Em uma semana de Setembro de 2007
- O que foi que aconteceu com ela?- perguntou o garoto moreno com traços indianos.
- Alguém a colou aqui, sabe que é semana das repúblicas...Qual o nome dela?- quis saber o garoto loiro.
- É a Leonora Ivashkov. Droga! Ela está congelada. Deve ter passado a noite toda aqui fora...- disse a menina loira.
A garota tremia tanto, que não conseguia falar, seus lábios estavam roxos e ela estava desnorteada.
O garoto alto e forte pra idade, pegou sua varinha e procurou se lembrar do feitiço de desfazer, mas a menina loira junto com o indiano ficaram impacientes, pegaram suas varinhas e disseram ao mesmo tempo:
- Diffindo...- e conseguiram soltar a garota, que quase caiu ao chão mas os dois meninos a seguraram a tempo.
- Nossa, ela é pesada.- resmungou o moreno e a loira disse:
- Não reclama Von Hoult, mexam-se, temos que leva-la para dentro.
- Talvez...precisem... de desenho...são garotos, Parvati...- a garota disse enquanto batia os dentes e a menina loirinha disse sorrindo:
- Até a menina picolé, está pensando mais rápido que vocês. – então os dois carregaram a garota para dentro e a levaram para o quarto indicado, colocaram cobertores em cima dela, e o menino indiano correu até a cozinha e logo voltou trazendo uma xicara cheia de chá fumegante:
- A cozinha de vocês é um horror, mas consegui fazer este chá para você se aquecer, não encontrei nada alcóolico, então isso terá que servir. Aliás eu sou Robert, sou da Osiris e ele é Marcus Finnegan, da Kratos.
- Não é melhor chamarmos algum adulto? Ela pode ficar doente...Pegar uma pneumonia...- disse o garoto loiro.
- Quem fez isso com você, meu bem?- disse Robert ajeitando os travesseiros da garota:
- Algumas garotas da Atlantis...
- Precisamos denunciá-las...- disse Finnegan e Leonora se agitou:
- NÃO! Não vamos fazer nada, quando eu parar de tremer eu mesma cuido disso.-e a garota de nome Parvati disse:
- É o que você quer? Porque eu posso botar a boca no mundo e eles vão me ouvir, te garanto.
- Sim, é o que quero. É a semana das repúblicas, e cada um resolve seus problemas não é? Além do mais, a responsável por isso foi a minha irmã e ela não espera que eu vá reagir, mandando um presente bem fedorento a ela. - e as duas garotas trocaram olhares maldosos e o menino moreno disse:
- Bem, seja o que for que fizer conte conosco, afinal somos os seus salvadores. Alguém ja avisou à vocês, que nem todo abajur da Tiffany combina com estas cores frias? – Robert disse olhando horrorizado ao redor do quarto e se pôs a dar ordens: - Finnegan, busque comida e bebia, Leonora fique na cama quentinha e Parvati, vamos redecorar este quarto! Preciso de um desafio e este é dos grandes. Começava ali umas da amizades mais estranhas daquela escola.
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Véspera de Natal 2014
Após o jantar em minha casa, onde tivemos uma troca de presentes constrangedora, pedi licença e fui para meu quarto. Minha avó já havia se retirado mais cedo com dor de cabeça após mais um dos rompantes de minha mãe e minha irmã, a respeito dos presentes que haviam recebido de minha avó.
Deitei-me usando o suéter novo que ganhei de Parvati e enquanto saboreava meus caramelos favoritos lia e via fotos de uma biografia não autorizada de um artista famoso que tinha ganhado de Robbie, quando ouvi um baulho na minha janela.Levantei-me e descobri que era o Finn. Estávamos meio estremecidos desde as Olimpiadas, mas me preocupei quando o vi escalar a treliça, ao lado da minha janela.
- Você enlouqueceu? Poderia cair e se machucar sériamente. –e ele riu:
- Faço isso há tempo demais para me deixar cair, Leo. Relaxa. Vai me deixar entrar ou eu vou ficar aqui morrendo de frio? Seja boazinha, é Natal.- olhei para ele, mas era dificil ficar zangada. Abri a porta de vidro e ele entrou, enquanto eu voltava para minha cama.
- Já deitada? Porque não está la embaixo festejando? Sabe que esta é a melhor época do ano para se estar com a familia.
- Finn, nesta casa não costumamos recriar o clima de ‘filme de sessão da tarde com a familia feliz’ , então não enche...- Joguei um caramelo para ele que o apanhou rápido.
- Ok, ok, não vim aqui para brigar. Vim te buscar para ir até a minha casa.
- E eu iria até a sua casa, porque?
- Porque minha mãe já perguntou por você umas quinze vezes, meu pai adora seus comentários sobre os jogos na tv, e ah ia me esquecendo: você é minha amiga e quero te dar o meu presente, nesta ordem.- disse e eu ri:
- Você poderia ter trazido e me dar agora...
- Não teria graça, tem que ser na manhã de Natal.
- Ah, claro e aposto que você vai colocar biscoitos e leite para o Papai Noel também?- o provoquei porque Finn adorava estas tradições, e ele ficou vermelho, mas não respondeu a minha pergunta.
- Você vem?Por favor?Por favor?- e eu sorri com a sua insistência e fiz que sim. Deixei um bilhete avisando aonde estava indo, apenas por força do hábito. Meus pais não iriam me procurar de qualquer forma.
A casa de Finn, era um sobrado e estava decorado com muitas luzes, e havia até mesmo um boneco de neve na entrada, usando um cachecol e segurando um taco de hóquei, e os pais dele pareciam felizes por me ver ali.
A mãe de Finn estava tão acostumada comigo em sua casa, que ela não agia como os outros pais, que proibiam garotas e garotos de ficarem no mesmo quarto de portas fechadas. Eles confiavam em seu filho e em mim. E eu procurava estar à altura desta confiança.
Depois de beber, comer e conversarmos seus pais se despediram, e eu e Finn fomos para seu quarto e ficamos conversando até muito tarde, jogando video game, enquanto bebiamos cervejas amanteigadas. Dava para ouvir que nas casas vizinhas havia música sendo tocada, e nós acabavamos cantarolando juntos.
Acordei com alguém me beijando de leve e não evitei um suspiro, mas continuei de olhos fechados. Queria continuar sonhando...
- Leonora acorda..É Natal!- abri os olhos e ele estava a centímetros de meu rosto sorrindo.Ficamos nos olhando e ele até começou a abaixar o rosto novamente, mas ouvimos sua mãe gritar o nome dele, e ele se afastou:
- Vamos abrir os presentes...- ele me puxou e não houve outro jeito de não segui-lo.
O engraçado era que Finn lembrava um daqueles garotos de filme de sessão da tarde, que ficam de olhos arregalados quando encontra a árvore cheia de presentes. Ele estava realmente alegre por ser manhã de Natal e era uma sensação contagiante. Ajudei a mãe dele a fazer o café da manhã, e fiz uma das receitas de minha avó para rabanadas, e passamos a manhã aproveitando os presentes trocados. Depois fomos patinar no lago perto de sua casa e foi muito divertido. Algumas garotas olhavam para Finn e sorriam animadas, ele até olhava para algumas delas, mas não saía de perto de mim, sempre segurando a minha mão quando patinávamos, levantando a gola de meu casaco quando começava a fazer frio, ou tirando uma mecha do meu cabelo do rosto. Em um destes momentos, ele me beijou.
Quando nos separamos nos olhamos e sorrimos um ao outro, e tornamos a nos beijar. Não estávamos começando um namoro ou algo do tipo, eram apenas duas pessoas que se gostavam e queriam passar um tempo juntos, era nisso que eu acreditaria hoje e talvez, só talvez...O dia de Natal, torne-se o meu dia favorito do ano.
I can't fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show
And even as I wonder I'm keeping you in sight
You're a candle in the window on a cold dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might
N.Autora: Can’t fight this feeling, Glee
Sunday, January 09, 2011
Wednesday, January 05, 2011
As Olimpíadas na Austrália haviam terminado e voltamos a nossa rotina diária, mas pra mim as coisas estavam um pouco diferentes. Piores, eu diria. Por ter perdido a aposta do Triatlo para Parvati, estava sendo obrigado a ser seu elfo doméstico por uma semana inteira. A semana escolhida foi a última de aula. Foi um verdadeiro inferno ter que segui-la pra todo lado carregando livros, arrumando o quarto delas (que era o quarto mais bagunçado do mundo) e fazendo chá de todos os tipos, só para ela falar que estava ruim e me mandar fazer de novo.
Já era fim de tarde do último dia de escravidão. Ela estava na sala da Atena conversando com Leo, Robbie, Alec, Julie, Penny, Jude e Flora. Alec, aquele traidor, agora estava amiguinho do inimigo, tudo graças ao namoradinho que ele arrumou. Estava sentado no balcão da cozinha ouvindo a conversa de longe. Eles falavam sobre a final do tênis, onde Parvati e Robert, ou Parvesh, como chamavam a dupla, derrotaram os canadenses com tanta disposição que até assustaram os adversários.
Jude dizia alguma coisa sobre não deixar que pegassem uma raquete outra vez quando levantei e subi as escadas sem ser notado. Estava planejando uma despedida da semana de escravidão em grande estilo e nada melhor que a noite onde teríamos uma festa promovida pelo grêmio para isso. Fui direto para o quarto de Parvati e peguei seu secador de cabelo na cômoda. Estava tão concentrado que não percebi que Julie me viu sair da sala e me seguiu até lá.
- O que pensa que está fazendo? – Julie entrou no quarto bem na hora.
- Nada – tentei esconder o talco, mas ela já tinha visto.
- Você estava colocando talco no secador de cabelo?
- Vai me dedurar?
- Não preciso, ela vai saber que foi você – Julie me olhava com seu habitual ar de reprovação – Ozzy, não faça isso.
- Relaxa, é só uma brincadeirinha.
- Não, não é. Isso vai desencadear uma série de “brincadeirinhas” que vão terminar mal.
- Está exagerando – desdenhei – Claro que ela vai revidar e eu vou fazer algo de volta, mas são brincadeiras inofensivas.
- Você não sabe onde está se metendo. Parvati não tem limites, ela não vai parar até que tenha realmente o atingido.
- Ela não vai conseguir me derrubar, posso garantir isso.
- Não subestime uma Karev.
- Fique tranqüila, Jules. Não vamos nos matar.
- Bom, depois não venha dizer que não avisei – ela bateu no meu ombro antes de caminhar até a porta – Está por conta própria.
Continuei o que estava fazendo e limpei a bagunça antes de sair, deixando tudo onde estava quando entrei. Tive que ficar de plantão na sala mais uma hora, e quando a aposta expirou, sai bem depressa. Não fiquei para ver o show, mas Alec ainda estava na Atena quando ela saiu do banho e foi se arrumar no quarto, ligando o secador com o corpo ainda molhado. Ele chegou à Kratos dizendo que ela ficou parecendo um mímico com a cara cheia de pasta d’água, que foi o que o talco virou em contato com a água.
Sabia que ela ia querer revidar, já que era óbvio que tinha sido eu, mas não estava me importando. Ia embora pra casa para um natal muito mais feliz que os dos últimos anos.
-----------
- Foi difícil não rir – Alec comentou rindo - Robbie me olhou alarmado quando viu que ia deixar escapar uma gargalhada e sai correndo da republica.
- Queria ter visto a cara dela, daria uma excelente foto pro álbum do ano! – joguei os pés em cima da mesa satisfeito e minha mãe bateu no meu tênis.
- Saiam daqui, vão esperar lá fora ou não consigo terminar de arrumar a mesa!
Ela nos expulsou da sala e voltamos para o quintal, onde Oleg e Edgar conversavam animados. Era véspera de Natal e já era tradição as duas famílias comemoraram a data juntas. Sempre foi assim, não é a toa que conheço os gêmeos desde que ainda usávamos fraldas. Quando sentamos ao lado deles no banco, Oleg estava dando dicas a Edgar de como chamar uma garota para sair.
- Opa, quem é a vitima? – perguntei animado.
- Você está mesmo fazendo essa pergunta? – Alec me olhou como se eu fosse idiota – É claro que é a Alexis.
- Mano, sério, o que você vê naquela garota? – resmunguei. Não me conformava que meu irmão fosse tão ligado a irmã da Parvati – Você não pode unir nossa família com a dela.
- Unir famílias? Está maluco, Ozzy? – Oleg me olhou assustado – Quem está falando em casamento? Ele só quer dar uns pegas na garota e pronto!
- Ei, olha como fala dela! – Edgar protestou – Ela não é qualquer uma.
- Olha ai, ele está apaixonado pela irmã do capeta! – dei um tapa na cabeça dele – Eu não vou deixar você se envolver mais do que já está envolvido com aquela garota!
- Você não pode me dizer o que fazer, não é o papai! – Edgar retrucou irritado – E ela não é como a irmã, pare com essa implicância idiota! Você nem conhece a Lexie direito pra julgá-la.
- Se ela tem os genes da irmã, conheço o suficiente.
- Parem com isso! – Alec interveio – Ozzy, a Parvati nem é tão horrível assim. Na verdade, vocês dois são muito parecidos, por isso não se bicam – fechei a cara, mas ele não me deixou interromper – Se seu irmão gosta da irmã dela, isso não é da sua conta. Deixe que ele viva a vida do próprio jeito, não do jeito que você acha que deve ser! Conhece a campanha pela vida? Não? Cada um que cuide da sua!
Alec levantou do banco arrastando Edgar pela manga da camisa para dentro de casa e me deixou sozinho no quintal com Oleg. Ninguém falou mais nada sobre o sermão, mas Alec podia falar o que quisesse, que pra mim não importava. Eu não ia permitir que meu irmão namorasse a irmã daquela coisa.
Natal na família Karev era sempre a mesma coisa. Todo ano a família se reunia na casa dos meus avôs paternos, e isso incluía os meus avôs maternos e seus filhos. O resultado dessa mistura era sempre a mansão lotada de tios e primos pra todos os lados.
Eu me dava bem com todos os meus primos, na medida do possível. Era criança e adolescente demais para socializar. Eu tentava, mas no fim acabava sempre na mesa conversando com Jack, e de vez em quando, Julie. Esse ano não fugiu à regra, e estava em uma das mesas do jardim com os gêmeos e minha irmã. Jack lia um grosso livro de Alquimia, totalmente alheia a conversa.
- Jack, esse livro é da turma de Alquimia Avançada? – perguntei e ele assentiu – Pode me emprestar depois?
- Claro, mas pra que? A matéria dele não cai nos exames normais, só pra turma avançada mesmo.
- Eu sei, mas não teve um aluno que desistiu das aulas? Quero tentar a vaga dele.
- Você? – Julie riu descrente e aquilo me irritou – Não faz o perfil.
- Está me chamando de burra?
- Não, só dizendo que não faz o perfil de alguém que freqüente aula avançada de qualquer coisa.
- Eu não sou burra, só fico com preguiça de estudar.
- Então você tem MUITA preguiça de estudar.
- Ok, parem – Jack agarrou meu pulso na hora que ele ia acertar um soco em sua irmã – Parv, tem certeza disso? Essas aulas são muito diferentes das aulas normais de Alquimia. O professor Reno é ótimo, mas ele sabe ser estúpido quando percebe que alguém não está interessado na matéria como ele acha que deveria estar.
- Não vou lá pra brincar, eu gosto de Alquimia. Minhas notas são ótimas, eu sei que posso entrar pra turma.
- Se tem certeza que é isso que quer, pode ficar com o livro – ele me empurrou o pesado exemplar de Alquimia Avançada e comecei a folhear – Vou dizer a ele quando voltarmos que você está interessada na vaga.
Julie não me perturbou mais quanto a minha capacidade de entender alquimia avançada tão bem quanto eles e o assunto mudou para a vida amoroso na escola. Resolvi ignorar e ler alguns capítulos do livro, mas minha concentração foi pro espaço quando eles começaram a falar da minha irmã. Não que eu não quisesse que ela tivesse um namorado. O problema era quando esse namorado que ela já tinha em vista era irmão do idiota do Ozzy.
- Por Merlin, o que você vê naquele garoto esquisito? – entrei na conversa – Ele é problemático demais.
- Eddie não é esquisito, você nem o conhece pra falar assim – Alexis o defendeu, enfezada.
- Não acho que ele seja a pessoa certa pra você, tem muitos garotos melhores na escola e que não precisam de medicamento pra não sair por ai socando as pessoas.
- Você é ridícula! – Alexis se levantou furiosa, mas não me abalei. Ela precisava ouvir aquilo, aquele garoto não ia entrar pra nossa família – Não se meta na minha vida, eu namoro quem eu quiser e ninguém vai me impedir!
- Você devia cuidar mais da sua vida antes de querer controlar a de outras pessoas. – Julie levantou também – Sabe por que vocês dois se odeiam tanto? Por que são igualmente presunçosos e arrogantes, que se acham donos do mundo. É muita prepotência pra pouco espaço, por isso precisam brigar pelo território.
Antes que eu pudesse responder, ou quem sabe voar no pescoço dela, Julie já estava caminhando atrás da minha irmã e as duas sumiram pela porta de vidro que dava para a sala de estar. Jack me olhou com a cara de sempre quando eu estava reclamando do amigo dele, e sabia que ia vir mais sermão.
- Julie tem razão, sabe? – ele falou cauteloso – Eu não falaria com as mesmas palavras, mas a idéia seria a mesma.
- Sua irmã é uma idiota, odeio ela.
- Odeia nada. Assim como no fundo você não odeia o Ozzy. Tenho certeza que um dia vocês ainda vão se entender, e rir disso tudo.
- Sinto lhe informar que você não vai viver para ver esse dia, primo querido.
No instante em que disse isso, uma rajada de vento bateu no jardim e varreu tudo que tinha em cima da nossa mesa, menos o livro. As paginas passaram depressa e pararam em um capitulo que falava sobre imortalidade. Olhei para Jack assustada, mas ele ria.
- Não deboche – disse séria – Não gosto quando essas coisas acontecem.
- Acontecem com freqüência? – ele parou de rir.
- Não muita, mas o suficiente para me impressionar.
- Imortalidade – ele puxou o livro pra si e leu o titulo do capítulo – Estou ansioso para chegar nessa parte da matéria.
- Existem famílias de Imortais... Você conhece alguma?
- Sim, ouvi falar delas, mas não conheço nenhuma – algo me dizia que ele estava mentindo, mas não quis entrar em detalhes.
- Deve ser horrível – ele me olhou sem entender e completei – Ser imortal, não morrer nunca. Não deve ser agradável.
- Por que não? Deve ser ótimo viver sem medo de morrer de repente, sem explicação. Imagine não envelhecer nunca? Você não ia precisar se preocupar com rugas.
- E viver pra sempre, enquanto as pessoas que você ama morrem? Isso também é ótimo? – vi que ele ficou pensativo.
- Talvez as famílias de Imortais só possam se relacionar com outros Imortais, isso facilitaria muito.
- Imagino que sim, já que eles não podem sair por ai dando imortalidade a pessoas comuns.
- Como sabe disso?
- Já disse que não sou burra, eu leio – ele fez uma careta – Não sei como funciona, mas só quem tem o sangue de um Imortal pode viver pra sempre. Uma pessoa comum com imortalidade nunca seria a mesma coisa. É como se eu casasse com um Rei. Eu ia ser uma Rainha, mas não teria o “sangue azul”. Seria um deles, mas não como eles.
- Meio preconceituoso isso, não acha?
- Suponho que sim, mas é uma maneira de controlar as coisas. Imagine se o mundo inteiro tivesse esse dom? Íamos ter uma superlotação no planeta! – falei num tom divertido, quebrando a seriedade do papo.
- Bom, eu gostaria de não morrer nunca, mas você pelo visto não.
- Eu posso ter muitas dúvidas na vida, e eu tenho, mas de uma coisa eu tenho certeza, nunca ia querer viver para sempre.
Tive a sensação de que Jack ia dizer alguma coisa, mas nunca soube o que era. Um dos nossos primos apareceu na varanda com uma bola de vôlei na mão, dizendo que precisa de mais duas pessoas para completar seu time. Quando soube que Julie já estava no time adversário, fechei o livro e corri com eles até a quadra. Era Natal e estava com a minha família toda reunida, não era hora para nenhum assunto sério tomar o lugar da diversão.
Já era fim de tarde do último dia de escravidão. Ela estava na sala da Atena conversando com Leo, Robbie, Alec, Julie, Penny, Jude e Flora. Alec, aquele traidor, agora estava amiguinho do inimigo, tudo graças ao namoradinho que ele arrumou. Estava sentado no balcão da cozinha ouvindo a conversa de longe. Eles falavam sobre a final do tênis, onde Parvati e Robert, ou Parvesh, como chamavam a dupla, derrotaram os canadenses com tanta disposição que até assustaram os adversários.
Jude dizia alguma coisa sobre não deixar que pegassem uma raquete outra vez quando levantei e subi as escadas sem ser notado. Estava planejando uma despedida da semana de escravidão em grande estilo e nada melhor que a noite onde teríamos uma festa promovida pelo grêmio para isso. Fui direto para o quarto de Parvati e peguei seu secador de cabelo na cômoda. Estava tão concentrado que não percebi que Julie me viu sair da sala e me seguiu até lá.
- O que pensa que está fazendo? – Julie entrou no quarto bem na hora.
- Nada – tentei esconder o talco, mas ela já tinha visto.
- Você estava colocando talco no secador de cabelo?
- Vai me dedurar?
- Não preciso, ela vai saber que foi você – Julie me olhava com seu habitual ar de reprovação – Ozzy, não faça isso.
- Relaxa, é só uma brincadeirinha.
- Não, não é. Isso vai desencadear uma série de “brincadeirinhas” que vão terminar mal.
- Está exagerando – desdenhei – Claro que ela vai revidar e eu vou fazer algo de volta, mas são brincadeiras inofensivas.
- Você não sabe onde está se metendo. Parvati não tem limites, ela não vai parar até que tenha realmente o atingido.
- Ela não vai conseguir me derrubar, posso garantir isso.
- Não subestime uma Karev.
- Fique tranqüila, Jules. Não vamos nos matar.
- Bom, depois não venha dizer que não avisei – ela bateu no meu ombro antes de caminhar até a porta – Está por conta própria.
Continuei o que estava fazendo e limpei a bagunça antes de sair, deixando tudo onde estava quando entrei. Tive que ficar de plantão na sala mais uma hora, e quando a aposta expirou, sai bem depressa. Não fiquei para ver o show, mas Alec ainda estava na Atena quando ela saiu do banho e foi se arrumar no quarto, ligando o secador com o corpo ainda molhado. Ele chegou à Kratos dizendo que ela ficou parecendo um mímico com a cara cheia de pasta d’água, que foi o que o talco virou em contato com a água.
Sabia que ela ia querer revidar, já que era óbvio que tinha sido eu, mas não estava me importando. Ia embora pra casa para um natal muito mais feliz que os dos últimos anos.
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- Foi difícil não rir – Alec comentou rindo - Robbie me olhou alarmado quando viu que ia deixar escapar uma gargalhada e sai correndo da republica.
- Queria ter visto a cara dela, daria uma excelente foto pro álbum do ano! – joguei os pés em cima da mesa satisfeito e minha mãe bateu no meu tênis.
- Saiam daqui, vão esperar lá fora ou não consigo terminar de arrumar a mesa!
Ela nos expulsou da sala e voltamos para o quintal, onde Oleg e Edgar conversavam animados. Era véspera de Natal e já era tradição as duas famílias comemoraram a data juntas. Sempre foi assim, não é a toa que conheço os gêmeos desde que ainda usávamos fraldas. Quando sentamos ao lado deles no banco, Oleg estava dando dicas a Edgar de como chamar uma garota para sair.
- Opa, quem é a vitima? – perguntei animado.
- Você está mesmo fazendo essa pergunta? – Alec me olhou como se eu fosse idiota – É claro que é a Alexis.
- Mano, sério, o que você vê naquela garota? – resmunguei. Não me conformava que meu irmão fosse tão ligado a irmã da Parvati – Você não pode unir nossa família com a dela.
- Unir famílias? Está maluco, Ozzy? – Oleg me olhou assustado – Quem está falando em casamento? Ele só quer dar uns pegas na garota e pronto!
- Ei, olha como fala dela! – Edgar protestou – Ela não é qualquer uma.
- Olha ai, ele está apaixonado pela irmã do capeta! – dei um tapa na cabeça dele – Eu não vou deixar você se envolver mais do que já está envolvido com aquela garota!
- Você não pode me dizer o que fazer, não é o papai! – Edgar retrucou irritado – E ela não é como a irmã, pare com essa implicância idiota! Você nem conhece a Lexie direito pra julgá-la.
- Se ela tem os genes da irmã, conheço o suficiente.
- Parem com isso! – Alec interveio – Ozzy, a Parvati nem é tão horrível assim. Na verdade, vocês dois são muito parecidos, por isso não se bicam – fechei a cara, mas ele não me deixou interromper – Se seu irmão gosta da irmã dela, isso não é da sua conta. Deixe que ele viva a vida do próprio jeito, não do jeito que você acha que deve ser! Conhece a campanha pela vida? Não? Cada um que cuide da sua!
