Monday, November 12, 2007

Hogwarts, 13 de Novembro de 1998

‘Me ajude a lembrar tudo, Marta’ Disse rabiscando um pedaço de pergaminho ‘Diego perdeu em que categoria do tiro esportivo pro Chris?’

‘Carabina’ Marta respondeu depois de pensar um pouco ‘Mas ele ganhou ouro no xadrez de bruxo, aquele seu amigo de Durmstrang perdeu’

‘O outro Chris, o Parker’ Escreveu mais uma linha no pergaminho e olhou para a prima ‘O que mais? Ah sim, Helena ganhou ouro no tiro esportivo hoje cedo!’

‘Sim, apavorante’ Marta fez voz de assombro e Evie riu ‘A psicopata da nossa prima sabe atirar em um alvo móvel. Preocupante isso. Acho que devíamos parar de pregar peças nela nas férias, sabe-se lá o que ela tem debaixo do travesseiro!’

‘É uma boa idéia, não quero nenhuma surpresa. Algo mais que já aconteceu aqui em Hogwarts?’

‘Sim, eu ganhei do Harry Potter na espada!’ Afonso entrou no salão comunal da Lufa-Lufa ainda com o uniforme de esgrima e a medalha de ouro brilhando no peito’

‘Pare com isso, você não faz o tipo que fica se gabando, como Mario e Diego’ Marta provocou o irmão

‘E não faço isso mesmo, mas com vocês não tem problema’ Disse guardando a espada cuidadosamente e sentando ao lado delas ‘Estão mandando as notícias para a vovó? Como ela está?’

‘Diz que está melhor e quer voltar a tempo de ver as últimas provas, mas não deu certeza. Você foi o último a competir até agora, certo?’

‘Isso. Agora faltam vocês duas, mais uma prova minha sexta, a Letícia na Ginástica e o Santiago na esgrima, que é daqui a pouco. Acho difícil ele conseguir o ouro, o outro garoto é mais velho. Mas chegou à final, já está ótimo. Ah, e ele tem ainda a prova dos 100m com barreiras na sexta e essa tenho certeza que ele ganha. Santiago é rápido’

‘Então termine logo essa carta e diga que as próximas medalhas ela só vai ficar sabendo se vier até aqui!’ Marta falou séria e levantou ‘Eu vou praticar Arquearia. Minha prova é amanhã e também minha última chance de ganhar ouro, não quero desperdiçar’

A garota saiu do salão comunal com o equipamento de Arquearia na mão e deixou o irmão e a prima sozinhos. Evie assinou a carta e deu uma última lida antes de enrolar o pergaminho. Afonso ainda olhava com satisfação para a medalha e parou sem graça quando viu que Evie o observava.

‘Está mesmo feliz por ter vencido, não é?’ Disse rindo

‘Desculpe, sei que pareço um idiota’ Respondeu ficando vermelho ‘Mas foi minha primeira de ouro’

‘Não parece um idiota. Também demorei a tirar a minha do tênis do pescoço’

‘Ah desculpa, não sabia que tinha alguém aqui dentro essa hora’ Alguém abriu a passagem secreta e os dois olharam. Era Shannon, também com o uniforme de esgrima e uma medalha de prata no peito

‘Descanso depois de provas, esse salão comunal é muito aconchegante’ Afonso falou sorrindo e levantando ‘Vou trocar de roupa e treinar um pouco para a corrida, nos vemos depois’

O garoto sumiu pelo túnel que levava aos dormitórios e Evie ficou recolhendo as coisas. Teria treino com a equipe de montaria em alguns minutos e ainda precisava ir até o corujal para usar uma das corujas da escola. Shannon se largou no sofá ao lado dela e fechou os olhos parecendo exausta, porém satisfeita. Evie não resistiu à tentação de puxar assunto com ela.

‘Perdeu para quem na final?’ A garota abriu os olhos e Evie apontou para a medalha de prata

‘Pra Miyako’ Respondeu sorrindo ‘Aquela japonesa é rápida!’

‘Ai, assim você me desanima. Vou disputar ainda as provas do florete e ela está na minha chave’

‘Você não tem muita chance, desculpe’ Disse rindo

‘Tudo bem, vou superar isso. Ao menos na montaria temos mais chances de ganhar ouro’

‘É verdade, Micah disse que a equipe de vocês está boa, é a mais preparada para a competição. Acho que foi meu caso no Boxe. A menina que lutou comigo na final era boa também, mas não tinha muita técnica. Acho que eu era a única que já tinha lutado antes’

‘Você ganhou ouro no boxe?’ Evie engasgou e olhou para ela espantada ‘Desculpa, é que nem sabia que tinham garotas inscritas’

‘Não precisa se desculpar. Costumo causar essa reação mesmo quando digo que luto boxe. Precisa ver como é quando é um garoto’ Falou rindo, mas parecendo desanimada

‘Eles não aceitam muito bem?’

‘Quando descobrem que a garota que está saindo com eles pode nocauteá-lo? Não mesmo. Isso é sempre um problema, mas conheci um garoto aqui que não parece se importar com isso. Pelo contrário, ele achou legal’

‘Olha ai, de repente então ele é o eleito’ Evie falou e Shannon parecia mais animada

‘Pois é, vamos ver como vai ficar depois que voltamos para nossas escolas. Você que não vai ter esse problema, não é?’ Ela assumiu um tom de voz brincalhão e Evie não entendeu, então ela continuou ‘Micah. Você está interessada nele, e ele está estudando em Durmstrang agora. Não vai ter problema quando os jogos terminarem, vocês voltam para o mesmo lugar’

‘Eu não estou interessada nele!’ Evie ficou vermelha com o jeito direto da garota de falar as coisas ‘De onde tirou essa idéia?’

‘Das evidências óbvias?’ Respondeu rindo ‘Não se preocupe, somos só amigos. Micah é como um irmão pra mim’

‘Suas evidências então estão furadas. E em todo caso, seu amigo pediu tão gentilmente para que eu não me aproximasse dele outra vez durante os jogos que se tivesse algum interesse, teria evaporado’ Respondeu azeda, sem conseguir esconder que havia ficado chateada

‘Mas por que ele faria isso? Micah não é assim!’ Shannon pareceu espantada de verdade

‘Isso você vai ter que perguntar ao seu amigo, mas ele acha que meu namorado ia arrumar confusão se me visse perto dele. Quer dizer, ex-namorado. Terminei com Josh depois daquela confusão toda na festa de Halloween’

‘Josh? De Joshua Pace?’

‘Sim, se conhecem também?’ Já não era surpresa para ela descobrir que todos pareciam conhecer Josh

‘Sim, estudamos na mesma escola. Não sabia que ele era seu namorado’

‘Micah sabia, do contrário não teria sido estúpido daquele jeito’ Falou com raiva e levantou ‘Preciso ir, tenho que passar no corujal e ir para o treino de montaria’

Ela se despediu de Shannon e saiu do salão comunal, deixando a garota pensativa no sofá amarelo. Shannon parecia juntar peças de um quebra-cabeça invisível e quando encaixou a última peça, deu um soco no braço do sofá e levantou indignada, indo trocar de roupa antes sair para procurar Micah e forçar o amigo a botar as cartas na mesa.

Saturday, November 10, 2007

Depois do episódio da Festa do dia das Bruxas, as coisas estavam um tanto quanto diferentes. Principalmente quanto à minha relação com Ricard. Ele parecia estar se divertindo bastante, e agora passava a maior parte do tempo com Miyako, os amigos dela, os amigos dos amigos dela, e mais sorridente do que jamais o vira. Eu estava até evitando me esbarrar com os dois, pois cada vez que isso acontecia (por acidente ou destino) eu sentia uma louca vontade de gritar desaforos, sacudi-lo, balançá-lo. Mas não estava no meu direito, como Victor, Evie, Nina, Annia, Milla, e quem mais se sentisse à vontade, não cansavam de me lembrar...

“Vocês são só amigos. Você não tem direito de ditar quem é bom ou ruim para ele”

“Desencana, Vina. Ricard já é bem grandinho para saber o que quer. E me parece que ele está se divertindo muito...”

“Se ele quebrar a cara, é a cara dele que vai doer, não a sua. Não sei por que está tão preocupada.”

Só que eu digo que se conselhos fossem bons, não seriam dados de graça. Ninguém nunca conseguiria entender por que eu me preocupava tanto com Ricard. Por que me sentia tão aflita quando o via de mãos dadas com Miyako, ou a beijando, ou sorrindo feito uma criança com brinquedo novo pelos quatro cantos. Ninguém nunca entenderia. Não eram ciúmes. Era uma espécie de proteção. Como se me sentisse responsável por Ricard. Suas quedas, seus erros... Como se tudo fosse minha culpa! Mas como eu diria isso?

A primeira oportunidade que encontrei de me ver livre da Miyako por um tempo para conversar com Ricard, foi no domingo, quando todos os atletas das Olimpíadas se deslocariam de Durmstrang para Beauxbatons, segunda hospedagem da programação. O clima era de animação, ansiedade, alegria. Todos queriam conhecer novos lugares, novas pessoas. Continuarem competindo e ganhando medalhas para suas escolas...

Quando as carruagens de Beauxbatons tomaram o ar em alta velocidade e com dianteira, para chegarem a tempo de nos receber, Ricard entrou no navio de Durmstrang e antes que pudesse se unir à Iago, Micah e Ty em uma cabine, o puxei para trás. Victor entendeu que eu queria conversar com ele sozinha e fez um aceno de mão que iria se sentar na cabine com Karl, Christine e Adam, e lançando um olhar que misturava o de incentivo e apoio com um indiferente para Ricard, se dirigiu em direção aos irmãos e ao primo. Ricard sorriu o vendo afastar e então se virou para mim, ainda sorrindo.

‘Algum problema Vina? Aconteceu alguma coisa?’

‘Interessante... Você não parecia muito preocupado em me perguntar se estava indo tudo bem comigo durante essa semana. Eu é que pergunto: aconteceu alguma coisa?’ perguntei azeda. Ele continuou sorrindo.

‘Primeiro: eu não tenho obrigação nenhuma de perguntar a você todos os dias se está indo tudo bem, se você nunca se preocupou em me perguntar se eu também estava legal. Mesmo antes das Olimpíadas. Então, cospe esse limão, desamarra essa cara, por que sua raiva não vai me aborrecer. Segundo: aconteceu sim. Estou namorando. Não é demais?! Você sempre dizia que era para eu me apaixonar, e olhe só o que aconteceu!’

Ele abriu um sorriso ainda maior e se sentou. Senti uma azia derreter meu estômago.

‘Você? Apaixonado pela japonesa? Ta brincando.’

E eu percebi, tarde demais, que ele não estava brincando. E que eu havia atingido um ponto muito delicado. Muito, muito delicado. O sorriso desapareceu do rosto dele quando respondeu.

‘Não. Não brinco com coisas assim. E a japonesa tem nome. É Miyako.’

‘Certo. Mas duvido que ela me chame pelo meu nome quando vocês conversam...’

‘Quanto a isso, você não precisa se preocupar. Geralmente, preferimos outros assuntos, bem distantes de nossas amizades. E quando ela tem que falar sobre você, em algum ponto, ela fala sim o seu nome. Até por que, não é presunçosa.’

‘Então eu sou presunçosa?’

