Friday, October 29, 2010
Eu fiz uma matéria especial sobre antigas festas de Halloween do Instituto e festas de outras escolas. Phil me ajudou mandando alguns detalhes das festas passadas em Beauxbatons e Ayala me contou como os trouxas comemoram a festa.
Parv, que após as primeiras irritações devido ao Ozzy ficou extremamente animada com a festa, e Leo fizeram uma matéria sobre fantasias de Halloween. Elas sugeriam fantasias para aqueles sem idéias, e diziam aquelas que deviam ficar de fora. Era engraçado ver a cara de alguns calouros ao ler que não deveriam ir com a fantasia mais fácil: múmia, pois já tinha passado da época. É claro que muitos irão assim, mas que se pode fazer?
Mas o Instituto pegou fogo realmente quando anunciamos em nosso jornal, em primeira mão, que haveria uma seleção para melhores fantasias da festa. Vai ter gente brigando por isso! Os alfaiates do vilarejo vão lucrar e muito.
Quanto as minhas responsabilidades para a festa, elas já estavam bem adiantadas. Ferania teve a idéia de usar mitos de diversos lugares do mundo para a decoração, não apenas Búlgaras. A praça do vilarejo seria o centro da festa, com o mirante servindo de palco, tanto para algumas apresentações quanto para outros anúncios. Haveriam mesas espalhadas ao redor do mirante, cada uma decorada com uma lanterna de abóbora enfeitiçada para levitar acima das cabeças dos alunos. A decoração espalharia-se por todo o vilarejo, não apenas a praça. O professor Reno prometeu que ajudaria a desenvolver uma neblina artificial. Seria magnífico!
- Eu ainda estou em dúvida com qual fantasia ir. Quero ir com algo que eu goste. – Eu comentei, enquanto conversava com Liseria. Estávamos sentados nos sofás do Café Cultural e discutíamos nossas fantasias, assim como todos os clientes.
- Não, você não vai de Gandalf! – Ela falou, lendo meus pensamentos.
- Ah por que?! Você sabe o quão poderoso ele é?! – Eu falei, após fazer um muxoxo.
- Não importa. Também sou fã dele, mas meu par no baile não vai ser um velho de barba branca! – Ela reclamou e eu beijei seu rosto, rindo.
- Ai você podia se vestir de Morgana, uma bruxa bem velha e ranzinza! – Eu falei rindo, e ela me deu um tapa leve no ombro.
- E se fossemos de Fantasma da Ópera e Christine? – Ela falou e gostei da idéia, mas disse que não.
- Não, muito comum. Terão pelo menos uns 10 Fantasmas e umas 3 Christines, pode apostar. Já sei, que tal a Bela e a Fera?
- Adorei a idéia! Se você for como Fera mesmo, e não Adam! – Ela falou animada e me beijou.
- E ai pombinhos, que estão fazendo? – Ozzy pulou ao meu lado, me dando um susto. Oleg, Alec, Jack, Finn, Orion, Julie e Lenneth sentaram também.
- Que susto Ozzy! – Eu reclamei e ele riu. – Decidindo as fantasias. Vocês já decidiram?
- Ainda não! Falta pouco tempo mas ainda não consegui me decidir. – Finn reclamou.
-Vocês demoram demais, já decidi minha fantasia! – Alec falou animado.
- Acho que vou com algo simples logo. – Oleg completou.
- Pois eu vou de múmia, só de implicância com a Parv – Jack falou rindo, fazendo todos rirem.
- Eu estou pensando em ir de Hera Venenosa. É a única fantasia ruiva que eu conheço decente. Fora que eu e a Julie vamos fazer um par! – Lenneth falou, batendo a mão no ar com Julie, que iria de Mulher-Gato.
Ficamos mais um tempo comentando sobre as fantasias até a hora de voltar para as Repúblicas. As garotas estavam ainda mais animadas.
- Muito bem, não vou fazer aquelas apresentações e boas vindas de sempre. Espero que não tenham enferrujado. – O professor Renomaru Kollontai, Reno como ele permitia que seus alunos do Clube de Alquimia Avançada o chamassem, falou assim que entrou na sala onde fazíamos as reuniões do clube. Era em uma das masmorras ligadas ao ensino de Alquimia. Nós sorrimos, acostumados ao seu jeito enfezado de sempre, porém notei os olhares perplexos dos novos membros.
O Clube de Alquimia Avançada tinha poucos, mas seletos membros. Ao contrário dos demais clubes, o professor Reno aplicava testes e provas com regulariedade e ninguém que não fosse capaz de ter graus satisfatórios neles era expulso do clube. Eu, Ozzy, Alec, Oleg, Julie, Jack e Lenneth fazíamos parte do Clube, há mais de dois anos. Além de nós haviam agora calouros, mas não sabíamos por quanto tempo eles durariam. Lenneth era um ano mais nova que todos nós, mas tinha um gosto e conhecimento de Alquimia em nível igual ao nosso. Mas os melhores alquimistas eram Oleg, Alec, Ozzy e ela.
- Hoje quero que as duplas trabalhem na transmutação de uma neblina artificial. Ela deve permanecer próxima ao chão e por todo o período da festa de Halloween. Vejamos do que são capazes!
Ele sorriu e permitiu que começássemos a trabalhar. Eu e Lenneth fizemos dupla como sempre e logo começamos a trabalhar. Liseria não gosta muito de Alquimia, assim ela não participava do clube.
O professor Reno era muito exigente, mas conosco, seu seleto grupo de alquimistas, ele era como um pai. Era uma espécie de orientador, sempre disposto a nos ajudar e ensinar, contando que continuássemos tendo excelentes resultados na alquimia. Eu sempre gostei muito dele e sempre me dei bem com ele, de modo que tínhamos uma agradável relação de amizade. Ele gostava muito de todos nós e apenas conosco ele era menos ranzinza e mais tranqüilo. Mas justamente por sermos seus favoritos, éramos os mais exigidos de todo o colégio. Enquanto ele circulava pela sala observando a todos, brigando com calouros e tudo mais, eu e Lenneth nos concentramos.
Alquimia é a arte de a partir de algo criar algo novo, sendo semelhante à Transfiguração. A única diferença está no fato de que na Transfiguração você lida principalmente com a energia do mundo, enquanto a Alquimia lidava com os elementos. Ela tinha uma lei básica e fundamental: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”, que Reno costumava chamar de “A Lei da Troca Equivalente”.
Eu e Lenneth começamos por decidir o que queríamos, visualizando em nossa mente o objetivo final. Depois que tínhamos a forma, a textura, a cor, o cheiro e até a umidade bem definidas em nossa mente, começamos a preparar os ingredientes necessários.
Eu comecei a escrever e desenhar os círculos de transmutação necessários para tal. Juntei símbolos e letras antigas, indo de grego a runas, que remetessem à água, ao ar e ao mistério da neblina. Lenneth foi buscar pedras de gelo e ampolas com ar comprimido. Colocamos ambos no centro dos círculos e nos olhamos antes de começar.
A Alquimia em dupla exige uma ligação muito forte, uma grande afinidade, e eu e Lenneth temos isso desde pequenos. Ela sorriu e seus olhos brilharam, e sorri de volta. Nos ajoelhamos um de cada lado do círculo e colocamos nossas mãos em círculos menores ligados ao central. Nos concentramos nas formas atuais e na forma final e deixamos nossas energias fluir por nosso corpo, e nossas energias misturaram-se no círculo. Uma luz prateada surgiu e depois de algum tempo, uma fina nuvem de neblina levitava diante de nós.
- Conseguimos! – Lenneth falou animada, me abraçando feliz.
- Excelente trabalho. A forma de vocês está bem definida e complexa, a neblina está bem formada. Mas ela ainda carece de veracidade. Uma neblina de verdade deve-se espalhar com mais facilidade. A de vocês ainda há muito da água que as formou. Mas adorei o trabalho. – Reno comentou quando viu nosso resultado. Nós sorrimos para ele.
- Reno, acho que conseguimos! – Ouvimos Oleg chamar.
Quando olhamos, uma densa nuvem de neblina espalhava-se pelo chão, vindo do círculo construído por Oleg e Alec. Reno sorriu admirado e lhes deu os parabéns. Tínhamos nossa neblina! A neblina criada por Ozzy e Julie também era bem definida, mas tinha um cheiro forte de fumaça, e notei que eles rumaram demais para o estado gasoso.
- Está chegando o dia e eu ainda não consegui pensar em que fantasia usar. E é importante! Ele não pode perceber que sou eu. – Lenneth falou com Julie, enquanto as duas conversavam sentadas em um banco longe das repúblicas.
- Eu ainda não entendi direito: por que não o beija e se revela para ele? Não seria melhor?
- Não sei, Julie. Beijá-lo é algo que eu quero muito, mas não quero estragar a felicidade dele.
- Mas não acha que ele se sentiria mal por beijar outra pessoa que não fosse a Liseria? É o Lucian, o príncipe encantado da geleira, não se esqueça.
- Eu sei que ele vai se sentir mal. Mas se eu conseguir que ele fique na dúvida se foi real ou não, posso diminuir o dano. Ele ama demais a Liseria para se deixar encantar por um único beijo. E eu quero ter isso para mim sabe, quero ter essa memória especial...
- Você se está menosprezando. E se ele decidir terminar com a Liseria e procurar a garota? – Julie perguntou aquilo que Lenneth não queria pensar, e que mantinha presa em seu coração. Essa esperança ela não podia alimentar.
- Não. Eu espero que ele não vá fazer isso... Mas se fizer, eu ficaria feliz. – Ela suspirou, feliz, mas corada.
- Ainda não sei porque eu vou te ajudar... Mas já estamos perto demais para cancelar. Como quer que seja a fantasia?
- Um vestido longo e uma máscara são essenciais. Ele não pode me reconhecer. E preciso pintar o cabelo.
- Isso é o de menos, sei como mudar a cor dele sem problema. Mas a cor deve ser o loiro ou o branco, são as cores mais fáceis de se obter com seu cabelo.
- O vestido... Quero que seja branco, com detalhes em dourado e um tecido interno azul. São as cores favoritas dele. – Lenneth sorriu, sonhadora. – Quero que o inconsciente dele perceba o quanto eu gosto dele, o quanto eu me importo com ele, mas sem que ele saiba quem é.
- A máscara... Vai deixar seus olhos aparecer?
- Vou. Sei que é arriscado, mas quero olhar em seus olhos...
- Garota, você é doida. Mas estou ficando animada mesmo de te ajudar. Vou pedir que minha mãe arranje o vestido o mais longe possível daqui.
- Obrigada, Julie. Adoro você! – Ela abraçou a amiga.
- Tudo bem. Você vai me dever uma. Vamos dormir, amanhã precisamos começar a montar sua fantasia de Veela! – Julie falou rindo, e as duas sorriram, gostando do apelido. Lucian teria um encontro com uma Veela.
Thursday, October 28, 2010
- Robbie, acho que vou precisar da sua ajuda com uns ajustes na minha fantasia – Leo comentou vendo-o costurar um lençol com habilidade – Você é muito prendado.
- Não sou só um rostinho bonito, querida – ele riu – Você vai se fantasiar de que, afinal?
- Cortesã francesa. Elas eram adoradas por suas formas fartas, acho que me cai bem – Leo passou a mão pelo corpo e caímos na risada – Mas também não sou tão gorda assim, não quero uma fantasia larga. Quero bem apertadinha, mas nada de peitos voadores!
- Deixa comigo, sou praticamente o Jean Paul Gaultier, só que árabe.
- E você vai de que, Jean Paul? – perguntei rindo.
- Alec e eu vamos de O Mágico de Oz. Ele vai de Homem de Lata e eu de Espantalho.
- Que bonitinhos! – Leo e eu falamos ao mesmo tempo e ele ficou vermelho.
- Posso entrar?
Jack bateu de leve na porta do quarto e fiz sinal para ele entrar. Estava sentada no chão com Leo tentando terminar algumas coisas da decoração da festa de Halloween, enquanto Robbie estava esparramado na minha cama costurando um fantasma gigante com um lençol.
- Vocês ainda não terminaram esses enfeites? – ele se espantou quando viu o que estávamos fazendo.