Alec levantou do banco arrastando Edgar pela manga da camisa para dentro de casa e me deixou sozinho no quintal com Oleg. Ninguém falou mais nada sobre o sermão, mas Alec podia falar o que quisesse, que pra mim não importava. Eu não ia permitir que meu irmão namorasse a irmã daquela coisa.
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Natal na família Karev era sempre a mesma coisa. Todo ano a família se reunia na casa dos meus avôs paternos, e isso incluía os meus avôs maternos e seus filhos. O resultado dessa mistura era sempre a mansão lotada de tios e primos pra todos os lados.
Eu me dava bem com todos os meus primos, na medida do possível. Era criança e adolescente demais para socializar. Eu tentava, mas no fim acabava sempre na mesa conversando com Jack, e de vez em quando, Julie. Esse ano não fugiu à regra, e estava em uma das mesas do jardim com os gêmeos e minha irmã. Jack lia um grosso livro de Alquimia, totalmente alheia a conversa.
- Jack, esse livro é da turma de Alquimia Avançada? – perguntei e ele assentiu – Pode me emprestar depois?
- Claro, mas pra que? A matéria dele não cai nos exames normais, só pra turma avançada mesmo.
- Eu sei, mas não teve um aluno que desistiu das aulas? Quero tentar a vaga dele.
- Você? – Julie riu descrente e aquilo me irritou – Não faz o perfil.
- Está me chamando de burra?
- Não, só dizendo que não faz o perfil de alguém que freqüente aula avançada de qualquer coisa.
- Eu não sou burra, só fico com preguiça de estudar.
- Então você tem MUITA preguiça de estudar.
- Ok, parem – Jack agarrou meu pulso na hora que ele ia acertar um soco em sua irmã – Parv, tem certeza disso? Essas aulas são muito diferentes das aulas normais de Alquimia. O professor Reno é ótimo, mas ele sabe ser estúpido quando percebe que alguém não está interessado na matéria como ele acha que deveria estar.
- Não vou lá pra brincar, eu gosto de Alquimia. Minhas notas são ótimas, eu sei que posso entrar pra turma.
- Se tem certeza que é isso que quer, pode ficar com o livro – ele me empurrou o pesado exemplar de Alquimia Avançada e comecei a folhear – Vou dizer a ele quando voltarmos que você está interessada na vaga.
Julie não me perturbou mais quanto a minha capacidade de entender alquimia avançada tão bem quanto eles e o assunto mudou para a vida amoroso na escola. Resolvi ignorar e ler alguns capítulos do livro, mas minha concentração foi pro espaço quando eles começaram a falar da minha irmã. Não que eu não quisesse que ela tivesse um namorado. O problema era quando esse namorado que ela já tinha em vista era irmão do idiota do Ozzy.
- Por Merlin, o que você vê naquele garoto esquisito? – entrei na conversa – Ele é problemático demais.
- Eddie não é esquisito, você nem o conhece pra falar assim – Alexis o defendeu, enfezada.
- Não acho que ele seja a pessoa certa pra você, tem muitos garotos melhores na escola e que não precisam de medicamento pra não sair por ai socando as pessoas.
- Você é ridícula! – Alexis se levantou furiosa, mas não me abalei. Ela precisava ouvir aquilo, aquele garoto não ia entrar pra nossa família – Não se meta na minha vida, eu namoro quem eu quiser e ninguém vai me impedir!
- Você devia cuidar mais da sua vida antes de querer controlar a de outras pessoas. – Julie levantou também – Sabe por que vocês dois se odeiam tanto? Por que são igualmente presunçosos e arrogantes, que se acham donos do mundo. É muita prepotência pra pouco espaço, por isso precisam brigar pelo território.
Antes que eu pudesse responder, ou quem sabe voar no pescoço dela, Julie já estava caminhando atrás da minha irmã e as duas sumiram pela porta de vidro que dava para a sala de estar. Jack me olhou com a cara de sempre quando eu estava reclamando do amigo dele, e sabia que ia vir mais sermão.
- Julie tem razão, sabe? – ele falou cauteloso – Eu não falaria com as mesmas palavras, mas a idéia seria a mesma.
- Sua irmã é uma idiota, odeio ela.
- Odeia nada. Assim como no fundo você não odeia o Ozzy. Tenho certeza que um dia vocês ainda vão se entender, e rir disso tudo.
- Sinto lhe informar que você não vai viver para ver esse dia, primo querido.
No instante em que disse isso, uma rajada de vento bateu no jardim e varreu tudo que tinha em cima da nossa mesa, menos o livro. As paginas passaram depressa e pararam em um capitulo que falava sobre imortalidade. Olhei para Jack assustada, mas ele ria.
- Não deboche – disse séria – Não gosto quando essas coisas acontecem.
- Acontecem com freqüência? – ele parou de rir.
- Não muita, mas o suficiente para me impressionar.
- Imortalidade – ele puxou o livro pra si e leu o titulo do capítulo – Estou ansioso para chegar nessa parte da matéria.
- Existem famílias de Imortais... Você conhece alguma?
- Sim, ouvi falar delas, mas não conheço nenhuma – algo me dizia que ele estava mentindo, mas não quis entrar em detalhes.
- Deve ser horrível – ele me olhou sem entender e completei – Ser imortal, não morrer nunca. Não deve ser agradável.
- Por que não? Deve ser ótimo viver sem medo de morrer de repente, sem explicação. Imagine não envelhecer nunca? Você não ia precisar se preocupar com rugas.
- E viver pra sempre, enquanto as pessoas que você ama morrem? Isso também é ótimo? – vi que ele ficou pensativo.
- Talvez as famílias de Imortais só possam se relacionar com outros Imortais, isso facilitaria muito.
- Imagino que sim, já que eles não podem sair por ai dando imortalidade a pessoas comuns.
- Como sabe disso?
- Já disse que não sou burra, eu leio – ele fez uma careta – Não sei como funciona, mas só quem tem o sangue de um Imortal pode viver pra sempre. Uma pessoa comum com imortalidade nunca seria a mesma coisa. É como se eu casasse com um Rei. Eu ia ser uma Rainha, mas não teria o “sangue azul”. Seria um deles, mas não como eles.
- Meio preconceituoso isso, não acha?
- Suponho que sim, mas é uma maneira de controlar as coisas. Imagine se o mundo inteiro tivesse esse dom? Íamos ter uma superlotação no planeta! – falei num tom divertido, quebrando a seriedade do papo.
- Bom, eu gostaria de não morrer nunca, mas você pelo visto não.
- Eu posso ter muitas dúvidas na vida, e eu tenho, mas de uma coisa eu tenho certeza, nunca ia querer viver para sempre.
Tive a sensação de que Jack ia dizer alguma coisa, mas nunca soube o que era. Um dos nossos primos apareceu na varanda com uma bola de vôlei na mão, dizendo que precisa de mais duas pessoas para completar seu time. Quando soube que Julie já estava no time adversário, fechei o livro e corri com eles até a quadra. Era Natal e estava com a minha família toda reunida, não era hora para nenhum assunto sério tomar o lugar da diversão.
Tuesday, December 14, 2010
Melbourne, Australia, Novembro de 2014
Algumas anotações de Marcus Finnegan
Eu estava indo em direção ao campo de Trancabola para encontrar o resto do time, quando encontrei o amigo da Leo, Damon, abraçado a uma garota loira. Preciam muito proximos, achei um absurdo, e me aproximei:
- Hey Damon, preciso falar com você. È importante.- disse firme. Ele me olhou curioso e disse para a garota:
- Depois nos vemos, Gabi!- e a beijou e a menina saiu toda sorridente.
- O que você quer? Espero que seja realmente importante, porque aquela garota me deu trabalho, francesas são muito desconfiadas e Gabriela é mais ainda.
- Damon, você não está saindo com a Leonora?
- Porque quer saber? Está saindo com ela também?
- Não, eu sou amigo dela e me preocupo que ela esteja fazendo papel de boba com você.- ele me olhou e riu:
- Você deve ter um vida social nula, para se meter no que não é de sua conta.E Leonora e eu temos algo que não diz respeito a ninguem, aliás, você não nos entenderia.
- Mas você é muito canalha mesmo, eu devia era partir a sua cara.- eu disse nervoso e não percebi que Ozzy e Lucian estavam perto de mim, tentando me conter. Alguns amigos de Damon se aproximaram, e eu queria brigar. Após discutirmos e ele me provocar a ponto de eu querer partir pra cima dele, Ozzy e Lucian me arrastaram dali para evitar uma punição pelo nosso diretor que estava por perto.
- Finn, o que foi aquilo? Você não costuma perder a cabeça à toa.- disse Lucian.
- À toa? Aquele Damon é um sacana de marca maior. Tem saído com a Leonora e eu o encontro aos beijos com uma garota de Beauxbatons. Ninguém faz amiga minha de idiota.- De repente escutei a risada de Ozzy:
- Você estava tomando as dores da Leonora? Da Leonora? O sol realmente te afetou. Se alguém tenta fazer aquela garota de besta, tá pedindo pra morrer.
- Finn, a Leonora não é tão indefesa assim, nós todos sabemos do que ela é capaz, e ela conhece este Damon há tempos não é?- disse Lucian e Finn respondeu:
- Leo esta sendo enganada, eu não vou ficar quieto, vendo aquele babaca a fazer de idiota. Alguém precisa abrir os olhos dela. – e Ozzy o encarou parando de rir:
- Ah, Finn...Você gosta da gordinha.Diga que isso começou quando o Lukas te acertou o ‘puck’ que eu acerto outro em você e tudo volta ao normal.
- Claro que não... quer dizer ela é minha amiga e eu defendo os meus amigos.
-Finn, sou obrigado a concordar com o Ozzy. Esta sua reação, é a de alguém que gosta românticamente de outra. E quando isso começou? Vocês são amigos há anos...
- E a Leonora não é tão indefesa assim,pow ela anda com a Parvati e o Robert, sabe que eles não são chamados de ‘Twisted Sisters’ à toa. E repetindo: quando esta ‘preocupação’ começou?- disse Ozzy.
- Lembram do Halloween??
- Ah aquela festa, ainda rende...- disse Ozzy mau humorado e eu continuei:
- Eu estava com a Leo, e acabamos bebendo muito, enquanto andavamos pelo vilarejo e ao final da noite, acabamos num quarto da Luxury.- Ozzy e Lucian arregalaram os olhos:
- Não olhem assim, não aconteceu nada. Quer dizer quase nada.
- Mas você disse que não lembrava sequer o nome da garota... E que vocês...Então não rolou nada 'sério'? – disse Ozzy um pouco decepcionado.
- Eu não podia dizer para a Leo que lembrava do que tinha acontecido, ela já estava surtada.
- Não podia ou será que você não queria dar esperanças a ela, Marcus?- disse Lucian sério e eu fiquei sem jeito.
- Eu não sei ok? Eu me senti confuso e quando me vi saindo debaixo de um chuveiro frio e ela me olhando assustada, achei melhor não complicar para o meu lado. Egoísta? Sim, mas a Leo é diferente das outras garotas...
- Sim, pelo menos uns 15 kilos.
- Oscar, isso nao tem graça.- disse Lucian e Ozzy deu de ombros.
- Enfim, você está a fim da gordinha.Cara, você sabe que se resolver assumir a Leo, vai gastar mais com comida não sabe?
- Não seja grosseiro Ozzy, a Leonora é...
- Muito bem, senhor aspirante a Tolkien, diz ai que a Leonora seria uma namorada legal, sem se arrepiar.
- A Leonora é uma garota peculiar, com alguns defeitos mas tem seus encantos. No fundo ela é...Interessante.- disse Lucian e Ozzy zombou:
- Háh! Palavras diferentes com o mesmo significado: ela é pirada e se você quer viver, amigo, corra.
- Não liga para o que o Ozzy está dizendo, ele às vezes exagera. (vi Ozzy revirar os olhos). Acho que se você gosta da Leonora, deveria falar com ela, e se for de comum acordo, poderiam começar algo sério. O que não pode é você querer sair no braço com o Damon, bancando o namorado ciumento, sem nunca ter sido.
- Não seja estraga prazeres Lucian, se ele quer bater no Damon no campo, nós não vamos impedir, tensão demais faz mal.E Lucian tem razão, chega logo na Leonora e resolve isso, o pior que pode acontecer, é ela rir na sua cara, enquanto mastiga seu coração com catchup.Vamos para o treino, agora é questão de honra vencer Hogwarts.
Ficamos um tempo maior em campo e acabei não encontrando Leonora naquele dia.
-o-o-o-o-o
Depois da semifinal do Trancabola
Após o jogo em que vencemos Hogwarts, com um touchdown incrível, estavamos comemorando quando senti alguém puxar o meu braço.Virei-me e era Leonora.
- O que foi aquilo Finn?- ela quis saber e eu a abracei girando com ela.
- Um jogo oras. Vencemos Leozinha, vamos disputar a final.
- Eu sei que vão, mas eu quero saber porque você bateu tanto no Damon.Não precisava daquela violência toda...
- Porquê? Ele foi reclamar com você? Frouxo ¬¬
- Finnegan, eu não ajudo a fazer uma coluna de fofocas em Durmstrang à toa. As pessoas falam e andei ouvindo que vocês dois se estranharam ontem, quero saber o porquê, foi por alguma garota?
- Ele estava te traindo e eu disse a ele que ninguem fazia a minha amiga de tola.
- Você fez o quê? Ou melhor quem lhe deu este direito?- ela me perguntou e parecia irritada.
- Somos amigos, Leonora e ninguém vai te fazer de idiota e...
- O que rola entre Damon e eu, é assunto nosso, e ninguém tem que se meter nisso. Ou você acha que eu não sei que ele sai com outras garotas? Finn, achei que você me considerasse inteligente.
- Quer dizer que você sabia disso este tempo todo? Não sabia que você gostava do tipo cafajeste.- disse azedo e ela respondeu:
- Eu não tenho tipo, eu tenho pressa. E embora não pareça, eu ja tenho um pai e ele não se mete em minha vida, ok?
- Eu achei que estava te protegendo...Nós somos amigos, não quero ninguém magoando você...- eu disse e ela riu.
- Eu lhe pedi proteção? Eu sei me defender muito bem, e você sabe disso.E Finn, são poucas as pessoas que têm a capacidade de me magoar e Damon não é uma delas. - ela se virou e eu a segurei pelo braço.
-Aonde você vai? Venha celebrar a vitória conosco.- pedi mas o olhar dela me fez solta-la.
-Fico muito feliz por vocês, mas eu vou ficar com Damon já estava combinado.E você já tem a sua companhia.- nesta hora uma garota da escola australiana, que eu havia ficado apareceu e sorriu calorosa para Leo, que deu um sorrisinho forçado e foi embora.
- Atrapalhei alguma coisa?
- Não, ela é.... minha amiga.- sai com ela dali e resolvi que não iria me incomodar mais com a Leonora.
Ter algo sério com ela? Além de amizade? Não, Ozzy tem razão, eu levei uma pancada na cabeça e andei confundindo as coisas, mas a vontade de socar Damon Salvatore, quando o vi do outro lado do campo, abraçado a ela, ainda era muito grande.
Algumas anotações de Marcus Finnegan
Eu estava indo em direção ao campo de Trancabola para encontrar o resto do time, quando encontrei o amigo da Leo, Damon, abraçado a uma garota loira. Preciam muito proximos, achei um absurdo, e me aproximei:
- Hey Damon, preciso falar com você. È importante.- disse firme. Ele me olhou curioso e disse para a garota:
- Depois nos vemos, Gabi!- e a beijou e a menina saiu toda sorridente.
- O que você quer? Espero que seja realmente importante, porque aquela garota me deu trabalho, francesas são muito desconfiadas e Gabriela é mais ainda.
- Damon, você não está saindo com a Leonora?
- Porque quer saber? Está saindo com ela também?
- Não, eu sou amigo dela e me preocupo que ela esteja fazendo papel de boba com você.- ele me olhou e riu:
- Você deve ter um vida social nula, para se meter no que não é de sua conta.E Leonora e eu temos algo que não diz respeito a ninguem, aliás, você não nos entenderia.
- Mas você é muito canalha mesmo, eu devia era partir a sua cara.- eu disse nervoso e não percebi que Ozzy e Lucian estavam perto de mim, tentando me conter. Alguns amigos de Damon se aproximaram, e eu queria brigar. Após discutirmos e ele me provocar a ponto de eu querer partir pra cima dele, Ozzy e Lucian me arrastaram dali para evitar uma punição pelo nosso diretor que estava por perto.
- Finn, o que foi aquilo? Você não costuma perder a cabeça à toa.- disse Lucian.
- À toa? Aquele Damon é um sacana de marca maior. Tem saído com a Leonora e eu o encontro aos beijos com uma garota de Beauxbatons. Ninguém faz amiga minha de idiota.- De repente escutei a risada de Ozzy:
- Você estava tomando as dores da Leonora? Da Leonora? O sol realmente te afetou. Se alguém tenta fazer aquela garota de besta, tá pedindo pra morrer.
- Finn, a Leonora não é tão indefesa assim, nós todos sabemos do que ela é capaz, e ela conhece este Damon há tempos não é?- disse Lucian e Finn respondeu:
- Leo esta sendo enganada, eu não vou ficar quieto, vendo aquele babaca a fazer de idiota. Alguém precisa abrir os olhos dela. – e Ozzy o encarou parando de rir:
- Ah, Finn...Você gosta da gordinha.Diga que isso começou quando o Lukas te acertou o ‘puck’ que eu acerto outro em você e tudo volta ao normal.
- Claro que não... quer dizer ela é minha amiga e eu defendo os meus amigos.
-Finn, sou obrigado a concordar com o Ozzy. Esta sua reação, é a de alguém que gosta românticamente de outra. E quando isso começou? Vocês são amigos há anos...
- E a Leonora não é tão indefesa assim,pow ela anda com a Parvati e o Robert, sabe que eles não são chamados de ‘Twisted Sisters’ à toa. E repetindo: quando esta ‘preocupação’ começou?- disse Ozzy.
- Lembram do Halloween??
- Ah aquela festa, ainda rende...- disse Ozzy mau humorado e eu continuei:
- Eu estava com a Leo, e acabamos bebendo muito, enquanto andavamos pelo vilarejo e ao final da noite, acabamos num quarto da Luxury.- Ozzy e Lucian arregalaram os olhos:
- Não olhem assim, não aconteceu nada. Quer dizer quase nada.
- Mas você disse que não lembrava sequer o nome da garota... E que vocês...Então não rolou nada 'sério'? – disse Ozzy um pouco decepcionado.
- Eu não podia dizer para a Leo que lembrava do que tinha acontecido, ela já estava surtada.
- Não podia ou será que você não queria dar esperanças a ela, Marcus?- disse Lucian sério e eu fiquei sem jeito.
- Eu não sei ok? Eu me senti confuso e quando me vi saindo debaixo de um chuveiro frio e ela me olhando assustada, achei melhor não complicar para o meu lado. Egoísta? Sim, mas a Leo é diferente das outras garotas...
- Sim, pelo menos uns 15 kilos.
- Oscar, isso nao tem graça.- disse Lucian e Ozzy deu de ombros.
- Enfim, você está a fim da gordinha.Cara, você sabe que se resolver assumir a Leo, vai gastar mais com comida não sabe?
- Não seja grosseiro Ozzy, a Leonora é...
- Muito bem, senhor aspirante a Tolkien, diz ai que a Leonora seria uma namorada legal, sem se arrepiar.
- A Leonora é uma garota peculiar, com alguns defeitos mas tem seus encantos. No fundo ela é...Interessante.- disse Lucian e Ozzy zombou:
- Háh! Palavras diferentes com o mesmo significado: ela é pirada e se você quer viver, amigo, corra.
- Não liga para o que o Ozzy está dizendo, ele às vezes exagera. (vi Ozzy revirar os olhos). Acho que se você gosta da Leonora, deveria falar com ela, e se for de comum acordo, poderiam começar algo sério. O que não pode é você querer sair no braço com o Damon, bancando o namorado ciumento, sem nunca ter sido.
- Não seja estraga prazeres Lucian, se ele quer bater no Damon no campo, nós não vamos impedir, tensão demais faz mal.E Lucian tem razão, chega logo na Leonora e resolve isso, o pior que pode acontecer, é ela rir na sua cara, enquanto mastiga seu coração com catchup.Vamos para o treino, agora é questão de honra vencer Hogwarts.
Ficamos um tempo maior em campo e acabei não encontrando Leonora naquele dia.
-o-o-o-o-o
Depois da semifinal do Trancabola
Após o jogo em que vencemos Hogwarts, com um touchdown incrível, estavamos comemorando quando senti alguém puxar o meu braço.Virei-me e era Leonora.
- O que foi aquilo Finn?- ela quis saber e eu a abracei girando com ela.
- Um jogo oras. Vencemos Leozinha, vamos disputar a final.
- Eu sei que vão, mas eu quero saber porque você bateu tanto no Damon.Não precisava daquela violência toda...
- Porquê? Ele foi reclamar com você? Frouxo ¬¬
- Finnegan, eu não ajudo a fazer uma coluna de fofocas em Durmstrang à toa. As pessoas falam e andei ouvindo que vocês dois se estranharam ontem, quero saber o porquê, foi por alguma garota?
- Ele estava te traindo e eu disse a ele que ninguem fazia a minha amiga de tola.
- Você fez o quê? Ou melhor quem lhe deu este direito?- ela me perguntou e parecia irritada.
- Somos amigos, Leonora e ninguém vai te fazer de idiota e...
- O que rola entre Damon e eu, é assunto nosso, e ninguém tem que se meter nisso. Ou você acha que eu não sei que ele sai com outras garotas? Finn, achei que você me considerasse inteligente.
- Quer dizer que você sabia disso este tempo todo? Não sabia que você gostava do tipo cafajeste.- disse azedo e ela respondeu:
- Eu não tenho tipo, eu tenho pressa. E embora não pareça, eu ja tenho um pai e ele não se mete em minha vida, ok?
- Eu achei que estava te protegendo...Nós somos amigos, não quero ninguém magoando você...- eu disse e ela riu.
- Eu lhe pedi proteção? Eu sei me defender muito bem, e você sabe disso.E Finn, são poucas as pessoas que têm a capacidade de me magoar e Damon não é uma delas. - ela se virou e eu a segurei pelo braço.
-Aonde você vai? Venha celebrar a vitória conosco.- pedi mas o olhar dela me fez solta-la.
-Fico muito feliz por vocês, mas eu vou ficar com Damon já estava combinado.E você já tem a sua companhia.- nesta hora uma garota da escola australiana, que eu havia ficado apareceu e sorriu calorosa para Leo, que deu um sorrisinho forçado e foi embora.
- Atrapalhei alguma coisa?
- Não, ela é.... minha amiga.- sai com ela dali e resolvi que não iria me incomodar mais com a Leonora.
Ter algo sério com ela? Além de amizade? Não, Ozzy tem razão, eu levei uma pancada na cabeça e andei confundindo as coisas, mas a vontade de socar Damon Salvatore, quando o vi do outro lado do campo, abraçado a ela, ainda era muito grande.
Wednesday, December 08, 2010
Austrália, Novembro de 2014
- Calma, cara! – segurei meu irmão pelo ombro, enquanto ele pulava inquieto no mesmo lugar – Não vai com muita sede ao pote, é preciso ter cautela!
- Só quero fazer o loirinho beijar a lona, e rápido – ele respondeu agitado e segurei o riso.
- E você vai, mas se sair daqui feito um touro de novo pode acabar perdendo – o sacudi forte e o obriguei a parar um instante e me encarar – Sei que você é bom e pode vencer, então segura a onda e volta pra lá concentrado!
- Boa sorte, Ed! – a irmã de Parvati deu um beijo no rosto do meu irmão e vi ele corar.
- Boa sorte, cara! – Lawfer, o irmão de Lucian, deu um soco em seu ombro e ele se sacudiu, voltando para o ringue.
A luta era final do Boxe 13 a 14 anos masculino e meu irmão disputava a medalha de ouro contra um garoto de Hogwarts chamado Alucard Chronos. Ele tinha uma torcida fiel e era muito bom, mas meu irmão era um garoto de 14 anos hiperativo e extremamente bruto, aquele esporte foi feito pra ele. E ele já havia perdido para aquele mesmo garoto na final do Karatê, então era uma questão de honra para o meu irmão.
Era o 4º e último round e Edgar e Alucard se cercavam no ringue, arriscando golpes rápidos. Alucard acertou meu irmão com um direito, mas Edgar se recuperou depressa e partiu pra cima dele com uma seqüência de ganchos que o deixaram tonto. Quando ele ameaçou reagir com um cruzado, Edgar desferiu um Jab certeiro e o garoto foi a nocaute. O juiz contou até cinco e como ele não levantou, ergueu o braço direito do meu irmão. O ouro era de Durmstrang.
- Vamos, vamos! – gritava em incentivo à equipe, que vinha patinando logo atrás de mim – Mais duas voltas!
Patinava ao redor do rinque oval com Jack, Oleg e Lucian enfileirados atrás de mim, e começávamos nossa penúltima volta na final da Patinação de Velocidade. Já havia conquistado o ouro na prova individual na tarde anterior e agora estávamos dominando a prova em equipe. Atrás da gente vinha a equipe americana e eles se achavam os donos do gelo, gritando USA antes da corrida começar e se exibindo de nariz em pé, mas agora estavam descobrindo quem eram os verdadeiros reis.
