Monday, May 30, 2011

Alguns rabiscos de Leonora Ivashkov, não pense que isso é um diário.

Depois que Mitchell e eu começamos a ‘fingir namorar’ a minha vida mudou.
Parece até um pouco dramático, dizer isso, mas foi o que aconteceu. Antes eu era apenas conhecida como uma gorda encalhada que tinha uma coluna de fofocas no jornal da escola. Agora com Mitchell, eu havia elevado o meu status, pois havia subido um degrau na cadeia alimentar, e agora eu era ‘popular’.Não que eu já não o fosse, mas com um namorado bonito e querido a tiracolo, as pessoas me olhavam como se eu fosse uma pessoa ‘normal’. Hilário, eu sei, até porque eu nunca serei uma pessoa ‘normal’, sou melhor que isso, mas era engraçado, ver pessoas que antes me olhavam com ares de superioridade, me cumprimentarem, e isso acontecia até mesmo as namoradas de outros jogadores do time dele e outras pessoas pela escola. Ah e eu devo confessar que precisei pegar algumas dicas com Parvati e Robbie, sobre ‘namoro a sério’, coisas como gestos em público, aonde ir, o que dizer quando em companhia de outras namoradas, estas coisas, para não dar nenhum fora. O que explicava o fato de eu passar a ser vista frequentemente nos treinos e jogos de quadribol do time do meu namorado. Ok, ok, eu gosto do som destas duas palavras(meu namorado), mas eu sei que isso é apenas um treino, mas ninguém disse que eu não deveria curtir a situação, muito pelo contrário.
E Mitchell é claro, faz a parte dele, me trata super bem, é atencioso, gentil, sempre preocupado comigo...Claro, que às vezes, ele exagera e dá uns beijos intensos demais, dizendo que faz parte da encenação, mas eu não sou tão boba assim. Sou rápida para aprender quando quero, e devo confessar que alguns dias, quem sai de joelhos bambos dos encontros, é ele rsrs. Nunca pensei que ele fosse uma pessoa tão interessante...Quando acabar, penso que vou sentir falta dele...Talvez possamos manter a amizade.Já ouvi tanto por ai, sobre amigos com benefícios...Vamos ver...



- Tem certeza de que vamos jogar boliche? Você nem gosta de carregar suas sacolas de compras por medo de estragar as unhas. - disse Mitchell quando chegou na república para me buscar. Antes de responder, o olhei de cima a baixo e ele percebendo o meu olhar, disse com um olhar maroto:
- Podíamos ficar namorando em algum lugar mais sossegado...-disse me puxando e me beijando, e aquilo poderia ter durado um tempão, se não fôssemos interrompidos:
- Woow! Deste jeito vocês vão derreter as calotas polares, vamos manter a decência.- disse Robbie saindo com Parvati. Lukas e Alec vinham logo atrás, e depois de acenarem para Mitchell, ele retribuiu. Eu, Parv e Robbie, sempre incluíamos Mitchell na conversa e quando chegamos ao boliche, os garotos já estavam conversando entre si animados, afinal haviam descoberto que em matéria de esportes tinham vários gostos em comum.
Quando chegamos na pista de boliche, colocamos nossos sapatos e escolhemos a nossa pista. Após fazermos algumas jogadas, Mitchell começou a se achar o rei do boliche, citando as regras, e quando ele, Alec ou Lukas faziam algum strike, comemoravam de forma excessiva, para nos tirar do sério.
- Quero jogar a bola rosa chiclete...Tenho sorte com esta cor.- comentei
- Mas com ela você não vai conseguir derrubar os pinos, é muito leve. Aliás você nem a segura direito, ela não é um ser vivo, baby.- e Lukas também fazia algumas observações quando Parv ia jogar. Alec se abstinha de comentar, mas os seus olhos indo para o alto, quando Robbie dava sua corridinha esquisita e a bola rolava pela calha, errando os pinos, ja diziam tudo.
- Quer saber? Vocês estão muito chatos com esta coisa de regras, vamos nos divertir.- reclamei e Parv comentou:
- Quem vê o jeito de vocês pensa que estamos disputando um campeonato.
- Disputar um campeonato com vocês? Impossível, vocês são muito ruins, seria um massacre.- disse Mitchell, e até mesmo Alec riu. Eu apertei os olhos, enquanto Parv cruzava os braços e Robbie passava a mão na testa, cansado:
- Você está dizendo que somos tão ruins, que dificilmente ganhariamos de vocês?- perguntei.
- Sim, é isso aí.- Mitchell disse, e após um olhar para Parvati, Robbie disse:
- Pois nós achamos que mesmo sem todo este preparo de vocês, podemos vencer, só temos que pegar o jeito, já sabemos o básico.
- Trocar o cadarço do sapato, para combinar com a sua roupa não é o básico.- zombou Mitchell e Robbie disse se virando para mim:
- Vou deixar de gostar dele, posso? Ainda não dei permissão para ele ser engraçadinho.- e eu respondi:
- Ele está sendo bobo, não ligue. Eles podem ser os atletas, mas nós podemos vencê-los.- eu disse confiante e Mitchell e os garotos riram.
Antes de voltar ao jogo, puxei Robbie e Parv e disse baixinho a eles: ‘W-i-i’, e eles após uma troca de olhares, riram de forma maliciosa. Aquilo ficaria bom.
Começamos a jogar de forma mais consistente e ao primeiro strike de Robbie, que eu e Parv pulamos para comemorar, Mitchell disse que era sorte de principiante, mas à medida que o jogo progredia, Mitchell ia ficando emburrado, enquanto Lukas e Alec paravam de implicar. Ao final acabamos vencendo por um strike lindo de Robbie, usando uma bola verde limão que fizemos questão de comprar como um troféu. Na volta para as repúblicas, Alec, Lukas, Robbie, Parv e eu comentávamos a partida, rindo e Mitchell, embora participasse da conversa, estava mais calado. Nos separamos de nossos amigos e ele me levou direto para a república, e devo confessar que eu estava toda animadinha, especialmente ao perceber que ele ficava cada vez mais carrancudo.Gosto de provocar, fazer o quê?
Ao nos despedir, ele me deu um beijo rápido e foi embora, acabei entrando e indo para meu quarto, após algum tempo, Parv chegou e quis saber:
- E ai? Mitchell superou bem a derrota?
- Acho que não,acredita que ele foi embora sem nem me beijar direito?- resmunguei e ela riu:
- Acho que esqueci de te contar esta parte do namoro: alguns caras são competitivos e odeiam quando perdem algum jogo para suas namoradas. Lukas nunca foi louco o bastante para tentr isso comigo. Mas logo, Mitchell supera, é só você não ficar pisando muito.- rimos porque começamos a lembrar das jogadas e o quanto a noite havia sido divertida.
No dia seguinte, quando fomos sair para ir ao castelo para as aulas do dia, Mitchell estava parado na porta da república. Aproximei-me e ficamos nos olhando, e ele foi o primeiro a quebrar o silêncio:
- Desculpa, eu agi como um idiota ontem. Sou um pouco competitivo e...
- Um pouco?- e ele sorriu admitindo:
- Sou muito competitivo e nunca uma namorada minha havia ganho de mim de lavada no boliche.
- Não ganhavam porque isso está no ‘Manual da namorada perfeita’: nunca ganhe do seu namorado para não irrita-lo. Então elas fingem que são péssimas para não irritar o namorado. Mas como eu não sou perfeita, não me importei em magoar os seus sentimentos.Até porque não somos namorados de verdade e não combinamos este tipo de coisa. - eu disse franca e ele disse:
- Eu achei que você havia mentido para mim, sobre nunca ter ido a uma pista de boliche...
- Mas eu nunca fui mesmo.- eu disse e ele me olhou duvidando:
- Não foi o que me pareceu ontem à noite. Ou será que você queria me fazer de bobo na frente dos seus amigos?- disse fechando a cara novamente e eu respondi tensa:
-Você está me chamando de mentirosa? Se está vamos parar por aqui, cowboy.Está?
- Não, só que você jogou muito bem, quando resolveu entrar no jogo e isso é estranho.
- Eu nunca fui a uma pista de boliche no mundo real, só no mundo virtual e confesso que sou muito boa. Aliás, eu sou tão boa que consegui uma medalha de ouro nas Olimpiadas. - como ele ainda me olhasse pasmo eu expliquei:
- Parv, Robbie e eu, somos ótimos no videogame.Foi só relaxar e imaginar que estávamos em nosso jogo.- achei que que ele fosse ter um piti, depois do que eu contei, mas ele começou a rir, quando viu que eu falava a sério:
- Vocês nos deram aquele banho, apenas porque sabem jogar videogame? Isso é bizarro.- ele se aproximou e quis saber:
- Ainda estamos juntos não é?Quer dizer, com a encenação e tudo o mais...Eu vou entender se você quiser ficar livre, fui um bobão.
- Sim, você foi um bobo, mas se quiser, estamos juntos...- ele sorriu e eu continuei:
- Afinal, Finn ainda não veio falar comigo.- e ele voltou a ficar sério:
- Sim, claro, eu havia me esquecido que o Finnegan é a razão por estarmos juntos.- continuamos a caminhar para a escola e ele segurava a minha mão.
- Sabe, esta foi a nossa primeira briga...Não deveriamos fazer as pazes?- eu comentei e ele parou e me puxou para ele:
- Então temos que fazer as pazes do jeito certo.- e me beijou de forma tão intensa que me pareceu uma despedida quando no soltamos, pois seu olhar estava triste.
Até comecei a ficar curiosa sobre isso, mas me distrai quando Finn passou por nós e nos olhou feio. Sorri para Mitchell e segurei forte a sua mão enquanto entrávamos no castelo. Talvez, Finn esteja pronto para tomar uma atitude em relação a nós.
Era uma terça-feira e o jantar já haviam terminado. A maioria dos alunos já começava a voltar para suas republicas para descansar, mas a movimentação no castelo ainda era grande. Parvati se despediu de Leo e Robbie, que não participavam de nenhum clube à noite, e começou a caminhar na direção das masmorras com alguns poucos alunos. Era sua primeira reunião no Clube de Alquimia Avançada. Depois de um longo período de avaliação, onde o professor Kollontai a observava com demasiada atenção em todas as aulas, ela havia sido finalmente aceita no seleto clube.

Foi uma das últimas a entrar e estava um pouco nervosa. Ela não costumava se sentir intimidada, mas aquele clube era um desafio. Estava cansada de ser diminuída pela prima e queria provar que era perfeitamente capaz de ocupar aquela vaga. As provocações e piadas sobre loiras iam acabar naquela noite. A turma conversava animada, mas todos se calaram no instante em que o professor Kollontai entrou. Ele analisou a turma em silencio e deu um sorriso, algo raro em suas aulas normais. Ele era diferente quando estava com seu seleto grupo de alunos.

- Boa noite a todos – Reno circulava pela masmorra, estranhamente animado – Como já devem ter notado, hoje temos dois novos membros. – e apontou para Parvati e Patrick, namorado de Lenneth – E para dar às boas vindas a Srta. Parvati Karev e ao Sr. Patrick Boris, vou trazer de volta uma tradição que ficou esquecida esse ano: o duelo alquímico.

O burburinho foi instantâneo. Já havia quase um ano desde que o duelo alquímico havia acontecido numa reunião do clube. O último, no final do ano anterior, não havia acabado muito bem. A turma rapidamente começou a se dividir em pares, mas Reno os deteve na mesma hora.

- Hoje sou eu quem vai decidir os duelos, não queremos acidentes como o do ano passado, não é mesmo? – e bateu no ombro de Oleg. Ele incendiara acidentalmente seu oponente da última vez – Hoje você duela com seu irmão, só ele controla sua empolgação.

Não demorou muito e toda a turma estava dividida em duplas. Dos combates mais interessantes, Lucian ia duelar com Patrick, Oleg e Alec, e Ozzy e Parvati iam medir forças. O último duelo rendeu algumas apostas lideradas por Oleg e apesar de Parvati ser novata, a turma ficou dividida. Reno afastou as mesas com um simples aceno de varinha e saiu pela masmorra desenhando círculos alquímicos, sempre um de frente pro outro e com cinco metros de distancia entre eles.

- A regra é simples: quem tirar o oponente de dentro do circulo, vence. Vocês não devem fazer mágica com as varinhas, e sim usar os elementos à sua volta no combate. Vocês têm a terra no meio das pedras dessa masmorra, tem o ar que circula aqui dentro, tem a água da fonte na parede dos fundos e o fogo dos lampiões. Usem esses elementos, controle-os. Vou supervisionar para que não haja nenhum acidente e não se esqueçam que usar magia demais esgota suas energias, então controlem isso também. Ocupem seus círculos, fiquem de frente para o seu oponente e podem começar.

As duplas começaram a testar seus conhecimentos com a manipulação dos elementos e enquanto a turma se aquecia para o combate, a briga entre Oleg e Alec já pegava fogo. Literalmente. Oleg lançara um jato de fogo pra cima do irmão, que bloqueava o ataque com uma parede d’água. Quando o fogo começou a perder a força, Oleg criou uma tempestade de areia que engoliu o irmão, mas Alec se manteve dentro do circulo e conseguiu dispersar o ataque com um mini tornado que espalhou a areia por toda a masmorra. Reno se divertia vendo os dois irmãos batendo de frente e não arriscava dizer quem sairia vitorioso.

