Monday, September 10, 2007

Após fazer amizade com Micah, descobri que íamos dividir o quarto na república Spartacus, os outros moradores, se limitavam a acenar para nós, como se estivessem nos avaliando. Mesmo Chris, sobrinho do tio Ben, nos olhava diferente. Mas como Micah e eu tínhamos muita coisa para aprender e pouco tempo, não ligávamos afinal as pilhas de deveres iam aumentando todos os dias.
- Ah quer dizer que você já marcou aulas com a Evie. Aulas de "reforço". Cara você é um gênio. – disse enquanto voltávamos da escola.
- Mas eu preciso de aulas de reforço se quiser pelo menos saber do que se trata esta matéria. A Geórgia fala..., fala, e eu só escuto um zum, zum, saindo da boca dela, que chega a me dar sono. E você também se deu bem, está tendo aulas com a Annia, ela é legal. Já se inscreveu pras Olimpíadas?
- É, e sempre penso que podia ser pior, imagina ter aulas com alguns dos caras daqui? Já me inscrevi na montaria, tiro esportivo, trancabola e no pentatlo, que abrange várias coisas que faço bem, além do meu favorito esgrima.
- Esgrima?
- É tive aulas disso na escola em Paris. O professor de DCAT disse que ajudava nos reflexos.
- Nossa equipe vai ser forte, pois também luto esgrima.
Estávamos conversando, quando abrimos a porta da república e uns gritos nos pegaram de surpresa:
- Aeee peguem os novatos!- e várias mãos nos seguraram de forma que nem dava para sacar as varinhas. Na frente do grupo, estava Luka Ivanov e o irmão da Evie, Max. Até mesmo Chris tinha um sorriso no rosto.
- Acharam que tinham escapado do trote novatos?
- Trote? Que história é esta? – perguntou Micah.
- Agora vocês são calouros e sua vida nos pertence muaháháhá. – e nos fizeram vestir uns aventais brancos com rendinha e laços.

-o-o-o-o-o-o-oo-

- O que eles comem aqui? Cola com ração pra cachorro? Como fede. – reclamava Micah tentando tirar a sujeira de uma das milhares de louças que faziam parte do nosso trote. Lavar louça do jeito trouxa.
- Bando de panacas. Botar-nos pra lavar louça, que sabe Merlim quando foi usada. Passa o detergente.
- Cara, olha lá tem alguma coisa andando naquele prato. Melhor jogar na água fervendo. - e joguei um prato com coisas rastejantes na pia de água quente.
- Não sabia que eles cozinhavam aqui. A gente come no castelo. - resmunguei.
- Pelo que sei quem quiser pode comer na república, você não trouxe algumas coisas?
- Trouxe, geléia, torradas, macarrão instantâneo, barras de cereais com chocolate, algumas latas de sopa, pacotes de biscoitos. – comecei a enumerar as coisas e Micah riu:
- Você tava com medo de passar fome? Ou ia pra guerra?
- Não, eu só como demais mesmo. – começamos a rir.
Estávamos nesta luta a mais de 3 horas, tínhamos que deixar a cozinha brilhando. Após algum tempo Chris entrou e depois de olhar tudo disse:
- Vocês estão trabalhando bem.
Resmungamos e continuamos o trabalho.
- É, e pensar que vocês não precisavam fazer isso...
- Como assim? Não é o trote? Todos passam pelo trote... - disse Micah.
- Não, nunca houve trote por aqui. Escolhemos vocês por serem novidade. – deixei um prato cair no chão.
- Como é que é?- perguntamos juntos e nossa cara não devia estar boa.
- Acho melhor eu voltar lá pra dentro. Vamos comer geléia.
Ele saiu rindo e coloquei a cabeça para fora da porta para olhar aquele bando de desocupado reunido e o pior: o tal de Luka abria um pote de geléia muito familiar a mim e passava o dedo dentro.
Voltei tremendo de raiva para perto da pia e Micah terminava o serviço carrancudo:
- Eles pegaram o meu pote de geléia. - resmunguei
- Eles são uns idiotas. - resmungou Micah.
- O Luka enfiou o dedo dentro do meu pote de geléia.
- Bando de babacas...
Nos encaramos e dissemos juntos:
- Eles vão pagar caro por isso.
A partir daquele momento nunca foi tão produtivo arrumar uma cozinha.

-o-o-o-o-o-oo-

- Ty aonde você vai? Temos aula agora.
- Não posso Annia, temos coisas a resolver na república. Amanhã nos falamos.
Corri até a república e lá já encontrei Micah nos preparativos, ele levantou a cabeça e perguntou:
- Conseguiu?
- Sim. – levantei um vidro com um líquido claro dentro e sorrimos com olhares perversos.

No dia seguinte

- Uau que cheiro bom é este? – perguntou Max entrando na cozinha junto com Luka e outros garotos que moravam na república.
- Bolo de chocolate. Nós que fizemos para mostrar que não ficamos chateados com o trote. - disse Micah, mordendo o seu pedaço de bolo. Eu já tinha o queixo sujo com a calda do meu, só balancei a cabeça concordando, e como pensamos logo eles estavam atacando o bolo. Chris foi o único que cheirou o bolo antes de começar a comer, mas como ele viu que comíamos também se tranqüilizou. Após o bolo da "trégua", fomos para o castelo assistir as aulas do dia.
A primeira aula daquele dia foi Alquimia, e nada como uma masmorra quente, abafada, para você conhecer o verdadeiro "eu" das pessoas. Annia veio toda preocupada falar comigo:
- Porque não assistiu a nossa aula ontem? Sabe que a Kollontai vai me cobrar progressos seus.
- Calma. Sei que você morreu de saudades de mim, mas eu tinha uma coisa importante pra resolver, e acho que a professora nem vai notar minha presença hoje. – e antes que Annia bufasse e me desse uma resposta malcriada, a professora entrou na sala e já se pos a escrever as fórmulas alquímicas no quadro negro. A sala estava silenciosa, então dava para ouvir o arranhar das penas nos pergaminhos, até que ouvimos...
- Oiiiiinnc... Ratátátaá... Fiuumm....
As narinas da professora tremeram por alguns instantes e ela disse:
- Estranho... Não usaremos enxofre hoje... - mal começou a falar e outro barulho se fez ouvir e o cheiro foi ficando mais forte. Algumas meninas começaram a tampar os narizes e a se abanar, enquanto eu olhava para Micah começando a rir, então os barulhos ficaram mais insistentes e de repente Luka, Max e Chris levantaram as mãos ao mesmo:
- O que foi senhores?
- Precisamos ir ao banheiro. - disseram juntos.
- Não permito que grupos de alunos saiam para ir ao banheiro.
- Mas precisamos professora. É urgente. – disse Luka e sua voz já estava ficando mais fina. Quando mais alguns barulhos flatulentos foram ouvidos e o cheiro se tornou insuportável, Luka e seus amigos já tinham a testa molhada de suor.
Eu já estava chorando de rir na minha carteira e Annia e as amigas riam e ao mesmo tempo tampavam os narizes. A professora, procurando manter a compostura enquanto colocava um lencinho perfumado no nariz, disse temendo que a situação ficasse fora de controle:
- Está bem, vejo que é um caso de desarranjo coletivo podem ir. - e começou a espirrar na sala um desodorizador de ambiente.
Ela mal disse isso Luka, Max e Chris saíram correndo da sala, e os três se chocaram na porta tentando sair ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas de quem estava dentro da sala. Eu já estava deitado sem forças na carteira e Micah segurava a barriga de tanto rir. Pelo que ficamos sabendo eles tiveram que voltar para a república e perder o dia de aula junto com outros garotos da Spartacus, pois estavam com uma dor de barriga de origem desconhecida. A enfermeira da escola até apareceu por lá, e mandou que eles tomassem soro.
Coitados, acho que um simples bolo de chocolate não caiu muito bem.

Sunday, September 09, 2007

As aulas haviam começado há apenas uma semana, mas os alunos do 6º ano logo compreenderam que aquele seria um ano movimentado. Os professores responsáveis pelos clubes acadêmicos abriram inscrições logo no 1º dia de aula e os alunos selecionados seriam anunciados dentro de alguns dias, e as aulas de DCAT viraram a nova sensação da escola, tornando-se, em poucos dias, a mais popular entre os alunos. Mas eram igualmente difíceis.

Evie enfrentava muita dificuldade na matéria. Depois de cinco anos aprendendo azarações das trevas, ela achava extremamente complicado aprender as contra-azarações de uma hora para outra. Mas para ela, havia uma aula capaz de aliviar todo o estresse das outras: Artes. Duas vezes por semana os alunos que faziam parte da Oficina de Artes se reuniam no teatro da escola, e embora as aulas fossem das 22h às 23:30, ninguém reclamava.

Era uma segunda-feira e todos estavam em um intervalo de cinco minutos antes de encerrarem a aula. Evie conversava com Nina e Lizzie na escada que dava para o palco quando viu Micah entrando, parecendo perdido.

‘Já volto, meninas’ Disse se levantando

‘Ah claro, vai lá’ Nina falou em tom de deboche e Lizzie riu ‘Depois não vem dizer que pegamos no seu pé’ Mas Evie a ignorou e foi até ele

‘Errou o caminho da república?’ Falou se aproximando ‘Você não tem cara de quem gosta de uma aula de teatro’

‘E não gosto mesmo’ Ele respondeu sorrindo ‘Mas preciso me inscrever para as olimpíadas, e não encontrei o cara do quadribol. O outro professor é esse, não?’

‘Ele mesmo. Já escolheu as modalidades?’

‘Sim, vou me inscrever para Canoagem, Decatlo, Esgrima, Montaria, Natação, Remo, Tiro Esportivo e Trancabola’

‘Nossa, só isso?’ Disse rindo

‘O que posso fazer? Sou um atleta nato!’

‘E o atleta por acaso já cumpriu a detenção com a Mesic?’

‘Já’ Respondeu desanimado ‘Mas me atrasei para ela e acabei ganhando outra detenção’

‘Está brincando!’ Evie não conseguia controlar as risadas’

‘Bem que eu queria! Bom, acabei cumprindo a detenção e recebi como castigo pelo atraso uma redação de mil palavras sobre as Teorias das Transformações Transubstanciais’

‘Assunto fácil’ Disse como se ele tivesse dito algo idiota ‘E quantas palavras faltam?’

‘Se contar com o título’ Ele pensou um pouco e continuou ‘996’

‘Está indo bem’ Ela riu ‘E como vão as aulas com a Srtª Perfeição?’

‘Péssimas’ Ele riu e se certificou que Georgia estava longe ‘Eu não entendo nada que aquela garota diz’

‘Ela tem tendência a complicar as coisas mesmo, não é culpa sua’

‘Já pedi a ela para tentar falar sem tantos termos técnicos, mas é inútil! Por que você não me dá as aulas?’

‘Ah, não acho que seria uma boa idéia!’ Ela riu

‘Por que não? Pior não pode ficar’

‘Tecnicamente, pode. Sou péssima em Alquimia, não iria ajudá-lo em absolutamente nada!’

‘Você estuda isso há 5 anos e não sabe nada... Como esperam que eu aprenda em uma semana?’ Ele segurou as mãos dela e começou a sacudi-las ‘Por favor, Evi! Ao menos tente, tenho certeza que mesmo não sendo boa aluna, não vai complicar as coisas. Vai explicar do seu jeito e vou acabar entendendo. Na pior das hipóteses, nos ferramos juntos. E de repente um milagre acontece e acabamos aprendendo juntos também!’ Ele sacudiu mais as mãos dela e tinha uma expressão desesperada no rosto ‘Por favor, por favor, por favor, diz que sim?’

‘Juro que não é má vontade, mas a professora Kollontai jamais irá aprovar essa troca! Se a Georgia não consegue fazer você entender, não sou eu que vou’

‘Então eu fico com as aulas da Yelchin, e você me dá aula de reforço da aula de reforço. Se eu aprender alguma coisa, você ainda pode se vangloriar com a sua amiga dizendo que você quem fez o trabalho todo’

‘Ok então, fechado!’ Ganhar de Georgia em alguma coisa era algo tentador e ela estendeu a mão para selar o acordo ‘Mas nunca mais me chame de amiga dela’

‘Oi Micah, tudo bom?’ Nina se juntou aos dois sorrindo para Evie

‘Oi Nina, tudo ótimo e você?’ Sorriu ‘Estava combinando com a Evi sobre as aulas de reforço de Alquimia’

Você vai dar aula pra ele?’ Ela riu e encarou a amiga com uma expressão divertida ‘Está brincando, não é?’

‘Eu disse que sou ruim, mas ele insiste’ Evie deu de ombros

‘Cadê aquele menino que vive grudado em você? Não estou vendo a casa lesada dele por aqui’

‘Graças a Merlin ele não faz essa aula, só a irmã dele!’ Nina fez uma careta ‘Ao menos no teatro tenho paz’

‘Meninas, o intervalo acabou!’ O professor Ivo se aproximou dos três ‘Voltem para o palco. E o senhor, quem é? Veio para nossa aula? Está um pouco atrasado’

‘Micah Wade, senhor. E não vim para a aula, é que me falaram que precisava procurá-lo para me inscrever nas olimpíadas’

‘Ah sim, claro. A aula ainda não terminou, então não posso atendê-lo agora. Mas faltam apenas 20 minutos, pode voltar depois. Ou se preferir, espere aqui mesmo’

‘Obrigado, vou esperar aqui’

Micah se acomodou em uma das inúmeras poltronas vazias e passou a prestar atenção nos alunos sentados em círculo no palco. Ele nunca havia assistido a uma aula de teatro, não fazia idéia de como ela funcionava. O professor tomou seu lugar na roda e tornou a falar.