Entramos na última volta com uma vantagem de três homens para o líder da equipe deles, e aquilo era muito na patinação. Foi muito fácil manter a posição e quando cruzamos a linha de chegada em primeiro, gritamos “Durmstrang” em alto e bom som, encarando a torcida americana. A equipe da Coréia do Sul cruzou a linha em terceiro lugar e foi muito aplaudida pelas outras torcidas.
Aquela era minha segunda medalha de ouro, e a quarta ao todo. A equipe da canoagem era a mesma da patinação e ficamos com a medalha de prata, chegamos logo atrás da equipe de Hogwarts. E também tinha conquistado a medalha de bronze ainda na canoagem, mas com o caiaque em dupla. Disputei essa prova com meu irmão e chegamos colados com a dupla de Beauxbatons. O ouro ficou com Derek e Yanic.
Chegar em segundo e terceiro lugar não era ruim, era uma medalha a mais na coleção e não tinha ficado chateado com nenhuma dessas colocações. Minha decepção mesmo nas Olimpíadas foi o triatlo. Consegui cruzar a linha de chegada em 6º lugar e estava bastante satisfeito com o tempo que havia feito, até Alec me lembrar da aposta que tinha feito com Parvati, e que ela havia ganhado uma medalha de bronze na mesma modalidade. Minha satisfação por ter quebrado meu próprio recorde no esporte evaporou na mesma hora. Servir de elfo doméstico para ela durante uma semana seria uma coisa muito desagradável, ainda mais com as coisas do jeito que estavam entre nós dois. Se antes eram ruins, depois do Halloween estavam ainda piores.
- Bem feito, sabia? – Julie falou enquanto terminava de se maquiar – Eu disse para não provocá-la, mas você me ouviu? Claro que não. Agora vai ter que agüentar.
- Eu sei, não vou fugir da aposta, tenho palavra.
- Está pronta? – Alec apareceu no camarim já arrumado – Somos os próximos.
- Sim, estou pronta – Julie levantou com um salto, respirando fundo – Seja o que Merlin quiser.
- Vocês vão se sair bem, vamos estar torcendo da arquibancada – dei um beijo no rosto dela e Alec me encarou de braços cruzados, então fiz o mesmo com ele – Boa sorte!
Sai do vestiário e caminhei com Robert até onde a torcida de Durmstrang estava concentrada. Era a final da Patinação Artística e Alec e Julie haviam se classificado em 3º lugar para ela, então agora era a hora de não errar e conquistar duas posições. Ele foi se sentar com Leo e Parvati e sentei ao lado de Oleg, que estava mais nervoso que o irmão. Era muito legal a relação que os dois tinham. Independente do que fosse, um sempre apoiava o outro e sofria junto quando as coisas não saiam como o esperado.
Quando o locutor anunciou o próximo casal a se apresentar e Alec e Julie entraram de mãos dadas no gelo, começamos a gritar e aplaudir. Vi Julie sorrir nervosa na nossa direção, mas fizemos sinal de positivo com as mãos e ela relaxou o sorriso. Eles usavam uma roupa com as cores de Durmstrang e quando o juiz autorizou o inicio da apresentação, tivemos uma surpresa. A musica escolhida para a final havia sido Bohemian Rhapsody, do Queen. Uma escolha no mínimo excêntrica, mas que se mostrou excelente.
Eu não entendia nada de patinação artística, não sabia como eram as regras e que movimentos ou piruetas contavam mais pontos, mas pra mim eles estavam indo muito bem. Os dois se moviam de acordo com a música e a cada passo mais complicado a arquibancada aplaudia. Alec e Julie nos surpreenderam com a sutileza dos movimentos, que eram de uma sincronia de dar inveja a qualquer um. Quando ele agarrou as mãos dela e começaram a girar rápido no gelo, a torcida de Durmstrang veio abaixo. Foi uma espera longa e torturante até que todas as duplas terminassem de se apresentar e as notas saíssem, mas compensou. Eles haviam conquistado o ouro, batendo duplas como a do Canadá e da China, que eram consideradas as favoritas.
- Vocês foram demais! – falávamos todos ao mesmo tempo quando os encontramos depois da premiação.
- Que orgulho da minha cópia! – Oleg abraçou o irmão.
- Foi muito bom mesmo, mas agora está na hora de abandonar a delicadeza, porque precisamos de vocês dois em campo – Jack falou abraçando a irmã.
- É isso ai, é hora de jogar pesado – falei com um sorriso maldoso no rosto.
O pensamento era unânime: aquela medalha no Trancabola ia ser nossa, custe o que custar.
A final do Trancabola foi contra o time da Noruega, mas antes de chegar nela tivemos uma semifinal histórica contra Hogwarts. O time deles estava bem organizado e contava com Elena Kovac, antiga aluna de Durmstrang muito melhor que muitos garotos do time dela, mas nós tínhamos Julie do nosso lado. Ela foi à responsável por marcar duro em cima de Elena e fez um trabalho excelente. Sempre que a goles era arremessada para ela, Julie vinha como um touro e interceptava o passe derrubando-a e permitindo que recuperássemos a posse. Depois de uma boa quantidade de passes interceptados, os garotos pararam de tentar lhe passar a goles.
Edgar era nosso melhor running back e ficava a cargo dele finalizar a maioria das jogadas, e por isso estava sendo marcado por um moleque magro e alto chamado Salvatore e por um mais baixo, mas forte, chamado Thruston. Os dois não davam uma trégua e quando bloquearam um passe de Edgar que o lançou a quase dois metros de distancia, eu me enfureci. Estávamos a um touchdown de vencer a partida e eu não ia permitir que aqueles dois estragassem nossa festa.
- Ok, a jogada é a seguinte – reuni o time na condição de quarterback para passar a jogada – Shotgun no três.
- Você está louco? Nada passa pelos linebackers deles! – Derek chamou minha atenção.
- Acho que Finn pode cuidar do Salvatore, certo Finn? – e ele assentiu, com cara de quem queria ver sangue – Derek e Finn cuidam do Salvatore, Oleg e eu cuidamos do Thruston. Quando a goles já estiver em jogo, passem pro Edgar, ele sabe o que fazer. Quero todo o time limpando o caminho para ele.
O time se separou da roda e entrou em formação. Quando Yanic colocou a goles em jogo, colocamos a jogada em prática. Edgar correu para o outro lado do campo com a goles protegida debaixo do braço e Salvatore e Thruston já corriam como dois búfalos em sua direção. A divisão da jogada foi quase tão sincronizada quanto à apresentação de Alec e Julie. Derek e Finn se atiraram contra o corpo do Salvatore e ele foi esmagado pelos dois, ficando colado na grama sem conseguir se mover. Oleg e eu colocamos toda a força que tínhamos no impacto com Thruston. O choque foi tão violento que o capacete dele voou para longe e ele ficou estirado no chão como uma banana amassada, gemendo de dor.
Edgar conseguiu passar pelos linebackers tombados saltando por cima deles e foi à vez do resto do time limpar o caminho para ele. Cada um que corria na sua direção era arremessado pra longe. Jack e Lucian bateram de frente com Johnny Weasley com tanta vontade que ele foi parar do lado de fora do campo, Noah e Leonard derrubaram um loirinho chamado Zach Walker, que quase teve o ombro deslocado, e Alec e Orion tiraram Julian McGregor e Justin Silverhorn de percurso bem na hora que eles iam derrubar Edgar. Com os running back deles no chão, meu irmão conseguiu chegar à End Zone e jogar a goles dentro do caldeirão. Como já não havia mais tempo para Hogwarts se recuperar, o juiz apitou o final da partida e avançamos para a final.
Na final nós atropelamos os noruegueses como tratores passando por cima de carros e conquistamos o ouro. Eu disse aquela medalha ia ser nossa, independente do que custasse. No caso dos dois últimos jogos, deve ter custado alguns ombros deslocados e ossos quebrados, mas quem disse que Trancabola é esporte para fracos?
- Calma, cara! – segurei meu irmão pelo ombro, enquanto ele pulava inquieto no mesmo lugar – Não vai com muita sede ao pote, é preciso ter cautela!
- Só quero fazer o loirinho beijar a lona, e rápido – ele respondeu agitado e segurei o riso.
- E você vai, mas se sair daqui feito um touro de novo pode acabar perdendo – o sacudi forte e o obriguei a parar um instante e me encarar – Sei que você é bom e pode vencer, então segura a onda e volta pra lá concentrado!
- Boa sorte, Ed! – a irmã de Parvati deu um beijo no rosto do meu irmão e vi ele corar.
- Boa sorte, cara! – Lawfer, o irmão de Lucian, deu um soco em seu ombro e ele se sacudiu, voltando para o ringue.
A luta era final do Boxe 13 a 14 anos masculino e meu irmão disputava a medalha de ouro contra um garoto de Hogwarts chamado Alucard Chronos. Ele tinha uma torcida fiel e era muito bom, mas meu irmão era um garoto de 14 anos hiperativo e extremamente bruto, aquele esporte foi feito pra ele. E ele já havia perdido para aquele mesmo garoto na final do Karatê, então era uma questão de honra para o meu irmão.
Era o 4º e último round e Edgar e Alucard se cercavam no ringue, arriscando golpes rápidos. Alucard acertou meu irmão com um direito, mas Edgar se recuperou depressa e partiu pra cima dele com uma seqüência de ganchos que o deixaram tonto. Quando ele ameaçou reagir com um cruzado, Edgar desferiu um Jab certeiro e o garoto foi a nocaute. O juiz contou até cinco e como ele não levantou, ergueu o braço direito do meu irmão. O ouro era de Durmstrang.
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- Vamos, vamos! – gritava em incentivo à equipe, que vinha patinando logo atrás de mim – Mais duas voltas!
Patinava ao redor do rinque oval com Jack, Oleg e Lucian enfileirados atrás de mim, e começávamos nossa penúltima volta na final da Patinação de Velocidade. Já havia conquistado o ouro na prova individual na tarde anterior e agora estávamos dominando a prova em equipe. Atrás da gente vinha a equipe americana e eles se achavam os donos do gelo, gritando USA antes da corrida começar e se exibindo de nariz em pé, mas agora estavam descobrindo quem eram os verdadeiros reis.
Entramos na última volta com uma vantagem de três homens para o líder da equipe deles, e aquilo era muito na patinação. Foi muito fácil manter a posição e quando cruzamos a linha de chegada em primeiro, gritamos “Durmstrang” em alto e bom som, encarando a torcida americana. A equipe da Coréia do Sul cruzou a linha em terceiro lugar e foi muito aplaudida pelas outras torcidas.
Aquela era minha segunda medalha de ouro, e a quarta ao todo. A equipe da canoagem era a mesma da patinação e ficamos com a medalha de prata, chegamos logo atrás da equipe de Hogwarts. E também tinha conquistado a medalha de bronze ainda na canoagem, mas com o caiaque em dupla. Disputei essa prova com meu irmão e chegamos colados com a dupla de Beauxbatons. O ouro ficou com Derek e Yanic.
Chegar em segundo e terceiro lugar não era ruim, era uma medalha a mais na coleção e não tinha ficado chateado com nenhuma dessas colocações. Minha decepção mesmo nas Olimpíadas foi o triatlo. Consegui cruzar a linha de chegada em 6º lugar e estava bastante satisfeito com o tempo que havia feito, até Alec me lembrar da aposta que tinha feito com Parvati, e que ela havia ganhado uma medalha de bronze na mesma modalidade. Minha satisfação por ter quebrado meu próprio recorde no esporte evaporou na mesma hora. Servir de elfo doméstico para ela durante uma semana seria uma coisa muito desagradável, ainda mais com as coisas do jeito que estavam entre nós dois. Se antes eram ruins, depois do Halloween estavam ainda piores.
- Bem feito, sabia? – Julie falou enquanto terminava de se maquiar – Eu disse para não provocá-la, mas você me ouviu? Claro que não. Agora vai ter que agüentar.
- Eu sei, não vou fugir da aposta, tenho palavra.
- Está pronta? – Alec apareceu no camarim já arrumado – Somos os próximos.
- Sim, estou pronta – Julie levantou com um salto, respirando fundo – Seja o que Merlin quiser.
- Vocês vão se sair bem, vamos estar torcendo da arquibancada – dei um beijo no rosto dela e Alec me encarou de braços cruzados, então fiz o mesmo com ele – Boa sorte!
Sai do vestiário e caminhei com Robert até onde a torcida de Durmstrang estava concentrada. Era a final da Patinação Artística e Alec e Julie haviam se classificado em 3º lugar para ela, então agora era a hora de não errar e conquistar duas posições. Ele foi se sentar com Leo e Parvati e sentei ao lado de Oleg, que estava mais nervoso que o irmão. Era muito legal a relação que os dois tinham. Independente do que fosse, um sempre apoiava o outro e sofria junto quando as coisas não saiam como o esperado.
Quando o locutor anunciou o próximo casal a se apresentar e Alec e Julie entraram de mãos dadas no gelo, começamos a gritar e aplaudir. Vi Julie sorrir nervosa na nossa direção, mas fizemos sinal de positivo com as mãos e ela relaxou o sorriso. Eles usavam uma roupa com as cores de Durmstrang e quando o juiz autorizou o inicio da apresentação, tivemos uma surpresa. A musica escolhida para a final havia sido Bohemian Rhapsody, do Queen. Uma escolha no mínimo excêntrica, mas que se mostrou excelente.
Eu não entendia nada de patinação artística, não sabia como eram as regras e que movimentos ou piruetas contavam mais pontos, mas pra mim eles estavam indo muito bem. Os dois se moviam de acordo com a música e a cada passo mais complicado a arquibancada aplaudia. Alec e Julie nos surpreenderam com a sutileza dos movimentos, que eram de uma sincronia de dar inveja a qualquer um. Quando ele agarrou as mãos dela e começaram a girar rápido no gelo, a torcida de Durmstrang veio abaixo. Foi uma espera longa e torturante até que todas as duplas terminassem de se apresentar e as notas saíssem, mas compensou. Eles haviam conquistado o ouro, batendo duplas como a do Canadá e da China, que eram consideradas as favoritas.
- Vocês foram demais! – falávamos todos ao mesmo tempo quando os encontramos depois da premiação.
- Que orgulho da minha cópia! – Oleg abraçou o irmão.
- Foi muito bom mesmo, mas agora está na hora de abandonar a delicadeza, porque precisamos de vocês dois em campo – Jack falou abraçando a irmã.
- É isso ai, é hora de jogar pesado – falei com um sorriso maldoso no rosto.
O pensamento era unânime: aquela medalha no Trancabola ia ser nossa, custe o que custar.
ºººººº
A final do Trancabola foi contra o time da Noruega, mas antes de chegar nela tivemos uma semifinal histórica contra Hogwarts. O time deles estava bem organizado e contava com Elena Kovac, antiga aluna de Durmstrang muito melhor que muitos garotos do time dela, mas nós tínhamos Julie do nosso lado. Ela foi à responsável por marcar duro em cima de Elena e fez um trabalho excelente. Sempre que a goles era arremessada para ela, Julie vinha como um touro e interceptava o passe derrubando-a e permitindo que recuperássemos a posse. Depois de uma boa quantidade de passes interceptados, os garotos pararam de tentar lhe passar a goles.
Edgar era nosso melhor running back e ficava a cargo dele finalizar a maioria das jogadas, e por isso estava sendo marcado por um moleque magro e alto chamado Salvatore e por um mais baixo, mas forte, chamado Thruston. Os dois não davam uma trégua e quando bloquearam um passe de Edgar que o lançou a quase dois metros de distancia, eu me enfureci. Estávamos a um touchdown de vencer a partida e eu não ia permitir que aqueles dois estragassem nossa festa.
- Ok, a jogada é a seguinte – reuni o time na condição de quarterback para passar a jogada – Shotgun no três.
- Você está louco? Nada passa pelos linebackers deles! – Derek chamou minha atenção.
- Acho que Finn pode cuidar do Salvatore, certo Finn? – e ele assentiu, com cara de quem queria ver sangue – Derek e Finn cuidam do Salvatore, Oleg e eu cuidamos do Thruston. Quando a goles já estiver em jogo, passem pro Edgar, ele sabe o que fazer. Quero todo o time limpando o caminho para ele.
O time se separou da roda e entrou em formação. Quando Yanic colocou a goles em jogo, colocamos a jogada em prática. Edgar correu para o outro lado do campo com a goles protegida debaixo do braço e Salvatore e Thruston já corriam como dois búfalos em sua direção. A divisão da jogada foi quase tão sincronizada quanto à apresentação de Alec e Julie. Derek e Finn se atiraram contra o corpo do Salvatore e ele foi esmagado pelos dois, ficando colado na grama sem conseguir se mover. Oleg e eu colocamos toda a força que tínhamos no impacto com Thruston. O choque foi tão violento que o capacete dele voou para longe e ele ficou estirado no chão como uma banana amassada, gemendo de dor.
Edgar conseguiu passar pelos linebackers tombados saltando por cima deles e foi à vez do resto do time limpar o caminho para ele. Cada um que corria na sua direção era arremessado pra longe. Jack e Lucian bateram de frente com Johnny Weasley com tanta vontade que ele foi parar do lado de fora do campo, Noah e Leonard derrubaram um loirinho chamado Zach Walker, que quase teve o ombro deslocado, e Alec e Orion tiraram Julian McGregor e Justin Silverhorn de percurso bem na hora que eles iam derrubar Edgar. Com os running back deles no chão, meu irmão conseguiu chegar à End Zone e jogar a goles dentro do caldeirão. Como já não havia mais tempo para Hogwarts se recuperar, o juiz apitou o final da partida e avançamos para a final.
Na final nós atropelamos os noruegueses como tratores passando por cima de carros e conquistamos o ouro. Eu disse aquela medalha ia ser nossa, independente do que custasse. No caso dos dois últimos jogos, deve ter custado alguns ombros deslocados e ossos quebrados, mas quem disse que Trancabola é esporte para fracos?
Friday, November 26, 2010
Lembranças de Lucian P. Valesti
- Lucian, Lis, Lenneth, Ozzy, Jack! – Ouvimos alguém nos chamar logo que a cerimônia de abertura havia terminado. Eu, Lenneth, Ozzy, Liseria, Olec, Alec, Jack e Julie nos viramos a tempo de ver Philip vindo correndo na nossa direção. Ele sorria e era acompanhado por outros 2 garotos.
- Phil! – Eu falei e nos abraçamos com força e depois ele abraçava todos os outros.
- Deixem apresentar: esses são Naploni e Lorenzo, são alguns dos meus amigos de Beuxbatons. E esses são meus amigos de Durmstrang, mas não vou dizer o nome de todos, são muitos! – Ele falou e os dois se apresentaram e foi mais uma longa rodada de apertos de mãos, enquanto todos sorriam.
- Phil, como você consegue correr com esse calor?! – Jack perguntou, se abanando com a mão.
- Esqueci, vocês não estão acostumados. Os verões da França podem ser quentes! – Ele falou rindo e fomos todos juntos para o refeitório, que era muito mais fresco. No caminho íamos todos conversando alegremente, colocando os assuntos em dia. Phil ia nos apresentando os outros amigos e colegas de Beauxbatons, que eram muitos, pois Phil sempre teve facilidade de fazer amigos.
------------------------------
- Como é que é?! – Phil perguntou, os olhos esbugalhados, enquanto conversávamos. Ele tinha acabado de ganhar a medalha de Prata no Karatê e ela ainda estava pendurada em seu peito. Depois da comemoração dele, decidi contar para ele o que aconteceu na festa de Halloween.
- É isso que você ouviu. – Eu suspirei, e contei novamente toda a história, uma vez que ele parecia não acreditar.
- Cara, como você beija uma garota que nem conhece?! Trocaram meu amigo! – Ele falou ainda surpreso.
- Eu fui beijado! Ok, retribui, mas a iniciativa não foi minha! – Eu falei na defensiva e ele gargalhou.
- Tudo bem, tudo bem. Mas você está guardando uma foto dela, isso é sério. Lucian, pára de procurá-la, isso só pode causar problemas a você e no seu namoro. Já imaginou o que a Liseria faria se descobrisse? Ela não ia se importar do fato de que você foi beijado.
- Eu sei. Mas não consigo deixar de pensar nisso. Quero saber quem foi e porque! – Eu respondi novamente, pois Ozzy e Lenneth já tinham falado a mesma coisa.
- Temos opções: ela fez isso só para mexer com essa sua cabeça de vento (e conseguiu), ou ela gosta de você, mas não quer falar, ou ela era doida e saiu beijando quem encontrava pela festa. – Ele falou e eu acabei rindo.
- Acredito na última opção. – Eu falei rindo e ele riu mais.
- Ou não... Eu sou mais a opção de que você tem uma admiradora secreta! – Ele falou. – Para quem mais você falou?
- Lenneth foi a primeira e o Ozzy encontrou a foto. – Eu expliquei e o seu olhar mudou um pouco, levantando a sobrancelha. – Precisava falar com alguma garota sobre isso e a Val é minha melhor amiga. Queria contar para o Aya também, mas pessoalmente.
- Tudo bem. Bom, vou guardar seu segredo também... O Aya ia querer fazer uma análise de você! – Ele falou rindo e imitando a voz de Ayala – “Lucian, você bebeu ou consumiu algo ilícito no dia?! Acho que não estava em seu estado normal... Posso tirar sangue para fazer testes?”
Eu gargalhei e logo voltamos para os chalés.
---------------------------
- Foi você! – Phil falou, acusador para Lenneth. Os dois estiveram torcendo por Lucian que competia na Natação, modalidade de 200m. Ele havia ganhado a prata, e o ouro ficara com um garoto de Hogwarts, cujo nome era Tuor. Phil e Lenneth aproveitaram enquanto os outros iam parabenizar Lucian para conversarem um pouco a sós.
- Do que está falando? – Ela perguntou evasiva.
- Não se faça de boba! Você sabe do que estou falando! O Lucian me contou ontem. E se ele te descobrisse, o que você ia fazer?!
- Ele não descobriu, está bem? Julie me ajudou e usamos vários feitiços para mudar a cor do meu cabelo e tudo mais. Além disso eu sabotei a neblina para me esconder. – Ela falou, derrotada, contando com detalhes para o amigo. Phil ouviu calado, mas no final abriu um sorriso.
- E aí, como é beijar o seu amado, hein? – Ele perguntou e Lenneth ficou tão vermelha quanto seus cabelos. – Mas e agora, o que vai fazer? Ele quer descobrir quem é a garota.
- Ele não vai descobrir. Mas agora, eu vou uma vez mais tentar encontrar outro garoto. Tem um que está afim de mim.
- Não é difícil ter alguém afim de você. – Ele falou e ela ficou mais vermelha. – Quem é? Eu conheço?
- O Lucian te apresentou, é o Boris. Na verdade o Lucian diz que eu deveria ficar com ele.
- Bom, ele parece um cara legal e gostar de você. Dá uma chance a ele então.
- E se não funcionar de novo, Phil? Já perdi as contas de quantas vezes tentei esquecer o Lucian com outros... – Ela falou, e lágrimas surgiram em seus olhos. Phil a abraçou.
- Você não devia ter feito aquilo... Agora será ainda mais difícil esquecê-lo. – Ele falou o que Lenneth já percebera e ela começou a chorar mais, enquanto Phil a abraçava calado.
---------------------------
- Boa sorte, garotas! – Eu falei, beijando Lis nos lábios e beijando Lenneth no rosto. – Quero uma medalha!
As duas trocaram olhares animados e foram para os vestiários da quadra de tênis. As duas iriam competir na final contra a dupla de Hogwarts, Haley e Elizabeth. Liseria e Lenneth aceitaram competir juntas no Tênis de Dupla por sugestão de Lucian. No início foram contra, mas como ele insistiu, elas aceitaram e descobriram que tinham uma boa sincronia e logo chegaram as finais.
- Durmstrang! Vai L&L! – Gritavam Lucian e todos seus amigos. Todos torciam para a dupla de Durmstrang. Eles haviam improvisado cartazes que piscavam com o “L & L”, um dos L’s era amarelo e o outro vermelho, em alusão às duas competidoras.
- Olá, Patrick, veio torcer? – Eu perguntei, quando Patrick se sentou do meu lado.
- Não perderia por nada! Ela está linda! – Ele comentou, olhando para Lenneth que apertava a mão das competidoras de Hogwarts.
- Sim, está. E ai como andam as coisas com ela? – Perguntei curioso. Phil estava do meu lado e ouvia também. Lis e Lenneth bateram as raquetes no ar, enquanto Lis se preparava para o primeiro saque. Eu gritei seu nome em incentivo.
- Bom, na mesma. Desde que chegamos ela tem andado meio evasiva. – Ele falou, dando de ombros.
- Não desista. Ela é assim mesmo, mas dá pra perceber que você está conseguindo! – Phil o animou. – Seguinte, seja o primeiro a parabenizá-la no final da partida, não importa o placar! – Eu concordei e Patrick assentiu e vi seus olhos determinados e fiquei feliz, pois ele realmente gostava da Lenneth. Minha irmãzinha merecia alguém como ele.