Não demorou muito Lucian e Patrick começaram a se enfrentar de verdade. Patrick usava na maior parte do tempo pequenas bolas de bolos para tentar desestabilizar Lucian, mas não estava surtindo efeito. Depois de um tempo, em que Lucian o manteve ocupado se defendendo de uma enxurrada de bolas de neve, ele mandou uma onda de areia para cima de Patrick. A onda acertou o garoto em cheio, fazendo-o engasgar por ter sido pego desprevenido e o empurrando para fora do circulo, dando a vitoria a Lucian.

Metade dos duelos já haviam terminado e os alunos se dividiam entre as apostas de vencedor entre Oleg e Alec e Parvati e Ozzy. O duelo entre os irmãos terminou primeiro, com Oleg criando um terremoto na masmorra que desequilibrou toda a turma e, principalmente, seu irmão. Alec não conseguiu se manter em pé quando o chão sacudiu e foi atirado pra fora do circulo.

Com o fim daquele embate, as atenções se voltaram para Parvati e Ozzy. E não parecia que um vencedor sairia tão cedo. Ambos estavam muito concentrados e Ozzy parecia surpreso por estar tendo tanto trabalho para derrubá-la, Parvati conhecia todo o tipo de ataque e defesa. Quando ele se defendeu de um ataque de fogo com um escudo de areia, ela logo começou a lançar jatos d’água para cima dele, transformando o escudo em lama. Quando ele tentou congelar o chão para ela escorregar, rapidamente ela o esquentou e se desfez do gelo. Ozzy começou a atacar com bolas de fogo, mas ela rebatia com muito vento, jogando todas para longe.

- Ok, 10 galeões que ela vai vencer isso – Alec falou pro irmão – Ozzy está ficando sem opções.
- Que isso, ele é muito bom, não tem como ela vencer – Lucian discordou – Ela só está se defendendo, não ataca.
- Isso não vai ter fim – Julie comentou bocejando.
- Ela não ataca? – Lenneth apontou para Parvati – Então o que ela está fazendo?

Todos olharam de volta para o duelo e viram Ozzy começar a ser envolvido por raízes. Eram galhos finos, mas cresciam muito depressa e já tomavam conta de metade de sua perna. Ele riu e cruzou os braços.

- Você deve me tirar do circulo, não me manter preso nele. Não vou me dar ao trabalho de tirá-las, acho que vão me ajudar, obrigada.
- Professor? – Jack parou ao lado de Reno, com uma expressão preocupada – Não acha melhor interferir?
- Ainda não... Quero ver o que ela vai fazer.

Jack olhou para a prima outra vez. Enquanto Ozzy ria das raízes que o prendiam fixamente dentro do circulo, Parvati tinha as mãos viradas para o chão, cabeça baixa e os olhos fechados. Estava tão concentrada que as lufadas de ar que Ozzy mandava em sua direção não a distraiam. Ela continuou daquele jeito por quase três minutos, então Ozzy gritou e todo mundo entendeu o que estava acontecendo. Parvati estava esquentando o chão dentro do circulo dele. E as raízes, que agora prendiam toda a sua perna, não o deixavam sair. Ele parou de atacar e começou a arrancar os galhos com as mãos, enquanto ela mantinha a temperatura do chão elevada. Aos poucos, o chão de pedra da masmorra começava a derreter.

- Ozzy, faz alguma coisa! – Lucian gritou do lado de fora – Congele o chão!
- Não consigo me concentrar! – ele arrancou os últimos galhos e caiu para trás, para fora do circulo. Seus sapatos estavam derretidos e a sola de seu pé cheia de bolhas.
- Eu ganhei? – Jack correu até a prima quando ela cambaleou. Chegou a tempo de segurar seu corpo quando ela desmaiou, esgotada.
- Alec, ajude Jack a levar Parvati para a enfermaria, ela esgotou todas as suas reservas de energia e vai precisar de algumas poções. Oleg, Lucian, carreguem Oscar até lá também. Acho que algumas ataduras serão necessárias.
- Não preciso que me carreguem, consigo andar! – Ozzy levantou irritado, mas não agüentou pisar no chão.
- Cale a boca e ao menos se apóie em nós dois – Oleg puxou o braço direito do amigo e o jogou em seus ombros.

Os seis saíram da masmorra para a enfermaria e o resto da turma continuou acompanhando os duelos que ainda não haviam terminado. A enfermeira estava de plantão quando eles chegaram e não pareceu surpresa de ver dois alunos sendo carregados até suas macas quase 21h da noite. Deu um longo suspiro enquanto Parvati e Ozzy eram acomodados e depois se aproximou.

- Vou pedir ao diretor que proíba essas reuniões de alquimia à noite – resmungou enquanto verificava o pulso de Parvati – Sempre chegam alunos machucados! Isso é um absurdo! O que você fez com ela, garoto? – e se virou para Ozzy.
- Melhor perguntar o que ela fez comigo! – Ozzy respondeu irritado, apontando para os pés – Ela morreu? Diz que sim, por favor.
- Boa sorte com eles – Jack falou rindo e começou a se afastar com os outros.
- Ei, aonde vocês vão? – Ozzy berrou da cama – Esperem por mim, não vou passar a noite aqui por causa de uma queimadura.
- Garoto, seus sapatos derreteram, você vai passar a noite aqui – a enfermeira o empurrou de volta na cama – Podem ir embora, voltem amanha para buscar o estressado.
- Boa noite, Ozzy – Alec falou rindo – Não se esquente demais, pode acabar como seu pé – e os outros riram, saindo da enfermaria.

Ozzy puxou a cortina da cama irritado e a enfermeira a abriu outra vez, carregando uma bandeja com curativos e ungüento para queimaduras. Ia ser uma longa noite, e ele teria tempo de sobra para pensar numa revanche.

Friday, April 29, 2011

Em Durmstrang, após o término das aulas da semana, nas sextas feiras, nós podiamos optar em ficar em nossas repúblicas, ou ir para casa. Eu geralmente ficava na república, mas atendendo a uma pedido de minha avó, iria visita-la em sua casa, pois ela queria que eu a acompanhasse em uma das reuniões do Conselho das empresas, no sábado pela manhã. Não podia ir direto até a sua casa, pois ela não era bruxa, e morava em um bairro totalmente trouxa, então me encaminhei até o vilarejo, e peguei uma das lareiras do Ministério que era ligada direto a um prédio do serviço público trouxa, e após espanar minhas vestes para tirar o pó de Flú, peguei um taxi e fui até sua casa, em um bairro elegante de Sofia.

No sábado pela manhã, depois de participarmos de uma reunião um pouco tensa, fomoa almoçar e fomos nos distrair, fazendo algumas compras. Conversavamos sobre tudo, e vovó me falava sobre seus planos para as empresas e o porquê de algumas de suas decisões, irritarem meu pai, e isso sempre depois de querer saber da minha vida, e sobre meus amigos. Ela tinha um enorme carinho por Finn, Robbie, e Parv e ficou toda feliz, quando eu contei sobre o quanto Robbie estava feliz com o seu namorado Alec, e como Parv tem se saído bem como presidente do grêmio.
Voltávamos de uma tarde cheia de sacolas e pacotes, e eu estava com os braços carregados, quando os senti ficarem vazios. Olhei espantada, pensando em ladrão, quando vi vi Mitchell na minha frente segurando os pacotes.
- Mitchell o que faz aqui?
- Estou visitando uns primos aqui perto. Deixe que carrego isso, moças bonitas não deviamm carregar suas compras.- ele disse isso olhando de mim para a minha avó e ela sorriu, enquanto abria as portas de casa e ele depositava as compras no chão perto da porta:
- Que gentil da parte de seu amigo nos ajudar, não é Leonora Marie?- e me olhou insistente, pois eu ainda estava surpresa:
- Sim, claro. Vovó quero que conheça, Mitchell Callahan, ele é...um...um colega de escola. E esta é minha avó, Leonora Carrara.
- Estou encantado em conhecê-la senhora.- disse pgando na mão dela e curvando um pouco a cabeça e pude perceber que vovó adorou as boas maneiras dele, pois o convidou para tomar um café.
E dali, eles engataram uma conversa e eu fiquei de lado apenas observando ou respondendo quando me perguntavam alguma coisa. Mitchell estava todo falante, e eu acabei me distraindo, quando ouvi ele dizendo a minha avó que tinha esperanças de conseguir me fazer sair com ele, afinal já haviamos até nos beijado, mas que eu era tímida, quase engasguei. Vovó achou tudo muito engraçado e depois de olhar para mim, disse que eu deveria sair com Mitchell. Ele é claro, aproveitou que eu estava de guarda baixa, e me convidou para jantar.
- Escolha o lugar que quiser Leonora, podemos nos encontrar lá.- disse com olhos maliciosos, senti vontade de dar uma lição nele, por estar manipulando aquele encontro, e escolhi um caro restaurante francês, notei que ele ficou um pouco surpreso, mas se recuperou rápido.Logo que ele foi embora, achei que minha avó fosse falar alguma coisa, sobre a minha escolha, mas vovó se limitou a dizer que ele era muito gentil e ele sempre seria bem vindo.