‘Como estava explicando antes do Sr. O’Shea solicitar um intervalo para usar o toalete’ Todos olharam pra Chris e riram ‘Faremos algumas coisas diferentes nesse semestre. Na próxima aula, ao invés de sentar aqui no teatro, vamos dar um passeio no vilarejo’

‘Em plena segunda-feira?’ Nina perguntou ‘Não temos autorização de sair do castelo em dia de semana’

‘Não tem problema, vocês estão agora, pois fazem parte da minha turma. Mas só podem sair comigo’ Falou quando alguns pareceram se animar demais

‘E o que faremos lá fora?’ Evie perguntou curiosa e todos olharam para o professor esperando a resposta

‘Vamos fazer um pouco de teatro de rua!’ Disse animado, mas ninguém pareceu entender ‘Quero trabalhar com vocês fora daqui, é algo que faço com todas as minhas turmas e sempre é um sucesso. Vamos fazer um pouco de bagunça na praça da cidade. Em outras ocasiões, visitaremos hospitais, asilos, todo tipo de lugar que precise de um pouco de alegria!’

‘Como assim “fazer um pouco de bagunça na praça da cidade”?’ Evie falou incerta, olhando para Nina e Chris

‘Vamos encenar algumas coisas na rua, para as pessoas que estiverem passando’

‘Sem ensaiar?’ Nina olhou alarmada para ele ‘Uma semana é pouco tempo!’

‘Sim Srtª Olenova, sem ensaios, vamos improvisar’

‘Mas isso não vai ser um pouco...constrangedor?’ Chris arriscou

‘Vocês são atores, Sr. O’Shea, não podem ter vergonha de nada. Relaxem! Será divertido, eu garanto! Agora podem ir, vou liberá-los um pouco mais cedo hoje’

‘Professor...’ Georgia ergueu a mão e todos sentaram outra vez ‘E quanto à peça? Teremos uma esse ano?’

‘Sim, sem sombra de duvidas’

‘Mas quando começarão os testes?’ Insistiu

‘No próximo semestre, em meados de janeiro, talvez’

‘E teremos tempo suficiente para ensaiar?’ Tornou a insistir ‘O tempo me parece curto, não acho que dará certo’

‘Acho que são perfeitamente capazes de decorar falas em 4 meses’ Georgia ia responder, mas ele a cortou ‘Lhe garanto que sei o que faço. Não questione meu trabalho outra vez, Srtª Yelchin. Estão dispensados, podem ir’

Os alunos levantaram do chão e apanharam as mochilas nas poltronas, deixando o teatro comentando a idéia de fazer passeios fora da escola. Evie, Nina, Lizzie e Chris pararam no meio do corredor, quando Micah saltou da poltrona na frente deles.

‘Gostei do sabão que a Yelchin levou’ Falou rindo alto

‘Foi prazeroso para todos nós’ Nina respondeu satisfeita

‘Eu vou voltar para a república’ Chris falou tornando a caminhar com Lizzie ‘Vocês vêm?’

‘Sim, também vou voltar, tenho muitos deveres para fazer’ Nina o alcançou ‘Não vem, Evie?’

‘Sim, estou indo’ Ela se virou para Micah ‘Depois comparamos nossos horários para encontrar um período vago’

‘Você quem manda, professora’ Disse brincando e ela riu

‘Só espero que isso dê certo. Até amanhã’ Ela sorriu para ele e deixou o teatro com os amigos, sem ter a menor idéia de como essas aulas poderiam um dia dar certo.

Thursday, September 06, 2007

Sabe... Quando li na lista de material de Durmstrang que teria que comprar um livro de Alquimia Avançada pensei: "Alquimia, que bom, vamos fazer poções, e em poções eu me viro bem, então devo aprender a fazer poções famosas, proibidas, mas com nome diferente".
Que bobo eu sou :P.
Após um inicio agitado, Micah e eu passamos a andar juntos para chegar às aulas e não nos perdermos pelo castelo, ele ainda teve a vantagem de fazer um tour com a monitora de Transfiguração, e voltou com um sorriso de gato que acha o rato. Não comentei nada, afinal quem sou eu para cobiçar a alegria de um pobre condenado como eu?rsrsrs. As amigas da Evie, agora pelo menos acenam para nós, e os rapazes que andam com elas também, mas ainda não pudemos sentar e conversar direito. Talvez assim, o pessoal pare de nos olhar como penetras numa festa.
Estávamos na masmorra seis, ouvindo a voz da professora Kollontai, e íamos anotando tudo.
- ... Na alquimia, existe um ritual a ser seguido, assim como a utilização do tempo astrológico. Todas as flores, ervas e raízes colhidas na lua cheia são lavadas no orvalho da manhã... Porque fazemos isso senhor Wade?
- Para aproveitarmos melhor os poderes das ervas?- chutou Micah.
- Está parcialmente certo senhor Wade, e para que serve o circulo de transmutação senhor McGregor?
- Transmuta algo em alguma coisa? – e alguns alunos riram, e até eu ri da minha resposta idiota.
A professora após, respirar fundo, talvez buscando coragem para não jogar o livro que tinha na mão na minha cabeça disse:
- Alguém poderia me falar sobre o circulo de transmutação? – olhou ao redor da classe e a garota de cabelos castanhos já estava com a mão levantada e a professora cedeu: Ivanovich. Nossa, ela só faltou saltitar de tão feliz que ficou:
- Na Alquimia o círculo de transmutação também simboliza o Universo, o desenho do círculo deve estar de acordo com as leis da natureza e da física para que surta efeito.
A aula continuou a correr bem, e a professora resolveu que não iria submeter Micah e eu a mais humilhações públicas. No fim da aula nos chamou, e pediu a Ivanovich e uma garota loirinha, de nome Yelchin também fosse até ela. Ambas ficaram nos encarando e a professora disse:
- Senhores, vocês não tem muita base para o estudo da Alquimia, quer dizer a base de vocês é nula, portanto vou pedir às minhas melhores alunas que os ajudem a tentar entender a matéria, antes das minhas provas. Ivanovich você ajuda ao senhor McGregor, Yelchin, ao senhor Wade. Conversem e marquem horários para os estudos, espero que na próxima aula ambos saibam para que serve um circulo de transmutação. Aliás, vocês já conhecem o castelo?
- Eu fiz um tour com a Evie, depois da aula de Transfiguração.
- Ah foi você que chegou atrasado à aula de Ivana? – e Micah fez que sim com a cabeça enquanto a mulher ocultava um risinho, aí ela me olhou interrogativamente e eu respondi:
- Não conheço o castelo ainda. - e Micah disse brincando:
- Mas ele consegue achar o salão principal, só pelo cheiro. Um espanto.
- Um corpo alimentado, produz uma mente sadia, boa para o aprendizado. – citei uma propaganda trouxa de cereal, e Yelchin riu, e ao olhar sério da professora disse: desculpe.
- Então, Ivanovich, faça um tour com o senhor McGregor, mostre-lhe nosso castelo e assim podem combinar suas aulas de Alquimia. Estão dispensados.
Acho que minha nova colega não gostou muito de ter que dar aula a mim, mas vou me esforçar para não contamina-la com meu bom humor cativante. Resolvi tentar fazer amizade:
- Annia, é nome ou apelido? Ouvi suas amigas te chamando assim.
- Apelido de Anastácia. Mas para você é Ivanovich. Vou te mostrar as salas onde temos a maioria de nossas aulas... – ela respondeu seca e eu continuei:
- Anastácia não é o nome de um desenho trouxa muito fofinho?- disse tentando ser engraçado, mas o olhar que recebi de volta, congelava as chamas do inferno. Fiquei calado, enquanto ela andava rápido e ia enumerando as salas para mim.
- Masmorras do 1° ao 7° ano. – e foi andando rápido como se estivesse fugindo de alguma coisa, ou tentando me deixar cansado. Coitada, após algum tempo ela começou a diminuir os passos e eu estava tranqüilo.
- ... 7º andar – Sala de Astronomia, ela se move, então a cada dia está num lugar diferente.
- Uau! Que demais.- e pude ver um brilho de orgulho nos olhos da garota, mas bem rapidinho o jeito sisudo voltou.
- 8º andar – Sala de Transfiguração, Sala de Feitiços, Sala de Duelos...
- Sala do rancor...
- O quê?
- Nada.
AI: Olha McGregor, não sei como são as garotas do seu país, mas você não me impressiona.
TM: Bem Ivanovich... De onde venho, não só as garotas, mas todos costumam ser educados e não tratamos os estranhos como se fossem leprosos. Nós esperamos conhece-los primeiro, antes de vir com 4 pedras na mão. (ela abriu a boca para retrucar, mas eu fui mais rápido): E só pra esclarecer: não tenho motivos para querer te impressionar, você não faz o meu tipo. Agora que já esclarecemos este ponto, podemos continuar?
Juro que se ela tivesse altura e algo bem pesado na mão, tinha esmagado minha cabeça.
AI - Você é um grosseirão.
TM - Procuro não perder pra você. Sabe minha avó teve um poodle chamado Anastácia. Aliás, num tá na hora de você buscar o chinelo pra ganhar biscoito?- e apressei o passo para me afastar dela e logo estava correndo e rindo.
Ela deu um grito de irritação, e começou a correr atrás de mim por aqueles corredores, com os punhos levantados, mas para mim parecia que estávamos brincando de pega-pega. Após correr brava por um tempo, ela me alcançou quando eu me escondia atrás de uma armadura, não por medo, mas porque estava perdido, ficamos nos encarando por um bom tempo, e chegava a ser tão ridícula a cena que começamos a rir.
- Então? Durmstrang é um lugar aceitável para você?
- Não, porque você não mostrou o mais importante.
- Como não? O que pode ser mais importante que as salas de aulas, nossa torre de adivinhação, nosso teatro?
- O campo de quadribol, isso sim é o mais importante numa escola.
- Odin me defenda! Você joga quadribol?- Sim, fui campeão pela minha casa ano passado. Sou batedor. - disse orgulhoso e ela me olhou com pena, mas os cantos da boca tremiam para rir.
- Coitado, e eu pensando que você só era irritante assim, porque caiu de cabeça ao nascer. Venha, vou mostrar o seu campo de quadribol, ainda temos tempo. Fomos andando e rindo das observações que eu fazia sobre o fato dela não gostar de quadribol, quando ela apontou para um lugar enorme e imitou um locutor:
- E aqui senhor McGregor, o nosso humilde campo de Quadribol, a arena onde somente os fortes sobrevivem, o lugar onde se fazem os campeões, onde batatinha quando nasce se esparrama pelo chão... blá, blá, blá... - rimos enquanto em minha mente eu já fazia planos para entrar no time e pensava se eu podia sentir meus amigos tão próximos em qualquer outro lugar que não fosse ali, naquele campo.

Wednesday, September 05, 2007

‘A gente podia se apresentar, pra ajudar eles a se acharem no castelo’ Milla sugeriu, mantendo a voz baixa

‘Pelo que pudemos ver, um lá já se acha bem sozinho’ Annia respondeu mal humorada.

‘Deixa de ser implicante com o garoto só porque ele ganhou de você na aula de literatura, Annia. Eles parecem bonzinhos’ Nina retrucou como se falasse de garotinhos do jardim de infância

‘Olha quem está falando!’ Vina riu ‘Se fosse com você, Dona Nina Olenova, também estaria de implicância’

‘Não precisamos ajudar ninguém a fazer nada aqui. Eles já são bem grandinhos’ Annia continuou com o mau humor

‘Qual é o nome do menino que se atrasou, Evie? Ele parou pra falar com você que vimos’ Nina mudou de assunto

‘Que foi Evie? Algum problema?’ Vina perguntou séria quando ela não respondeu

‘Eu conheço aquele garoto que entrou’

‘Conhece? De onde?’ Perguntaram as quatro ao mesmo tempo, se ajeitando nas cadeiras

‘Das férias na Califórnia’

‘Não! É ele?’ Milla falou alto e a professora Mesic ajeitou os óculos no nariz, fazendo elas se calarem por um tempo

‘Então você precisa nos apresentar ao seu amigo’ Intimou Vina de repente

‘Ele não é meu amigo. E ele não disse o nome, só me perguntou se essa era a turma de Transfiguração'

‘Aham, ok... Aquele tempo todo pra perguntar só isso?’ Annia provocou

‘Pensei que ele fosse um galã de cinema’ Nina virou para olhar os garotos

‘Nunca disse isso, vocês que chegaram a essa conclusão sozinhas’ Evie respondeu tentando não olhar para trás

‘Ah, ele é bonitinho. Os dois são, pra falar a verdade’ Milla piscou brincando

‘Você tem namorado, Ludmilla’ Evie respondeu indignada

‘Você também, ora... Ou tinha, né?’

