tenho algumas idéias já’
‘Eu também vou trabalhar com as calouras, vou supervisionar para que Nina não pegue leve demais com elas’ Annia comentou rindo
‘Eu fiquei com as mais velhas’ Vina disse olhando o meu papel e o de Milla ‘Oba, vocês também!’
‘Ótimo, assim vamos poder presentear aquela menina enjoada do 6º ano’ Milla comentou maldosa e rimos ‘Ô garotinha nojenta!’
‘Então eu já tenho uma idéia ótima! Vamos começar a trabalhar imediatamente!’ Disse empolgada e começamos a rir de um jeito sinistro. Pilar tinha razão: ser veterana era bom demais...
~*~*~*~*~*~
‘Silêncio, por favor’ Vina pediu, gesticulando ‘Se reúnam aqui’
As calouras mais velhas pararam de conversar e se reuniram na nossa frente. Estávamos na praça da cidade com elas, em um sábado livre. Elas eram 5: Karina e Andréa, da Ansuz e Mannaz, 5º ano; Inês, do 6º ano da Othila; e Nádia e Tatiana, Berkana e Mannaz, 7º ano. O trote que deveríamos bolar tinha que estar dentro dos padrões da Avalon, ou seja, nada que nos metesse em confusão e denunciasse todo o esquema de trote nos calouros ao corpo docente da escola. Separamos alguns itens malucos e totalmente aleatórios em umas listas e distribuímos às cinco. Elas teriam que fotografar todos os itens que pedimos e nos reportar no fim do dia.
Era a 1ª parte do trote, para elas pensarem que seria simples. Mas fizemos uma pequena brincadeira com a lista da Inês. Milla já tinha tomado implicância com ela e não era pra menos. Ela era filha do Ministro da Magia da Bulgária e achava que podia chegar mandando na republica. Ninguém gostava dela, mas Georgia fazia questão de ter aquela enjoada na Avalon, pois dizia que chamava atenção positiva pra casa. Não podíamos fazer nada, ela era a presidente, então tiramos proveito do trote. Se não poderíamos tirar ela a força, íamos fazer ela querer sair.
‘Vocês têm até às 20h para nos entregar tudo. Quem deixar algum item de fora, vai pagar penitencia’ Anunciei e todas dispersaram, menos Inês. Ela leu a lista dela curiosa e veio até nós
‘Algum problema, Inês?’ Milla perguntou cínica
‘A minha lista’ Começou, em um falso tom de descontração ‘Alguns itens são um pouco estranhos. Vocês têm certeza que as outras receberam tarefas similares? Membro do corpo docente sem roupa, uma prostituta de meia idade, um anão punk... Isso é algum tipo de brincadeira?’
‘Por acaso temos cara de quem está brincando?’ Falei me mantendo séria ‘Todas receberam tarefas do mesmo nível e já saíram para tentar obter tudo da lista. Mas se acha que não consegue, é só devolver e desistir’
‘Não, eu vou conseguir. 20h, certo?’ Vina confirmou com a cabeça e ela saiu jogando o cabelo pra trás, aquele ar arrogante infestando o ar
‘Ela não vai conseguir nem começar’ Comentei quando ela se afastou
‘Não mesmo. Vai desistir e outra republica que ature a princesinha mimada’ Milla torceu o nariz
‘Só espero não termos problemas com Georgia quando ela souber das tarefas que delegamos a Inês’ Vina parecia preocupada, mas deu de ombros ‘Ah, mas também, quem se importa?’
Começamos a rir imaginando Inês desesperada tentando fotografar todas as coisas impossíveis que listamos para ela e sentamos no banco da praça para ver os outros trotes. Micah e Chris estavam com alguns garotos do 7º ano na praça comandando o grupo de calouros da Spartacus. Todos os do 1º ano estavam descalços e corriam de um lado pro outro tentando encontrar os pares certos, para calçarem outra vez, e isso dava tempo aos veteranos de encerrar o trote com os mais velhos. Victor conversava com uma estátua sob a supervisão rigorosa de Chris, e caímos na gargalhada quando descobrimos que ele contava piadas pra ela. Ricard estava sendo supervisionado por Micah, e abordava as pessoas na rua com um copo na mão, pedindo dinheiro. Algumas davam, mas outras brigavam com ele e mandavam procurar um emprego. Wes estava sem sapatos também, e pulava corda no meio da pracinha ditando o alfabeto de trás pra frente.
De vez em quando os dois vinham sentar com a gente pra observar de longe e rir, mas logo corriam pra inspecionar algum outro calouro. Os mais velhos faziam coisas como as de Victor, Wes e Ricard, e também pulavam amarelinha no meio da rua, imitavam bichos, declaravam poemas de amor a estátuas, ensaiavam uma cantada com elas e outras coisas bizarras.
Annia e Nina se juntaram ao grupo na parte da tarde dizendo que todas as calouras estavam tendo que procurar pelas mesmas coisas das nossas calouras, mas coisas mais acessíveis, como um pássaro azul ou um professor tomando café, e se largaram no banco, cansadas. Passamos o resto do sábado apenas observando nossas calouras correrem de um lado pro outro com as listas na mão, e a única que não era vista em canto algum era Inês. Será que ela estava mesmo tentando fotografar aquelas coisas? Não, impossível. Ela nunca ia conseguir...