O jogo foi equilibrado, porém a dupla de Hogwarts ganhou o primeiro set. No intervalo eu e Patrick corremos até onde elas descansavam e as incentivamos, e elas sorriram felizes. As duas conseguiram ganhar o outro set e ficaram empatadas. Hpgwarts acabou ganhando o ouro, pois ganharam o último set.
Assim que as medalhas foram distribuídas eu corri para elas, com os demais junto de mim. Abracei Liseria alegre, beijando-a enquanto levantava-a do chão com um abraço. Ela riu animada, enquanto eu a parabenizava-a. Patrick foi o primeiro a falar com Lenneth e a abraçou alegre. Ela ria também e para surpresa de todos, inclusive do Patrick, ela o beijou. Ele retribuiu o beijo enquanto todos nós batíamos palmas, comemorando.
-----------------------------
Foi um impulso. Quando vi Lucian vindo em nossa direção, percebi que ele iria parebenizar primeiro Lis e notei que isso sempre aconteceria. Ele tinha uma namorada, era feliz com ela. Não podia estragar a felicidade o meu melhor amigo, o garoto que eu amava. Então Patrick veio falar comigo, alegre e solidário. Eu o beijei.
Mas estava confusa.
O beijo de Patrick foi bom. Melhor do que os outros garotos que havia beijado. Seu beijo me tocou e mexeu comigo.
Mas não era o beijo de Lucian. Não era o Lucian.
Senti um aperto no peito ao perceber isso e as palavras de Phil ecoavam em minha cabeça. Mas não havia como voltar atrás. Eu daria uma chance a Patrick.
Consegui inventar uma desculpa, e com a ajuda de Julie, sai de perto de todos, e pedi que ela me deixasse um pouco sozinha. Ela me abraçou antes de voltar para os outros. Eu sai correndo dali, indo para um local que achei recentemente. Era num local escondido do lago, muito belo e calmo. Minhas lágrimas se perdiam no vento.
Mas o local não estava vazio e encontrei uma garota ali. Ela era muito bela, mais ou menos da minha altura, com intensos olhos azuis e cabelos castanhos. Ela chorava e seus olhos pareciam ainda mais belos. Ela tentou disfarçar quando cheguei, e sentei ao seu lado. Ambas tocadas por sentimentos confusos e semelhantes. Ambas tristes, perdidas e confusas.
Artemis. Uma amizade nasceu ali. Era esse o nome da garota, Artemis, e foi como se a presença dela me desse força para continuar e conseguir sair dali mais calma, mais decidida. Senti também que eu consegui de alguma forma acalmá-la e ajudá-la. Fiquei feliz.
Ninguém substituiria Lucian, eu sei disso. Mas não deixaria de dar uma chance a Patrick. Ele era especial também.
- Lucian, Lis, Lenneth, Ozzy, Jack! – Ouvimos alguém nos chamar logo que a cerimônia de abertura havia terminado. Eu, Lenneth, Ozzy, Liseria, Olec, Alec, Jack e Julie nos viramos a tempo de ver Philip vindo correndo na nossa direção. Ele sorria e era acompanhado por outros 2 garotos.
- Phil! – Eu falei e nos abraçamos com força e depois ele abraçava todos os outros.
- Deixem apresentar: esses são Naploni e Lorenzo, são alguns dos meus amigos de Beuxbatons. E esses são meus amigos de Durmstrang, mas não vou dizer o nome de todos, são muitos! – Ele falou e os dois se apresentaram e foi mais uma longa rodada de apertos de mãos, enquanto todos sorriam.
- Phil, como você consegue correr com esse calor?! – Jack perguntou, se abanando com a mão.
- Esqueci, vocês não estão acostumados. Os verões da França podem ser quentes! – Ele falou rindo e fomos todos juntos para o refeitório, que era muito mais fresco. No caminho íamos todos conversando alegremente, colocando os assuntos em dia. Phil ia nos apresentando os outros amigos e colegas de Beauxbatons, que eram muitos, pois Phil sempre teve facilidade de fazer amigos.
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- Como é que é?! – Phil perguntou, os olhos esbugalhados, enquanto conversávamos. Ele tinha acabado de ganhar a medalha de Prata no Karatê e ela ainda estava pendurada em seu peito. Depois da comemoração dele, decidi contar para ele o que aconteceu na festa de Halloween.
- É isso que você ouviu. – Eu suspirei, e contei novamente toda a história, uma vez que ele parecia não acreditar.
- Cara, como você beija uma garota que nem conhece?! Trocaram meu amigo! – Ele falou ainda surpreso.
- Eu fui beijado! Ok, retribui, mas a iniciativa não foi minha! – Eu falei na defensiva e ele gargalhou.
- Tudo bem, tudo bem. Mas você está guardando uma foto dela, isso é sério. Lucian, pára de procurá-la, isso só pode causar problemas a você e no seu namoro. Já imaginou o que a Liseria faria se descobrisse? Ela não ia se importar do fato de que você foi beijado.
- Eu sei. Mas não consigo deixar de pensar nisso. Quero saber quem foi e porque! – Eu respondi novamente, pois Ozzy e Lenneth já tinham falado a mesma coisa.
- Temos opções: ela fez isso só para mexer com essa sua cabeça de vento (e conseguiu), ou ela gosta de você, mas não quer falar, ou ela era doida e saiu beijando quem encontrava pela festa. – Ele falou e eu acabei rindo.
- Acredito na última opção. – Eu falei rindo e ele riu mais.
- Ou não... Eu sou mais a opção de que você tem uma admiradora secreta! – Ele falou. – Para quem mais você falou?
- Lenneth foi a primeira e o Ozzy encontrou a foto. – Eu expliquei e o seu olhar mudou um pouco, levantando a sobrancelha. – Precisava falar com alguma garota sobre isso e a Val é minha melhor amiga. Queria contar para o Aya também, mas pessoalmente.
- Tudo bem. Bom, vou guardar seu segredo também... O Aya ia querer fazer uma análise de você! – Ele falou rindo e imitando a voz de Ayala – “Lucian, você bebeu ou consumiu algo ilícito no dia?! Acho que não estava em seu estado normal... Posso tirar sangue para fazer testes?”
Eu gargalhei e logo voltamos para os chalés.
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- Foi você! – Phil falou, acusador para Lenneth. Os dois estiveram torcendo por Lucian que competia na Natação, modalidade de 200m. Ele havia ganhado a prata, e o ouro ficara com um garoto de Hogwarts, cujo nome era Tuor. Phil e Lenneth aproveitaram enquanto os outros iam parabenizar Lucian para conversarem um pouco a sós.
- Do que está falando? – Ela perguntou evasiva.
- Não se faça de boba! Você sabe do que estou falando! O Lucian me contou ontem. E se ele te descobrisse, o que você ia fazer?!
- Ele não descobriu, está bem? Julie me ajudou e usamos vários feitiços para mudar a cor do meu cabelo e tudo mais. Além disso eu sabotei a neblina para me esconder. – Ela falou, derrotada, contando com detalhes para o amigo. Phil ouviu calado, mas no final abriu um sorriso.
- E aí, como é beijar o seu amado, hein? – Ele perguntou e Lenneth ficou tão vermelha quanto seus cabelos. – Mas e agora, o que vai fazer? Ele quer descobrir quem é a garota.
- Ele não vai descobrir. Mas agora, eu vou uma vez mais tentar encontrar outro garoto. Tem um que está afim de mim.
- Não é difícil ter alguém afim de você. – Ele falou e ela ficou mais vermelha. – Quem é? Eu conheço?
- O Lucian te apresentou, é o Boris. Na verdade o Lucian diz que eu deveria ficar com ele.
- Bom, ele parece um cara legal e gostar de você. Dá uma chance a ele então.
- E se não funcionar de novo, Phil? Já perdi as contas de quantas vezes tentei esquecer o Lucian com outros... – Ela falou, e lágrimas surgiram em seus olhos. Phil a abraçou.
- Você não devia ter feito aquilo... Agora será ainda mais difícil esquecê-lo. – Ele falou o que Lenneth já percebera e ela começou a chorar mais, enquanto Phil a abraçava calado.
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- Boa sorte, garotas! – Eu falei, beijando Lis nos lábios e beijando Lenneth no rosto. – Quero uma medalha!
As duas trocaram olhares animados e foram para os vestiários da quadra de tênis. As duas iriam competir na final contra a dupla de Hogwarts, Haley e Elizabeth. Liseria e Lenneth aceitaram competir juntas no Tênis de Dupla por sugestão de Lucian. No início foram contra, mas como ele insistiu, elas aceitaram e descobriram que tinham uma boa sincronia e logo chegaram as finais.
- Durmstrang! Vai L&L! – Gritavam Lucian e todos seus amigos. Todos torciam para a dupla de Durmstrang. Eles haviam improvisado cartazes que piscavam com o “L & L”, um dos L’s era amarelo e o outro vermelho, em alusão às duas competidoras.
- Olá, Patrick, veio torcer? – Eu perguntei, quando Patrick se sentou do meu lado.
- Não perderia por nada! Ela está linda! – Ele comentou, olhando para Lenneth que apertava a mão das competidoras de Hogwarts.
- Sim, está. E ai como andam as coisas com ela? – Perguntei curioso. Phil estava do meu lado e ouvia também. Lis e Lenneth bateram as raquetes no ar, enquanto Lis se preparava para o primeiro saque. Eu gritei seu nome em incentivo.
- Bom, na mesma. Desde que chegamos ela tem andado meio evasiva. – Ele falou, dando de ombros.
- Não desista. Ela é assim mesmo, mas dá pra perceber que você está conseguindo! – Phil o animou. – Seguinte, seja o primeiro a parabenizá-la no final da partida, não importa o placar! – Eu concordei e Patrick assentiu e vi seus olhos determinados e fiquei feliz, pois ele realmente gostava da Lenneth. Minha irmãzinha merecia alguém como ele.
O jogo foi equilibrado, porém a dupla de Hogwarts ganhou o primeiro set. No intervalo eu e Patrick corremos até onde elas descansavam e as incentivamos, e elas sorriram felizes. As duas conseguiram ganhar o outro set e ficaram empatadas. Hpgwarts acabou ganhando o ouro, pois ganharam o último set.
Assim que as medalhas foram distribuídas eu corri para elas, com os demais junto de mim. Abracei Liseria alegre, beijando-a enquanto levantava-a do chão com um abraço. Ela riu animada, enquanto eu a parabenizava-a. Patrick foi o primeiro a falar com Lenneth e a abraçou alegre. Ela ria também e para surpresa de todos, inclusive do Patrick, ela o beijou. Ele retribuiu o beijo enquanto todos nós batíamos palmas, comemorando.
-----------------------------
Foi um impulso. Quando vi Lucian vindo em nossa direção, percebi que ele iria parebenizar primeiro Lis e notei que isso sempre aconteceria. Ele tinha uma namorada, era feliz com ela. Não podia estragar a felicidade o meu melhor amigo, o garoto que eu amava. Então Patrick veio falar comigo, alegre e solidário. Eu o beijei.
Mas estava confusa.
O beijo de Patrick foi bom. Melhor do que os outros garotos que havia beijado. Seu beijo me tocou e mexeu comigo.
Mas não era o beijo de Lucian. Não era o Lucian.
Senti um aperto no peito ao perceber isso e as palavras de Phil ecoavam em minha cabeça. Mas não havia como voltar atrás. Eu daria uma chance a Patrick.
Consegui inventar uma desculpa, e com a ajuda de Julie, sai de perto de todos, e pedi que ela me deixasse um pouco sozinha. Ela me abraçou antes de voltar para os outros. Eu sai correndo dali, indo para um local que achei recentemente. Era num local escondido do lago, muito belo e calmo. Minhas lágrimas se perdiam no vento.
Mas o local não estava vazio e encontrei uma garota ali. Ela era muito bela, mais ou menos da minha altura, com intensos olhos azuis e cabelos castanhos. Ela chorava e seus olhos pareciam ainda mais belos. Ela tentou disfarçar quando cheguei, e sentei ao seu lado. Ambas tocadas por sentimentos confusos e semelhantes. Ambas tristes, perdidas e confusas.
Artemis. Uma amizade nasceu ali. Era esse o nome da garota, Artemis, e foi como se a presença dela me desse força para continuar e conseguir sair dali mais calma, mais decidida. Senti também que eu consegui de alguma forma acalmá-la e ajudá-la. Fiquei feliz.
Ninguém substituiria Lucian, eu sei disso. Mas não deixaria de dar uma chance a Patrick. Ele era especial também.
Wednesday, November 24, 2010
Austrália, Novembro de 2014
- “Você vai se arrepender e vai ver que eu sou tudo, menos uma princesa indefesa” – Leo fez uma cara afetada e jogou o cabelo pra trás, arrancando gargalhadas minhas e de Robbie – Baixinha abusada, não acham?
- Foi ela que deixou essa marca no seu pulso? – Robbie puxou o braço dela, onde uma marca levemente avermelhada ainda era visível.
- É, a invocadinha é forte, mas eu também sou. Ela que não se atreva a vir de graça comigo, ou vai sentir o peso da mão de uma gordinha.
- Calma, Leo, rolar na grama por causa de um garoto é patético demais – falei enquanto prendia meu numero no maiô – Ainda se fosse alguma promoção de bolsas ou sapatos, dá pra relevar.
- Parv tem razão, deixe essa menina pra lá, está na cara que é pura dor de cotovelo – Robbie completou – Está com um irmão, mas quer o outro e ficou mordida porque a gordinha sexy está pegando o rapaz – e ele apertou a cintura dela, que começou a rir com a cosquinha.
- Ela está nessa prova de triatlo, não está? – perguntei com um sorriso perigoso no rosto e ela confirmou – Se quiser, posso garantir que ela não chegue ao pódio.
- Você vai atirar ela do alto da montanha? – Robbie arreganhou os olhos e rimos.
- Claro que não, mas posso tirar ela da pista sem problemas – dei de ombros, indiferente – Não sou tão delicada quanto aparento, costumava correr de bicicleta com Jack e Julie quando éramos crianças e as corridas sempre terminavam com fechadas bruscas e bicicletas descendo barrancos.
- Faça o que for preciso, mas dê um susto na princesinha - Leo consentiu, com um sorriso tão perigoso quanto o meu – Se acha que vai me ameaçar e vou ficar com medo, é porque não sabe mesmo quem eu sou.
Robbie soltou uma de suas gargalhadas idênticas às das bruxas de historinhas trouxas e começamos a rir escandalosamente, atraindo olhares assustados. Terminei de arrumar minhas coisas e eles caminharam comigo até a baia onde ficaria minha bicicleta e meu tênis de corrida, e nos separamos quando me posicionei próximo à largada. Aquela prova de triatlo era a mais importante pra mim, pois poderia me custar uma semana como elfa doméstica de Ozzy e eu não ia deixar aquilo acontecer. Precisava estar naquele pódio, e de preferência no lugar mais alto.
A prova estava indo bem pra mim, mas podia estar melhor. Desde a largada, quando nos atiramos no lago para percorrer os 750 metros da natação, estava conseguindo me manter entre as seis primeiras. A briga pelas duas primeiras posições estava acirrada entre duas meninas que estavam sempre mais a frente do resto do grupo, e eu oscilava no segundo grupo entre a 3ª e a 5ª posição.
Consegui sair da água em 4º lugar e passei para os 20 km de bicicleta. O percurso era todo em terreno irregular, o que dificultava um pouco as coisas. Havia treinado no terreno plano de Durmstrang, com pista lisa, e não estava acostumada a todos aqueles buracos e ladeiras. Os primeiros 10 km foram os mais sofridos. Pedalar morro acima não era tarefa fácil, minhas pernas gritavam por uma massagem enquanto colocava o máximo de força nos pedais, tentando alcançar a garota que ocupava a 3ª colocação.
Foi quando atingimos o cume da colina e o suor parou de escorrer como uma cachoeira que vi quem estava na minha frente. Era a garota que havia batido de frente com Leo. Agora estávamos em uma descida até a base, onde passaríamos para a última etapa da prova, e minha chance de tirar ela da jogada só se estendia por mais 10 km. Olhei rápido para trás e vi que tinha tomado certa dianteira da 5ª e da 6ª colocada. A garota não estava a mais que 5 metros à minha frente. Poderia facilmente ultrapassá-la e manter a posição até o final, ela já estava cansada, mas não queria. Botei mais força nas pernas e consegui alcançá-la. Não fiz nada mais que pedalar atrás dela por mais 4 km, até que atingimos uma curva aberta. Acelerei o máximo que pude e passei a frente, fechando sua bicicleta com um movimento brusco.
Já havia visto aquilo acontecer inúmeras vezes na minha infância. Ela se assustou com o vulto surgindo na sua frente pela direita e perdeu o controle do guidão, fazendo a bicicleta sair da pista e descer a encosta. Não era alto, ou não teria feito isso. Ela no máximo se arranharia um pouco e retornaria à corrida algumas posições atrás. A bicicleta dela ainda descia pela areia quando inclinei o corpo para pegar mais velocidade e alcançar a linha final da 2ª etapa. Já começava a ver pontinhos brilhantes quando avistei a baia para guardar a bicicleta.
Robbie e Leo começaram a pular enlouquecidos quando viram que eu estava em 3º lugar e não vinha ninguém atrás de mim. Larguei a bicicleta de qualquer jeito e disparei pela pista demarcada, para os últimos 5 km. As meninas que estavam nas duas primeiras colocações já estavam milhas à minha frente, não havia a menor possibilidade de alcançá-las, então minha meta era agarrar aquela medalha de bronze e torcer para que Ozzy não chegasse ao pódio.
- Vamos Parv! – ouvi Robbie gritar de um dos pontos de água que estava com Leo – Seremos seus massagistas de subir naquele pódio!
- Foco na medalha, foco na medalha! – Leo gritou também, me atirando uma garrafa d’água.
Consegui ter uma visão distante das duas garotas, já próximas da linha de chegada. Ainda faltavam 3 km pra mim e pela gritaria atrás, sabia que mais alguém tinha completado a 2ª etapa e agora corria para me alcançar. Não ousei olhar para trás ou ia me desesperar. 2 km. Agora via Jack, Julie e Alexis vibrando e me incentivando a continuar, pois estava quase no final.
1 km. Vi Robbie e Leo outra vez, e agora Lukas estava com eles. Um carrinho de golfe denunciava como meus amigos haviam chegado ali tão depressa. Robbie abriu o colete e vi uma camiseta com o emblema da Super Girl. Ele apontava para a camiseta e depois para mim. Era difícil não rir, mas dei apenas um sorriso discreto e me mantive focada.
500 m. 400 m. 300 m. 200 m. 100 m. Já estava vendo a linha de chegada. As duas garotas que estava na minha frente já comemoravam com os amigos e ignorei a dor que se espalhava pelo meu corpo inteiro, aumentando o ritmo da corrida. Não sabia de onde estava tirando forças para correr mais rápido, mas quando mais me aproximava daquela fita, mais vontade de acelerar eu tinha.
Quando cruzei a faixa e o placar mágico me anunciou oficialmente como a 3ª colocada, perdi as forças nas pernas e cai no chão. A grama estava quente como o inferno, mas não me importava, pra mim parecia uma nuvem. Podia ficar ali jogada no chão por horas, mas um par de mãos agarrou meus braços e me ergueu do chão. Estava vendo tantos pontinhos brilhantes que só percebi que era Lukas quando ele me beijou. Abracei-o quase sem forças e logo estava envolvida em um mar de mãos que bagunçavam meus cabelos e beijavam meu rosto. Robbie me atirou uma camiseta igual a que ele usava e vesti com um imenso sorriso no rosto.
No pódio, descobri que a menina que ganhou a medalha de ouro era da escola da Noruega, Milena Turgon, e quem ganhou a medalha de prata era uma garota de Hogwarts, Clara Lupin. A garota que havia fechado na descida da colina havia conseguido se recuperar e cruzou a linha de chegada em 4º lugar. Ela me encarava com um olhar assassino, mas estava pouco me lixando. Estava no pódio com uma linda e brilhante medalha de bronze no pescoço. Do meu ponto de vista, as olimpíadas não poderiam ter começado de um jeito melhor.
- “Você vai se arrepender e vai ver que eu sou tudo, menos uma princesa indefesa” – Leo fez uma cara afetada e jogou o cabelo pra trás, arrancando gargalhadas minhas e de Robbie – Baixinha abusada, não acham?
- Foi ela que deixou essa marca no seu pulso? – Robbie puxou o braço dela, onde uma marca levemente avermelhada ainda era visível.
- É, a invocadinha é forte, mas eu também sou. Ela que não se atreva a vir de graça comigo, ou vai sentir o peso da mão de uma gordinha.
- Calma, Leo, rolar na grama por causa de um garoto é patético demais – falei enquanto prendia meu numero no maiô – Ainda se fosse alguma promoção de bolsas ou sapatos, dá pra relevar.
- Parv tem razão, deixe essa menina pra lá, está na cara que é pura dor de cotovelo – Robbie completou – Está com um irmão, mas quer o outro e ficou mordida porque a gordinha sexy está pegando o rapaz – e ele apertou a cintura dela, que começou a rir com a cosquinha.
- Ela está nessa prova de triatlo, não está? – perguntei com um sorriso perigoso no rosto e ela confirmou – Se quiser, posso garantir que ela não chegue ao pódio.
- Você vai atirar ela do alto da montanha? – Robbie arreganhou os olhos e rimos.
- Claro que não, mas posso tirar ela da pista sem problemas – dei de ombros, indiferente – Não sou tão delicada quanto aparento, costumava correr de bicicleta com Jack e Julie quando éramos crianças e as corridas sempre terminavam com fechadas bruscas e bicicletas descendo barrancos.
- Faça o que for preciso, mas dê um susto na princesinha - Leo consentiu, com um sorriso tão perigoso quanto o meu – Se acha que vai me ameaçar e vou ficar com medo, é porque não sabe mesmo quem eu sou.
Robbie soltou uma de suas gargalhadas idênticas às das bruxas de historinhas trouxas e começamos a rir escandalosamente, atraindo olhares assustados. Terminei de arrumar minhas coisas e eles caminharam comigo até a baia onde ficaria minha bicicleta e meu tênis de corrida, e nos separamos quando me posicionei próximo à largada. Aquela prova de triatlo era a mais importante pra mim, pois poderia me custar uma semana como elfa doméstica de Ozzy e eu não ia deixar aquilo acontecer. Precisava estar naquele pódio, e de preferência no lugar mais alto.
ºººººº
A prova estava indo bem pra mim, mas podia estar melhor. Desde a largada, quando nos atiramos no lago para percorrer os 750 metros da natação, estava conseguindo me manter entre as seis primeiras. A briga pelas duas primeiras posições estava acirrada entre duas meninas que estavam sempre mais a frente do resto do grupo, e eu oscilava no segundo grupo entre a 3ª e a 5ª posição.
Consegui sair da água em 4º lugar e passei para os 20 km de bicicleta. O percurso era todo em terreno irregular, o que dificultava um pouco as coisas. Havia treinado no terreno plano de Durmstrang, com pista lisa, e não estava acostumada a todos aqueles buracos e ladeiras. Os primeiros 10 km foram os mais sofridos. Pedalar morro acima não era tarefa fácil, minhas pernas gritavam por uma massagem enquanto colocava o máximo de força nos pedais, tentando alcançar a garota que ocupava a 3ª colocação.
Foi quando atingimos o cume da colina e o suor parou de escorrer como uma cachoeira que vi quem estava na minha frente. Era a garota que havia batido de frente com Leo. Agora estávamos em uma descida até a base, onde passaríamos para a última etapa da prova, e minha chance de tirar ela da jogada só se estendia por mais 10 km. Olhei rápido para trás e vi que tinha tomado certa dianteira da 5ª e da 6ª colocada. A garota não estava a mais que 5 metros à minha frente. Poderia facilmente ultrapassá-la e manter a posição até o final, ela já estava cansada, mas não queria. Botei mais força nas pernas e consegui alcançá-la. Não fiz nada mais que pedalar atrás dela por mais 4 km, até que atingimos uma curva aberta. Acelerei o máximo que pude e passei a frente, fechando sua bicicleta com um movimento brusco.
Já havia visto aquilo acontecer inúmeras vezes na minha infância. Ela se assustou com o vulto surgindo na sua frente pela direita e perdeu o controle do guidão, fazendo a bicicleta sair da pista e descer a encosta. Não era alto, ou não teria feito isso. Ela no máximo se arranharia um pouco e retornaria à corrida algumas posições atrás. A bicicleta dela ainda descia pela areia quando inclinei o corpo para pegar mais velocidade e alcançar a linha final da 2ª etapa. Já começava a ver pontinhos brilhantes quando avistei a baia para guardar a bicicleta.
Robbie e Leo começaram a pular enlouquecidos quando viram que eu estava em 3º lugar e não vinha ninguém atrás de mim. Larguei a bicicleta de qualquer jeito e disparei pela pista demarcada, para os últimos 5 km. As meninas que estavam nas duas primeiras colocações já estavam milhas à minha frente, não havia a menor possibilidade de alcançá-las, então minha meta era agarrar aquela medalha de bronze e torcer para que Ozzy não chegasse ao pódio.