- Vai dar tempo, já estamos terminando – Leo respondeu afoita, fazendo três coisas ao mesmo tempo.
- Por que não ajuda ao invés de ficar ai parado? – estiquei um pedaço de cartolina e uma tesoura para ele e ele se sentou ao meu lado.
- Não foi bem pra isso que vim aqui... – ele resmungou, mas começou a recortar os desenhos.
- Já escolheu sua fantasia, Jack? – Robbie perguntou com uma linha na boca.
- Foi exatamente por isso que vim aqui. Parv, já escolheu a sua? Se não, tenho uma proposta.
- Estou aberta a propostas, não tenho idéia nenhuma.
- Não vai combinar roupa com o Lukas esse ano? – Leo se espantou.
- Não, ele está muito chato com essa implicância nas minhas brigas particulares. Não sei e nem quero saber do que ele vai se fantasiar.
- Ótimo! – Jack se animou – Vou me fantasiar de Luke Skywalker e preciso de uma irmã Princesa Leia. Topa?
- Julie não quis? – ri.
- Você sabe que ela odeia Star Wars, mas você, diferente dela, adora. E você também é minha irmã. Então, o que me diz?
- Vou poder usar o cabelo como um donut e ter uma arma?
- Com certeza.
- Então já encontrou sua dupla! – estendi a mão para ele bater e começamos a rir já elaborando as brincadeiras com as fantasias combinadas.
Jack continuou nos ajudando pelo resto da tarde e só foi embora quando o céu já estava escuro e tínhamos terminado de recortar tudo que faltava da decoração. Agora era só pedir que minha mãe encontrasse uma fantasia de Princesa Leia pra mim e aproveitar a festa.
Nunca passamos os sábados à noite dentro do castelo, mas concordamos que não dava pra sair naquele dia. Uma semana faltando para a nossa festa de Halloween e de um grupo de quase 10 pessoas, apenas duas tinham fantasia definida. Julie deu uma bronca no grupo por ainda não ter começado a se mexer quanto a isso e nos reunimos na republica para trocamos idéias, até que todos estivessem com algo definido. Só ela e Alec tinham fantasia. Ele ia de Homem de Lata e ela de Mulher Gato.
- Já pensei em mil possibilidades, mas é difícil encontrar fantasia pra casal que agrade os dois lados – Lucian se atirou na poltrona – Tudo que eu sugiro, Liseria descarta.
- Mas você queria ir de Papai Noel, Lucian – Julie o repreendeu e caímos na gargalhada – Tenho que concordar com ela nessa.
- GANDALF! É Gandalf, não Papai Noel! – Lucian protestou e rimos ainda mais. Sempre trocávamos o nome para irritá-lo – Mas ela não quis nem Sr. e Sra. Incrível. Essa era ao menos divertida!
- Estou no mesmo barco que você, também não consigo bolar nada pra casal – Oleg resmungou.
- Pão e Salsicha não é fantasia – ela respondeu também em tom de reprovação – Muito menos Ovo e Bacon.
– Ela é muito exigente. Não sei por que ainda tenho uma namorada.
- É, eu também não sei por que ela ainda concorda em ser sua namorada, mistérios da humanidade... – Julie estava afiada.
- Vocês podiam ir de Popeye e Olivia Palito – Alec sugeriu – Ia combinar, Maria é bem magrinha.
- Até que não é má idéia, mano. Vou sugerir isso a ela, espero que tope, não agüento mais essa busca!
- Eu continuo sem idéias, se alguém tiver uma boa sugestão, por favor, fale! – exclamei sacudindo uma almofada.
- Hey, Jack-o'-lantern, por onde andou? – Oleg cumprimentou Jack quando ele entrou na republica.
- Todo Halloween é a mesma piada...
- Onde estava? – perguntei – Procuramos você por toda parte.
- Fui ajudar as meninas a terminar a recortar as coisas da decoração, elas estavam um pouco enroladas.
- Claro, deixam tudo pra última hora – Finn balançou a cabeça – Falei pra Leo que não ia dar tempo.
- Qual é o motivo da reunião aqui numa noite de sábado? – ele perguntou vendo que estávamos todos juntos na sala da Kratos – Não deveriam estar no vilarejo, à toa?
- Não dá, estamos tentando decidir o que usar na festa e como conseguir a roupa – Lucian respondeu largado numa poltrona.
- Ninguém mandou deixarem pra última semana. “Você é muito apressado, maninho. Tem um mundo de opções de fantasias pra escolher” – Alec imitou a voz de Oleg e rimos.
- Acho que já sei o que usar, vou de D’artgnan! – Finn escolheu a fantasia e Jack começou a rir – O que foi?
- Não, nada. Imaginei você com aquele chapéu enorme, só isso – ele parou de rir e se virou pra mim – Também já escolhi a minha, vou de Luke Skywalker, mas ele não é ninguém sem seu fiel companheiro. Se anima em ser o piloto da Millenium Falcon?
- Está brincando?? – saltei do sofá empolgado – É claro que topo ir de Han Solo! Como não pensei nisso antes? Star Wars rule! – e estendi a mão para um high-five com Jack.
- Ótimo, só sobrou eu sem fantasia! – Lucian resmungou – Alguém pode, por favor, me dar uma luz?
Sentei outra vez na poltrona e tentei ajudar o máximo que pude, mas não fui muito útil. As sugestões de fantasias para ele e Liseria eram das mais variadas, que iam desde Toad e Peach a Power Rangers, mas nenhuma realmente seria aprovada pela namorada dele. Meu único foco naquele momento era em como conseguir montar minha fantasia de Han Solo a tempo, mas independente de como ela ia ficar, sabia que ia ficar bom. Ninguém fica ridículo em uma fantasia de Star Wars.
Wednesday, October 20, 2010
As primeiras semanas de aula sempre são bem agitadas para mim.
Nessas primeiras semanas preciso dividir meu tempo entre Namorada, Jornal, Grêmio, Time de Hockey, Amigos, Escrever, Ler e Estudar, e agora também trabalho na Livraria.
Não estou reclamando, pelo contrário, eu gosto muito disso tudo e têm um valor especial para mim cada uma dessas pequenas coisas.
Aprendi ao longo dos anos com meus pais que devo dar valor às pequenas coisas e é o que eu mais tento fazer, prestando atenção a detalhes. Claro que às vezes estou tão avoado que não percebo muitas coisas.
Ah claro, a primeira semana de aula é o momento ideal para os professores quererem falar com seus alunos. Eu em especial costumo ter dois professores no meu pé: a Professora Arkdain e o Professor Kollontai.
- Senhor Valesti, é um prazer tê-lo novamente na escola! Sinto que esse ano será cheio de surpresas! – A professora Silmeria Arkdain me cumprimentou quando eu passei em sua sala de aula para encontrar com Liseria. Eu não faço adivinhação, ao contrário do que muitas imaginam. A aula dela estava mais uma vez lotada esse ano, o que confirmava sua fama na escola, pois ela realmente tinha alguns poderes mediúnicos.
- Bom dia professora Arkdain. Como foram as férias? – Eu perguntei sorrindo, enquanto abraçava Liseria pelo ombro.
- Maravilhosas, Edmund e eu visitamos Stonehenge no solstício! Eu pude sentir o pulsar de vida daquela terra! Você deveria ir lá.
- Obrigado, professora, tentarei um dia. – Eu falei, já tentando sair dali, pois sabia o que ela queria. Ela porém conseguiu me segurar mais um pouco.
- Você também deveria voltar as minhas aulas, senhor Valesti. – Ela falou sorrindo.
- Eu também já falei isso, mas ele é tão teimoso! – Liseria falou, rindo, enquanto apertava minha bochecha.
- Viu? Sua namorada também incentiva. – Silmeria falou animada. Eu suspirei antes de falar.
- Professora, eu já disse: não tenho nada contra adivinhação, acho muito interessante por sinal. Mas é impossível para mim estar em três lugares ao mesmo tempo. – Eu comentei dando de ombros.
- Mas quem disse que Aritmancia não é um tipo de adivinhação? Ou a literatura? Ou a história? – Ele perguntou, ficando cada vez mais animada. E isso é perigoso pois ela costuma me animar também.
- O professor Müller não vai gostar muito de ouvir isso! – Eu comentei rindo, tentando mudar de assunto. – Me desculpe professora, mas precisamos ir, temos que organizar algumas coisas do jornal.
- Tudo bem, mas um dia convenço você a participar de minhas aulas. – Ela falou, jamais desistindo. – Lucian, eu realmente acho que o seu talento e inteligência deviam trabalhar no futuro da humanidade! De qualquer forma bom trabalho no jornal.
Eu me despedi e fui almoçar com Liseria, enquanto ela ainda ria. Não é que eu não goste de adivinhação como eu falei. A habilidade de prever o futuro é algo que eu admiro e acho importante, porém não é uma das minhas prioridades. Eu cursei apenas um ano de adivinhação, mas no ano seguinte tive que parar, pois tinha muitas coisas para me dedicar. Desde que eu cursei a matéria, a professora Arkdain dizia gostar da minha escrita e ver em meus olhos o potencial para a adivinhação e a vidência. Mas como nunca tive nenhum poder mediúnico, nunca liguei muito.
Começar a trabalhar na Livraria da Fer, a Livraria da Travessa, foi quase como um sonho. No sábado às 8 eu já estava de pé e às 9 já estava na Livraria para conversar com Ferania e seus pais, que iriam hoje justamente para me dar as primeiras explicações. Depois disso a Livraria ficaria sob o comando de Ferania, meu, de Filius e Lucy, primos de Ferania, que administrariam a livraria durante a semana.
- Quando a Ferania nos contou que tinha contratado você, nós sabíamos que tinha escolhido a pessoa certa! – A Sra. Schon falou, me abraçando quando cheguei.
- Seja bem vindo meu jovem. Fico feliz que queira trabalhar conosco. Sua experiência na livraria de seus pais e seu gosto pelos livros serão excelentes. – O pai de Ferania falou, apertando minha mão com energia.
- Eu que agradeço a oportunidade!
- Podem viajar tranqüilos, comigo e com o Lucian na livraria, quando voltarem a livraria terá dobrado de tamanho! – Ferania falou entusiasmada.
Na primeira parte da manhã, Ferania, seus pais e seus primos, que eu já conhecia, me apresentaram a livraria, que eu também já conhecia. Eu passei muito de meus finais de semana nessa livraria, sempre acompanhando e ajudando os pais da Ferania. Depois eles me pediram que organiza-se o estoque novo de livros e me levaram para um dos depósitos.
Assim que cheguei no depósito me senti em casa. Ele não era um depósito como os demais, cheios de caixas e poeira. O depósito da livraria era um pequeno casebre afastado da cidade, muito aconchegante e cheio de livros. Ele era na verdade uma mini-biblioteca e me senti em casa. Organizar os novos livros nas prateleiras foi fácil.
- Você se sente em casa, não? – Ferania falou, me ajudando a arrumar uns livros.
- Claro, aqui é sossegado, bonito e cheio de livros. E a lareira torna o local ainda mais atraente. – Eu falei rindo e apontando para ela.
- Então vamos transformar no seu local secreto? Sim, estou deixando esse depósito aos seus cuidados. Será seu. Com uma condição: ainda sou sua professora, então por favor nada de trazer ninguém aqui. – Ela frisou e eu fiquei vermelho, pois entendi o que ela quis dizer. Ela riu enquanto me ajudava e eu prometi que aquele lugar seria apenas meu.
Naquela tarde atendi alguns clientes, a maioria alunos que me reconheceram. Foi mais fácil lidar com eles já que os conhecia do Instituto e pude dar um tratamento mais pessoal a eles. Ferania ficava na livraria também, conversando animada com todos. Na hora do almoço, já tínhamos atendido uma boa quantidade de alunos e fechamos a loja para o almoço. Liseria veio almoçar comigo e com Ferania e conversamos animados sobre o início do ano.
- O Halloween está chegando e ainda não organizaram nada! – Liseria falou indignada para mim.
- O Conselho Estudantil ainda não preparou nada? – Ferania também perguntou curiosa. Eu fiz que sim com um muxoxo antes de explicar.