‘E você me chamou aqui para quê então? Para me dizer que está tudo bem com você quando isso já está visível a olhos nus? Você continua aqui, falando, andando, corada, namorando alguém que gosta muito de você e que pelo visto você ainda não aprendeu a dar o mínimo valor... Ou para me dizer que quase morreu de dor de cabeça, que pegou uma tuberculose, ou vai morrer semana que vem de anemia?’ ele perguntou com raiva. Sem que me desse conta, fechei os punhos.

‘Não te reconheço mais!’ gritei e uma lágrima saltou dos meus olhos. ‘Você se tornou um completo idiota. Está babando por uma garota que vai te abandonar assim que essas Olimpíadas acabarem, e vai vir chorando para cima de mim. Não ouse vir.’

‘Ótimo. Não se preocupe. É assim que conhecemos nossos amigos. Se realmente me decepcionar com alguém, fique sabendo que você me decepcionou muito antes do que a Miyako pode estar pretendendo. Mas fique tranqüila. Se ela me “abandonar” você não vai ter que me consolar. Não preciso disso.’ Ele também gritou e saiu da cabine batendo a porta com força.

Desabei no banco e as lágrimas escorreram descontroladas. Tinha perdido o meu melhor amigo.

°°°

No sábado pela manhã ocorreram as provas de Remo. Victor estava competindo a final, então eu e vários amigos de Durmstrang, nos unimos nas arquibancadas que haviam sido montadas ao redor do lago, animados.

Ricard e Miyako também estavam lá, e conversavam exaltados. Ela apontava o dedo para a água e falava com alegria, e ele ria se divertindo. Ricard passou seu olhar por mim, mas o desviou um segundo depois, não se alterando. Resmunguei.

Como se eu fosse me importar com isso... ’

‘Falou comigo, Vina?’ Nina perguntou desviando o olhar da água azul cristal do lago para mim. Balancei negativamente a cabeça. Desde que ela e Evie tinham ganhado a final do tênis, nenhuma das duas parecia muito disposta a tirar a medalha de ouro do pescoço.

‘Ela só está brava por que Ricard está namorando Miyako, e eles brigaram. ’ Evie disse categórica, olhando para mim. Fechei a cara.

‘Não tem nada a ver, Evangeline. ’

‘Ah sim, certo. Vai dizer que você ficou azeda a semana inteira por que está com saudades de Durmstrang?’ Foi a vez de Annia se intrometer irônica. A verdade é que ela, de primeira, também não tinha ido muito com a cara de Miyako, por que a achava empolgada demais nos abraços ao Ty. Mas desde que Ricard e ela começaram a ficar juntos, ela pareceu achar que a garota era uma pessoa digna de confiança.

‘É. Exatamente isso. Estou morrendo de saudades de Durmstrang’ respondi ácida. Ela deu uma risadinha. Milla girou os olhos.

‘Você não deveria estar tão preocupada. Conversei pouco com a Miyako, mas ela me parece ser uma ótima pessoa. E no mais, Ricard está feliz. Você deveria ficar feliz por ele! O amor é tão lindo...’ ela completou soltando um suspiro e deitando a cabeça ao ombro de Iago, que deu um beijo carinhoso em sua testa.

Ty, Gabriel e Micah não estavam escutando a conversa. Entretinham-se com o novo amigo deles, Juan. Um mexicano que falava rápido demais, enrolado demais, e ninguém entendia absolutamente nada. Mas parecia divertir muito os três, pois desde que o conheceram, eles gastavam a maior parte do dia fazendo mímicas com o garoto. Resolvi não responder. Victor, e mais cinco competidores empurraram suas canoas para a beira do lago e entraram nelas, preparando os remos.

Um voluntário de cabelos espetados ergueu uma bandeira, e uma pistola. Quando o tiro foi disparado, ele abaixou a bandeira rapidamente e os seis competidores começaram a remar freneticamente.
Logo, Victor se encontrava em terceiro lugar. O quarto colocado estava muito distante dele, e o segundo, logo a sua frente... Micah, Ty, Iago, Gabriel e Ricard começaram um coro de vivas e gritos para que ele se adiantasse na água. Eu me levantei tensa.

‘VAI! VAI VICTOR!’

Karl, Christine e Adam dividiam seus gritos entre ‘Victor’ e ‘Fabrício’. Então eu reparei quem estava em segundo lugar. Era Fabrício Neitchez, a pessoa da família de quem Victor menos gostava. E com razão. Se bem o conhecia, ele morreria de remar, mas não deixaria Fabrício chegar à sua frente. E adivinhei. Menos de um minuto depois, Victor emparelhou com Fabrício e o passou, com dificuldade, mas abrindo uma dianteira boa depois. Gritamos. Agora Victor se dirigia ao primeiro colocado, que também descobri que o conhecia... Naveen Odebretch, um garoto moreno de cabelos arrepiados em gel, extremamente arrogante e prepotente.

Tinha entrado para o clube de Herbologia, sob instruções do professor Mikhail, e desde então, dividia o tempo das aulas entre se sobressair em respostas e comentários que eu tinha certeza ter saído de livros-textos ou entre me dar sugestões de o quê poderíamos estudar, ou como poderíamos fazer para ‘aumentar o nível’ do clube. Ele me dava nos nervos. Nina e Evie eram minhas testemunhas vivas do quanto eu tinha que me segurar com sorrisos falsamente calmos para não saltar em seu pescoço durante as reuniões.

Vendo Victor em segundo lugar, perdendo para aquele garoto, eu senti uma fúria encurralada. Percebi o quanto queria que Victor o passasse também. Mas não havia tempo. Naveen cruzou a linha de chegada com alguma dianteira, e Victor em segundo lugar, descansando o remo, mas não parecendo tão empolgado quanto sua torcida. Nem quanto a mim.

‘E a medalha de bronze fica para Fabrício Neitchez, da Escola Americana de Magia da Califórnia.’ Outro voluntário anunciou ao lado do podium montado. Adam, Karl, Christine, e um outro extremo da arquibancada com garotos tipicamente americanos aplaudiram empolgados enquanto Fabrício levantava a mão agradecendo e subindo para receber sua medalha.

‘O segundo lugar, com medalha de prata, é Victor Neitchez, do Instituto Durmstrang.’ Um arrombo de aplausos, gritos e vivas explodiu ao meu lado. Victor sorriu recebendo a medalha de prata e acenando para nós. Karl e Christine começaram a cantar “nosso herói, nosso herói” em uníssono, arrancando risadas de todos nós.

‘E para ocupar o lugar mais alto do podium, com medalha de ouro... Naveen Odebretch, também do Instituto Durmstrang’ Os outros alunos de Durmstrang deram vivas e aplausos, mas bem menos empolgados. Naveen não parecia o tipo popular, e para a “torcida” dele, a medalha não era de Naveen, e sim de Durmstrang.

Assim que o hino acabou de tocar, descemos para cumprimentar Victor. Uma pequena aglomeração se formou ao redor dele enquanto o apertavam a mão, o abraçavam, ou no caso de Karl e Adam, o jogavam para cima. Depois, Karl, Christine e Adam foram até Fabrício, e também o deram tapas generosos aos ombros e abraços exageradamente apertados.
Quando a maioria se dispersou, Victor me abraçou com força e me deu um beijo.

‘É... Está bom a prata para um começo. O que acha?’ Ele perguntou sorridente. Dirigiu um olhar para Fabrício. Sorri.

‘Sim. Um pouco de humildade para os principiantes.’

Fabrício passou por nós e estendeu a mão à Victor.

‘Parabéns, Neitchez.’ Disse abrindo um sorriso sarcástico. Victor apertou a mão dele também sorrindo afetado.

‘Para você também, Neitchez.’

Ele se afastou com a medalha de bronze. Victor continuou acompanhando cada passo do primo, até sumir de uma vez nos jardins. Seu olho tremia de prazer vingativo. Mas eu não estava dando muita atenção. Ali perto, uma cena me prendia ainda mais. Uma garota incrivelmente bonita, com longos cabelos negros e olhos verdes, tinha os dois braços em volta do pescoço de Naveen, enquanto eles se beijavam intensamente.

Victor pareceu ter decidido seguir o meu olhar e ao deparar com a cena, deixou o queixo cair.

‘Não acredito! Deborah é namorada daquele imbecil?’

Deborah? Hum, quanta intimidade, hein?’ Perguntei e ele sorriu me abraçando ainda mais forte. ‘Ela é da mesma casa e da mesma turma que eu. É legal. Já conversamos algumas vezes... Só que deve ter parafusos a menos para agüentar aquele idiota.’

‘Então ele não deve ser tão idiota assim.’ Conclui. Victor me soltou olhando incrédulo.

‘Como não? Você mesma me contou todas as coisas que ele faz nas aulas do clube!’

‘Eu sei... Mas se namora alguém legal, é por que deve ser legal também, no fundo. Às vezes ele só é um pouco chato demais com relação aos estudos.’ Respondi pensativa, mas Victor pareceu insatisfeito com a resposta e balançou negativamente a cabeça.

‘Ricard também é paranóico com os estudos e nem por isso é um babaca. E digo o mais: uma vez um idiota, sempre um idiota. Se eu tivesse tido mais um minuto, passava ele.’

‘Gostaria que você parasse de falar do Ricard comigo.’ Disse aborrecida. Naveen e a garota se soltaram e ele sorriu, tirando a medalha de ouro de seu pescoço e colocando no dela. Depois, olhou para mim como se tivesse sentido que eu o observava e acenou. Devolvi o aceno. Victor agarrou minha mão o olhando com raiva.

‘Ok. Desculpa. Só acho que é muito infantil da su...’ ele parou me olhando de relance. Naveen e a garota saíram abraçados para os gramados e eu virei o rosto, desafiadora para Victor, esperando e desejando que ele completasse a frase. ‘Da parte de vocês dois, sustentarem essa briga.’

‘Você ia falar da minha parte. Por que se arrependeu? Eu sei que você também acha que eu estou errada na confusão.’

‘Você que está se culpando. Eu não disse nada.’ Ele respondeu na defensiva e bem depressa.

‘Ótimo. Então continue fingindo que não está apoiando o Ricard nesse namoro idiota. Quando ele quebrar a cara, quem vai ter que agüentar é só você.’

Ele não disse nada, mas soltou minha mão e ficamos nos encarando um minuto. Sacudi os ombros.

‘Vou treinar esgrima.’

‘Ok. Quer que eu treine com você?’

‘Não precisa. Evie me disse que vão fazer um treino de montaria agora, e você é da equipe.’

‘Ah, é, sou. Então a gente se vê mais tarde?’

‘Estamos na mesma casa, não estamos? Óbvio que nos vemos mais tarde.’

Ele sorriu e me deu outro beijo. Mas cortei rápido. Estava com raiva. Saí andando pelos jardins. Não estava com a mínima vontade de treinar esgrima ou o que quer que fosse. Me larguei embaixo de uma árvore, do outro lado dos jardins, que estava completamente deserto.

Antes, só queria que as Olimpíadas começassem rápido. Mas agora, ali sozinha, com Ricard sem falar comigo, Victor e todos os meus amigos achando que eu era a errada da briga, e o mundo todo parecendo tão feliz enquanto eu sentia meu coração se apertando, eu só queria que a terceira semana também passasse depressa para voltarmos às nossas vidas normais, e reais.

You gotta find a way
Yeah, I can’t wait another day
Ain’t nothin’ gonna change
If we stay around here
I gotta do what it takes
Cause it’s all in our hands
We all make mistakes
Yeah, but it’s never too late to start again
Take another breath
And say another prayer

And fly away from here, anywhere
Yeah, I don’t care
We just fly away from here
Our hopes and dreams
Are out there, somewhere
Won’t let time pass us by
We’ll just fly...