- Vamos Parv! – ouvi Robbie gritar de um dos pontos de água que estava com Leo – Seremos seus massagistas de subir naquele pódio!
- Foco na medalha, foco na medalha! – Leo gritou também, me atirando uma garrafa d’água.
Consegui ter uma visão distante das duas garotas, já próximas da linha de chegada. Ainda faltavam 3 km pra mim e pela gritaria atrás, sabia que mais alguém tinha completado a 2ª etapa e agora corria para me alcançar. Não ousei olhar para trás ou ia me desesperar. 2 km. Agora via Jack, Julie e Alexis vibrando e me incentivando a continuar, pois estava quase no final.
1 km. Vi Robbie e Leo outra vez, e agora Lukas estava com eles. Um carrinho de golfe denunciava como meus amigos haviam chegado ali tão depressa. Robbie abriu o colete e vi uma camiseta com o emblema da Super Girl. Ele apontava para a camiseta e depois para mim. Era difícil não rir, mas dei apenas um sorriso discreto e me mantive focada.
500 m. 400 m. 300 m. 200 m. 100 m. Já estava vendo a linha de chegada. As duas garotas que estava na minha frente já comemoravam com os amigos e ignorei a dor que se espalhava pelo meu corpo inteiro, aumentando o ritmo da corrida. Não sabia de onde estava tirando forças para correr mais rápido, mas quando mais me aproximava daquela fita, mais vontade de acelerar eu tinha.
Quando cruzei a faixa e o placar mágico me anunciou oficialmente como a 3ª colocada, perdi as forças nas pernas e cai no chão. A grama estava quente como o inferno, mas não me importava, pra mim parecia uma nuvem. Podia ficar ali jogada no chão por horas, mas um par de mãos agarrou meus braços e me ergueu do chão. Estava vendo tantos pontinhos brilhantes que só percebi que era Lukas quando ele me beijou. Abracei-o quase sem forças e logo estava envolvida em um mar de mãos que bagunçavam meus cabelos e beijavam meu rosto. Robbie me atirou uma camiseta igual a que ele usava e vesti com um imenso sorriso no rosto.
No pódio, descobri que a menina que ganhou a medalha de ouro era da escola da Noruega, Milena Turgon, e quem ganhou a medalha de prata era uma garota de Hogwarts, Clara Lupin. A garota que havia fechado na descida da colina havia conseguido se recuperar e cruzou a linha de chegada em 4º lugar. Ela me encarava com um olhar assassino, mas estava pouco me lixando. Estava no pódio com uma linda e brilhante medalha de bronze no pescoço. Do meu ponto de vista, as olimpíadas não poderiam ter começado de um jeito melhor.
Friday, November 12, 2010
Novembro 2014
Desde o anuncio das Olimpiadas, o Expresso Polar sempre trazia notinhas sobre as preparações das equipes, seus atletas e modalidades, atletas do passado, pois Durmstrang havia sediado a primeira olimpiada bruxa intereescolar, e isso era noticia interessante. Então fizemos matérias com os perfis de nossos atletas e foi muito divertido ler as entrevistas de Robbie, Parv e a minha rs. Éramos as maiores surpresas daquela escola e adorávamos ser motivo de assunto, pois Robbie gostava de frisar ninguem imaginava que atletas de joystic conseguissem se classificar para jogos no mundo real.
Então quando os avisos sobre a data da partida, foram afixados nos murais da escola, fizemos até um calendário enfeitiçado, e era comum ver nas repúblicas, o calendário colado pelas paredes e os dias da partida serem riscados. No dia da viagem estávamos todos no saguão do castelo, nos preparando para ir até o lago e embarcarmos no navio da escola quando a professora Yelchin me chamou:
- Aonde você vai com este casaco de pele senhorita Ivashkov? Quer ser confundida com um canguru e virar comida de um nativo?
- É mink e não canguru, professora, e se o nativo for loiro, sarado de olhos azuis, não me importo de levar umas mordidas.- os cantos da boca dela tremeram, mas ela se segurou e disse:
- É melhor deixar isso na mala, ou você vai morrer de desidratação quando chegarmos lá. E nosso navio, estará se adaptando a temperaturas amenas, para não haver choque térmico e vocês ficarem doentes. E por favor, deixem para ficar doentes quando voltarmos, lá nós temos que arrasar. – ai ela sacou a varinha e encolheu magicamente o meu casaco e eu pude coloca-lo na mochila que Robbie havia personalizado.
- Já disse que amo esta mulher??- disse Robbie, enquanto me ajudava a fechar a mochila.
- Não foi isso que você disse quando recebemos os uniformes que teremos que usar na Australia. ‘Megera sem senso de moda’, foi o mais suave que você usou.- disse Parv e Robbie virou os olhos.
- Mas eu pirei quando vi os uniformes, você tem noção que minha pele é sensivel, e só se dá bem com linho egípcio? E meu rosto parece em eterna ressaca quando uso cáqui? E o chapéuzinho molenga? Parece um alface murcho, fora o corte horrível, era só ter boa vontade e encomendar com a D&G.
- Ai pára de reclamar, Robbie, pelo menos as nossas coisas você conseguiu dar um jeito. E só você poderia pôr em prática o mantra do Tim Gunn ‘make work’, e estamos apresentáveis.- eu disse e logo estavamos embarcando no navio que nos levaria rumo ás melhores duas semanas de nossas vidas.
Depois de uma viagem de quase oito horas, aportamos num lago enorme e ao sair do navio de Durmstrang, que estava com uma temperatura super agradavel, entramos numa verdadeira sauna. O calor era enorme e de todos nós Robbie era o mais preparado pois sacou um ventiladorzinho portátil. Olhamos feio e ele disse mexendo os lábios: ‘Nasci na Índia’.
Fomos recebidos pelo diretor e alguns professores que nos direcionaram para a Vila Olimpica, onde ficariamos hospedados e o contato com atletas anfitriões e de de outras escolas, seria feio apenas no dia seguinte, na cerimonia de abertura.
Instituto de Bruxaria de Melbourne, 14 de Novembro de 2014.
- Atenção todos!- era a voz do diretor Ivanovich, enquanto estavamos reunidos depois do café da manhã, e iriamos nos reunir junto das outras delegações em meia hora e ele queria passar mais um daqueles sermões sobre o bom comportamento e que éramos uma escola de tradição blá, blá, blá. Como estavamos agitados demais, ele olhou feio e disse com a voz ampliada:
- Silêncio!- e nos calamos:
- Assim está melhor: Dentro de instantes, nos reuniremos nos jardins da escola com as outras 21 escolas, e devo lembrá-los que Durmstrang é uma escola de tradição e o fato de termos sido os primeiros anfitriões dos jogos olimpicos interescolares, aumenta o foco em nós. Portanto eu espero o melhor comportamento da parte de todos vocês, durante a nossa interação com o resto do mundo bruxo. Não desfaçam a formação que os professores Maddox e Yelchin organizaram, isso é importante. Hogwarts ficará posicionada à direita da escola anfitriã no semicírculo, Beauxbatons ficará à direita de Hogwarts e nós viremos à direita da escola francesa, respeitando a ordem de fundação das três escolas mais tradicionais.- ele parou de falar um instante para checar se todos estavam prestando atenção antes de continuar – O senhor Jack Karev, foi o aluno mais votado por todos vocês e irá ao meu lado, à frente da delegação, carregando a bandeira de Durmstrang, senhor Karev, por favor.- e não resistimos a assobiar quando Jack deu um passo à frente, segurando o estandarte da escola e o diretor nos olhou feio, nos calando.
Seguimos em fila, e enquanto a professora Yelchin a na frente, o professor Maddox ia fechando o cortejo, para ter certeza que ninguem sairia da formação. Quando chegamos, Hogwarts e Beauxbatons ja estavam posicionadas e logo as outras delegações foram chegando e se posicionando ao redor do semi circulo. Quando o semi circulo estava completo, o diretor australiano, pegou o microfone e após acenar aos diretores das escolas, ele nos deu as boas vindas e anunciou o inicio da cerimônia. Durante duas horas vimos as aprensentações culturais das escolas, e depois ouvimos o coral australiano cantar o tema das Olimpiadas, por sorte Lucian já tinha conseguido uma cópia da letra para mandarmos colocar no jornal, porque com o calor que fazia, eu já não conseguia prestar atenção em muita coisa. Parv se abanava desesperada e o ventiladorzinho de Robbie já havia quebrado. No final das apresentações, os alunos com as bandeiras se reuniram no centro do circulo e cada um hasteou a bandeira de sua escola, enquanto o diretor fazia um discurso sobre amizade e confraternização de diferentes culturas, e confesso que foi dificil não tirar o sapato e fazê-lo voar até o microfone, mostrando ao diretor australiano o que o calor pode fazer com a boa vontade das pessoas.
No minuto que ele deu por encerrada a cerimônia e declarou aberto os jogos, todos começaram a se movimentar para encontrar amigos de outras escolas, ou no meu caso, procurar um lugar com sombra.
Começamos andar e a desviar das pessoas quando ouvi alguém me chamar, quando me virei e vi que era um amigo.Ele se aproximou e ficamos nos encarando e sorrindo:
- Senhorita Carrara...
- Senhor Salvatore...- ele se aproximou e depois de me olhar de cima a baixo, segurou meu rosto entre suas mãos e me encarou dizendo, enquanto me olhava nos olhos:
- Devia ter dito que vinha...
- Surpresas são melhores...E você adora surpresas.- afastei meu rosto e disse:
- Quero que conheça meus amigos, estes são Robert e Alec, esta é Parvati...
- Huum, agora entendo porque este é o nome de uma deusa, foi inspirado em você não?- e por incrivel que pareça, vi Parv responder convencida:
- Com certeza foi inspirado em mim.- rimos e continei:
- Esté o Finnegan, Lucian e Liseria, Oleg...- ele acenou a todos e de repente Damon se virou e perguntou:
- Por favor, não diga que a vadia dos infernos está por ai...- e eu ri dizendo a meus amigos:
- Tem como não amá-lo? Ela não gosta de esportes, Damon.- olhei por sobre seu ombro e seu irmão Stefan, de mãos dadas com uma garota muito bonita e disse:
- Stefan está namorando? - e nos viramos para onde o gêmeo de Damon estava junto com o grupo de Hogwarts.
- É, ele está namorando.- respondeu Damon e algo no seu tom de voz me fez trocar olhares com ele.
- Uau! Vocês são tão... Iguais.- disse Finn.
- Te garanto que ele e eu somos muito diferentes, Finneus.- respondeu Damon azedo e eu disse:
- Stefan é o tipo que não faz uma garota perder o sono, ele é um tédio, de tão certinho que ele é. Já seu irmão mais velho...- e Damon me deu o seu sorriso mais sacana e eu disse:
- Não adianta não vou inflar seu ego.- e Damon riu:
- Ok, eu sobrevivo, mas nós vamos nos ver muito, Leonora Marie. – ele começou a se virar mas voltou de repente, me puxou e me deu um beijo rapido dizendo:
- E vamos curtir muito, posso garantir.- sorrimos e ele após acenar se reuniu com os seus colegas de Hogwarts. Virei-me para meus amigos chocados e disse:
- E ai? Vamos passar o dia aqui e ter insolação ou vamos procurar um lugar com sombra? Afinal temos muito o que ver e fazer antes das competições.
Não precisei falar novamente, pois todos começamos a ir para o salão de jantar, mas quando olhei para Parv e Robbie, ambos exibiam os olhares de: ‘você terá muito o que explicar’. Apenas sorri, e continuei a ir para o castelo que seria a nossa casa pelas próximas duas semanas. É...os jogos olímpicos interescolares haviam começado muito bem.
Desde o anuncio das Olimpiadas, o Expresso Polar sempre trazia notinhas sobre as preparações das equipes, seus atletas e modalidades, atletas do passado, pois Durmstrang havia sediado a primeira olimpiada bruxa intereescolar, e isso era noticia interessante. Então fizemos matérias com os perfis de nossos atletas e foi muito divertido ler as entrevistas de Robbie, Parv e a minha rs. Éramos as maiores surpresas daquela escola e adorávamos ser motivo de assunto, pois Robbie gostava de frisar ninguem imaginava que atletas de joystic conseguissem se classificar para jogos no mundo real.
Então quando os avisos sobre a data da partida, foram afixados nos murais da escola, fizemos até um calendário enfeitiçado, e era comum ver nas repúblicas, o calendário colado pelas paredes e os dias da partida serem riscados. No dia da viagem estávamos todos no saguão do castelo, nos preparando para ir até o lago e embarcarmos no navio da escola quando a professora Yelchin me chamou:
- Aonde você vai com este casaco de pele senhorita Ivashkov? Quer ser confundida com um canguru e virar comida de um nativo?
- É mink e não canguru, professora, e se o nativo for loiro, sarado de olhos azuis, não me importo de levar umas mordidas.- os cantos da boca dela tremeram, mas ela se segurou e disse:
- É melhor deixar isso na mala, ou você vai morrer de desidratação quando chegarmos lá. E nosso navio, estará se adaptando a temperaturas amenas, para não haver choque térmico e vocês ficarem doentes. E por favor, deixem para ficar doentes quando voltarmos, lá nós temos que arrasar. – ai ela sacou a varinha e encolheu magicamente o meu casaco e eu pude coloca-lo na mochila que Robbie havia personalizado.
- Já disse que amo esta mulher??- disse Robbie, enquanto me ajudava a fechar a mochila.
- Não foi isso que você disse quando recebemos os uniformes que teremos que usar na Australia. ‘Megera sem senso de moda’, foi o mais suave que você usou.- disse Parv e Robbie virou os olhos.
- Mas eu pirei quando vi os uniformes, você tem noção que minha pele é sensivel, e só se dá bem com linho egípcio? E meu rosto parece em eterna ressaca quando uso cáqui? E o chapéuzinho molenga? Parece um alface murcho, fora o corte horrível, era só ter boa vontade e encomendar com a D&G.
- Ai pára de reclamar, Robbie, pelo menos as nossas coisas você conseguiu dar um jeito. E só você poderia pôr em prática o mantra do Tim Gunn ‘make work’, e estamos apresentáveis.- eu disse e logo estavamos embarcando no navio que nos levaria rumo ás melhores duas semanas de nossas vidas.
Depois de uma viagem de quase oito horas, aportamos num lago enorme e ao sair do navio de Durmstrang, que estava com uma temperatura super agradavel, entramos numa verdadeira sauna. O calor era enorme e de todos nós Robbie era o mais preparado pois sacou um ventiladorzinho portátil. Olhamos feio e ele disse mexendo os lábios: ‘Nasci na Índia’.
Fomos recebidos pelo diretor e alguns professores que nos direcionaram para a Vila Olimpica, onde ficariamos hospedados e o contato com atletas anfitriões e de de outras escolas, seria feio apenas no dia seguinte, na cerimonia de abertura.
Instituto de Bruxaria de Melbourne, 14 de Novembro de 2014.
- Atenção todos!- era a voz do diretor Ivanovich, enquanto estavamos reunidos depois do café da manhã, e iriamos nos reunir junto das outras delegações em meia hora e ele queria passar mais um daqueles sermões sobre o bom comportamento e que éramos uma escola de tradição blá, blá, blá. Como estavamos agitados demais, ele olhou feio e disse com a voz ampliada:
- Silêncio!- e nos calamos:
- Assim está melhor: Dentro de instantes, nos reuniremos nos jardins da escola com as outras 21 escolas, e devo lembrá-los que Durmstrang é uma escola de tradição e o fato de termos sido os primeiros anfitriões dos jogos olimpicos interescolares, aumenta o foco em nós. Portanto eu espero o melhor comportamento da parte de todos vocês, durante a nossa interação com o resto do mundo bruxo. Não desfaçam a formação que os professores Maddox e Yelchin organizaram, isso é importante. Hogwarts ficará posicionada à direita da escola anfitriã no semicírculo, Beauxbatons ficará à direita de Hogwarts e nós viremos à direita da escola francesa, respeitando a ordem de fundação das três escolas mais tradicionais.- ele parou de falar um instante para checar se todos estavam prestando atenção antes de continuar – O senhor Jack Karev, foi o aluno mais votado por todos vocês e irá ao meu lado, à frente da delegação, carregando a bandeira de Durmstrang, senhor Karev, por favor.- e não resistimos a assobiar quando Jack deu um passo à frente, segurando o estandarte da escola e o diretor nos olhou feio, nos calando.
Seguimos em fila, e enquanto a professora Yelchin a na frente, o professor Maddox ia fechando o cortejo, para ter certeza que ninguem sairia da formação. Quando chegamos, Hogwarts e Beauxbatons ja estavam posicionadas e logo as outras delegações foram chegando e se posicionando ao redor do semi circulo. Quando o semi circulo estava completo, o diretor australiano, pegou o microfone e após acenar aos diretores das escolas, ele nos deu as boas vindas e anunciou o inicio da cerimônia. Durante duas horas vimos as aprensentações culturais das escolas, e depois ouvimos o coral australiano cantar o tema das Olimpiadas, por sorte Lucian já tinha conseguido uma cópia da letra para mandarmos colocar no jornal, porque com o calor que fazia, eu já não conseguia prestar atenção em muita coisa. Parv se abanava desesperada e o ventiladorzinho de Robbie já havia quebrado. No final das apresentações, os alunos com as bandeiras se reuniram no centro do circulo e cada um hasteou a bandeira de sua escola, enquanto o diretor fazia um discurso sobre amizade e confraternização de diferentes culturas, e confesso que foi dificil não tirar o sapato e fazê-lo voar até o microfone, mostrando ao diretor australiano o que o calor pode fazer com a boa vontade das pessoas.
No minuto que ele deu por encerrada a cerimônia e declarou aberto os jogos, todos começaram a se movimentar para encontrar amigos de outras escolas, ou no meu caso, procurar um lugar com sombra.
Começamos andar e a desviar das pessoas quando ouvi alguém me chamar, quando me virei e vi que era um amigo.Ele se aproximou e ficamos nos encarando e sorrindo:
- Senhorita Carrara...
- Senhor Salvatore...- ele se aproximou e depois de me olhar de cima a baixo, segurou meu rosto entre suas mãos e me encarou dizendo, enquanto me olhava nos olhos:
- Devia ter dito que vinha...
- Surpresas são melhores...E você adora surpresas.- afastei meu rosto e disse:
- Quero que conheça meus amigos, estes são Robert e Alec, esta é Parvati...
- Huum, agora entendo porque este é o nome de uma deusa, foi inspirado em você não?- e por incrivel que pareça, vi Parv responder convencida:
- Com certeza foi inspirado em mim.- rimos e continei:
- Esté o Finnegan, Lucian e Liseria, Oleg...- ele acenou a todos e de repente Damon se virou e perguntou:
- Por favor, não diga que a vadia dos infernos está por ai...- e eu ri dizendo a meus amigos:
- Tem como não amá-lo? Ela não gosta de esportes, Damon.- olhei por sobre seu ombro e seu irmão Stefan, de mãos dadas com uma garota muito bonita e disse:
- Stefan está namorando? - e nos viramos para onde o gêmeo de Damon estava junto com o grupo de Hogwarts.
- É, ele está namorando.- respondeu Damon e algo no seu tom de voz me fez trocar olhares com ele.
- Uau! Vocês são tão... Iguais.- disse Finn.
- Te garanto que ele e eu somos muito diferentes, Finneus.- respondeu Damon azedo e eu disse:
- Stefan é o tipo que não faz uma garota perder o sono, ele é um tédio, de tão certinho que ele é. Já seu irmão mais velho...- e Damon me deu o seu sorriso mais sacana e eu disse:
- Não adianta não vou inflar seu ego.- e Damon riu:
- Ok, eu sobrevivo, mas nós vamos nos ver muito, Leonora Marie. – ele começou a se virar mas voltou de repente, me puxou e me deu um beijo rapido dizendo:
- E vamos curtir muito, posso garantir.- sorrimos e ele após acenar se reuniu com os seus colegas de Hogwarts. Virei-me para meus amigos chocados e disse:
- E ai? Vamos passar o dia aqui e ter insolação ou vamos procurar um lugar com sombra? Afinal temos muito o que ver e fazer antes das competições.
Não precisei falar novamente, pois todos começamos a ir para o salão de jantar, mas quando olhei para Parv e Robbie, ambos exibiam os olhares de: ‘você terá muito o que explicar’. Apenas sorri, e continuei a ir para o castelo que seria a nossa casa pelas próximas duas semanas. É...os jogos olímpicos interescolares haviam começado muito bem.
Sunday, November 07, 2010
Desde os incidentes da festa de Halloween, Jack e Julie andavam me vigiando de perto. Não sei o que eles esperavam que eu fizesse, mas qualquer menção de chegar a menos de 3 metros de distancia de Parvati era rapidamente vetada. No começo achei aquilo irritante, eram como sombras, mas com o tempo comecei a me divertir com isso. Ameaçava correr até ela de tempo em tempo, só para ver os dois se apressando em me impedir. Por mais que soubessem que era brincadeira, nunca sabiam quando eu podia estar tentando me aproximar de verdade.
Não que eu realmente quisesse me aproximar dela. Não fazia a menor questão, não tínhamos absolutamente nada para falar um com o outro, ainda mais depois de levar um soco sem razão alguma do namorado dela. Ele, por sinal, ainda ia me pagar. Já tinha pensado em mil maneiras de me vingar dele, mas nenhuma terminava realmente bem pra mim. Não podia fazer nada que me custasse uma expulsão. Suspensão tudo bem, mas expulsão nem pensar.
- Ozzy – Alec chamou minha atenção com uma bolinha de papel e perdi o equilíbrio da cadeira – Está me ouvindo?
- O que foi? – não estava. Estava tentando bolar um plano contra Lukas.
- Perguntei se você sabe quanto tempo levou desde que você descobriu a armação do Jack até o soco da Peggy Fleming.
- Peggy Fleming, boa – dei risada – Vou começar a chamar ele assim agora, será que pega?
- É bem provável – Alec riu também – Mas me responde, quanto tempo demorou?
- Sei lá, meia hora? – dei de ombros – Que diferença faz o tempo?
- Não falei? – ele olhou para Lucian e os dois riram – Ele se perdeu no tempo.
- Do que vocês estão falando?
- Oscar, irmão, o tempo total foi de aproximadamente três horas – Alec falou tentando parecer sério, mas eles não paravam de rir.
- Só na pista de dança, de fato dançando – Lucian concluiu.
- Impossível – agora era eu quem estava rindo.
- Admita, você estava se divertindo tanto que nem viu o tempo passar – Alec ria cada vez mais.
- Você está começando a falar como seu namorado, e se não parar agora mesmo, vou te encher de porrada. Já que não posso bater nele, desconto em você.
- Ih, ficou brabo – Lucian debochou e desviou rápido da almofada que atirei – Qual é, Ozzy? Acertamos alguma ferida?
- Calem a boca – levantei da cadeira irritado – Vejo vocês no campo, não se atrasem.
Sai do quarto ao som das risadas cada vez mais altas, mas achei melhor só ignorar. Não havia perdido noção de tempo coisa nenhuma e eles só queriam me tirar do sério, mas não iam conseguir mais nada. Oleg, Julie, Jack, Orion e Finn estavam se preparando para sair quando passei pela sala e fomos juntos até o lago congelado. Era a última partida do campeonato antes das férias de natal e seria justamente contra os Wild Rangers, time cujo capitão era Lukas Hölzenben. Bom demais para ser verdade.
As arquibancadas já estavam começando a encher e fomos direto para o vestiário trocar de roupa, e de lá direto pro rinque para se aquecer. Os Rangers já estavam completos patinando no gelo e não demorou para Alec e Lucian darem as caras e completar o nosso time. Finn foi direto para o gol e nos revezávamos com tiros diretos para ele aquecer também.
- Ok, todos aqui! – o treinador Maddox apitou depois de 15 minutos de aquecimento e os dois times se reuniram em volta dele – Esse é o último jogo do ano, retomamos com o campeonato em Janeiro. Quero um jogo limpo, entenderam? – todos assentiram – Ótimo. Agora assumam suas posições e vamos começar.
Cada time deu seu grito de guerra e nos espalhamos no gelo, cada um assumindo sua posição. O treinador patinou até o centro do rinque e atirou o disco para o alto. E eu havia acabado de decidir o que fazer para me vingar.
- Meninas, estão prontas? – Robbie apareceu na porta do quarto e levei um susto. Seu rosto estava pintado de verde e roxo.
- Mas que diabo é isso, Robert? – não me contive.
- Espírito de equipe, ora – ele soou ofendido pelo meu tom de voz – Tenho que torcer pelos Ducks.
- Robbie está certo – Leo o defendeu e pegou um cachecol nas mesmas cores que ele tinha no pescoço – GO Ducks!
- Desculpe, não estou acostumada a ver você de cara pintada por causa de um esporte, ainda mais um tão violento – dei um beijo de longe nele, para não tirar a tinta.
- E quem disse que estou pintado pelo esporte? – ele jogou o cabelo pro lado e rimos.
- Vamos embora, não quero perder o jogo.
