Sunday, November 16, 2008

Novembro chegou e o inverno já dava indícios de que seria o pior de todos. Era a primeira vez que os alunos de Durmstrang reclamavam do frio e poucos optavam por sair de debaixo das cobertas e do aconchego das republicas quentes nos fins de semana, principalmente os alunos das outras escolas. Mas decidida a não passar outro sábado presa naquele quarto minúsculo e ainda tendo que topar com a Inês pela Avalon, vesti meus casacos mais grossos e encarei o vento gelado da rua.

Pretendia ir ao vilarejo tomar um café e ver um pouco de movimento, mas antes passaria na Esparta para chamar Micah para me acompanhar e aproveitar para ter notícias de Dario e Filipe, pois não falava com eles há alguns dias. Estava em pé na varanda da republica pronta pra bater na porta quando ouvi a voz de Hanna. Recuei alguns passos e não dava para entender o que ela dizia, só que falava alto. A porta abriu com violência.

‘Você pode se arrepender depois, Dario’ Ouvi Hanna ameaçar o irmão

‘Já me arrependo de muitas coisas, Hanna. E deixar você entrar aqui hoje é uma delas. Sai, por favor’ E o rosto de Dario apareceu, seguido dela.

‘Olá Evie’ Disse com aquele nariz em pé, me mirando de cima a baixo

‘Oi Hanna’ Respondi no mesmo tom e revirei os olhos pra Dario quando ela passou

‘Entra Evie’ Ele disse já sorrindo e fechou a porta quando passei ‘Veio procurar o Micah? Ele está no quarto’

‘Vim procurar ele sim, mas também saber de você e do Lipe’ Tirei as luvas grossas e o capuz enquanto falava, sentindo o fogo da lareira esquentar meu rosto ‘Como está se virando por aqui? Sentindo muito frio?’

‘Não sei como vocês agüentam! Sério, eu saio daqui parecendo um pingüim de tão gordo por causa dos casacos e o frio parece que não passa’

‘Vocês ainda deram o azar de pegar um frio que nem a gente ta acostumado. E o Lipe? Já se adaptou?’

‘Você sabe como ele é, né? Claro que ta tentando se encaixar, mas não perde o jeito nerd’ Dario riu ‘Mas seu namorado está fazendo um excelente trabalho corrompendo ele. Ontem mesmo ele participou da conversa sobre um contra-ataque a Chronos e parecia empolgado’

‘Ótimo, Micah vai conseguir provocar a primeira detenção da vida do Lipe’ Revirei os olhos, mas não consegui deixar de rir. Vovô ia ter um troço.

‘Ah, pensei mesmo ter escutado a voz da garota da minha vida’ Ouvi Micah falando descendo as escadas. Parou do meu lado me abraçando e me beijou

‘Preciso sair um pouco’ Falei já tirando as luvas do bolso ‘Posso cometer um homicídio se ficar naquela republica hoje’

‘Ah, Inês’ Ele riu e quando não ri, me beijou ‘Vamos, minha Deusa. Vamos pra onde você quiser’

‘O café do vilarejo está de bom tamanho’ Ri ‘Quer ir, Dario?’

‘Sair nesse frio? Está louca!’ Falou como se tivesse convidado ele pra nadar no lago ‘Bom passeio pra vocês, mas vou hibernar esse fim de semana’

Deixamos Dario enrolado em um cobertor no sofá lendo um livro e encaramos o frio da rua. Quase ninguém circulava pelos jardins da escola, mas o café do vilarejo estava bem movimentado. A maioria das pessoas ocupando as mesas eram alunos. Conseguimos uma mesa perto da lareira e pedimos uma torta e um café expresso cada um.

Passamos quase a tarde toda no café. Era até engraçado como os assuntos nunca terminavam, era fácil demais conversar com o Micah. Diferente de como era com Josh, onde depois de meia hora eu começava a me entediar. Era estranho como ele parecia me conhecer até mesmo melhor do que eu. Era a primeira vez que sentia que podia falar qualquer coisa, que não seria julgada por isso. Sabia que podia contar a ele o que fosse, que ele não mudaria em nada comigo.

Já começava a escurecer e o café foi esvaziando. Micah já ia pedir a conta quando alguém derrubou um prato no chão e depois começou a rir alto. Reconheci a risada na mesma hora e olhei para trás. Georgia estava abaixada recolhendo os cacos de louça do chão e cutuquei Micah, indicando ela com a cabeça. Ele correu para ajudar e ela levantou ainda rindo, pedindo outro pedaço de torta. Depois veio sentar conosco.

‘Tudo bem, Georgia?’ Micah perguntou curioso ‘Sozinha aqui?’

‘Essa torta é divina, como não poderia estar bem?’ Falou pegando um pedaço enorme de torta e colocando na boca. Ela parecia um pouco fora do ar

‘Pensei que estava na Avalon. Não tem a festa com as diretoras pra organizar?’ Perguntei me divertindo com o jeito aéreo dela

‘Não posso pensar nisso agora’ Respondeu gesticulando com a colher e atirou uma cereja longe ‘Inês está me deixando louca! “Ora Georgia, seria muito bom para a sua presidência se me deixasse ajudar. Tenho contatos diretos, papai é Ministro da Magia e uma pessoa muito influente”. ARGH!’ Ela rosnou alto e nos assustamos ‘O único contato direto que ela vai fazer é com a palma da minha mão se não parar de me atormentar’

‘Sei que não é um bom momento, mas acho que é agora que entra a frase: eu avisei’ Ri e ela me olhou atravessado. Depois riu esquisito e olhou para a torta, decidindo que pedaço ia pegar

‘Não acredito que uma garota só vai vencer uma republica inteira’ Micah falou rindo ‘Vocês tem que ela pegar de algum jeito’

‘Ela tem que ter algum segredo!’ Bati a mão na mesa irritada e Micah a segurou para não fazer de novo ‘Não é possível que ela seja perfeita’

‘Claro que ela não é perfeita, mas vocês vão fazer o que? Contratar um detetive?’ Ele riu

‘Não é uma má idéia, sabem... Um detetive’ Georgia comentou distraída e sorriu quando a encaramos ‘Gente importante assim sempre tem algum podre’

‘É, aposto que ela tem os seus também!’ Falei empolgada e Micah balançou a cabeça. Ignorei ‘Mas aonde vamos achar um detetive profissional?’

‘Não precisa ser profissional, basta conhecer alguém que trabalhe em um jornal’ Georgia lambeu a colher da torta e observava o teto, curiosa ‘Tenho um contato no Profeta Diário, vou falar com ele. Se ela tiver algum segredo, ele vai descobrir’

‘Por que vocês não tomam uma medida mais rápida?’ Micah sugeriu ‘É mais eficiente revidarem logo’

‘Se tiver alguma solução imediata, pode compartilhar com a gente, porque não temos nada’ Falei irritada outra vez e ele tornou a apertar minha mão ‘O que eu queria mesmo era que ela fosse flagrada fazendo alguma coisa errada, a crista ia abaixar depressa’

‘Impossível ela ser pega em um escândalo, só se fosse alguém se passando por ela’ Georgia desviou a atenção do teto e agora fitava a taça vazia ‘Isso só seria possível com uma poção polissuco... Droga, acabou. Vou pegar mais’

‘Ela ta bem?’ Micah perguntou rindo, vendo Georgia andar meio desnorteada pelo café

‘Ela ta tomando uns remédios ai pra acalmar. A enfermeira da escola passou um monte de coisa pra ela, disse que ela tava a ponto de ter um colapso nervoso’ Respondi distraída, pois minha cabeça já estava em outro lugar. Inês precisava ser pega em um escândalo e para isso acontecer, só alguém se passando por ela. Micah tinha razão, precisamos revidar depressa. Acho que poderíamos providenciar isso enquanto o contato da Georgia não nos manda um relatório...

Friday, October 31, 2008

Toda a escola estava tomada pela expectativa da escolha dos campeões essa noite. E nós, da Esparta, estávamos ainda mais ansiosos. Todos os garotos do 7º ano da casa haviam se inscrito e o boato que corria era que todos os garotos com mais de 17 anos da Chronos também estavam concorrendo e que Reno Kollontai era apontado como o favorito da casa. O Reno até passava, mas suportar qualquer outro garoto da Chronos como campeão de Durmstrang era exigir demais de nós, espartanos. Já se falava em não apoiar o campeão, caso fosse algum outro garoto da casa.

E tinha também os visitantes, a possibilidade de estarmos sendo anfitriões de um campeão de outra escola. Todas as repúblicas estavam abrigando cinco alunos de cada escola. Ty, Gabriel, Griffon, Seth e Dario, primo da Evie, eram os cinco de Beauxbatons. As meninas da Avalon estavam hospedando, entre as dez alunas das duas escolas, Miyako, Gina e Luna. Conseguimos colocar os garotos no quarto ao lado do nosso e os de Hogwarts estavam hospedados no quarto do 3º andar, perto do quarto de Ivan e Nicolas.

As aulas da sexta-feira foram suspensas e embora pudéssemos acordar mais tarde, logo cedo já estávamos todos de pé caminhando em direção ao saguão de entrada. O pergaminho com meu nome já estava dobrado na mão e o depositei no Cálice assim que passei. Chris e Vitor fizeram o mesmo e recebemos os cumprimentos dos alunos de Durmstrang que passavam na hora, junto com palavras de incentivo. Estávamos bastante confiantes. Logo depois Reno apareceu sendo seguido por alguns garotos da Chronos e fizeram muito barulho quando ele depositou seu papel nas chamas.

‘Não sei pra que esse circo todo’ Vitor resmungou enquanto sentávamos pra tomar café ‘Se querem aparecer, pendurem uma melancia no pescoço’

‘Relaxa, meu amigo’ Dei dois tapinhas em suas costas, rindo ‘Mais tarde nós é que vamos poder fazer barulho. Sem chance um desses otários ser o escolhido!’

‘Eu não vou apoiar ninguém de lá se não for o Reno’ Chris sentenciou e concordamos com a cabeça

‘Escutem isso’ Ricard fez sinal de silêncio com a mão e nos calamos

Muitos aplausos vinham do saguão de entrada. Viramos o corpo no banco para ver toda a delegação de Beauxbatons entrando depois de ter colocado o nome no Cálice. Os que não pensavam em competir aplaudiam os colegas da escola com muito entusiasmo. Gabriel e Ty vinham na frente com caras satisfeitas e sentaram na nossa frente.

‘A sorte está lançada’ Gabriel falou pegando uma torrada

‘Tenho certeza que vai ser um de nós quatro’ Ty estava confiante

‘A delegação de Hogwarts está vindo!’ Evie sentou correndo na mesa, me beijando ‘Vi quando eles saíram junto com a diretora deles das republicas’

‘Será que todos eles vão querem se inscrever?’ Miyako perguntou ‘São quase 20 alunos’

‘Luna não vai, mas Gina sim’ Gabriel olhou para trás e acenou para a amiga que segurava um papel na mão e sorriu ansiosa para ele ‘Ela não ia perder essa oportunidade’

Mais aplausos foram ouvidos, dessa vez dos alunos de Hogwarts, e Gina e Luna se juntaram ao nosso grupo para o café. A ruiva sorria confiante.

‘Nenhuma menina daqui vai competir?’ Ela perguntou olhando para Evie e as garotas

‘Eu sim’ Milla disse animada ‘E Annia também. Tomara que seja uma garota que represente Durmstrang, vai ser um tapa na cara dos machões daqui’

As garotas na mesa a aplaudiram assobiando e rimos. Terminamos o café e levamos os amigos de fora para passear no vilarejo e aproveitar o dia livre. Mas por mais que estivéssemos conversando bobagens, os pensamentos não saiam do sorteio que aconteceria de noite. Então, quando o céu começou a escurecer, corremos de volta para as repúblicas para nos preparamos para a festa.

Quando chegamos ao salão, já de noite, ele já se encontrava cheio. O Cálice agora estava em frente à cadeira do diretor. As mesas com as comidas e bebidas eram muito convidativas e encontramos um local vazio perto delas. Mas pareceu levar uma eternidade até que a maioria das travessas fossem esvaziadas. Não parava de olhar na direção dos diretores para checar se eles já pareciam satisfeitos. Depois do que pareceram muitas horas, o pai da Annia depositou sua taça na mesa e ergueu os braços. Imediatamente corremos para procurar um lugar para sentar entre as diversas cadeiras e bancos em forma de arquibancada espalhados pelo salão.

‘O Cálice de Fogo está pronto para decidir!’ anunciou com grande estardalhaço e dava até pra sentir o clima tenso e pesado entre os alunos ‘Quando os nomes dos campeões foram chamados, peço que se encaminhem para aquela sala à minha direita’ e apontou para uma porta que até então eu nunca tinha notado, atrás da mesa dos professores ‘onde receberão as primeiras instruções. Agora, sem mais delongas, vamos aos nomes...’