Ela não respondeu e continuou copiando os deveres no caderno. Vez ou outra ouvia as amigas perguntarem se ela ia mesmo fazer o tour com ele pelo castelo, mas não respondia. Claro que faria o tour, a professora havia pedido e ela não tinha como dizer que não podia. Que desculpa boa o suficiente ela poderia inventar? Era mais fácil mostrar o castelo a ele.

O sinal tocou e em questão de segundos a sala já estava vazia. O menino já havia saído com o outro novato, McGregor, e ela deixou da sala empurrada pelas amigas. Eles ainda estavam parados no corredor, sem saber que direção seguir.

‘Vai logo, criatura!’ Vina cutucou Evie ‘É sua obrigação fazer as honras da casa, ninguém mandou ele se atrasar logo na aula que você é monitora. Esperava que ela nomeasse quem pra tarefa?’

‘Não tem nada demais na tarefa. A não ser, claro, que você não esteja contando algo para a gente’ Milla provocou e todas riram

‘Ah não me amolem!’ Disse impaciente e saiu marchando na direção dos meninos

Enquanto caminhava até eles, desejava mentalmente que as quatro desaparecem de vista. Mas não bem foi o que aconteceu. Milla, Vina, Nina e Annia continuaram paradas na porta da sala acompanhando os passos da amiga. Por sorte os dois pareciam distraídos demais conversando para notar.

‘Você já sabe meu nome e até meu sobrenome’ Disse quando parou ao lado deles ‘Será que vou poder saber o seu, ou vamos ficar nesse mistério?’

‘Estava esperando você perguntar’ Ele se virou sorrindo e estendeu a mão a ela ‘Micah Wade, muito prazer, finalmente. Esse é Ty Mcgregor’ Indicou o outro garoto com a cabeça e ele também estendeu a mão

‘Pronto para caminhar? O castelo é grande. Vai também, Ty?’

‘Seria legal conhecer o castelo, mas estou com fome e nunca pulo uma refeição’ Ty respondeu alisando a barriga ‘Pra que lado fica o salão principal? Se eu souber isso, o resto eu me viro depois. Mas esse é essencial!’

‘Primeiro andar, logo depois do saguão de entrada. Não tem erro, é só seguir aquelas meninas ali, que também vão almoçar agora’ Ela indicou as amigas com a cabeça e as quatro acenaram debochadas, sem disfarçar que estavam prestando atenção aos três

‘Então a gente se encontra de novo na aula de Poções, Micah. Até mais’ E desapareceu no meio dos alunos que desciam as escadas

‘Vamos então? Damas primeiro’ Micah fez uma reverencia para ela passar a frente dele e ela riu

‘Bom, aqui no 8º andar tem uma das salas de transfiguração, que acho que você nunca mais esquece a localização...’ Ele riu e concordou ‘Tem uma sala de feitiços e a sala de duelos’

‘Que tipo de duelos vocês tinham nessa sala, se nunca tiveram DCAT?’ Perguntou receoso da resposta

‘Do pior tipo, eu sempre arrumava uma desculpa pra faltar essa aula. Se procurar meu histórico na enfermaria, vai encontrar uma série de doenças distintas, sempre às quartas-feiras. Alias, se precisar de uma doença inventada e não souber qual, é só pedir ajuda à Vina’ Riu

‘Doenças. Vina. Anotado’ Disse decorando o que ela dizia enquanto desciam as escadas

‘Aqui no 7º andar não tem nenhuma sala de aula, mas tem o escritório do professor de Astronomia. As aulas dele são sempre na torre do castelo, mas ela nunca está no mesmo lugar’

‘Como assim? Ela se mexe?’ Ele pareceu espantado ‘Já vi escadas se moverem, mas uma torre?’

‘Isso mesmo, cada dia ela está em uma ala do castelo’ Riu ‘Antes da aula costumamos ir até os jardins procurar por ela, pra poupar tempo’

‘Ótimo, mais uma aula que vou me atrasar’ Disse riscando no horário que tinha na mão ‘O professor é igual a megera de Transfiguração?’

‘Ah não, o Ante é legal. Só é meio lunático. Você só precisa ficar atento com a Mesic e o Lênin, ele também é rígido. Os demais dá pra levar... E se fizer aritmancia também, não dê mole pro professor. Ele é meu avô e não é nada fácil’

‘Não faço essa aula, muito chata. O que você estava fazendo sozinha aquele dia em Los Angeles?’ Disse mudando de assunto de repente ‘Tenho certeza que vi você pelo menos três vezes em duas semanas’

‘Meu namorado e os irmãos dele estavam me irritando, não agüentava mais ouvir brigas’

‘Ok, já entendi a indireta: não dar em cima de você, porque você tem namorado’

‘Não, não foi isso que quis dizer!’ Ela falou depressa

‘Então estou autorizado? Mesmo você tendo namorado? Uau, as garotas de Durmstrang são modernas’

‘Eu não disse que podia dar em cima de mim, mas também não disse que tinha namorado de propósito! Você perguntou o que eu estava fazendo sozinha na praia e eu respondi!’

‘OK, você me deixou confuso agora: posso ou não dar em cima de você?’ Ele tinha uma expressão séria, mas depois começou a rir e ela viu que ele estava brincando

‘Não foi uma indireta’ Disse séria, mas acabou rindo também ‘Idiota... Próximo andar, por favor’

Dessa vez ela não deu chance para ele fazer a reverencia para ela passar e já foi descendo as escadas. Mas a única sala que conseguiu indicar foi a de Literatura Mágica e Transfiguração Avançada, pois ele logo mudava de assunto, fazendo perguntas que em nada tinham a ver com a escola. E cada vez mais eles caminhavam mais devagar, de modo que quando chegaram ao salão principal para o almoço, uma hora depois, sabiam um pouco mais um do outro e ele sabia menos ainda sobre a escola; sabiam se o outro tinha irmão e quantos tinha, descobrirem que ambos não eram fãs de quadribol, mas gostavam igualmente de cavalos, sabiam também que tipo de bandas gostavam e se gostavam de sair, mas nenhuma localização de sala de aula abaixo do 6º andar.

‘Acho que vou precisar de outro tour pelo castelo’ Micah falou quando entraram no salão principal ‘Não aprendi nada nesse, a não ser que saber que você detesta kiwi vá me ajudar a não me perder mais’

‘Hoje só tenho tempo vago às 20h, depois da reunião do clube de Transfiguração. Amanhã mostro o castelo direito pra você, pode ser?’

‘Ah não, nada disso. A primeira aula amanhã é DCAT e não quero me atrasar, preciso saber direito hoje. Espero você às 20h na porta do clube, esse me lembro de você ter mencionado ser no 6º andar’

‘Você quer conhecer o castelo à noite? Está louco?’ Ela riu. Ele ainda era novo, não conhecia as regras da escola direito ‘Se os guarda-caças nos pegam fora das repúblicas em tempo vago depois do jantar, é detenção’

‘O que é um peido pra quem já está cagado?’ Falou despreocupado e ela se segurou para não rir ‘Já ganhei uma detenção da madrasta da Branca de Neve mesmo’

‘É, mas eu não ganhei detenção, e nem pretendo ganhar’

‘Está comigo, não tem perigo’ Disse convencido ‘Não aceito não como resposta, você precisa fazer seu trabalho direito. Espero você na porta da sala, e não adianta tentar fugir. Eu juro que corro atrás de você, não tenho vergonha dos alunos olharem e rirem apontando’

Ele sorriu e entrou no salão, procurando Ty nas quatro mesas apinhadas de estudantes. Evie ficou parada na entrada sem dizer nada e só se moveu quando as amigas pararam ao lado dela perguntando como tinha sido o passeio. Ela deu uma ultima olhada onde ele estava sentado e saiu com elas para o jardim. Acabara de perceber que a vida calma que tinha até então corria sérios riscos de extinção. E ela gostou da idéia.

Tuesday, September 04, 2007

‘Está certo disso? É uma mudança e tanto’

‘Sim, estou’ Ele sorriu e olhou para trás. Um imenso muro cercava uma pequena cidade, e ao centro, um castelo podia ser visto de qualquer ponto do vilarejo. Havia chegado ao Instituto Durmstrang ‘Preciso entrar, acho que as aulas já começaram’

O homem apertou sua mão e desaparatou em seguida. Micah olhou no relógio. As aulas do dia já haviam começado há mais de uma hora, ele estava muito atrasado. Correu com a mochila nas costas conduzindo o malão enfeitiçado para flutuar até a república que o diretor havia indicado na carta e voltou aos jardins. Tinha uma entrevista com o diretor novo a ser feita, mas não queria perder mais nenhuma aula, e de acordo com seu cronograma, a de Literatura Mágica já havia terminado. Precisava chegar à sala de Transfiguração, mas olhou ao redor e começou a se arrepender de não ter embarcado no trem da escola há dois dias atrás: Não fazia a menor idéia da direção que devia seguir.

O castelo ficava distante das repúblicas e ele acelerou o passo para não perder mais tempo. No horário dizia que a sala de Transfiguração ficava na ala oeste, próxima à sala de duelos e à redação do jornal da escola. Restava agora saber onde ficavam os outros dois, e ele encontraria a sala certa.

‘Com licença’ Um homem jovem e moreno passava pelo corredor do 4º andar e Micah o parou ‘Pode me dizer para que lado fica a sala de Transfiguração? Sou novo aqui, estou um pouco perdido’

‘Também sou novo aqui, mas por sorte vou utilizar a sala de duelos’ O homem estendeu a mão a ele, sorrindo ‘Marko Skolbar, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. A sala é no 8º andar, à esquerda da única escada que dá acesso a ela, não tem erro’

‘Obrigada, nunca conseguiria encontrar sozinho’ Micah apertou a mão dele aliviado ‘Micah Wade, e acho que suas aulas vão ser as melhores aqui. Ao menos vou ser o único a me sair bem, já que ninguém nunca estudou isso’

‘Bom saber que ao menos um aluno poderá me auxiliar’ Respondeu rindo ‘Mas vá depressa, ainda precisa subir quatro andares e a professora Ivana Mesic não é muito tolerante’

Ele assentiu com a cabeça e recomeçou a correr. Quando alcançou o último andar, já estava sem fôlego. O corredor era extenso, mas não foi difícil localizar a sala. Era a única barulhenta.

Quando abriu a porta, pensou que estava em uma festa infantil, com aqueles animadores que sempre sofrem nas mãos das crianças e ficam pedindo atenção, mas em vão. E tinha até um animador. Na frente da sala estava uma garota morena muito bonita, tentando inutilmente conter a gritaria, enquanto o resto da turma encantava bolinhas e aviões de papel para voarem de um lado para o outro na sala. Mas não havia sinal de professor algum. Ele ficou parado na porta olhando abismado para o circo, até que a menina notou sua presença e deixou cair o livro que pretendia atirar em algum colega. Ele riu da cara de espanto dela e fechou a porta.

‘Essa é a turma de Transfiguração do 6º ano?’ Perguntou caminhando até ela com a mochila nas costas ‘Ou é a turma de regressão?’

‘Transfiguração’ Evie respondeu como se não tivesse notado a ironia, ainda em transe ‘O que está fazendo aqui?’

‘Ah, então você se lembra de mim’ Micah falou em tom de brincadeira ‘A bolada não causou nenhum dano, muito bom’

‘O recreio acabou, estou de volta’ Uma mulher de cabelos grisalhos entrou na sala e em menos de cinco segundos transformou todos os aviões e bolinhas em fumaça ‘Srtª Parvanov, quando a nomeei monitora da minha classe, esperava que exercesse algum controle sobre seus colegas. Vejo que me enganei’

‘Desculpe professora, não vai se repetir’ Evie respondeu sem graça e correu de volta ao seu lugar ao lado de Milla, seu rosto queimando

Micah fez menção de imitar seu gesto, mas Ivana pousou a mão em seu ombro, o encarando com ar de curiosidade.

‘Outro aluno novo, eu suponho’ Ele confirmou com a cabeça e ela deu um sorriso. Mas era mais um sorriso de deboche do que simpatia ‘Não me lembro de tê-lo visto quando iniciei a aula, e ainda está com a mochila nas costas. Não tolero atrasos em minha classe, vou deixá-lo em detenção para que não esqueça a regra numero 1 de Ivana Mesic. Pode se sentar ao lado daquele rapaz na última cadeira, ele também é aluno novo. Depois da aula a Srtª Parvanov irá lhe mostrar o resto do castelo, desse modo saberá a localização de nossas salas de aula e evitará futuros atrasos’

Ele considerou a idéia de responder, principalmente porque sabia que cada um dos alunos que observavam o sermão fazia força para não rir, mas um minuto na presença daquela mulher deixou bem claro que ela não era alguém para se enfrentar. Derrotado, sentou ao lado do novato que tinha a mesma expressão desanimada que a dele.