Descemos os três de braços dados até o lago congelado. As arquibancadas já estavam cheias, mas conseguimos um lugar quase perto do gelo. Os Mighty Ducks e os Wild Rangers eram os times com as maiores torcidas na escola, e torcidas bastante expressivas. Sempre tinha alguma confusão depois dos jogos, era quase inevitável. Eu nunca sabia por quem torcer. Do lado dos Ducks tinham meus primos, mas do lado dos Rangers meu namorado. Tudo bem que estávamos em uma fase conturbada, mas não tínhamos terminado e eu ainda gostava muito dele. Então nunca me vestia com as cores de nenhum dos dois times e tentava ser o mais parcial possível, mas era difícil não vibrar com os gols dos dois lados.
- Parv, estamos do lado da torcida dos Ducks, então, por favor, não comemore nenhum gol do Lukas! – Leo me advertiu quando a partida começou e as torcidas começaram a gritar.
- É, eu sou homem e tal, mas não vou defender ninguém e levar porrada de graça – Robbie avisou logo, mostrando as cores no rosto – Sou da torcida dos Ducks.
- Eu sei, eu sei – espantei os dois com as mãos, sem tirar a atenção do jogo – Vou me comportar.
- GO DUCKS! – Robbie berrou do meu lado e levei um susto, mas a torcida foi no embalo e começou a gritar a mesma coisa.
Prometi me comportar, mas era difícil. Nunca tive vontade de jogar Hóquei, mas eu sem duvida gostava de assistir às partidas. Tudo acontecia muito rápido no rinque, os tacos acertavam o disco com tanta violência e agilidade que se você piscasse, se perdia na partida. Só quem gostava de verdade e prestava atenção ao que acontecia conseguia acompanhar a trajetória do disco pelo gelo.
O 1º tempo terminou 3 x 0 para os Ducks. A torcida atrás de nós estava enlouquecida, gritando provocações para a torcida adversária o tempo inteiro. Vez ou outra me peguei acompanhando as músicas, mas tentava não me empolgar demais, e estava muito divertido ver Robbie tão empolgado com alguma coisa que não fosse teatro. Sabia que sua motivação era Alec Karpov, não o jogo em si, mas não deixava de ser ótimo. Ele rapidamente virou o animador oficial da torcida dos Ducks e puxava todos os gritos e musicas durante o jogo.
- Vamos lá, Lukas, reação! – falei baixo, mas Leo ouviu.
- Ele está meio apagado hoje, deve estar pensando na briga de vocês.
- Não faça com que eu me sinta culpada pela derrota deles, por favor.
- Estava falando só do Lukas – Leo me olhou com uma cara debochada – Ou você anda envolvida com o time todo e não estou sabendo?
Olhei para ela com cara de quem não tinha achado graça e ela riu, indo se juntar a Robbie na bagunça com a torcida. O 2º tempo começou e a situação melhorou um pouco para os Rangers. Em dez minutos eles conseguiram marcar três gols, mas os Ducks marcaram mais três vezes e aumentaram a vantagem para quatro gols, tendo o último sido marcado por Alec e Robbie foi à loucura do meu lado. Logo depois Ozzy marcou o 7º gol dos Ducks e fez questão de vir comemorar bem na nossa frente.
- Que exibido! – reclamei vendo ele agitar a torcida e meus amigos irem na onda.
- Desamarra o bico, Parv. Ele é um babaca, mas você também não é uma santa – Robbie falou perto do meu ouvido.
- Ele está me provocando!
- Olhe, o Lukas está com o disco! – Leo apontou na direção do rinque e olhei depressa.
- Ai está Lukas Hölzenben, ele vem pelo gelo, se move pela lateral esquerda, agora vai parar o meio – o locutor ia narrando a jogada com a empolgação na voz crescendo - Um giro, um grande movimento pela linha azul. Ele vai marcar! UUUH!
Lukas marcou o gol e a torcida dos Rangers explodiu em comemoração, mas quando ele esticou o braço apontando para Ozzy, ele acelerou na direção dele e acertou o taco em seu pulso. A pancada foi tão violenta que pude sentir a dor do Lukas. Ele caiu no chão segurando a mão coberta pela luva e uma confusão imediatamente se instalou no gelo. Os jogadores dos dois times começaram a brigar entre si e o treinador Maddox precisou invadir o campo e disparar feitiços para apartar as brigas. Ele estava tão furioso que podíamos ouvir o que dizia, aos berros.
- Oscar, você está fora! Goldberg, entre! – ele apontou para o banco de suspensão e Ozzy deslizou até lá com um sorriso no rosto – Está suspenso por dois jogos!
- Valeu à pena – ouvi Ozzy dizer quando sentou no banco, mas para sua sorte, o treinador não ouviu.
- Ei, seu bacaca! – não me contive e fui até lá, batendo no vidro que separava ele da torcida com violência – Isso não foi nada esportivo!
- Ah, olá, Parvati! – ele ainda sorria debochado – Cuidado, os Super Gêmeos podem não gostar de nos ver tão perto um do outro.
- Você pode ter quebrado a mão dele, seu imbecil! – eu ainda gritava enlouquecida.
- Tomara, era essa a intenção – ele disse calmo, o que só me enfureceu mais – Quero ver ele socar alguma coisa agora.
- Ora, seu... – ameacei escalar o vidro para avançar nele, mas quando estava colocando o pé no apoio senti as mãos de Robbie envolverem minha cintura e me arrastarem pra longe. Ozzy acenou se despedindo, ainda rindo – Me solta!! Merlin, você é forte!
- Pare de se debater, vai acabar acertando um tapa no meu rosto e não quero ficar com olho roxo! – Robbie gritou para abafar meus berros e parei de gritar – Está melhor assim.
- Pode me soltar? – pedi educadamente, mas ele não me largou.
- Não acredito na sua calma repentina.
- Está louca? – Leo nos alcançou no alto das escadas – Ia mesmo escalar aquele vidro? Você tem idéia do quão patética foi essa cena?
- Vamos embora, por favor – pedi ainda calma, respirando fundo – Não quero mais ver o jogo.
- É, vamos embora – Robbie concordou, ainda me segurando pela cintura – Os Ducks vão mesmo massacrar os Rangers, amanhã descobrimos de quanto foi a surra.
Leo riu da provocação dele, mas achei melhor não responder e só caminhar ao lado deles até a enfermaria, para onde Lukas havia sido levado. Ele podia não gostar das minhas brigas com Ozzy e essa ser uma briga dele, mas aquilo havia sido golpe baixo e eu não ia deixar barato. Se era uma guerra que ele queria, então a pior de todas havia acabado de começar.
Não que eu realmente quisesse me aproximar dela. Não fazia a menor questão, não tínhamos absolutamente nada para falar um com o outro, ainda mais depois de levar um soco sem razão alguma do namorado dela. Ele, por sinal, ainda ia me pagar. Já tinha pensado em mil maneiras de me vingar dele, mas nenhuma terminava realmente bem pra mim. Não podia fazer nada que me custasse uma expulsão. Suspensão tudo bem, mas expulsão nem pensar.
- Ozzy – Alec chamou minha atenção com uma bolinha de papel e perdi o equilíbrio da cadeira – Está me ouvindo?
- O que foi? – não estava. Estava tentando bolar um plano contra Lukas.
- Perguntei se você sabe quanto tempo levou desde que você descobriu a armação do Jack até o soco da Peggy Fleming.
- Peggy Fleming, boa – dei risada – Vou começar a chamar ele assim agora, será que pega?
- É bem provável – Alec riu também – Mas me responde, quanto tempo demorou?
- Sei lá, meia hora? – dei de ombros – Que diferença faz o tempo?
- Não falei? – ele olhou para Lucian e os dois riram – Ele se perdeu no tempo.
- Do que vocês estão falando?
- Oscar, irmão, o tempo total foi de aproximadamente três horas – Alec falou tentando parecer sério, mas eles não paravam de rir.
- Só na pista de dança, de fato dançando – Lucian concluiu.
- Impossível – agora era eu quem estava rindo.
- Admita, você estava se divertindo tanto que nem viu o tempo passar – Alec ria cada vez mais.
- Você está começando a falar como seu namorado, e se não parar agora mesmo, vou te encher de porrada. Já que não posso bater nele, desconto em você.
- Ih, ficou brabo – Lucian debochou e desviou rápido da almofada que atirei – Qual é, Ozzy? Acertamos alguma ferida?
- Calem a boca – levantei da cadeira irritado – Vejo vocês no campo, não se atrasem.
Sai do quarto ao som das risadas cada vez mais altas, mas achei melhor só ignorar. Não havia perdido noção de tempo coisa nenhuma e eles só queriam me tirar do sério, mas não iam conseguir mais nada. Oleg, Julie, Jack, Orion e Finn estavam se preparando para sair quando passei pela sala e fomos juntos até o lago congelado. Era a última partida do campeonato antes das férias de natal e seria justamente contra os Wild Rangers, time cujo capitão era Lukas Hölzenben. Bom demais para ser verdade.
As arquibancadas já estavam começando a encher e fomos direto para o vestiário trocar de roupa, e de lá direto pro rinque para se aquecer. Os Rangers já estavam completos patinando no gelo e não demorou para Alec e Lucian darem as caras e completar o nosso time. Finn foi direto para o gol e nos revezávamos com tiros diretos para ele aquecer também.
- Ok, todos aqui! – o treinador Maddox apitou depois de 15 minutos de aquecimento e os dois times se reuniram em volta dele – Esse é o último jogo do ano, retomamos com o campeonato em Janeiro. Quero um jogo limpo, entenderam? – todos assentiram – Ótimo. Agora assumam suas posições e vamos começar.
Cada time deu seu grito de guerra e nos espalhamos no gelo, cada um assumindo sua posição. O treinador patinou até o centro do rinque e atirou o disco para o alto. E eu havia acabado de decidir o que fazer para me vingar.
ºººººº
- Meninas, estão prontas? – Robbie apareceu na porta do quarto e levei um susto. Seu rosto estava pintado de verde e roxo.
- Mas que diabo é isso, Robert? – não me contive.
- Espírito de equipe, ora – ele soou ofendido pelo meu tom de voz – Tenho que torcer pelos Ducks.
- Robbie está certo – Leo o defendeu e pegou um cachecol nas mesmas cores que ele tinha no pescoço – GO Ducks!
- Desculpe, não estou acostumada a ver você de cara pintada por causa de um esporte, ainda mais um tão violento – dei um beijo de longe nele, para não tirar a tinta.
- E quem disse que estou pintado pelo esporte? – ele jogou o cabelo pro lado e rimos.
- Vamos embora, não quero perder o jogo.
Descemos os três de braços dados até o lago congelado. As arquibancadas já estavam cheias, mas conseguimos um lugar quase perto do gelo. Os Mighty Ducks e os Wild Rangers eram os times com as maiores torcidas na escola, e torcidas bastante expressivas. Sempre tinha alguma confusão depois dos jogos, era quase inevitável. Eu nunca sabia por quem torcer. Do lado dos Ducks tinham meus primos, mas do lado dos Rangers meu namorado. Tudo bem que estávamos em uma fase conturbada, mas não tínhamos terminado e eu ainda gostava muito dele. Então nunca me vestia com as cores de nenhum dos dois times e tentava ser o mais parcial possível, mas era difícil não vibrar com os gols dos dois lados.
- Parv, estamos do lado da torcida dos Ducks, então, por favor, não comemore nenhum gol do Lukas! – Leo me advertiu quando a partida começou e as torcidas começaram a gritar.
- É, eu sou homem e tal, mas não vou defender ninguém e levar porrada de graça – Robbie avisou logo, mostrando as cores no rosto – Sou da torcida dos Ducks.
- Eu sei, eu sei – espantei os dois com as mãos, sem tirar a atenção do jogo – Vou me comportar.
- GO DUCKS! – Robbie berrou do meu lado e levei um susto, mas a torcida foi no embalo e começou a gritar a mesma coisa.
Prometi me comportar, mas era difícil. Nunca tive vontade de jogar Hóquei, mas eu sem duvida gostava de assistir às partidas. Tudo acontecia muito rápido no rinque, os tacos acertavam o disco com tanta violência e agilidade que se você piscasse, se perdia na partida. Só quem gostava de verdade e prestava atenção ao que acontecia conseguia acompanhar a trajetória do disco pelo gelo.
O 1º tempo terminou 3 x 0 para os Ducks. A torcida atrás de nós estava enlouquecida, gritando provocações para a torcida adversária o tempo inteiro. Vez ou outra me peguei acompanhando as músicas, mas tentava não me empolgar demais, e estava muito divertido ver Robbie tão empolgado com alguma coisa que não fosse teatro. Sabia que sua motivação era Alec Karpov, não o jogo em si, mas não deixava de ser ótimo. Ele rapidamente virou o animador oficial da torcida dos Ducks e puxava todos os gritos e musicas durante o jogo.
- Vamos lá, Lukas, reação! – falei baixo, mas Leo ouviu.
- Ele está meio apagado hoje, deve estar pensando na briga de vocês.
- Não faça com que eu me sinta culpada pela derrota deles, por favor.
- Estava falando só do Lukas – Leo me olhou com uma cara debochada – Ou você anda envolvida com o time todo e não estou sabendo?
Olhei para ela com cara de quem não tinha achado graça e ela riu, indo se juntar a Robbie na bagunça com a torcida. O 2º tempo começou e a situação melhorou um pouco para os Rangers. Em dez minutos eles conseguiram marcar três gols, mas os Ducks marcaram mais três vezes e aumentaram a vantagem para quatro gols, tendo o último sido marcado por Alec e Robbie foi à loucura do meu lado. Logo depois Ozzy marcou o 7º gol dos Ducks e fez questão de vir comemorar bem na nossa frente.
- Que exibido! – reclamei vendo ele agitar a torcida e meus amigos irem na onda.
- Desamarra o bico, Parv. Ele é um babaca, mas você também não é uma santa – Robbie falou perto do meu ouvido.
- Ele está me provocando!
- Olhe, o Lukas está com o disco! – Leo apontou na direção do rinque e olhei depressa.
- Ai está Lukas Hölzenben, ele vem pelo gelo, se move pela lateral esquerda, agora vai parar o meio – o locutor ia narrando a jogada com a empolgação na voz crescendo - Um giro, um grande movimento pela linha azul. Ele vai marcar! UUUH!
Lukas marcou o gol e a torcida dos Rangers explodiu em comemoração, mas quando ele esticou o braço apontando para Ozzy, ele acelerou na direção dele e acertou o taco em seu pulso. A pancada foi tão violenta que pude sentir a dor do Lukas. Ele caiu no chão segurando a mão coberta pela luva e uma confusão imediatamente se instalou no gelo. Os jogadores dos dois times começaram a brigar entre si e o treinador Maddox precisou invadir o campo e disparar feitiços para apartar as brigas. Ele estava tão furioso que podíamos ouvir o que dizia, aos berros.
- Oscar, você está fora! Goldberg, entre! – ele apontou para o banco de suspensão e Ozzy deslizou até lá com um sorriso no rosto – Está suspenso por dois jogos!
- Valeu à pena – ouvi Ozzy dizer quando sentou no banco, mas para sua sorte, o treinador não ouviu.
- Ei, seu bacaca! – não me contive e fui até lá, batendo no vidro que separava ele da torcida com violência – Isso não foi nada esportivo!
- Ah, olá, Parvati! – ele ainda sorria debochado – Cuidado, os Super Gêmeos podem não gostar de nos ver tão perto um do outro.
- Você pode ter quebrado a mão dele, seu imbecil! – eu ainda gritava enlouquecida.
- Tomara, era essa a intenção – ele disse calmo, o que só me enfureceu mais – Quero ver ele socar alguma coisa agora.
- Ora, seu... – ameacei escalar o vidro para avançar nele, mas quando estava colocando o pé no apoio senti as mãos de Robbie envolverem minha cintura e me arrastarem pra longe. Ozzy acenou se despedindo, ainda rindo – Me solta!! Merlin, você é forte!
- Pare de se debater, vai acabar acertando um tapa no meu rosto e não quero ficar com olho roxo! – Robbie gritou para abafar meus berros e parei de gritar – Está melhor assim.
- Pode me soltar? – pedi educadamente, mas ele não me largou.
- Não acredito na sua calma repentina.
- Está louca? – Leo nos alcançou no alto das escadas – Ia mesmo escalar aquele vidro? Você tem idéia do quão patética foi essa cena?
- Vamos embora, por favor – pedi ainda calma, respirando fundo – Não quero mais ver o jogo.
- É, vamos embora – Robbie concordou, ainda me segurando pela cintura – Os Ducks vão mesmo massacrar os Rangers, amanhã descobrimos de quanto foi a surra.
Leo riu da provocação dele, mas achei melhor não responder e só caminhar ao lado deles até a enfermaria, para onde Lukas havia sido levado. Ele podia não gostar das minhas brigas com Ozzy e essa ser uma briga dele, mas aquilo havia sido golpe baixo e eu não ia deixar barato. Se era uma guerra que ele queria, então a pior de todas havia acabado de começar.
Friday, November 05, 2010
Na segunda após a festa de Halloween eu acordei muito mais cedo do que o restante dos garotos da Kratos. Precisava pensar, organizar minhas idéias e ficar um pouco sozinho.
Na noite anterior eu havia decidido não contar nada a Liseria. Naquele momento de decisão ou eu contava naquele instante ou não deveria contar mais. Decidi não contar. Não seria um beijo que destruiria o meu amor por ela, o nosso namoro que já entrava em seu terceiro ano. Naquela noite, porém, não pude evitar de procurar pela garota na multidão que ria, dançava e cantava, mas não havia sinal dela. Ninguém se parecia a ela.
Liseria nada notou, ou melhor, notou que eu estava um pouco aéreo, mas ela acreditou quando eu disse que estava cansado. E isso era verdade, eu me sentia cansado depois daquilo. Queria explodir e contar para alguém, mas Ozzy já tivera sua cota de problemas e não precisava dos meus naquela noite. Lenneth não saia de perto de Julie e não queria atrapalhar a diversão de meu irmão, Lawfer. Então aguardei, e o único que soube do ocorrido foi meu diário. Fui dormir tarde naquela noite, tanto por tentar acalmar Ozzy quanto por ficar até de madrugada escrevendo em meu diário. Eu o lacrei magicamente assim que terminei. Agora mais do que nunca ninguém deveria lê-lo.
Assim, na segunda de manhã, enquanto todos ainda dormiam, fui fazer algo que sempre faço quando estou preocupado ou nervoso: nadar. Em geral eu iria patinar, mas não queria chamar atenção.
A água gelada da piscina sequer me feriu, pois já estava acostumado, pelo contrário me reanimou e comecei a nadar. Eu nadava sem parar, uma atividade que sempre gostei, apesar de não estar inscrito nas Olimpíadas. A sensação de imensidão que a água me dá me fazia perceber o quão pequeno eu sou e me dá a calma necessária para pensar. É na água que eu geralmente tenho minhas maiores idéias.
- Acordou cedo, Lu. O que houve? – Eu ouvi alguém me chamando, e parei de nadar ao final da raia e olhei para cima. Lenneth sorria para mim, sentada na beirada da piscina, com os pés na água e segurando uma toalha e meu roupão no colo. Eu sorri para ela, tentando não revelar nada.
- Nada, quis apenas me exercitar.
- Não, você só nada assim quando algo está te incomodando. O que foi? – Ela perguntou e eu sorri cansado, admirado em como ela me conhecia. Ela prendeu uma mexa atrás da orelha e me olhou visivelmente preocupada. Eu levantei da piscina e sentei-me ao lado dela, pegando a toalha, enquanto ela colocava o roupão no meu ombro. Eu fiquei um tempo calado, enquanto me secava e depois acabei descansando a cabeça em seu ombro. Ela afagou minha mão e ficamos em silêncio.
- Ai pequena. Aconteceu algo estranho e que me deixou, acho que confuso. – Eu comecei e ela aguardou, enquanto eu reunia coragem. – Ontem a noite na festa, eu beijei uma outra garota. – Eu falei e ela ficou calada um tempo, mas senti sua respiração pular.
- Como assim? O que aconteceu?
- Ontem, um dos círculos da neblina deu defeito, e quando fui vê-lo, uma garota apareceu e me beijou. – Então contei tudo sobre o ocorrido, revelando que eu gostara do beijo e que retribuíra. Lenneth ouviu em silêncio, enquanto apertava minha mão. – Eu não sei quem foi...
- Tem certeza que você não imaginou coisas? – Ela perguntou, com um tom risonho na voz.
- Eu não estou ficando doido. Ainda podia sentir o beijo e o perfume dela quando voltei à festa. Ai Lenneth, estou me sentindo horrível! Eu traí a Liseria, é horrível!
- Foi só um beijo, Lu, calma. – Ela falou, agora me abraçando sem se importar em eu estar ainda molhado. – E ela, você contou a ela?
- Não tive coragem... Tenho medo de abalar nosso namoro e acho que ela jamais me perdoará.
- Você não tem culpa, a garota te beijou do nada! Que lindo, está arrasando corações. – Ela riu e eu ri junto, mas sem diminuir o peso do meu peito.
- Eu retribui! Eu a beijei novamente. É totalmente diferente. – Eu falei, a voz cansada. Eu apertei mais sua mão e ela acariciou lentamente meus cabelos.
- Olha Lu, você precisa primeiro organizar sua cabeça: o que é mais importante, Liseria ou a garota?
- Meu namoro. – Eu falei rapidamente e Lenneth suspirou.
- Então não tem porque ficar assim. Você teve um momento de fraqueza, é normal. Por mais que você seja um príncipe Adam, você ainda é humano. Liseria perdoaria e sei que você a ama, então não fica assim, por favor.
- Mas dói muito... Ver a Liseria sorrindo sem saber nada, me faz me sentir podre, sujo. – Eu falei e fiz algo que eu só conseguia fazer com ela, comecei a chorar. Eu chorava de raiva de mim mesmo, de dor. Ela me abraçou mais forte.
- Calma, meu querido, está tudo bem. Não acha que deveria ser o contrário, eu chorando no colo do meu amigo? – Ela falou e me fez rir, mas continuei abraçado a ela ainda chorando lentamente. – Que tal se esquecermos isso? Ou melhor, o que você quer fazer?
- Eu não sei... – Falei ainda fraco.
- Vamos fingir que nada aconteceu?
- Não, eu queria saber por que ela fez isso...
- Você não imagina quem seja? Vamos pensar, tenta imaginar quem poderia ser.
- Ninguém se enquadra perfeitamente. Apenas os olhos seriam características comuns, muitas aqui têm olhos azuis, até você.
- Os olhos seria a primeira coisa que ela mudaria, ela deve te conhecer e sabe que você é observador. Ela deve ter mudado a cor dos olhos. – Lenneth falou e eu concordei. Eu me senti, agora mais calmo e a olhei com ternura.
- Acho que tem razão...
- E o cabelo seria fácil de mudar também, até os trouxas fazem isso... Vai ser difícil.
- Mas quero saber quem é. Porque ela fez isso. – Eu falei decidido e ela sorriu. Eu a abracei novamente. – Obrigado, Lenneth, você é a única que consegue me acalmar assim.
- Eu sou sua amiga, melhor amiga. É meu dever.
Ela riu e eu ri também, enquanto continuamos a conversar sobre a garota. Dei todos os detalhes que me lembrava e ela ficou admirada por eu me lembrar de tudo. Depois de um tempo mudei o rumo de conversa para Patrick Lokmov e ela sorriu, mas falou que não ficou com ele. Mas senti no ar que ela esqueceu de falar um “ainda”.
---------------------------------------
- O quê?! – Ozzy falou alto, engasgando. Eu briguei com ele e mandei que ficasse quieto. Estávamos afastados das repúblicas conversando sobre a noite passada, mas receava que alguém ouvisse. Eu confiava apenas em Ozzy e Lenneth para contar o ocorrido.
- Quer ficar quieto? É isso mesmo que ouviu! E eu não sei quem é a garota!
- Você, o certinho da turma, beijou uma garota que não é a sua namorada, e GOSTOU! E ainda por cima nem sabe quem é?! Você tá pior do que eu!
- Muito obrigado, Oscar, por me fazer sentir ainda mais sujo. – Eu resmunguei, e ele suspirou. Ele abraçou meu ombro antes de continuar.
- Desculpa, eu te conheço bem para saber que você está se sentindo muito mal.
- Mal é pouco. – Eu falei e desabafei, contando tudo. Ele ouviu atento e prestativo, e quando tive vontade de chorar de raiva, ele sorriu e me apoiou.
Depois que ele ouviu tudo, ele prometeu me ajudar a descobrir quem era a garota.
---------------------------------
- Lucian, vem comigo! – Ozzy falou, enquanto me arrastava para fora da Kratos. Era segunda à noite e tínhamos tido uma reunião extraordinária do Conselho, onde ele prontificou-se a revelar e organizar as fotos da festa. Eram em torno de umas 30 câmeras que havíamos enfeitiçado para fotografar toda a festa e iríamos usar as fotos para o jornal e para os murais.
- O que foi? Estava escrevendo.
- Só vem comigo. – Ele falou entre dentes.