- Com as Olimpíadas e os diversos preparativos que estamos organizando, ainda não tínhamos parado para pensar nisso. Mas vou conversar com os outros membros para que possamos organizar tudo.
Já no meio da tarde, Lenneth e Julie vieram me visitar, aproveitando que Liseria tinha saído. Infelizmente, as duas garotas mais importantes para mim, minha melhor amiga e minha namorada, às vezes não se dão muito bem. E esse é o principal motivo da Julie e Lenneth terem se aproximado, pois as duas tem uma relação de tapas e beijos com Liseria.
- Olha que lindo o meu amigo trabalhando, parece até de verdade! – Lenneth falou ao me abraçar.
- Uau, Lucian, você e a professora Schön conseguiram uma boa clientela hoje. – Julie falou, olhando em volta admirada, pois algumas prateleiras já estavam vazias.
- Sim, hoje o dia foi cheio. Aqui na livraria podem me chamar apenas de Ferania, até na aula se desejarem. – Ferania falou, e começou a conversar animada com Julie, enquanto Lenneth sentava numa das poltronas e me olhava organizar os livros da sessão de história.
- Lucian, como está a festa de Halloween? – Ela perguntou.
- Ainda nem temos planos. Liseria perguntou a mesma coisa, mas o Grêmio ainda não conseguiu organizar nada.
- Eu sei, nós falamos sobre isso ontem na República. Eu e ela concordamos que vocês estão demorando muito!
- Eu sei, mas temos tido tanta coisa para resolver com as Olimpíadas.
- E se pedissem ajuda, por exemplo aos professores ou às pessoas do vilarejo? Acho que eles adorariam ajudar. – Ela falou, e eu tive uma idéia.
- Você me deu uma excelente idéia! – Eu falei animado e desci da escada onde estava, abraçando-a. Eu fui logo falar com Ferania e com Julie, e Lenneth me seguiu sem entender.
- Fer, e se organizássemos a festa de Halloween aqui no vilarejo? Você acha que a escola deixaria?
- Aqui? Acho que sim, mas por que você diz isso?
- Porque poderíamos contar com todos do vilarejo e com suas dependências. Imagina como os comerciantes poderiam faturar mais. Fora que com a ajuda de todos, a festa pode ser maior. Veja só, eu e você poderíamos cuidar dos convites e decoração, a boate do Ozzy seria perfeita para organizar o som, e ainda temos a Florean e a Skavurska para comidas e o Café para bebidas!
- Parece uma excelente idéia! Não acho que o diretor seria contra. E tenho certeza que o Oscar iria adorar a idéia! – Ferania falou animada também. Julie e Lenneth se entreolharam animadas.
- Eu vou agora mesmo falar com ele. Desculpa, posso sair mais cedo? – Eu perguntei, meio sem jeito.
- Claro, vai logo procurá-lo e depois me diga o que resolveram. Vou começar a mexer meus pauzinhos também.
- É uma ótima idéia, Lucian! – Julie falou animada, quando saímos nós três juntos.
- Obrigado, mas a idéia foi da Lenneth. – Falei rindo. – Só uma coisa, não contem a ninguém, quero manter segredo até ter tudo certo. Eu vou indo na frente gente, tenho que procurar o Ozzy ainda.
Me despedi dela e corri a procura do Ozzy. Imediatamente ele adorou a idéia e ficou todo animado como eu. Nós dois visitamos a boate de seus pais para perguntar se eles aceitariam e a resposta foi positiva. Em seguida fomos para o Instituto conversar com os outros membros do Conselho, como o Jack.
Na semana seguinte, após uma batalha entre Ozzy e Parvati, que teve a intervenção da professora Mira, ficou decidido que a festa seria no vilarejo. Conseguimos o apoio de todos os comerciantes e cada um dividira uma parte das responsabilidades. E o melhor que eu não tinha pensado, uma idéia brilhante do Ozzy, a festa seria a fantasia! Que a professora Mira tornou-se obrigatório.
- Julie, você vai me ajudar! – Lenneth falou para Julie, ao saberem de que seria uma festa a fantasia.
- Ai, o que você está pensando, não gosto quando você fala assim.
- Você vai me ajudar a realizar um sonho! – Ela falou com os olhos brilhantes.
- O que? – Julie perguntou esquiva.
- Quero que me ajude a beijar o Lucian. Quero ficar com ele ao menos um dia. – Lenneth falou um pouco vermelha e Julie engasgou.
- Você ta maluca?! Se a Liseria descobre eu e você viramos patê! Fora que o Lucian nunca ficaria com você namorando ela.
- Eu sei disso. Por isso vai ser escondido e ele jamais saberá que fui eu! E até parece que temos medo da Liseria.
- O que está pensando? – Julie perguntou, dando-se por vencida, e começando a ficar animada. – Eu te ajudo.
Lenneth sorriu de felicidade e abraçou a amiga, enquanto contava para ela a sua idéia. Julie era a única pessoa do mundo para quem Lenneth contara que gostava de Lucian. Apenas ela e Phil sabiam disso.
Tuesday, October 19, 2010
- Pode falar, Lusth – Parvati disse de má vontade – Alguma idéia para a festa de Halloween?
- Sim, Lucian e eu conversamos e pensamos em algumas coisas – indiquei Lucian com a mão e ele se ajeitou na cadeira para falar também – O que acham desse ano fazermos a festa do lado de fora da escola?
- Falamos com alguns comerciantes do vilarejo e eles toparam contribuir com o que puderem para que a festa aconteça na praça da cidade, já que assim atrairá mais clientes para eles – Lucian completou e vi que a maioria começava a se animar.
- Teríamos mais espaço e liberdade, podemos montar um palco para apresentações – indiquei Yanic do outro lado e ele assentiu concordando com a idéia – E também vai ser mais divertido para os calouros, e alguns veteranos também, que vão poder brincar de trick or treat.
- Ah, e podemos fazer a festa à fantasia.
- É uma ótima idéia, meninos! – Leo nos apoiou e olhou para Parvati – Não é?
- Não vamos levar a festa para fora do castelo, tem que ser aqui dentro – ela foi enfática e acho que se meu poder fosse algo como o Ciclope, ela teria desintegrado na minha frente – Se ninguém mais tiver uma idéia, vamos terminar de discutir o que faremos para não deixar a situação da bebida de descontrolar outra vez com os calouros, como ano passado.
Ainda abri a boca para argumentar, mas Lucian agarrou meu braço e me puxou de volta para a cadeira, balançando a cabeça dizendo que não valia à pena discutir naquele momento. Agora era uma boa hora para já ter aprendido a manipular mentes.
- Aquela garota me paga! – gritei alto o suficiente para que ela ouvisse depois que saímos da sala do Conselho, mas Lucian e Jack me empurravam depressa pra longe – Isso não vai ficar assim!
- Calma, Ozzy! Eu vou falar com ela, ela vai voltar atrás – Jack falava tranqüilo.
- É, ela é prima dele, com certeza vai aceitar se ele falar com ela.
- Não, não precisa fazer nada, eu mesmo vou resolver isso.
Soltei-me das mãos dos dois e apertei o passo na direção contrária a que ela estava. Se ela achava que ia abaixar a cabeça e deixar por isso mesmo, estava muito enganada.
Depois de sermos liberados pelo professor Maddox para competir na Patinação, Finn, Oleg, Jack, Lucian e eu rapidamente nos tornamos obcecados com a idéia de vencer aquela prova. Aquela era nossa especialidade, no gelo nos sentíamos em casa, era inaceitável que perdêssemos. Treinávamos todos os dias pelo menos meia hora e não seria diferente naquele dia, mesmo com os humores alterados depois da reunião do Conselho.
- Você não vai dizer o que fez? – Lucian perguntou desamarrando os patins dos pés.
- Acho que ele não precisa dizer nada – Oleg ficou de pé e apontou na direção do rinque, aonde Parvati vinha marchando enfurecida – Vamos descobrir em 5, 4, 3...
- VOCÊ FOI FAZER QUEIXA PARA A PROFESSORA MIRA? – ela berrou tão alto que fez eco.
- Sim, fui – respondi calmo, tirando meus patins – Você recusou a idéia por puro capricho, só porque não vai com a minha cara.
- Eu recusei porque era uma idéia idiota!
- Não, não era uma idéia idiota, você sabe disso. Foi uma idéia genial.
- Você vai pagar por isso, Lusth – ela mudou o tom de voz para um de ameaça e bateu o dedo no meu peito – Nós vamos fazer a festa que vocês querem, já que estou sendo obrigada a aceitar, mas isso não acaba aqui.
Continuei parado vendo-a pisar duro no rinque soltando fumaça pelas orelhas e antes que saísse do nosso campo de visão comecei a rir, sabendo que a irritaria mais ainda. Os quatro me olhavam divididos entre a risada e a preocupação, mas no fim acabaram rindo.
- Precisava mesmo disso? – Jack perguntou sério – Eu podia ter falado com ela.
- O que? E eu perder a princesinha mimada bufando feito um touro? – soltei uma gargalhada – Nem pensar!
- Bom, então temos nossa festa autorizada? – Lucian sorriu animado.
- Com certeza! – levantei empolgado – Que tal irmos até o vilarejo fechar alguns contratos?
Ninguém tinha nenhuma objeção a fazer e resgatamos Alec e Julie do treino de Patinação Artística antes de atravessarmos os portões do castelo. Aquela festa seria lembrada por muitos anos no Instituto Durmstrang e a Karev teria que engolir essa.
- Muito bem, digam o que conseguiram.
A professora Mira passou a palavra para mim e fiquei de pé. Uma reunião de emergência do Conselho havia sido convocada na tarde de sábado para discutirmos os preparativos da festa, agora oficialmente aprovada pela querida presidente.
- Conversamos com os comerciantes ontem à tarde e conseguimos seis patrocínios – peguei a pasta aberta na mesa para ler – A decoração da festa vai ficar por conta da Livraria da Travessa, eles se ofereceram para decorar toda a cidade e aceitam ajuda dos alunos. O som e a iluminação são por conta da boate dos meus pais, ele se disponibilizou para montar pontos de luz e alto falantes em toda a praça, e meu irmão vai ser o DJ da festa, sem custos.
- As comidas vão ser divididas entre o Skavurska e a Florean Fortescue – passei a pasta para Lucian – Enquanto o primeiro cuida das comidas salgadas, o segundo fica com a parte das guloseimas. E a bebida vai ser por conta do Café Cultural.
- Eles garantiram que terão bebidas não-alcoólicas também – me apressei em dizer, antes que a professora perguntasse – Não vão servir apenas whisky de fogo e cerveja amanteigada.
- E o teatro concordou em montar o palco para que a banda do Yanic se apresente, e quem mais quiser subir lá – Jack completou e Yanic fez um sinal positivo com a mão.
- Excelente! – a professora estava animada – Gostei muito da idéia, acho que tem tudo para ser a melhor festa e Halloween que Durmstrang já organizou. Vocês têm total liberdade para começarem a preparar tudo, ajudar as lojas com o que precisar, e não se esqueçam de colocar seguranças na praça, não queremos nenhuma confusão.
- E vai ser à fantasia mesmo? – Robert perguntou.
- Sim, traje obrigatório, todos tem que entrar no clima – confirmei e ele e Leo deram um high-five.
- Muito bem, agora vamos dividir as tarefas, decidir quem vai ajudar com o que.
Perdemos nossa tarde de sábado dentro da sala de reuniões, mas no fim valeu à pena. Quando fomos liberados, cada um tinha uma tarefa diferente para a organização da festa e ninguém ficou sobrecarregado. Lucian logo se ofereceu para comandar a ornamentação com a livraria e Leo e Robert iam ajudá-lo, enquanto eu dividia o trabalho de iluminação com Jack. O vilarejo não será mais o mesmo depois dessa festa.
Tuesday, October 05, 2010
No dia seguinte do anuncio das Olimpíadas, um aviso foi pregado em todos os murais da escola, notificando uma reunião na semana seguinte no campo de quadribol com toda a escola, onde o professor de Educação Física, Maddox, ia falar sobre as modalidades disponíveis e explicar as regras para as inscrições. No dia e hora marcada, as arquibancadas já estavam cheias e ele apareceu ao lado da nova professora de Artes, Georgia Yelchin.