Eu cheguei ao Chez Robert às oito em ponto. O restaurante francês, com paredes em motivos florais e espaços iluminados pela luz das velas, dispostas em candelabros antigos, era um de meus favoritos na cidade. Acabava de deixar o casaco no armário quando recebi a saudação do maitre, que sempre me recebia com minha avó. Beijou a minha mão e ofereceu um sorriso radiante.
- Ah, mademoiselle Ivashkov... é um prazer, como sempre. Não sabia que esta noite iria jantar conosco, onde está madame Carrara?
- Vovó, não virá esta noite, hoje estou com um acompanhante, e seu nome é Callahan.
- Ca... -com o cenho franzido, estudou o livro de reservas enquanto mentalmente repassava o nome-. Ah, sim, mesa para dois às oito. Calamari.
- Muito perto – murmurei e sorri.
- Seu acompanhante ainda não chegou, mademoiselle. Permita que a acompanhe até a sua mesa -com uns arranjos rápidos e eficientes, André mudou a reserva de Callahan para adaptá-la ao meu gosto, tirando-me centro do salão para um lugar mais calmo.
- Obrigada.André – sentei-me com um suspiro.
- É um prazer, como sempre. Deseja beber algo enquanto espera? – ele ofereceu.
- O de costume.
- De imediato. Mademoiselle, se me perdoa a presunção, hoje a lagosta Robert está... -beijou os dedos.
-Confiarei no seu gosto. – respondi, e o garçon saiu todo feliz, em direção á cozinha, enquanto outro chegava com o meu drink. Estava quase no fim da minha água de gilly, quando Mitchell se aproximou da mesa.
-Ainda bem que não sou um jogo de quadribol. – eu disse um pouco irritada, pois achava que ele iria me dar um bolo.
-Jamais chego tarde a um. – ele se sentou e dedicamos um momento a nos avaliarmos.
Pois então ele tem uma roupa decente’, pensei e o que mais me chocou: eram roupas de qualidade. Ainda que não tivesse conseguido domesticar o cabelo, estava mais arrumado do que esperava, fazendo o parecer mais velho e devo confessar, muito mais bonito.
- Uso para visitar meus parentes mais velhos, ou para ir em funerais. -comentou Mitchell, captando no mesmo instante o que eu pensava.
- Bom -ergui uma sobrancelha-, isso marca o tom da noite, não?
- Você escolheu o local. Creio que seja para celebrar a morte de sua dieta maluca.– ele recordou. Olhou ao redor pensativo e depois perguntou:
- Como é a comida?
- Excelente, é claro.
- Mademoiselle Ivashkov. –Robert, o chef, era um baixinho rechonchudo e usava smoking parecendo um pinguim, aproximou-se da mesa para me cumprimentar.
-. Bienvenue... – começou Robert e eu o respondi, vi que Mitchell se recostou na cadeira, e nos observou bater um papo em francês.
- Sidra para mademoiselle - ordenou Robert ao garçom-. E para o cavalheiro?
- Cerveja. Americana, se tiver. – Robert olhou para Mitchell e se encararam por alguns segundos, acho que estava verificando se ele não era menor de idade.
- Certamente senhor Callahan. -regressou à cozinha para falar com o chef.
- Bem, suponho que, com isso deixou claro o que pretendia... -comentou Mitchell.
- Perdão? – perguntei me fazendo de boba
- Que viéssemos num elegante restaurante francês, onde o proprietário lhe beija os dedos e pergunta por sua familia, especificamente sua avó. E assim você me colocaria em meu lugar.
- Não sei do que... -franzi o cenho e peguei o meu copo para beber e quis saber:
- Como sabe que perguntou por minha avó?
- Minha avó é franco-canadense. Provavelmente falo o idioma tão bem como você, ainda que com um acento menos fresco. - e sorriu-. E agora confirmo mais uma coisa a seu respeito: você é uma esnobe arrogante, Leonora. E não sei porque, eu gosto disso.
-Claro que não sou....- comecei a negar, mas quando ele continuou sorrindo, resolvi assumir:
- Talvez quisesse incomodá-lo um pouco –suspirei me rendi-. Queria incomoda-lo sim. Irritou-me falando para a minha avó, que nos beijamos. Ora, pelo amor de Deus, isso não é coisa que se conte para uma senhora.
- Eu não ia contar os detalhes mais picantes.- eu abri a boca indignada e ele riu:
- Gostei de sua avó, é uma mulher admirável, muito calorosa e ela é louca por você. Tudo o que quis foi fazê-la rir um pouco. Sabe, você se parece com ela, é bonita. - inclinou a cabeça e me estudou de forma intensa:
-Algum problema? –perguntei tensa, diante de sua avaliação. Notei suas pupilas se dilatarem:
-Er... Você escolheu esse vestido e este perfume para me incomodar?
-Talvez. – respondi erguendo o queixo e após respirar fundo, ele disse:
-Está funcionando -pegou o menu-. Como é a carne aqui? – me segurei para o queixo não bater na mesa, tamanha a rapidez com que ele mudou de assunto.
-Fantástica. Ainda que geralmente eu prefira o pescado –disse entrando no jogo dele e estudando o menu com uma careta.
A noite não ia como eu tinha planejado. Não só tinha me descoberto, como também tinha investido na situação para que eu ficasse como uma boba. Raj e Parv vão adorar saber disso. Depois de pedir, comentei:
-Suponho que, já que estamos em um ‘encontro’, poderíamos estabelecer uma trégua.
-Estávamos brigando? – ele perguntou levantando uma sobrancelha.
-Vamos tentar ter um jantar agradável, por favor. Odeio desperdiçar comida. – resmunguei exasperada, e tomei mais um pouco da minha sidra. Apesar de tudo, eu era uma garota prática e sabia como me virar em diversas situações e não seria um garoto bonito que iria me tirar do sério. Tentei novamente.
- Comecemos com o óbvio. Seu nome é inglês e seu sobrenome escocês, mas você não tem jeito nem de um nem outro, de onde você veio?
- Minha mãe é americana, e meu pai escocês, daqueles que usam kilt e tudo o mais, mas eu e meus irmãos nascemos nos Estados Unidos. – ele respondeu.
- E tem uma avó franco-canadense. – eu continuei e ele disse sorrindo:
- Por parte de minha mãe. Minha outra avó é irlandesa casada com escocês, é claro.
- O que o converte...
- Num cara autenticamente americano...Tem mãos macias e elegantes, eu gosto. - disse segurando a minha mão e me surpreendeu acariciando-me a palma com seu indicador.- comecei a sentir arrepios e calor ao mesmo tempo.
-Er...Huumm... – foi só o que consegui dizer, depois dele liberar minha mão, pigarreei, prestando excessiva atenção a um pãozinho dentro de uma cesta sobre a mesa.
- Você disse que tem mais irmãos... – recomecei.
- A deixo nervosa quando a toco? – ele quis saber me encarando.
- Sim, você deixa. Vamos tentar manter isso bem simples.
- Por quê?
- Porque não tem nada a ver, oras.
Suspirei aliviada quando trouxeram os primeiros pratos. Começamos a comer e após alguns minutos, ele começou a falar sobre a escola, nossos amigos e ele acabou me contando que era o filho do meio, havia o mais velho chamado Cooper e a mais nova Maddison. E aos poucos eu fui relaxando, e ficamos conversando até tarde, e estava divertido. Quando saimos do restaurante, além dele agir todo cavalheiro colocando o casaco sobre meus ombros, ele segurou a minha mão e não a soltou. Caminhamos de mãos dadas, pela rua, até o local demarcado aonde ambos faríamos a viagem via pó de flú para voltar para Durmstrang. Saimos das lareiras ao mesmo tempo, e após espanarmos nossas vestes, ficamos nos olhando por alguns segundos e ele sorriu me estendendo a mão, a peguei e começamos a caminhar em direção das repúblicas e ele disse:
- Andei pensando... Durante o jantar você falou várias vezes sobre o Finnegan....Você o quer, e depois do que vi, estes ultimos dias, ele pelo jeito parece ter algum ciúme de você, então se você fingisse ser minha namorada, ele poderia tomar alguma providência. Ele me detesta...E a reciproca é verdadeira.
- E seria só fingimento?- perguntei e ele me olhou sério.
- Seria...A menos que você mude de idéia...Acha que pode mudar?
- Não, claro que não, nós nem sentimos nada um pelo outro não é?
- Pois é...- ele respondeu e algo dentro de mim estava um pouco decepcionada e ele continuou:
- Bem, a maior parte seria armação... Talvez por umas duas semanas.
- Por duas semanas?Não será tanto tempo assim...Porque duas semanas? – quis saber e ele respondeu:
- Acho que é tempo suficiente para um lerdo como ele tomar uma atitude.
- Você acha mesmo que ele fará isso?
- Eu faria no lugar dele. E então aceita?- ele disse e após olha-lo eu disse:
- Não será fácil conviver com você por este período, mas até que você tem boa aparência. Estou dentro!- e ele sorriu dizendo:
- Mas vamos agir direito ou ninguém acreditará, teremos que ser vistos juntos, nos beijar, vou dizer por aí que estamos namorando.
- Namorando? Não acha que é exagero?
- Eu não faço as coisas pela metade Leonora, ah e por favor, nada de apelidos melosos. Bizuzu é coisa de demente e odeio o tal de ‘môôô’, isso me lembra uma vaca no pasto. – acabei rindo e disse:
- Esta bem. Há também os lugares, que eu saio com meus amigos, se você não quiser ir, por que são um pouco caros, eu posso pagar a sua parte. – eu disse e ele fechou a cara:
- Vou fingir que você não disse isso. Não sou um miserável, portanto não precisa bancar nada para mim. Conheço os lugares que vocês frequentam, você não vai passar vergonha.
- Desculpe, não quis ofendê-lo. A propósito, você tem que tratar muito bem Robert e Parvati. - exigi e ele disse:
- Serei educado com eles, desde que o sejam comigo.
- Robert e Parvati, não sei porque, gostam de você, e o tratarão bem.- eu respondi e de repente ele me puxou para ele e eu arregalei os olhos, colocando minhas mãos em seu peito:
- O que está fazendo?- disse olhando para os lados, afinal estávamos na porta da minha república:
- Vamos selar nosso acordo com um beijo, precisamos estar confortáveis um com o outro.
- Já nos beijamos antes, no teatro...- eu disse e senti meu estômago tremer. - ainda o olhei nos olhos e ele riu antes de baixar a cabeça.
- Aquilo não foi um beijo, isto sim é...
Quando terminou eu tive que buscar forças não sei de onde, para não ceder aos meus joelhos trêmulos. Ele com toda a calma do mundo, abriu a porta e depois que eu a atravessei, ele a fechou. Caminhei devagar até chegar à escadaria que me levava aos dormitórios, acabei me sentando ali para recuperar as forças. Foi onde Parvati me encontrou, ainda abalada, um bom tempo depois.

Wednesday, March 30, 2011

Final de Fevereiro de 2015, das anotações de Leonroa Ivashkov, futura top model

Querido Diário...
Não, eu não sou do tipo que fala isso para um caderno, mesmo que ele tenha sido customizado pelo Robbie, com um pedaço de tecido de um trench coat da Burberry, aliás, fico com pena de usar este caderno, mas Robbie ficaria chateado se eu não o usar para as minhas anotações, ele os fez num dia que estava entediado, e esta pena autorevisora, vai me poupar muito trabalho, mas estou me desviando do assunto que é a dieta. Vamos lá:
Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. A enfermeira da escola, aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à segunda série, onde se faziam aqueles cadernos de perguntas e respostas que sempre gerava alguma confusão, mas ela se mostrou tão animada, que eu resolvi testar e estou empolgada weee.
Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom. Aliás já comprei o vestido que eu seguramente vou entrar, por mais que Parvati diga que ele foi feito para ela e Robert diga que aquele decote não me favoreça. Depois de 8 kilos eliminados, tudo vai ficar bem em mim. Eu sei que vai. Achei uma foto da Heidi Klum, dentro de um vestido preto lindo, e já a colei aqui na contracapa do diário, pra incentivar.

Primeiro dia de dieta: Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez. Claro que tive que comer e sair rápido da mesa, pois Finn e os garotos durante o café pareciam aquele povo que tenta estocar comida em épocas de tornado sabe? Não sei como cabe tanta comida dentro deles. Optei por não acompanhar Robbie e Parv na hora do jantar, seria goulash com purê de batata...Comecei a salivar igual ao predador...(dormi sonhando com o deserto do Saara).Anotação: parar de perguntar aos elfos da cozinha o prato do dia.

Segundo dia de dieta: Algumas torradas e um copo de iogurte como café da manhã,juro que mastiguei cada bocado 22 vezes, mas eles acabaram rápido, tentarei matigar 30, vai que duram mais. No almoço uma saladinha básica. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva. Hoje tomarei duas, uma só não faz efeito e o dia será longo.

Terceiro dia de dieta: Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão e chamei Parv, não ia enfrentar um bandido sozinha. Mas, depois de um tempo percebemos que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo, e Parv disse que se eu não comesse alguma coisa, não iria ficar ali perturbando a ordem pública ¬¬. Imagina se vou sabotar a minha dieta? Estou ótima, isso é só um contratempo. Desci para a cozinha e tomei um litro de chá. Fiquei indo ao banheiro o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila. Ele não tem efeito sedativo, preciso de um Lexotan.

Quarto dia de dieta: Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. Vi Tiffanny comendo uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti, porque sei que aquela torta vai todinha pro quadril dela.
Anotação: Odeio Tiffany e espero que ela morra gorda.

Quinto dia de dieta: Juro que se eu vir mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o Finn hoje! E com a Tiffany, além de olhar feio para o Mitchell que vinha em minha direção e mudou de idéia ao receber um sinal de Robbie. Melhor assim. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Heidi na capa. Minha meta. Não posso perder o foco, embora minha vista às vezes fique turva.

Sexto dia de dieta: Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui, sonhei com uma barra de chocolate ao leite da Dedosdemel. Acho que mataria hoje por um sapo de chocolate e se for o de meio kilo mato com as mãos mesmo. Robbie e Parv estão um pouco receosos de falar comigo.

Sétimo dia de dieta: Fui ao castelo e a enfermeira me pesou. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250gramas! Ela explicou que isso é normal. Mulher demora mais para emagrecer, ainda mais na minha idade, pois sou novinha. Acho que ela me chamou de criança gorda!
Anotação: Procurar outra enfermeira, ela tem jeito de psicopata e cheira a baunilha. Será que a dieta vai me fazer mudar de time?

Oitavo dia de dieta: Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do grêmio ficou me olhando esquisito hoje, Ozzy diz que é porque estou parecendo o Jack do “Iluminado”.
Anotação: Não falar com Ozzy segurando tesouras, mesmo se for sem ponta.

Nono dia de dieta: Não fui à aula hoje. Acho que ando tendo delírios. O frango assado voltou a me acordar, dançando a dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô contra mim. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduíche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, o joguei pela janela e por conta disso terei que pagar o conserto da janela também.

Décimo dia de dieta: Eu odeio Heidi Klum e seu eterno ar de felicidade. Acorda garota, você dorme com o Seal.

Décimo-primeiro dia de dieta: Se há inferno na terra eu o conheço. Hoje gritei com uma garota do terceiro ano enquanto ela comia um sanduiche no corredor do teatro e a fiz chorar. A professora Yelchin viu e me puxou num canto, dizendo que eu não poderia ser gorda e malvada. Que gordos são alegres por uma razão. A gordura repele as pessoas, mas alegria as atrai.
Que todos ririam das minhas piadas, mas ninguém me convidaria para o baile, (sei, até parece) Ou eu seria gorda e alegre ou uma vadia magrela. Para eu decidir, mas bem longe da aula dela. Saí do teatro batendo a porta, para não bater na professora e ser expulsa, ainda me resta alguma sanidade.Minhas mãos começaram a tremer, deve ser stress.

Décimo-segundo dia de dieta: Sopa.
Anotação: Nunca mais jogo pôquer com o frango assado. Ele rouba.E não gosta do Robbie ou da Parv. E quem não gosta dos meus amigos, não me interessa, por mais que cheire gostoso.Acho que vou pedir desculpas ao frango.

Décimo-terceiro dia de dieta: A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustada, a enfermeira, sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra, quando me viu tomando a poção calmante como se fosse milkshake de chocolate e pedi pra repetir a dose e ela se recusou. Será que é porque eu a ameacei com um bisturi por me regular uma simples poção calmante que tinha cor de chocolate?
Anotação: Não volto mais naquela enfermeira do castelo, o frango acha que ela é uma charlatã e é mesquinha também.

Décimo-quarto dia de dieta: O frango me apresentou uns amigos. Os filés são super gente boa, e a torta de morango, embora meio enfezada, é um doce.Robbie e Parv tentaram falar comigo, mas como eles estavam segurando um prato com frutas, eu os ignorei. Não posso sabotar a dieta.