N.A.: Fly Away From Here – Aerosmith.

Thursday, November 08, 2007

Estávamos em Beauxbatons há quase uma semana. O castelo aqui é o mais diferente possível do castelo de Durmstrang. É tudo mais iluminado, com cores menos pesadas, e as pessoas bem mais simpáticas e hospitaleiras. Agora entendo porque Ty sente tanta falta.

Já havia conquistado uma medalha de prata na esgrima e hoje teria a chance de conseguir uma de ouro, mas que não contaria como medalha de Durmstrang, e sim para a delegação americana. Stuart machucou o braço na eliminatória do Trancabola e acabou desfalcando o time da canoagem, então os garotos me chamaram para completar a equipe. Lógico que topei na hora, assim como também topei substituir Stuart no Trancabola. Outros dois garotos também se machucaram feio na eliminatória e as vagas foram preenchidas por Ty e Victor. Todos querendo jogar em um time adversário a Durmstrang e ter a chance de ir às forras sem ser punido.

Já estava atrasado para a competição e saía do salão comunal da Fidei apressado quando um garoto veio a todo vapor pelo corredor, dando um esbarrão tão forte em mim que caímos os dois no chão. Levantei irritado e fui reclamar com ele, mas logo percebi que não falávamos a mesma língua. O garoto era bem moreno e tinha uma cara de maluco, e começou a falar feito uma matraca.

‘Disculpa, no quería herir-te. Estoy perdido. Para qui lado se quieda el lago?’ Ele falou tão rápido que cheguei a ficar tonto. Não entendi uma única palavra, só sabia que era espanhol

‘Oi, calma lá muchacho, no hablo espanhol’ Fiz sinal de não com a mão e ele pareceu entender, mas tornou a falar

‘Disculpa, mi nombre es Juan, soy de la delegación del México y no encuentro cosa alguna por aqui. Lago, agua’ Ele começou a imitar alguém nadando

‘Ah ok, acho que ele quer chegar ao lago... Meu nome é Micah, sou de Durmstrang’ Falei alto e por mímica, mas depois comecei a rir. Ele não era surdo, só não falava inglês ‘Vem, vamos lá fora’ Fiz outra mímica indicando que queria descer as escadas. Ele riu e veio atrás de mim, então me entendeu

Descemos as escadas correndo, mas ninguém falava nada. Ia falar o que com aquele mexicano? Só sabia palavrão em espanhol, foi tudo que os primos da Evie me ensinaram. E ele também não falava uma única palavra em inglês, então ia ficar complicado. Alcançamos o lago em poucos minutos e Gabriel, Sean e Evan já estendiam os braços com caras preocupadas pela minha demora.

‘Onde estava?’ Sean já foi me empurrando para a canoa ‘Pensamos que tinha esquecido, íamos ser desclassificados!’

‘Claro que não ia deixar vocês na mão, mas o castelo é grande’ Parei de andar e fiz sinal pro mexicano se aproximar ‘Encontrei o Chapolin perdido, estava tentando chegar ao lado. Juan, esses são Sean, Evan e Gabriel’ Falei apontando para eles e o garoto sorriu animado, apertando a mão deles

‘Ele fala inglês?’ Gabriel perguntou cumprimentando Juan

‘Nem uma única palavra’ Respondi rindo. Aquilo ia ser divertido

‘Ei Micah!’ Olhei para trás e vi os primos gêmeos da Evie se aproximando com bandeiras dos Estados Unidos ‘Viemos torcer por vocês’

‘O primo de vocês não está competindo na equipe de Durmstrang?’ Falei rindo imaginando o que Max diria ‘Pensei que apoiassem uns aos outros’

‘De fato você tem razão, mas não dá para torcer a favor com aquilo na equipe deles’ Diego falou fazendo careta e olhei para o lago onde as equipes se preparavam. Josh estava com o uniforme de Durmstrang conversando com Max

‘O que ele está fazendo ali?’ Perguntei irritado para Evan

‘Um garoto se machucou e não podia mais competir, acho que o nome era Dimitri. Ouvi um deles chamando Josh para completar o time’

‘Não vai desistir, não é?’ Gabriel me olhou de lado e os três já se preparavam para formar uma barreira que não me deixasse passar

‘Não, claro que não. Vai ser um prazer ganhar dele’

‘É assim que se fala garoto!’ Mario deu um tapa nas minhas costas assoprando uma corneta azul, vermelha e branca ‘E se puderem, afundem a canoa deles também’

‘Vamos fazer o possível’ Respondi rindo e chamei o mexicano outra vez ‘Enquanto isso façam um favor pra mim. Convencem com ele, pois ele só fala espanhol e ninguém aqui entende o que ele diz, mas vocês vão entender’

Empurrei Juan para cima dos gêmeos e eles já começaram a conversar animados enquanto Mario dava uma bandeirinha para ele. Os três se misturaram às pessoas na margem do lago agitando as bandeiras e fazendo muito barulho com aquelas cornetas. Caminhamos rindo até a canoa e faltando menos de um minuto para a largada conseguimos colocá-la na água e nos posicionarmos. O juiz olhou o cronômetro e apitou forte, autorizando o inicio da prova.

A canoa da equipe de Hogwarts saiu na frente, seguida pela equipe do Japão. Durmstrang vinha logo atrás e nós estávamos colados com a canoa deles, em quarto lugar. O percurso que tínhamos que percorrer era de 1000 metros, tendo 9 balizas das quais teríamos que cruzar sem tocar nelas com o remo. Cada toque eliminava um ponto na pontuação final. Sean havia sido eleito o capitão daquela bagunça e remava no 1º banco, dando as ordens para seguirmos.

Durmstrang ganhava cada vez mais velocidade e na altura da 4º baliza já ocupavam a 1º colocação, deixando Hogwarts e Japão para trás. Ver Josh em primeiro lugar motivou nossa equipe a remar com mais vontade, e conseguimos deixar os japoneses para trás.

‘Marchem! Marchem! Força nesses braços, marujos, ou serão jogados aos tubarões!’ Ouvimos os gêmeos berrando da margem do lago e o mexicano ao lado deles rindo sem entender nada. Ty, Shannon e nossos amigos de Durmstrang já haviam se juntado a eles e ajudavam a gritar

Fazendo muita força para não rir, fomos nos afastando cada vez mais da canoa do Japão. Hogwarts não estava longe, e sob o comando do capitão Bass, o louco, os ultrapassamos antes de passarmos pela 7ª baliza. Faltavam apenas duas agora, e depois era só cruzar a linha de chegada. Estávamos em segundo lugar e a medalha de prata, naquela ocasião, estava fora de cogitação.

‘Gente, essa medalha é para lavar a alma. Vocês vão deixar que aquele falso e traidor deboche de vocês no pódio?’ Sean berrou remando cada vez mais rápido

‘NÃO!’ Respondemos juntos, acompanhando a velocidade dele

‘ENTAO REMEM! ELES ESTÃO CRUZANDO A 8ª BALIZA, MAS PODEMOS PASSAR NA 9ª EM PRIMEIRO!’

Quando a canoa de Josh, Max, Luka e Chris cruzou a 8ª baliza, podíamos vê-los já comemorando e olhando para trás para ver a distancia da nossa canoa. Mas não estávamos longe, e o descuido que tiveram em parar para olhar para trás nos deu o tempo que precisávamos para acelerar o ritmo e encostar na canoa deles. Vi Max berrar alguma coisa e os quatro começaram a remar depressa, mas totalmente fora do compasso. Acho que o desespero tomou conta da canoa e eles perderam o equilíbrio que vinham mantendo até ali. Continuamos a remar rápido, mas no ritmo, e quando a 9ª e última baliza já estava no nosso campo de visão, conseguimos ultrapassar.

Mesmo longe da margem podíamos ouvir os gritos dos nossos amigos e vê-los pulando e berrando incentivos. Nem nos demos o trabalho de olhar para trás e checar a distancia dos quatro. Contanto que não tivesse ninguém na frente e na lateral, estávamos ganhando. Mantivemos o ritmo acelerado e cruzamos a 9ª baliza em primeiro lugar. E aí não tinha mais chance para eles, pois da baliza para a linha de chegada só tinha espaço para uma canoa. O ouro era nosso!

‘ôôôÔÔô vice de novo!’ Ty, Iago, os gêmeos, Victor e Ricard pulavam abraçados cantando para os garotos de Durmstrang e o mexicano também pulava e sacudia a bandeira, mesmo que não entendesse o que estava cantando. Josh, Luka e Max saíram da água com cara de poucos amigos e atiraram os remos no chão, mas Chris se manteve normal e veio cumprimentar Gabriel pela vitória. Era o único que não parecia chateado, mas feliz pelo primo.

Os voluntários da canoagem montaram o pódio no gramado e quando chamaram nossos nomes, foi impossível ouvir o que mais o voluntário dizia. Tudo que se podia ouvir eram os gritos dos nossos amigos e da enorme delegação americana. Recebi minha medalha de ouro das mãos da diretora de Beauxbatons e estendi feliz para Shannon, que também exibia sorridente a medalha de ouro que conquistara naquela manhã no tiro esportivo. Podia jurar que vi Evie no meio das meninas observando a premiação e sorrindo, mas quando olhei outra vez ela já não estava mais lá. Acho que a felicidade de ganhar a medalha, e ainda em cima de Josh, Max e Luka está fazendo com que tenha visões. Ah, quem se importa? O que importa é que... ÔôôôÔÔô vice de novo! \o/

Wednesday, November 07, 2007

Algumas lembranças de Ludmilla Kovac

Noite de Halloween

- Porque você tava beijando aquele cara? Vocês não terminaram?- perguntou Luka segurando o meu braço quando Iago foi buscar uma bebida para nós.
- Nós voltamos Luka, e eu vou voltar para casa com o Iago, desculpe. - respondi.
- Ele não a merece, vai acabar te machucando. Quando você vai entender isso?- Luka tentava ser convincente.
- Eu gosto dele, quando é que você vai entender isso?- eu perguntei.
- Algum problema aqui? – perguntou Iago sério, olhando para nós.
- Você existe Karkaroff. É só este o problema. - e Luka foi embora. Iago ficou sério por um tempo, mas logo sorriu e me abraçou, fazendo-me esquecer daquela cena.
Só tornamos a vê-lo na hora da briga. E quando Iago tentou ajudar ao Micah e Ty, Luka foi pra cima dele e enquanto trocavam socos, percebia-se que discutiam, mas não consegui ouvir o que diziam.
- Ela estava melhor sem você, Karkaroff
- Mesmo que você esteja gostando dela, é a mim que ela ama.
- Isso vai mudar, eu prometo.
Até pensei em tentar separá-los, mas estava ocupada, tentando conseguir uma parte do meu ídolo.