- Boa noite a todos – Maddox falou com sua voz grave – A pedido do diretor Ivanovich, estamos aqui para explicar as novas regras para a inscrição nos jogos Olímpicos e tirar dúvidas. Professora? – e passou a palavra à professora Yelchin.
- Obrigada, professor. Devido ao grande numero de alunos inscritos nas últimas Olimpíadas que não eram capazes de competir, a partir desse ano todas as escolas adotarão o sistema de seleção de alunos para os jogos. Todos, a partir do 2º ano, podem se inscrever nas modalidades que quiserem, porém só aqueles realmente capazes de competir serão escolhidos para integrar a delegação de Durmstrang.
- O que? – ouvi Parvati dar um salto na minha frente – Vamos ser avaliados antes? Por que eu não sabia disso?
- E por que não me surpreende que a presidente do Grêmio não saiba o que acontece na escola? – provoquei.
- Alguém te perguntou alguma coisa? – ela virou pra trás, de cara feia.
- Se quiser competir, agora vai ter que suar a camisa, bonequinha. Vai ser muito divertido ver sua cara maquiada suando feito um porco.
- Qual é o seu problema, hein? – Lukas, o namorado dela, ameaçou levantar, mas ela o segurou – Acho melhor parar de dirigir a palavra a minha namorada, ou vamos ter problemas.
- Uau, agora eu fiquei com medo. – Oleg soltou uma gargalhada do meu lado.
- Algum problema ai em cima? – ouvimos a voz de Maddox se alterar – Senhores Lusth, Kaporv, Hölzenben e Srta. Karev?
- Não senhor – respondemos todos ao mesmo tempo.
- Então calem a boca e prestem atenção ao que está sendo dito.
- As seletivas começam depois de amanhã, sempre a partir das 17h – a professora Yelchin falava mais calma que ele, embora também tivesse uma expressão zangada – As aulas dos clubes serão suspensas por duas semanas, para que vocês tenham tempo para se dedicar aos testes.
- Se não tem certeza de que pode fazer, não se inscreva. Se eu ver algum aluno inscrito, por exemplo, na Montaria e que não saiba montar em um cavalo, vou punir em campo durante minha aula. – Maddox ameaçou e ninguém ali tinha duvidas de que ele cumpriria - Não me façam perder tempo se não sabe o que está fazendo. A arena será montada no campo de quadribol para que treinem antes das seletivas, vocês têm dois dias até lá. Pensem muito bem antes de colocarem seus nomes ao lado das modalidades disponíveis.
- E quais modalidades podemos fazer duplas ou equipes? – um garoto do 4º ano levantou a mão do outro lado da arquibancada.
- Foi bom perguntar, vamos falar sobre isso agora.
Os dois começaram a falar de cada uma das modalidades e depois de meia hora, onde mais ninguém parecia ter duvidas, fomos dispensados. Vi Lukas rebocar Parvati pelo braço para longe do nosso grupo antes que ela tivesse tempo de responder o que Maddox interrompeu e me reuni com meus amigos, caminhando com eles de volta para as repúblicas.
- Todos sabem remar, não é? – Lucian perguntou preocupado.
- Relaxa, não vamos afundar a canoa – Finn bateu em seu ombro.
- Julie, o que acha de competir comigo na Patinação Artística? – Alec perguntou com cara de cachorro abandonado e rimos.
- Está louco? – a reação dela foi a esperada – Não estou a fim de dar 50 voltas no gelo porque cai no meio de um salto nos testes.
- Ninguém vai cair, somos ótimos patinadores! – Alec insistiu – Somos velozes, temos equilíbrio e sabemos dançar.
- Não sei não... Não é a mesma coisa que correr pelo gelo com um taco na mão.
- Prometo que não vamos fazer papel de idiotas no rinque.
- Você não tem como garantir isso – Alec fez uma cara de choro e Julie revirou os olhos - Vou me arrepender disso mais tarde, mas tudo bem. Faço dupla com você.
Alec a agarrou pela cintura e a ergueu do chão, girando pelo gramado. Começamos a ri quando Julie gritou dizendo que já estava ficando tonta e que aquilo era sinal de que aquela dupla não ia dar certo, mas o estrago já estava feito. Alec nunca ia deixá-la desistir.
- Será que dá pra me soltar? – travei o pé na grama, obrigando Lukas a parar – Não sou um bicho de estimação pra você arrastar.
- Desculpe meu amor, mas se não a tiro de lá, ia continuar batendo boca com aquele palhaço do Lusth – Lukas me soltou e beijou minha testa – Não entendo porque você sempre responde às implicâncias dele. Devia apenas ignorar.
- Porque se eu não responder, ele vence – respondi irritada – Não posso deixá-lo ter a última palavra e você permitiu isso!
- Ok crianças, já chega – Leo interferiu antes que eu começasse a me exaltar – As pessoas estão começando a olhar.
- Eu vou voltar pro castelo, pois ainda tenho coisas do jornal a resolver. Quando você estiver mais calma, conversamos – Lukas falou baixo e saiu de perto do nosso grupo.
- Ele tem razão, sabe? – Robbie falou cauteloso – Você dá moral demais pras implicâncias do Ozzy.
- Ok, o que vamos fazer agora? – ignorei o comentário dele – Vamos ter que arrumar um esporte fácil se não quisermos ficar pra trás.
- Bom, não sei quanto a vocês, mas eu sou praticamente o Robin Hood com arco e flecha, minha pontuação é altíssima – Leo se gabou e Robbie me olhou de sobrancelha erguida.
- No Nintendo Wii? – Robbie perguntou e ela confirmou – Você sabe que o peso de um arco é diferente do peso do controle, não sabe?
- Claro que sei, mas a técnica é a mesma. Amanhã vou até o campo e se suportar o peso dele, encontrei meu esporte. Não vou me inscrever em nada que exija esforço físico, nada de ficar correndo e pulando feito uma louca.
- Se levarmos em conta nosso desempenho no videogame, então Parv e eu deveríamos formar uma dupla no Tênis – Robbie falou em tom de brincadeira, mas eu agarrei seu braço, eufórica.
- VAMOS! – cheguei a gritar e ele me olhou assustada – Nós temos que formar uma dupla! Parvesh não pode ficar só no mundo virtual.
- Oh Merlin, isso de novo não... – Leo bateu com a mão na testa. Parvesh era a mistura de Parvati com Rajesh, o segundo nome de Robbie, e como chamávamos nossa dupla imbatível e insuportável nos torneios de Wii.
- Já estou dentro, garota! – Robbie se contagiou com a minha empolgação – Vamos mostrar a eles o poder de Parvesh.
- Socorro! – Leo agarrou o braço de Julie, que estava passando na hora com Alec, Finn e Ozzy – Eles vão reeditar Parvesh.
- AH NÃO! – Finn levou a mão à testa, onde a marca de um controle ainda era visível – Me avisem quando forem jogar, vou ficar longe do campo.
- Vai se inscrever pro Tênis, Ozzy? – perguntei – Ia adorar lhe dar uma surra em campo.
- Tênis é fácil, por que não me desafio pra algo que exija mais, como Triatlo?
- Acha que pode conseguir uma colocação melhor que a minha no Triatlo?
- Acho não, tenho certeza.
- Ok, é uma aposta – estendi a mão e ele apertou – Quem perder vai passar uma semana como elfo doméstico do vencedor.
- Ótimo! Preciso mesmo de alguém com mãos delicadas para lavar minhas cuecas.
- Já fez uma escova no cabelo de alguém? É bom começar a treinar.
- Ok, já chega por hoje – Julie empurrou Ozzy para longe de mim – Vamos embora antes que eles apostem em uma corrida de lesmas.
- Sim, vamos, temos algumas fitas de Patinação Artística para assistir – Alec se despediu de Robbie com um beijo e se juntou a Julie bloqueando a passagem entre Ozzy e eu.
- Parv, você tem noção de que você acabou de apostar que pode vencê-lo em um esporte que envolve nado, corrida e pedalada, sendo que seu único contato com água é quando toma banho, você só corre nas liquidações de shopping e pedala quando... – Robbie parou de falar, pensando – Você nunca pedala!
- Relaxe, eu tenho um plano.
- Que plano? Usar luvas pra lavar as cuecas dele? – Leo perguntou descrente.
- Há tanto sobre Parvati Karev que vocês não sabem... – dei um suspiro dramático e eles me olharam torto – Há 2 anos, quando estávamos de férias em um resort do Caribe, Jack me convenceu a participar do torneio de triatlo que teria na ilha. No começo achei loucura, mas acabei topando. E adivinhem quem chegou em 2º lugar?
- Quem é você e o que fez com a minha amiga sedentária? – Robbie me sacudiu e começamos a rir.
- Aquele porco espinho vai passar uma semana arrumando nosso quarto e carregando meu material, podem escrever.
Robbie soltou uma gargalhada como as das bruxas de desenhos animados e o imitamos, rindo dessa forma até chegarmos de volta à Atena. Se já estava empolgada com as Olimpíadas antes, agora não ia nem dormir na expectativa. Um elfo doméstico particular por uma semana faria muito bem ao meu ego.
Monday, October 04, 2010
- Bom dia, Diretor, poderia falar com o senhor?
- Claro, Ferania, entre. Pode me chamar apenas de Igor.
- Obrigada, Diretor. Digo Igor. – Ferania falou ao sentar-se diante da mesa do Diretor. Igor lia alguns documentos e terminou de assinar um, para depois virar-se para Ferania.
- O que deseja? Teve algum problema em se instalar no Instituto? Necessita de algum equipamento novo para o Observatório?
- Não, nada disso. Os equipamentos são excelentes! – Ferania falou com um sorriso e Igor ficou contente de tê-la contratado, pois seus entusiasmo e inteligência com a disciplina eram conhecidos. – É sobre um dos alunos.
- Já tem algum problema? – Igor perguntou, levantando uma sobrancelha. Ferania riu.
- Não, nenhum. Apenas queria perguntar se há algum problema. Um dos meus alunos do 6º ano é meu amigo de infância. Ele é quase como meu irmão e o conheço desde criança. Gostaria de saber se há algum problema em eu dar aula a ele.
- Claro que não. Apenas peço que não demonstre predição por ele ou dê preferências a ele em sua disciplina. E é bom que você já se dê bem com um dos alunos, é mais fácil para se habituar ao Instituto. Quem é o aluno?
- Obrigada, gostaria muito de dar aula para ele e para todos os demais alunos. É o Lucian, Lucian Platinus Valesti, além é claro de sua amiga, Lenneth Valkyrie, e seu irmão, Lawfer.
- Ah, então não haverá problemas. Se tem um aluno que nunca me deu problemas, é o Lucian. – Ferania sorriu ao ouvir aquilo. Conhecia muito bem Lucian para saber que aquilo era verdade.
- Ei, Lucian, Jack. – Eu e o Jack conversávamos sobre a nova equipe do jornal, sobre planos para as próximas edições e tudo mais quando ouvimos nos chamando. Me vi diante de Ozzy, Alec, Oleg, Finn e Orion, que apertaram minha mão animados.
- A reunião demorou hoje! – Finn comentou, enquanto espiava pela porta.
- É a primeira reunião, sempre demora. Teve a nomeação dos novos cargos e tudo mais. – Falei caminhando com eles. Todos teríamos a mesma aula, Astronomia, com um professor novo.
- E ai, quem foram os selecionados? Te deram a Chefia finalmente? – Alec perguntou.
- Não, deixaram com o Lukas Hölzenben. Prefiro assim, esse ano tem Olimpíadas, preciso treinar muito. Quero ganhar pelo menos uma medalha!
- Mas você vai ganhar uma com certeza! Acho que alguém tira alguma medalha de Patinação da gente? – Orion falou entusiasmado, enquanto ele e Oleg batiam a mão no ar, rindo.
- E o restante da equipe como ficou? – Ozzy perguntou curioso. Eu sabia o porquê da curiosidade.
- Não adianta, não vou te ajudar a levar eles pro seu lado e tentar usar o jornal! – Eu falei rindo. Ele deu de ombros.