‘Merlin, papai está se sentindo um Pop Star’ Annia revirou os olhos

‘Silêncio, ele vai falar!’ Falamos quase todos ao mesmo tempo e ela se espantou

Ele puxou a varinha e com um gesto teatral todas as velas, exceto as que iluminavam a mesa dos professores, se apagaram, mergulhando o salão numa penumbra. O Cálice brilhava com mais intensidade do que qualquer outra coisa ali. O salão caiu em um silêncio quase sepulcral quando as chamas azuladas do Cálice assumiram um tom avermelhado e começaram a soltar faíscas. Alguns alunos até levantaram para ver melhor, quando uma língua de fogo se ergueu no ar, assustando a todos. A labareda cuspiu um pedaço de papel chamuscado. Os poucos que ainda respiravam prenderam a respiração quando o pai de Annia apanhou o papel no ar.

‘O campeão de Hogwarts é...’ Ele fez uma pausa proposital e fui obrigado a concordar com Annia, ele estava se sentido um pop star ‘Ginerva Weasley!’

Uma tempestade de vivas e aplausos tomou conta dos bancos que abrigavam os alunos de Hogwarts. Gabriel também aplaudia entusiasmado ao ver Gina se levantar sorridente e caminhar até a sala indicado pelo diretor, recebendo um sorriso de admiração da diretora de Hogwarts. O salão caiu em silêncio mais uma vez e a atenção se voltou ao Cálice. Segundos depois que ela sumiu pela porta, a labareda vermelha tornou a cuspir um pedaço de pergaminho. Vi Miyako apertar o braço de Gabriel e Ty, nervosa.

‘O campeão de Beauxbatons é...’ novamente uma pausa, e Ty reclamou que Miyako estava lhe arrancando a pele do braço ‘Gabriel Lupin!’

‘O QUE?’ Gabriel exclamou surpreso e soltou um palavrão em seguida

A tempestade de aplausos agora vinha do mar de alunos vestindo casacos azuis e Ty e Griffon saltaram do banco sacudindo Gabriel, enquanto Miyako se pendurava em seu pescoço gritando. Chris e eu começamos a bater na mesa fazendo as taças sacudirem e Ty empurrou Gabriel para caminhar até a sala. Ele andava pelo corredor de bancos trêmulo, mas sorrindo. Ainda batíamos as mãos na mesa, e agora os pés no chão para fazer mais barulho, quando a porta da sala fechou e tudo voltou a cair no mais absoluto silêncio. O Cálice voltou a soltar chamar vermelhas. O campeão de Durmstrang era o próximo...

‘O campeão de Durmstrang é!’ ele exclamou entusiasmado, capturando o papel no ar ‘Renomaru Kollontai!’

Vitor soltou um palavrão indignado, mas ninguém além de mim ouviu. A zoeira que tomou conta do salão foi muito grande. Todos os garotos da Chronos ficaram de pé nos bancos, gritando e sapateando em cima deles, abrindo caminho para Reno passar entre eles. Um sorriso satisfeito e um pouco presunçoso corria de uma ponta a outra de seu rosto. Como era o Reno, nos juntamos aos aplausos, que foram tão longos que o diretor teve que pedir silêncio para continuar a cerimônia.

‘Excelente! Parabéns aos três campeões! Agora que temos nossos bravos guerreiros definidos, estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os alunos de Beauxbatons e Hogwarts, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem. Torcendo pelo seu campeão, vocês estarão contribuindo de maneira muito real! Agora, se nos dão licença, vamos nos reunir a eles para que possam receber as devidas instruções. Aproveitem a festa!’

O diretor sacudiu a varinha e todas as velas voltaram a acender. Eles, junto com o resto da banca, desapareceu por trás da porta no fundo do salão e os alto falantes voltaram a tocar música.

‘É, agora ninguém vai agüentar aqueles otários da Chronos’ Vitor virou um copo de cerveja amanteigada, resmungando

‘Não importa, nós também temos um campeão na nossa casa!’ Chris pegou um copo também ‘Gabriel está sob o nosso teto, e por mais que ache o Reno legal, é pra ele que vou torcer. Família vem em primeiro lugar...’ Riu

‘Eu também gosto muito do Reno, mas acho que vou torcer pro Gabriel também, sabem...’ Falei rindo ‘Que o diretor não nos ouça!’

‘O baixinho é gente boa, mas é obvio que minha torcida é toda pro lobão!’ Ty falou entusiasmado, alto o suficiente para todo mundo ouvir ‘Beauxbatons vai ganhar!’

‘A Avalon também está abrigando uma campeã então’ Evie falou animada ‘Isso com certeza vai ser um balde de água fria na enjoada da Inês, alguém na casa vai aparecer mais que ela’

‘Tia Louise vai cair pra trás quando souber disso’ Miyako falou e ela e Ty riram ‘E acho que o Biel ainda não ta acreditando muito não’

Rimos da reação do Gabriel ao ouvir seu nome e esperamos até que ele e Gina saíssem da sala para comemorarmos mais. Gabriel não parava de apertar a mão dos colegas de Beauxbatons que vinham cumprimentá-lo e Griffon dizia em alto e bom som que Gina agora ia ficar mais famosa que o namorado dela, Harry Potter. Aproveitamos a festa no salão por mais algum tempo, mas não demorou muito até que ela fosse transferida para a Esparta. Afinal, o dia seguinte era sábado e nas repúblicas a festa não teria hora pra acabar...

Wednesday, October 22, 2008

-...E assim que der, vou terminar o namoro.
- Porque? Perdeu o interesse?
- Não, ela é incrível, mas vamos ter o Torneio Tribruxo e outras garotas vão estar pela escola, não quero estar preso, com tantas novidades por aqui. - e ambos riram, e depois Luka continuou:
- E Ivanovitch está me olhando diferente, acho que ela está desconfiada...
- Aquela garota sempre foi enxerida, e se ela falar com as amigas... Se a Evie começar a desconfiar, vai correndo contar ao meu avô. Agora ela está valente, desde que começou a namorar aquele lá...- resmungou Max.
- E com os visitantes aqui, eu teria que redobrar os cuidados, você sabe que aquele idiota está voltando. Há alguns dias deixei de dar a poção a ela, e nem renovei a Império, sabe que ela vai perdendo o efeito.
- É, e ela é jovem, se recupera rápido. - e Luka continuou:
- E para ajudar, meu pai diminuiu a minha mesada por causa da minha ‘insubordinação’. Preciso ficar na moita, por uns tempos.
- Eu falei que ela não valia o risco. - e recebeu um olhar irritado do outro:
- Ela vale o risco Max, mas não estou disposto a passar um ano brigando com meu pai por alguns galões. E quanto ao namoro da sua irmã, não se preocupe, as coisas vão se acertar no futuro, de um jeito ou de outro.

o-o-o-o-o-o

‘Querida maninha...

Como vão as coisas por ai? Soube que haverá o torneio Tribruxo. Isso é demais!
Queria muito estar estudando ainda e poder fazer parte, mas já que não posso, vou torcer pelo campeão de Durmstrang. E se o campeão for você, pode contar que vou dar um jeito de estar presente nas provas, nem que seja para limpar bosta de dragão, já tenho experiência, fiz isso no de Hogwarts e pude ver tudo de pertinho.
Sabe agora que me casei, o pai de Irina me arrumou um emprego no Ministério. Vou trabalhar no Departamento para Regulamentação das Criaturas Mágicas, na divisão de feras, seres e espíritos. Acho que vai ser bom. Uma nova vida, um novo trabalho.
Irina está feliz e manda um abraço a você.
O outro motivo desta carta além de sentir sua falta é para contar uma novidade: Irina está grávida! Não, não foi durante a lua de mel, ela já se casou grávida e optamos por não contar aos nossos pais. O pai dela é daquele jeito seco, não receberia muito bem a novidade e nossa mãe, já surtou quando organizou o casamento, imagina se fica sabendo que vai se tornar avó? Sua vida teria virado um inferno, quer dizer, eu sei o quanto você penou, papai me manteve atualizado, obrigado por tudo. Mas teria sido pior, se você também tivesse que providenciar um chá de bebê não é?
Uma decisão com relação ao bebê já foi tomada: queremos que você seja a madrinha, seja menino ou menina. Você gostaria? Espero sua resposta.
Sabe estes dias andei sonhando que eu e você estávamos tomando uma poção estranha e ouvíamos ordens sussurradas...Sabe que cheguei a sentir o cheiro adocicado?
Estranho não é?
Irina disse que é influência pela gravidez dela... Deve ser isso, afinal é uma mudança e tanto saber que vamos ter um filho.
Espero que você esteja bem e feliz,
Do seu irmão que a ama
Y.K.”


o-o-o-o-o

Já havíamos tirado nossas coisas do nosso quarto e tentávamos mudar para o quarto que seria de Inês. Era óbvio, que 5 garotas num quarto projetado para duas, geraria muitos esbarrões, manchas arroxeadas nas pernas, e uma tensão que ia além do aceitável.
- Vamos ter que colocoar duas beliches para cabermos aqui e uma tem que dormir numa cama auxiliar...- Dizia Nina, que sempre gostava de planejar as coisas.
- Precisamos é dar um jeito de trazer a Inês aqui e fazer a tal beliche cair por cima dela. Uma morte acidental e dolorosa. - resmungou Annia, depois de levar na cara a porta do guarda roupa, lotado, se recusando a fechar.
- Eu não posso dormir no alto do beliche, posso cair e me machucar...Talvez até ficar inválida. Altura me dá vertigem. - disse Vina dramática.
- Mas eu não acho justo só uma dormir na cama auxiliar, temos que nos revezar, até esta situação se resolver. - eu disse, tateando o chão, procurando uma caixa para guardar meus sapatos e desistindo. - Precisamos de mais alguns metros de quarto. Já viram que vamos ter que levantar mais cedo pa conseguir chegar a tempo no banheiro? Este quarto é muito longe. - resmunguei.
- Não vamos conseguir resolver isso logo, ela nos pegou direitinho. Precisamos bolar um plano à prova de falhas... - disse Evie desgostosa, enquanto amarrava uma trouxa com roupas limpas e pendurava num prego na parede.
Estávamos pensando na possibilidade de sortear para ver quem iria dormir na cama auxiliar, quando uma batida na porta nos interrompeu. Era uma menina do primeiro ano me avisando que Luka queria falar comigo.
Terminamos nosso sorteio e eu fui a feliz ganhadora de uma semana agradável, na cama dobrável ¬¬.
Quando desci, Luka estava olhando pela janela, e se virou quando me viu. Saímos porta afora, e começamos a andar de mãos dadas e trocando beijos, quando eu comentei:
- Como está se sentindo titio?
- Titio?
- É, vamos ser tios, Yuri me mandou uma carta dizendo que Irina está grávida. Não é legal? - disse animada e ele me olhou descrente:
- Grávida? Mas que idiota.
- Como assim idiota? Estar grávida é uma coisa maravilhosa e Yuri está muito feliz.
- Porque é um bobão. Eles estão começando a vida agora, e ter um filho é muito precipitado, pra não dizer irresponsável.
- Meu irmão não é bobão, e nem irresponsável, e muito menos sua irmã. Devemos ficar felizes por eles e apoiá-los.
- Ah sim, ficar contente quando voltarmos para casa, e ter um fedelho gritando no seu ouvido, impedindo-a de dormir. Porque minha irmã vai estar gorda demais para se levantar e calar a boca do garoto. Realmente isso é maravilhoso. - disse sarcástico e continuou:
- Mas não vim aqui falar disso, pouco me importa. Quero saber porque você e suas amigas armaram pra Inês. Vocês nem a conhecem direito.
- Peraí: Eu não estou ouvindo isso. Você veio aqui tomar as dores da enjoada?
- Não estou tomando as dores dela, só acho que vocês pegaram pesado com o trote, e...
- Mas quando vocês jogaram as roupas do Micah e do Ty no lago, vocês acharam que foi muito divertido, e vocês nem os conheciam também.
- Isso não tem nada a ver, e no final mostramos que eles não eram legais, viu o que fizeram no meu quarto?Com as coisas do Max e do Chris?
- Eles apenas reagiram à altura. No caso da Inês, bastava ela ter reconhecido que não conseguiria e pagar o castigo. Mas não, ela achou que podia fazer tudo e quando deu errado, ela correu e pediu ajuda ao papai.
- Claro que ela iria pedir ajuda ao pai, ela estava sozinha contra vocês, e é nova na escola, isso é normal.
- Normal?? Poupe-me Luka, Inês não vai estar sempre na sombra do pai, precisa aprender a se garantir sozinha. Se fosse uma de nós no lugar dela, não haveria esta comoção toda.
- Cresça, Milla. Você não percebe que ter inimizade com ela, pode prejudicá-la? Meu pai...
- Ahá! Chegamos ao ponto: Para o seu pai se envolver nisso é porque deve ser amigo do Ministro.
- Sim, ele é. E não me interessa perder esta amizade, e você devia tomar juízo.
- Está na hora de tomar o juízo mesmo. Porque eu não ligo para as opiniões do seu pai, e não vou me esforçar para ser amiga da Inês. Por mim ela que se exploda e você pode ir junto, já que não me apóia.
- Você não fala sério...Você quer alguém que pule no fogo com você quando você fizer besteira, e isso eu não vou fazer.
- Então não dá para continuar este namoro. Aliás, nem namoro direito é, pois basta seu pai estalar os dedos e você corre Ivanov. E não preciso que me apóie quando eu fizer besteira, posso arcar com as conseqüências sozinha, só preciso saber que você não vai estar contra mim. - disse decidida ele me olhou dizendo superior:
- Então é o fim. Eu não devia ter deixado a atração que sinto por você ter chegado a este ponto, e...
- Luka me faz um favor? Poupe-me deste discurso, nós ficamos juntos por livre e espontânea vontade. Agora é cada um por si, e vamos nos limitar a sermos colegas de escola, e bons vizinhos quando sairmos daqui. - ficamos nos encarando por alguns segundos e acho que ele pensava estar vendo um ser de outro planeta, suspirei impaciente, virei-lhe as costas e voltei para a Avalon, foi a melhor coisa a se fazer, eu guardaria a minha raiva para quem de fato a merecia.