‘Ty McGregor’ O garoto sorriu e estendeu a mão a ele ‘Bem vindo ao Alaska. Ou talvez um lugar mais frio que ele’

‘Micah Wade’ Ele apertou a mão dele aliviado que alguém ali não parecia ter se divertido com o sermão ‘Começou com o pé direito também?’

‘Imagina, só chamei a professora mais gata da escola de velhota, e depois insinuei que a avó dela era uma múmia’

‘Pelo menos ela era bonita, e não o Hitler de saias que me deu uma detenção no primeiro dia, e nem perguntou meu nome’

‘Cara, por um acaso tem bosta de dragão na minha testa? Eles me olham como se tivesse’ Falou esfregando a mão no rosto e retribuindo o olhar torto de alguns garotos

‘Também notei os olhares de quem comeu e não gostou’ Respondeu encarando um garoto de cabelos espetados que o analisava de cima a baixo ‘Estou me sentindo tão bem vindo! A qualquer instante uma vovó usando xale deve aparecer trazendo leite com biscoitos’

Ty deixou uma risada alta escapar e no mesmo instante a professora ergueu a cabeça e estreitos os olhos como um general na direção deles, ajeitando os óculos no rosto e voltando a folhear o livro sem dizer nada. Receptividade definitivamente não era o forte das pessoas de Durmstrang.

Monday, September 03, 2007

- Ty, vou precisar ir mais cedo para o trabalho, hoje fico de plantão no Departamento dos Mistérios, então seu padrinho vai te levar pra Bulgária, amanhã de manhã antes da primeira aula ok?
- Claro mãe, sem problemas.
- Então me dá um abraço apertado meu menino lindo. Sabe que eu te amo?
- Credo mãe, que as pessoas não escutem isso. - disse brincando, mas erguendo minha mãe do chão enquanto a abraçava apertado.
- Deixa de ser bobo: mãe pode tudo, já não te ensinei isso? Nos vemos no Natal certo?
- Sim. Até o Natal! Também te amo mãe. – nos despedimos e fui dormir, teria um dia cheio.

Meu padrinho chegou atrasado em casa e aparatamos para a Bulgária em cima da hora para assistir as aulas. Larguei minhas coisas no vestíbulo do castelo e fui até a sala do diretor, saber aonde deveria ir. Como ele não estava, falei com o vice-diretor e ele me mandou ir até a aula de Literatura Mágica, tudo iria bem se eu não tivesse me perdido num daqueles corredores que pareciam um labirinto. Quando chego à tal sala, encontro um aviso:

Aula de Literatura Mágica, nos jardins, ao lado da estufa Imperial.

Maravilha! Aqui eles tem uma estufa "imperial"? ¬¬. Acelerei para tentar achar os jardins e no caminho dei uma trombada com um homem usando roupas de peles.
- Desculpe.
- Ahá! Um dos pestinhas matando aula. Começamos cedo este ano. - disse mal humorado.
Pelos trajes e pelo cheiro de cachorro molhado só podia ser um guarda-caças. Respirei fundo e disse:
- Por favor, sou novo aqui e não sei onde fica a estufa Imperial. Minha aula é lá.
- Até parece que acredito nisso! Todos sabem que a Estufa imperial fica no lado leste, para melhor aproveitar os raios solares e... – nem terminei de ouvir o que aprecia ser uma longa explicação, já estava atrasado, saí correndo na direção indicada. Por sorte, a mania de meus pais de me manter treinando nas férias, me deu um bom condicionamento físico e não vomitei o café da manhã, depois de correr tanto. Acabei encontrando o grupo de alunos sentados, nos jardins e ficaram me olhando quando cheguei. Alguns cochichavam entre si, olhei para um garoto, que me examinava com olhar crítico e exclamei, sem intenção de ser ouvido, enquanto jogava meu material ao meu lado:
- Que sorte! Consegui chegar antes da velhota.
- Me avise quando ela chegar também para pegar uma cadeira para a pobrezinha, ela vai chegar exausta depois desta corrida. – disse uma voz suave às minhas costas. – e eu senti meu pescoço quente e ouvi alguns risinhos, enquanto a mulher passava por mim e se dirigia à frente da classe. Ela era alta, jovem e tinha olhos claros, e um sorriso... Pra resumir ela era: Linda! - meu queixo estava caído.
- Bem, após o atraso do seu novo colega o senhor... (e ela olhou as suas anotações) McGregor, vamos continuar o nosso assunto sobre os deuses mitológicos que representam as emoções humanas. Eu ia começar a falar sobre Éris, alguém sabe quem é?- olhou para a sala e uma garota de cabelos castanhos levantou a mão. Ela olhou para toda a classe e perguntou novamente:
- Só Ivanovich, sabe quem foi Éris? Não é possível. O que fizeram nestas férias? Divertiram-se? - e a sala riu com ela.
Como eu queria me redimir com a professora, agora era a hora de mostrar que as aulas da Emily entraram na minha cabeça, levantei a mão e ela me mandou ir em frente.
- Éris, segundo Hesíodo, é a deusa da discórdia na Mitologia grega, é a primogênita de Nix (a noite) e a mãe da Dor (Algea), da Fome (Limos), da Desordem (Dysnomia) e de outros flagelos. Porém Homero, na Ilíada diz que ela é a irmã de Ares, presumindo-se que seja filha de Zeus e Hera.- ai pra fechar com chave de ouro lembrei de um versinho do livro:

"(...) a Discórdia infatigável,
Companheira e irmã do homicida Ares,
Quem a princípio se apresenta timidamente, mas que logo
Anda pela terra enquanto a fronte toca o céu
."

- Muito bem senhor McGregor, acaba de ganhar um ponto para a Othila.
Como a professora batesse palmas e sorrisse, não me contive e fiz uma reverência como se estivesse me apresentando num palco. Percebi que a garota que havia erguido a mão, me olhou de cara feia. Mas quem se importa? A professora agora sabe quem eu sou.
Ao final da aula e antes de ir para a próxima aula, me aproximei da professora:
- Posso falar com a senhora?
- Pois não, senhor McGregor.
- Quero pedir desculpas, por me referir à senhora como uma velhota. Foi rude de minha parte. Mas é que eram as informações que eu tinha a respeito de quem lecionava esta matéria.
- E quem lhe disse isso? Posso saber?
- Foi meu padrinho, Sergei Menken. Ele disse que a mulher que dava esta matéria, devia estar com uns 200 anos. Parecia embalsamada já rsrs.
- Ah, ele deve ter sido aluno de minha avó. Nós temos o mesmo nome. – Bonito Ty, agora você chamou a avó dela de múmia. Ela deve ter notado que eu estava novamente envergonhado, pois riu me tranquilizando:
- Ela foi a responsável por esta matéria durante muitos muitos anos, e quando se aposentou eu me ofereci para tomar seu lugar. Desculpas aceitas senhor McGregor. Agora aconselho-o a seguir seus colegas para sua aula de Transfiguração. A professora Mesic, não costuma encarar com bom humor o atraso de seus alunos.
Nos despedimos e eu me limitei a seguir os alunos até a sala de Transfiguração, uma vez que eles apenas me olhavam e não falavam comigo. Talvez eu tenha pisado em bosta de dragão e não percebi ou quem sabe eles sejam tão fechados quanto as muralhas do castelo. Já vi que vou demorar a me adaptar a este país gelado.

Sunday, September 02, 2007

2 de Setembro de 1998

‘O Sr. Diperma está em uma reunião, mas irá lhe atender em 15 minutos’

‘Obrigado Anita, vou esperá-lo aqui’

A secretária já de idade sorriu gentil e fechou a porta do escritório, deixando Micah sozinho na sala do diretor. Ele largou a mochila no chão e sentou-se no sofá, apoiando a cabeça no encosto e fechando os olhos, cansado.

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Dois meses antes

‘Vamos Ryan, acorde!’ Shannon dava socos no peito do garoto, chorando ‘Ande seu idiota, levante!’

‘Pare Shan, ele-’ Sean pôs as mãos no ombro da amiga, mas ela o empurrou

‘NÃO. Não diga isso!’

‘Não há nada que você possa fazer, Shan’ Micah segurou suas mãos, forçando-a a soltar Ryan ‘Ele está morto’

A garota tentou se soltar, mas Micah a puxou para junto dele e a abraçou, deixando que ela chorasse em seu ombro. Gabriel e Evan estavam sentados na beira do rio chorando em desespero e Sean confortava Connor, enquanto Josh era o único de pé encarando o corpo sem vida de Ryan na terra úmida que beirava Fall Creek Lake.

‘O que vamos fazer agora?’ A voz de Micah estava vacilante quando ele falou

‘Como assim o que vamos fazer?’ Evan tremia, mas tentava manter a voz firme ‘Vamos levá-lo de volta’

‘Levá-lo de volta? O que você acha que vai acontecer se chegarmos com um corpo no meio da cidade?’ Josh tinha a voz alterada ‘Acha que vão nos confortar pela perda, ou nos acusar de assassinato?’

‘Foi um acidente’ Gabriel encarou Josh espantado ‘Não é culpa de ninguém, não podem nos acusar de nada’

‘Acorde Gabriel! Não sei como são as coisas onde você mora, mas não somos vistos como os modelos de garotos aqui em Los Angeles’ Josh agora achava graça do que estava falando ‘Se procurarmos a policia com um garoto morto, vamos presos no mesmo instante’

‘Gabriel tem razão, foi um acidente’ Micah agora estava de pé e de frente para o amigo ‘Vamos voltar com Ryan e contar a policia o que aconteceu, não vão nos culpar’

‘Não, vamos deixá-lo aqui e a policia que venha buscar o corpo!’ Todos encararam Josh perplexos, mas ele continuou ‘Não vou voltar com ele’

‘Fique aí então e volte nadando. Não cabe a você decidir isso, Josh. Vamos fazer o que a maioria achar melhor’ Micah abaixou ao lado de Ryan e olhou para os amigos ‘Então, o que querem fazer?’

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A viagem de volta à cidade foi silenciosa. Diferente de quando eles desciam o rio, ninguém conversava, ninguém ria, ninguém sequer se encarava. Cada um se ocupou com um remo e logo alcançaram a margem de onde haviam saído. Mesmo contra sua vontade, Josh seguiu com os demais até a casa de Ryan, onde Micah se encarregou de contar à sua mãe o que havia acontecido. A mulher entrou em desespero, mas Shannon a acalmou levando-a com eles até a delegacia trouxa mais próxima e lá informaram que o corpo de Ryan estava no barco amarrado à beira do lago Fall Creek.

Fogos em comemoração ao 4 de Julho explodiam por toda a cidade enquanto uma viatura da polícia saia em disparada para o local indicado. Connor, seu pai adotivo e a mãe de Ryan foram com eles, mas os outros ficaram retidos para interrogatório. Um delegado aparentando ter 40 anos, cabelos pouco grisalhos e expressão calma entrou na sala e encarou cada um dos 6 garotos antes de sentar. Todos contaram a mesma versão da história até onde começou a brincadeira de verdade ou desafio, e então as coisas começaram a se contradizer.

‘Então ele me provocou, insultou a mim e aos meus amigos com coisas que prefiro nem repetir’ Josh estava calmo e relatava sua parte ao delegado ‘Eu me alterei e queria brigar com ele, não nego, mas não o empurrei na água’

‘Então quem o empurrou?’ O delegado começava a suspeitar de incompatibilidade de informações, mas deixou que os garotos prosseguissem

‘Micah’ Josh foi categórico ‘A idéia de levá-lo ao rio foi dele e de empurrá-lo na água também. Foi ele quem empurrou Ryan’

‘Empurrei-o porquê você estava a ponto de matá-lo enforcado!’ Micah pôs-se de pé e apontou para Josh, furioso

‘Sente-se senhor Wade’ o delegado manteve a voz calma e Micah obedeceu ‘Quer nos contar a sua versão?’

‘Ryan conseguiu tirar a todos nós do sério e Josh perdeu o controle quando ele mencionou seu pai’

‘Ele passou dos limites com o que disse sobre meu pai!’ Josh esbravejou

‘Quero somente o senhor Wade contando a história agora’ Josh encarou a mesa quando recebeu um olhar severo do delegado ‘Por favor, prossiga’

‘Obrigado. Como dizia, Josh perdeu a cabeça com os insultos de Ryan e partiu para cima dele. No mesmo instante eu interferi na briga, tentei apartá-los, mas Josh estava com muita raiva e apertava seu pescoço’

‘Eu não tinha a intenção de matá-lo, queria apenas que ele calasse a boca!’ Josh tornou a interromper ‘Não tente fazer parecer que eu queria vê-lo morto, seu babaca. A idéia toda foi sua para começo de conversa, e você também estava de cabeça quente quando o empurrou na água!’

‘Eu desisti da brincadeira!’ Micah respondeu no mesmo tom ‘Falei que não queria mais fazer isso e foi você quem disse que eu era um fraco por isso!’

‘Já chega!’ O delegado perdeu a paciência e levantou da cadeira ‘Senhor Pace, saia da sala. Saiam todos. Quero somente o senhor Wade aqui. Vou ouvi-los um a um para não haver interrupções’

Todos os garotos deixaram a sala e aguardaram sentados na sala do delegado. O depoimento de Micah terminou depressa e um a um, o delegado foi chamando-os. Josh foi o ultimo e demorou mais do que o esperado. Todos estavam apreensivos quando ele finalmente saiu da sala e encarou Micah com um olhar cheio de raiva.