Décimo-quinto dia de dieta: Matei a Heidi Klum! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha no quarto. Seal teve morte dolorosa porque parece uma barra de chocolate amargo. Puro cacau.Tentador demais!
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo sexto dia: Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, ataquei a geladeira da república e comi tudo o que tinha lá, inclusive uma embalagem com comida chinesa de duas noites atrás. Não terei dor de barriga, porque o que não mata te fortalece. Arrematei uma torta de chocolate sozinha.Ela realmente era um doce…Robbie e Parv agora que viram que voltei ao normal, conversam comigo sem medo de eu voar nos pescoços deles como uma vampira. E Finn está mais tranquilo, não o chamei mais de imbecil, pelo menos não na sua frente e já olho para Mitchell sem pensar nele como um filé suculento. Embora ele seja tão gostoso quanto.

Anotação: Quando inventar de fazer dieta, já combinei com Robbie e Parv e eles vão me internar numa clinica de sono. Será mais fácil para conversar com meu amigo frango assado e sua gangue.

N.Autora: adaptação de um texto de internet de nome 'diário de uma dieta'

Friday, March 04, 2011

Lembranças de Lucian P. Valesti

- Como estão os ensaios? – Ferania perguntou, quando tivemos um pequeno intervalo perto do final da tarde. Era sexta-feira e Ferania tinha dado de folga para seus primos então só tínhamos nós dois na livraria e conversávamos enquanto abríamos novas caixas de livros. Os dias marcados pela professora Yelchin para as apresentações estavam chegando e nosso nervosismo aumentava.
- Estão ótimos! Vamos cantar aquela música mesmo.
- Tem certeza? A Liseria pode não gostar, assim como o namorado da Lenneth. – Ela comentou algo que eu e a Lenneth tínhamos discutido muito.
- Eu sei, já pensamos nisso. Mas decidimos apresentar assim mesmo. Queremos deixar claro que somos só amigos e essa música é uma forma de dizer isso.
- Vocês formam um bonito par e estão cantando bem. Será difícil para a Georgia decidir o ganhador, têm muitas pessoas talentosas na turma. Mas, Lucian, tem algo que eu queria falar com você.
- Pode falar. – Eu falei curioso, retirando um exemplar de “Flores florescentes da Bretanha” de uma caixa.
- Tem certeza que a Lenneth está feliz nesse namoro? Quero dizer, não acho que seja a pessoa certa, na verdade, nem acho que é a pessoa que ela queria.
- Está sim. Mas não entendo sua pergunta, eu acho que ela está feliz sim. Ela não namoraria com o Patrick se não gostasse dele.
- Não estou dizendo que ela não gosta, só acho que não é quem ela realmente gosta... Sinceramente? Acho que ela estaria feliz com você como namorado.
- Você também? Você é a segunda que me diz isso, o Reno também falou. Eu acho que não, Fer, ela é minha melhor amiga, é como você e nós dois nunca nem pensamos em namorar! – Eu falei rindo e ela sorriu. – Apesar de que algum tempo da minha infância tive amor platônico por você.
- Eu lembro dessa época. Você vivia atrás de mim. Mas, Lucian, sério acho que a Lenneth não está completamente feliz com esse namoro... – Ela falou, me olhando de forma curiosa. Eu acabei não respondendo, me perguntando porque ela e o Reno falaram a mesma coisa. Nesse momento um cliente chegou e acabamos não falando mais no assunto.

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Nós havíamos ensaiado muito e estávamos animados com a apresentação. Ensaiávamos todos os dias, e quando o teatro estava sendo usado, ensaiávamos na livraria mesmo, pois Ferania adorava nos ver cantar e até nos dava dicas. Eu havia mudado um pouco a coreografia, pois achava que faltava mais proximidade naquela música. Lenneth gostou da idéia, pois assim como eu, ela queria que a música mostrasse a nossa amizade e isso era importante para nós. Ela também vinha enfrentando dificuldades com o Patrick, mas bem menores que a Liseria, pois ele é mais calmo e tranqüilo que minha querida namorada histérica.

- Pronta? – Eu perguntei, quando nos preparávamos para a apresentação. A professora Yelchin nos escolheu pra começar e Liseria e Patrick seriam logo em seguida.
- Um pouco nervosa, e você? – Ela perguntou. Eu me aproximei dela e a abracei antes de responder.
- Também, mas estou feliz de cantar com você, Lenneth! Seremos ótimos!
- Seremos ótimos! – Ela sorriu e batemos nossa mão no ar. A conversa com Reno e com Ferania me vinha à cabeça e não pude deixar de notar como Lenneth estava mais bonita, sendo que sempre foi. Mas balancei a cabeça, pensando em como eu estava sendo um amigo coruja. Eu dei sinal para que a orquestra começasse a tocar e entramos no palco, de lados opostos. Eu comecei a cantar, com a voz alegre.

Do you hear me talking to you
Across the water across the deep blue ocean
Under the open sky oh my, baby I'm trying
Lenneth respondeu, aproximando-se de mim e sorrindo.
Boy I hear you in my dreams
I feel you whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard


Cantávamos enquanto realizávamos nossa coreografia, que consistia em nos aproximarmos lentamente um do outro e cantarmos bem próximos o refrão. De mãos dadas, eu a rodopiava, enquanto cantávamos o final da música e terminávamos abraçados, quando eu a puxava e ela vinha rodopiando até meus braços. Nos encaramos com um sorriso, os rostos próximos um do outro, os dois sem fôlego enquanto nos olhávamos. Ouvimos a platéia bater palmas acaloradas e nos separamos, ficando de mãos dadas e agradecendo à platéia. De relance eu vi Liseria e vi que ela estava muito irritada. Patrick também parecia incomodado, mas menos do que ela.

I'm lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
I'm lucky we're in love every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday


Eu e Lenneth descemos do palco e nos sentamos na arquibancada. Patrick e Liseria já tinha ido para os bastidores. Ouvimos várias pessoas nos parabenizando, dizendo que fazíamos um belo par e que o dueto fora ótimo.
Logo depois, Liseria e Patrick subiram ao palco.
A orquestra começou a tocar uma música lenta, mas bonita e Liseria começou cantando, enquanto apertava as mãos diante do corpo.

Picture perfect memories,
Scattered all around the floor.
Reaching for the phone 'cause
I can't fight it anymore.
And I wonder if I ever cross your mind
For me it happens all the time.

Patrick respondeu em seguida, aproximand
o-se dela. Ele a pegou pela mão, enquanto cantava.

Another shot of whisky,
can't stop looking at the door.
Wishing you'd come sweeping
in the way you did before.
And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time.


Os dois então cantavam o refrão juntos, cantando com força para a platéia e apontando os dedos para a mesma.

It's a quarter after one,
I'm all alone and I need you now.
Said I wouldn't call
but I lost all control and I need you now.
And I don't know how I can do without,
I just need you now.


Senti que eles escolheram aquela música de propósito, talvez querendo implicar conosco ou algo assim. Soube também que foi uma escolha da Liseria e observei os dois terminarem de cantar. A platéia bateu palmas também animados, mas percebi os olhares de todos em nós quatro, pois havia um clima estranho no teatro.

Liseria e Patrick agradeceram à platéia, e Liseria me perfurava com os olhos e eu a encarava com mesma energia. Eles desceram o palco e Liseria passou direto por mim, saindo do teatro. Eu fui atrás dela, pois não queria discutir dentro do teatro. Olhei para Lenneth antes de sair e ela me lançou um olhar preocupado, mas encorajador. Patrick sentou-se ao lado dela e os dois trocaram um olhar também, mas deixaram para falar depois.

- Liseria! – Eu chamei, mas ela não ouviu.

Por sorte eu sabia onde Liseria estaria e corri para a sala de fotografias do jornal. Ela adorava ficar ali, principalmente quando estava irritada ou chateada. Acertei em cheio.

- Lis.
- Não chegue perto de mim, Lucian! Como ousou cantar aquela música?! “Lucky I’m in Love with my Best friend”?
- Lis, você está levando para o lado errado.
- Não, Lucian, não estou! Essa música mostra muito pra mim!! – Ela falou. Eu sabia que não adiantava eu tentar me aproximar, mas me aproximei mesmo assim. Ela me empurrou e se afastou. – Não acredito que você cantou essa música com ela! Você sabe como foi humilhante pra mim?. – Ela falou e eu fiquei irritado.
- Liseria, pára com isso! Eu e a Lenneth nos amamos sim, pode ter certeza, mas como amigos!! Você tem que aprender isso e parar com esse sue ciúme, está ficando doentio!
- Doentio? Seria doentio se eu não tivesse razão, mas meu namorado estava cantando uma música toda melosa com a “amiga” dele. – Ela falou, fazendo aspas com as mãos. – E abraçados no teatro?! Eu não sou idiota! Todos estavam comentando como formam um lindo casal!
- Está sendo muito idiota sim! Olha, eu já te avisei: você tem que entender que somos apenas amigos, somos irmãos! – Eu falei novamente, a voz meio alterada pela discussão. Liseria começava a chorar e eu tentei chegar perto dela, mas ela me afastou novamente. – Ok, Liseria, você passou dos limites. Não confia em mim? Então tudo bem. Por que se importar com o que os outros dizem? Não era para o que eu digo importar? Mas se você não acredita em mim, se não confia em mim, não temos porque ficar juntos.

Eu sai dali na mesma hora sem olhar para trás. Liseria não veio atrás de mim, talvez chocada pelo que falei. Eu não voltei para o teatro, pois estava irritado e chateado. A primeira coisa que pensei em fazer foi procurar a Lenneth ou o Ozzy, mas não quis piorar as coisas para ela e atrapalhar o Ozzy. Fui então para a sala da Fer, pois queria muito conversar com ela e sabia que ele me ajudaria e eu me sentiria melhor.

Músicas: Lucky (feat. Jason Mraz), Colbie Caillat e Need you Know, Lady Antebellum.

Wednesday, March 02, 2011

- Vocês não querem vir comigo? Eu não tenho noção do que fazer lá...
- Como não tem noção? Você vai ver uns caras voando em vassouras, atirando o puck de um lado a outro. E fará a mesma coisa que fazemos nos jogos dos Ducks.- disse Parvati.
- É goles, Parv. O batedor, o seu Mitchel no caso, rebate os balaços que voam descontroladamente e livra os artilheiros de uma pancada dolorosa, enquanto tentam fazer gols com a goles, e não boceje como costuma fazer nos jogos dos Ducks ok?.- disse Robbie com seu jeito de sabe tudo e continuou, após prender uma echarpe em tons de verde e prata ao redor de meu pescoço.
- Eu sei que é goles, era só pra ouvir você dando aulinha, Miss Robbinson.- Parv mostrou a língua e rimos.
- Eu só bocejo nos jogos dos Ducks, quando as ‘rainhas do gelo’ pulam nos pescoços deles. Porque você está me dando esta echarpe? Veio de alguma liquidação?- provoquei e Robbie, estremeceu ante a minha pergunta:
- Será de bom tom, você usar as cores do time do Callahan, o ‘Green Warriors’ eles são os líderes da temporada. Ah e por favor, meu bem, quando houver um gol, não grite ‘GO Ducks’! É morte certa.
– e Robbie ainda citou um monte de regras sobre quadribol que eu fingia ouvir, mas estava preocupada demais com as letras das músicas para ouvir tantos detalhes de um esporte que eu não iria voltar a assistir tão cedo.