When you come home (re, re, re ,re)
Or you might walk in (respect, just a little bit)
And find out I'm gone (just a little bit)
I got to have (just a little bit)
A little respect (just a little bit)

R-E-S-P-E-C-T
Find out what it means to me
R-E-S-P-E-C-T
Take care

N.Autora: Refrão de Respect, Aretha Franklin

Wednesday, October 15, 2008

Georgia passou com cara de poucos amigos porta adentro e descemos correndo, praguejando contra Inês no caminho.

‘Se ela nos dedurou, eu acabo com a raça dela!’ Annia esbravejou amassando uma cabeça imaginaria

‘Claro que ela nos dedurou Vocês viram a cara da Georgia, ela vai comer nosso fígado!’ Comentei sentindo meu estomago afundar

Ela já estava nos esperando quando chegamos à sala e Inês já havia desaparecido de vista. Tomamos nossos lugares na mesa, mas dessa vez Georgia nem esperou até que todas já estivessem sentadas para começar o sermão.

‘Muito legal meninas, muito legal mesmo! Até quando acharam que essa iam conseguir esconder essa brincadeira idiota?’ Começou a falar andando de um lado pro outro

‘Estávamos nos mantendo positivas de que você não fosse descobrir’ Milla respondeu sincera e prendemos o riso

‘Têm idéia de que tive que mentir pro diretor?’ Georgia a ignorou. Ela gesticulava tanto que estávamos receosas de receber um tapa sem rumo ‘Ele ficava perguntando o que era a lista e eu dizia que não sabia, que devia ser algum tipo de desafio entre os calouros, mas claro que ninguém acreditou. Estão alegando que foi trote, o que eu digo a eles?’ E pela primeira vez, Georgia parecia não saber a resposta

‘Que ela usa drogas?’ Annia arriscou

‘Ela nos dedurou, você quer uma dedo-duro na Avalon?’ Nina arriscou quando Goergia fechou a cara pro comentário de Annia

‘Ela não dedurou vocês, e pra ser sincera, nem foi preciso! O diretor me entregou a lista cobrando explicações e deduzi sozinha. Inês nem abriu a boca, não ouço a voz dela desde que saiu daqui de tarde pra cumprir as tarefas dessa lista que vocês criaram!’

‘Que seja! Qual é, Georgia? Vina se estressou ‘Se fosse qualquer garota ninguém ligaria, mas é só porque ela é Inês Molotov’

‘Ela vive sob observação e ficando aqui, nós também vamos ficar submetidas a isso’ Georgia parecia não gostar da imagem que plantei

‘É!’ Milla aproveitou a deixa e tentou reforçar ‘Não seria melhor se...’

A frase de Milla foi cortada com o barulho da porta da sala abrindo. Inês entrou vestida em um terninho que parecia ter sido emprestado pela avó e com cara mais lavada do mundo, cara de santa e arrependida.

‘Posso tomar um minuto do tempo de vocês?’ Falou com aquela voz de menina de 9 anos, e torci o nariz

‘É uma reunião fechada, somente para o conselho’ Georgia respondeu cansada

‘Vai ser rápido’ Georgia assentiu e ela entrou, fechando a porta ‘Eu sei que cometi um grande erro. Extrapolei com essa caça de itens, mas eu só estava tentando deixar minhas irmãs orgulhosas’ Ela andava de um lado pro outro ditando aquele discurso falso e olhava para as meninas com cara de nojo

Achamos que ninguém compraria aquela porcaria, mas quando ela parou de falçar, Georgia estava com cara de comovida. Milla me olhou alarmada, já sabíamos aonde aquilo ia parar.

‘Ah Inês, você não precisa provar nada a ninguém, todo mundo aqui adora você!’

‘Er... Há controvérsias!’ Levantei a mão, mas Nina me beliscou

‘Seu discurso é muito bonito, mas nós ainda temos que responder ao diretor’ Nina cortou a falsidade dela

‘Já está tudo resolvido’ Inês disse simples e quando não entendemos, sorriu de um jeito que deveria ser gentil, mas não soou bem assim ‘Meu pai, o Ministro, acabou se envolvendo. Ele falou com o diretor e com a presidente sênior da Avalon e sugeriu que seria mais interessante para todos esquecer isso tudo. Então, foi esquecido’ Ela fez um aceno teatral, sem conter o sorriso de satisfação ‘Eu não permitirei que o meu infeliz julgamento afete minhas irmãs’ Ela parou atrás de mim e apertou meu ombro, sorrindo sinistramente, e controlei o impulso de estapear aquela cara falsa ‘E por todo o transtorno que causei, meu pai ofereceu nossa casa em Aruba para passarmos um fim de semana, só as meninas da Avalon’

O que era um silêncio fúnebre se transformou em falatório com o convite repentino. Até eu me empolguei de inicio, mas quando Georgia saiu abraçada a Inês já fazendo planos para o fim de semana em Aruba, a ficha caiu: a safada tinha dado uma volta na gente. E nós caímos direitinho...

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Mais tarde...

A noite de sono já havia sido totalmente arruinada pelos eventos consecutivos e, desistindo de lutar contra a vontade de fofocar, nos largamos cada uma em sua cama e nos revezávamos para falar mal de Inês e de como ela nos manipulou tão bem, a ponto de nos fazer esquecer por breves segundos que a odiávamos. O relógio já marcava mais de 3 da manhã quando alguém bateu na porta e o rosto sorridente de Georgia apareceu. Pelo visto não éramos as únicas sem sono.

‘Boas noticias!’ Ela já foi entrando ‘Tudo foi realmente resolvido e esquecido. Mas tem um porém...’ Ela fez uma breve pausa, mas foi tempo suficiente para trocarmos olhares preocupados ‘Inês quer o quarto de vocês’

‘Ela não pode ficar com o nosso quarto, isso é ridículo’ A principio rimos, mas quando Georgia se manteve séria, Vina protestou.

‘Me expliquem uma coisa... Como Inês recebeu tantas coisas difíceis na caça aos itens?’ Georgia fingiu uma cara pensativa

‘Ela não recebeu coisas difíceis’ Annia negou

‘Professor sem roupa, prostituta de meia idade?’ Listou, indignada

‘Ora Georgia, foi só uma piada!’ Falei rindo e Georgia riu também, mas depois ficou séria
‘A questão é que essa piada nos rendeu uma bronca e agora os professores sabem que existem trotes nas repúblicas. Vocês tomaram implicância com ela e perderam o controle da brincadeira. Vocês colocaram a gente em perigo devido ao trote’

‘Não achamos que ela faria’ Protestei

‘Mas ela fez! E nós poderíamos estar em observação, ou pior, servir de exemplo e sermos expulsas. Vocês colocaram essa disputa idiota antes da republica. Então se a condição para que Inês não mude de idéia e diga a verdade é ter esse quarto, ela terá. Vocês ficam com o quarto do 2º andar, que seria o dela’ Disse em tom decidido e saiu do quarto ‘Se entendam com ela quanto ao tempo que vão levar para fazer a mudança’ E bateu a porta.

Ficamos mudas encarando a porta alguns segundos, mas que pareceram uma eternidade. Quando o efeito do transe passou, nos encaramos em silêncio e não foi preciso falar nada para saber que o pensamento era um só: se ela estava disposta a encarar uma briga, então que estivesse preparada, porque íamos até o fim!

Podemos ter perdido a batalha, mas não perdemos a guerra! E ela estava apenas começando...

Sunday, October 12, 2008

‘Bom dia, calouros!’ Ivan berrou abrindo a porta da cozinha ‘Espero que ninguém tenha... Oh! Micah, todo seu’

Os calouros entraram se arrastando, todos quase desmaiando, e caminhei até uma figura pequena dormindo encolhida no jardim. Era um menino um pouco baixo para 11 anos e muito loiro. Bati palma e ele acordou. Quando me viu, levantou do chão assustado. Era Filipe, o primo da Evie.

‘Acho que vai precisar disso’ Atirei um par de chinelos nele e olhei o quintal todo limpo ‘Bom trabalho com a erva daninho, não sobrou nada’

‘Fui o único candidato que dormiu?’ Perguntou olhando em volta e vendo o quintal vazio ‘Ah droga, não acredito que me deixaram dormir!’

‘Relaxa, você não é o primeiro e não vai ser o último’ Ri

‘O que acontece com quem dorme?’

‘Geralmente os próprios calouros cuidam deles’ Apontei pro pé dele e ri ‘Eles se superaram esse ano’

‘Eles pintam o seu pé de azul?’ Disse alarmado, meio em estado de choque ‘Eles pintaram meu pé’

‘É, mas eles pintam porque se importam, você foi notado’ Tentei encorajá-lo, mas era difícil não rir

‘Quando eu disse que gostava de alquimia, me olharam como se eu fosse um doente terminal’

‘Eles não te conhecem ainda, dê tempo a eles. Vamos entrar, Ivan vai passar algumas instruções’

Empurrei o garoto pra dentro da casa ainda em estado de choque. Era difícil não rir. Além de ter os pés pintados, ainda tinham unido suas sobrancelhas com caneta preta e cortado o fundo das calças, mas ele ainda não tinha reparado nesses detalhes, e esqueci propositalmente de contar. Ele se postou ao lado de Wes na sala e os outros começaram a rir, mas pararam quando Ivan pigarreou.

‘Parabéns. Todos sobreviveram à noite no jardim. Quer dizer, quase todos’ E olhou para Filipe, que abaixou a cabeça sem graça ‘Como somos veteranos muito bons, vamos deixá-los dormir por 2 horas antes de começarmos nossas atividades diurnas’ Alguns protestaram, mas Ivan fez com que se calassem outra vez ‘Duas horas é mais que suficiente para repor as energias, mas se preferirem podemos começar as atividades agora mesmo’

Os que não protestaram olharam ameaçadores para os reclamões e todos concordaram com as duas horas de sono. A maioria nem se deu ao trabalho de ir para o quarto, e se espalharam pelo chão da sala mesmo. Voltamos para a sala de reunião para começar a acertar os últimos detalhes. O dia seria movimentado para eles.

ººº

Passamos o dia inteiro na praça da cidade delegando tarefas malucas aos calouros. Filipe passou o dia todo com os pés pintados de azul e o rosto riscado, mas estava tão preocupado em nos impressionar e fazer os amigos calouros gostarem dele que não se importou e acabou sendo um dos mais empenhados nas tarefas. Ivan havia dispensado todos eles pra fazerem o que quisessem pelo resto da noite antes de seqüestrarmos todos outra vez e fui com Evie e o resto do pessoal pro Dobbler’s, o pub novo da cidade. Era o novo point da escola toda sexta e sábado se esbarrava com toda Durmstrang lá dentro. E como era só o 1º fim de semana de aula, o assunto eram os trotes. Evie disse que ia até o balcão pegar mais bebida e saiu de perto da roda, mas demorou tanto a voltar que fui procurá-la.

‘Por que essa demora toda?’ Parei atrás dela no balcão e notei a presença de Derek, o ex-namorado.

‘Erik’ Cumprimentei com a cabeça ‘Tudo bom?’