Ele me levou para uma das salas de revelação do jornal, uma que era pouco usada. Quando abri a porta, vi centenas de fotos penduradas em cordões e presas nos murais, enquanto secavam. Fiquei admirado ao perceber que Ozzy sabia revelar fotos, mas mais admirado ainda ao perceber que elas estavam realmente organizadas. Haviam algumas fotos péssimas, provavelmente de câmeras que perderam o feitiço e começaram a tirar fotos apenas de sombras e árvores, mas haviam algumas fotos excelentes. Havia fotos de casais dançando, de alunos encenando cenas de Drácula, de Alien e até mesmo de Tartarugas Ninjas. Vi uma foto minha e de Liseria dançando felizes e isso me provocou um aperto no coração.
- Olha. – Ele falou e me entregou uma foto e eu quase tive um ataque cardíaco.
A foto mostrava uma garota de cabelos e vestido brancos correndo em meio à neblina. Era a garota. A foto estava perfeita, mas a neblina e a distância não permitia ver muito. A foto fora tirado de lado e via com perfeição ela correndo, seus cabelos ao vento. Uma vez mais eu pude sentir seu perfume e a maciez de seus cabelos. Era ela.
- É, Lucian, sua garota misteriosa não era uma veela. – Olhei para ele admirado e agradecido e ele sorriu. O abracei e guardei a foto.
Eu ia achar aquela garota.
Na noite anterior eu havia decidido não contar nada a Liseria. Naquele momento de decisão ou eu contava naquele instante ou não deveria contar mais. Decidi não contar. Não seria um beijo que destruiria o meu amor por ela, o nosso namoro que já entrava em seu terceiro ano. Naquela noite, porém, não pude evitar de procurar pela garota na multidão que ria, dançava e cantava, mas não havia sinal dela. Ninguém se parecia a ela.
Liseria nada notou, ou melhor, notou que eu estava um pouco aéreo, mas ela acreditou quando eu disse que estava cansado. E isso era verdade, eu me sentia cansado depois daquilo. Queria explodir e contar para alguém, mas Ozzy já tivera sua cota de problemas e não precisava dos meus naquela noite. Lenneth não saia de perto de Julie e não queria atrapalhar a diversão de meu irmão, Lawfer. Então aguardei, e o único que soube do ocorrido foi meu diário. Fui dormir tarde naquela noite, tanto por tentar acalmar Ozzy quanto por ficar até de madrugada escrevendo em meu diário. Eu o lacrei magicamente assim que terminei. Agora mais do que nunca ninguém deveria lê-lo.
Assim, na segunda de manhã, enquanto todos ainda dormiam, fui fazer algo que sempre faço quando estou preocupado ou nervoso: nadar. Em geral eu iria patinar, mas não queria chamar atenção.
A água gelada da piscina sequer me feriu, pois já estava acostumado, pelo contrário me reanimou e comecei a nadar. Eu nadava sem parar, uma atividade que sempre gostei, apesar de não estar inscrito nas Olimpíadas. A sensação de imensidão que a água me dá me fazia perceber o quão pequeno eu sou e me dá a calma necessária para pensar. É na água que eu geralmente tenho minhas maiores idéias.
- Acordou cedo, Lu. O que houve? – Eu ouvi alguém me chamando, e parei de nadar ao final da raia e olhei para cima. Lenneth sorria para mim, sentada na beirada da piscina, com os pés na água e segurando uma toalha e meu roupão no colo. Eu sorri para ela, tentando não revelar nada.
- Nada, quis apenas me exercitar.
- Não, você só nada assim quando algo está te incomodando. O que foi? – Ela perguntou e eu sorri cansado, admirado em como ela me conhecia. Ela prendeu uma mexa atrás da orelha e me olhou visivelmente preocupada. Eu levantei da piscina e sentei-me ao lado dela, pegando a toalha, enquanto ela colocava o roupão no meu ombro. Eu fiquei um tempo calado, enquanto me secava e depois acabei descansando a cabeça em seu ombro. Ela afagou minha mão e ficamos em silêncio.
- Ai pequena. Aconteceu algo estranho e que me deixou, acho que confuso. – Eu comecei e ela aguardou, enquanto eu reunia coragem. – Ontem a noite na festa, eu beijei uma outra garota. – Eu falei e ela ficou calada um tempo, mas senti sua respiração pular.
- Como assim? O que aconteceu?
- Ontem, um dos círculos da neblina deu defeito, e quando fui vê-lo, uma garota apareceu e me beijou. – Então contei tudo sobre o ocorrido, revelando que eu gostara do beijo e que retribuíra. Lenneth ouviu em silêncio, enquanto apertava minha mão. – Eu não sei quem foi...
- Tem certeza que você não imaginou coisas? – Ela perguntou, com um tom risonho na voz.
- Eu não estou ficando doido. Ainda podia sentir o beijo e o perfume dela quando voltei à festa. Ai Lenneth, estou me sentindo horrível! Eu traí a Liseria, é horrível!
- Foi só um beijo, Lu, calma. – Ela falou, agora me abraçando sem se importar em eu estar ainda molhado. – E ela, você contou a ela?
- Não tive coragem... Tenho medo de abalar nosso namoro e acho que ela jamais me perdoará.
- Você não tem culpa, a garota te beijou do nada! Que lindo, está arrasando corações. – Ela riu e eu ri junto, mas sem diminuir o peso do meu peito.
- Eu retribui! Eu a beijei novamente. É totalmente diferente. – Eu falei, a voz cansada. Eu apertei mais sua mão e ela acariciou lentamente meus cabelos.
- Olha Lu, você precisa primeiro organizar sua cabeça: o que é mais importante, Liseria ou a garota?
- Meu namoro. – Eu falei rapidamente e Lenneth suspirou.
- Então não tem porque ficar assim. Você teve um momento de fraqueza, é normal. Por mais que você seja um príncipe Adam, você ainda é humano. Liseria perdoaria e sei que você a ama, então não fica assim, por favor.
- Mas dói muito... Ver a Liseria sorrindo sem saber nada, me faz me sentir podre, sujo. – Eu falei e fiz algo que eu só conseguia fazer com ela, comecei a chorar. Eu chorava de raiva de mim mesmo, de dor. Ela me abraçou mais forte.
- Calma, meu querido, está tudo bem. Não acha que deveria ser o contrário, eu chorando no colo do meu amigo? – Ela falou e me fez rir, mas continuei abraçado a ela ainda chorando lentamente. – Que tal se esquecermos isso? Ou melhor, o que você quer fazer?
- Eu não sei... – Falei ainda fraco.
- Vamos fingir que nada aconteceu?
- Não, eu queria saber por que ela fez isso...
- Você não imagina quem seja? Vamos pensar, tenta imaginar quem poderia ser.
- Ninguém se enquadra perfeitamente. Apenas os olhos seriam características comuns, muitas aqui têm olhos azuis, até você.
- Os olhos seria a primeira coisa que ela mudaria, ela deve te conhecer e sabe que você é observador. Ela deve ter mudado a cor dos olhos. – Lenneth falou e eu concordei. Eu me senti, agora mais calmo e a olhei com ternura.
- Acho que tem razão...
- E o cabelo seria fácil de mudar também, até os trouxas fazem isso... Vai ser difícil.
- Mas quero saber quem é. Porque ela fez isso. – Eu falei decidido e ela sorriu. Eu a abracei novamente. – Obrigado, Lenneth, você é a única que consegue me acalmar assim.
- Eu sou sua amiga, melhor amiga. É meu dever.
Ela riu e eu ri também, enquanto continuamos a conversar sobre a garota. Dei todos os detalhes que me lembrava e ela ficou admirada por eu me lembrar de tudo. Depois de um tempo mudei o rumo de conversa para Patrick Lokmov e ela sorriu, mas falou que não ficou com ele. Mas senti no ar que ela esqueceu de falar um “ainda”.
---------------------------------------
- O quê?! – Ozzy falou alto, engasgando. Eu briguei com ele e mandei que ficasse quieto. Estávamos afastados das repúblicas conversando sobre a noite passada, mas receava que alguém ouvisse. Eu confiava apenas em Ozzy e Lenneth para contar o ocorrido.
- Quer ficar quieto? É isso mesmo que ouviu! E eu não sei quem é a garota!
- Você, o certinho da turma, beijou uma garota que não é a sua namorada, e GOSTOU! E ainda por cima nem sabe quem é?! Você tá pior do que eu!
- Muito obrigado, Oscar, por me fazer sentir ainda mais sujo. – Eu resmunguei, e ele suspirou. Ele abraçou meu ombro antes de continuar.
- Desculpa, eu te conheço bem para saber que você está se sentindo muito mal.
- Mal é pouco. – Eu falei e desabafei, contando tudo. Ele ouviu atento e prestativo, e quando tive vontade de chorar de raiva, ele sorriu e me apoiou.
Depois que ele ouviu tudo, ele prometeu me ajudar a descobrir quem era a garota.
---------------------------------
- Lucian, vem comigo! – Ozzy falou, enquanto me arrastava para fora da Kratos. Era segunda à noite e tínhamos tido uma reunião extraordinária do Conselho, onde ele prontificou-se a revelar e organizar as fotos da festa. Eram em torno de umas 30 câmeras que havíamos enfeitiçado para fotografar toda a festa e iríamos usar as fotos para o jornal e para os murais.
- O que foi? Estava escrevendo.
- Só vem comigo. – Ele falou entre dentes.
Ele me levou para uma das salas de revelação do jornal, uma que era pouco usada. Quando abri a porta, vi centenas de fotos penduradas em cordões e presas nos murais, enquanto secavam. Fiquei admirado ao perceber que Ozzy sabia revelar fotos, mas mais admirado ainda ao perceber que elas estavam realmente organizadas. Haviam algumas fotos péssimas, provavelmente de câmeras que perderam o feitiço e começaram a tirar fotos apenas de sombras e árvores, mas haviam algumas fotos excelentes. Havia fotos de casais dançando, de alunos encenando cenas de Drácula, de Alien e até mesmo de Tartarugas Ninjas. Vi uma foto minha e de Liseria dançando felizes e isso me provocou um aperto no coração.
- Olha. – Ele falou e me entregou uma foto e eu quase tive um ataque cardíaco.
A foto mostrava uma garota de cabelos e vestido brancos correndo em meio à neblina. Era a garota. A foto estava perfeita, mas a neblina e a distância não permitia ver muito. A foto fora tirado de lado e via com perfeição ela correndo, seus cabelos ao vento. Uma vez mais eu pude sentir seu perfume e a maciez de seus cabelos. Era ela.
- É, Lucian, sua garota misteriosa não era uma veela. – Olhei para ele admirado e agradecido e ele sorriu. O abracei e guardei a foto.
Eu ia achar aquela garota.
Tuesday, November 02, 2010
Quando chegamos a nossa festa do vilarejo, não poderia estar mais satisfeito com o trabalho que fizemos. Tudo estava impecável, desde a decoração até a caracterização das pessoas que trabalhariam na festa, todos no clima do Halloween e prontos para fazer daquele vilarejo um local mal-assombrado por uma noite. Os alunos do 1º ano, alucinados por terem autorização para sair do castelo pela primeira vez, não sabia em que casa bater primeiro para pedir doce. A mesa farta com guloseimas não era o suficiente, a graça era bater de porta em porta.
Cheguei à festa junto com meus amigos e meu irmão, que estava ridículo em uma fantasia de Super Mario, mas entendi o motivo quando vi seus dois amigos inseparáveis, Lawfer e Alexis. Ele, irmão de Lucian, estava de Luigi e a ela, que era irmã da Parvati, de Peach. Ele se despediu e se juntou ao grupo, e os três saíram de braços dados para o meio da praça.
Não demorou muito para que descobrisse a armação de Jack, que fez com que Parvati e eu viéssemos com fantasias combinadas. Encurralamos ele, mas de nada ia adiantar brigar ali, pois não teríamos tempo para conseguir outra roupa, então depois de algumas ameaças, combinamos que não iríamos brigar durante a festa, mas ele receberia o troco pelo que fez no dia seguinte. Ele desapareceu num passe de mágica no meio da multidão que se aglomerava na praça e fiquei sozinho com Parvati.
O combinado era fingir que estávamos nos entendendo, deixar Jack feliz e depois dar o golpe, então caminhamos de braços dados para o meio das pessoas que já pulavam ao som dos BlackHippogriffs, tentando achar um espaço para começar o teatro. As escolhas de fantasias eram as mais divertidas possíveis. Oleg exibia os músculos falsos da fantasia de Popeye e desafiava qualquer um fantasiado de vilão que passasse, “defendendo” sua Olivia Palito, e as pessoas acabavam entrando na brincadeira. Finn havia descoberto que sua fantasia combinava com a de Leonora e estavam se divertindo às custas disso, sempre com as taças cheias na mão. Julie e Lenneth estavam com um visual fatal, naquelas roupas coladas, e atraiam muitos olhares.
Até os professores entraram na brincadeira, e se já não fosse engraçado o bastante ver a séria professora de Artes vestida de Sra. Incrível, ainda tinha a professora Mira e o treinador Maddox fantasiados de Dorothy e Leão Covarde, o que eram duas fantasias absurdamente contraditórias para eles. Quando viram que Alec e Robert completavam o elenco do livro, puxaram os dois para uma série de fotos. O professor de Poções era o mais sinistro de todos, estava fantasiado Conde Drácula, e se aquilo era um aviso de como ele era nas aulas, era bom começarmos a nos preocupar.
- O que tem em mente para Jack? – perguntei aos gritos, por causa da música alta.
- Estava pensando em enfiar palitos afiados debaixo de suas unhas – ela falou com uma cara perigosa.
- Está brincando, não é?
- Sim, estou, não faria isso com ele. Mas é uma idéia tentadora.
- Você é má – ri – Gosto de como sua mente perversa trabalha.
- Não vamos torturá-lo, mas que tal humilhação publica? Porque foi isso que ele fez com a gente, então estaríamos pagando na mesma moeda.
- Humilhação publica é uma boa idéia, o único problema é que ele está esperando exatamente isso.
- Está certo, ele nos conhece muito bem, sabe nossos movimentos.
- Temos que pegá-lo de surpresa.
Ficamos um bom tempo em silencio, só dançando de acordo com a música que tocavam no palco, tentando bolar um meio de surpreender Jack. Estava tão concentrado em fazer meu amigo pagar que não percebi a mudança no ritmo e muito menos que agora estava dançando com as mãos na cintura dela, enquanto ela apoiava suas mãos nos meus ombros. Só percebi o equivoco quando muita gente começou a olhar esquisito para nós dois.
- Devem estar se perguntando se estamos drogados – ela comentou rindo, ignorando os olhares curiosos – O que foi?
- Nada, estava pensando que para uma garota com gostos tão duvidosos como você, até que tem bom gosto para filmes.
- Jack é culpado por todos os meus vícios, ele é persistente.
- Jack é um sem noção por achar que um dia podemos nos dar bem – ri – Uma noite é fácil, sustentar uma farsa por cinco horas não é nada.
- Ele prometeu não perturbar mais, então depois que de nos vingarmos, voltamos ao normal.
- Mais do que combinado. Já aprendeu a lavar roupa? Ou já esqueceu que vai passar uma semana de elfa doméstica na Kratos?
- Está muito confiante que vai vencer, vai ser ainda mais delicioso derrotá-lo – ela riu com gosto – Acho melhor treinar com aquela chapinha, gosto do meu cabelo liso.
- Ah, não vai deixar o penteado de donut? Ficou tão legal assim.
Quando botei a mão no cabelo dela enrolado na forma de uma rosquinha, senti um empurrão contra o peito e um segundo depois uma mão fechada acertou em cheio meu nariz. Não acreditava que ela pudesse ter tanta força, mas quando olhei para cima entendi o que havia acontecido. Lukas estava parado de pé na minha frente, os punhos fechados e a cara vermelha de raiva. Uma roda já havia se formado a nossa volta e levantei aos tropeços, ainda tonto pelo soco, mas quando levantei a mão para revidar o soco, Oleg apareceu e se atirou em cima de mim, impedindo o golpe.
- O que está acontecendo? – Jack apareceu correndo e se colocou entre nós dois – O que vocês fizeram?
- Eu não fiz nada, esse gladiador de saia que surgiu do nada e me acertou um soco! – gritei furioso, tentando me livrar de Oleg.
- Você estava dando em cima da minha namorada! – Lukas gritou e eu comecei a rir.
- Ok, agora ele está louco mesmo! Eu NUNCA daria em cima da sua namoradinha, seu idiota. Não quero nada com essa garota.
- Eu é que nunca ia querer nada com ele, está louco? – Parvati deu um soco no peito dele, furiosa também – Esse garoto é patético, só estávamos conversando!
- O acordo acabou, Jack – apontei para Parvati ainda preso por Oleg – Fica longe de mim, ou posso esquecer que você é uma garota e arrebentar a sua cara.
- Quem deu um soco em você foi ele, não eu, está nervosinho comigo por quê? – ela gritou de volta.
- Por que foi culpa sua!
- Já chega! – Jack empurrou Lukas e Parvati para trás e agarrou meu braço – Chega!
Parvati saiu cuspindo fogo, mas rebocou o namorado até um lado da festa, e Jack e Oleg me puxaram para o lado oposto ao deles, me empurrando em um banco quando já estávamos longe o suficiente. Julie chegou esbaforida logo depois e já foi colocando o dedo no meu peito.
- Você ficou maluco?
- Eu levei um soco de um homem de SAIA e você ainda briga comigo? Nem me deixaram revidar!
- Como você fala pra uma garota que quer arrebentar a cara dela? Perdeu o pouco juízo que lhe resta?
- Eu disse que tinha vontade, não que faria.
- Dá no mesmo, Ozzy! Não se diz isso, foi muita idiotice sua e deveria pedir desculpas a ela!
- Ok, admito que exagerei e não deveria ter falado isso, mas eu não vou pedir desculpas.
- Por que eles são tão cabeça-duras? – ela virou para Jack parecendo exausta.
- Não adianta, mana, ele não vai se desculpar e ela também não faria se fosse o contrário. Você já conseguiu que ele admitisse que foi idiotice.
- É, fique satisfeita, é o que tem pra hoje – falei impaciente querendo levantar, mas eles não deixavam – Eu não vou lá comprar briga, posso sair?
- Não vai mesmo, vou colar em você pelo resto da noite – Jack falou cruzando os braços.
- Eu vou ver como a Parv está e depois tenho que achar a Lenneth, então confio que vá ficar de olho nele – ela me encarou séria – Fique longe dela, ouviu?
- Vai ser um prazer.
Julie saiu na direção contraria da praça e Oleg também cruzou os braços quando ameacei começar a andar. Ótimo. Só estava tentando bolar uma pegadinha genial, e agora graças ao homem de saias e sua namorada fútil havia ganhado dois guarda-costas. Se antes era briga de egos, agora havia acabado de evoluir para uma guerra. E eu ia pegar pesado.
Cheguei à festa junto com meus amigos e meu irmão, que estava ridículo em uma fantasia de Super Mario, mas entendi o motivo quando vi seus dois amigos inseparáveis, Lawfer e Alexis. Ele, irmão de Lucian, estava de Luigi e a ela, que era irmã da Parvati, de Peach. Ele se despediu e se juntou ao grupo, e os três saíram de braços dados para o meio da praça.
Não demorou muito para que descobrisse a armação de Jack, que fez com que Parvati e eu viéssemos com fantasias combinadas. Encurralamos ele, mas de nada ia adiantar brigar ali, pois não teríamos tempo para conseguir outra roupa, então depois de algumas ameaças, combinamos que não iríamos brigar durante a festa, mas ele receberia o troco pelo que fez no dia seguinte. Ele desapareceu num passe de mágica no meio da multidão que se aglomerava na praça e fiquei sozinho com Parvati.
O combinado era fingir que estávamos nos entendendo, deixar Jack feliz e depois dar o golpe, então caminhamos de braços dados para o meio das pessoas que já pulavam ao som dos BlackHippogriffs, tentando achar um espaço para começar o teatro. As escolhas de fantasias eram as mais divertidas possíveis. Oleg exibia os músculos falsos da fantasia de Popeye e desafiava qualquer um fantasiado de vilão que passasse, “defendendo” sua Olivia Palito, e as pessoas acabavam entrando na brincadeira. Finn havia descoberto que sua fantasia combinava com a de Leonora e estavam se divertindo às custas disso, sempre com as taças cheias na mão. Julie e Lenneth estavam com um visual fatal, naquelas roupas coladas, e atraiam muitos olhares.
Até os professores entraram na brincadeira, e se já não fosse engraçado o bastante ver a séria professora de Artes vestida de Sra. Incrível, ainda tinha a professora Mira e o treinador Maddox fantasiados de Dorothy e Leão Covarde, o que eram duas fantasias absurdamente contraditórias para eles. Quando viram que Alec e Robert completavam o elenco do livro, puxaram os dois para uma série de fotos. O professor de Poções era o mais sinistro de todos, estava fantasiado Conde Drácula, e se aquilo era um aviso de como ele era nas aulas, era bom começarmos a nos preocupar.
- O que tem em mente para Jack? – perguntei aos gritos, por causa da música alta.
- Estava pensando em enfiar palitos afiados debaixo de suas unhas – ela falou com uma cara perigosa.
- Está brincando, não é?
- Sim, estou, não faria isso com ele. Mas é uma idéia tentadora.
- Você é má – ri – Gosto de como sua mente perversa trabalha.
- Não vamos torturá-lo, mas que tal humilhação publica? Porque foi isso que ele fez com a gente, então estaríamos pagando na mesma moeda.
- Humilhação publica é uma boa idéia, o único problema é que ele está esperando exatamente isso.
- Está certo, ele nos conhece muito bem, sabe nossos movimentos.
- Temos que pegá-lo de surpresa.
Ficamos um bom tempo em silencio, só dançando de acordo com a música que tocavam no palco, tentando bolar um meio de surpreender Jack. Estava tão concentrado em fazer meu amigo pagar que não percebi a mudança no ritmo e muito menos que agora estava dançando com as mãos na cintura dela, enquanto ela apoiava suas mãos nos meus ombros. Só percebi o equivoco quando muita gente começou a olhar esquisito para nós dois.
- Devem estar se perguntando se estamos drogados – ela comentou rindo, ignorando os olhares curiosos – O que foi?
- Nada, estava pensando que para uma garota com gostos tão duvidosos como você, até que tem bom gosto para filmes.
- Jack é culpado por todos os meus vícios, ele é persistente.
- Jack é um sem noção por achar que um dia podemos nos dar bem – ri – Uma noite é fácil, sustentar uma farsa por cinco horas não é nada.
- Ele prometeu não perturbar mais, então depois que de nos vingarmos, voltamos ao normal.
- Mais do que combinado. Já aprendeu a lavar roupa? Ou já esqueceu que vai passar uma semana de elfa doméstica na Kratos?
- Está muito confiante que vai vencer, vai ser ainda mais delicioso derrotá-lo – ela riu com gosto – Acho melhor treinar com aquela chapinha, gosto do meu cabelo liso.
- Ah, não vai deixar o penteado de donut? Ficou tão legal assim.
Quando botei a mão no cabelo dela enrolado na forma de uma rosquinha, senti um empurrão contra o peito e um segundo depois uma mão fechada acertou em cheio meu nariz. Não acreditava que ela pudesse ter tanta força, mas quando olhei para cima entendi o que havia acontecido. Lukas estava parado de pé na minha frente, os punhos fechados e a cara vermelha de raiva. Uma roda já havia se formado a nossa volta e levantei aos tropeços, ainda tonto pelo soco, mas quando levantei a mão para revidar o soco, Oleg apareceu e se atirou em cima de mim, impedindo o golpe.
- O que está acontecendo? – Jack apareceu correndo e se colocou entre nós dois – O que vocês fizeram?
- Eu não fiz nada, esse gladiador de saia que surgiu do nada e me acertou um soco! – gritei furioso, tentando me livrar de Oleg.
- Você estava dando em cima da minha namorada! – Lukas gritou e eu comecei a rir.
- Ok, agora ele está louco mesmo! Eu NUNCA daria em cima da sua namoradinha, seu idiota. Não quero nada com essa garota.
- Eu é que nunca ia querer nada com ele, está louco? – Parvati deu um soco no peito dele, furiosa também – Esse garoto é patético, só estávamos conversando!
- O acordo acabou, Jack – apontei para Parvati ainda preso por Oleg – Fica longe de mim, ou posso esquecer que você é uma garota e arrebentar a sua cara.
- Quem deu um soco em você foi ele, não eu, está nervosinho comigo por quê? – ela gritou de volta.
- Por que foi culpa sua!
- Já chega! – Jack empurrou Lukas e Parvati para trás e agarrou meu braço – Chega!
Parvati saiu cuspindo fogo, mas rebocou o namorado até um lado da festa, e Jack e Oleg me puxaram para o lado oposto ao deles, me empurrando em um banco quando já estávamos longe o suficiente. Julie chegou esbaforida logo depois e já foi colocando o dedo no meu peito.
- Você ficou maluco?
- Eu levei um soco de um homem de SAIA e você ainda briga comigo? Nem me deixaram revidar!
- Como você fala pra uma garota que quer arrebentar a cara dela? Perdeu o pouco juízo que lhe resta?
- Eu disse que tinha vontade, não que faria.
- Dá no mesmo, Ozzy! Não se diz isso, foi muita idiotice sua e deveria pedir desculpas a ela!
- Ok, admito que exagerei e não deveria ter falado isso, mas eu não vou pedir desculpas.