Quando cheguei ao campo de quadribol, fiquei pasma em ver as arquibancadas lotadas, me sentei perto dos torcedores que usavam verde e prata como eu, e os jogadores dos times quando deram uma volta de apresentação, Callahan acenou para mim e acenei de volta, afinal se para ele colaborar e concordar com as minhas escolhas musicais, eu faria o melhor possivel.
Ao final do jogo com a vitória do time do Mitchell, eu desci até o campo junto com outros torcedores e devo confessar que havia gostado do jogo. Depois de um tempo, ele me encontrou esperando perto dos vestiários. Havia tomado banho e se trocado.
- Estas cores ficam bem em você!- ele disse me analisando e eu me senti um pouco acalorada.
- Gestos de boa vontade são bem vistos não é?- ele sorriu e começamos a nos dirigir para o castelo, para o nosso ensaio. Depois que chegamos no castelo, fomos direto para o teatro e não havia ninguém. Claro que não haveria ninguém, as pessoas gostam de aproveitar o seu sábado para se divertir e não ficam fazendo as tarefas de escola.
Tirei as partituras da bolsa e comecei a mostrar as músicas que havia escolhido. Só de olhar, ele já demonstrou não gostar e começamos a discutir, após cinco músicas rejeitadas:
- Desculpe, mas eu não vou usar uma máscara branca, e cantar ‘ All I ask of you’ , detesto o ‘Fantasma da Ópera’. Aquele cara foi um fraco, que se deixou cegar pelo amor de uma garota egoísta e covarde...
- É uma musica linda, faz muito sucesso na Brodway e foi um dos primeiros musicais que a professora Yelchin participou. E ele não foi um fraco, temos que entender que ele sofreu muito, e amor não nos torna fracos, nos faz fortes e capazes de tudo. Por amor Christine abriu mão do homem que amava, ela sofreu a vida toda...- eu disse e ele começou a rir.
- Claro, ela abriu mão de ser a mulher de um psicopata deformado, para ‘sofrer’ na boa vida de viscondessa.E você não acredita realmente nestas besteiras não é? Não você.
-Porque não eu? Acha que eu não tenho sentimentos?
- Você faz uma coluna de fofocas, que destrói a vida das pessoas, não deve ser alguém que ‘sofra por amor’.E não vale amor platônico. – procovou.
- Para quem não gosta de ‘o fantasma da ópera’, você é muito dramático. Na minha coluna apenas faço comentários de coisas que vejo, não invento nada. Aliás, não me lembro de citar seu nome nela, não tem razão para estar me odiando assim.
- Você disse que Tiffany e um dos caras dos Ducks, estavam se ‘conhecendo melhor’. Claro que nosso namoro não resistiu à suspeita que você lançou.- lembrei que eu havia comentado isso sobre uma loirinha e um dos atacantes do time de hóquei.
- Tiffany? A garota do clube de Artes? - e ele assentiu e eu disse dando de ombros:
- Eu estava certa não é? Ela realmente estava com alguém do time de hóquei e vamos ser francos: não tenho culpa se ela nem gostava tanto assim de você.
- Mas com o tempo nos acertaríamos, já estavamos juntos há um bom tempo...
-Ah céus, você é um daqueles caras..
- Que caras?
- Daqueles que acham que basta amar demais uma garota e ela vai se sentir grata e retribuir o seu amor. Sinto dizer que isso só acontece nos filmes, garotão.
- É você deve saber bem disso, há anos corre atrás do Finnegan e até já ficou com ele, mas ele nunca te assume.- e foi como se eu tivesse levado um soco.
Meus olhos começaram a queimar, e comecei a piscar rápido, senti um nó na garganta e puxei o ar com força. Percebi que ele recuou enquanto me encarava, deve ter ficado com medo de que eu chorasse, mas eu não iria fazer isso.
- Muito bem, agora que já esclaremos as coisas, podemos decidir qual música vamos cantar? - eu disse.
- Eu sinto…
- Não temos que gostar um do outro, vamos apenas escolher uma música e seguir em frente ok? Sei que podemos fazer um bom trabalho, pois me lembro dos testes e você foi muito bem. – disse o mais fria possível e ele pareceu entender que eu não falaria mais nada e se resignou.
Começamos a sugerir músicas modernas e ironicamente acabamos nos decidindo em fazer um mash up, de ‘borderline & open your heart’ e mesmo rindo e cantando durante o ensaio, estávamos frios um com o outro.
Repetimos a coreografia, várias vezes e eu ja estava ficando cansada, e disse:
- Acho que não podemos fazer mais nada por hoje. Esta música vai ficar legal, e não creio que outros a usem. – comecei a arrumar as partituras para guardar e ele se aproximou:
- Leonora, eu fui um idiota...- me virei para ele, cortando-o:
- Aqui estão os dias que posso me encontrar com você para treinarmos nosso dueto. Caso você precise mudar, é só me avisar.- sai dali e só quando cheguei na república, foi que percebi que eu havia perdido a minha echarpe.

-o-o-o-o-o-o

Something in your eyes
Is makin' such a fool of me
You're making me
You're making such a fool of me
I see you on the street and you walk on by
You are in the street
I see you and you walk on by
When you hold me in your arms
You love me till I just can't see

oh oh oh oh oh oh oh


- Isso está uma droga!- disse Mitchell interrompendo nosso ensaio. Já era véspera da apresentação e já tinhamos ensaiado repetidamente.
- Não temos tempo para mudar agora.- disse seca e ele se aproximou e ficou perto de mim:
- A música é ótima e nós conseguimos achar o tom certo...Mas não rola química, enquanto você estiver me tratando como se eu sofresse de peste.
- Se quiser, desistir, me apresento sozinha, sempre tenho um número extra preparado.- eu disse e ele me segurou pelos braços e me puxou para perto dele:
- Eu não vou desistir de nada. Quando você disse que ficaríamos bem juntos, eu aceitei e fiz o melhor, mas se não resolvermos o nosso problema, esta música não vai funcionar e vamos fracassar.Você está parecendo um robô.- ele criticou.
- Eu estou parecendo um robô? Você é que parece estar usando um colete ortopédico.Vamos ensaiar mais, quem sabe melhora a nossa ‘quimica’. - estávamos perto um do outro e ele disse:
- O meu método é mais rápido.- e me puxou para cima dele e me beijou, no começo de forma dura, e depois foi suavizando. De repente me soltou e deu um passo atrás, e para minha sorte eu estava perto do piano e me apoiei nele, tentando aparentar que nada daquilo havia me abalado.Ficamos nos encarando e ele disse:
- Não vou me desculpar.
- Não quero desculpas. Podemos voltar a ensaiar?- respondi no mesmo tom.
Voltamos a cantar e a dançar, mas o que antes parecia artificial, começou a ficar normal, e eu não me encolhia mais quando ele se aproximava demais. Ao final do ensaio, nós dois íamos nos encontrar com nossos amigos, e após uma troca de olhares nos separamos e acenamos um ao outro. Era nosso acordo não verbal sobre não tocar no assunto do beijo.

so you choose to look the other way
Well, I've got something to say
Open your heart to me, baby
I hold the lock and you hold the key
Open your heart to me, darlin'
I'll give you love if you, you turn the key


N.Autora: trecho de ‘Borderline & Open your heart’, Glee

Saturday, February 26, 2011

Quando a professora Yelchin lança um desafio à turma, geralmente as semanas que antecedem a apresentação são excelentes. Sempre tenho um numero musical na manga e tudo que preciso é de poucas horas de ensaio para fazer uma apresentação precisa e que agrade a professora. Bem, não foi o que aconteceu dessa vez. Dando a turma o trabalho de se apresentar em duetos, ela sorteou as duplas sem margem para trocas e acabei presa a Derek. Não que ele fosse um cantor ruim, até era bastante afinado, mas era a pessoa mais insuportável do planeta. Não havia um único treino onde não discutíamos aos berros em cima do palco, numa guerra pra ver quem dava a última palavra.

- Não vá muito pra lá, está estragando a coreografia! – gritei irritada no palco do teatro.
- Não existe coreografia – Derek rosnou de volta – É um dueto musical, já disse que não vou fazer passinhos idiotas.
- E vai fazer o que? Ficar parado feito um poste em cima do palco com um microfone na mão? E ainda se diz artista... – debochei e ele veio pisando fundo na minha direção.
- Você tem sorte de ser bonitinha.

Ficamos nos encarando irritados por tempo suficiente para já estarmos prestes a espumar de ódio quando ele agarrou meu braço com violência e me puxou pra cima dele, me beijando. Empurrei-o de volta, mas ele já tinha prendido os dedos em volta dos meus pulsos com força e não consegui me afastar demais. Depois de um tempo parei de lutar. Todo ensaio era a mesma coisa.

ºººººº

Faltavam apenas três dias para a minha apresentação com Derek e, embora interrompêssemos os ensaios com freqüência, estávamos prontos. As duplas haviam sido divididas em dois grupos, para dois dias de apresentação, e estávamos no segundo grupo. Entre as muitas duplas do nosso dia, também estavam Leo e Mitchel, Jack e Penélope, Yanic e Flora, Robbie e Ozzy e Lukas e Valeria.

- Preparado pra apresentação? – perguntei a Lukas enquanto caminhávamos abraçados pelo corredor.
- Sim, Valeria é muito boa, vocês não tem a menor chance – ele provocou, me beijando em seguida – Ninguém resiste a Don’t Stop Believing.
- Escolher essa música é covardia.
- Lukas, posso falar com você um minuto? – Valeria se aproximou de nós animada – Oi Parv, tudo bom?
- Já volto, meu amor – ele piscou e se afastou com ela, que tinha uma partitura na mão.
- Ei, doçura.

Ouvi a voz de Derek atrás de mim e antes que pudesse me virar para olhar pra ele, já tinha sido puxada pra dentro de uma sala e estávamos nos beijando. Ele era rápido e forte, mas dessa vez consegui afastá-lo depressa. Minha primeira reação foi olhar para trás e me certificar de que Lukas não tinha visto nada, enquanto ele ria debochado. E olhar pra ele furiosa só o fez rir ainda mais.

- Seu louco, o que pensa que está fazendo? – acertei um soco em seu peito, mas ele continuava com o ar de deboche.
- O que foi? Não foi você que falou que gosta de se arriscar?
- Não tem a menor graça, e se ele nos visse?
- Bom, isso é um problema seu. Não sou eu que namoro o otário.
- Já chega, temos mais três dias antes da apresentação e depois que ela acabar, quero que mantenha distancia de mim, entendeu?
- Como quiser, não vai ser nenhum sacrifício não cruzar com você fora das salas – ele encostou-se à parede de braços cruzados e aquela cara de convencido – Mas e até lá?
- Até lá, não faça nenhuma gracinha – e puxei-o pela camisa, o beijando antes de sair.
- Está tudo bem? – Lukas apareceu na porta da sala na hora que eu ia sair. Senti meu coração parar por cinco segundos.
- Sim, estávamos acertando um último detalhe pra depois de amanhã – respondi firme, pra não deixar margem pra duvida.
- É, você precisa acertar o tom, ou vai passar vergonha – Derek falou desencostando da parede e saindo pelo meio de nós dois.
- Ele é muito convencido, como você está agüentando ensaiar todos os dias? – Lukas me abraçou outra vez e voltamos para o corredor.
- A gente está conseguindo se entender...

Continuamos nosso caminho até a o teatro para assistir as primeiras apresentações e não tocamos mais no assunto. Esse desafio da professora Yelchin já tinha rendido demais, estava na hora de acabar.

ºººººº

As apresentações do primeiro dia de duetos estavam muito boas. Claro que nenhuma estava à altura da minha apresentação com Derek, mas estavam mantendo um bom nível. Já pra abrir a noite, a professora chamou Lucian e Lenneth no palco. Eles escolheram “Lucky” pra cantar e ficou um climão no teatro, com todo mundo comentando o quanto eles ficavam bem juntos. Liseria e Patrick, os namorados da dupla, não gostaram muito. Eles subiram ao palco logo depois pra cantar “Need You Now”, talvez em resposta a apresentação anterior, o que só deixou tudo ainda mais embaraçoso.

Com essa abertura inusitada, as duplas que vinham depois não estavam empolgando muito, até que subiram ao palco Alec e Oleg. Todo mundo dizia que tinha sido marmelada eles caírem juntos porque eram irmãos, mas eles mostraram que formam mesmo a dupla cheia de sintonia. Escolheram “Dream On” pra cantar e chocaram a todos mostrando que tem uma voz potente. A professora ficou toda animada e eles desceram já com pinta de campões do 1º grupo.

Já estávamos caminhando para o final das apresentações quando Julie subiu ao palco com Nina. Enquanto a primeira parecia desconfortável, a outra estava animada até demais. Elas se posicionaram no palco e quando o pianista começou a tocar, reconheci a música na mesma hora. Elas iam cantar “Take Me or Leave Me”, de Rent.

Every single day
I walk down the street
I hear people say
"Baby's so sweet"
Ever since puberty
Everybody stares at me
Boys - girls
I can't help it baby


O teatro inteiro já estava se divertindo com a música e Julie acordou pra vida e se soltou. Agora eram as duas que estavam interpretando a música que cantavam e a performance estava muito boa. Bem convincente, na verdade.

So be kind
And don't lose your mind
Just remember that
I'm your baby

Take me for what I am
Who I was meant to be
And if you give a damn
Take me baby or leave me


Quando elas terminaram a apresentação, todo mundo estava aplaudindo empolgado. A professora então, estava em êxtase. Uma ótima sacada, escolher um musical para agradá-la, havia funcionado. Elas desceram do palco tão animadas que acho que não perceberem que estavam de mãos dadas. Cutuquei Leo na mesma hora, apontando.

- É, já tinha notado – ela comentou – Será que isso é pra valer?
- Não sei... – respondi pensativa, sem tirar os olhos das duas – Só tem um jeito de descobrir, não?
- O que você vai aprontar?
- Só vou me certificar que minha prima querida não está andando com quem não presta.
- Bom, seja lá o que for fazer, cuidado pra não acabar mal.
- E quando eu faço alguma coisa sem medir as conseqüências antes?
- Er... Sempre?

Começamos a rir nas poltronas e Robbie fez sinal para pararmos porque estávamos atrapalhando. Ficamos quietas e voltamos à atenção para as ultimas apresentações, mas foi difícil tirar os olhos das duas no fundo do teatro. Estavam abraçadas e sorridentes demais. É, já estava na hora de Julie aprender que não pode me provocar sem sofrer as conseqüências.

Música: Take Me or Leave Me – Rent.

Thursday, February 24, 2011

Anotações de Leonora ‘Aretha Franklin’ Ivashkov

- Não acredito que você nao vai fazer nada com relação a isso Ivashkov!O mínimo que eu esperava era te ver colocando pimenta no rímel daquela barbie de nariz mal retocado. - disse Robbie bufando ao ver Finn agarrado com uma garota.- e Parv completou:
- O que houve com a Leonora que conhecemos? Bateu a cabeça e assumiu outra personalidade? Porque o Finn, devia ao menos conversar com você sobre o que vocês têm....
- Finn e eu não temos nada de concreto, além de um pouco de pegação, numa época em que as pessoas ficam carentes e não são muito exigentes que é o Natal. Deixe-o com os seus brinquedos. – disse e algo em meu tom de voz, fez meus amigos trocarem olhares cúmplices e dar de ombros.