Final da luta Greco Romana, no ginásio de Durmstrang

- E após uma semi-final surpreendente, senhoras e senhores, a final da luta greco romana será com dois atletas da mesma escola: Durmstrang. Iago Karkaroff conseguiu garantir sua vaga após uma luta intensa contra Ilya Gorbatchev, da Escola de Magia de Kiev, e agora ele vai enfrentar a Luka Ivanov, que conseguiu sua vaga ao derrotar Dionísius Stravos, da Grécia. A luta greco romana é um esporte em que o competidor pode usar somente os membros superiores e atacar o oponente acima da cintura. O objetivo é imobilizar os dois ombros de um adversário até a rendição.Quem será o vencedor e levará o ouro? Ambos os atletas exibem um ar frio, parecem muito concentrados..E começa o combate...

o-o-o-o

- A luta já durava mais de 30 minutos e nem Iago nem Luka demonstravam querer querer desistir. Eu meus amigos assistiamos a luta gritando palavras de incentivo.
- Ele não pode com você Yéti, faz ele pedir pra sair. – gritava Micah.
- Pede pra sair mo-le-que, bate a mão no chão. – gritava Ty.
- Vamos lá ‘Big Bear’, o ouro é seu. - disse Ty, lembrando do apelido que Jaeda havia dado a Iago, nem fiz cara feia. Toda energia que tinha era para incentivá-lo a vencer. E a torcida do Luka também era grande, com Max puxando o coro:
- Você tem mais técnica Luka, mostra pra ele. Você é superior. - Ty e Micah vaiaram Max.
E de repente, Iago jogou todo o seu peso para cima de Luka fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e não conseguisse usar as pernas para se firmar e fazer um contra ataque.
- E vence Iago Karkaroff! A medalha de ouro vai para Durmstrang, a de prata também e a de bronze fica com Dionísius Stravos, da Grécia.
Corri ate o tablado e me atirei nos braços de Iago, que pulava exultante com sua medalha de ouro. Luka puxava o ar com força, e olhava decepcionado para sua medalha de prata.
No dia seguinte na final de natação, Ricard conseguiu o ouro, e Luka ficou com a prata, logo seguido de Max que ficou com o bronze. Durmstrang estava encostando-se a Beauxbatons no quadro de medalhas. Gritamos muito, e fizemos muita festa. Vina até começou a pular alegre, mas bastou ver Miyako pular no pescoço de Ricard e cobri-lo de beijos, que o tempo fechou. Annia era outra que mostrava sinais de que alguma coisa ia mal em sua vida. Ela já não conseguia mais disfarçar que estava a fim do Ty, e toda vez que ela via as gêmeas grudadas nele, rangia os dentes, e já nem disfarçava mais. No dia da festa de Halloween, ela até ajudou a cuidar dos machucados dele, mas quando chegamos à república Ty, em agradecimento deu-lhe um beijo fraternal na testa, e acho que ela até ficou feliz. Isso só durou até o momento em que Beatrice beijou o Ty na boca, dizendo que aquele sim, seria o remédio que iria curá-lo logo, e Ty acabou rindo. Annia logo foi dormir, e a ouvimos soluçar no meio da noite. No dia seguinte até tentamos falar com ela sobre o acontecido e ela nos deixou falando sozinhas. E agora ela tem agido como se não houvesse acontecido nada, mas nós a conhecemos, em alguma hora ela vai explodir.

o-o-o-o-o-o-o-o

Nas finais do boxe, depois da vitória do Ty contra o garoto de Durmstrang Naveen Odebrecht, era a hora da luta final e Iago e Luka seriam oponentes. O juiz da partida seria o mesmo da luta do Ty, um ex professor dele de Beauxbatons, Sir Shaft Zambene, e já havia dvertido Luka contra os golpes abaixo da linha da cintura. Tudo o que podíamos ver era que os dois não estavam lutando apenas por uma medalha de ouro, havia mais coisas ali. Em dado momento Ty e Micah gritavam coisas como ‘upper’, ‘cruzado’, ‘hook’, mas as palavras entravamn e saiam da minha mente sem eu registrar o significado, tudo o que eu via era Luka e Iago socando-se com violência, e a multidão dividida gritando enlouquecida.
- Se ele não bater forte agora, ele vai perder. – ouvi Ty dizendo, enquanto víamos que o lado direito do rosto de Iago, estava sangrando, mesmo ele usando o capacete protetor.
Em dado momento, nem pensei no que fazia aproximei-me do ringue e gritei no meio da confusão para que Iago me ouvisse:
- Derruba ele Iago, Agora!
Ele pareceu ter me ouvido, e foi para cima do adversário batendo com ânimo renovado, e deu-lhe um direto sem chance de defesa e Luka foi ao chão, nocauteado. Eu gritava muito, nossos amigos desceram rápido para se aproximar dele, e ele me procurou, comecei a tentar subir no ringue, quando dois pares de mãos me levantaram e me puseram lá em cima dizendo:
- Vai lá Adrian, Rocky te espera! – eram Micah e Ty, brincando. Aproximei-me de Iago e o abracei com força. Riven apareceu e começou a cuidar dos ferimentos dele. Só nos soltamos na hora da premiação, e chorei emocionada quando ele levantou a medalha dele no alto como se fosse um troféu. Espero ter metade da força dele, nas provas que irei competir.

Risin' up, straight to the top
Have the guts, got the glory
Went the distance, now I'm not gonna stop
Just a man and his will to survive

N.A.- Eyes of the tiger – do filme Rocky
Quinta-feira, 8 de Novembro de 1998

‘Querida vovó,

Como está se sentindo? Está melhor? Espero que sim, pois ficamos todos muito assustados quando a senhora desmaiou no meio do café da manhã! Mas o tio Heinrich disse que tinha sido apenas um susto e que não precisávamos nos preocupar, pois ficaria tudo bem. Estou escrevendo como pediu antes de ir embora, para lhe deixar informada quanto às nossas competições. E como tem jogo! Estou cansada já de tantas eliminatórias, é muita pressão. Acho que não nasci para essas coisas, não sei como os atletas de verdade passam por isso todo ano!

Mas voltando às Olimpíadas... Terça-feira foi a final da minha chave da Arquearia. Competi com o arco recurvo e fiquei em segundo lugar, uma menina de Beauxbatons que ficou hospedada no nosso quarto na Avalon que ganhou, Isabel é o nome dela. Foi minha primeira medalha, nem tenho vontade de tirá-la do pescoço! No mesmo dia à tarde Dario ganhou medalha de ouro na Esgrima lutando com espada. Ganhou de um amigo meu de Durmstrang, Ty, mas quase perdeu. A luta foi decidida na prorrogação! Dario ficou muito feliz, e foi bom vê-lo sorrindo, é tão raro isso. Até fez com que me sentisse mal por torcer pelo Ty.

Quarta foi a vez de Marta, Mario e Diego conquistarem medalhas. Marta perdeu a final do tênis para uma menina da escola da Irlanda, mas ficou feliz do mesmo jeito com a prata, também foi sua primeira medalha e ela já tinha sido eliminada nas competições de Esgrima ainda em Durmstrang. Ela agora compete apenas semana que vem em Arquearia. E Mario e Diego chegaram em primeiro lugar na Canoagem, competindo em canoas duplas. Ganharam a medalha de ouro em cima do Harry Potter e do Ron Weasley! Acho que eles estão mais felizes por terem vencido o herói da sociedade bruxa do que qualquer outra coisa, mas o fato é que estão contando a vitória dramática por centímetros de diferença até para os cavalos alados daqui. Fazem questão de frisar que quem perdeu para eles foi o Harry Potter. Eles são umas figuras, não tomam jeito...

Hoje à tarde tivemos a final da 2ª chave de tiro esportivo e pela primeira vez fiquei sem saber para quem torcer, porque depois de uma bateria de provas com pistola, os três finalistas foram Josh, Chris e Dario. Afonso conseguiu o milagre de juntar todos os primos para torcer para Dario e marcamos presença nas arquibancadas, mas não adiantou muito. Dario conseguiu a medalha de bronze, mas vibramos assim mesmo. Acho que ele está mudando, vovó. Vejo-o sorrindo bem mais, e conversando com as pessoas sem aquele ar de superioridade. Até ajudei-o a treinar para a esgrima junto com Afonso e ele agradeceu no final. Realmente chocante! rs
Chris ficou com a medalha de prata e também foi a sua primeira. Ele compete sexta-feira na Canoagem e está treinando feito um louco para as provas do Pentatlo. O ouro ficou com Josh, que fez a melhor pontuação desde o começo das provas.

Alias, falando nele, terminamos o namoro. E imagino que agora a senhora esteja vibrando e procurando seu espelho de duas vias para contar para a tia Madalena e a tia Sofia, mas tudo bem. A senhora tinha razão, não gosto dele como ele gosta de mim, e Josh estava me sufocando. Ele não gostou muito, senti um tom ameaçador em sua voz quando disse que eu estava cometendo um erro, mas ele não seria louco de tentar nada aqui. Não com Andrei, Afonso, Mario, Diego e Santiago andando feito cinco guarda-costas atrás de mim o tempo todo. Marta disse que consegui um auror exclusivo e minha própria guarda avançada. E acredita que Max veio querer tirar satisfações comigo por ter feito isso? Mandei que ele arrumasse uma namorada e parasse de se meter na vida dos outros, está pior que vizinha velha e fofoqueira. Ele não falou mais comigo desde então, é um idiota.

Mas de volta aos jogos, hoje pela manhã foi a semifinal do tênis e Nina e eu vencemos! Jogamos contra a dupla da escola Australiana e nossa torcida levou até cartazes para incentivar. Estamos famosas entre a platéia regular do tênis, pois jogamos com mais entusiasmo que qualquer outro competidor! Nossos amigos dizem que ganhamos as partidas porque os adversários cansam de levar boladas na canela e desistem, mas não temos culpa se eles são molengas e não agüentam um pouco de pressão, certo? Em todo caso, fomos para a final! O jogo é amanhã e contra uma dupla de escolas mistas. São primas do Ty, uma estuda na Escócia e a outra na Itália, mas estão competindo juntas. Nina marcou treino para agora à noite, não podemos deixar nosso primeiro ouro escapar e vamos com tudo para cima delas!

Acho que o plantão de noticias da família Stanislav dessa semana termina aqui. Mande notícias da Vânia, estamos todos querendo saber como ela está. Será que o Marko vai esperar Andrei voltar para casa para nascer ou vai nos surpreender antes dos jogos acabarem? Agora vou treinar. Torça por mim, vovó! Sábado escrevo outra vez contando o resultado, e espero ser o melhor.

Beijos e saudades
Evie’


Dobrei o pergaminho com cuidado e prendi na pata de uma das corujas de Beauxbatons, a soltando. A ave nem tinha sumido de vista ainda quando Nina apareceu na porta do corujal com uma mão na cintura e girando duas raquetes na outra. Ela atirou uma delas para mim equilibrando a bolinha com a sua e caminhamos animadas até a quadra. O ouro amanhã é nosso, custe o que custar!