‘É Derek’ Ele me corrigiu

‘Tanto faz’

‘Só estava pagando um drink a ela’ Ele justificou

‘Você não tem sua própria namorada pra pagar drinks?’ Envolvi meu braço ao redor do ombro dela, querendo marcar território. Era mais forte que eu, não podia evitar.

‘Relaxa, cara. Evie e eu só estávamos conversando sobre os calouros’

‘Ah sim, como vão os trotes na Chronos? Já mataram os calouros de tédio?’

‘Ao menos não os fazemos passarem por humilhações. Por que mesmo fazem isso com eles?’

‘Para nossa diversão?’ Ri

‘Vi o primo dela passando na rua parecendo um mendigo. Vejo que estão fazendo muito bem a eles’

‘Pelo menos não precisamos treinar nossos calouros, eles já arrasam qualquer outro’ Provoquei e ele se mordeu

‘Está dizendo que os seus calouros são melhores que os nossos?’

‘Não fui claro? Deixe-me esclarecer. Nossos calouros arrasam os de vocês qualquer dia’

‘Isso é um desafio?’

‘Ah, por favor, parem com isso’ Evie resmungou, mas continuamos

‘Calma, meu amor’ Abracei ela mais forte e encarei-o ‘De que tipo de competição estamos falando? Quem tem o melhor suéter tricotado pela vovó?’

‘Nós podemos acabar com vocês em qualquer coisa, então pode escolher o desafio’

‘Beer-pong, amanhã às 18h, na nossa república’ Estendi a mão e ele apertou

‘Prepare-se pra dançar’ E saiu do balcão


‘Isso era mesmo necessário?’ Evie se virou para mim entediada ‘Que disputa ridícula entre vocês dois! Não tenho mais nada com ele, não precisa ficar marcando território desse jeito’

‘Ele que falou em desafio primeiro. E não esquenta, vai ser bom um duelo de repúblicas logo no começo do ano, que já abaixa a crista deles. Acham que podem dizer o que fazemos com os nossos calouros, são muito abusados’

‘Pra falar a verdade, foi bom mencionar isso. Não sei exatamente o que vocês estão fazendo dentro da república, mas pega leve com o Filipe, ok? Isso é tudo muito novo pra ele e não queria que ele ficasse marcado. Não sei se você notou, mas ele é um tanto quanto nerd’ Ela riu

‘É, eu percebi. Como ele veio parar aqui? Pensei que tinha dito que os gêmeos iam pra escola da Espanha’

‘Luísa foi, mas Filipe disse que 11 anos era a idade para se emancipar dela, e preferiu vir pra cá. Ninguém da família queria, porque ninguém acredita que ele vá sobreviver à semana de trotes’

‘Não se preocupe, ele vai ficar legal’

‘Espero que sim’ Ela bebeu o drink que Derek deixou e riu ‘Beer-pong? Isso vai ser divertido’

ººº

Às 18h do domingo os calouros da Chronos chegaram à Esparta para o desafio de beer-pong. A competição ia ser apenas entre os calouros do 1º ano e estavam todos nervosos. Evie contou que o desafio seria beer-pong e as meninas apareceram para assistir e torcer pelos nossos calouros.

O jogo era simples. Cinco copos cheios de cerveja amanteigada ficavam postados nas duas pontas da mesa. O adversário tinha que acertar a bolinha de ping-pong dentro do copo. Se acertasse, o adversário bebia o copo. Quem bebesse os cinco copos primeiro, perdia. Eram 7 calouros de cada lado e Filipe ficou para competir por ultimo. O jogo empatou em 3 a 3 e estava nas mãos dele desempatar para a Esparta.

‘Como faço mesmo?’ Me perguntou nervoso com a raquete na mão

‘Basta acertar a bola dentro do copo’ Apertei seu ombro o sacudindo e ele mirava os copos do adversário ‘Sua vida depende disso, não nos decepcione’

‘Valeu, isso ajuda bastante’

‘Eu faço o meu melhor. Agora vai lá e acaba com ele’

Derek apitou o inicio da partida e Filipe sacou. E logo de primeira acertou o copo do garoto. Nosso lado comemorou e ele me olhou animado.

‘Isso é igual à ping-pong! Eu fui campeão dos escoteiros!’ Disse empolgado e olhei para Evie rindo.

‘Seu primo era um escoteiro? Ele é mesmo único’

Filipe voltou à atenção a mesa quando o garoto da Chronos bebeu o copo inteiro e foi uma sucessão de bolas no copo. Filipe não deu chance a ele de acertar uma bola sequer em seus copos e os fez beber os 5 seguidos. O garoto caiu bêbado no gramado e nossos calouros erguerem Filipe do chão.

‘Viu?’ Abracei Evie olhando os calouros comemorando com Filipe no ombro deles, de braços erguidos ‘Ele vai ficar bem’


Don't worry about a thing,
'Cause every little thing
Gonna be all right

Bob Marley - Three Little Birds

Thursday, October 09, 2008

República Esparta, sexta-feira, 21h.


‘Tudo pronto?’ Nicolas abriu a porta da sala

‘Sim, estamos prontos’ Chris conferiu o papel em sua mão e os outros confirmaram com a cabeça ‘Vamos pegar os calouros’.

Os 10 garotos riram e abaixaram o capuz que cobria seus rostos. Bateram a porta da república ao saírem e se espalharam pelo campus. A noite do trote estava começando.

ººº

Biblioteca do Campus, 21h15min.

‘Não vou fazer Alquimia, Evie, sem chance’ Wes corria os olhos pelas folhas perdido ‘Se você está me dizendo que em 7 anos ainda não consegue transmutar grandes coisas, não há esperança pra mim’

‘É, você está certo em nem começar’ Evie escrevia em um pergaminho enquanto conversava com o amigo ‘E também, só temos mais esse ano. Pra que se matar tentando entender uma coisa que nem vai usar mais?’

‘Calouro’ O espelho preso na capa de Wes vibrou e ele logo se alarmou ao ouvir a voz de Micah ‘Você tem 5 minutos pra chegar à república ou sofrerá as conseqüências’.

‘Droga! Tenho que ir!’

Wes levantou com um único pulo e abraçou o material de qualquer jeito, correndo desabalado. Evie sacudiu a cabeça e começou a rir. Não era nada fácil ser calouro.

ººº

O caminho da biblioteca até as repúblicas era longo e Wes corria o mais rápido que suas pernas e a semana cansativa de aula permitiam. Já podia avistar, ainda que um pouco distante, as casas que abrigavam as repúblicas e apertou o passo, mas um par de mãos agarrou suas vestes e alguém enfiou um capuz em seu rosto. Três vozes distintas riam e dois de seus donos o ergueram do chão e saíram correndo.

Foi atirado sem cerimônias no chão e instruído a não remover a venda, ou as conseqüências seriam grandes. Ficou sentado no canto sem enxergar nada, mas sabia que outros calouros se encontravam na mesma situação. Alguns minutos se passaram e vários passos foram ouvidos. Ouviram uma porta abrir em seguida e os risos que acompanhavam os passos cessaram.

‘De pé!’ A voz grave de Ivan invadiu o quarto e todos levantaram ‘Removam o capuz’

Os calouros arrancaram o capuz que cobria seus rostos e iam encarando uns aos outros, reconhecendo os rostos das vitimas ali presas. Wes logo notou Ricard e Victor de pé um pouco mais a frente e caminhou até eles. Micah e Chris estavam de pé ao lado de Ivan, o presidente da Esparta, e Nicolas, o vice-presidente. Os quarto, assim como os outros 6 garotos atrás deles, mantinham os braços cruzados e uma expressão intimidadora.

‘Boa noite, calouros’ Ivan começou a percorrer a sala e os olhos dos calouros acompanhavam seus passos, atentos ‘ Vejo que todos chegaram no horário’ Os veteranos riram, mas logo pararam ‘Mas vou ter que pedir para pagarem 20 flexões mesmo assim, pois ninguém teria chegado no horário se não fosse nossa ajuda!’

‘É sério? Todos?’ Ricard perguntou descrente

‘Todos vocês!’ Micah berrou e a maioria já foi se atirando no chão ‘O sucesso de um irmão é o sucesso de todos e a falha de um afeta a todos, então quando delegamos uma tarefa, vocês têm que executá-la JUNTOS!’

O único som que se ouvia agora eram nossas respirações pesadas e do esforço para concluir as 20 flexões sem prejudicar aos outros. Ivan ia caminhando entre os calouros, observando com atenção.

‘Bem vindos à noite do trote. Eu sou o presidente da Esparta, irmão Chambers, e é meu dever transformá-los em espartanos. Auto-melhoramento, liderança e dedicação. E parte da dedicação é pontualidade’ Wes sentiu algo pesado cair em suas costas ‘A capa dura que estão sentindo nas costas é o livros dos iniciados da Esparta. Vocês serão testados por ele. A iniciação não serve apenas para humilhá-los, também tem o propósito de transformar os garotos comuns fazendo flexões nessa sala em verdadeiros espartanos’ As 20 flexões pedidas terminaram e todos ficaram de pé, encarando o grosso livro nas mãos. Micah empurrou um carrinho grande coberto com um pano para a sala e Ivan descobriu, revelando 10 blocos de gelo muito grandes ‘Vocês tem uma hora para derreter esses blocos de gelo. Ah sim, tem uma condição. Não podem usar nada mais que a boca. Por que ainda estão parados? VAMOS!’

Os calouros se encararam sem reação e os 10 veteranos sacudiram a varinha, lançando cordas que imediatamente prenderam suas mãos às costas. Os veteranos saíram da sala e Victor foi o primeiro a se aproximar dos blocos de gelo e lamber um. Quando viu que ninguém mais se movia, os encarou.

‘O que estão esperando? É muito gelo pra pouco tempo!’

‘Isso mesmo, gente, não vamos querer sofrer as conseqüências, seja lá quais forem!’ Wes se adiantou e começou a roer o gelo também

Os demais correram para ajudá-los e os 10 blocos de gelo foram cobertos por cabeças se esbarrando.

ººº

55 minutos depois

‘Wade, vá conferir como nossos calouros estão se saindo’ Ivan falou recolhendo o baralho ‘Estão muito quietos’

Micah levantou da mesa e caminhou até a sala. Os calouros ainda tentavam derreter o gelo. Estavam todos ensopados e suando, mas restava apenas um bloco de gelo que Wes, Ricard e Victor lutavam para eliminar, roendo depressa. Voltou para a sala de jogos rindo.

‘Estão quase terminando, mas os primeiranistas estão esgotados’ Comunicou aos outros veteranos.

‘Ótimo, assim vai ser mais difícil se manterem de pé até amanhã’ Chris riu maldoso

Todos levantaram, caminhando para a sala. Ivan conferiu o relógio e esperou que a hora chegasse ao fim. Alguns calouros notaram a presença dos veteranos assim que eles entraram na sala, mas outros mantinham a atenção nos últimos vestígios de gelo.

‘Tempo esgotado’ Ivan anunciou e os três se afastaram. Aproximou-se com Micah, Chris e Nicolas e examinaram a mesa ‘Bom trabalho, iniciados. Bom trabalho. Pena que não terminou aqui’

‘Acharam mesmo que era só isso?’ Chris riu outra vez quando os calouros se espantaram ‘Essa é a primeira noite da semana dos infernos que vocês terão’

‘Irmão O’Shea está certo, não terminou aqui’ Ivan tornou a falar ‘Todos para o jardim dos fundos’.

Ivan e Chris saíram na frente e os outros veteranos empurravam os calouros para fora da casa. Micah e Nicolas ficaram para trás para levar os últimos e aglomeraram todos em um circulo desenhado na grama do jardim. Todos tinham expressões que misturavam tensão e curiosidade.

‘Irmão Wade, quer ter a honra?’ Ivan indicou os calouros para Micah, que se adiantou.

‘Os espartanos são fortes e capazes de resistir a dias sem dormir a espera do inimigo’ Micah caminhava em volta do circulo ‘Vocês vão passar a noite aqui. Não podem dormir e nem entrar na casa. O primeiro calouro que dormir...’ Micah olhou para alguns alunos do 1º ano, que se encolheram 'Bom, acho que não preciso completar essa frase, não é mesmo?’

‘Vemos vocês amanhã Chris acenou divertido e os veteranos entraram

‘E não se enganem, pois estaremos de olho a noite inteira’ Ivan comunicou antes de fechar a porta.

‘É galera, é isso... Alguém tem um baralho ai?’ Wes sentou na grama cansado e os outros riram. A noite ia ser longa...

Tuesday, October 07, 2008

O sábado livre chegava ao fim e pouco antes das 20h voltei com as meninas para a república. O prazo para as calouras entregarem as tarefas estava chegando ao fim e tínhamos que estar todas lá para avaliar. As novinhas foram as primeiras a voltar, já estavam todas aguardando ansiosas na sala quando chegamos e Nina e Annia se juntaram ao grupo delas para recolher as fotos. As nossas não deram sinal de vida até o relógio marcar 20h em ponto, quando a porta abriu e entraram todas de uma vez só. Todas, menos Inês. Vina, Milla e eu nos olhamos e prendemos a risada, indo receber as outras quatro.