‘Se eu for preso por sua causa, você vai pagar muito caro’

‘Como pode falar isso?’ Micah levantou para enfrentar o amigo no mesmo nível ‘Eu contei a verdade, foi você quem distorceu as coisas!’

‘Eu estava tentando nos livrar do reformatório! Mas se quer saber, pouco me importa agora o que vai acontecer com você. Contei toda a verdade ao delegado, boa sorte!’

‘O que foi que você aprontou dessa vez??’ Micah agarrou Josh pela gola da camisa e o atirou contra a porta

‘Estão todos de prova que ele me atacou sem razão, não é?’ Josh falou alto, atraindo a atenção de alguns policias que circulavam no corredor ‘Depois ele vai dizer que não tinha a intenção de jogar o garoto na água e vocês vão acreditar nele’

‘Senhor Wade, por favor, entre outra vez’ o delegado apareceu na porta e encarou Micah sério

‘Escute bem Josh, porque essa pode ser a ultima vez que vai ouvir alguma coisa de mim’ Micah se aproximou dele e falou baixo, de maneira que somente ele pudesse ouvir ‘Você e eu, acabou. Nossa amizade termina aqui. Independente do que me acontecer. Vou fazer você pagar por isso, vou fazê-lo se arrepender por se meter comigo’

Micah soltou Josh e voltou à sala onde tinha prestado depoimento. Aquela noite de 4 de Julho de 1998 foi a ultima vez que eles se falaram durante um longo tempo.


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‘Então Sr. Wade, pelo que entendi de sua carta, está solicitando sua transferência de nossa escola?’

O diretor Diperma havia retornado da reunião e encarava Micah preocupado, segurando um papel nas mãos. Micah estava sentado de frente para ele e mantinha uma posição irredutível.

‘Isso mesmo, senhor’ O garoto respondeu ‘Quero ser transferido para o Instituto Durmstrang’

‘Perdoe-me a intromissão, mas por que a decisão repentina? Faltam apenas dois anos para a conclusão de seus estudos, vai deixar seus amigos aqui para estudar em uma escola tão longe? Poderia transferi-lo sem problemas para a escola do Alabama, Tenessee ou Iowa, basta escolher uma’

‘Desculpe senhor, mas não quero continuar na América’ Micah encarava o diretor decidido ‘Preciso me afastar, e como sei falar búlgaro, o Instituto Durmstrang me parece uma boa opção’

‘Espero que isso não tenha nada relacionado à morte de Ryan Merric’ Quando Micah não respondeu, ele continuou ‘Bom, se é mesmo o que quer e se tem certeza de que está tomando a decisão certa, não vejo problemas em sua transferência. Já entrei em contato com o novo diretor da escola, o senhor Igor Ivanovich, e ele disse que será bem vindo em sua escola’

‘Obrigado senhor Diperma’ Micah levantou e estendeu a mão para o diretor

‘Não agradeça, apenas não justifique seus atos pelos motivos errados. O diretor Ivanovich o aguarda amanhã na escola. Pode ir até o alojamento caso tenha deixado algo para trás e partir hoje mesmo para a Bulgária se preferir. Espero que encontre o que procura por lá, só lamento perder um de meus melhores alunos’

‘Tenho certeza que irei encontrar’

‘Boa sorte, Micah’

Micah agradeceu e fechou a porta do escritório. Olhando pela última vez para os corredores onde alunos passavam apressados para acomodas as bagagens e rever os amigos, ele deixou o prédio da escola. E naquele momento ele desejou nunca mais tornar a vê-lo.

Saturday, September 01, 2007

‘Vovó? Posso entrar?’

Evie girou a maçaneta devagar e entrou no quarto em silêncio. Ela havia chegado da Califórnia há dois dias, e depois de deixar a mala pronta para retornar a Durmstrang, foi fazer uma visita aos avôs. Toda a família já estava de volta das férias na Espanha e Andrei, que também retornaria à escola, organizava seus livros no escritório. Ela o cumprimentou e subiu para ver a avó. Evangeline melhorara muito desde que saiu do hospital, mas sua saúde não podia ser considerada a melhor. E Evie sabia disso.

‘Entre minha querida, estou só descansando’ Ela ouviu a voz fraca, mas feliz, da avó

‘Está tudo bem?’ Ela sentou na cama ao lado da avó e sorriu, tentando não parecer preocupada ‘Vovô disse que não estava se sentindo bem’

‘Andrei é exagerado, só estou com dor de cabeça’ Evangeline sorriu ‘Como foram as férias com Josh? Se divertiram?’

‘Foi legal’ Falou desinteressada ‘Está se sentindo bem mesmo?’

‘Estou. E não quero que se preocupe’ Ela foi taxativa ‘E por que está com essa carinha desanimada? O que aconteceu? Você não veio aqui só perguntar se eu me sinto bem, quer me contar alguma coisa’

Evie esboçou um sorriso fraco e deitou na cama ao lado da avó, deixando que ela mexesse em seu cabelo, começando a relatar todas as três semanas de férias na Califórnia. Ela sempre se sentiu segura em conversar com a avó sobre suas inconstantes dúvidas sobre tudo e todos. Evangeline ouvia a tudo com atenção, sem interromper a neta, e só se pronunciou quando o quarto caiu em silêncio outra vez.

‘Já esperava por isso’ Disse sem conter um riso fraco

‘O que quer dizer com isso, vovó?’

‘Quero dizer que acho você nova demais para se prender a alguém assim’ Ela encarava a neta agora séria ‘Você tinha pouco mais de 12 anos quando começou a namorar esse rapaz, ambos eram muito crianças ainda’

‘Está dizendo que eu cansei dele?’

‘Acho que sim. Você só tem 16 anos, ainda tem tanta coisa pra ver e viver. Não deve se prender desse jeito’

‘Eu não vou terminar com ele porque estou cansada’ Disse parecendo indignada ‘Só nos vemos nas férias, talvez seja isso. E não é sempre que quero ficar sozinha quando estou com ele. Ele só me cansa às vezes, e geralmente é quando está com Max’

‘Não disse para terminar com ele’ Ela agora ria ‘Mas quero que me prometa uma coisa... Não se feche a nada e nem ninguém por causa disso. Você é muito nova, e quero que faça loucuras de vez em quando, saia com outras pessoas, experimente coisas novas, quebre regras. Ao contrário do que seu avô diz, ela não foram feitas para serem seguidas à risca. Era o que eu sempre dizia à sua mãe, mas não sei se ela seguiu todos os meus conselhos. Casei com seu avô muito nova, ele foi meu único namorado. Não estou dizendo que me arrependo, pois tinha certeza dos meus sentimentos por ele. Mas você não tem, e não quero que cometa o mesmo erro de sua mãe. Promete que vai estar aberta a novas possibilidades?’

Evie ficou encarando a avó por um tempo, um pouco chocada. Ela estava mesmo lhe dizendo para agir com menos responsabilidade de vez em quando? Que ser inconseqüente às vezes era bom? E a idéia de não se fechar para outras pessoas não era de todo mal, quem sabe assim ela poderia ter certeza de algo na vida?

‘Prometo’ Disse sorrindo, deitando outra vez ao lado da avó e pegando no sono com ela

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‘Fui nomeada líder do clube de Herbologia e Botânica!’ Vina falou empolgada

O banquete de boas vindas começaria em alguns minutos e todos os alunos já estavam acomodados nas quatro mesas do salão principal. Todos aguardavam ansiosos para saber quem faria o discurso de boas vindas, e enquanto isso tentavam se atualizar sobre as novidades das férias.

‘Vina que demais!’ Evie tinha o mesmo tom empolgado ‘Também fui nomeada líder do clube, mas de Transfiguração! Não sei como isso vai funcionar, mas estou animada! E a professora Ivana também me nomeou monitora das aulas dela’

‘Que legal Evie!’ Milla falou ‘Cinco anos puxando o saco da professora serviram pra alguma coisa!’ Todas riram

‘É verdade, meu esforço não foi em vão’ Disse fingindo estar orgulhosa do trabalho árduo

‘Também recebi um distintivo desses’ Milla tornou a falar puxando o broche do bolso ‘Mas para Trato de Criaturas Mágicas. Ele é lindo, não?’

‘Ele quem?’ Evie perguntou rindo ‘O professor ou o distintivo?’

‘Os dois!’ Respondeu rindo

‘Notaram que tem alguns alunos novos da nossa idade?’ Nina estava alheia às brincadeiras e olhava ao redor curiosa ‘Não são só calouros de 11 anos’

‘Boa noite a todos’ Um homem de cabelos curtos e negros e aparência rígida ficou de pé e elas olharam assustadas. Não haviam notado sua presença. Todos fizeram silêncio, observando-o com atenção ‘Primeiramente, sejam bem vindos para mais um ano em Durmstrang. Agora quero me apresentar’ Ele caminhou para frente da mesa dos professores e encarava os alunos com uma expressão séria ‘Me chamo Igor Ivanovich, e sou o novo diretor da escola, nomeado pelo Ministro da magia búlgaro’ Os alunos começaram a cochichar, mas o homem pigarreou alto e todos se calaram ‘Entendo que vocês passaram dois anos sem alguém que pudesse comandar essa escola de maneira correta, e quero alertá-los que hoje começa uma nova era para o Instituto Durmstrang. Muitas mudanças serão estabelecidas, e uma que já começou a funcionar durante as férias de verão é a de que, a partir de hoje, este Instituto não mais será conhecido como uma escola exclusiva para alunos de sangue puro’ Mais murmúrios se espalharam pelo salão, e dessa fez Igor precisou de mais que um simples pigarro para controlar os alunos ‘Para estudar magia não é preciso vir de uma família tradicional em nossa sociedade. Se a pessoa tiver a magia dentro dela, isso é mais que suficiente. A segunda mudança, que entrará em vigor segunda-feira, é que as aulas de Artes das Trevas estão banidas para sempre’ Mais murmúrios, mas agora em quase sua totalidade de aprovação. Igor deu um leve sorriso com a reação e continuou ‘Sou extremamente intolerante com qualquer tipo de arte das trevas, e a partir de agora tudo relacionado a isso será erradicado deste castelo. As punições para as práticas ilegais serão duras, e poderão levar à expulsão. Em contrapartida à proibição das aulas dessa matéria, vocês agora aprenderão a se defender delas. Por isso, teremos uma matéria nova para vocês, a Defesa Contra as Artes das Trevas, que será lecionada pelo professor Marko Skoblar’ Ele indicou um homem muito jovem no canto da mesa, que se levantou e cumprimentou os alunos discretamente ‘Ele é um auror e foi selecionado pelo Ministro da magia em pessoa. Temos também mudanças para os alunos que freqüentam as aulas de artes. A professora Aurora se aposentou, e as aulas a partir de agora serão comandadas por um grande amigo, o professor Ivo Sanader’ Um segundo homem ficou de pé, mas parecia mais entusiasmado ‘Tenho mais um comunicado a fazer, esse de suma importância, mas acho que pode esperar até o fim do jantar. Bom apetite!’

O novo diretor estalou os dedos e as quatro longas mesas se encheram com o banquete de boas vindas. O silêncio no salão principal foi rapidamente substituído por conversas e garfos batendo nos pratos dos alunos mais famintos. Evie e as amigas tinham muita conversa para pôr em dia, mas decidiram que as novidades das férias poderiam esperar até que já estivessem na república, e todas se ocupavam em devorar a comida preparada pelos elfos. Todas, menos Annia. A garota espetava o garfo na batata e a deixava cair, espetando outra vez. Quando o ritual foi repetido pela 5ª vez, Nina resolveu interromper.

‘Qual o problema, Annia? Está sem fome?’

‘O que?’ Falou como se acabasse de notar a presença das outras ‘Ah sim, comi no trem, não estou com muita fome’

‘Legal esse diretor novo, não?’ Vina falou animada ‘Não teremos mais aquela matéria horrível!’

‘Sim, gostei muito dessa novidade’ Evie respondeu na mesma empolgação ‘E também do professor novo de artes, a Aurora era esquisita’

‘Também aprovei a entrada de alunos mestiços’ Milla falou espetando uma batata ‘Vai abaixar a crista de muita gente aqui. E você Annia, o que achou dele?’

‘Ele quem?’

‘O diretor, dãã’ Milla fez as outras rirem ‘Onde está com a cabeça hoje?’

‘Ah não me amolem!’ Annia cruzou os braços e afundou no banco

Ninguém falou mais nada durante o resto do banquete. O mau humor de Annia foi ignorado pelas amigas e quando as sobremesas começavam a se dissolver na mesa, o diretor tornou a levantar. Todos, mais uma vez, fizeram silêncio e voltaram à atenção a ele.