Tuesday, November 06, 2007

Domingo, 4 de novembro chegada a Beauxbatons

Fomos para a segunda parte das Olimpíadas no navio de Durmstrang e foi uma das experiências mais doidas da minha vida. Porque você olha pra aquele navio de aparência sinistra com pequenas escotilhas e pensa que é um lugar apertado e abafado. Engana-se. É um navio confortável que acomoda nas cabines, até quatro alunos, e professores e alunos ficam próximos uns dos outros, nem dá pra aprontar nada. Quando se inicia a viagem, você olha pelas escotilhas e vê o fundo no mar ou lagos que o navio cruza rapidamente, como se estivesse em frente a uma tela de televisão, assistindo aqueles programas sobre o fundo do mar. Por sorte, dividi a cabine com Micah, Iago e Ricard, e nenhum de nós sofria de claustrofobia e ficamos jogando baralho e conversando sobre as provas de que participaríamos, na curta viagem até Beauxbatons,e as meninas ficaram nas cabines delas, pois mesmo havendo espaço, meninos e meninas podiam ficar próximos demais e o diretor não queria dor de cabeça. Ao chegar e Beauxbatons, ficamos alojados na Fidei, e o diretor pos o navio à disposição de Madame Máxime, caso houvessem mais convidados. E a primeira coisa que fiz ao pisar em solo francês foi dizer satisfeito enquanto abria os braços: “Bien venus ma maison amis”

Segunda-feira, 5 de novembro

Na parte da manhã eu e Miyako ajudamos Gabriel a treinar com o sabre, pois sua prova seria no dia seguinte e ele embora cansado, devido aos diferentes fusos horários precisava treinar, e eu queria treinar com ele para prova de esgrima com espada. Era a minha forma de relaxar para as competições do Decatlo na parte da tarde.
E vamos dar início à serie de provas do Decatlo. “Atenção competidores aos seus lugares”.
Ouvimos quando o locutor da prova começou a chamar os atletas.
Olhei para a arquibancada e vi meus amigos próximos das garotas de Durmstrang, e minha mãe estava junto deles, com as primas dela, que eu chamo de tias: Elizabeth, Hanna e Alice, cada uma com as cores das escolas dos filhos. Até Riven, deu um jeito de estar lá, e havia pintado no rosto as cores de Durmstrang e da Irlanda, escola de John, que competiria contra mim.
- Atenção... Em suas marcas...
Antes que o tiro fosse dado, um atleta da Eslovênia queimou a prova, por estar ansioso demais, fazendo com que tivéssemos que voltar, e começar novamente. Voltei para a minha marca, e me concentrei, precisava ir bem, pois eu queria o ouro, e para isso eu teria que correr as provas de 100 e 400 metros, salto em altura, em comprimento, e lançamento de peso, que eram a primeira parte das provas do Decatlo.
Quando foi dada a partida eu corri com toda vontade e cheguei em primeiro lugar, e vibrei muito. Em segundo chegou um garoto da Itália e John veio em terceiro, nos cumprimentamos e começamos a nos alongar para soltar os músculos. Nos 400 metros, John chegou em primeiro, eu em segundo e o italiano em terceiro.
- Vamos decidir entre nós o decatlo é? – perguntou John rindo e o italiano se juntou a nós, e nos cumprimentou.
- Bem, vai facilitar muito pra nossa torcida não é? Nunca imaginei que daria para ouvir nossas mães gritando daqui. – comentei e rimos, enquanto íamos para a parte dos lançamentos e de saltos. Ao final do primeiro dia de prova, o placar estava da seguinte forma: eu em primeiro, o italiano em segundo e John em terceiro.
Ao final das provas, pudemos nos misturar com os torcedores e meus amigos me cumprimentavam. Havia ido bem, e senti que cada dia das minhas férias treinando tinha valido a pena, pois eu estava com chances de conseguir o ouro.

Terça-feira 6 de novembro

Na parte da manhã tivemos a final com sabre e Gabriel ganhou o ouro, pulamos muito e comemoramos. Na parte da tarde seria a semi-final e final com espadas, e eu apesar de um pouco nervoso, estava me saindo bem. Meus amigos gritavam muito a cada ponto conquistado e em dado momento, ataquei com tudo e consegui dar um toque no coração do atleta grego e isso me deu pontos dobrados. O grego, era péssimo perdedor e após um placar de 14 a 9 para mim, ele saiu da arena jogando seu equipamento, sob vaias da torcida. Minhas primas, junto com Julianne e Beatrice gritavam pro grego ir pra casa quebrar pratos para se acalmar, e Emily me aplaudia muito, junto com minha mãe. Viera ergueu meu braço sorridente e me declarou vencedor. Após algum tempo de descanso dado aos atletas, fomos chamados novamente para a arena e meu adversário era Dario Stanislav, primo da Evie. Viera disse as regras, nos preparamos, e ele levantou a mão dizendo:
- En garde! Combattent!
Por duas vezes, eu quase fiz o ponto da vitória, mas Stanislav se recuperou e conseguiu empatar. Acabamos nos tocando simultaneamente e fizemos ponto. Em dado momento, ataquei com um pouco mais de força, e ele conseguiu se desviar, e tocando-me no peito, fazendo o ponto da vitória, levando a torcida francesa ao delírio. E eu, apesar de perder, fiquei feliz por haver conseguido uma medalha de prata. Antes ouro para Beauxbatons, do que para um grego arrogante.

Quarta-feira 7 de novembro

Etapa final do Decatlo.
Após o salto com vara em que John e o italiano ficaram com primeiro e segundos lugares, eu consegui o terceiro. Tinha que me esforçar mais ou acabaria perdendo uma medalha por bobeira. Desliguei-me de tudo e só pensava nas provas. E isso fez com que eu vencesse a prova dos 110 metros com barreiras, o lançamento de disco e de dardo. Nesta prova, o atleta da Eslovênia, lançou um dos seus dardos durante o aquecimento com tanta força que o dardo ultrapassou a área de segurança e atingiu o pé de um dos juizes do atletismo. Foi uma coisa bizarra ver o homem saindo de maca com uma lança de madeira com quase 3 metros fincada no seu pé. O garoto da Eslovênia ficou tão perturbado que foi mal em todas as outras provas. E na prova de 1.500 metros consegui chegar em primeiro e John chegou em segundo lugar.
No final quando o pódio foi montado, e o meu nome foi dito como ganhador da medalha de ouro e o hino de Durmstrang foi ouvido, eu fiquei emocionado enquanto cantava o hino da escola, ganhar uma medalha de ouro no Decatlo, é o sonho de todo aquele que encara o esporte com seriedade. Ao meu lado John exibia orgulhoso sua medalha de prata, e Pietro Bacci, o garoto italiano, muito simpático exibia o seu bronze.
E até que minha família estava conseguindo um bom número de medalhas: Mary ganhou ouro no tênis individual e nós brincávamos dizendo que ela só fez bonito porque não sabia que o namorado Yuri, que havia aparecido de surpresa, estava vendo o jogo. Ele entrou na brincadeira dizendo que estava com medo da mão pesada dela. Claro que tio Jack, pai de Mary olhou para o rapaz com um jeito avaliador, e disse que a mão pesada era de família, e falou isso com uma cara bem séria, e meus primos e eu aproveitamos a deixa, ficando de cara feia para ele, e às vezes estralávamos os dedos, em ameaças veladas.E Emily, entrou na brincadeira dizendo que nós jogamos um de seus namorados num armário sumidouro, e vimos que ele ficou um pouco tenso.
Isso durou até o final do segundo set e Mary ganhar a partida, que tio Jack pulou, e abraçou Yuri, rindo muito e dizendo que ele era bem vindo à família, e que todos nós estávamos brincando. Minha mãe e minhas tias, falavam entre si, que ele era bonito, fazendo com que eu e meus primos revirássemos os olhos.
Sophia e Chloe conseguiram a vaga para disputar a final contra Evie e Nina, “as maníacas da raquete”, faremos cartazes para elas rsrs. Minhas primas pediram para não serem decapitadas, arrancando risos de todos. E a surpresa do dia ficou com Julliane, ou J. como ela gosta de ser chamada, que ganhou o ouro na competição de tiro ao prato. Mesmo quem não gosta dela, como as garotas da Avalon, acabaram achando seu desempenho excelente. Afinal, quem iria contrariar alguém que consegue atirar sem errar no meio de um prato atirado a uma velocidade de 60 km/h no ar com uma espingarda calibre 12?
Espero que Durmstrang consiga ganhar mais algumas medalhas e que o clima de alegria e amizade entre os estudantes continue até depois dos jogos.

Saturday, November 03, 2007

Estava deitada de olhos bem abertos há horas quando Milla, Annia e Nina entraram esbaforidas no quarto junto com as outras meninas que estavam hospedadas nele, todas tentando falar ao mesmo tempo e se atropelando nas palavras. Vina acordou assustada e elas começaram a contar que a festa havia terminado em uma grande confusão envolvendo mais de 50 alunos e que tudo começou com Micah e Josh. Então Milla contou que conseguiu um pedaço da fantasia de Ben O’Shea e não ouvi o resto da história da briga, pois todas começaram a gritar querendo tocar o pedaço do pano. Bel olhou pra mim revirando os olhos e tapando os ouvidos com o travesseiro. Corri para a janela, mas não vi sinal dele pelos jardins. Teria que esperar clarear, então só me restava tentar dormir.

ººº

O sol já tinha saído quando acordei, mas a sensação era de que tinha dormido menos de cinco minutos. Teria uma eliminatória de Tênis agora pela manhã e Nina já estava praticando movimentos com a raquete quando levantei. As meninas olhavam encolhidas Nina quase acertar os móveis com ela enquanto Bel a incentivava a partir para cima das adversárias sem piedade. Ou essa menina não tem noção do perigo, ou ninguém nunca contou a ela dos nossos treinos. Arrastei-me para fora da cama com os olhos pesados e caminhei pro banheiro, ouvindo Nina ditar ordens do que deveria comer no café e de que horas deveria estar pronta para o aquecimento. Bati a porta do quarto e deixei-a falando sozinha.

Quando terminei de tomar banho e vestir a roupa do Tênis ainda pude ouvir Nina e Bel no quarto trocando dicas em voz alta, então fiz o caminho contrário. Ainda era cedo, tinha algum tempo antes do jogo começar e queria encontrar Micah. E não foi difícil. Quando cheguei à sala da república ele estava sentado no sofá fazendo careta enquanto Shannon fazia curativos em seu rosto e reclamava. Ainda pude ouvir o que ela dizia antes que eles me vissem.

‘Não acha que as coisas já não estão ruins o suficiente para vocês piorarem tudo trocando socos e pontapés? Se não pensa em si mesmo, pense então na Sra. Merric!’ Ela falou parecendo muito irritada quando fiz barulho ao pisar no último degrau e os dois me olharam, parando de falar

‘Desculpe, não queria interromper’ Falei sem graça e Micah abaixou a cabeça mudo, mas Shannon sorriu gentil ‘Está tudo bem?’

‘Ah sim, ele está ótimo’ Ela respondeu ainda zangada encarando Micah ‘Só espero que não tenha danificado o pouco de juízo que ainda lhe resta, vamos precisar dele para enfrentar o restante dos dias de jogos!’ Ela levantou do sofá e ele segurou seu braço

‘Aonde você vai?’ Perguntou meio rouco, ainda sem olhar pra mim

‘Guardar essas coisas e deixar vocês dois a sós, porque acho que ela quer conversar com você sem mais ninguém por perto’ Respondeu sorrindo e subiu as escadas depressa

‘Veio ver o estrago que seu namorado fez? Garanto que fiz mais nele’ Micah falou depois que ela sumiu na escada, ainda sem me olhar ‘E se veio aqui defendê-lo, pode ir embora’

‘Ainda nem encontrei Josh hoje, fiquei sabendo da confusão pelas meninas que ainda estavam na festa’ Respondi ofendida. Ele já estava me atacando sem eu nem ao menos falar!

‘Então veio querer saber por que bati nele?’ Ele agora me encarava e seu rosto estava bem machucado. Se Josh estava pior, então estava horrível ‘Não perca seu tempo que não vou dizer, mas pergunte a ele que tenho certeza que vai gostar de lhe contar uma historia mentirosa’

‘Eu fiz alguma coisa pra você? Porque está me dando uma patada atrás da outra e queria entender o motivo!’