Das quatro calouras que entregaram o que pedimos, Tatiana foi a que se destacou. Ela era a mais empolgada e conseguiu todos os itens da lista. Enquanto conferíamos os demais, ela ia contando como conseguiu cada uma das fotos com uma empolgação tão grande que nossa vontade era de estrangular ela pra que calasse a boca um pouco, mas apenas sorrimos e ouvimos. Coitada, ela só era animada, talvez até um pouco demais. Georgia aprovou as quatro para a próxima fase do trote e dispensamos todas as calouras, indo para o quarto.

‘Aonde será que a Inês se meteu?’ Perguntei curiosa enquanto me jogava na cama

‘Tomara que tenha explodido!’ Milla respondeu e rimos

‘Deve ter desistido e ficou com vergonha de voltar’ Vina chutou

‘Será que ela foi procurar abrigo em outra republica?’ Nina perguntou intrigada

‘Vamos torcer pra isso!’ Annia puxou um jogo de snap explosivo da mala e sacudiu na mão ‘Alguém topa uma partida?’

Amontoamos-nos no chão para jogar e passamos horas sentadas naquela roda. Vez ou outra alguém descia na cozinha para busca comida e bebida, e o jogo continuava firme. Já devia ser quase meia noite quando bateram na porta do quarto e Georgia entrou sem cerimônia, de pijama e roupão.

‘As cinco na sala agora, reunião’ Disse autoritária e saiu do quarto.

Trocamos olhares intrigados e cansados, mas recolhemos as cartas e descemos atrás dela. O Conselho da Avalon já estava todo sentado em volta da mesa de reunião. Georgia andava de um lado para o outro, tensa. Ocupamos nossos lugares e comecei a me preocupar. Pra que aquele mistério todo?

‘Meninas, nós temos um problema’ Georgia começou, sem nem ao menos sentar ‘A professora Mira esteve aqui há alguns minutos, me comunicando que Inês Molotov está retida na sala do diretor desde as 19h. Ela foi pega tentando invadir o banheiro dos professores com uma câmera na mão. Alguém tem alguma idéia do que ela estava tentando fazer?’

‘Eu sabia que essa garota seria um problema’ Falei como se não soubesse do que ela estava falando ‘Tentamos avisar, mas você não nos deu ouvido, Georgia’

‘Pois é, olha só o que ela fez!’ Milla entrou na onda comigo

‘Ela não explicou o que estava fazendo?’ Vina pareceu um pouco mais preocupada que nós duas

‘Não, a professora disse que o diretor já fez todos os tipos de pergunta possíveis, até a ameaçou com veritasserum, mas ela não emite um único som. Eles não vão liberá-la até que fique claro o que ela estava tentando fazer’

‘Bom, parece obvio pra mim’ Annia começou muito séria ‘Inês estava tentando conferir os professores sem roupa, e talvez guardar uma recordação’

‘Annia pode estar certa, sabe como são esses filhos de pessoas importantes, acham que podem fazer tudo sem sofrer as conseqüências’ Dei mais corda. Não íamos confessar nem sob tortura.

‘Não sei se o problema é esse, mas acho que foi mesmo um erro mantê-la aqui’ Georgia ponderou e sorrimos vitoriosas, mas disfarçamos ‘Em todo caso, não sei se mais alguma republica vai aceita-la a essa altura do campeonato, mas vou ver o que posso fazer’

‘Não se preocupe com trocá-la de republica, porque depois dessa, acho que ela vai ser expulsa’ Milla levantou da mesa bocejando ‘Estou com sono, tem mais alguma coisa pra discutir?’

Georgia fez sinal com a mão nos dispensando e saímos da mesa. Subimos correndo para o quarto e assim que Vina bateu a porta, caímos na gargalhada. As risadas eram tão altas que sem duvida os quartos do andar de baixo podiam nos ouvir. Vimos quando Georgia saiu da república e caminhou na direção do castelo, parecendo furiosa. Mas depois de um tempo paramos de rir e acho que pensamos todas a mesma coisa: o que vai acontecer se ela contar a verdade? A dúvida pairou sobre o quarto por intermináveis 40 minutos, tempo que levou para que Georgia voltasse para a república com Inês ao lado. Ela olhou para a janela do nosso quarto e nem deu tempo de se esconder, então a encaramos de volta. Inês olhou para cima também e abaixou a cabeça, entrando rápido. Georgia sustentou a nossa encarada e sacudiu um papel amassado na mão, fazendo sinal para descermos outra vez.

‘É, agora ferrou’ Nina falou nervosa

Fechamos a janela e caminhamos outra vez até a porta. Tínhamos jogado bosta de dragão pro alto e agora estava começando a ventar...

((Continua))

Friday, October 03, 2008

"Uma idéia que não é perigosa não merece nem mesmo ser chamada de idéia."

Oscar Wilde



‘Atenção!’ Georgia bateu com um martelo na mesa ‘Silêncio! Se não tivermos ordem, não vamos terminar a reunião!’

‘Já nos calamos, Sra. Presidente’ Milla disse com sarcasmo ‘Conclua’

Georgia fingiu não se importar e continuou a falar. Estávamos na reunião do Conselho da Avalon, formado pelas alunas do 7º ano. E a pauta dessa primeira reunião do ano era o trote nas calouras. Esse ano seria diferente, pois tínhamos 5 garotas mais velhas que mereciam um trote separado. Georgia encerrou a reunião distribuindo as tarefas de cada uma e saímos da sala.

‘Vou ajudar com as novatas’ Nina disse lendo seu roteiro ‘Ótimo, tenho algumas idéias já’

‘Eu também vou trabalhar com as calouras, vou supervisionar para que Nina não pegue leve demais com elas’ Annia comentou rindo

‘Eu fiquei com as mais velhas’ Vina disse olhando o meu papel e o de Milla ‘Oba, vocês também!’

‘Ótimo, assim vamos poder presentear aquela menina enjoada do 6º ano’ Milla comentou maldosa e rimos ‘Ô garotinha nojenta!’

‘Então eu já tenho uma idéia ótima! Vamos começar a trabalhar imediatamente!’ Disse empolgada e começamos a rir de um jeito sinistro. Pilar tinha razão: ser veterana era bom demais...

~*~*~*~*~*~

‘Silêncio, por favor’ Vina pediu, gesticulando ‘Se reúnam aqui’

As calouras mais velhas pararam de conversar e se reuniram na nossa frente. Estávamos na praça da cidade com elas, em um sábado livre. Elas eram 5: Karina e Andréa, da Ansuz e Mannaz, 5º ano; Inês, do 6º ano da Othila; e Nádia e Tatiana, Berkana e Mannaz, 7º ano. O trote que deveríamos bolar tinha que estar dentro dos padrões da Avalon, ou seja, nada que nos metesse em confusão e denunciasse todo o esquema de trote nos calouros ao corpo docente da escola. Separamos alguns itens malucos e totalmente aleatórios em umas listas e distribuímos às cinco. Elas teriam que fotografar todos os itens que pedimos e nos reportar no fim do dia.

Era a 1ª parte do trote, para elas pensarem que seria simples. Mas fizemos uma pequena brincadeira com a lista da Inês. Milla já tinha tomado implicância com ela e não era pra menos. Ela era filha do Ministro da Magia da Bulgária e achava que podia chegar mandando na republica. Ninguém gostava dela, mas Georgia fazia questão de ter aquela enjoada na Avalon, pois dizia que chamava atenção positiva pra casa. Não podíamos fazer nada, ela era a presidente, então tiramos proveito do trote. Se não poderíamos tirar ela a força, íamos fazer ela querer sair.

‘Vocês têm até às 20h para nos entregar tudo. Quem deixar algum item de fora, vai pagar penitencia’ Anunciei e todas dispersaram, menos Inês. Ela leu a lista dela curiosa e veio até nós

‘Algum problema, Inês?’ Milla perguntou cínica

‘A minha lista’ Começou, em um falso tom de descontração ‘Alguns itens são um pouco estranhos. Vocês têm certeza que as outras receberam tarefas similares? Membro do corpo docente sem roupa, uma prostituta de meia idade, um anão punk... Isso é algum tipo de brincadeira?’

‘Por acaso temos cara de quem está brincando?’ Falei me mantendo séria ‘Todas receberam tarefas do mesmo nível e já saíram para tentar obter tudo da lista. Mas se acha que não consegue, é só devolver e desistir’

‘Não, eu vou conseguir. 20h, certo?’ Vina confirmou com a cabeça e ela saiu jogando o cabelo pra trás, aquele ar arrogante infestando o ar

‘Ela não vai conseguir nem começar’ Comentei quando ela se afastou

‘Não mesmo. Vai desistir e outra republica que ature a princesinha mimada’ Milla torceu o nariz

‘Só espero não termos problemas com Georgia quando ela souber das tarefas que delegamos a Inês’ Vina parecia preocupada, mas deu de ombros ‘Ah, mas também, quem se importa?’

Começamos a rir imaginando Inês desesperada tentando fotografar todas as coisas impossíveis que listamos para ela e sentamos no banco da praça para ver os outros trotes. Micah e Chris estavam com alguns garotos do 7º ano na praça comandando o grupo de calouros da Spartacus. Todos os do 1º ano estavam descalços e corriam de um lado pro outro tentando encontrar os pares certos, para calçarem outra vez, e isso dava tempo aos veteranos de encerrar o trote com os mais velhos. Victor conversava com uma estátua sob a supervisão rigorosa de Chris, e caímos na gargalhada quando descobrimos que ele contava piadas pra ela. Ricard estava sendo supervisionado por Micah, e abordava as pessoas na rua com um copo na mão, pedindo dinheiro. Algumas davam, mas outras brigavam com ele e mandavam procurar um emprego. Wes estava sem sapatos também, e pulava corda no meio da pracinha ditando o alfabeto de trás pra frente.

De vez em quando os dois vinham sentar com a gente pra observar de longe e rir, mas logo corriam pra inspecionar algum outro calouro. Os mais velhos faziam coisas como as de Victor, Wes e Ricard, e também pulavam amarelinha no meio da rua, imitavam bichos, declaravam poemas de amor a estátuas, ensaiavam uma cantada com elas e outras coisas bizarras.

Annia e Nina se juntaram ao grupo na parte da tarde dizendo que todas as calouras estavam tendo que procurar pelas mesmas coisas das nossas calouras, mas coisas mais acessíveis, como um pássaro azul ou um professor tomando café, e se largaram no banco, cansadas. Passamos o resto do sábado apenas observando nossas calouras correrem de um lado pro outro com as listas na mão, e a única que não era vista em canto algum era Inês. Será que ela estava mesmo tentando fotografar aquelas coisas? Não, impossível. Ela nunca ia conseguir...

Tuesday, September 02, 2008

1º de Setembro de 1999

O trem parou na estação de Sofia e fiz questão de ser uma das primeiras a desembarcar. Assim que pus os pés no chão da estação e senti aquele vento gelado cortando meu rosto, me senti bem. Nunca havia sentido tanta falta de Durmstrang, e o clima de nostalgia que começava a se espalhar por ser nosso último ano ajudou bastante. Aos poucos meus amigos foram desembarcando e parando ao meu lado, e todos com aquele mesmo olhar saudoso antecipado. Micah me abraçou e mesmo tendo passado só o último ano aqui, tinha a mesma expressão no rosto.

‘Pessoal, vamos fazer esse ano ser o melhor, certo?’ Vina falou procurando apoio

‘Sim, esse tem que ser o melhor ano das nossas vidas’ Concordei com ela

‘Está combinado então’ Victor se manifestou estendendo a mão ‘Vamos fazer um pacto de que nada esse ano vai nos abalar, de que não vamos deixar nada estragar nosso último ano juntos aqui?’

‘Feito’ Micah estendeu a mão por cima da de Victor ‘Vamos fazer esse ano ser inesquecível’

Repeti o gesto deles e todos fizeram o mesmo. Estávamos dispostos a tornar esse ano inesquecível, e apenas com lembranças boas.

~*~*~*~*~*~

O jantar de boas vindas já estava chegando ao fim. Os alunos do 1º ano já estavam separados por casas e republicas e nós, que agora éramos os veteranos e responsáveis pela acomodação deles nas repúblicas, já planejávamos os trotes desse ano. Victor e Ricard anunciaram felizes que haviam pedido transferência da Osíris para a Spartacus, mas quando Micah e Chris sorriram perigosamente, se arrependeram quase que instantaneamente.