‘Antes de liberar todos para suas camas quentes e confortáveis, tenho mais um comunicado a fazer’ Ele tornou a se levantar e agora sorria ‘Este ano, o Instituto Durmstrang, juntamente com a Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts e a Academia de Magia Beauxbatons, estará sediando a I Olimpíadas Bruxas Interescolares’ Os alunos se agitaram nas mesas e nem mesmo o pigarro pode conter o entusiasmo. Ele teve que prosseguir com o tom de voz elevado ‘As delegações de Hogwarts e Beauxbatons, junto com as delegações de mais 20 instituições de ensino de magia do resto do mundo, chegarão à nossa escola no dia 27 de Outubro, e os jogos terão início no dia 29. A abertura será no dia 28, aqui em nossa escola, e o encerramento será sediado em Hogwarts, no dia 17 de Novembro. Os professores Ivo Sanader e Viggo Volkov têm posse de uma lista com a relação de todas as modalidades que farão parte dos jogos. Portanto, os alunos interessados em competir deverão procurá-los e fazer a inscrição. Acho que essa será uma excelente maneira de interagirmos com bruxos de diferentes culturas, será muito interessante para todos. Por hoje é só isso. Bem vindos de volta e para cama!’

O homem continuou parado em frente aos alunos, cumprimentando os que passavam por ele e acenavam com a cabeça. Ele olhou na direção onde meninas estavam sentadas e piscou, se distraindo em seguida com um aluno do 7º ano que lhe estendeu a mão.

‘Ele piscou pra gente?’ Milla olhou confusa para as amigas ‘Porque se piscou, foi meio esquisito, não?’

‘Ele não piscou pra gente’ Evie encarou Annia ‘Ele piscou pra ela!’

Annia agora se encontrava quase debaixo da mesa de tão encolhida que estava. As amigas pareciam juntar as peças de um quebra-cabeça obvio, e começavam a rir aos poucos.

‘Annia, o diretor novo é seu pai??’ Vina falou alto o suficiente para atrair a atenção dos que passavam por elas

‘Mas é claro que é, Vina! O nome dela é Anastácia Ivanovich, o homem se chama Igor Ivanovich, e acaba de piscar pra ela!’ Nina falou como se fosse obvio demais para terem demorado tanto a compreender

‘Ou isso, ou ele é tarado’ Evie falou arrancando gargalhadas das amigas

‘Ótimo’ Annia levantou mal humorada da mesa ‘Como se já não fosse ruim o suficiente ter meu pai na escola 24h por dia, agora são vocês me amolando’

‘Não se preocupe Annia, não vamos perturbar você’ Milla falou rindo ‘Talvez só um pouquinho, bonitinha do papai que ganhou uma piscadinha’ Milla apertou as bochechas da amiga e todas riram.

Annia se desvencilhou das mãos dela e desapareceu pelo meio dos alunos que deixavam o salão principal, deixando as amigas na mesa sem conseguir parar de rir. O ano prometia ser diferente.

********************

FIM DAS FÉRIAS DE VERÃO! Acabou a moleza, vamos estudar! =)

Sunday, July 01, 2007

Ficamos pela escola por um bom tempo tentando digerir a noticia da morte da tia do Chris, e aí começamos a prestar atenção aos alunos que o diretor Klasnic ia se aproximando para chamar para conversar na sua sala. Percebi quando ele chamou Riven e ele voltou sério, passando por nós como se fossemos invisíveis. Não demorou muito e Iago saiu correndo do castelo e o acompanhou para fora. Como os exames haviam terminado, olhei para minhas amigas e disse:
- Eu vou atrás deles, quero saber o que esta havendo. Nos vemos na república.
Corri o mais rápido que pude e fui alcançá-los quase na porta da Chronos.
- Ei Iago, você nem falou comigo depois das provas, o que foi que aconteceu?
- Desculpa Lud, mas preciso ajudar o Riven a juntar as coisas dele para ele ir embora. – olhei para Riven e ele não escondia as lágrimas que caíam e disse:
- Meu tio foi morto Milla. Estão vindo me buscar, preciso arrumar minhas coisas, o mais rápido que puder.
- Oh, Riven sinto muito. Eu vou ajudar vocês.
Entramos e o ajudamos a juntar os livros, roupas e tudo que ele havia usado na escola. Embalei com cuidado o kit de poções que ele usava e quando ele estava pronto, começamos a andar de volta para a escola. Ao chegar a frente aos portões um homem de cabelos negros e olhos cinzentos o esperava. Depois que ele abraçou ao pai, ele nos apresentou:
- Pai, este são meus amigos: Ludmilla Kovac e Iago Karkaroff. Este é meu pai, Dylan McGregor. – o homem nos acenou com a cabeça e disse rouco:
- É uma pena conhece-los numa situação destas. Espero que nos visitem assim que for possível.
Nos despedimos e ficamos encarando por um tempo, o local até onde eles andaram e usaram uma chave de portal.
- Iago porque você não foi com ele? O Max e a Evie foram com o Chris, eles voltarão depois do funeral.
- Eu não poderia ir, Lud. Por mais que eu quisesse.
- Como não? Ele é seu amigo precisa de apoio numa hora destas e...
- Eu sei disso, mas o que ele menos precisa é que o filho de um comensal da morte, seja apresentado á família neste momento. Sabia que ser auror na família dele é tradição? E que vão estar lá pelo menos uns dez deles, entre familiares e amigos? E que o tio dele que morreu, fez parte do grupo que prendeu meu pai? Foi um dos que participaram do interrogatório.
- Você tinha raiva do tio dele? – perguntei e me arrependi no ato ao ver a expressão dele.
- Não, não podia ter raiva dele. Sabe, minha mãe me contou que ela foi interrogada com Veritasserum para saberem se ela era comensal ou não. E o tio do Riven foi dos poucos que não a tratou como lixo, durante o julgamento do meu pai. Sinto muito pelo Riven e pela família dele, e mais ainda porque não posso estar ao lado do meu amigo para ajudar. – e lágrimas correram por seu rosto como se ele precisasse desabafar.
- Ele sabe que pode contar com você Iago. Ele sabe...
Abracei-o apertado e ficamos assim por um tempo. Tudo que eu queria era que a aberração chamada Lord das Trevas desaparecesse e deixasse o nosso mundo em paz.

I'm going home back to the place where I belong
where your love has always been enough for me
I'm not running from you know I think you got me all wrong
I don't regret this life I chose for me
But these places and these faces are getting old
So I'm going home

O trem que nos levava para casa ia parando de estação em estação e estávamos jogando cartas, para nos distrair, quando sentimos uma freada brusca e o baralho foi ao chão.
- Opa, isso não vale. Eu ia bater, pela décima vez. – resmungou Nina.
- Estamos em Pleven, não paramos aqui da outra vez... - disse Ricard
- O que será que houve?- perguntou Evie e Iago disse:
- Vou até o maquinista ver o que aconteceu.
- Eu vou junto. – disse Ricard, e quando abriram as portas da cabine, uma lamparina se quebrou rente á cabeça deles, e ouvimos gritos assustados:
- São comensais e estão atacando o trem. Protejam-se!
- Fiquem aqui. - disse Iago e saiu de varinha em punho seguido por Ricard e Vitor. Ouvi o barulho da porta de outras cabines se abrindo, e gritos de medo. Olhei para minhas amigas e me levantei para ir atrás deles.
- Você não ouviu Milla? Ele mandou ficar aqui. - disse Evie assustada, abraçada a Vina.
- Ouvi, mas se estão atacando o trem esta cabine não vai estar segura por muito tempo. – respondi e saí indo atrás deles.
Vi quando Luka saiu da outra cabine, e foi seguido por Max e outros garotos, com suas varinhas em punho. Saquei a minha e ao olhar para trás vi as meninas se aproximando e fomos seguindo o barulho do que parecia um combate. Alguns mascarados duelavam com pessoas na plataforma e vi os garotos saltando do trem para ajudar.
- Oh vejam, o Vlad está lutando contra eles. – disse Vina e reconhecemos seu irmão que era auror. E havia outros que eram como ele tentando defender a plataforma e impedir que os mascarados tomassem o trem.
Me protegi numa janela e comecei a mirar a lançar feitiços para desarmar. Isso aumentaria a vantagem do nosso lado. Os outros alunos começaram a fazer o mesmo, e isso pareceu equilibrar as coisas. De repente vi quando um mascarado que parecia ser o líder, apontou a varinha para um homem que estava caído e sangrando no chão, e antes que eu fizesse alguma coisa, Iago e Luka apontaram suas varinhas ao mesmo tempo:
- Avada Kedrava. – e o mascarado caiu ao chão desacordado. Os outros ao perceberem a perda de seu líder e que os alunos não hesitavam em usar maldiçoes imperdoáveis começaram a desaparatar em fuga.
Os alunos de dentro do trem começaram a bater palmas para comemorar a nossa vitória e nos juntamos a eles. Vlad, irmão de Vina, pediu que entrássemos no trem e outros aurores entraram com ele. Iriam ser nossa escolta até a última parada do trem em Sofia. Quando Iago entrou, eu o abracei com força e ele resmungou:
- Mandei ficar na cabine.
- Gostamos de quebrar regras. - pisquei marota e ele riu. Por cima de seu ombro vi Luka com os olhos apertados nos encarando e quando viu que eu o olhava ele desviou os olhos.
Pelo resto da viagem ficamos ouvindo os meninos narrando os combates e em alguns casos até aumentavam a sua participação na luta, mas ninguém se importou. Estávamos salvos.
Quem tentou levar o terror até os alunos de Durmstrang, descobriu que seríamos osso duro de roer.

Musica: Home, Chris Daughtry

Um aviso a quem acompanha as historias de Milla, Evie, Lavinia, Nina e seus amigos de Durmstrang. Estamos entrando em férias no blog, e voltaremos em Setembro. Porque isso? Porque como todo fã de Harry Potter, estamos em contagem regressiva para a estréia do filme e do livro 7, então nossas mentes estarão ocupadas por um tempo sofrendo com as decisões importantes que J.K.Rowling tomou ok?
Mas as meninas vão contar suas aventuras nas férias em seus blogs pessoais para matar as saudades.
Até breve!

Thursday, June 28, 2007

‘Não estou muito confiante que tenha conseguido um “O” em Poções...’

Um Chris desanimado se juntou ao grupo que já estava espalhado no pátio da escola. O ultimo exame dos N.O.M.s acabara de terminar e a turma do 5º ano começava a sentir o clima de liberdade no ar. Foram cinco longos e exaustivos dias de provas teóricas e práticas com examinadores velhos e rigorosos, e agora eles faziam uma avaliação de seus desempenhos.

‘Todo ano ele fala a mesma coisa, ai chega o relatório e estão lá estampadas as melhores notas da turma!’ Max riu bagunçando o cabelo do amigo

‘Não, mas é sério dessa vez!’ Chris era o único que não ria ‘O exame estava muito difícil, fiquei nervoso na parte prática, o examinador ficava cheirando minha poção e fazendo careta!’

‘Bom, mesmo que você não consiga um “O”, se conseguir um “EE” o professor Klasnic vai deixar você continuar com as aulas’ Evie tentou acalmar o amigo ‘Você faz parte do clube de poções avançadas e tem chances de ser indicado pelo professor para participar do “Caldeirão de Ouro Júnior”, não precisa se descabelar, ele nunca deixaria um aluno como você ficar de fora das aulas’

‘É Chris, relaxa’ Milla desenrolava e enrolava de volta o cachecol, indecisa entre o frio e o calor ‘Ninguém foi tão mal quanto eu em Alquimia, se tiver tirado um D, vou ficar feliz!’

‘Somos duas então!’ Nina falou rindo ‘Mas Alquimia é opcional, podemos desistir ano que vem’

‘Sem duvida fui mal também, mas se a professora Kollontai não me expulsar das aulas pela nota lamentável, não vou desistir’ Evie cruzou os braços revoltada ‘Acho um absurdo não conseguir transmutar nem uma pedrinha minúscula depois de 5 anos, vou aprender isso nem que seja a ultima coisa que eu faça!’

‘Alquimia é tão fácil, não sei porque vocês não conseguem fazer os exercícios bobos que a professora pede’ todos olharam feio para Annia e ela riu alto ‘Não adianta me olharem assim, é verdade!’

‘Eu fui o único que não lembrei o nome dos filósofos bruxos e inventei nomes ou mais alguém também se saiu mal em Literatura Mágica?’ Luka falou rindo e quase todos levantaram as mãos ‘É, bom, isso conforta um pouco... Mas a professora Mira é tão linda, espero que seja piedosa também e me deixe continuar com as aulas’

‘Argh, e Arte das Trevas?’ Vina bufou alto arrancando o cachecol do pescoço ‘Não sei como ainda temos essa matéria, é um absurdo ser avaliado em um N.O.M. e esperar ter se saído bem em como torturar e matar uma pessoa inocente! Espero sinceramente que seja reprovada nisso, e assim possa ser liberada das aulas no próximo ano’

‘Eu até que gosto das aulas’ todos olharam espantados para Max ‘Calma, não disse que acho legal sair por aí usando o que aprendemos, só acho que é bom, porque sabemos as armas do inimigo. Ou vai dizer que preferiam não ter qualquer noção do tipo de coisa que esses comensais fazem às pessoas?’