‘Eu juro pra você que cheguei a pensar que valeria a pena, mas quer saber? Não vale não’ Falou de repente, rindo descrente ‘Não estou disposto a me aborrecer outra vez nesses jogos, então vamos combinar uma coisa. Mantenha distancia de mim até que eles terminem, ok? Gosto de você e não quero perder sua amizade e com aquele garoto por perto isso não seria difícil de acontecer. Não precisa se gabar, a briga não foi por sua causa, mas ele pode usar isso como desculpa pra me provocar outra vez, então melhor não facilitar, não acha? Quando cada um voltar pra sua escola, a gente conversa de novo. Você trás a palavra “dor de cabeça” no sobrenome e quero aproveitar meus amigos aqui sem estresses. Agora se me da licença, vou me trocar porque tenho eliminatória de Esgrima hoje. Boa sorte no jogo, Sharapova’

Ele levantou do sofá sem dizer mais nada e saiu da republica batendo a porta. Fiquei olhando pela janela com vontade de esganá-lo quando Shannon apareceu novamente na sala com uma mochila nas costas.

‘Onde ele está?’ Perguntou olhando ao redor

‘O grosso do seu amigo foi embora!’ Respondi azeda ‘NINA, ESTOU INDO PRA QUADRA. ANDE LOGO OU VAI SE ATRASAR!’

Berrei furiosa e sai batendo porta também, deixando uma Shannon confusa na sala.

ººº

‘Srtª Parvanov, outra bola dessa e serão desclassificadas. É o segundo aviso’

Girei a raquete na mão e dei de ombros pra Nina, que me olhava espantada. A argentina do outro lado do campo alisava a testa onde a bola que mandei deixara uma marca. Vencíamos a partida por cinco pontos de diferença, mas estava tão irritada que não prestava atenção quando lançava as bolas. Já tinha acertado o juiz e agora a testa da menina, que tinha uma cara chorosa.

‘Evie, se concentra!’ Nina falou com urgência na voz ‘Não podemos ser desclassificadas porque você quer assassinar as argentinas!’

‘Ok, desculpa, não vou fazer de novo’

‘Não, jogue com essa raiva toda, mas sem a intenção de derrubar elas. Imagine quem está com raiva no lugar delas. A de cabelo preto é o Michael’

‘Certo, vamos lá’ Olhei pra argentina ruiva e visualizei o rosto de Micah ‘Elas já estão com medo mesmo, mais uma pressão e elas desistem’

Nina lançou a bola novamente e comecei a jogar mais concentrada. Continuávamos ganhando cada vez por mais pontos de diferença e a cada bola que mandávamos para o outro lado, ia com mais força. As argentinas começavam a cansar de desviar das bolas mais violentas e não conseguiam acompanhar nosso ritmo, então duas bolas na canela e uma na costela depois, vencemos a partida.

‘Adiós, hermanas’ Nina acenava pras meninas. Elas tomavam água sem parar no banco e suavam feito porcos ‘Don’t cry for me, argentina’

‘Estamos nas quartas de final!’ Falei sorridente e nos abraçamos ‘Depois dessa partida, os adversários vão começar a nos temer’

‘Sim, as maníacas da raquete’ Nina falou rindo e parecia orgulhosa disso ‘Gostei do título, vou mandar fazer uma camisa’

‘Nina, preciso resolver uma coisa, ok?’ Falei pegando a raquete e levantando do banco com a toalha ainda enrolada no pescoço ‘Nos vemos daqui a pouco’

Saí do banco ovacionada pela torcida toda vestida em verde e amarelo e ri. O jogo tinha batido recorde de publico, todos os atletas da delegação do Brasil estavam do nosso lado da torcida e eles ainda comemoravam a eliminação da outra dupla. Deixei a quadra de tênis feliz por ter vencido, mas ainda irritada.

Marchei na direção do lago, pois sabia que Josh estaria lá treinando para a competição de Natação. Havia passado a noite em claro pensando, e tinha tomado uma decisão. Mesmo com raiva de Micah por ter sido estúpido comigo, tinha que admitir que ele estava certo em uma coisa: não quero me aborrecer durante os jogos, quero aproveitar essas semanas ao lado dos meus amigos e primos sem dor de cabeça. Assim que me viu se aproximando do lago ele saiu da água e se antes estava sorridente, agora fazia cara de sofrimento. Isso só me irritou mais, mas tentei manter a calma.

‘Oi meu amor, que bom ver você’ Disse tentando me beijar, mas dessa vez não deixei ‘Como foi o jogo de tênis? Desculpa não aparecer, tive que treinar’

‘Foi ótimo, nos classificamos’ Disse rápido sem dar muitos detalhes ‘O que aconteceu com o seu rosto?’ Não me contive e perguntei. Precisava ouvir o que ele ia dizer

‘Uma briga horrível ontem. Aquele garoto que falei pra você que não prestava fez isso, me atacou do nada. Ele me odeia quando eu que tenho motivos para odiá-lo’

‘E por que você tem motivos para odiá-lo?’ Perguntei ainda tentando manter a calma, mas girava a raquete na mão sem parar. Ou fazia isso ou acertava ele com ela

‘É uma longa história, meu amor. Prometo um dia contá-la a você, se quer mesmo saber’ Disse fazendo cara de dor ao alisar o corte na boca

‘Pois é bom contar agora, pois não terá outra chance’

‘Do que está falando?’

‘Josh, acho que está na hora de terminarmos esse namoro’ Falei de uma vez só e continuei para não dar chance dele falar, aproveitando que ainda parecia chocado ‘Sabemos que isso não está dando certo, então pra que continuar? Só funciona quando estamos longe um do outro, mas bastou menos de uma semana com você 24hs do meu lado para eu começar a enlouquecer! Não agüento mais você atrás de mim o dia inteiro!’

‘Mas se o problema é esse, posso te dar espaço! Não fico colado em você o dia inteiro, eu prometo!’ Disse ainda chocado, mas começando a soar desesperado e agarrando minha mão ‘Não faça isso, é um erro. Você sabe que eu te amo, não pode terminar comigo’

‘Mas eu não sinto o mesmo por você’ Puxei a mão depressa antes que ele começasse a beijá-la ‘Você tem que namorar alguém que goste de você do mesmo jeito. Somos amigos, nada mais, e agora percebo isso. O que sinto por você é carinho, não amor’

‘Evie, você está cometendo um erro’ Ele falou ofendido, abandonando o ar desesperado e parecendo zangado ‘E vou provar isso a você’

‘Faça o que quiser, mas fique longe de mim por uns dias se quiser manter nossa amizade, nosso caso não tem volta. E estou falando sério’

Dei as costas pra ele parando de girar a raquete na mão e refiz o caminho para a quadra de tênis parecendo uma pluma. Sentia-me tão leve que seria capaz de sair voando. Estava livre, enfim. E era uma sensação maravilhosa...


Num passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
Ela só quer dançar, dançar, dançar

Capital Inicial – Natasha

Friday, November 02, 2007

‘Quem é ela, Micah?’ Shannon sacudiu o amigo pela terceira vez em menos de meia hora ‘Não ouse esconder isso de mim!’

‘Já falei que não tem ninguém! Merlin, como você é chata quando quer!’ Micah falou impaciente encarando a amiga

‘Está mentindo!’ Ela insistiu. E ele sabia que Shannon não desistiria enquanto não conseguisse a resposta que queria ‘Sei que está mentindo, conheço essa cara de quem está de olho em alguém e quero saber quem é! Quero saber se aprovo, portanto vai falando!’

‘Eu juro pra você que não estou interessado em ninguém, Shan. Tem sim algumas meninas muito bonitas aqui, mas nenhuma despertou meu interesse a ponto de precisar passar pelo seu aval’

‘Micah Wade, nos conhecemos desde quando ainda usávamos fralda e sei dizer quando está mentindo! Essa sua conversa fiada não cola comigo. Vi o jeito que você olhava pra menina moreninha. Vai me passar a ficha dela e dizer qual são suas intenções, ou vou ter que descobrir sozinha?’

‘Eu conto, se você contar onde esteve durante umas boas três horas que andou sumida ainda pouco’ Ele reverteu a situação. A amiga desaparecera por muito tempo e ele não fazia idéia de onde ela estava. Imaginava que com algum garoto.

Como ele esperava, Shannon não respondeu. Micah sorriu vitorioso e levantou do sofá puxando ela para dançar. Ele não ia responder ao interrogatório, não podia contar a ela sua real intenção em estar aqui ou Shannon faria de tudo para persuadi-lo a desistir. E desistir era algo que estava fora de cogitação para ele. Ela não tocou mais no assunto durante o resto da noite, mas Micah sabia que ele voltaria à tona muito em breve. Shannon era uma garota decidida e quando encrencava com alguma coisa, nada a fazia desistir até alcançar o objetivo. E era justamente isso que mais admirava na amiga, mas naquele momento não estava gostando muito.

A festa já se encaminhava para o fim. Muitos alunos já tinham se recolhido para descansar para as competições da manha seguinte, mas muitos ainda resistiam pelos jardins, dançando musicas mais lentas ou simplesmente conversando pelos sofás. Era engraçado ver as pessoas se comunicando através de mímicas ou tentando ensinar algo de sua língua para o novo amigo. Desde o inicio dos jogos Micah já havia aprendido a falar algumas palavras em Japonês com Miyako e outras em espanhol com os gêmeos Mario e Diego, mas a maioria era palavrão. E como agradecimento pelo novo vocabulário, ensinara muitas expressões americanas de insulto aos gêmeos.

Shannon havia desaparecido outra vez e Micah conversava com os amigos da Califórnia deitado na grama quando ouviu uma voz familiar passar perto deles, se gabando por ter se saído bem em uma competição durante o dia. Ele levantou de imediato, não podia deixar a oportunidade passar.

‘Ei veja só, Zorro decidiu assumir sua identidade secreta!’ Falou alto e os amigos riram. Max parou no mesmo instante e se virou para ele espumando de raiva

‘Você está em desvantagem, Wade’ Max respondeu contando as pessoas ao redor ‘Se comprar briga comigo, serão mais de dez contra três’

‘Acredito mais em qualidade do que em quantidade’ Micah respondeu no mesmo tom e percebeu que Josh estava ao lado de Max e já tirara as luvas de boxe, cerrando os punhos

‘Vejo que não mudou nada, Micah’ Josh falou em tom de deboche ‘Saiu da Califórnia para ferrar a vida das pessoas em Durmstrang. Cuidado Max, você pode acabar como eu’

‘Acabar como você em que sentido, Josh?’ Micah cruzou os braços irritado e Sean e Evan tinham expressões de revolta ‘Acabar sentado em casa sendo instruído pelo advogado da mamãe a mentir no depoimento, livrar o próprio rabo das acusações e deixar os amigos pagarem o pato? Se o Zorro for terminar assim, então ele está bem!’

‘Até onde sei, e recordo bem da ameaça que me fez, não somos amigos’

‘Exato, não somos amigos, e justamente por você ser um covarde. Se começasse a agir como um homem e assumisse seus próprios atos, talvez as coisas tivessem tomado um rumo diferente’

‘Mas ele é muito cara de pau mesmo!’ Josh riu alto ‘Fala como se fosse a vitima!’

‘Não fui vítima de nada, a não ser que leve em consideração o seu caráter. A única vitima foi Ryan, e foi uma vítima sua!’ Micah berrou as últimas palavras já vermelho de raiva

A confusão que se iniciou não foi surpresa para os garotos que presenciavam o bate boca dos dois. Um Josh enfurecido partiu pra cima de Micah, que o derrubou no chão sem muito esforço e deram inicio a uma troca de socos cheios de rancor. Max tentou ajudar o amigo, mas foi impedido por um soco desferido por Evan. Como um efeito domino, um a um ia entrando na briga. Vendo o que estava acontecendo, Gabriel, Ty, Victor, Ricard, Iago, Griffon, Seth e Reno apareceram para ajudar a aumentar a seqüência de socos e pontapés.