‘Uma pena Ty ter voltado pra Beauxbatons’ Micah comentou desanimado ‘Ele ia adorar ajudar a planejar o trote de vocês’

‘Que papo é esse de trote?’ Victor tentou argumentar ‘Não somos calouros, não vale. Já passamos por um quando éramos do 1º ano’

‘Nada a ver, Micah e Ty sofreram com alguns trotes ano passado. Não adianta chorar’ Chris rebateu em tom de fim de papo

‘Não faço idéia do que vamos fazer com as nossas calouras ainda, meninas’ Nina comentou enquanto olhava a lista de nomes novos na Avalon

‘Eu tenho algumas idéias’ Falei assobiando e elas me olharam espantadas ‘Pilar me deu algumas dicas da época que ela foi veterana, vocês vão rir muito’

‘E temos algumas meninas novas que não são do 1º ano’ Milla puxou a lista da mão de Nina e passou o dedo em cinco nomes estacados ‘Duas são do 7º ano, uma do 6º e duas do 5º’

‘O trote dessas tem que ser diferente, não esqueçam’ Vina comentou rindo que dava até medo ‘Tem que ser mais “pesado”, entendem?’

‘Sim, entendemos o seu intuito diabólico, Lavínia’ Annia riu ‘E ele será executado, não se preocupe’

‘Seu pai vai falar, vamos ouvir’ Nina fez sinal para encerrarmos a conversa e viramos para a mesa dos professores. O pai da Annia parecia muito empolgado e começou a dar os avisos rotineiros. Começávamos a bocejar quando ele elevou o tom da voz, voltando a falar com empolgação, e nos chamou a atenção.

‘Devo informá-los que algumas mudanças serão feitas nos campeonatos de quadribol e trancabola, mas que as mesmas serão discutidas essa semana com os professores responsáveis e seus jogadores’ Alguns alunos ameaçaram protestar, mas ele não deixou que o interrompessem ‘Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas que eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o grande prazer de anunciar que este ano Durmstrang terá a honra de sediar o Torneio Tribruxo!’

O silêncio que predominava no salão se desfez rapidamente. Um Torneio Tribruxo em Durmstrang! Agora entendia o mistério do vovô nos últimos dias de férias, dizendo que esse seria um ano muito agitado na escola. O diretor deixou que a euforia no salão morresse sozinha antes de continuar.

‘Para aqueles que não sabem, O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas européias de bruxaria - Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades - até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido. Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio, nenhuma das quais foi bem-sucedida. Há 5 anos houve uma nova tentativa do Ministério de reabrir o Torneio, mas o retorno de Voldemort fez com que o mesmo tivesse um desfecho trágico, infelizmente. Porém, agora que as coisas normalizaram novamente, o Ministério decidiu que era hora de voltar fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal. E Durmstrag foi escolhida para hospedar esse novo retorno’ Ele parou para tomar fôlego, mas continuou antes que alguém interrompesse ‘Os diretores de Hogwarts e Beauxbatons chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões. A competição está terminantemente proibida a todos aqueles que ainda não completaram 17 anos, a maioridade bruxa. As delegações de Hogwarts e de Beauxbatons chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco, assim como fizeram durante as Olimpíadas, e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Durmstrang quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!’

Ivanovich bateu palmas dispensando os alunos e levantamos ainda agitados da mesa. Já discutíamos sobre se inscrever ou não para o Torneio. Chris dizia que ia se inscrever e Annia e Nina também. Eu e os outros ainda estávamos em duvida, e a empolgação era tanta que não percebemos o principal, mas Micah lembrou a tempo.

‘Gente, não adiantou nada o Ty ir embora’ Disse batendo com a mão na testa e rindo ‘Ele fugiu da geleira e ta voltando pra ela!’

‘É verdade! Ty vai se formar com a gente, que demais!’ Milla disse animada

‘Gabriel também vem, é meu primo’ Chris falou mais animado ainda ‘E a amiga deles também, Ricard. A Miyako’ Disse rindo e Vina fechou a cara quando Ricard sorriu

‘Opa, o Estevan também vem, Nina!’ Falei depressa e as meninas riram ainda mais, mas os meninos não entenderam

‘Esse ano promete’ Annia comentou rindo de Nina, que estava vermelha

É, o ano prometia mesmo. E já se encaminhava para ser mesmo inesquecível...

Sunday, June 29, 2008

Já era tarde da noite de domingo, nosso último dia na escola, e enquanto os alunos circulavam livremente pelas propriedades do castelo, toda a turma de artes estava reunida no teatro na festa de confraternização. A apresentação do musical, apesar das dificuldades da turma durante o ano, tinha sido um sucesso e não cansávamos de comemorar isso.

‘Estou muito orgulhoso de todos vocês, sem exceções’ Ivo dizia animado ‘Quando cheguei aqui, vocês não tinham a menor noção de como atuar em um musical. E há três dias atrás fizeram uma das melhores apresentações que já dirigi!’

‘Também gostamos muito de trabalhar no musical, professor’ Chris falou e todos concordaram ‘Acho que posso falar em nome da turma toda quando digo que gostaríamos de apresentar outro musical no próximo ano’

‘Isso é sério?’ Ivo pareceu surpreso quando fizemos que sim com a cabeça ‘Ah, mas isso é ótimo! Existem tantas outras coisas que podemos trabalhar no próximo ano para melhorar ainda mais a apresentação!’

Georgia entregou a ele o presente que a turma havia se juntado para comprar e alguém ligou o som com as musicas que cantamos na peça. Passamos o resto da noite rindo das nossas vozes não muito afinadas saindo do som e torcendo para que ele incluísse um professor de canto entre as muitas coisas que existem para se melhorar uma apresentação de teatro.

~*~*~*~*~

Voltava para a república acompanhada de Micah, Nina e Chris e já passava da meia noite. Andávamos todos depressa, pois ninguém havia começado a fazer as malas, nem mesmo Nina que era sempre organizada. Desde que começou a namorar Michael Parker, era outra pessoa. Ele sugava as energias dela de tal maneira que Micah o apelidou de filhote de dementador. Nina ria das piadas, concordava com elas, mas ainda assim não terminava com ele.

‘Minhas coisas estão espalhadas por toda Avalon’ Ela comentou soando apavorada ‘Tenho certeza que vou acabar deixando alguma coisa para trás’

‘Você podia deixar pra trás o Mike, não é?’ Falei rindo e Micah e Chris concordaram rindo também. Nina deu um longo suspiro

‘Para onde vão amanha quando desembarcarmos?’ Chris mudou de assunto ‘Direto para casa?’

‘Não, vou direto para a Florida’ Micah falou animado ‘Meus pais alugaram uma casa em Daytona Beach, acho que vamos nos mudar pra lá depois do verão. Você vai direto para a Califórnia?’

‘Vou passar em casa antes, o acampamento só começa semana que vem. E você, Evie? Já decidiu pra onde vai?’

‘Sim, vou pra casa do meu avô. Minha tia escreveu dizendo que era pra ir direto pra lá, como todo ano’

‘Só eu vou passar o verão em casa?’ Nina pareceu desanimada ‘Ótimo, mais um verão com os Parkers alojados na minha casa, com a Lizzia namorando o Ivan e não me dando bola e os outros e congestionando o banheiro’

‘Tive uma idéia!’ Virei para Nina animada ‘Por que não vem passar o verão comigo? Minha família é grande, mas temos banheiros o suficiente e tenho certeza que meu avô não vai se importar de ter mais uma hóspede’

‘Posso mesmo, Evie??’ Ela se animou depressa ‘Mas de qualquer forma preciso ir para casa ver meus pais e meus irmãos, e também pedir autorização a eles. Mas tenho certeza que eles vão deixar’

‘Ótimo, então você vai pra lá depois de falar com eles. E antes dos Parkers chegarem’

‘Combinado’

Nos despedimos dos meninos quando chegamos na porta da Avalon e subimos correndo, só para encontrar Annia, Vina e Milla também atordoadas com a arte de arrumar a mala às vésperas da partida. Parecia que tinha explodido uma bomba no nosso quarto. Puxei meu malão de debaixo da cama e comecei a atirar as roupas das gavetas de qualquer jeito, sem me preocupar em dobrá-las.

‘Estou preocupada com essa história de passar alguns dias na casa da família do John’ Annia comentou enquanto juntava sua coleção de revistas adolescentes na mala ‘Eles são muitos e Ty disse que as tias e tios deles vão me interrogar. Ele contou varas histórias de namorados que elas espantaram’

‘Ty só estava querendo apavorar você, Annia’ Milla riu

‘Fez o trabalho direitinho então’ Completei rindo também ‘Mas famílias grandes são assim, adoram assustar os namorados’

‘A sua assustou o Micah na páscoa?’ Vina olhou para as outras e prenderam a risada ‘Estou brincando, é que não resisti’

‘Não ligo mais pras provocações, até por que...’ Parei de falar de propósito, e as quatro gritaram me xingando. Ri ‘Até porque, resolvi abrir a caixa’

Não deu tempo de me proteger. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, quatro sombras voaram pra cima de mim e me derrubaram na cama, gritando.

~*~*~*~*~

A viagem de trem pareceu ter durado segundos. Jogamos algumas partidas de snap explosivo, esvaziamos o carrinho de doces, fizemos planos para nos encontrarmos nas férias e quando percebemos, já estávamos parados na estação de Sofia. Cada um pegou sua bagagem e bem devagar começamos a descer do trem em meio àquela procissão de alunos.

‘Então estamos combinadas, vocês vão pra Espanha comigo em Agosto’ Falei animada enquanto descia do trem com as meninas ‘Vamos ficar na casa da minha tia Madalena, vocês vão adorar, ela é muito doida’

‘Não vejo a hora de ver uma tourada!’ Milla era a mais animada ‘Ou melhor, um toureiro!’

‘E eu vou ver com meus pais, mas sei que eles vão deixar, então nos vemos em uma semana’ Nina disse enquanto olhava alarmada ao redor, procurando pelo Mike

Olhei ao redor da plataforma também e vi Micah saindo do trem com os meninos. Era agora ou nunca, precisava resolver isso antes de irmos cada um pro seu lado, ou poderia ser tarde demais quando voltássemos para a escola.

‘Então nos vemos em alguns dias, e vocês em Agosto’ Falei depressa, atirando a mochila nas costas ‘Tenho que ir!’

Elas sabiam o que eu ia fazer, e enquanto me afastava caminhando rápido, podia ouvi-las rindo. Os garotos começavam a se despedir uns dos outros quando parei ao lado de Micah.

'Posso falar com você?' Ele concordou e os afastamos dos outros

'Antes de mais nada, posso falar uma coisa?' Ele falou quando já estávamos afastados e concordei com a cabeça 'Sei que não confia em mim e que tem seus motivos, e tudo bem, é um direito seu. Mas você sabe que eu gosto de você e também é um direito meu não desistir. Posso provar que não estou mentindo se me der uma chance, então só depende de você’

'Muito justo' Não esperava por isso e foi só o que consegui responder

'Ótimo' Ele sorriu 'O que queria falar?'

Encarei-o por alguns segundos como se estivesse me preparando para falar, então dei um passo à frente e o beijei. Ele foi pego desprevenido, mas correspondeu. Nos afastamos depois de um longo beijo, mas ele ainda mantinha as mãos na minha cintura e mantive a testa junto a dele. Ele sorriu totalmente surpreso.

'Era só isso que queria falar' Falei me afastando devagar e peguei a alça da mala no chão, sorrindo 'A gente se vê antes das férias terminarem'

Quando virei de costas, Milla, Vina, Nina e Annia estavam com sorrisos ainda maiores que o meu do outro lado da plataforma. Mostrei a língua pra elas rindo e avistei Dario sozinho não muito longe.

'Onde está Hanna?' Perguntei curiosa quando parei ao seu lado

'Ficou na França' Respondeu pegando minha mochila, fato que estranhei 'Onde está Max?'

'Não sei, não me importo' Ele riu 'Somos só nós dois, então?'

'Sim. Parece que somos a nova dupla do sistema idiota do vovô. Vamos?'

Acenei para as meninas me despedindo e olhei rápido para trás. Micah conversava animado com os pais adotivos e seu irmão estava com eles. Ele olhou na minha direção e sorriu, sumindo pelo portão da plataforma com eles.

'Que sorriso esquisito é esse, Evie?' Dario perguntou me olhando curioso

'Nada demais, só um gato que está vivo'

Ele continuou me olhando sem entender e comecei a rir, explicando a história desde o começo. Era uma longa viagem até a casa do vovô, teríamos tempo de sobra.

As idéias muito simples
São difíceis de aceitar
...dar um beijo
E se deixar levar
Antes de tudo se acabar

Kid Abelha – Pega Vida


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A-C-A-B-O-U. F-É-R-I-A-S! Nosso blog terá dois meses de descanso dessa turma, e voltaremos no dia 1º de Setembro com novas histórias e muitas novidades.