Depois que voltamos à escola, achei que Finn e eu, assumiríamos um namoro, ou algo do gênero, mas não foi assim. Finn, voltou ao seu antigo ‘modus operandi’, estava sempre com os garotos do time, e também rodeado de garotas que se enquadravam na categoria de ‘maria chuteiras’, de tão loucas por caras de uniforme esportivo elas eram, porém neste caso, elas eram ‘as rainhas do gelo’ como Ozzy e seus amigos as chamavam carinhosamente, e elas agiam como se fossem a própria realeza. Patético.
Ele e eu éramos amigos, porém eu não iria mais ficar com esperanças de que algo acontecesse entre nós. Depois do fim do ano, não sei quais fofocas chegaram até o castelo, mas eu não era mais tão ‘rejeitada’ pelos garotos como antes. Recebi alguns olhares e até mesmo alguns bilhetinhos no dia dos namorados, mas nada sério.
Depois do baile pelo dia dos namorados, ao estilo dos anos 50, ter sido muito elogiado, comecei a pesquisar algumas musicas da Brodway, que eu acreditava ser um sucesso e garantir a vitória no concurso organizado pela professora Yelchin. Pensei que Mitchel me procuraria para conversar sobre a nossa apresentação, mas vários dias haviam se passado e ele não tinha se mexido. Como havia percebido que ele estava me evitando, abordei-o na saída de nossa aula de Artes e disse incisiva:
- Hey Callaham! Somos uma dupla e até o momento você não me procurou para falarmos de nossa apresentação. Então já selecionei algumas musicas campeãs, que poderão ser nota máxima na aula da professora, perfeitas para nós. –Mitchel, que era jogador de quadribol era tão alto quanto Finn, porém era moreno, disse me encarando:
- Tenho treino, não tenho tempo para falar com você agora.
- Você não tem treino de quadribol hoje, já verifiquei, assim podemos conversar sobre a música que eu escolhi, e ela será um sucesso, já andei pesquisando os musicais que a professora Yelchin participou e sei como agrada-la....
- Você não se cansa?- olhei para ele curiosa:
- De quê?
- De citar a palavra ‘eu’ a cada frase que diz?. – senti meu rosto esquentar, abri a boca e ele me cortou:
- Como você frisou, somos uma dupla, e apesar disso, não nos conhecemos. Então você não tem que escolher uma música achando-a perfeita ‘para nós’ sendo que não conhece o meu estilo. – e não pude evitar de olha-lo de cima baixo e notei que ele usava camisa xadrez por baixo do blusão do time e botas muito usadas.
- Bem, seu estilo é fácil de decifrar:Cowboy de asfalto. - e ele suspirou balançando a cabeça e abriu a boca para falar, quando Finn se aproximou:
- Ele está te incomodando, Leo?- e ambos se fitaram irritados. Havia muita animosidade entre os times de quadribol e hóquei, e eles sempre se envolviam em brigas idiotas. Não demorou muito, o par de Finn se aproximou e o segurou pelo braço. Vi a mandíbula de Mitchel se retesar e respondi ao Finn:
- Sou grandinha, Finnegan,posso cuidar de mim mesma.- e a loira que estava com ele disse cínica:
- Ela realmente é grande, pelo menos dos lados, Marcus, deixa-a em paz. – sacudindo o cabelo platinado, e eu respondi:
- Siga o conselho do seu papagaio de pirata Finn, ela já está perdendo as penas, pode ter o pescoço torcido como o de uma galinha comum.- e vi um dos cantos da boca de Mitchel se erguer. A loira me olhou irritada e saiu pisando duro, com Finn, atrás dela, lançando olhares desconfiados para Mitchel que retribuiu. Ele se virou para mim e disse:
- Amanhã podemos ver as músicas que você escolheu...- ante meu olhar animado ele disse:
- Depois do meu jogo de quadribol, o qual você vai estar nas arquibancadas torcendo por mim.
- Um jogo de Quadribol? Eu? Nem pensar!
- Posso enrolar até o dia da apresentação, esqueceu que não pode mudar de par, haja o que houver? É pegar ou largar.
- Não entendo nada de quadribol...- comecei a protestar e ele sorriu:
- Não deve ser dificil aprender algo até nosso...Encontro de amanhã.- e foi embora, me deixando pasma.Eu havia entendido bem, ou ele havia falado encontro como sendo aquele tipo de: ‘encontro’?

Monday, February 21, 2011

Desde a aula de teatro onde a professora Yelchin havia desafiado os alunos a fazerem duetos por um premio, não tinha outro assunto entre seus alunos senão as apresentações. Todo tempo vago entre as aulas era preenchido com ensaios e era difícil encontrar uma sala desocupada. O teatro também era concorrido, mas Robbie conseguiu reservar uma hora para ensaiar com sua dupla, Ozzy. Desde o sorteio os dois ainda não haviam conversado para decidir o que iam cantar e nenhum dos dois estava satisfeito por terem que trabalhar juntos. Quando Ozzy chegou ao teatro na hora combinada, Robbie já estava lá, brincando com o piano.

- Ah, até que enfim – Robbie comentou vendo o garoto subir no palco – Não temos muito tempo.
- Fiquei preso no treino de Hóquei, mas já estou aqui, então vamos começar logo.
- Ei Ozzy, não sabia que tinha mudado de time! – um bando de garotos dos times de Hóquei passou na porta do teatro e provocou.
- Idiotas – Ozzy bufou e virou de costas – Então, vamos acabar logo com isso, tenho mais o que fazer. E já aviso que não vou cantar musica romântica com você.
- Não precisa se preocupar, ser gay não é contagioso. Você não vai sair daqui rebolando porque passou 15 minutos do meu lado.

Ozzy olhou para Robbie muito sério e bateu a mão na tampa do piano com raiva, fechando-a com um estrondo e o impedindo de continuar tocando. Robbie olhou para ele assustado, mas ficou de pé para encará-lo de igual para igual.

- Quero deixar uma coisa bem clara aqui – Ozzy começou a falar nervoso – Sei que eu tenho milhões de defeitos e da mesma forma que eu não gosto de você pelos seus, você também tem o direito de não gostar de mim pelos meus, mas uma coisa eu não admito e é que me acusem de ser preconceituoso. Não gosto de você porque te acho seboso e mimado, não porque você é gay. Seu namorado é meu melhor amigo, nós crescemos juntos. Eu sempre soube quem ele era e isso nunca me incomodou, então não venha me acusar de homofobia.
- Desculpe, não sabia o que você realmente pensava do Alec, mas entenda também o meu lado. Quase nenhum garoto dessa escola fala comigo por medo de que, se fizerem isso, vão ser taxados. Eles me tratam como se eu fosse uma doença contagiosa que precisa ser isolada e isso faz com que eu esteja sempre na defensiva. Alec não tem esse tipo de problema porque vocês o protegem, mas quem vai me socorrer se eles resolverem se juntar pra me dar uma surra? Parvati e Leo? Amo as duas, mas o que elas podem fazer por mim a não ser gritar por socorro?
- Certo, desculpe por estourar também. O problema é que não nos suportamos e estamos sendo forçados a trabalhar juntos, era inevitável começar errado.
- É, não nos suportamos, mas vamos ter que encontrar uma maneira de fazer isso dar certo. Pelo trabalho e pelo Alec.
- Tubo bem – Ozzy sentou no chão do palco – E o que você sugere, Robert?
- Não me chame de Robert, eu odeio.
- Desculpa, mas não me sinto a vontade chamado você de Robbie.
- Me chame de Raj então, Rajesh é meu segundo nome, mas não Robert.
- Ok, e o que você sugere, Raj? Não entendo nada de música, então o que você falar está bom.
- Que bom que pensa assim, por que acho que tenho a música ideal.

Robbie sentou ao seu lado no chão e lhe entregou uma partitura. Ozzy correu o olho pela folha e começou a rir quando terminou de ler. Ao menos para trabalhar juntos no dueto eles pareciam ter chegado a um entendimento.


ºººººº

O jantar já havia terminado e os alunos começavam a caminhar para suas republicas, mas Julie ainda estava longe de descansar para o dia seguinte. O dueto para a aula de teatro andava tirando seu sono e esgotando sua paciência. Sua dupla era Nina, uma garota da Avalon com quem estava sempre junto, mas as duas não andavam se entendendo desde que as aulas recomeçaram. Nina era muito bonita e popular, fazia parte da turma de elite do teatro e chamava a atenção por onde passava com seus cabelos loiros e olhos verdes, sempre gostando de ser o centro das atenções. Julie, por outro lado, era mais reservada e não gostava do exibicionismo da amiga, odiava chamar atenção de quem quer que fosse. Embora gostassem muito uma da outra, as personalidades diferentes começavam a entrar em conflito.

- Esquece, não vou cantar essa música – Julie bateu o pé – É muito exagerada, vamos escolher uma mais discreta.
- Não tem nada de errado com ela, o problema é com você! – Nina cruzou os braços e fechou a cara, irredutível – O que é? Está com medo do que vão comentar por causa de uma música?
- Você sabe que não ligo pro que os outros pensam.
- Eu achava isso mesmo, mas desde que voltamos das férias de natal já não tenho mais tanta certeza. Você voltou diferente. Voltou covarde.
- Não sou covarde, só não quero cantar essa música idiota! Será que é tão difícil assim entender que não sou como você, que gosta de chamar atenção?
- Sei que você é reservada, mas dizer que não gosta de chamar a atenção pra não dizer que prefere se esconder é diferente. Essa é outra diferença entre nós, eu sei quem eu sou e não tenho problema com isso.
- Eu sei quem eu sou e também não tenho problemas, mas ninguém tem nada com isso. Não gosto que se metam na minha vida!
- Ok Julie, diga o que quiser e tente se convencer de que está dizendo a verdade – Nina jogou a mochila nas costas e abriu a porta da sala – Quando decidir ser você mesma me avisa, e ai voltamos a falar do trabalho.

Nina saiu da sala e bateu a porta, deixando Julie sozinha. Ela ainda segurava a partitura com a letra da música e não conseguiu evitar que começasse a chorar. A porta abriu outra vez e ela se apressou em secar as lágrimas, mas não foi rápido o bastante. Alec viu seus olhos vermelhos assim que entrou na sala.

- Está tudo bem? – ele sentou ao seu lado na mesa – Vi Nina sair batendo a porta e isso nunca é bom sinal.
- Está sim, só estamos nos desentendendo quanto à música. Ela quer uma coisa que eu não quero.
- Essa? – ele apontou para o papel e pegou de sua mão, lendo – Por que não quer cantar ela? É perfeita.
- Não vou me sentir confortável cantando isso na frente da turma inteira. Isso combina com ela que é espalhafatosa, não comigo.
- Tem certeza que o problema é só esse? – Alec insistiu. Ele sabia que a amiga não estava sendo sincera, mas não podia fazer nada a menos que ela falasse a verdade.
- Eu gosto dela, de verdade, mas somos tão diferentes que não conseguimos mais não brigar. E isso me deixa mal, porque odeio brigar com as pessoas que gosto.
- Vocês são mesmo água e vinho, mas sempre se deram tão bem, o que aconteceu?
- Ela me acusa de não estar sendo verdadeira. Não sei o que ela quer que eu faça, mas não vou mudar por causa dela.
- Bom, o que quer que seja, acho uma pena que se afastem. Vocês se gostam, tentem se entender. E essa música é ótima, acho que vai se divertir cantando.
- Não sei se consigo.
- Ao menos tente. Você já leu direito essa letra? Musica mais perfeita pra vocês duas nesse momento não existe.
- É, tenho que concordar, mas vai ser difícil me soltar dessa forma.
- Faça como eu, ignore os olhares dos hipócritas de plantão. Ninguém tem nada a ver com a sua vida.
- Eu tento, mas é difícil.
- Vou ajudar você a superar isso, não se preocupe. E não vamos dizer a Ozzy e Oleg que você estava chorando. Você é o nosso Yoda, se eles descobrem que você também tem momentos de fragilidade onde não sabe como agir, vão sair por ai dando cabeçada nas paredes.
- Certo, isso fica entre a gente – ela agora riu.
- Já consegui fazer você sorrir, muito bom – ele beijou sua testa – Agora vamos, está tarde. Amanhã, de cabeça fria, você procura a Nina pra conversar.

Julie assentiu e levantou da mesa junto com o amigo, voltando para as repúblicas. Alec tinha razão, ela e Nina gostavam uma da outra e precisavam encontrar um jeito de se entender outra vez, e talvez terem sido sorteadas para fazer um dueto juntas fosse ajudar a resolver o problema.