Logo a briga tomava proporções gigantescas, sobrando até para os voluntários que tentavam conter o caos. E quando o homem fantasiado de Alvo Dumbledore tentou segurar um garoto da delegação mexicana e teve sua barba arrancada se revelando ser Ben O’Shea, a confusão apenas aumentou. Agora não só os garotos davam trabalho aos voluntários, mas também as garotas, que surgiam de todas as direções para tentar chegar até o ídolo. Josh conseguiu se desvencilhar das mãos de Micah e lhe acertou um soco, mas o garoto o segurou outra vez e Josh bateu com a cabeça na grama.

‘Minha avó batia com mais força que você!’ Micah provocou, prendendo-o contra a grama usando o peso do próprio corpo ‘O que foi Josh? Precisa de ajuda dos seus fiéis escudeiros? Más noticias, eles estão um pouco ocupados se protegendo dos socos dos meus amigos e não podem fazer nada por você’

‘Pode me bater o quanto quiser Micah. Mas isso não vai tirar o peso da culpa das suas costas, não importa o que faça’ Josh estava muito machucado, mas cuspia as palavras tentando ao máximo atingir o rival

‘Não fique mais no meu caminho, é o último aviso que lhe dou. Não vou mais permitir que arruíne minha vida ou de qualquer pessoa importante pra mim’ Micah o soltou e levantou do chão, caminhando para longe da confusão ‘E fique ai! Se vier atrás de mim, sua namorada nem vai reconhecê-lo amanha, pois vou arrebentar a sua cara’

Josh não se atreveu a segui-lo e ficou sentado na grama limpando o sangue que saia do nariz e da boca, observando o garoto retomar o caminho que levava às republicas. As mãos de Micah tremiam de raiva e ele mal conseguia controlá-las para abrir a porta do quarto. Teria que fazer o possível e o impossível para não cruzar mais com Josh e os amigos durante o resto das Olimpíadas, ou acabaria perdendo a razão e jogando pro alto tudo que vinha cultivando até ali. E se fizesse isso, teria que ir embora de Durmstrang. Ele não admitiria nunca, mas mudar para Durmstrang e conhecer as pessoas que conheceu foi a melhor escolha que fez na vida, mesmo que pelas razões erradas.

Thursday, November 01, 2007

(¯`·._.·[Um fim de semana antes de começarem as Olimpíadas...]·._.·´¯)

‘Tem certeza de que não querem ir? Vovó realmente convidou vocês...’ Victor perguntou mais uma vez enquanto fechava a mochila.

‘Não posso. Tenho uma pilha de deveres para terminar.’ Ricard disse se levantando da cama e espreguiçando. ‘Lavínia poderia ir...’

‘Não poderia não senhor. Também estou enforcada de coisas atrasadas. Dê os parabéns para sua avô, Vi. Agradeça o convite...’ sorri para Victor enquanto ele jogava a mochila nos ombros. Ele concordou com a cabeça e se aproximou me dando um beijo.

‘Então se comportem. Fica de olho nela para mim, Ricard.’ Ele disse me abraçando forte e olhando Ricard, que girou os olhos indiferente.

‘Fala isso como se eu fizesse outra coisa que não fosse cuidar de um de vocês dois. E além disso, Lavínia já tem idade e tamanho suficientes para se cuidar sozinha!’ ele completou sério e abriu o armário para apanhar vestes. Eu e Victor nos olhamos.

‘Boa sorte com o mal-humor dele...’ Victor cochichou no meu ouvido e rimos. Karl gritou para que ele se apressasse no andar de baixo e ele me deu mais um beijo. ‘Te amo! Tchau Ricard.’

‘Tchau.’

Victor saiu do quarto e me larguei na cama dele observando Ricard apanhar um casaco.

‘Você tem mesmo um monte de deveres para fazer?’ perguntei desconfiada. Ele parou de mexer nas roupas e me olhou.

‘Óbvio que não. E você?’

‘Também estou em dia.’ Rimos. Ele sacudiu os ombros e voltou ao armário. ‘Mas não iria à festa de 75 anos da Carrie de maneira nenhuma. Já me senti super sem graça no aniversário da Lauren... Melhor ficarem em família um pouco.’ Completei e Ricard concordou distraidamente. ‘Tem planos para hoje?’

‘Não. Estava pensando em dar uma andada pelo vilarejo. Preciso comprar alguns ingredientes para meu estoque de poções e penas novas... Alguma idéia?’

‘Nada também. Mas posso te acompanhar se quiser...’ disse animada me levantando. Ele finalmente parou de recolher partes de roupas pelo armário e fechou a porta me encarando em seguida.

‘Ótimo. Assim podemos ir e voltar rápido. E podemos treinar xadrez de bruxo...’

‘Combinado! Então vou colocar uma roupa mais quente e te encontro daqui a 10 minutos no portão, ok?’

‘Ok.’

O sábado tinha acabado de amanhecer, mas como Karl preferiu vir apanhar Victor o mais cedo possível, acabei sendo arrancada da cama para ir ajudá-lo a arrumar a mochila. Na verdade, Victor conseguiria muito bem arrumar um par de roupas dentro da mochila sozinho, mas ele insistira para que eu fosse até lá e não tive outra escolha. Nesse meio tempo, acabamos acordando Ricard.

Quando cheguei à Avalon, estava tudo muito quieto ainda, e todas as minhas amigas dormiam aproveitando para descansar mais uma semana cheia. Troquei de roupa em silêncio e alguns minutos depois me uni à Ricard e saímos juntos para o vilarejo.

‘O que está faltando no seu estoque de ingredientes?’ perguntei quando entramos na loja mal iluminada e mal cheirosa cheia de prateleiras com os mais diversos tipos de raízes, folhas e pedaços de animais para Poções. Ricard leu um pequeno pedaço de papel.

‘Raiz de valeriana, pêlo de lobo vivo, mirra e olíbano.’ A medida que ele ia falando eu apanhava os ingredientes nas prateleiras e não demorou muito, estávamos de volta à fria rua de pedra coberta de neve. Os nossos pés faziam som de trituração a medida que caminhávamos lentamente.

Ricard comprou novas penas, tinteiros e dois rolos de pergaminhos e então voltamos para o castelo. Decidimos ir tomar café antes de começarmos a treinar, e quando chegamos ao Salão Principal, a maioria dos alunos já tinham acordado. Evie e Nina estavam sentadas em uma mesinha próxima e nos sentamos com elas.

‘Onde foram?’ Evie perguntou dando uma mordida em uma torrada coberta de geléia de morango.

‘Até o vilarejo. Ricard precisava fazer umas compras para o estojo de Poções e como Victor já tinha me acordado, fui com ele... Milla e Annia ainda não acordaram?’

‘Não.’ Respondeu Nina pousando a xícara de café e esfregando os olhos. ‘Também não queria ter acordado, mas eu e Evie precisamos treinar tênis.’ Ela de repente adquiriu um tom de voz firme e apontou a raquete aos seus pés. Me senti enjoada. Os treinos de tênis não me lembravam coisas boas...

‘Quem são os cobaias dessa vez?’ Ricard perguntou rindo. Nina o lançou um olhar ofendido.

‘Não são cobaias. São voluntários! Mas como todos estão meio que fugindo de nós duas, hoje vamos jogar uma contra a outra!’ ela completou empolgada e olhou Evie com uma expressão maníaca. Evie pareceu não se importar.

‘Sim. Vai ser divertido...’ disse cínica. Rimos. ‘Milla estava mal, não estava?’ Perguntou ficando séria. Eu e Nina concordamos desanimadas.

‘Iago é um grande idiota. Odeio garotos que não se garantem...’ Nina começou revoltada. Olhei de relance para Evie e rimos nos lembrando de Michael. Nina sacudiu os ombros. ‘Já terminou, Evangeline?’ disse ficando de pé para impedir que prosseguíssemos com a conversa.

Evie concordou se levantando e as duas se despediram sumindo para os jardins. Ricard as acompanhou com um olhar curioso e quando se voltou para mim, tinha o mesmo olhar, misturado com ceticismo.

‘Vocês não perdem a oportunidade não é mesmo?’ perguntou de repente. A olhei intrigada.

‘Oportunidade de quê?’

‘De esconderem seus próprios problemas e julgarem os dos outros.’ Respondeu indiferente e tomou um grande gole de suco.

‘Não comece com o papo terapêutico, Ricard.’

‘Não estou dando sermões. Mas vocês têm manias definitivamente estranhas...Olhem só como trataram a Anastácia só por que descobriram que ela nunca beijou ninguém! Quero dizer. O que isso interfere?’

O que isso interfere??? Ta brincando! Se você ouvisse os conselhos maduros da Annia saberia! Ela sempre deu conselhos tão... avançados! Incrível ter aprendido tudo aquilo em livros!’ respondi rindo ao me lembrar de Annia. Ricard ficou sério.

‘Bom. Que é estranho, é.’

‘Não a tratamos mal. Realmente não faz diferença se ela teve ou não namorados! Mas é que ficamos chocadas quando descobrimos, foi só isso...’

‘Então o que chateou vocês foi o fato de ela se sentir envergonhada para contar?’

‘Exatamente. Somos amigas!’

‘Não tem nada a ver! As pessoas podem ter segredos que não contam nem para os melhores amigos! Às vezes ela pensava que se contasse isso vocês agiriam dessa maneira ridícula... E ela teve razão não é?’

‘Depois você disse que não está dando sermão...’ falei cansada. Ele terminou de beber o suco em silêncio.

‘E não estou. Mas fico imaginando qual seria a sua reação se eu dissesse que nunca namorei ninguém!’ ele disse tranquilamente e eu ri. Ele me observou.

‘Você não diria isso nunca. Seria uma mentira lavada.’

‘E se não for uma mentira?’

‘Você já saiu com outras meninas!!!’

‘Eu saí com você hoje e nem por isso nos agarramos, não foi?’

‘É diferente.’

‘Não vejo como...’

Ele parou de falar e eu fiquei sem entender aonde ele queria chegar. Mas alguma coisa no tom de voz gelado dele fez meu estômago revirar e quando respondi, escolhi bem as palavras...

‘Você nunca namorou ninguém?’ meus olhos se arregalaram. Ele continuou com a mesma expressão “sem expressão”.

‘Não disse isso, mas já tive a resposta que queria.’ Ele se levantou e ainda perplexa me levantei também, a cabeça girando.

‘Espera! Eu vou com você treinar xadrez!’

‘Desisti de xadrez. Vou melhorar meu tempo na natação. A gente se vê depois...’

Sem dizer mais nada, saiu do Salão Principal e eu me sentei novamente me sentindo particularmente em náuseas. A cabeça rodopiava. Isso queria dizer que Ricard também nunca tinha estado com alguém, ou ele só estava me testando???

°°°

‘Pode me dizer o que significou aquilo?’ perguntei indignada enquanto Ricard se sentava ao lado de Victor com um sorriso satisfeito no rosto. Tomou um grande gole de gilly antes de me olhar.

Aquilo o quê?’ perguntou. Victor também se virou para mim sem entender.

‘Você AGARRADO à Miyako! Não se faça de besta, você sabe muito bem!’ respondi zangada. Victor e Ricard se entreolharam rindo e meu sangue ferveu.

‘Ah sim. Bom, tenho que explicar como funciona um beijo?’ Ricard perguntou irônico.