Mas nossos personagens não param nem nas férias e para acompanhar as aventuras deles durante o verão, é só ficar ligado nos endereços abaixo:

Condidence Girl
Close Ward
Sweet & Sinister
Snowed Under
Adepto do Sol
Redemption Words
Just for Boys

Boas férias e até Setembro!

Saturday, June 28, 2008

A noite havia sido longa. Depois de Ricard ter ido chamar professor Mikhail às pressas, alguns minutos depois todos estávamos indo ao Ministério da Magia pela lareira da sala do diretor. Passamos horas e horas escutando Deborah contar tudo o que sabia sobre Naveen e seus planos bem sucedidos para assassinar dois aurores dentro do Ministério. As provas estavam todas dentro de uma pequena caixa de madeira escura. Não havia dúvidas, mas eu ainda não conseguia acreditar.

O café da manhã estava mais agitado do que costumava ser. Grande parte dos alunos cochichava entre si e andavam de uma mesa à outra. Quando um grupo de aproximadamente cinco homens entrou andando rapidamente no Salão, todos se calaram. O mais velho deles trocou poucas palavras com o diretor, parecia apressado. Igor Ivanovich se levantou.

- A maioria de vocês já sabe o que está acontecendo. Naveen Odebrecht, um aluno da Berkana, do 7° ano, foi condenado o culpado pela morte dos aurores Johnny Alenxinsky e Tohry Gheorghieff. Infelizmente, ele não está em lugar algum deste castelo. Se algum de vocês tiver alguma idéia ou suspeita para onde é que ele possa ter ido, por favor, fale. – como ninguém se atreveu a nem mesmo se mexer na cadeira, o diretor continuou, paciente. – Aumentamos o número de aurores na propriedade até ele finalmente ser encontrado. Repito: quem tiver alguma suspeita sobre o paradeiro, é melhor falar ou pode ser acusado como cúmplice mais tarde... Estarei na minha sala o dia inteiro.

Assim que o diretor e os cinco homens abandonaram o Salão, o falatório recomeçou ainda mais alto e agitado do que anteriormente. Uma bomba havia caído em Durmstrang.

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Uma batida de leve na porta fez com que todos os homens dentro da sala se calassem, ansiosos.

- Entre. – o diretor falou e eles esperaram. A porta se abriu. Um menino baixinho, magricela e com cabelos loiros ralos entrou na sala, parecendo assustado. Era Lazar Asparukh, um primeiranista da Mannaz. Todos os homens o avaliaram, e Igor Alenxinsky foi o primeiro a soltar um suspiro de impaciência. O diretor perguntou fraternal: - Posso ajudar, Asparukh? – O menino se sobressaltou ao ouvir seu nome.
- O senhor pediu para que contássemos se soubéssemos alguma coisa sobre o Naveen. – ele disse com a voz fininha. Todos pareceram se interessar pelo garoto.
- Sim. Eu disse isso. O que você sabe? – o diretor continuou com sua voz calma.
- Eu moro na mesma república que ele, a Vulcano. Ontem de noite eu estava estudando para os exames, e já era bem tarde quando ouvi barulhos exaltados do quarto dele. Mas não fui até lá. Alguns minutos depois, escutei duas vozes diferentes entrando na República e subindo até o quarto. Aí, abri uma fresta da porta e vi duas figuras encapuzadas de negro entrar. Naveen parecia muito nervoso! Contou a eles que uma caixa havia desaparecido do seu armário e que iria fugir... Ele disse alguma coisa sobre ‘passar a noite no Vilarejo’ e depois ‘pegar uma chave de portal para a Croácia’, aonde iria se encontrar com seu tio.
- Onde do vilarejo, você sabe?
- No Bratislava. – Assim que ele disse, Igor Alenxinsky saiu correndo da sala. Hilbert Molotov e outros dois aurores o acompanharam apressados. O menino se encolheu. Steven Vlade se adiantou até a mesa do diretor.
- É melhor mandarmos mais aurores ao local, diretor. O Bratislava não é um bar muito agradável... – Igor Ivanovich concordou com a cabeça e o auror já ia saindo da sala.
- Vlade, me mantenha comunicado. – O jovem concordou e saiu, deixando o diretor e o menino sozinhos na sala.
- Você não sabe quem possam ser esses dois encapuzados, Lazar?
- Não, não senhor. Mas não são da Vulcano. Não reconheci as vozes. Diretor, eu não sou cúmplice! – ele completou desesperado e o homem riu.
- Não, não é. Você fez muito bem em vir aqui. Agora pode ir.

O menino concordou com a cabeça e saiu correndo da sala. Se as informações dele estivessem corretas, era uma questão de tempo Naveen ser capturado.

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‘O pegamos a tempo. Estamos levando-o para o Ministério da Magia, onde prestará depoimento. De lá, ele segue para Azkaban. Precisaremos de Deborah Aietriev e Lavínia ainda esta tarde. Em breve, repasso mais notícias’

O patrono em forma de águia sumiu deixando uma fumaça prateada no ar. O diretor saiu da sala para chamar as duas meninas. As acompanhariam, pessoalmente, até o Ministério.

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Não foi preciso nem mesmo a ameaça de fazê-lo engolir Veritasserum para que Naveen despejasse toda a verdade sobre seu plano, em detalhes, para todos no tribunal. Contou sobre a emboscada que armaram para o grupo de seu pai e como só tinham assassinado ele. O desejo de vingança. A descoberta do extrato de Belladona que não possuía antídoto, em um livro de Herbologia de magia negra. O jeito como iludiu um elfo doméstico para que levasse a garrafa de café envenenada até a sala dos aurores. O falso namoro comigo para que conseguisse arrancar a chave de mim sem que eu percebesse, e o falso namoro com Deborah, para que ele me conquistasse. Tudo.

Cada palavra que ele dizia, em seu pior tom frio e cruel, meu estômago parecia se retorcer mais, de nojo e raiva. Os olhos dele possuíam um brilho frio, e ele parecia estar se divertindo ao se gabar do sucesso de sua vingança. Não calculei exatamente quanto tempo se passou, até que ele parasse de falar, mas pareceu uma eternidade.
Quando todos se levantaram e começaram a sair da sala, me levantei também, sentindo-me tonta. Olhei para Naveen, com os braços acorrentados na cadeira no centro da sala, e tracei uma reta até ele, decidida.

- Você é um nojento! – disse alterada e ele apenas sorriu sarcástico.
- E você é uma menina mimada e doente, que acha que o mundo gira em torno do seu umbigo.
- Merece apodrecer na prisão. – minha voz tremia, e o sorriso no rosto dele não se alterou.
- Pode até ser. Mas vou feliz. Ah, quero te agradecer por ser tão idiota quando está bêbada. Você não se lembra de nada daquela noite, mas eu te pedi a chave emprestada um dia e você me respondeu com um longo beijo... – Minha mão voou na cara dele com toda a força que consegui reunir. Quando o rosto dele voltou a me encarar, vermelho, já não exibia o sorriso.
- Eu fiquei grávida de você. Tive um aborto espontâneo há uma semana. Em pensar que você era o pai...
- Eu? Impossível. Eu não me daria o desgosto de fazer um filho em você. Eu me preveni contra isso de todas as maneiras. Ainda não entendeu que eu estava te usando? O pai desse bebê era qualquer um, menos eu. – ele abriu novamente o sorriso.

Novamente senti o chão se abrir sob meus pés. Dois aurores passaram por mim e desacorrentaram Naveen, que se levantou ainda sorrindo, enquanto era arrastado para a porta, onde um dementador já o aguardava.

- Ainda nos veremos de novo, Vina. – ele disse sussurrando quando passou por mim e senti minhas pernas cederem, me deixando cair sentada na cadeira onde ele estivera uns segundos antes.

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I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don’t know where it goes
But it’s home to me and I walk alone

Os dias passaram rapidamente, e já estávamos dentro do trem, indo para as férias de verão. As últimas férias de verão. Muita coisa havia acontecido naquele ano, e eu havia decidido ir para casa, na Irlanda, pelo menos por algumas semanas. Precisava descansar e ainda não sabia como iria contar a Victor sobre a gravidez e sobre nossa impossibilidade de ter filhos, futuramente.

Quando desci na estação de Sofia e me despedi de meus amigos com promessas de nos encontrarmos em breve, Vlade sorriu acenando para mim e não hesitei em ir abraçá-lo forte. Tudo iria melhorar.

I’m walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line of the edge
And where I walk alone

N.A.: Green Day – Boulevard of Broken Dreams
Obs.: A C A B O U! Ok, nem eu acredito que isso é verdade, gente. Eu consegui!!! =’)

Friday, June 27, 2008

Trecho de uma carta enviada após a F.C.P.C.M.

‘Querida Ariel,
Sei que você anda super ocupada com o Kyan e as viagens da banda, mas quero pedir um favor. Você poderia pedir para aquele seu conhecido que é olheiro de novos talentos para quando estiverem se apresentando aqui, ir até o Perestroika, um bar do vilarejo (ouvi você comentar sobre isso em casa lembra? ), e ouvir uma jovem cantora chamada Jolie Milosevic. Ela fez parte da banda escola e canta demais. Tenho certeza que seria uma ótima aquisição para a gravadora dele...-
e várias outras coisas foram escritas antes da assinatura de Ty McGregor.

o-o-o-o-o-o

- Você não vai acreditar no que aconteceu. - dizia Jolie empolgada, após o show no barzinho onde ela e alguns membros da banda da escola tocavam nas sextas à noite.
- O que foi?- Ty perguntou fingindo surpresa.
- Fomos convidados a tocar em alguns shows de bandas conhecidas, fazendo algumas aberturas. Talvez até num show dos Duendeiros. Não é demais??
- Sim, muito. Agora sua carreira vai decolar.
- Espero que sim. Estou tão feliz...- e o beijou animada.

o-o-o-o-o

Dias antes das férias de final de ano...

- Depois de minha semana na casa do tio Lu, eu vou pro Texas e podemos nos encontrar lá. Quero que você conheça minha mãe. Já falei que ela esta grávida de uma menina??
- Só umas 10 vezes, na última semana. - riram, mas Jolie ficou séria.
- Ty a gente precisa conversar a sério...
- Se é sobre aquela garota da Mannaz, sabe que não fiz nada. - ele disse se defendendo.
- Não! Não é sobre ela. Já conheço o seu discurso: ‘ela é uma amiga...’
- Ela não é minha amiga, apenas fez uma brincadeira boba, quando me jogou um beijo na sua frente. - ele respondeu e ela disse de uma vez:
- É sobre nós...
- Nós? Muito bem o que foi que eu fiz de errado?- ele perguntou:
- E porque você teria feito algo errado?- ela perguntou incerta.
- Bem, você quer discutir a relação... No mínimo devo ser culpado de alguma coisa...
- Ty você é um bobo. - ela disse, ambos riram.Ela continuou:
- Ano que vem não estarei mais aqui, e você vai para Paris. Vai ficar difícil para nos vermos...
- Sim vai, mas eu já vou poder aparatar e podemos nos encontrar nos fins de semana.
- Vou estar dedicada a me apresentar nos mais variados lugares, preciso ficar conhecida, se quiser ter a chance de gravar. E você vai estar ocupado treinando quadribol, ou você pensa que não sei da dura que o professor Volkov deu em você? Ou você vira músico ou vira jogador de quadribol. Não precisa ser muito inteligente, para saber qual vai ser a sua escolha.
- Ok, mas o que isso tem a ver com o que nós temos? Nos damos bem, e eu sei que você gosta tanto de mim quanto eu de você. - disse enquanto passava a mão pelo pescoço dela e sentia que ela estremecia.
- Eu gosto de você Ty, muito. Sou ciumenta, e não sei se vou segurar a onda de estarmos longe um do outro e ainda confiar sabe? Acho que não devemos namorar mais.
- Você quer dizer que não confia em mim, se não estivermos no mesmo local.
- Eu confio em você, mas em algum momento eu vou ficar enciumada sem motivo e isso não vai ser bom para nenhum de nós. E quero que tanto eu quanto você, sejamos livres para se depois de algum tempo, nos reencontrarmos, nem que seja como amigos.
- Acho que se nos esforçássemos, nosso lance poderia dar certo, mas vejo que por mais que eu insista você já se decidiu não é?-e ela sacudiu a cabeça afirmativamente.
- Um beijo de despedida?- ele pediu.
- Você sabe que não vamos parar com um beijo... - ela respondeu e ele sorriu dizendo:
- Foi bom estar com você. A gente se vê. - e ele foi embora para a Spartacus.