- Porque tem que ser tão certinho hein? Mas mesmo assim gosto de você. – Ele falou, enquanto caminhava ao meu lado abraçado.
- Que bom. De qualquer forma, a nova equipe é: Lukas, Liseria, Jude, Edgar Lusth, Parvati, Leonora, Robert, Leonard, Florence, Jack e eu. Nossa primeira edição sai sábado mesmo, vamos dar uma relembrada em avisos e tudo mais, ainda mais com a Semana da República chegando.
- Ah finalmente! – Alec sorriu, junto dos demais. Eu logo fechei a cara.
- Comportem-se esse ano, por favor! Sabem que eu não gostei do que teve no ano passado. – Eu falei severo e todos se fizeram de desentendidos, mas sabiam a que eu me referia. Sempre que tinha confusão no Instituto o Time de Hóquei estava envolvido. E muitas vezes sobrava para mim ajudá-los. Ainda lembro da cara do calouro quando eu o ajudei a sair da parede.
Continuamos conversando sobre o Time e sobre o novo ano, enquanto eles comentavam das garotas e tudo mais. Caminhávamos até o Observatório e quanto mais nos aproximávamos, mais curiosos com o novo professor ficávamos. Alguns diziam que seria um novo professor rígido para compensar os anos anteriores em que muitos cursavam a matéria com pouca dedicação. Eu sempre gostei de Astronomia, então sempre gostei da matéria. Ainda mais por poder conversar com a Fer sempre nas férias.
Quando chegamos no Observatório, toda a turma já estava reunida e logo encontrei Liseria, recebendo um longo beijo dela. Ficamos mais um tempo conversando, até que ouvimos a luneta do Observatório se mover. Era algo raro, pois mesmo nossos antigos professores pouco a usavam, preferindo que cada um usasse seu próprio telescópio.
- É uma pena nunca terem usado esse telescópio decentemente! Ele tem uma lente magnífica! E o céu daqui é tão claro. É capaz de vocês conseguirem ver Acrux. – E eu fiquei de boca aberta surpreso, virando-me imediatamente.
O que me surpreendeu não foi eu reconhecer Acrux, pois conhecia essa estrela. O que me surpreendeu foi como aquela voz era familiar e conhecida. E eu estava certo. Assim que me virei, estava diante de Ferania, ou Fer, minha amiga de infância, como uma irmã mais velha. Ela sorriu para todos e piscou um olho para mim. Vi que todos a olhavam surpresos e curiosos, principalmente os garotos (o
que me fez querer revirar os olhos, se não estivesse ainda surpreso).
- Érr boa noite, você é uma aluna mais velha? Agora é o horário do 6º Ano. – Leo falou, meio confusa.
- Não. Desculpem-me, deixe me apresentar: Boa noite a todos, eu sou Ferania Schön, a sua nova professora de Astronomia.
Ela falou com um sorriso totalmente à vontade, enquanto todos ainda olhavam meio abobalhados para ela. Eu entre eles, com um olhar de confusão. Pelo que me lembre, ela estava trabalhando em um observatório de Moscou, e só voltaria para a Hungria no final do ano. Ela viu meu olhar e sorriu, e, já que nos conhecíamos muito bem, soube que depois ela explicava.
Não demorou para todos soltarem exclamações surpresas e comentarem o fato dela ser muito jovem. Os garotos foram os primeiros a quererem falar com ela, pois ela sempre foi muito bonita, e vi que todos pareciam admirados. Liseria também estava surpresa e me olhou indagadora, mas dei de ombros, dizendo que também não sabia.
- Muito bem, muito bem. Chega de surpresa. Para confirmar aos senhores, tenho 25 anos e fui convidada pelo Senhor Ivanovich para lecionar a vocês sobre Astronomia. Formei-me em Durmstrang também e decidi aceitar a oferta. Antes de mais nada, quero deixar claro que eu amo muito o que faço e espero de vocês a mesma paixão. Ok, sei que nem todos gostam, mas quero que ao menos se esforcem. Hoje quero apenas conhecer todos vocês. Quero que digam o nome de vocês e ao menos o nome de uma estrela ou constelação ou meteorito. Pode ser uma que vocês gostam ou uma que acham o nome bonito. Vamos começar por você, Sr Valesti. – Ela falou, sorrindo para mim. Engasguei enquanto todos olhavam para mim, curiosos como ela conhecia meu nome. Fiquei vermelho e me lembrei de reclamar com ela depois.
- Boa noite, professora Schön. – Eu falei e ela segurou o riso. – Meu nome é Lucian Valesti e gosto muito de Astronomia. Minha estrela favorita é Rigel, da constelação de Orion. – Eu falei, sendo que ela já sabia.
- Excelente escolha, Rigel é a 6ª mais brilhante. Agora, o próximo deverá me responder, qual a mais brilhante do céu?
Eu me segurei para não responder, e sorri ao ver a turma se soltando. Notei algumas tentando olhar mapas de astronomia rapidamente, enquanto outros olhavam para o céu, achando que o nome de uma estrela ia aparecer nele. Ozzy respondeu, todo sorrisos para Ferania, que também o conhecia, e acertou ao dizer “Sirius”. O resto da aula passou enquanto todos se apresentavam e tentavam lembrar nomes de estrelas. Ferania não deixou que repetissem nome e obrigou todos a tentar lembrar nomes de estrelas, dando dicas a todos. Notei o modo como ela estava conquistando a turma. A aula passou rápido e ao final todos saíram alegres, comentando dela.
- Senhor Valesti, poderia esperar um segundo? – Ferania me chamou e eu fiquei para trás ganhando olhares de todos. Liseria riu antes de sair e disse que iria dormir, dando-me um beijo. Ozzy ria também, sabendo que eu estava sem graça. Assim que ficamos sozinhos na sala, eu suspirei, enquanto ela ria.
- Gostou da surpresa? – Ela falou, jovial como sempre. Ela se aproximou de mim e me abraçou e demorou um pouco para eu retribuir o carinho, afagando o seu cabelo. Não estou acostumado com essa relação com professores.
- Podia ter avisado não! E que história é essa de chamar toda a atenção para mim? – Eu falei suspirando, enquanto sentávamos no parapeito do Observatório.
- Achei que seria divertido ver seu rosto vermelho, maninho. – Ela falou rindo. Eu suspirei novamente.
- Eu fiquei roxo isso sim. Todos vão comentar disso e daqui a pouco terei que colocar uma nota no jornal dizendo que é minha amiga de infância.
- Seria interessante, até porque vão surgir boatos... – Ela falou, gargalhando em seguida.
- É, eu sei disso. – Eu falei, mas acabei rindo também. – Então, não sabia que vinha trabalhar aqui!
- Eu recebi o convite quando já estava em Moscou. Cheguei ontem ao Instituto e assim que cheguei, conversei com o Igor e ele disse que não teria problemas dar aula para você.
- Então não vejo problema. Me diz que não vai ficar fazendo isso o tempo todo, por favor? Já não basta o Kollontai no meu pé.
- Eu já soube que o Renomaru também gosta muito de pegar no seu pé. Que ótimo não? Ah, eu não pude ir hoje, estava ocupada checando o Observatório, mas também sou responsável pelo Jornal, junto da Mira Sakharov.
- Que legal! O Jornal esse ano estará em ótimas mãos! – Falei entusiasmado.
- Ah outra coisa, Lu, queria te perguntar se quer trabalhar em minha livraria, lá no Vilarejo? Meus pais pediram para eu contratar alguém, por meio-período mesmo, para ajudar na loja. Só pude pensar em você!
- Uau! Já até ganhei proposta de emprego da nova professora! Esse ano começou bem! Claro que eu aceito!
- Fora que como seus pais também têm uma livraria, você sabe como lidar com ela. Além é claro que você é apaixonado por livros.
Eu concordei rindo, e conversamos mais um pouco. Até que ela reparou na hora e já eram quase meia-noite. Ele pediu desculpas e me acompanhou até a trilha para a Kratos. Ela se despediu com um abraço e acenou, enquanto voltava para o castelo. Eu fui para a Kratos e assim que abri a porta, fui recebido pelos garotos, que estavam curiosos. Apenas Ozzy conhecia Ferania, além de meu irmão, e tive que explicar a todos, enquanto ouviam implicâncias e gozações. Mas estava feliz, se tinha alguém perfeito para o cargo de professora de Astronomia, era a Ferania.
Friday, October 01, 2010
- Se for aquele do ‘ser ou não ser’ não perca seu tempo, todo mundo já sabe que você é. – rimos.
- Todos que pisam num palco e pensam que conhecem Shakespeare, declamam aquele trecho. Precisamos ser originais, não é um diretor qualquer, é a primeira dama da Brodway que vai nos julgar. – disse Parvati e começamos a pensar em músicas que mostrassem o nosso eu, e devo confessar, aquela foi a nossa primeira noite insone, do começo de nosso 6º ano. Mal eu sabia que muitas outras viriam.
o-o-o-o-o-o-o
Depois da aula de Artes, fomos para o Grêmio e após a nomeação da Parvati, para presidente, e as advertências sobre a semana das republicas, por mais que isso fosse importante, eu confesso que só tinha pensamentos sobre o tipo de apresentação que faria. Achava engraçado ver que todos os meus amigos estavam passando pelos mesmo problemas, e sempre acabavamos dando palpites uns nas músicas dos outros. Acabou sendo comum vê-los treinando passos de dança pelo corredores, com alguma revista com peças da Brodway na mão ou simplesmente cantando nos chuveiros, afinal todos queriam impressionar. Eu sempre fui eclética em relação à música, e ouvia muita coisa diferente em meu iPod, então tinha a impressão de que se cantasse ‘House is not a home’, poderia impressionar a professora e mostraria um pouco sobre mim.
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Era o final de uma sexta feira agitada, e Parvati, Robbie e eu fomos até a Kratos, pois queriamos relaxar e seria engraçdo ouvir as músicas que os rapazes iriam cantar e quando chegamos lá, o time de hóquei estava reunido na sala e as expressões eram desanimadas.
- Que caras são estas? Alguém morreu?- quis saber Parvati e Ozzy respondeu sério:
- Nosso goleiro titular morreu.- e o encaramos.
- Finn, é o goleiro principal e está sentado ao seu lado, como pode ter morrido?Dãã!.- e antes que Parvati e Ozzy começassem mais uma de suas discussões, Finn, respondeu:
-O professor Maddox,nos avisou que terá que me cortar do time, por falta de patrocinio.
-Vocês perderam o patrocínio? Mas são bons e estão bem na liga...Porque isso agora?- perguntei e Connie disse:
- Não, Leonora, você não está entendendo: o único sem patrocínio, é o goleiro, o resto do time está normal. Parece que foi opção do patrocinador, excluir o Finn. E se ele não tiver apoio financeiro...
-Terá que sair do time, pois todos têm que ter o mesmo patrocinador, e se um jogador não o tiver, todo o time pode ser expulso da liga...- terminei e encarei a cara desolada de meu amigo de infância e ele disse:
- Caras, desculpem...Não sei o que eu possa ter feito para irritar os donos da ‘Vespa’. Se jogassemos numa liga bruxa, isso não seria problema, mas na liga fora da escola...
- Não esquenta, podemos conversar com nossos pais e eles nos ajudam.- disse Ozzy e Parvati disse:
-A mudança de patrocinador agora, vai gerar especulação e isso pode ser negativo para vocês, e principalmente para o Finn.Qualquer faculdade trouxa que o queira, vai querer saber porque ele teve problemas com patrocinador, e mesmo que ele não tenha feito nada, ficará queimado.
- Não falem com seus pais ainda, eu acho que posso ajudar.- e todos me encararam e eu disse constrangida.
- Eu não havia me ligado antes, mas...O dono desta empresa, Vespa...é o meu pai.
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Voltei para Atena, peguei uma mochila, joguei umas roupas dentro e me dirigi ate a estação de trem do vilarejo, o trem para Sofia saía toda sexta à noite, e quando entrei a locomotiva começou a se movimentar. Cheguei a Sofia, pela manhã e fui para a parte trouxa, onde tomaria um taxi até a minha casa.