Take time to realize
Oh oh, I'm on your side
Didn't I, didn't I tell you
Take time to realize
This all can pass you by
Didn't I tell you
But I can't spell it out for you
No, it's never gonna be that simple
No, I can't spell it out for you

If you just realize
What I just realized
That we'd be perfect for each other
And we'll never find another
Just realize
What I just realized
We'd never have to wonder
If we missed out on each other, but

Realize - Colbie Caillat

Thursday, February 17, 2011

Lembranças de Lucian P. Valesti

- Tinha que ser com ela?!
- Você só está assim justamente porque é com ela! Tenho certeza que se fosse com outra garota não estaria tão exagerada!
- Sim, você tem razão! As outras garotas eu posso ter dúvida se elas estariam afim de você ou não.
- Quer parar com isso? Quantas vezes eu já te falei que ela é minha amiga, minha melhor amiga! É como uma irmã pra mim!
- Não acho que é isso que ela pensa! – Liseria falou e eu bufei.
- Francamente, Liseria, você está inventando essas coisas. Você está com o namorado dela e mesmo assim nem eu nem a Lenneth estamos falando nada, estou?
- Você não tem motivos pra reclamar. – Ela falou, emburrada.
- E você tem? Sério, Lis, chega disso. Estamos perto do Dia dos Namorados, não vamos brigar.
- Sim e você vai passar a semana inteira ensaiando com ela e sei lá mais quantas semanas! – Ela falou novamente e eu bufei cansado. A segurei pelo braço e a beijei, apesar dela reclamar no início, depois ela se entregou ao beijo com vontade.
- Se depois disso você ainda tiver dúvidas, você é louca. – Eu falei e sai andando. Ela ficou um tempo parada mas depois veio atrás de mim e me segurou.
- Desculpa, não vou duvidar de você. Só que você sabe que tenho ciúmes!
- E você sabe que não faz sentido! E não tem como mudar, você ouviu a professora. Agora, por favor não vamos tornar as coisas mais difíceis do que são.
Ela se deu por vencida e eu suspirei aliviado. Às vezes namorar com a Lis era ruim por isso: ela morria de ciúmes da minha melhor amiga. E não havia motivos para isso, pois eu e a Lenneth éramos melhores amigos, ela era como uma irmã pra mim. O motivo dessa implicância toda era que a Val me conhece a mais tempo que a Lis e nos damos muito bem juntos.
Por isso fiquei feliz com o sorteio das duplas do dueto. Não que eu não quisesse fazer dupla com a Lis, mas fiquei feliz ao ser sorteado com a Lenneth. Eu e ela tínhamos uma afinidade enorme e sei que faríamos um excelente dueto. Por ironia do destino, acabou que Lis e Patrick, o namorado da Val, fariam o par juntos. No início até tentamos trocar, mas como a professora era irredutível, eu e Val aceitamos numa boa, mas Lis e Patrick nem tanto.
Me despedi de Lis na frente da biblioteca, pois ela queria fazer algumas pesquisas para o seu dueto, enquanto eu iria encontrar com Lenneth no vilarejo. Como eu estava trabalhando na livraria e teríamos algumas tarde livres para ensaiar, Ferania permitiu que eu e Lenneth nos encontrássemos na livraria e até ensaiássemos um pouco. Quando Lis entrou na biblioteca, Orion saiu e me saldou e fomos andando conversando até as portas do castelo.
- Francamente, o Dia dos Namorados deveria ser chamado de o Dia dos Idiotas. – Ele resmungou e eu revirei os olhos. Sabia o que ele pensava sobre os namoros, e apesar de descordar eu o deixava continuar falando.
- Ah qual foi, Orion? Namorar é maravilhoso.
- Ah claro, ficar todo meloso, com apelidos idiotas, abraçadinhos o tempo todo e gastando dinheiro com presentes e bombons. Eu passo.
- Não sei porque você pensa assim. Na verdade acho que sei sim: você precisa de uma namorada!
- Nem vem com essa. – Ele resmungou, me olhando torto. – Já basta eu ter que aturar as namoradas de amigos meus. A namorada do Toghia é um porre. – Ele falou. Toghia era um amigo dele de infância que estudava em Beuxbatons. Orion não gostava da namorada dele, pois se via obrigado a dividir o tempo do amigo com ela. Sei que isso soa estranho, mas o que eu posso fazer? Mas hoje, talvez por ser perto do dia dos namorados, me irritei mais fácil com isso.
- Você não deveria falar dela assim! Ela não faz seu amigo feliz? Devia gostar dela.
- Eu não entendo porque ele está com ela! Eu sou obrigado a dividir ele com ela o tempo todo quando estamos de férias. Ela tem problemas psicológicos isso sim. Todas são assim!!
- Chega Orion, está exagerando.
- Mas é a verdade. Todo mundo quando começa a namorar só pensa nos namorados e a namorada adora escravizar o garoto. Não vê a Liseria? Você deveria dar um pé na bunda dela, porque ela também vive no seu pé. – Ele falou isso como se fosse algo banal, mas me irritou profundamente. Eu o puxei com força e olhei em seus olhos.
- Olha aqui, eu não vou permitir que fale assim da minha namorada ouviu? Se você falar desse jeito novamente você vai ver como posso ficar irritado. Eu não permito que meu melhor amigo fale isso dela, acha que vou deixar você? – Eu enfatizei o menosprezo e virei-lhe as costas seguindo a passos largos até o vilarejo.
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- Desculpa o atraso! – Eu falei, ofegante, quando cheguei correndo na livraria. Lenneth me esperava sentada num dos bancos do lado de fora, conversando com Ferania. Sorri para as duas e Ferania se levantou.
- Vou deixá-los trabalhar. Se quiserem privacidade, podem ir pro segundo andar da loja. – Ela sorriu e entrou.
- Vamos subir? – Lenneth perguntou e eu achei que era uma boa idéia, pois se decidíssemos cantar, não queria platéia antes da hora, por isso entramos na livraria e nos sentamos em alguns dos sofás do segundo andar.
- Então, já pensou em alguma música? – Eu perguntei, quando nos sentamos. Ela sorriu animada e tirou uma folha do bolso.
- Eu pensei em algumas, mas não tenho certeza. O problema é que a maioria que pensei era para cantar com o Patrick, teríamos que mudar. Não acho que a Liseria iria gostar se cantássemos “Are you the one”. – Eu ri e ela sorriu também.
- É o meu problema também, já tinha algumas idéias para cantar com a Lis. Como “Ever Dream”, “All I ask of you”. O Patrick está aceitando isso numa boa? – Eu perguntei e ela bufou, o que foi suficiente para eu entender.
- Ele não fica reclamando, mas sei que não gostou. Queríamos cantar juntos. – Ela falou, mas logo ela olhou pra mim antes de falar novamente. – Mas estou muito feliz de cantar com você!
Começamos a conversar sobre as músicas e pouco depois estávamos de pé, ensaiando alguns passos. Chegamos a conclusão que talvez fosse mais fácil começar com a coreografia, já que não conseguíamos decidir qual música usar. A música que queríamos tinha que ser especial, que representasse a nossa amizade, e seria difícil. Estávamos rindo e dançando alguns passos de valsa quando uma música começou a tocar. Ela era lenta e bonita e sem perceber fomos envolvidos pela música.
Dançamos lentamente, e eu rodopiei Lenneth, enquanto cantávamos juntos da música. Terminamos a música abraçados, os olhos bem próximos um do outro. Ficamos nos olhando assim, sem fôlego pela dança e pela música e não sei bem o que houve ali.
- Interrompo alguma coisa? – Ferania falou, com um sorriso no rosto, no topo da escada. Nos afastamos e começamos a rir.
- Não, claro que não. Algum problema? Precisa da minha ajuda? – Eu logo perguntei e Ferania disse que não.
- É só que já é quase 6 da noite, vocês tem que voltar pro castelo. – Ela falou e nós dois nos assustamos.
- Já?! Perdemos a noção da hora! – Lenneth falou. – Droga, tinha combinado de me encontrar com o Patrick às 5!
- E eu ia no gabinete do Professor Renomaru antes de encontrar com a Lis. – Nós falamos e reunimos nossas coisas, correndo escada abaixo.
- Vocês formaram um lindo dueto! Cantem essa música! – Ela gritou enquanto saíamos pela porta da loja. Acenamos para ela e corremos para o castelo. Parecíamos duas crianças, pois corríamos rindo e sem precisar falar nada, nós dois decidimos usar aquela música.
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- Desculpa a demora, professor. – Eu falei, ofegante ao entrar no gabinete dele. Tinha passado antes para encontrar com Lis e disse que tinha que correr. Ela não ficou muito feliz, mas disse que me esperava para jantarmos juntos.
- O que o fez se atrasar? Nunca aconteceu isso. E você sabe também que não gosto muito disso. – Ele falou, apontando para uma pequena pilha de folhas. Semanalmente, o professor escolhia um dos alunos do clube para ter aulas particulares com ele, de modo que todos pudessem desenvolver suas habilidade igualmente.
- Desculpa. Estava ensaiando para uma atividade da professora Yelchin. Será um dueto.
- Está bem. Quero que leia esses textos e use a alquimia para transmutar aquele relógio velho em um novo. Seu dueto é com a Liseria, sua namorada?
- Não, foi um sorteio. Eu e a Lenneth vamos cantar juntos. – Eu falei, já me concentrando nos papéis, que eram textos antigos sobre alquimia, mas percebi quando ele sorriu.
- Que ótimo, vocês trabalham bem juntos. – Ele disse, supervisionando o meu trabalho. Ele riscou uma runa que eu tinha escrito e trocou por um “ankh” e eu levantei a sobrancelha, pois não sabia que podia misturar as alquimias de origens diferentes, mas ele assentiu. – Me diga uma coisa, Lucian, ela está mesmo namorando?
- A Lenneth? Está sim, começou a namorar com o Patrick Boris nas Olimpíadas, fazem um bonito casal.
- É mesmo? Sabe de uma coisa? – Ele perguntou e eu sorri, acostumado ao modo como ele se aproximava dos seus alunos do clube. – É uma pena... Sempre achei que vocês dois terminariam juntos, formariam um lindo casal.
- Como é que é? – Eu perguntei, tossindo. – Nada disso, professor!
- É sim. Sempre apostei em vocês, é meu casal favorito, sempre torci por vocês.
- Ela é só minha amiga, Reno.
Eu falei, mas ele sorriu, dando de ombros. Ele não mais falou nada, mas o ouvi falando algo bem baixo que soou como “é o que você pensa”. Decidi ignorar isso, mas me peguei pensando em nós dois cantando e dançando aquela música. Balancei a cabeça rapidamente, voltando a me concentrar, Reno estava só me deixando confuso de propósito, tenho certeza.

Wednesday, February 09, 2011

Janeiro de 2015

- Srta. Karev, não saia ainda.

Parei onde estava enquanto o resto da turma de Alquimia saia da masmorra. Era a primeira semana de aula depois das férias de fim de ano e já estávamos deixando aquela aula com os braços cheios de livros para fazer a pilha de dever que o professor Kollontai havia passado. Já no primeiro dia o procurei para falar sobre a vaga no clube de Alquimia avançada, então imaginava que ele estava me segurando depois da aula para falar sobre isso. E acertei.

- Então a senhorita está interessada na vaga do meu clube – ele falou com a minha ficha na mão. Aquilo nunca era bom sinal.
- Sim, minhas notas em Alquimia são boas, acho que posso acompanhar o ritmo da turma.
- Concordo, seu histórico de notas é bom – notei que ele deu mais ênfase ao “notas”, mas ignorei – O problema, Srta. Karev, é que não vejo interesse pela Alquimia em você. Não sinto que dê a importância necessária, que está querendo essa vaga apenas pelos créditos.
- Já tenho todos os créditos que preciso como presidente do Grêmio e redatora do jornal da escola. Não preciso do clube de Alquimia para isso. Quero a vaga porque gosto da matéria e sei que posso dar conta.
- Gosto da sua atitude, mas ainda não estou certo disso – ele sentou e guardou minha ficha – Vamos fazer o seguinte. Vou observá-la durante um mês, e se achar que merece a vaga, a autorizo a se juntar ao meu clube.
- Justo – levantei e peguei meu material – Vai me ver no clube mês que vem, professor. Pode ter certeza.

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Um mês depois


- Silencio, por favor.

A professora Yelchin ergueu a mão calmamente e falou em seu tom de voz baixo, mas mesmo assim todos ouviram e obedeceram. Ela vinha a um mês falando sobre química na música e mostrando vídeos de duplas cantando, então estávamos todos curiosos para saber onde aquilo ia parar. Pela expressão em seu rosto, era naquela aula que descobriríamos.

- Alguém sabe o que é um Dueto?

Todos deviam saber, era uma pergunta óbvia, mas acho que ninguém quis arriscar falar alguma bobagem. Afinal, por que ela faria uma pergunta tão fácil como aquela?

- Dueto é quando duas vozes se juntam para se tornar uma. Ótimos duetos são como um ótimo casamento. Os cantores se completam, pressionam o outro a ser melhor. Então, para o nosso próximo trabalho, quero pares para cantar um dueto. E vai ser uma competição.
- O que o vencedor ganha? – um garoto no fundo do teatro perguntou.
- Jantar para dois, por minha conta, no Rainbow Room.
- Aquele restaurante de rico do vilarejo? – o mesmo garoto falou animado – Esse premio já é meu!
- Eu tenho que vencer isso! – o amigo dele falou meio em pânico – Vai ser meu presente de dia dos namorados pra Dani.

O auditório logo se agitou com a perspectiva de uma pequena competição. O premio podia ser qualquer coisa que já íamos adorar, poder jantar no Rainbow Room então, só deixava as coisas mais animadas. Precisava detonar naquela competição.

- Que bom que todos gostaram da idéia. As apresentações serão na semana seguinte ao Valentine’s Day e para ser justa com todos, as duplas serão sorteadas – a maioria protestou, mas ela ignorou – Dentro dessa urna existem diversos pares, seja um palitinho com a mesma cor, uma pedra com o mesmo desenho, qualquer coisa. Cada um vai tirar um e encontrar a pessoa que tirou a outra metade. Não adianta reclamar, não haverá troca.