Ninguém respondeu de imediato, mas a troca de olhares deixava claro que todos concordavam com Max. Milla mudou o assunto lembrando do exame de Transfiguração, quando o grupo foi interrompido pela chegada do vice-diretor. Ivan Klasnic parou ao lado da roda e Shane, primo de Chris do 4º ano, estava ao seu lado.

‘Sr. O’Shea, pode me acompanhar, por favor’ disse sério, algo que não era comum

‘O que aconteceu?’ Chris congelou ao ver que o primo acompanhava o diretor, como se já esperasse ser chamado por ele

‘Por favor, acompanhe-me até meu escritório, preciso falar em particular com o senhor e o Sr. Foutley’

Chris olhou para Evie e Max antes de levantar e seguiu o diretor pelo corredor que levava até sua sala. Ninguém no grupo pareceu perceber que algo de errado estava acontecendo e o assunto sobre os exames continuou, mas Evie não participou mais da conversa. Ela sabia exatamente o que tanto afligia o amigo, e a idéia de que talvez as preocupações de Chris se concretizassem lhe causos calafrios.

A conversa entre o diretor e os dois primos durou cerca de 10 minutos, e logo Chris estava de volta ao pátio. Evie viu quando Shane atravessou o gramado apressado, e notou que ele tinha lágrimas no rosto. Max também notara isso, e encarou a irmã preocupado quando Chris parou em frente a eles com os olhos inchados que denunciavam que ele estivera chorando.

‘Está tudo bem, Chris?’ A pergunta era idiota, mas ainda assim inevitável

‘Minha madrinha, ela-’ ele engasgou sem conseguir terminar a frase, mas não era necessário

‘Como foi isso?’ Max ficou de pé e parou ao lado do amigo, apertando seu ombro

‘Um ataque em Hogwarts’ as palavras pareciam doer ao saírem, mas Chris continuou ‘Ela estava tirando Harry Potter do castelo quando um dos comensais lançou o avada kedavra nele’ Chris fez uma pausa, como se dizer aquilo fosse a coisa mais difícil que ele já fizera ‘Ela se atirou na frente para receber o feitiço e salvar sua vida’

‘Chris, eu sinto muito’ Evie estava de pé também e o abraçou. Chris não tentou mais reter as lágrimas e permitiu que elas caíssem

‘Meu pai está vindo nos buscar, vamos para casa hoje mesmo, o enterro é amanhã’

‘Evie e eu vamos com você’ Max falou decidido e teve o apoio da irmã

‘Não vamos deixar você sozinho, vamos ficar ao seu lado amanhã’ Evie sorriu de leve para o amigo e ele retribuiu ‘Megan sempre foi gentil conosco’

‘Obrigado, vou precisar de vocês dois lá’

‘Chris, se você precisar de alguma coisa, a gente vai estar aqui’ Milla o abraçou também, os olhos marejados

‘Fica bem, ok?’ Vina tentava segurar as lágrimas quando o abraçou

Chris se despediu dos amigos e caminhou até sua república para começar a juntar as coisas para voltar para casa. Seu pai, Kegan, já aguardava nos portões da escola com Shane quando ele chegou ao lado de Evie e Max. Seus amigos voltariam depois do enterro, mas ele ficaria em casa e só voltaria a ver o castelo em Setembro.

Tuesday, June 12, 2007

Iago e eu caminhamos até a sorveteria e ao contrário do que imaginávamos ela estava cheia. Mas logo conseguimos uma mesa e ficamos tomando sorvete com calda quente, rindo e conversando.
- Ah, mas eu não levo muito jeito pra Herbologia, nunca fui muito ligado a plantas. Mas gosto de frutas. - dizia Iago enquanto roubava as cerejas que havia em meu sorvete.
Notamos quando Luka entrou na sorveteria e vinha acompanhado de Nadja Zolkoff, uma morena alta da Ansuz, que fazia parte do grupo da Geórgia, as tais garotas populares. Notei que Iago ficou rígido ao meu lado e tornei a olhar para os dois. Ela cochichou algo no ouvido de Luka e ele assentiu enquanto vinham em nossa direção.
- Oi Karkaroff, Kovac. Podemos sentar com vocês? Está tão cheio e a mesa de vocês é ótima. - ele perguntou.
- Claro, temos lugares sobrando. – respondi após olhar para Iago.
Começamos a conversar sobre coisas comuns, até que os garotos começaram a falar do assunto que os alimenta: Quadribol, até que em determinada hora ela disse:
- Não consigo entender como vocês gostam tanto de quadribol. É tão violento e tão sujo não é Milla?
- Também acho, mas sabe que passei a apreciar os jogos? Alguns jogadores são muito bons em campo. - e coloquei a mão sobre a de Iago que a pegou sorrindo.
- Milla costuma jogar conosco nas férias por brincadeira. Por sorte o irmão dela joga muito bem, e ela só fica voando de um lado a outro, apreciando a paisagem. – provocou Luka.
- Não seja mentiroso Luka. Não tenho a obrigação de ser uma boa jogadora, afinal eu não sonho com a carreira no quadribol. - respondi.
- Claro que uma garota não deve nem pensar em jogar quadribol, ficariam masculinizadas. - disse Nadja.
-Além de que algumas não teriam cérebro para tanto. - disse Luka e o excesso de chauvinismo estava me irritando.
- Mas algumas jogam muito bem e fazem parte das seleções de seus países, vejam a Moran, da seleção da Irlanda. Ela é bem bonita e muito inteligente. - comentou Iago e Luka concordou, dizendo ter lido a última entrevista dela na Só Quadribol.
- Ah é? Você acha a Moran bonita jogando quadribol? Talvez eu deva jogar também. - provoquei e ele e Luka começaram a rir com gosto ao gritinho horrorizado de Nadja.
- Claro que isso seria um delírio né? Você não faria uma coisa idiota destas. Seria massacrada no primeiro jogo. E imagina o que falariam de você. Nem pensar! - disse Nadja.
- E você é pequena demais, o vento te levaria embora. – disse Luka e Iago riu junto com ele.
- Porque seria uma catástrofe? Já pensaram que talvez a violência nos jogos diminua se as garotas começarem a entrar em campo? Podemos ser tão boas quanto os rapazes.
- Isso não vai acontecer, Milla. Nunca uma garota conseguirá jogar aqui, sem correr riscos. E imagina termos que separar os vestiários, porque não haveria lugar pros bobs e cremes delas rsrsrs. – disse Luka.
-E se quebrarem uma unha? Olha o desastre mundial: jogo em dia de chuva. – completou Iago e ele e Luka começaram a gargalhar com gosto e Nadja ria com uma cara tonta junto com eles e disse entre uma risadinha e outra:
- Sabe que sinto falta deste seu bom humor Iago? Fomos tão felizes juntos. Oops! Escapou. - ela disse pondo a mão na boca quando viu que eu parei de rir. Olhei para Iago e ele estava calado, e Luka tinha um brilho divertido no olhar. Parecia que ele queria ver o circo pegar fogo.
Respirei fundo e olhei para Nadja e sorri dizendo:
- Iago é sempre muito engraçado mesmo. Sabe, o papo está ótimo, mas eu preciso ir embora, ainda tenho alguns pergaminhos para escrever. Tchau. – Iago rapidamente pôs o dinheiro na mesa e se despediu deles, vindo atrás de mim. Tentou por a mão em meu ombro, mas ao ver o olhar feio que lancei para ele, ele recolheu a mão. Andamos por um tempo, e de repente me virei zangada:
- Quer dizer que uma garota não pode jogar quadribol porque iria quebrar as unhas e o mundo sairia do eixo?
- Ou então vocês escorregariam nos cremes delas? ¬¬.
- Ah não, nós ficaríamos lendo a revista de fofocas, enquanto os machões suam jogando de verdade no campo.
- Lud, você ficou braba por isso? Sabe que é zoeira. - e começou a rir, mas parou, quando viu que eu não ria.
- Sim, eu percebi que a testosterona ali estava nas alturas. Tudo muito engraçado. E sua ex estava saudosa, só faltou dizer de cima dos 2 metros de altura dela:
"Iago larga esta anã e volta pra mim". Tá arrependido de estar comigo? Se quiser pode voltar lá. – disse irritada.
- Não vou voltar para lá, porque você está aqui. Você ficou com ciúmes dela? – ele perguntou incerto.
- Ciúmes eu? Qual é... Imagina se vou ter ciúmes daquilo. Só acho que você estava muito empolgado zombando das mulheres, nós podemos ser tão boas quantos vocês nos esportes.
- Sim, algumas podem ser mesmo. Mas não consigo imaginar você jogando quadribol, Lud.
- Porque posso confundir os aros com um espelho? É... Eles têm a forma parecida mesmo. ¬¬
- Não é por isso Lud, você não é assim. É que você é... (aposto que ele ia dizer baixinha, mas pensou melhor) - Leve e aqui nós jogamos duro, podemos nos machucar sério. Já levou um balaço na cara? Não! Já deslocou um ombro e teve que continuar jogando? Não, e nem queira, aquilo dói muito. É melhor você ficar na torcida, é mais seguro.
-Algumas vezes o "mais seguro", é o que machuca mais sabia? – comecei a andar e percebi que ele vinha atrás, levantei a mão fazendo um sinal e ele entendeu que eu queria ficar sozinha. Antes de ir, ele ainda disse:
- Você é que é importante para mim, Lud.
Percebi que por mais argumentos que usasse Iago iria ter a mesma opinião, talvez se ele tivesse uma prova de que as mulheres podem jogar igual, ou melhor que um garoto e ele perceba que este tipo de preconceito é ridículo. O pior era que Luka, que às vezes se mostrava tão moderno, pois Irina era tratadora de dragões, pensava igual. Talvez um dia eu possa mostrar a eles que posso ser tão boa quanto um menino num jogo.
Além de precisar engolir o fato de Nadja se mostrar arrependida por terminar o namoro com Iago, me deixou abalada.

Thursday, June 07, 2007

As últimas semanas estavam sendo difíceis para todos com a aproximação das provas e a frente fria, que parecia não querer sair nunca mais da Bulgária, não ajudava a aumentar a disposição dos alunos. No dia mais quente da semana, a temperatura máxima havia sido 3 graus.

- Não sei como você consegue lidar com tudo isso ao mesmo tempo, Nina. Eu mal terminei os três rolos de pergaminho de poções...- resmungou Milla, enquanto tentava puxar os livros sem acordar Vina, que havia dormido sobre eles.
- E quem disse que eu terminei? Estava terminando de escrever um artigo para o Clube – disse Nina, com um sorriso satisfeito no rosto, jogando um pergaminho de lado – Ahá! Terminei transfiguração! Agora só mais 1 pergaminho de poções e estou livre.

Todas as garotas da República pareciam estar concentradas em seus trabalhos. Até Vina, que estava usando uma pilha de livros de adivinhação como travesseiro, acordou assustada e estava hipnotizada encarando um texto de herbologia...de cabeça para baixo. A única que parecia estar absorta em seu próprio mundo onde as provas eram uma realidade distante, era Evie.

- Evangeline, tem um trasgo montanhês atrás de você – gritou Milla, tentando arrancar uma reação da menina, que meramente disparou um raio de luz vermelha por cima da poltrona. – É assim que ela pretendia se livrar de um trasgo montanhês?
- Acho que ela está assim por causa das eleições ainda. A legalmente loira não parece estar com vontade de deixar que a gente esqueça de que ela foi a vencedora. O que você acha, Vina? – perguntou Nina para a amiga que continuava encarando o pergaminho de herbologia.
- Vina? Vina?? – Milla sacudiu as mãos freneticamente na frente do rosto da amiga, que nem sequer piscou – Ou ela está realmente concentrada ou dormiu de olhos abertos. Eu voto pela segunda opção!
- Voto? SERÁ QUE VOCÊS NÃO SABEM FALAR DE OUTRA COISA?!!! – explodiu Evie, saindo da poltrona e batendo a porta do quarto.
- Ok...o que foi aquilo?! – murmurou Milla, ainda assustada com a reação da amiga – Eu acho que as eleições não são o problema, mas aquela carta que o Josh mandou...ela ficou realmente aborrecida. E também o fato de estar um pouco atrasada na matéria por causa da suspensão. Nada colabora! Devemos conversar com ela?
- A não ser que você queira que ela te mostre como realmente atacaria um trasgo, eu diria que não! – riu Nina, fechando o livro de poções e guardando o pergaminho dentro – Terminei! Quer tomar sorvete?
- Uhnn...eu ainda tenho que terminar herbologia e poções e deve estar uns 2 graus lá fora...claro que eu quero tomar sorvete! Quer ir, Vina? – disse, cutucando o braço da amiga, sem obter nenhuma resposta. – Novas opções: ou ela está dormindo de olhos abertos ou morreu!
- Com a quantidade de remédios que ela toma? Impossível! O sistema imunológico dela deve ser imune até ao Avada Kedavra. E a Evie?
- Se você quiser bater na porta do quarto, fique à vontade... – brincou Milla

Os arredores da cidade pareciam estar completamente desertos e Nina se sentiu extremamente relapsa por estar indo tomar sorvete enquanto os outros estudavam.