Ao chegar, fui direto para a sala de jantar procurar o meu pai, que costumava levantar cedo e devia estar tomando seu desjejum, antes de ir para o escritório. Sim, meu pai vai ao escritório inclusive aos sábados. Mas para minha surpresa, não havia ninguém por ali, perguntei para a governanta sobre ele, e ela informou que meus pais estavam passando o final de semana, nos Alpes Suíços e que somente minha irmã estava em casa. Fui para meu quarto tomar um banho e quando sai do banheiro, Camille estava sentada na minha cama.
- Não a convidei para entrar em meu quarto.Retire-se.- disse e ela ignorou:
- Esta casa também é minha e vou aonde quero. Você é que é a visita. O que veio fazer aqui?
- Preciso conversar com nosso pai sobre um assunto que não lhe diz respeito.
- Huumm...Então é mais grave do que pensei. Mas deixe-me adivinhar: é um assunto relacionado àquele seu amigo, o gostosão e lesado: Finnes.
- O que você sabe sobre o Finnegan?- soltei antes que controlasse a minha língua e ela me encarou venenosa:
-Sei que ele é a sua paixãozinha platônica desde a infância. Achou que eu não iria fazer nada, depois da humilhação que você me fez passar? Sim, eu sei que o time de hóquei, poderá ser expulso da liga, afinal eu mesma contei ao papai que Finnes, ficava me assediando e que já estava ficando com medo que ele me atacasse ou forçasse algo, afinal ele pode entrar aqui a qualquer hora, é seu amigo. É claro que pedi para não dar queixa, pois não suportaria a humilhação, e papai me atendeu. Está vendo como é mexer com algo que não lhe pertence? Sempre há consequências.
- Você é uma vaca ordinaria!- disse e fui para cima dela, que correu para cima de minha cama, fugindo:
- Ordinária, porém magra. Toque em mim, e eu faço papai cortar o patrocinio de todos os esportes daquela escola, e espalho que foi sua culpa. Você já é excluída por ser uma baleia, não será dificil as pessoas acreditarem.- e ela estava perto da porta e disse, antes de sair:
- Não duvide de que posso fazer isso, Leonora. Afinal convenci papai a ir para os Alpes num fim de semana, posso fazer muito mais, eu sou a filha amada, nunca se esqueça disso.
Fiquei parada no meio do quarto e pensando em suas ameaças e o que fazer para reverter a situação. Camille, podia ser a ‘filha amada’, mas eu era a filha que tinha o poder do dinheiro. Era hora de equilibrar o jogo.
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Quando voltei para a escola, faltavam apenas vinte minutos para o começo da aula de Artes e eu não iria perder isso por nada no mundo. Joguei minha mochila de qualquer jeito, na sala da república e corri para o castelo. Cheguei a tempo de ver os últimos alunos entrando no auditório. Finn, também estava atrasado e me esperou:
- Hey, Leo. Você demorou a voltar, estavamos preocupados, está tudo bem?
- Sim, tudo. Amanhã o técnico vai te chamar de volta ao time. – respondi e ele me encarou:
- Sério? Mas você não brigou com seu pai não é? E porque está usando toda esta maquiagem? E estas roupas chiques?
-Faz parte da minha apresentação (menti e continuei). Não! Eu não briguei com meu pai. Eu briguei com a vaca da minha irmã, que pediu a ele para te tirar do time, porque ela acha que você pode agarra-la a qualquer momento e força-la a algo, e ela até pediu ele não dar queixa de você como um predador sexual. Maldita dos infernos....
- Desculpe Leo, você e sua irmã têm problemas sérios, mas eu conheço a Camille. Ela nunca falaria algo assim, ainda mais de mim, você deve estar exagerando. Fica toda nervosa e não pensa...
- Exagerando? Você está me chamando de maluca? – alterei a voz:
- Não grita comigo, Leonora. Eu nao te chamei de maluca, apenas sei o quanto você pode dramatizar alguma coisa. Ainda mais se Camille estiver por perto, você se torna irracional. - olhei para ele incrédula e disse:
- É você é um lesado mesmo, não sei porque ainda me preocupo com você, seu babaca. – passei esbarrando por ele, entrei no auditório. Os garotos me encararam em expectativa,então só acenei com a cabeça e fui para perto de Parvati e Robbie. Alec, namorado de Robbie, saiu de seu lugar para que eu me sentasse. Nesta hora a professora após nos dar boa noite, sentou na primeira fileira e começaram as apresentações dos alunos. E o melhor, no palco haviam vários alunos que eram músicos e era só dizer a música para eles e teríamos acompanhamento, da banda da escola.
- Conta tudo, ou vou morrer sufocado de curiosidade, e eu ainda não fiz meu solo, para a nossa Diva. E se isso acontecer, eu venho te puxar pelo pé. - disse Robbie baixinho, numa pequena pausa, mas a professora Yelchin nos cortou:
- Eu também gostaria de ouvir o que a senhorita Ivashkov tanto conta a vocês dois, afinal deve ser algo muito mais proveitoso, do que o meu tempo. – ficamos vermelhos de vergonha e eu disse:
- Desculpe professora, não vai mais se repetir. – e após ela me lançar aquele olhar frio, ela recomeçou a chamar os alunos. Ficamos calados e passamos a ouvir nossos colegas. Yanic, subiu ao palco todo convencido e usava um chapeu de lado, pegou um violão e após alguns acordes, ouvimos, ‘Bilionaire’, e foi engraçado porque esta música realmente, era ele.
Oh everytime I close my eyes.
I see my name in shining lights.
Yeah a different city every night oh
I swear the world better prepare
for when i'm a billionaire.
Depois de batermos palmas entusiasmadas, Lucian subiu ao palco e ele havia feito um mash up de suas musicas favoritas, então ouvimos ‘Dreamer, Nothing else matters e Bard’s Song’, numa voz muito afinada e porque não dizer sexy. Ele saiu do palco vermelho feito um tomate, com os nossos assobios.
I’m just a dreamer
I dream my life away
I’m just a dreamer
Who dreams of better days
Never cared for what they do
Never cared for what they know
Open mind for a different view
And nothing else matters
Tomorrow will take us away
Far from home
No one will ever know our names
But the bards' songs will remain
Liseria foi a apróxima, e não fez feio e subiu ao palco e eu pensava ouvir anjos com sua voz clara e límpida, enquanto ela entoava "Ever Dream", Nightwish, de uma banda trouxa, muito famosa em nosso mundo:
"Would you do it with me
Heal the scars and change the stars
Would you do it for me
Turn loose the heaven within I'd take you away
Castaway on a lonely day
Bosom for a teary cheek
My song can but borrow your grace"
Depois foi a vez de Oleg Karpov, que cantou Grow Up, música de outra banda trouxa muito conhecida chamada, Simple Plan, e todos estávamos empolgados.A professora, parecia gostar do que ouvia.
I'm impolite and I make fun of everyone
I'm immature but I will stay this way forever
Until the day I die, I promise I won't change
So you better give up
Quando pensei que não conseguiria ouvir ninguém melhor, Lenneth, subiu ao palco, usando um daqueles vestidos da renascença e cantando "All I need", do Within Temptation, e foi simplesmente lindo.
'Can you still see the heart of me?
All my agony fades away
When you hold me in your embrace
Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Give me something I can believe
Don't tear me down
You've opened the door now, don't let it close'
Claro que Robbie, veio depois e também estava muito elegante, com seu terno e gravata, e eu não imaginava que ele tinha uma voz tão bonita e cantou ‘Defying Gravity’, e senti lágrimas nos olhos ao ouvi-lo.
'I'm through accepting limits
'Cuz someone says they're so
Some things I cannot change
But till I try, I'll never know!
Too long I've been afraid of
Losing love I guess I've lost
Well, if that's love
It comes at much too high a cost'
Depois dos aplausos, penso que a professora quis animar um pouco as coisas, e chamou Ozzy, que não se fez de rogado e cantou ‘Highway to hell’ do AC/DC, e quando saiu do palco deu um leve esbarrão em Parv para provocar.
No stop signs, speeding limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me around
Parvati, subiu ao palco toda empolgada e depois de começar a cantar ‘Don’t rain on my parade’, ela desceu e ia andando entre o público, fazendo um show. A professora parecia estar gostando da apresentação, pois até sorria, e ao final Parv foi muito aplaudida, e a professora disse:
- Bom trabalho, senhorita Karev. – não preciso dizer que Parv foi aos céus rsrs.
Don't tell me not to fly,
I simply got to
If someone takes a spill, it's me and not you
Who told you you're allowed to rain on my parade
Orion veio logo depois e parecia que alguns dos garotos haviam combinado de usar jaquetas pretas de couro e óculos escuros em suas apresentações, e o visual ficou muito bonito.
‘this ain't a song for the broken-hearted
Nor silent prayer for faith-departed
I ain't gonna be just a face in the crowd
You're gonna hear my voice
When I shout it out loud
It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
(It's my life)’
Depois de Parvati, foi a minha vez, e eu havia ensaiado uma música que adorava, mas quando subi ao palco, estava tão irritada pela discussão com o Finn, e resolvi mudar de música. Avisei ao pessoal da banda o nome da música, e enquanto os violinos começavam andei pelo palco, como se estivesse no meio de uma discussão com namorado imaginário. Comecei tímida mas àa medida que fui ficando mais confiante, me soltei mais. Percebi quando a professora Yelchin, se inclinou para a frente, prestando atenção.
Don't make me over
Now that you know how I adore you
Don't pick on the things I say
The things I do
Just love me with all my faults
The way that I love you
I'm begging you
Accept me for what I am
Accept me for the things that I do
Accept me for what I am
Accept me for the things that I do
Quando terminei, ela me olhou e acenou com a cabeça, fazendo um sinal de aprovação e eu me segurei para manter a compostura e não sair dando gritinhos e pulando. Era a vez de Finn, e nos encaramos enquanto eu descia do placo, já sabia que ele iria cantar sua música favorita “Over the Raimbow’, mas me espantei quando ao invés dos acordes de uma viola havaiana, chamada uquelele, eu escutei o som de piano, enquanto me sentava ao lado de Parv e Robbie. Olhei para o palco e era o próprio Finn, tocando. Ele me encarou e cantou uma música, de um filme trouxa que nós adorávamos quando pequenos:
So,If you´re mad, get mad
Don't hold it all inside
Come on and talk to me now
But hey, what you've got to hide
I get angry too
But I'm a lot like you
When you're standing at the crossroads
Don't know which path to choose
Let me come along
Cause even if you're wrong...
I'll stand by you
I'll stand by you
Won't let nobody hurt you
I'll stand by you.
Depois de todas as apresentações, a professora Yelchin subiu ao palco e após nos encarar séria disse:
- Eu estou simplesmente chocada! – e ficamos tensos e ela continuou:
- Sempre acreditei naquele ditado antigo que diz que ‘um raio não cai duas vezes no mesmo lugar’, mas vejo que terei que substitui-lo. Pela segunda vez em minha vida, o palco deste auditório, recebeu alunos extremamente talentosos e eu me sinto orgulhosa de estar aqui e presenciar isso. Valerá muito a pena trabalhar com vocês. – sorrimos feitos bobos e ela disse:
- Muito bem, todos para suas repúblicas, a audição está terminada. Os verei na próxima aula.
Saimos do auditório e nosso grupo era muito ruidoso enquanto íamos em direção às nossas repúblicas, quando cheguei na Atena, senti um toque no meu cotovelo e vi que era Finn.
-Podemos conversar um pouco?- fiquei um pouco para trás e o encarei esperando:
- Desculpa dizer que você era irracional, foi rude e eu não gostei disso, você sabe que é importante para mim. – e eu o olhei e disse:
- Sou importante para você? Mesmo?- e ele me disse sorrindo:
- Claro que é, afinal é a minha melhor amiga, é a irmãzinha que eu não tenho...(ficamos nos encarando e ele pigarreou). - E obrigado por falar com o seu pai ok? Foi legal.Estamos bem?
- Não foi nada, Finn, o que os amigos não fazem uns pelos outros não é? E sim, nós estamos bem. Agora vou indo, estou exausta e amanhã temos aula. – entrei e subi direto para o meu quarto e não foi surpresa, ver que Parvati, Jude e Penny estavam me esperando.