Um por um os alunos foram ao palco tirar a sorte na urna e aos poucos iam encontrando seus pares. Alguns ficaram animados, outros nem tanto. Eu estava no grupo dos insatisfeitos. Quando puxei uma bolinha com o desenho de um hipogrifo, vi que Derek tinha uma idêntica na mão. Robbie também não parecia a mais feliz das criaturas, mas também não estava reclamando. Ele ia fazer par com Ozzy, que parecia muito mais infeliz que ele. Leo estava animadinha, tinha tirado uma fita laranja e ia fazer par com Mitchel Callahan, um garoto que era de um dos times de Quadribol da escola e muito bonito. Lucian e Lenneth tiraram um cartão com uma Runa desenhada e iam trabalhar juntos. E numa ironia do destino, Liseria ia fazer dueto com o namorado de Lenneth, Patrick.

- Preparem as músicas, vocês tem três semanas até apresentá-las. Vale qualquer música, desde que se encaixe em um bom dueto. Podem ir, estão dispensados.

Saímos do teatro já pensando em possíveis musicas para a apresentação, mas eu sabia que até chegarmos a um consenso, Derek e eu teríamos muitas brigas. Tentei ignorar isso durante o jantar e quando estava perto da hora da reunião do grêmio começar, sai apressada do salão e larguei Leo e Robbie para trás. Precisava estar sozinha na sala antes de todos chegarem.

- O que está fazendo? – Leo e Robbie entraram na sala do grêmio 10 minutos depois e pararam ao meu lado. Estava agachada do lado de uma das cadeiras.
- Tirando os parafusos da cadeira – respondi sem interromper o trabalho.
- Correndo o risco de me arrepender... – ouvi Robbie suspirar – Por quê?
- Essa é a cadeira do Lusth – tirei o último parafuso e guardei no bolso, ajeitando a cadeira para que ficasse como se estivesse com todos os parafusos no lugar – Pronto. Vamos ver se agora ele vai achar engraçado ter colocado talco no meu secador.
- Nem se incomode em dar bronca – Leo impediu Robbie de começar um sermão e foram para seus lugares.
– É seguro sentar? – ele perguntou apontando para sua cadeira e assenti.
- Ah, já chegaram, que ótimo! – a professora Mira entrou animada na sala e ocupou seu lugar – Espero que os outros não se atrasem, temos muito trabalho para hoje!

Aos poucos o resto dos alunos que formavam o conselho do grêmio foram chegando e assumindo seus lugares, e para o meu total deleite, Lusth foi o último a chegar. Já estavam todos acomodados esperando a reunião começar quando ele se sentou e a cadeira, sem seus parafusos, se abriu como um guarda-chuva e as peças voaram para todos os lados. Ele caiu de bunda no chão e ainda arrastou algumas pastas que estavam em cima da mesa quando tentou se segurar. A gargalhada na sala foi geral, mas não durou muito pela presença da professora, que fez todos se calarem depressa enquanto Finn e Lucian o ajudavam a se levantar. Jack me olhou balançando a cabeça em reprovação, mas tudo que consegui fazer foi abrir um sorriso satisfeito para ele.

- Muito bem, muito bem, vamos parar com a agitação. Oscar, pegue outra cadeira e sente-se logo para começarmos a reunião.
- Professora, posso? – levantei a mão pedindo a palavra e ela me concedeu – Bom, agora que Ozzy nos deu um pouco de divertimento como boas vindas depois das férias, vamos começar a trabalhar um pouco. Em duas semanas é Valentine’s Day e ainda não começamos os preparativos para a festa.
- Antes que continue, deixe-me dar um recado – a professora interrompeu – Embora a festa de Halloween tenha sido um sucesso, o diretor pediu que a festa de Valentine’s Day fosse dentro dos limites da escola. Em suas palavras, é uma data mais perigosa e ele quer ter o controle de onde todos estão.

Alguns protestos baixos foram ouvidos, mas todos acabaram concordando com a festa na escola mesmo, ou não teria festa nenhuma. Começamos a debater idéias de temas diferentes do que estávamos acostumados a fazer e cada um contribuía com o que podia, mas foi Robbie quem deu a idéia aprovada por unanimidade. Ele pediu a palavra e começou a falar sobre os Anos Dourados. Ninguém parecia estar entendendo no começo, mas então ele explicou que estava se referindo à década de 50 e propondo uma festa com aquela temática. Todo mundo logo se empolgou e bati o martelo. A festa se chamaria “Anos Dourados”.

Como sempre fazíamos, cada um ficou responsável por uma parte da festa e, pra variar, fiquei com a parte de decoração com Leo e Robbie. Eu não entendia muito da década de 50, mas Robbie parecia saber tudo sobre o assunto, então estávamos tranqüilas. As músicas ficaram por conta de Yanic, Lukas e Jack, que se prontificaram a ajudar com a montagem de palco e sonoplastia. Lucian e Ozzy ficaram encarregados da iluminação. Maria e Lukas iam cuidar das comidas e bebidas da festa e Valeria ia cuidar da parte do figurino, se certificar que ninguém apareça na festa sem estar vestido a caráter. Já a professora Mira ficou encarregada de cuidar da parte de fiscalização, colocando os professores de alerta no dia da festa. Saímos da sala animados, mais uma vez uma festa ia deixar sua marcar a escola, e com o grêmio sob o meu comando.

Sunday, January 09, 2011

Em uma semana de Setembro de 2007

- O que foi que aconteceu com ela?- perguntou o garoto moreno com traços indianos.
- Alguém a colou aqui, sabe que é semana das repúblicas...Qual o nome dela?- quis saber o garoto loiro.
- É a Leonora Ivashkov. Droga! Ela está congelada. Deve ter passado a noite toda aqui fora...- disse a menina loira.
A garota tremia tanto, que não conseguia falar, seus lábios estavam roxos e ela estava desnorteada.
O garoto alto e forte pra idade, pegou sua varinha e procurou se lembrar do feitiço de desfazer, mas a menina loira junto com o indiano ficaram impacientes, pegaram suas varinhas e disseram ao mesmo tempo:
- Diffindo...- e conseguiram soltar a garota, que quase caiu ao chão mas os dois meninos a seguraram a tempo.
- Nossa, ela é pesada.- resmungou o moreno e a loira disse:
- Não reclama Von Hoult, mexam-se, temos que leva-la para dentro.
- Talvez...precisem... de desenho...são garotos, Parvati...- a garota disse enquanto batia os dentes e a menina loirinha disse sorrindo:
- Até a menina picolé, está pensando mais rápido que vocês. – então os dois carregaram a garota para dentro e a levaram para o quarto indicado, colocaram cobertores em cima dela, e o menino indiano correu até a cozinha e logo voltou trazendo uma xicara cheia de chá fumegante:
- A cozinha de vocês é um horror, mas consegui fazer este chá para você se aquecer, não encontrei nada alcóolico, então isso terá que servir. Aliás eu sou Robert, sou da Osiris e ele é Marcus Finnegan, da Kratos.
- Não é melhor chamarmos algum adulto? Ela pode ficar doente...Pegar uma pneumonia...- disse o garoto loiro.
- Quem fez isso com você, meu bem?- disse Robert ajeitando os travesseiros da garota:
- Algumas garotas da Atlantis...
- Precisamos denunciá-las...- disse Finnegan e Leonora se agitou:
- NÃO! Não vamos fazer nada, quando eu parar de tremer eu mesma cuido disso.-e a garota de nome Parvati disse:
- É o que você quer? Porque eu posso botar a boca no mundo e eles vão me ouvir, te garanto.
- Sim, é o que quero. É a semana das repúblicas, e cada um resolve seus problemas não é? Além do mais, a responsável por isso foi a minha irmã e ela não espera que eu vá reagir, mandando um presente bem fedorento a ela. - e as duas garotas trocaram olhares maldosos e o menino moreno disse:
- Bem, seja o que for que fizer conte conosco, afinal somos os seus salvadores. Alguém ja avisou à vocês, que nem todo abajur da Tiffany combina com estas cores frias? – Robert disse olhando horrorizado ao redor do quarto e se pôs a dar ordens: - Finnegan, busque comida e bebia, Leonora fique na cama quentinha e Parvati, vamos redecorar este quarto! Preciso de um desafio e este é dos grandes. Começava ali umas da amizades mais estranhas daquela escola.

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Véspera de Natal 2014

Após o jantar em minha casa, onde tivemos uma troca de presentes constrangedora, pedi licença e fui para meu quarto. Minha avó já havia se retirado mais cedo com dor de cabeça após mais um dos rompantes de minha mãe e minha irmã, a respeito dos presentes que haviam recebido de minha avó.
Deitei-me usando o suéter novo que ganhei de Parvati e enquanto saboreava meus caramelos favoritos lia e via fotos de uma biografia não autorizada de um artista famoso que tinha ganhado de Robbie, quando ouvi um baulho na minha janela.Levantei-me e descobri que era o Finn. Estávamos meio estremecidos desde as Olimpiadas, mas me preocupei quando o vi escalar a treliça, ao lado da minha janela.
- Você enlouqueceu? Poderia cair e se machucar sériamente. –e ele riu:
- Faço isso há tempo demais para me deixar cair, Leo. Relaxa. Vai me deixar entrar ou eu vou ficar aqui morrendo de frio? Seja boazinha, é Natal.- olhei para ele, mas era dificil ficar zangada. Abri a porta de vidro e ele entrou, enquanto eu voltava para minha cama.
- Já deitada? Porque não está la embaixo festejando? Sabe que esta é a melhor época do ano para se estar com a familia.
- Finn, nesta casa não costumamos recriar o clima de ‘filme de sessão da tarde com a familia feliz’ , então não enche...- Joguei um caramelo para ele que o apanhou rápido.
- Ok, ok, não vim aqui para brigar. Vim te buscar para ir até a minha casa.
- E eu iria até a sua casa, porque?
- Porque minha mãe já perguntou por você umas quinze vezes, meu pai adora seus comentários sobre os jogos na tv, e ah ia me esquecendo: você é minha amiga e quero te dar o meu presente, nesta ordem.- disse e eu ri:
- Você poderia ter trazido e me dar agora...
- Não teria graça, tem que ser na manhã de Natal.
- Ah, claro e aposto que você vai colocar biscoitos e leite para o Papai Noel também?- o provoquei porque Finn adorava estas tradições, e ele ficou vermelho, mas não respondeu a minha pergunta.
- Você vem?Por favor?Por favor?- e eu sorri com a sua insistência e fiz que sim. Deixei um bilhete avisando aonde estava indo, apenas por força do hábito. Meus pais não iriam me procurar de qualquer forma.

A casa de Finn, era um sobrado e estava decorado com muitas luzes, e havia até mesmo um boneco de neve na entrada, usando um cachecol e segurando um taco de hóquei, e os pais dele pareciam felizes por me ver ali.
A mãe de Finn estava tão acostumada comigo em sua casa, que ela não agia como os outros pais, que proibiam garotas e garotos de ficarem no mesmo quarto de portas fechadas. Eles confiavam em seu filho e em mim. E eu procurava estar à altura desta confiança.
Depois de beber, comer e conversarmos seus pais se despediram, e eu e Finn fomos para seu quarto e ficamos conversando até muito tarde, jogando video game, enquanto bebiamos cervejas amanteigadas. Dava para ouvir que nas casas vizinhas havia música sendo tocada, e nós acabavamos cantarolando juntos.
Acordei com alguém me beijando de leve e não evitei um suspiro, mas continuei de olhos fechados. Queria continuar sonhando...
- Leonora acorda..É Natal!- abri os olhos e ele estava a centímetros de meu rosto sorrindo.Ficamos nos olhando e ele até começou a abaixar o rosto novamente, mas ouvimos sua mãe gritar o nome dele, e ele se afastou:
- Vamos abrir os presentes...- ele me puxou e não houve outro jeito de não segui-lo.
O engraçado era que Finn lembrava um daqueles garotos de filme de sessão da tarde, que ficam de olhos arregalados quando encontra a árvore cheia de presentes. Ele estava realmente alegre por ser manhã de Natal e era uma sensação contagiante. Ajudei a mãe dele a fazer o café da manhã, e fiz uma das receitas de minha avó para rabanadas, e passamos a manhã aproveitando os presentes trocados. Depois fomos patinar no lago perto de sua casa e foi muito divertido. Algumas garotas olhavam para Finn e sorriam animadas, ele até olhava para algumas delas, mas não saía de perto de mim, sempre segurando a minha mão quando patinávamos, levantando a gola de meu casaco quando começava a fazer frio, ou tirando uma mecha do meu cabelo do rosto. Em um destes momentos, ele me beijou.
Quando nos separamos nos olhamos e sorrimos um ao outro, e tornamos a nos beijar. Não estávamos começando um namoro ou algo do tipo, eram apenas duas pessoas que se gostavam e queriam passar um tempo juntos, era nisso que eu acreditaria hoje e talvez, só talvez...O dia de Natal, torne-se o meu dia favorito do ano.

I can't fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show

And even as I wonder I'm keeping you in sight
You're a candle in the window on a cold dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might


N.Autora: Can’t fight this feeling, Glee