- Por que eles são tão cabeça-duras? – ela virou para Jack parecendo exausta.
- Não adianta, mana, ele não vai se desculpar e ela também não faria se fosse o contrário. Você já conseguiu que ele admitisse que foi idiotice.
- É, fique satisfeita, é o que tem pra hoje – falei impaciente querendo levantar, mas eles não deixavam – Eu não vou lá comprar briga, posso sair?
- Não vai mesmo, vou colar em você pelo resto da noite – Jack falou cruzando os braços.
- Eu vou ver como a Parv está e depois tenho que achar a Lenneth, então confio que vá ficar de olho nele – ela me encarou séria – Fique longe dela, ouviu?
- Vai ser um prazer.
Julie saiu na direção contraria da praça e Oleg também cruzou os braços quando ameacei começar a andar. Ótimo. Só estava tentando bolar uma pegadinha genial, e agora graças ao homem de saias e sua namorada fútil havia ganhado dois guarda-costas. Se antes era briga de egos, agora havia acabado de evoluir para uma guerra. E eu ia pegar pesado.
Estavamos todos ansiosos pela festa de Halloween,que teria como tema, vários mitos e lendas tanto bruxos quanto trouxas, e como não poderia deixar de ser: Foi surpreendente. O jornal da escola, o Expresso Polar, havia lançado um concurso para eleger a melhor fantasia, então todos haviam caprichado. Claro, que havia aqueles que nasceram ‘old fashion’ e morreriam assim, mas o que se há de fazer??
O diretor havia enfeitiçado as carruagens para nos levarem até o vilarejo e eu, vestida de cortesã francesa com direito até àqueles cachos, estava com meus amigos e suas fantasia eram geniais: Parvati estava de princesa Leia que além dos donuts na cabeça, tinha uma arma a laser, de brinquedo é claro, mas mesmo assim impunha respeito rs, Robbie estava de Espantalho e Alec de Homem de Lata, do Mágico de Oz, Lukas estava de Gladiador, óbvio que quando eu e Robbie vimos aquilo trocamos olhares “ele fica tããoo bem de saia’, mas ficamos na nossa e Orion, estava usando uma fantasia de Esqueleto e devo confessar que estava assustador, quero ver qual garota terá coragem de ficar com ele hoje.
Lucian e Liseria estavam de Principe Adam e Bela, e estavam muito bonitos, Lenneth era a Hera Venenosa, Maria e Oleg de Popeye e Olivia Palito, Jack de Luke Skywalker e Ozzy estava de Han Solo. Quando Parv viu aquilo, ela travou o maxilar, mas ficou calada, mas como a conhecia bem, sabia que em algum momento haveria encrenca e Jack por estar por trás daquela escolha de fantasia, iria pagar.
Finn havia me surpreendido ao aparecer vestido de D’Artgnan, e quando me viu disse:
- Se tivéssemos combinado não teria ficado tão perfeito Leo. Você está bonita.Permita-me acompanha-la mademoiselle?
- Er..huum...Obrigada, Finn, mas você não havia marcado de ir à festa com a Samantha Pierce?- e senti um cutucão nas costas dado por Robbie.
- Não marquei nada com ela, e hoje é 'Dia das Bruxas', e nós sempre nos divertimos juntos, e não é um dia para encontros. Bem, a menos que você leve um gancho, tenha bons ouvidos e não se importe com um pouco de sangue nas roupas.- rimos pela sua lembrança de alguns filmes trouxas de terror.
Quando chegamos ao vilarejo, Ferania nossa nova professora, estava vestida de Dama de Branco e nos saudou, e logo ouvimos uma explosão perto do mirante e várias luzes e lanternas mágicas se acenderam iluminando o vilarejo enquanto uma neblina densa ia se espalhando, e todos sem exceção ficavam empolgados, à medida que íamos entrando na festa.A iluminação era somente destas lanternas mágicas que flutuavam acima das mesas, e os comerciantes haviam cumprido o trato direitinho, havia muitos doces, bebidas gratuitas pelas mesas e caso você quisesse algo diferente, poderia ir se divertir nos outros estabelecimentos, como a Lutsch ou lugares mais sossegados como os cafés e restaurantes. Depois de dançarmos muito com os ‘BlackHipogriffs’, Finn e eu acabamos nos separando de nossos amigos e estávamos um pouco bêbados, pois riamos de tudo,até mesmo dos casais se agarrando em lugares pouco iluminados.
- Veja Leo, vou enfrentar este malfeitor, para defender a minha donzela.- ele disse quando vimos uma escultura do cavaleiro sem cabeça, em pose ameaçadora:
- E onde ela está, cavalheiro?
- Oras, é você a donzela...
- Finn, eu sou uma cortesã, isso está muito longe de ser ‘donzela’.
- Todas as mulheres são donzelas a se defender, Leonora.- e sua espada trespassou o estomago de palha da escultura e ele riu divertido.E vi que seus olhos se fixaram numa garota vestida de noivinha, agarrando um garoto vestido de Drácula num canto mais afastado, e eles estavam pegando fogo, literalmente.
-Uau! Ela é...E tem uns...Enormes..- sua mãos se levantaram em forma de concha em frente ao seu peito.
- É, ela é gostosa, mas aqueles peitos dela são falsos...
- Não são não...Não podem ser, são perfeitos...
- Ahh vc nem saberia a diferença se pegasse uns de verdade....
-Há qual é??? Eu sei como são os de verdade...- e eu me aproximei dele e empinei o busto para frente, dizendo:
- Vai pega, eles não mordem.... Vai, pode pegar. Alguém tem que se sacrificar pela sua educação...- e ele me olhou incrédulo e vi suas mãos se levantarem devagar e ele os colocou em meus seios e vi sua boca abrir em espanto percebi que ele havia ficado diferente, pois sua respiração estava mais agitada, e como estávamos perto demais um do outro, tirei a mão dele:
- Oooww, calma, não precisa se empolgar...
- Mas eu não fiz nada....
- Sei... E aí não vai dizer nada?- ficamos nos olhando e vi que à medida que o tempo passava Finn estava cada vez mais vermelho quando disse:
- Eles hã...huum...são legais.... Digo, muito mas muito legais.- e eu sorri marota:
- Eu sei que são, e são naturais e... Viu? Você nunca tocou uns de verdade.
- Claro que já...
- Claro que não...- ficamos discutindo enquanto andávamos quando parei e perguntei:
- Hey, Finn, que lugar é aquele?- disse apontando para um lugar que lembrava a entrada de uma boate, onde entrava e saia muita gente.- Finn fez um certo esforço para focalizar o lugar e disse:
- Ah é a Luxury, boate de strippers homens e mulheres...Oops, não devia te contar isso, eles vão me matar...
- Strippers? E você já veio aqui com os garotos não é? – e como ele demorasse a responder eu me encaminhei para a entrada.
- Onde você vai?
- Vou lá oras, quero saber como é o lugar por dentro.
- Mas você é uma garota...
- Eu não sou só uma garota, eu sou da imprensa, e não devo deixar de dividir nada com os meus leitores. – e logo eu estava a porta e um negro enorme, com um terno preto e cabeça raspada, me olhou de cima a baixo e deve ter visto que eu tinha a idade mínima. Percebi que ele sorriu cúmplice para Finn e isso confirmou as minhas suspeitas, de que os garotos conheciam aquele lugar.
Confesso que eu esperava ver um lugar daqueles bem ordinários cheios de bancos vermelho sangue e mulheres seminuas andando de um lado a outro, mas me surpreendi quando vi que o lugar era quase tão luxuoso quanto a boate da familia do Ozzy. Havia um enorme palco e alguns postes de pole dance, mas ao invés de gente tirando a roupa, eram pessoas fantasiadas dançando em gaiolas. Peguei um drink oferecido por uma moça vestida de 'Alice para maiores' e comecei a circular pelo local, vi que Finn estava bem perto, também com um drink na mão, havia muitos espelhos, pufes espalhados e logo conseguimos um canto para sentarmos, e os copos sempre estavam cheios e as músicas tocadas, muito agitadas.
My guilty pleasure I ain't goin' nowhere
Baby, long as you're here
I'll be floating on air
You can be a sweet dream or a beautiful nightmare
Either way I
Don't wanna wake up from you
Começamos a dançar e sentia minha cabeça rodando um pouco às vezes, mas quando tomava outro drink gelado, a sensação ruim passava, o melhor era um de cor azul turquesa, que me lembrava o mar das Bahamas, e Finn e eu dançavamos em juntos, para dar apoio um ao outro, afinal ás vezes oscilavamos.
Dançamos muito, bebemos demais e não sei como, logo estávamos dentro de um quarto, nos agarrando, beijando e sabe se lá o que mais, mas sabe quando parece que você está sonhando? Eu não me sentia eu mesma, parecia que aquilo era feito por outra pessoa, devo ter bebido muito, pois logo uma escuridão me engolfou.
Acordei com alguém batendo na porta e quando tentei me mexer, senti o peso de uma perna em cima das minhas e alguém respirando em meu pescoço. Olhei para o lado e era Finn, dormindo feito uma pedra. A pessoa que bateu na porta entrou e trazia uma bandeja com café preto, sucos de frutas e algumas torradas. Empurrei Finn para o lado, achando que devia me cobrir, mas percebi que estava de roupas e ele também, e ele apenas mudou a posição e continuou dormindo. Deve ter transparecido em meu rosto a minha confusão e a mulher disse:
- Bom dia! Acho que vocês deveriam levantar e rumar para suas repúbicas, antes que haja muito movimento na rua. – reparei que ela tinha olhos bem azuis e usava um vestudo parecido com uma túnica grega e seus cabelos loiros estavam presos no alto da cabeça com cachos caindo ao redor e usava pulseiras de ouro.- olhei-a e perguntei:
- Você é?
- Sou Sasha, a dona da Luxury. Mantemos estes quartos para o casais mais afoitos, e vocês dois estavam muito animados ontem...
- Ai Odim, o que foi que fizemos? - arregalei os olhos de medo e ela disse:
- Não se preocupe, apesar da empolgação de vocês dois na pista de dança, vocês dois estavam bêbados demais para fazer algo mais além de dormir. Eu sei que você é da familia Ivashkov e não é bom estar envolvida em escandâlos, mesmo que ontem não tenha havido shows adultos. Por isso, eu mesma trouxe vocês para cá. Já ordenei ao meu pessoal que esqueçam o que viram. – comecei a agradecer aliviada, quando me lembrei de onde estava e disse orgulhosa:
- Serei generosa nos agradecimentos.- e os olhos da mulher faíscaram:
- Apesar de rica, você deve ter tido uma vida dificil. Não consegue reconhecer um ato de boa vontade, sem sacar a carteira e esfregar seu dinheiro na cara dos outros não é? Especialmente em um lugar como a minha casa. Um simples obrigado, é o suficiente. – senti meu rosto esquentar muito e disse sem graça:
- Eu peço desculpas, não quis ofender, é que já ouvi tanta coisa.... Obrigada, Sasha, por tudo, sinceramente.- e a mulher me olhou e disse:
- Coma algo, chamarei Apolo e vamos colocar seu namorado de pé. – e o negro que era os segurança da boate entrou e levantou Finn, como se ele fosse um saco de batata e o levou para o banheiro e ouvi o som de chuveiro.
- Ele não é meu namorado, é meu amigo.- ela me olhou longa e pensativamente e ficou quieta.
Logo Finn saía do banheiro com a cabeça molhada e os olhos vermelhos e alguns respingos na roupa. Se assustou quando me viu e antes que ele dissesse alguma coisa, eu disse:
- Você se importa de irmos embora logo Finn? – e ele se apressou. Antes de sairmos Sasha nos emprestou capas negras que cobriam nossas roupas e disse que havia uma carruagem alugada do lado de fora. Fomos logo e antes de sair, eu olhei para Sasha e a surpreendi dando-lhe um abraço e dizendo para que só ela ouvisse:
- Estou em dívida com você e eu sempre pago as minhas dívidas, especialmente com os amigos. Procure-me se precisar de qualquer coisa ok?- ela me respondeu:
- Obrigada, por me considerar uma amiga, E vocês ficarão juntos um dia, não desista. – sorri descrente e entrei na carruagem seguida apor Finn, que logo perguntou:
- O que foi que aconteceu Leo?
- Aconteceu o de sempre Finn: bebida à vontade, adolescentes se pegando, um quarto...
- Por Odim! Nós transamos!
- Não Finn, não transamos.- eu disse e ele respirou aliviado:
- Graças a Deus!- e senti uma raiva enorme dele e disse entre dentes:
- Pode ficar tranquilo, você não transou com a baleia encalhada da turma, isso não vai manchar a sua reputação. Nós apenas dormimos, aliás que isso fique entre nós, já é ruim o bastante para o meu lado, sem as pessoas saberem que causo sono em um cara.
- Você fala como se eu fosse um cara superficial...
- Agora que você está sóbrio, transaria comigo?- e como ele demorou a responder eu disse sarcástica:
- Não, claro que você não é superficial.- A carruagem parou e eu nem esperei por ele, desci rápido e depois de dar umas voltas, me aproximei da Atena e encontrei Parv, sentada nos degraus, com uma caixa de bombons pela metade e um tubo de chantily. Ela jogava um bombom na boca e espremia o chantily em cima. Sentei ao seu lado e perguntei:
- Noite difícil?
- Aham...- e ela me esticou o tubo quando joguei um dos bombons na boca.
N.Autora: Sweet dreams, Beyoncé
O diretor havia enfeitiçado as carruagens para nos levarem até o vilarejo e eu, vestida de cortesã francesa com direito até àqueles cachos, estava com meus amigos e suas fantasia eram geniais: Parvati estava de princesa Leia que além dos donuts na cabeça, tinha uma arma a laser, de brinquedo é claro, mas mesmo assim impunha respeito rs, Robbie estava de Espantalho e Alec de Homem de Lata, do Mágico de Oz, Lukas estava de Gladiador, óbvio que quando eu e Robbie vimos aquilo trocamos olhares “ele fica tããoo bem de saia’, mas ficamos na nossa e Orion, estava usando uma fantasia de Esqueleto e devo confessar que estava assustador, quero ver qual garota terá coragem de ficar com ele hoje.
Lucian e Liseria estavam de Principe Adam e Bela, e estavam muito bonitos, Lenneth era a Hera Venenosa, Maria e Oleg de Popeye e Olivia Palito, Jack de Luke Skywalker e Ozzy estava de Han Solo. Quando Parv viu aquilo, ela travou o maxilar, mas ficou calada, mas como a conhecia bem, sabia que em algum momento haveria encrenca e Jack por estar por trás daquela escolha de fantasia, iria pagar.
Finn havia me surpreendido ao aparecer vestido de D’Artgnan, e quando me viu disse:
- Se tivéssemos combinado não teria ficado tão perfeito Leo. Você está bonita.Permita-me acompanha-la mademoiselle?
- Er..huum...Obrigada, Finn, mas você não havia marcado de ir à festa com a Samantha Pierce?- e senti um cutucão nas costas dado por Robbie.
- Não marquei nada com ela, e hoje é 'Dia das Bruxas', e nós sempre nos divertimos juntos, e não é um dia para encontros. Bem, a menos que você leve um gancho, tenha bons ouvidos e não se importe com um pouco de sangue nas roupas.- rimos pela sua lembrança de alguns filmes trouxas de terror.
Quando chegamos ao vilarejo, Ferania nossa nova professora, estava vestida de Dama de Branco e nos saudou, e logo ouvimos uma explosão perto do mirante e várias luzes e lanternas mágicas se acenderam iluminando o vilarejo enquanto uma neblina densa ia se espalhando, e todos sem exceção ficavam empolgados, à medida que íamos entrando na festa.A iluminação era somente destas lanternas mágicas que flutuavam acima das mesas, e os comerciantes haviam cumprido o trato direitinho, havia muitos doces, bebidas gratuitas pelas mesas e caso você quisesse algo diferente, poderia ir se divertir nos outros estabelecimentos, como a Lutsch ou lugares mais sossegados como os cafés e restaurantes. Depois de dançarmos muito com os ‘BlackHipogriffs’, Finn e eu acabamos nos separando de nossos amigos e estávamos um pouco bêbados, pois riamos de tudo,até mesmo dos casais se agarrando em lugares pouco iluminados.
- Veja Leo, vou enfrentar este malfeitor, para defender a minha donzela.- ele disse quando vimos uma escultura do cavaleiro sem cabeça, em pose ameaçadora:
- E onde ela está, cavalheiro?
- Oras, é você a donzela...
- Finn, eu sou uma cortesã, isso está muito longe de ser ‘donzela’.
- Todas as mulheres são donzelas a se defender, Leonora.- e sua espada trespassou o estomago de palha da escultura e ele riu divertido.E vi que seus olhos se fixaram numa garota vestida de noivinha, agarrando um garoto vestido de Drácula num canto mais afastado, e eles estavam pegando fogo, literalmente.
-Uau! Ela é...E tem uns...Enormes..- sua mãos se levantaram em forma de concha em frente ao seu peito.
- É, ela é gostosa, mas aqueles peitos dela são falsos...
- Não são não...Não podem ser, são perfeitos...
- Ahh vc nem saberia a diferença se pegasse uns de verdade....
-Há qual é??? Eu sei como são os de verdade...- e eu me aproximei dele e empinei o busto para frente, dizendo:
- Vai pega, eles não mordem.... Vai, pode pegar. Alguém tem que se sacrificar pela sua educação...- e ele me olhou incrédulo e vi suas mãos se levantarem devagar e ele os colocou em meus seios e vi sua boca abrir em espanto percebi que ele havia ficado diferente, pois sua respiração estava mais agitada, e como estávamos perto demais um do outro, tirei a mão dele:
- Oooww, calma, não precisa se empolgar...
- Mas eu não fiz nada....
- Sei... E aí não vai dizer nada?- ficamos nos olhando e vi que à medida que o tempo passava Finn estava cada vez mais vermelho quando disse:
- Eles hã...huum...são legais.... Digo, muito mas muito legais.- e eu sorri marota:
- Eu sei que são, e são naturais e... Viu? Você nunca tocou uns de verdade.
- Claro que já...
- Claro que não...- ficamos discutindo enquanto andávamos quando parei e perguntei:
- Hey, Finn, que lugar é aquele?- disse apontando para um lugar que lembrava a entrada de uma boate, onde entrava e saia muita gente.- Finn fez um certo esforço para focalizar o lugar e disse:
- Ah é a Luxury, boate de strippers homens e mulheres...Oops, não devia te contar isso, eles vão me matar...
- Strippers? E você já veio aqui com os garotos não é? – e como ele demorasse a responder eu me encaminhei para a entrada.
- Onde você vai?
- Vou lá oras, quero saber como é o lugar por dentro.
- Mas você é uma garota...
- Eu não sou só uma garota, eu sou da imprensa, e não devo deixar de dividir nada com os meus leitores. – e logo eu estava a porta e um negro enorme, com um terno preto e cabeça raspada, me olhou de cima a baixo e deve ter visto que eu tinha a idade mínima. Percebi que ele sorriu cúmplice para Finn e isso confirmou as minhas suspeitas, de que os garotos conheciam aquele lugar.
Confesso que eu esperava ver um lugar daqueles bem ordinários cheios de bancos vermelho sangue e mulheres seminuas andando de um lado a outro, mas me surpreendi quando vi que o lugar era quase tão luxuoso quanto a boate da familia do Ozzy. Havia um enorme palco e alguns postes de pole dance, mas ao invés de gente tirando a roupa, eram pessoas fantasiadas dançando em gaiolas. Peguei um drink oferecido por uma moça vestida de 'Alice para maiores' e comecei a circular pelo local, vi que Finn estava bem perto, também com um drink na mão, havia muitos espelhos, pufes espalhados e logo conseguimos um canto para sentarmos, e os copos sempre estavam cheios e as músicas tocadas, muito agitadas.
My guilty pleasure I ain't goin' nowhere
Baby, long as you're here
I'll be floating on air
You can be a sweet dream or a beautiful nightmare
Either way I
Don't wanna wake up from you
Começamos a dançar e sentia minha cabeça rodando um pouco às vezes, mas quando tomava outro drink gelado, a sensação ruim passava, o melhor era um de cor azul turquesa, que me lembrava o mar das Bahamas, e Finn e eu dançavamos em juntos, para dar apoio um ao outro, afinal ás vezes oscilavamos.
Dançamos muito, bebemos demais e não sei como, logo estávamos dentro de um quarto, nos agarrando, beijando e sabe se lá o que mais, mas sabe quando parece que você está sonhando? Eu não me sentia eu mesma, parecia que aquilo era feito por outra pessoa, devo ter bebido muito, pois logo uma escuridão me engolfou.
Acordei com alguém batendo na porta e quando tentei me mexer, senti o peso de uma perna em cima das minhas e alguém respirando em meu pescoço. Olhei para o lado e era Finn, dormindo feito uma pedra. A pessoa que bateu na porta entrou e trazia uma bandeja com café preto, sucos de frutas e algumas torradas. Empurrei Finn para o lado, achando que devia me cobrir, mas percebi que estava de roupas e ele também, e ele apenas mudou a posição e continuou dormindo. Deve ter transparecido em meu rosto a minha confusão e a mulher disse:
- Bom dia! Acho que vocês deveriam levantar e rumar para suas repúbicas, antes que haja muito movimento na rua. – reparei que ela tinha olhos bem azuis e usava um vestudo parecido com uma túnica grega e seus cabelos loiros estavam presos no alto da cabeça com cachos caindo ao redor e usava pulseiras de ouro.- olhei-a e perguntei:
- Você é?
- Sou Sasha, a dona da Luxury. Mantemos estes quartos para o casais mais afoitos, e vocês dois estavam muito animados ontem...
- Ai Odim, o que foi que fizemos? - arregalei os olhos de medo e ela disse:
- Não se preocupe, apesar da empolgação de vocês dois na pista de dança, vocês dois estavam bêbados demais para fazer algo mais além de dormir. Eu sei que você é da familia Ivashkov e não é bom estar envolvida em escandâlos, mesmo que ontem não tenha havido shows adultos. Por isso, eu mesma trouxe vocês para cá. Já ordenei ao meu pessoal que esqueçam o que viram. – comecei a agradecer aliviada, quando me lembrei de onde estava e disse orgulhosa:
- Serei generosa nos agradecimentos.- e os olhos da mulher faíscaram:
- Apesar de rica, você deve ter tido uma vida dificil. Não consegue reconhecer um ato de boa vontade, sem sacar a carteira e esfregar seu dinheiro na cara dos outros não é? Especialmente em um lugar como a minha casa. Um simples obrigado, é o suficiente. – senti meu rosto esquentar muito e disse sem graça:
- Eu peço desculpas, não quis ofender, é que já ouvi tanta coisa.... Obrigada, Sasha, por tudo, sinceramente.- e a mulher me olhou e disse:
- Coma algo, chamarei Apolo e vamos colocar seu namorado de pé. – e o negro que era os segurança da boate entrou e levantou Finn, como se ele fosse um saco de batata e o levou para o banheiro e ouvi o som de chuveiro.
- Ele não é meu namorado, é meu amigo.- ela me olhou longa e pensativamente e ficou quieta.
Logo Finn saía do banheiro com a cabeça molhada e os olhos vermelhos e alguns respingos na roupa. Se assustou quando me viu e antes que ele dissesse alguma coisa, eu disse:
- Você se importa de irmos embora logo Finn? – e ele se apressou. Antes de sairmos Sasha nos emprestou capas negras que cobriam nossas roupas e disse que havia uma carruagem alugada do lado de fora. Fomos logo e antes de sair, eu olhei para Sasha e a surpreendi dando-lhe um abraço e dizendo para que só ela ouvisse:
- Estou em dívida com você e eu sempre pago as minhas dívidas, especialmente com os amigos. Procure-me se precisar de qualquer coisa ok?- ela me respondeu:
- Obrigada, por me considerar uma amiga, E vocês ficarão juntos um dia, não desista. – sorri descrente e entrei na carruagem seguida apor Finn, que logo perguntou:
- O que foi que aconteceu Leo?
- Aconteceu o de sempre Finn: bebida à vontade, adolescentes se pegando, um quarto...
- Por Odim! Nós transamos!
- Não Finn, não transamos.- eu disse e ele respirou aliviado:
- Graças a Deus!- e senti uma raiva enorme dele e disse entre dentes:
- Pode ficar tranquilo, você não transou com a baleia encalhada da turma, isso não vai manchar a sua reputação. Nós apenas dormimos, aliás que isso fique entre nós, já é ruim o bastante para o meu lado, sem as pessoas saberem que causo sono em um cara.
- Você fala como se eu fosse um cara superficial...
- Agora que você está sóbrio, transaria comigo?- e como ele demorou a responder eu disse sarcástica:
- Não, claro que você não é superficial.- A carruagem parou e eu nem esperei por ele, desci rápido e depois de dar umas voltas, me aproximei da Atena e encontrei Parv, sentada nos degraus, com uma caixa de bombons pela metade e um tubo de chantily. Ela jogava um bombom na boca e espremia o chantily em cima. Sentei ao seu lado e perguntei:
- Noite difícil?
- Aham...- e ela me esticou o tubo quando joguei um dos bombons na boca.
N.Autora: Sweet dreams, Beyoncé
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