- E então?? – perguntaram ao mesmo tempo e eu respondi cansada:
- Estamos bem.Tudo vai ficar bem. – as garotas se aproximaram e me abraçaram, e depois me ajudaram a me trocar e me empurraram para a minha cama, e assim que me deitei adormeci. Sonhei que estava na Brodway, encenando ‘O fantasma da Ópera’ com um mascarado que me abraçava forte, enquanto cantava:
All I want
Is freedom,
A world with
No more night...
And you
Always beside me
To hold me
And to hide me...
Love me -
That's all I ask
Of you...
N. da Autora: Algumas das músicas citadas no post foram colaborações de Renan, Tandi e Ju. Afinal, cada um destes personagens, é um pedacinho de nós quatro, e estas músicas os definem.
Sunday, September 26, 2010
– P R E F Á C I O –
Drammen, Noruega.
[Outubro de 2004]
- Está tudo certo. Nós podemos ir embora daqui e nunca mais vão nos encontrar.
A mulher, que era conhecida nas redondezas como “Madame Castoriadis”, sussurrou convincente para Charles Talemoe – que ainda parecia manter muitas ressalvas quanto ao plano de fuga.
- Não sei... Você poderia ao menos mudar o seu nome comercial, como eu fiz com o meu barco. Aliás, eu mudei muita coisa do antigo “Penélope”. Phoebe não vai conseguir nos encontrar se seu melhor palpite for ele. Mas o seu nome...
- Você não entende. Não é como mudar o nome de um barco, Charles. “Castoriadis” é o meu nome desde que me formei em magia e comecei a trabalhar como astróloga. Eu não me encontraria em outro nome. – ela disse com um leve tom de desespero na voz. – Mas você não precisa se preocupar com nada. Heine logo vai entender que nunca conseguiria encontrar, sozinho, o paradeiro de dois bruxos formados. E Phoebe nem sabe sobre nós... Você pode simplesmente dizer que vai navegar, e nunca mais volta. Ela vai te dar por morto. Logo eles nos esquecem. Acredite em mim, o plano é bom.
Charles raciocinava muito rápido. Sua cabeça formava em velocidades incríveis vários flashes de possíveis desenlaces de toda a trama, para ter certeza de que nada estava lhe escapando. Emily, entretanto, interrompeu seus pensamentos quando se aproximou dele e colou suas testas, decidida a encerrar o assunto.
- Vamos meu amor. Pare de pensar no que pode dar errado. Vamos embora daqui. Eu não agüento mais aquela casa. – ela disse em sussurros, enquanto o encarava fixamente e passeava os dedos de suas mãos pelo rosto e pescoço dele, que ia amolecendo gradativamente.
- Eu também não agüento mais “ela”. Está me deixando louco toda sua obsessão. E não agüento mais o trabalho no Ministério. Não agüento mais minha vida aqui. Só tenho pena de Penélope... Eu queria poder levar minha filha conosco. Queria poder “salvá-la” também. – ele disse deprimido.
- Você acha que também não está me matando a idéia de deixar meus filhos com “ele”? Mas o que nós poderíamos oferecer para eles, Charles? Nós nem temos um destino fixo ainda. Pelo menos com “eles” os futuros dos nossos filhos estão garantidos... E quem sabe ambos não se transformem quando formos embora? Quem sabe não se dediquem totalmente às crianças, e elas sejam felizes – mesmo crescendo longe de nós? Mas é um risco que teremos de correr se quisermos fazer algo por nós mesmos. Para sermos felizes.
Ambos se encararam em silêncio por um longo tempo, até Charles fechar os olhos e se render.
- Você está certa. Nós temos que fazer isso por nós. Nós temos que ir embora daqui o mais rápido possível. – abriu os olhos, decidido, e ela sorriu.
- Quando?
- Amanhã. Vamos sumir para longe daqui, amanhã.
- E nunca mais vão nos encontrar. – ela completou antes de beijá-lo intensamente.
ººººº
Instituto Durmstrang.
[Março de 2010]
- Mandou me chamar, professor? – Penélope entrou na sala do diretor um tanto receosa. Levou um susto quando um elfo doméstico da escola interrompeu a aula de Feitiços pedindo que ela o acompanhasse. Igor Ivanovich confirmou com a cabeça, em um ar sério, e dispensou o elfo.
- Sente-se. – ele disse com calma, apontando a cadeira na sua frente e ela se sentou ainda mais nervosa.
- Aconteceu alguma coisa?
- Ainda não... Mas as notícias não são boas, e você vai precisar ficar calma. – como a menina parecia assustada o suficiente com toda a situação, ele decidiu não prolongar mais o assunto. – Sua mãe está muito doente. Deu entrada ontem no St. Alborghetti, mas os curandeiros não estão criando muitas expectativas... E ela está chamando por você. Quer te ver o mais rápido possível.
Penélope puxou o ar com força e ficou tonta. De repente a sala do diretor foi ficando fora de foco e, se ela não estivesse sentada, teria certeza de estar caindo. Quando sua cabeça voltou ao eixo normal, Igor Ivanovich estava agachado em frente a ela e a segurava pelos ombros.
- Você quer ir vê-la? – ele perguntou gentilmente e ela sentiu a boca secar.
- Sim.
- Vou providenciar uma chave de portal para você, tudo bem? Vá até sua república e prepare uma mochila para alguns dias... Depois volte para cá. Vou te acompanhar até o hospital.
Ela assentiu com a cabeça, ainda se sentindo muito fraca pra dizer qualquer outra coisa, e saiu correndo da sala. Atena estava deserta àquela hora da manhã, já que todas suas outras moradoras estavam em aula. Dez minutos depois, Penélope já estava correndo novamente de volta à sala do diretor, com uma mochila improvisada nas costas. Sua mãe precisava dela.
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Penélope se assustou quando entrou na enfermaria onde sua mãe estava internada e viu seu estado. Desde o Natal a mãe tinha perdido muito peso e tinha profundas olheiras sob os olhos.
- Mãe?! – Penélope chamou baixo em uma espécie de sussurro deprimente. Segurou a mão fria da mãe, que não se alterou.
- Penélope... Você veio. – Phoebe respondeu devagar, ainda com os olhos fechados e uma tentativa frustrada de sorrir. Penélope sentiu algumas lágrimas escorrerem por seu rosto, mas manteve as duas mãos agarradas na mãe.
- O que aconteceu com você?
- Eu...não...consigo...mais. – Phoebe abriu os olhos de repente e encarou a filha com o que parecia ser o último vestígio de vitalidade que ainda possuía. – Prometa que não vai desistir de encontrar seu pai.
- Você não vai morrer mãe. – a menina respondeu desesperada, e tentando parecer convincente, mas sua voz falhou.
- Prometa. Por favor. Eu não agüento mais. – ela apertou o braço da menina, que se assustou.
- Prometo. Eu vou encontrar meu pai. – Penélope disse tentando parecer firme, o que parece ter sido o suficiente pra sua mãe (que afrouxou o aperto de seu braço e fechou novamente os olhos, cansada). – Mãe...
Mas já era tarde demais. Antes que uma das duas pudesse dizer qualquer outra coisa, Penélope sentiu a mão de sua mãe amolecer definitivamente entre suas mãos e ela soube que estava sozinha no mundo.
Berna, Suíça.
[Agosto de 2012]
Penélope desceu sozinha do trem e olhou para o amontoado de edifícios estranhos que se empilhavam à sua frente. Depois, puxou um caderno preto – de aparência muito gasta – de dentro da bolsa e abriu-o. Tratava-se de um diário de Charles Talemoe, seu pai, do ano de 2002. (Dois anos antes de ele, misteriosamente, desaparecer - após ter saído para navegar).
Depois que sua mãe morreu e deixou Penélope com a promessa de que não desistiria de encontrar seu pai, a menina se desesperou. Não sabia nem por onde poderia começar a procurá-lo, (já que nem ao menos se lembrava dele com muita nitidez). E até mesmo pensou em deixar para pagar as conseqüências de sua promessa não cumprida quando essas lhe chegassem, mas, acidentalmente – enquanto passava sozinha o último pedaço das férias de verão em casa (como fazia todos os anos, depois de voltar da casa dos avôs maternos, na Grécia) –, encontrou o caderno em um fundo falso do armário de seus pais, e passou a analisá-lo minuciosamente atrás de pistas que pudessem lhe ajudar em alguma coisa.
Chegou à conclusão de que seu pai fora um homem medíocre. (E ela chegou a essa conclusão em um tempo passado, pois, ao contrário de sua mãe, ela já considerava o pai como uma vítima de um naufrágio, ou qualquer coisa assim.) Em todos os seus relatos, ele parecia miserável no trabalho que tinha no Ministério da Magia; miserável no casamento com Phoebe; miserável nas diversas relações sociais às quais se via obrigado a tecer dia após dia... E só uma pessoa parecia lhe compreender. Era uma cigana de nome “Madame Castoriadis”, por quem ele descrevia ter uma relação bastante forte de amizade e confiança, e compartilhar com ela todos os seus problemas e sonhos de se ver livre de tudo.
Penélope leu e releu o caderno diversas vezes, e acabou se rendendo ao pouco que tinha. (Ela sabia que era inútil buscar pelo barco de seu pai em todos os portos do mundo, pois Phoebe já tinha feito isso várias vezes, antes de desistir.) Então, decidiu buscar por “Madame Castoriadis”. Se ela tivesse a sorte de encontrar essa cigana, poderia estar muito perto de descobrir o verdadeiro destino de Charles...
E, por algum tempo, ela se sentiu com muita sorte. Ao contrário do que pensou, encontrar uma cigana cartomante que se utilizasse deste nome, foi muito fácil. Havia um registro disponível no Ministério da Magia, e uma única com esse nome – que trabalhava na capital da Suíça. E foi isso que levou a menina até Berna naquele verão...
De dentro do diário ela tirou um mapa da cidade e abriu-o para verificar sua posição. Um ponto vermelho marcado no mapa – a algumas quadras de onde ela se encontrava – marcava o ponto onde a cigana deveria estar trabalhando. Penélope começou a andar pela avenida, no sentido indicado pelo mapa, e seu coração acelerou. (Ela não entendeu o motivo de estar nervosa, mas achou que deveria ser por sua mãe. Sua mãe morrera sem ter tido nenhuma pista tão boa de Charles quanto a que Penélope achava que poderia ter.)
Andou por vários minutos e entrou na rua indicada. Era uma ruela sem saída, e cercada por paredes contínuas de prédios altos e escuros. Diminuiu o ritmo enquanto passava por eles, até parar na frente de um – quase no final da rua – e o analisar. Conferiu o número na parede com o número anotado no mapa e sentiu o coração acelerar ainda mais quando viu ser o certo. Tocou a campainha do apartamento 206 e esperou. Pouco tempo depois, uma voz feminina, suave e tranqüila, chamou-a acima de sua cabeça, pela sacada.
- Quer tirar as cartas, minha querida? – perguntou a mulher sorrindo graciosamente. Penélope puxou o ar com força.
- Não... Mas quero conversar com “Madame Castoriadis” se possível. É muito importante. – ela disse com a voz um pouco esganiçada de nervoso.
A mulher avaliou-a muito bem antes de voltar a sorrir e falar.
- Ah, entendo. “Outros serviços” então. Pode subir. – disse ela dando uma piscadinha e abrindo o portão.
Penélope sentiu as pernas gritarem a cada degrau que subia. Ela não estava se sentindo bem. Alguma coisa no jeito com que aquela mulher a havia olhado. Alguma coisa não estava certa. Mas, embora Penélope ficasse repetindo isso para si mesma durante toda a subida, a menina não pensou em retroceder em nenhum instante. Estava fazendo aquilo por sua mãe. A porta do apartamento já estava entreaberta quando ela chegou, e ela respirou fundo mais uma vez antes de entrar.
- Com licença?! – disse baixo enquanto entrava na sala de estar minúscula e fazia careta com o cheiro impregnado de incenso que atingiu suas narinas.
- Fique à vontade minha querida. Qual o seu nome? – Madame Castoriadis respondeu com sua mesma voz suave atrás de Penélope, que se exaltou de susto. A mulher, porém, sorriu e conduziu a menina até um pufe de veludo da sala.