-o-o-o-o-o

- Viemos aqui pra jogar cartas?E a tal crise?- perguntou Chris olhando para Iago, Victor, Ricard e Reno, que já estavam sentados em uma mesa com fichas e cartas de baralho para serem distribuídas.
- O Ty tomou um pé na bunda e estava bebendo sozinho, achei que a gente podia beber com ele e jogar um pouco. - explicou Micah, e apontou para Ty que já tinha bebido algumas cervejas.
- Eu não tomei um pé na bunda, Coyote...
- Claro que não, Jolie só te mandou passear...- disse Micah enquanto um Chris conformado, se sentava e pegava algumas fichas para jogar.
- Ela disse que ano que vem vamos estar “ocupados” com nossas carreiras. E que era melhor sermos amigos. ¬¬ - Ty disse enquanto puxava uma garrafa de whisky de fogo disfarçada de suco de frutas trouxa e servia os amigos.
- Você tem isso no malão da escola? Maneiro. - comentou Victor, depois de se servir de uma dose.
Começaram a jogar e a bater papo, após algumas doses de bebida, Ty diz:
- Será que eu a assustei quando a convidei para conhecer minha mãe?
- Era um começo de namoro, uma coisa mais superficial, você não devia ficar assim...- comentou Ricard e Ty respondeu:
- Meu amigo, meu caso com a Jolie foi tudo menos “superficial”. Aquela garota me amava e tem um fôlego... - e ele e Micah riram, enquanto bebiam mais e empurravam mais bebidas aos amigos.
- Você devia ter contado a ela que o caça talentos veio aqui, por sua causa. - disse Micah e os garotos olharam para Ty, que respondeu:
- Para que? Ela ficaria comigo por obrigação, e não quero isso. Além do mais, cedo ou tarde ela seria descoberta.
- Bom, pelo menos alguém tem certeza de alguma coisa, eu já não sei de mais nada. Milla está com Luka, mas me passa a impressão de não estar feliz... - disse Iago, entornando mais um copo.
- Ah Yéti, ela só não esta com você porque você quer ser “decente”. Já te falei, joga ela numa parede e mostra que você não está para brincadeira. Você é famoso com as meninas do Lalau, ela não vai ter chance de escapar. - disse Micah e Ricard perguntou arrumando os óculos:
- Famoso como??- e todos na mesa riram, até Reno sempre tão discreto, zombou:
- Ricard, pega um bloquinho para anotar as dicas. Ele sabe das coisas, pode te ensinar algumas...
- Nem vem bancando o descolado Reno. Não vemos você com ninguém...- se defendeu Ricard.
- O fato de eu não me exibir com alguém por aí, não significa que eu não dê as minhas saídas. - disse Reno.
- Bebamos a isso!- disse Iago e viraram mais uns copos de bebida, e devia ser um whisky bem forte, pois Ricard mesmo contrariado bebeu e disse com a voz meio engrolada:
- Porque ouvindo vocês falarem assim, tão soltos sobre os relacionamentos que vocês têm ou mesmo a ausência deles, eu ainda sinto que não sei nada?
- Como assim não sabe nada? Depois daquele dia você não saiu com mais ninguém?- perguntou Micah.
- Saí com vocês...
- Dããã, a gente não conta... E nem as meninas. - disse Ty quando Ricard abriu a boca, então o garoto deu de ombros. - os garotos trocaram olhares entre si e Micah disse:
- Ok, Ricard pode perguntar o que você quiser saber. A gente tira as suas dúvidas.
- Sério? Posso perguntar mesmo? - e os garotos fizeram que sim com as cabeças.
- Bom, então vamos lá: como faço para chegar numa menina que eu esteja a fim, sem parecer um idiota?
Os garotos olharam uns para os outros e Chris comentou:
- Acho que seria bom, pegarmos mais um pouco de comida e bebida, porque a noite vai ser longa.

Sunday, June 22, 2008

Não havia uma só república em Durmstrang que não esteve vivendo seu momento de crise por ocasião das provas finais, conosco não foi diferente e isso duas semanas após os simulados malucos.
Além dos problemas normais de cada uma, outros surgiram: Vina sendo inocentada das investigações de Ministério, e ainda tendo que contar a Victor e Naveen sobre o aborto, e no caso de Naveen, imagina você ter que contar a um assassino que ele poderia ter sido o pai de um filho seu?e isso sem nem gostar dele, que problemão ; as dúvidas de Evie com relação à sinceridade de Micah, Annia arrancando os cabelos porque não conseguíamos decorar direito as fórmulas alquímicas, enquanto ríamos das cartas melosas que ela e John trocavam e ela carregava dentro dos livros, Micah e Ty nos ajudando com os feitiços de DCAT, Nina fugindo de Michael e brigando com Chris Parker, enquanto enfeitiçava suas anotações e elas voavam sobre nossas cabeças, Luka e eu mesmo sendo namorados e companheiros de time, discordando e algumas vezes brigando, especialmente quando ele viu que Iago, mesmo sendo do sétimo ano, passou a estudar conosco. À vezes, Reno aparecia e se juntava a nós, e ríamos muito quando ele cobrava lições de seu aluno Tyrone, que fingia não saber a matéria e depois respondia certo. Fazia isso para deixá-lo irritado e nos fazer rir.
Desde o ataque sofrido por Micah, percebemos que Ty, Iago, e Chris sempre estavam por perto dele, e Reno, Victor e Ricard, faziam o mesmo. Isso era bom, pelo menos sabíamos que se alguma “briga” ocorresse não haveria ataques covardes.

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- Será que eu coloquei tudo na prova da Mesic??- perguntou Nina olhando para suas anotações após a última prova no último dia.
- Você colocou Nina... - respondíamos pacientes.
- Mas será que eu coloquei...
- Colocou Olenova, e se não colocou, agora já era! As provas acabaram, espere suas notas em casa e supera. - respondeu Chris e Nina o olhou feio, e antes que começasse mais uma das discussões dos dois, eu comentei:
- Eu vou ajudar minha mãe com os preparativos do casamento do Yuri e vocês? O que farão nas férias? - e cada um começou a falar dos seus planos.
Depois de ouvirmos Evie dizendo que ia pra a casa das tias, Micah dizer que ia para a Califórnia passar uns dias com o irmão, Vina, Ricard e Victor fazendo planos de se encontrarem nas férias, ouvimos Ty todo animado:
- Vou passar uma semana em Londres na casa de meu tio Lu, e depois vou pro Texas. A minha mãe mandou convidar todos vocês para passar uns dias no rancho e se quiserem ir pra casa da minha avó, as portas estão abertas. Aliás, Annia vai adorar ter companhia lá não é “prima”? - e Annia deu um tapa no ombro do Ty que começou a rir e falou com voz solene zombando:
- Annia vai conhecer a família! - e todos juntos fizemos:
- Ooohh!
Passamos o resto do dia rindo e fazendo planos para nos encontrar as férias. Agora para terminar o ano letivo só faltava a decisão do campeonato de quadribol entre as casas.

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As minhas amigas estavam todas de vermelho e branco para me apoiar antes do ultimo jogo entre a Berkana e a Ansuz quando vimos Micah, e Ty usando verde e branco dos pés às cabeça. Nos rostos traziam listras verde e branco. Victor, Ricard e Reno usavam as mesmas cores.
- Vocês não vão torcer por mim? Traidores! - fingi irritação.
- Nada contra você, mas o seu time tem aqueles que não devem ser nomeados. Sou mais o Yéti. - disse Micah.
- E ele merece fechar o ano com a vitória. Ainda mais agora, que vai embora. - disse Ty.
- O Iago vai embora? Para onde?- perguntei e antes que eles me respondessem Luka passou perto da mesa e me chamou:
- Milla, está na hora. Vamos!
Saí do salão dando uma última olhada em Iago reunido com seus jogadores. Ele parecia concentrado dando instruções ao time e parecia determinado a vencer.


- Começa o jogo, pela decisão do campeonato entre as casas. O verde e branco da Berkana, contra o vermelho e branco da Ansuz.- ecoava a voz de Ilya Constantin, um garoto do quinto ano, que estreava como narrador.
- Como vocês sabem, ambas as casas contam com jogadores que fazem parte da seleção búlgara, será um duelo de gigantes. Pois, Karkaroff o capitão da Berkana, foi convidado a jogar pela seleção irlandesa, e ele aceitou meus caros torcedores. A Irlanda vai levar o nosso leão embora.
E a goles está com Ivanov, que faz uma jogada ensaiada com Parvanov e é ponto da Ansuz. - e a metade do estádio vaiou e a outra metade aplaudia. Logo a Ansuz recuperava a goles. Constantin se empolgou:
- E os artilheiros da Ansuz estão se mostrando, vejam: a posse está com Parvanov, ele está jogando com força total, lançou para Dimitrov que desviou de um balaço lançado por Zagrev, mas Kerenin chegou a tempo, porém o artilheiro se atrapalhou com a goles. Vejam Karpov recuperou e parte com tudo pra cima do goleiro Yeltsin; é agora que eu quero ver... Aarrreeeeeee o goleiro salvou o aro, e a Ansuz com a posse da goles novamente, mas que movimentação é aquela com os apanhadores???Vejam Kovac está voando a toda e...
- EU NÃO ACREDITO: o capitão da Berkana, Karkaroff, mandou um balaço contra a apanhadora da Ansuz. Onde está o cavalheirismo?? Ou seria isso uma retaliação, vocês sabem... Homem com dor de cotovelo é fogo! - vimos quando o professor Volkov passou voando rápido com a varinha em punho apontada na direção de Constantin em sinal de advertência, e ele voltou a narrar a partida sem bancar o fofoqueiro.
Passado algum tempo, numa jogada “inocente”, Iago acertou um balaço com toda a força possível, na cabine do narrador e Constantin, respondeu irritado quando o público começou a rir:
- Recado entendido Fera!- e ele continou a narração do jogo:
- E lá vem um balaço lançado por Dimitrov; Karkaroff rebate o balaço com força e o manda em Ivanov, o jogador da Ansuz desvia, e com isso perde a goles. Parvanov a recupera, e parece que vão tentar uma jogada ensaiada, mas Karpov, rouba a goles para a Berkana, e desvia de um balaço com a ajuda de Zagrev. Ele rebate o balaço que vai pra cima de Kovac. Levski ajuda companheira de time, e manda o balaço de volta pro time adversário. Ivanov passa pela defesa da Berkana, junto com Dimitrov e passa goles para Parvanov, que vai rápido pra cima do goleiro Vronsky e ele DEFENDEUUUUUU!
Ansuz 60, Berkana 60.Logo o jogo estava difícil, pois sempre que nós marcávamos algum ponto contra a Berkana, Iago tirava algumas jogadas novas da manga e junto com seus artilheiros ia atrás do prejuízo, e empatava.
De repente vi um brilho dourado e dei um mergulho, e na minha esteira vinha Medved.-Eles viram o pomo! Eles viram o pomo! - gritava Constantin no microfone.
Eu estava totalmente deitada na vassoura e me esticava ao máximo, mas Medved estava colado comigo e tinha o braço maior, fiz um último esforço e me estiquei um pouco mais, mas era tarde. Medved freou a vassoura com o punho erguido e o narrador gritou:
- BERKANA É A CAMPEÃ DAS CASAS!
E os jogadores da Berkana se juntaram para comemorar a vitória com Iago e mesmo ficando em segundo lugar, meu time comemorou. Fazia anos que a Ansuz não chegava tão longe.
Depois de nos trocarmos, todos foram embora e eu fiquei um pouco mais no vestiário. Queria olhar um pouco mais o uniforme de apanhadora que no próximo ano, não seria mais meu. Havia conversado com Luka mais cedo e ele tinha aceitado minha demissão do time. Levantei-me para sair e no corredor dei de cara com Iago, que tinha as mãos espalmadas na parede que dava para entrada para o campo da escola. Ele me viu e disse simplesmente:
- Estou me despedindo.
- Porque você vai?
- É uma boa oportunidade para mim e não há ninguém me prenda aqui. - disse me encarando e eu retribuí o olhar:
- Nossa seleção vai perder um ótimo jogador e eu...- de repente minha garganta ficou seca e eu tive uma sensação estranha na boca do estômago. Sentia minha língua presa:
- Eu... Todos nós vamos sentir sua falta Iago, te desejo toda a felicidade do mundo.
- Obrigado! Você é... Todos vocês são importantes para mim, Lud.
Senti meus olhos úmidos e não entendi o porque. Antes que dissesse mais alguma coisa, Luka apareceu na entrada e me chamou para ir embora. Despedi-me de Iago, e mesmo uma parte de mim querendo olhar para trás, outra mais forte me fez olhar para frente.

Some say the heart is just like a wheel
When you bend it you can't mend it
And my love for you is like a sinking ship
My heart is on that ship out in mid-ocean
And it's only love and it's only love
That can break a human being
and turn him inside out

N. Autora: trecho da música Heart like a wheel, The Corrs