‘Muito engraçado! Realmente muito engraçado’ disse com raiva. Ele sorriu ironicamente. ‘Ela é amiga do Ty, você sabia?’

‘Sabia. Só não entendi a relação ainda...’ ele disse pensativo. Me controlei.

‘Significa que ele não deve estar achando nada legal também você agarrando a amiga dele por aí...’

Ricard me olhava com uma dose de piedade que estava me tirando do sério. Se levantou.

‘Fique sabendo que como você bem disse eles são só AMIGOS. E tenho certeza que se Miyako estiver ok com isso, Ty, Gabriel e todos os outros amigos dela também estarão! Agora, se me dá licença, tenho mais o que fazer e não estou com paciência para discutir com você hoje, Lavínia.’

Ele virou as costas e foi até o balcão de bebidas. Soltei um bufo de indignação ao vê-lo entregar uma garrafa de cerveja amanteigada para Miyako e se sentar ao lado dela sorrindo abertamente. Victor os observava também, mas ele sorria de maneira realmente feliz.

‘Por que está sorrindo?’ perguntei com raiva. Victor se virou para mim.

‘Por que não vejo Ricard tão feliz há anos! Acho que ele se apaixonou... O que é ótimo, não é?’ perguntou distraído.

‘Não, não é! Ela não estuda aqui!!! Vai acabar magoando o Ricard quando for embora e aí eu quem vou ter de agüentar!’

‘Não coloque os carros na frente dos bois, Vinie. Ricard só está curtindo esse momento com a Miyako, ainda não pensaram em nada além, pode ter certeza.’

‘Com certeza Ricard já tem tudo planejado! Você não vê a cara dele? Está em transe! Ele vai acabar se decepcionando...’ disse em desespero. Ricard e Miyako haviam recomeçado com a sessão de canibalismo mútuo.

‘Você está exagerando...’ Victor disse sorrindo e me abraçou. ‘E mesmo que tenha planejado qualquer coisa futura, que mal faz? Se a Miyako também gostar dele, eles podem muito bem namorar...’

Livrei-me dos braços do Victor e levantei tremendo de ódio. Incrível como para os dois era tudo muito simples, muito fácil. Eu tinha uma vontade louca de sacudir Ricard, fazê-lo entender que Miyako não seria ideal para ele. Que em breve ela iria embora. Mas ao mesmo tempo, uma parte de mim se prendia à simplicidade de Victor. Por que eu estava me preocupando com isso? Se eles só estavam se beijando essa noite... Às vezes nem tornassem a ficar juntos! Por que eu estava com tanta raiva?

‘Quer dançar?’ Victor se levantou também, confuso. Eu ainda mantinha meus olhos pregados no casal.

‘Não. Vou dormir. Não quero mais ficar assistindo o começo de uma tragédia sem poder fazer nada!’

‘Você está falando sério? A festa mal começou...’ Victor respondeu chocado olhando ao redor. Sacudi os ombros.

‘Aproveite a festa então. Eu não tenho mais clima.’

Antes que ele tentasse me impedir ou dizer alguma coisa, saí marchando de volta para a Avalon. Esperava encontrar a República completamente deserta, mas para minha surpresa, Evie estava deitada na sua cama, ainda com a fantasia de índia, quieta... A observei curiosa alguns minutos, mas me dei conta de que também não queria conversar com ninguém naquele momento. Troquei de roupa, deitei na cama em silêncio, e acompanhando Evie, me perdi nos meus próprios pensamentos e frustrações enquanto uma festa sacudia os jardins.

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

Um clima pesado havia caido sobre a República Avalon. Não só por causa das visitantes, mas por que cada uma de nós começava a perceber que nossos problemas pessoais não iriam embora enquanto não resolvessemos. E olhar as meninas que estavam hospedadas conosco se darem tão bem, com os garotos que supostamente deveriam nos venerar não facilitava em nada as coisas.
Annia havia tomado uma antipatia pelas gêmeas J&B, Nina e Vina apenas olhavam as visitantes curiosas, pois aparentemente Victor e Chris Parker as tratavam apenas com educação. Evie disfarçava, mas desde que vira Shannon grudada em Micah, a olhava com olhos avaliadores, como se medisse uma rival e eu olhava Jaeda com vontade de torcer o pescoço cor chocolate dela, quando ela falava animada com as amigas sobre seu novo amigo, que ela chamava carinhosamente de Big Bear. ¬¬
E ela dizia que ele era super divertido, que havia falado sobre suas férias na Grécia, que havia passado uma noite acampado no Monte Vesúvio com os primos.
Nem eu sabia disso, e estava ficando com muita raiva do Iago, quer dizer “Big Bear”, porque o máximo que ele fez foi me mostrar as fotos dos primos, e nem entrou muito em detalhes.
Estava comendo um chocolate quando Annia desceu as escadas correndo:
- Pára de comer e se arruma, Iago tá vindo ai.
- E eu com isso? – respondi mas ajeitando o cabelo.
Ele bateu na porta, e eu corri para abrir.
- Oi Lud., tudo bem com você? - ele perguntou.
- Sim, tudo. - respondi.
Ele me olhava sério, e Annia nesta hora havia sumido.
- Milla, eu estive pensando…
- Em que??
- BIG BEAR! – gritou Jaeda enquanto descia a escada e olhava para um Iago sorridente.
- Oi Jaeda.
- Você chegou na hora. Vamos?
- Claro. Tchau Milla. Até outra hora. - e ele foi saindo sem nem olhar para trás, mas parou ao ver Luka entrando pelo portão de nossa república.
- Ivanov.
- Karkaroff, Smith. – e Jaeda respondeu imponente, mas ria:
- Ivanov.
Nesta hora vi uma oportunidade de fazer Iago sentir pelo menos um pouco do que eu sentia:
- Luka! Você demorou. – corri na direção dele e o abracei sorrindo, e ele me segurou firme, me encarando:
- Tava adivinhando que eu viria aqui é?
- Aham. - fiz melosa e vi Iago franzir os olhos, mas continuou seu caminho com Jaeda. Depois fiquei ouvindo Luka falar sobre as competições, e ao final quando ele perguntou se eu iria com ele na festa de Halloween, pensei em dizer não, mas eu não iria perder a festa só porque o Iago provavelmente vai com sua nova grande, super sabe Merlim o que mais. Então disse sim para Luka.

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

A festa estava super agitada, com muita comida bebida para todos os gostos e as fantasias mais originais e em alguns casos estranhas tambem. Eu havia decidido me fantasiar de Sandy, do filme Grease, pois adorava as musicas dela com Danny. E Luka estava de Superman, e estava todo animado. Luka fazia de tudo para me deixar á vontade, apesar de vez ou outra pegar minha mão, ou mesmo querer falar sussurrando no meu ouvido, para que eu começasse a rir. Algumas vezes ele se esquecia de que eu estava ao seu lado, começava a falar empolgado com Max e Josh sobre táticas de jogo e eu me virava para as meninas tentando arrumar paciência. Evie havia sumido com os primos e eu estava quase fazendo alguma coisa drástica assim.
Vi a mãe do Ty vestida de mulher aranha e automaticamente procurei Ben O’Shea, mas pelo jeito ele havia decidido não aparecer para não haver tumulto. Fiquei vendo ela dançar com um homem alto, vestido de homem aranha como ela, e eles pareciam namorados, pois havia uma química entre eles. Prestei atenção e percebi que ele não era Ben, era mais alto. E tinha ombros mais largos.
Ora..., ora... será que ela não é a namorada do Ben? Ou isso é caso antigo?
Suspirei.
- Que foi Milla? – perguntou Luka.
- Estou com vontade de dançar, isso é uma festa e não uma reunião do time. – disse azeda.
- Claro, até depois pessoal. Vem vamos dançar.
Dançamos algumas agitadas, e algumas lentas, quando senti sede. Fomos pegar alguma coisa para beber, quando vi Iago e Jaeda conversando, e vinham na nossa direção. Ela estava de Mel B. das Spice Girls e ele, usava a roupa de Danny, namorado bad boy de Sandy. E na minha opinião ele estava lindo.
Luka quando o encontrou resolveu provocar. Afinal eles nunca se deram muito bem.
- Karkaroff tá de roqueiro pobre?
- Vim de Danny do filme Grease, cara sem cultura. E você veio de quê mesmo?
- Superman, e você sabe. Não seja idiota.
- Achei que fosse o Tonto, amigo do Zorro. – Iago respondeu e eu segurei o riso.
- Você pensa que pode falar assim comigo só pra fazer pose de bad boy?- perguntou Luka irritado.
- Ah, não consigo levar a sério um cara que usa cueca vermelha por cima da roupa. Fico com vontade de rir.
- Hey parem de brigar vocês dois, querem acabar com a diversão? Ludmilla você esta de Sandy não?
- Sim. – respondi e Iago me encarava de um jeito intenso.
- E você de Superman ficou muito bem Ivanov. – disse Jaeda e Luka sorriu.
- Acabo de ter uma idéia: Hey Superman, dance comigo, e deixe Danny e Sandy, dançarem uma. Pelo menos as fotos ficarão legais. - Jaeda sugeriu
- Não sei não... - Luka começou a falar quando eu disse decidida ao esticar a mão e encontrei a de Iago no meio do caminho:
- Depois nos falamos Luka.
Fomos para a pista e começamos a dançar, animados e parecia que estávamos no filme, fazendo as coreografias. Iago apesar de grandão, tinha jeito e quando as musicas lentas começaram ele me puxou rápido, e ficamos nos olhando e balançando ao ritmo da musica, quando eu disse:
- Mais cedo, você ia dizer alguma coisa lá na república, mas fomos interrompidos.
- Eu queria dizer que sentia muito pela minha reação. Eu estava era com um ciúme doido de você. Na hora eu só pensava nos caras te olhando, e não consegui suportar a idéia. Eu deveria ter confiado mais em seu bom senso e ficado do seu lado. Sei que rompemos, mas pelo menos vamos ser amigos...
- Não quero ser sua amiga Iago. – respondi olhando sério para ele.
- Tá tudo bem. Eu sei que fui um babaca... - e nem o deixei continuar, fiquei na ponta dos pés e o beijei com vontade.
Quando nos soltamos eu disse:
- Quero mais de você, e só vou ter isso, se estivermos juntos. Então, vai namorar uma jogadora de quadribol?
- Sim!- disse rindo e me abraçou, me levantando e girando comigo.
Ficamos juntos até quase o final da festa, quando um barulho de briga chamou nossa atenção, e vimos Micah se embolando com Josh. Ty, e os outros garotos de nossa turma brigando com os amigos de Josh e alguns estrangeiros também, brigavam com os primos do Ty e da Evie. Iago me pediu para ficar longe e correu para tentar separar, mas logo ele estava distribuindo socos também, depois de levar um direto no queixo. Vi quando a mãe do Ty correu para tirar um menino de cima do outro e levou um soco, nesta hora o homem que dançava com ela avançou para cima dos brigões como se fosse um touro. Ninguém se entendia.
De repente vi Ben O’ Shea, no meio do rolo, corri até lá também, imagina se iria deixar meu ídolo na mão. Além de não querer que Iago se machucasse, é claro. E do jeito que eu estava nas nuvens, eu seria capaz de derrubar uma muralha apenas com um sopro, tamanha era a minha felicidade, portanto Iago e Ben podiam contar comigo. Agora posso por em prática outra das aulas de Micah e Ty.

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

N.A. Íris, Goo Goo Dols