- Penélope.
Ela já esperava muitas reações diferentes da mulher, mas nem tinha lhe passado pela cabeça que já começariam a ser mostradas logo após a menina se identificar. Ao falar seu nome, a graciosa e suave mulher que sorria para Penélope sumiu e deu lugar a outra, séria e preocupada, pálida como a vela que estava acesa entre elas na mesa. O espanto durou alguns segundos antes de ela se recompor parcialmente e esboçar um novo sorriso.
- Bonito nome. Como posso te ajudar, Penélope?
Era chegada a hora.
- Eu tinha esperanças que você pudesse me ajudar a encontrar o paradeiro de meu pai, Charles Talemoe. Ele está desaparecido desde 2004. – Penélope disse tudo de uma vez e puxou novamente o diário da bolsa, abrindo-o. – Ele cita o seu nome diversas vezes. Vocês eram confidentes. Aliás, era você, não era?
Penélope estava tão ansiosa em dizer tudo que nem se preocupou em olhar para Madame Castoriadis enquanto falava. Mas, quando olhou, sentiu os pêlos de seus braços se arrepiarem na mesma hora. Ela tinha os olhos exaltados e a boca torcida, e encarava Penélope fixamente, com fúria.
- Vá embora. – a mulher se levantou de um rompante e apontou o dedo para Penélope, ameaçadoramente.
- O que? – a menina perguntou assustada e não se moveu.
- VÁ EMBORA!
Penélope se sentiu em um plano diferente da realidade e demorou a acreditar que aquilo de fato estava acontecendo. Levantou de um salto da cadeira quando a mulher se projetou para cima dela, e em passos rápidos foi saindo para a porta, mas não rápida o suficiente. Paralisou quando foi agarrada por duas mãos frias.
- Nunca mais volte aqui. Nunca mais procure por Charles Talemoe.
- Me solta. – a menina pediu em pânico, mas a mulher continuava encarando-a fixamente com uma expressão de psicopatia.
- Todos os seus amores morrerão. – sua voz era grossa e definitiva, e ela proclamou cada palavra como uma lei.
Penélope sentiu uma pontada forte na cabeça e seus olhos se encheram de lágrimas. Com toda a força que conseguiu reunir, ela puxou seu braço das mãos da cigana e saiu correndo para fora dali. Tinha sido amaldiçoada.
ººººº
Atena, Instituto Durmstrang.
[Setembro de 2014]
Penélope acordou assustada e suando. Localizou-se no dormitório da Atena, república onde morava em Durmstrang, e respirou fundo para se acalmar.
Fechou os olhos novamente e se forçou a pensar, contínuas vezes, de que tudo ficaria bem. Um dia, tudo ficaria bem.
Thursday, September 23, 2010
Ah, lar gelado lar. Depois de dois meses quentes de férias, nada como voltar pra nossa segunda casa, no paraíso da hipotermia. Estou sendo chata, eu sei. Gosto de Durmstrang e seu clima gelado, mas às vezes cansa. Andar toda encapotada nem sempre nos favorece. Mas o melhor de voltar era poder rever a turma. O jantar de boas vindas era sempre um falatório incontrolável, nosso diretor, Igor Ivanovich, precisava ampliar a voz com magia para conseguir ser ouvido. Sempre me sentava com Leo, Robbie, Jude e Penny para colocarmos o assunto em dia e Robbie nos contava sobre seu novo namorado, Alec Karpov, quando fomos interrompidos por um pigarro assustadoramente alto do diretor. Em um momento raro, o salão caiu em silêncio para olhar para ele.
- V Olimpíadas Interescolares Bruxas. Como muito se comentou ano passado, esse ano teremos novamente uma edição dos jogos – o falatório ameaçou recomeçar, mas ele conseguiu manter a voz elevada – Os jogos desse ano serão sediados pela Instituto de Bruxaria de Melbourne, na Austrália, entre os dias 14 e 27 de Novembro. Nossa delegação sairá no dia 13 de Novembro, pontualmente às 10h. Aos interessados em competir, haverá uma lista disponível com os professores de Artes e Educação Física, vocês têm duas semanas para procurá-los e se inscreverem nas modalidades existentes. Lembrando que aqueles que não forem competir, deverão permanecer no castelo com os alunos do 1º ano, que não podem participar, e acompanhar a transmissão dos jogos que será feita pela equipe do nosso jornal. Espero ver muitos de vocês na nossa delegação. Agora podem voltar às suas repúblicas, e bem vindos de volta.
Todos começaram a levantar quando ele acabou de falar e de repente a fofoca sobre o novo namorado de Robbie não era mais urgente. Nossa urgência no momento era encontrar alguma modalidade que não exigisse muito esforço, só para poder acompanhar a delegação de Durmstrang para a Austrália. Nem morta ia ficar pra trás, imprimindo noticiário da equipe do jornal!
O despertador do quarto tocou às 7h em ponto, mas já passava das 8h quando decidi abrir os olhos. Não adiantava correr, a republica ficava um caos de manhã cedo, todas querendo usar o banheiro primeiro, então era sempre uma das últimas. Moro na Atena, uma das repúblicas mais disputadas de Durmstrang, e divido o quarto com mais seis pessoas. É, outro caos, mas ao menos são minhas amigas. Julie, Leo, Penny, Jude, Flora e Lisera são excelentes companheiras para madrugadas sem sono, teorias conspiratórias e planos de vingança.
- Vai levantar ou não? – Leo atirou uma almofada em cima de mim, mas não me mexi.
- Olhe a minha cara de quem está animada para ter uma aula com criaturas mágicas – fiz uma careta de dor e ela riu.
- O professor é o Karl... – Liseria entrou no quarto.
- Ok, já levantei! – saltei da cama num único impulso e corri para o banheiro, ouvindo as risadas no quarto.
Quinta-feira era um dia longo pra mim, a maioria das aulas não me interessavam, mas no fim teria Artes, que eu amava. Mas tinha mais um incentivo, que era o professor de Trato de Criaturas Mágicas, Karl Neitchez. Ele era simplesmente perfeito, mas infelizmente devia me achar burra. Como aprender alguma coisa, quando se tem algo melhor prendendo sua atenção?
Sobrevivi a todas as aulas e clubes do dia e quando faltavam menos de cinco minutos para as 20h, já estava dentro do teatro. Nem esperei o novo professor de Poções autorizar nossa saída e isso pode me custar caro depois, mas sinceramente, quem se importava? Uma detenção a mais, uma detenção a menos... As 20h em ponto a porta do teatro se abriu a uma mulher loira, que exalava poder até no jeito de andar, caminhou até o palco. Meu queixo foi no chão.
- Merlin! – apertei o braço de Robbie com tanta força que minhas unhas deixaram uma marca – É Georgia Yelchin!
- A atriz da Broadway? – Leo riu – Está louca?
- É ela sim!
- Santa Lady Gaga... – Robbie levantou da poltrona em câmera lenta.
- Boa noite! – ela falou de cima do palco, sorrindo – Me chamo Georgia Yelchin e a pedido do diretor Ivanovich, serei a professora de Artes pelos próximos dois anos. Por favor, cheguem mais pra frente, para que possamos começar a nos conhecer melhor. Quero todos ocupando as três fileiras da frente.
- Gente, mas o que ela está fazendo aqui nesse fim de mundo? – Leo perguntou espantada, enquanto caminhávamos para frente.
- Eu estudei aqui, Durmstrang um dia também foi minha casa – ela pareceu ter ouvido a pergunta – Foi aqui que minha carreira começou. Sim? – e vi Robbie com a mão levantada.
- Só queria dizer que sou seu fã – ela riu e senti uma vergonha alheia enorme, mas ele não estava se importando.
- Obrigada. Antes de pedir que cada um diga o nome, quero avisar que na minha aula, todos fazem alguma coisa. E se quiserem passar, terão que cantar, dançar ou fazer algum outro numero que esteja dentro do cronograma que criei – um principio de reclamação ameaçou se espalhar, mas ela tinha um olhar severo, então não foi longe.
- Mas todo mundo tem que cantar? – Ozzy perguntou com uma cara desanimada. Não pude deixar de sorrir vendo o desespero dele.
- Sim, senhor...?
- Oscar Lusth.
- Oscar. Sim, todos terão que fazer algo. Se não sabe cantar, pode dançar. Se não dança, encontre uma música e aprenda a cantá-la. Não espero ver nenhum tenor no palco, sei que nem todos cantam bem, o que vou avaliar é a criatividade, o comprometimento com o trabalho. Não avalio a voz.
- Podemos nos apresentar em conjunto? – Alec, o novo namorado de Robbie, perguntou – Seria menos constrangedor.
- Podem trabalhar em duplas, trios, grupos, como quiserem, desde que todos façam sua parte. Se tiverem 39 pessoas cantando e 1 apenas mexendo a boca, eu vou localizar essa pessoa, não tenham duvida disso.
- Vai ter alguma peça? – perguntei.
- Ainda não sei, primeiro quero conhecê-los melhor e então verei o que podemos fazer. A única coisa certa é que, independente do que seja, todos irão participar. Agora que os avisos foram dados, quero conhecer todos vocês. Começando pelo garoto de camisa amassada da ponta esquerda, digam nome e o que gostam de fazer.
Durou toda a hora de aula a apresentação dos alunos e como primeiro trabalho para a próxima aula, deveríamos encontrar uma música com que nos identificássemos e apresentá-la no palco. Foi muito divertido ver o pânico estampado no rosto daqueles que estavam acostumados a ter os tempos de artes como livre. A turma começou a caminhar de volta para as repúblicas ainda discutindo a aula, mas eu ainda tinha reunião com o conselho do grêmio estudantil naquela noite. A professora Mira já nos esperava na porta da redação do jornal quando chegamos. O conselho era composto por alguns alunos selecionados a dedo por ela, e era formado por mim, meu namorado Lukas, Leo, Robbie, Ozzy Lusth, meu primo Jack, Lucian Valesti, Yanic Andreatta, Maria Schuster e Valeria Stankovich.
- Olá, boa à noite a todos, sentem-se em seus lugares e vamos começar a reunião.
- Professora, vamos poder trabalhar de alguma forma da organização das Olimpíadas? – Lucian perguntou.
- Vamos chegar nesse assunto daqui a pouco, antes tenho um anúncio para o novo ano – ela se sentou em seu lugar e entregou uma ficha de tarefas para cada um – Como todos sabem, ano passado pedi que me apresentassem suas plataformas, se quisessem o cargo de presidente do conselho. Avaliei todas as fichas durante as férias e tomei uma decisão. Esse ano, quem vai presidir o Grêmio Estudantil da escola será Parvati Karev.
- O QUE? – Ozzy bateu na mesa, indignado – Professora, a senhora só pode estar brincando. Essa desmiolada vai ser a presidente e mandar no conselho?
- Mais respeito com sua colega, Sr. Lutsh – Mira brigou com ele e o olhei enfezada – A Srta Karev é perfeitamente capaz de assumir o cargo.
- É, fica na sua, patinador. Sou mais capaz que você, já que ela me escolheu.
- Não me faça voltar atrás, Parvati... – ela me olhou severa e me desculpei – Outro aviso: Olimpíadas. Não há nada que possamos fazer na organização do evento oficial, mas há muito a ser feito aqui no Instituto, antes, durante e depois dela. Nessa ficha estão as tarefas que cada um tem para a preparação para a competição. Quero idéias de como podem ser feitas para a próxima reunião, que passará a ser conduzida pela presidente eleita. Estarei aqui apenas como orientadora.
- E a semana das repúblicas? Já é quinta-feira e ela começa na segunda – Yanic perguntou.
- Era o próximo tópico, idéias do que faremos para receber os calouros sem incidentes como o do ano passado?
Jack e Ozzy abafaram risadas e revirei os olhos. Durante a semana das repúblicas do ultimo ano, um calouro da Chronos acabou colado na parede da Kratos e todos sabíamos que tinha sido o time de Hóquei, mas ninguém foi punido. Agora que eu estava no comando, não ia permitir essa bagunça. E se por acaso alguma coisa saísse do controle, eles não iam escapar ilesos. Era o começo de uma nova era no Instituto Durmstrang. E eu estava no topo dela.