- Ah, claro, você realmente acha que eles estão estudando?? Todos devem estar perto da lareira tomando uísque de fogo, você já notou o frio que está fazendo? – disse Milla, apertando o cachecol em torno do pescoço quando o filho de Karkaroff apareceu correndo.
- Hey, Lud! Olá, Olenova. – cumprimentou o menino, ruborizando, aparentemente porque havia corrido demais – Estava...passando por aqui quando vi vocês duas e resolvi dar um olá!
- Sei...passando...aposto que você estava dentro da República quando notou que nós passamos pela janela! – disse Milla, abraçando o menino que corou mais ainda. – Quer tomar sorvete?
- Hey, eu não vou ficar no meio dos dois! Pode ir com o Karkaroff, Milla, eu vou tomar meu sorvete! – respondeu Nina, empurrando a menina na direção de Iago.
- Você não se importa, Nina?
- Claro que não! Daqui a pouco eu já vou voltar para a República para tentar acordar a Vina ou acalmar a Evie.
- Boa sorte, então!! – riu Milla, andando com Iago para a direção oposta.

Nina fechou o casaco com força e se enrolou no cachecol, já duvidando que tomar sorvete havia sido uma boa idéia. Pensou em voltar para a República e terminar de estudar com Liz, mas lembrou que a garota havia saído com os amigos da Mannaz. Os trigêmeos, cada um a sua maneira, pareciam estar se adaptando muito bem a Durmstrang. Izzie já era uma das garotas mais populares, em poucas semanas. Michael, apesar de não desgrudar de Nina, parecia radiante e estava tirando notas ótimas, sendo um dos favoritos dos professores. E Chris...bom, Chris exercia um fascínio estranho sobre as garotas. Seu jeito anti-social e mal humorado fazia com que grupos de patricinhas se amontoassem e começassem com risadinhas histéricas toda vez que ele passava pelo corredor. Ao mesmo tempo em que ele parecia achar tudo aquilo extremamente entediante, estava se divertindo bastante com a situação, já que fazia questão de bagunçar os cabelos displicentemente toda vez que encontrava uma delas.

- Ninys!! – um ponto colorido parecia vir correndo na direção de Nina, despertando a menina de seus devaneios.
- Ah...oi, Michael. – Nina tentou parecer alegre com o sinal do amigo, mas realmente não estava com vontade de conversar com Mike – Como você está?
- Òtimo...bem melhor agora, aliás! – disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Tudo no garoto parecia aborrecer Nina. Sua dependência extrema, seu jeito saltitante, suas roupas arrumadinhas e cabelo metodicamente separado e fixado com gel. No entanto, não entendia porque se sentia tão incomodada, já que ele era absolutamente doce e considerado o amigo perfeito por 104% das pessoas de Durmstrang.

- Onde você está indo? – perguntou o menino, segurando a mão de Nina, como sempre insistia em fazer toda vez que a encontrava.
- Er... – enquanto tentava soltar os dedos gelados da mão de Michael, pensava no lugar mais chato que viesse a sua mente – fazer bonecos de neve! Hehe...está frio, né? É realmente uma péssima idéia!
- Claro que não! Eu adoro bonecos de neve! Quer que eu arrume uma cenoura para usar como nariz? Eu posso ir lá na República e volto rapidinh...
- Não!! Mudei de idéia...eu nem trouxe luvas...
- Eu te empresto as minhas! – disse o menino, arrancando as luvas da mão.
- Por Merlin, não! Obrigada, obrigada, mas eu não quero as suas luvas...está muito frio aqui fora, eu vou voltar para a República.
- Eu te acompanho, então. Uma menina não deve andar sozinha pelos arredores da cidade. – disse Michael, procurando os dedos da garota novamente, enquanto ela fazia questão de esconder a mão no bolso do casaco.
- E o que você vai fazer se o monstro do lago pular na nossa frente? Gritar mais alto? –retrucou Nina, rispidamente.

Antes que Michael pudesse ter tempo para responder, outro ponto colorido aparecia correndo em direção aos dois. Michael preparou sua varinha inutilmente, enquanto Nina balançava a cabeça tentando conter um muxoxo de desaprovação. Chris Parker vinha com uma coruja marrom no ombro, segurando duas cartas. Assim que o menino foi chegando mais perto, Nina teve o irresistível impulso de segurar a mão de Michael, embora não tenha parado para pensar o porquê.

- Michael. Olenova. – disse ele, sorrindo levemente e estendendo as mãos, cada uma com uma carta.
- Ei, Parker. – respondeu Nina, tentando parecer completamente indiferente e esmagando os dedos de Mike. – O que é isso?
- Se eu te contasse, você confirmaria que eu leio a sua correspondência.
- Ela está lacrada, você não poderia ter lido... – Nina parou quando encontrou o sorriso divertido de Chris ao ver o dilema da menina – Idiota. Você e Liz também receberam uma igual, certo?
- Como adivinhou, prodígio? – perguntou Chris, sem encarar Michael que parecia irritado com a situação, embora ainda apertasse a mão de Nina.
- Os remetentes são os mesmos e a sua está caindo do seu bolso – respondeu Nina, sorrindo e rasgando a carta para ler. – O QUÊ?! Nossos pais voltaram a trabalhar??? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!!
- Não é? Essa foi a minha reação! Quero dizer...eles estão um pouco velhos para vestir a capa e sair a procura dos infratores...
- ISSO É UM ABSURDO!! LOGO AGORA QUE ESTÃO DIZENDO QUE VOLDEMORT VOLTOU?! – Nina ainda não tinha parado de gritar. Michael arregalou os olhos, enquanto ainda lia a carta e Chris segurava o riso. – E não deram explicação nenhuma??? “Voltei ao trabalho” e PONTO FINAL?!
- Eu também achei isso muito estranho...eles foram convocados por alguma razão e não explicaram...
- É estranho mesmo, mas confio no meu pai e ele deve ter tomado a decisão certa – interrompeu Michael, dando um fim ao debate. – Você não ia voltar para a República? Vamos?
- Claro...vamos sim.
- Tchau, Olenova. – Chris gritou de longe, acenando, ainda com um tom de indiferença, mas com um olhar mais amistoso do que o normal.
- Ahh...até mais, Parker. – respondeu a menina, ainda sem conseguir fechar a boca devido à surpresa. Seu pai havia prometido que não voltaria a trabalhar de jeito nenhum. Aliás, sua mãe já havia dito que se ele ousasse sair da aposentadoria, pediria divórcio. O que tinha mudado? Enquanto andava de volta para a República, largou a mão de Michael, sem nem ao menos lembrar o que ela estava fazendo ali antes.

Saturday, June 02, 2007

One minute forever
A sinner regreting
My vulgar misery ends
(And I) ride the winds of a brand new day
High where mountain's stand
Found my hope and pride again
Rebirth of a man
Time to fly...

(música: Rebirth – Angra)

Maio/1998

Lua nova...
Tudo estava escuro, mas era uma noite de Iniciação e ele teria que ir até as masmorras. Nos últimos tempos ele estava odiando ter que ir até lá, chegava ao ponto de às vezes não conseguir se olhar no espelho. Mas reprimiu sua rebeldia, e foi em frente.
Olhou para os novatos. Sentiu um pouco de pena pelo estado de embriaguez em que eles se encontravam, mas fazer o que? Tudo fazia parte da Iniciação, de repente Arthur falou:
- Obrigado Breunor' Artur parou diante dos calouros e abriu a urna que Breunor trouxera 'É chegada à hora do desafio final. Somente cinco de vocês poderão entrar para a Irmandade, e quem determinará isso serão vocês mesmos' os meninos se entreolharam curiosos e Artur deixou escapar uma risada rouca 'Cador irá separar vocês em duplas e duelarão pela vaga. Os cinco que se mantiverem de pé serão merecedores de se tornarem Reis e Sombras'. Arthur afastou-se e os meninos puderam ver espadas dentro da urna. Todas brilhavam muito e aparentavam ser pesadas.
Arthur notou sua falta de entusiasmo e perguntou:
- Qual o problema Ivain?
- Eles estão muito bêbados. Podem se machucar seriamente.
- Mas aí está a graça da coisa: Sangue! - respondeu Accolon e os outros riram, Arthur continuou:
- Cada um de vocês irá duelar por seu lugar em nosso mundo. Os vencedores farão parte da Irmandade, e os perdedores... Bem, ser chamado de perdedor já diz tudo. Que comecem os duelos.
Cador empurrou os calouros para que ficassem de pé e os dividiu em cinco duplas, ordenando que cada um apanhasse uma espada. O barulho de um tiro ecoou pela sala e logo o lugar se encheu com o som das espadas se chocando uma com as outras.
Não demorou muito e o cheiro acre de sangue começou a impregnar o ar. Ao final havia cinco vitoriosos, eram os que exibiam menos cortes e se mantinham de pé, já os cinco perdedores sangravam bastante.
- Ivain quero que leve estes garotos e os largue na praça. São indignos de estar em nossa presença. Quero que lidere isso pessoalmente, como seu pai fazia no passado. - ele sentiu uma raiva surda. Ele odiava lembrar que o pai havia cruzado aquelas masmorras antes dele.
- Não farei isso. Vou levá-los ao médico, estão muito machucados. Não achei que fosse deixar eles quase se matarem, Arthur. - ele respondeu revoltado enquanto abaixava para levantar um dos feridos. Olhou em volta e alguns exibiam o mesmo ar de preocupação que ele, mas estavam parados.
- Você ousa não cumprir uma ordem minha? Seu pai não agiria assim. - Arthur disse ríspido.
- Eu não sou o meu pai. Não apóio machucar alguém apenas por prazer. Eles ainda são garotos.
- Foi escolha deles, entrar pra a Irmandade, e isto requer sacrifícios. Ou você não se lembra como foram os seus? Vejo que você está mudando suas prioridades...
- Lembro muito bem, e começo a achar que meus sacrifícios não valeram à pena. Minhas prioridades dizem respeito apenas a mim. - e todos o olharam com espanto.
Ninguém nunca havia enfrentado o seu líder antes.
- Está arrependido Ivain?- o líder perguntou venenoso.
- Sim, estou.
- E o que vai fazer a respeito?- provocou Arthur.
- Cansei-me das ordens insanas, das crueldades gratuitas, de tudo... Eu estou saindo da Irmandade.
- Ninguém abandona a Irmandade. Não se quer se manter vivo. – ameaçou Accolon.
- Posso e vou. – ele respondeu e colocou a mão em sua varinha, disposto a tudo.
- Calma senhores. Para que você deixe a Irmandade há um preço, está disposto a pagá-lo?- perguntou o líder.
- Qual é o preço?- e sentiu seu estomago dar um salto.
- Haverá um duelo, igual ao dos trouxas. E se você vencer partirá. Viraremos as costas a você, e não conte conosco para nada. Agora se você perder... Permanecerá conosco e será regiamente castigado. Ah, meu jovem, você verá que as dores destes infelizes, não serão nada comparadas às suas. Quem quer enfrentar o desertor?
- Eu! Sempre soube que você não compartilhava de nossos ideais. - disse Galahad entre dentes.
- Não quando eles perderam o rumo Galahad. - respondeu.
O duelo seria com pistolas. Ficariam de costas um para o outro, contariam 10 passos virariam e disparariam. O primeiro a sangrar perderia.
Tudo foi feito como mandado, na hora dos tiros, o que se chamava Galahad recebeu um tiro de raspão no braço e Ivain foi ágil ou sortudo o bastante para apenas ouvir a bala passar zunindo pela sua orelha esquerda.
Soltou o ar preso nos pulmões: Ele havia vencido.
Estava livre para partir.
O líder virou-lhe as costas e riscou seu nome do livro de membros.
- Você deixou de existir para nós Ivain, Cavaleiro do Leão. – sentenciou o líder e ele acenou afirmativamente com a cabeça. Enquanto ele ajudava um dos meninos machucados a se levantar, olhou em volta e viu Galahad ser atendido por Boors. Tudo ficaria bem.

Caminhava devagar, pois os garotos não tinham muita força para andar e ainda estavam sob os efeitos do álcool. Não sabia quanto tempo havia passado, quando escutou passos as suas costas e se preparou para duelar com a varinha. Viu quando Galahad e Gauvain se aproximaram e o ajudaram com os garotos, sem falar nada. Caminharam silenciosos até a sua república e ele colocou os garotos lá dentro, virou-se para agradecer aos dois que ele considerava como amigos, mas eles o olharam friamente, dava para sentir o desprezo que sentiam por ele. Sentiu-se um pouco chateado, mas a sensação de liberdade logo o confortou.
Gemidos de dor o lembraram que havia muito a fazer, antes que a noite terminasse. Ouviu passos na escada e viu que teria ajuda para cuidar dos rejeitados.
- O que você fez Ivain?- perguntou um jovem.
- Não sou mais bem vindo entre eles, Kay.
- Não me chame assim, não fui digno de manter o nome de meu pai. – respondeu o jovem e após olhar para os garotos disse:
- Pelo menos eles vão ficar vivos. Devíamos ter formado nossa própria irmandade.
- Já a temos. Sempre o vi como meu irmão, Kay. – eles trocaram um sorriso e começam a fazer os curativos nos feridos. Infelizmente alguns deles, levariam as cicatrizes daquela noite pelo resto da vida.