Saturday, February 26, 2011

Quando a professora Yelchin lança um desafio à turma, geralmente as semanas que antecedem a apresentação são excelentes. Sempre tenho um numero musical na manga e tudo que preciso é de poucas horas de ensaio para fazer uma apresentação precisa e que agrade a professora. Bem, não foi o que aconteceu dessa vez. Dando a turma o trabalho de se apresentar em duetos, ela sorteou as duplas sem margem para trocas e acabei presa a Derek. Não que ele fosse um cantor ruim, até era bastante afinado, mas era a pessoa mais insuportável do planeta. Não havia um único treino onde não discutíamos aos berros em cima do palco, numa guerra pra ver quem dava a última palavra.

- Não vá muito pra lá, está estragando a coreografia! – gritei irritada no palco do teatro.
- Não existe coreografia – Derek rosnou de volta – É um dueto musical, já disse que não vou fazer passinhos idiotas.
- E vai fazer o que? Ficar parado feito um poste em cima do palco com um microfone na mão? E ainda se diz artista... – debochei e ele veio pisando fundo na minha direção.
- Você tem sorte de ser bonitinha.

Ficamos nos encarando irritados por tempo suficiente para já estarmos prestes a espumar de ódio quando ele agarrou meu braço com violência e me puxou pra cima dele, me beijando. Empurrei-o de volta, mas ele já tinha prendido os dedos em volta dos meus pulsos com força e não consegui me afastar demais. Depois de um tempo parei de lutar. Todo ensaio era a mesma coisa.

ºººººº

Faltavam apenas três dias para a minha apresentação com Derek e, embora interrompêssemos os ensaios com freqüência, estávamos prontos. As duplas haviam sido divididas em dois grupos, para dois dias de apresentação, e estávamos no segundo grupo. Entre as muitas duplas do nosso dia, também estavam Leo e Mitchel, Jack e Penélope, Yanic e Flora, Robbie e Ozzy e Lukas e Valeria.

- Preparado pra apresentação? – perguntei a Lukas enquanto caminhávamos abraçados pelo corredor.
- Sim, Valeria é muito boa, vocês não tem a menor chance – ele provocou, me beijando em seguida – Ninguém resiste a Don’t Stop Believing.
- Escolher essa música é covardia.
- Lukas, posso falar com você um minuto? – Valeria se aproximou de nós animada – Oi Parv, tudo bom?
- Já volto, meu amor – ele piscou e se afastou com ela, que tinha uma partitura na mão.
- Ei, doçura.

Ouvi a voz de Derek atrás de mim e antes que pudesse me virar para olhar pra ele, já tinha sido puxada pra dentro de uma sala e estávamos nos beijando. Ele era rápido e forte, mas dessa vez consegui afastá-lo depressa. Minha primeira reação foi olhar para trás e me certificar de que Lukas não tinha visto nada, enquanto ele ria debochado. E olhar pra ele furiosa só o fez rir ainda mais.

- Seu louco, o que pensa que está fazendo? – acertei um soco em seu peito, mas ele continuava com o ar de deboche.
- O que foi? Não foi você que falou que gosta de se arriscar?
- Não tem a menor graça, e se ele nos visse?
- Bom, isso é um problema seu. Não sou eu que namoro o otário.
- Já chega, temos mais três dias antes da apresentação e depois que ela acabar, quero que mantenha distancia de mim, entendeu?
- Como quiser, não vai ser nenhum sacrifício não cruzar com você fora das salas – ele encostou-se à parede de braços cruzados e aquela cara de convencido – Mas e até lá?
- Até lá, não faça nenhuma gracinha – e puxei-o pela camisa, o beijando antes de sair.
- Está tudo bem? – Lukas apareceu na porta da sala na hora que eu ia sair. Senti meu coração parar por cinco segundos.
- Sim, estávamos acertando um último detalhe pra depois de amanhã – respondi firme, pra não deixar margem pra duvida.
- É, você precisa acertar o tom, ou vai passar vergonha – Derek falou desencostando da parede e saindo pelo meio de nós dois.
- Ele é muito convencido, como você está agüentando ensaiar todos os dias? – Lukas me abraçou outra vez e voltamos para o corredor.
- A gente está conseguindo se entender...

Continuamos nosso caminho até a o teatro para assistir as primeiras apresentações e não tocamos mais no assunto. Esse desafio da professora Yelchin já tinha rendido demais, estava na hora de acabar.

ºººººº

As apresentações do primeiro dia de duetos estavam muito boas. Claro que nenhuma estava à altura da minha apresentação com Derek, mas estavam mantendo um bom nível. Já pra abrir a noite, a professora chamou Lucian e Lenneth no palco. Eles escolheram “Lucky” pra cantar e ficou um climão no teatro, com todo mundo comentando o quanto eles ficavam bem juntos. Liseria e Patrick, os namorados da dupla, não gostaram muito. Eles subiram ao palco logo depois pra cantar “Need You Now”, talvez em resposta a apresentação anterior, o que só deixou tudo ainda mais embaraçoso.

Com essa abertura inusitada, as duplas que vinham depois não estavam empolgando muito, até que subiram ao palco Alec e Oleg. Todo mundo dizia que tinha sido marmelada eles caírem juntos porque eram irmãos, mas eles mostraram que formam mesmo a dupla cheia de sintonia. Escolheram “Dream On” pra cantar e chocaram a todos mostrando que tem uma voz potente. A professora ficou toda animada e eles desceram já com pinta de campões do 1º grupo.

Já estávamos caminhando para o final das apresentações quando Julie subiu ao palco com Nina. Enquanto a primeira parecia desconfortável, a outra estava animada até demais. Elas se posicionaram no palco e quando o pianista começou a tocar, reconheci a música na mesma hora. Elas iam cantar “Take Me or Leave Me”, de Rent.

Every single day
I walk down the street
I hear people say
"Baby's so sweet"
Ever since puberty
Everybody stares at me
Boys - girls
I can't help it baby


O teatro inteiro já estava se divertindo com a música e Julie acordou pra vida e se soltou. Agora eram as duas que estavam interpretando a música que cantavam e a performance estava muito boa. Bem convincente, na verdade.

So be kind
And don't lose your mind
Just remember that
I'm your baby

Take me for what I am
Who I was meant to be
And if you give a damn
Take me baby or leave me


Quando elas terminaram a apresentação, todo mundo estava aplaudindo empolgado. A professora então, estava em êxtase. Uma ótima sacada, escolher um musical para agradá-la, havia funcionado. Elas desceram do palco tão animadas que acho que não perceberem que estavam de mãos dadas. Cutuquei Leo na mesma hora, apontando.

- É, já tinha notado – ela comentou – Será que isso é pra valer?
- Não sei... – respondi pensativa, sem tirar os olhos das duas – Só tem um jeito de descobrir, não?
- O que você vai aprontar?
- Só vou me certificar que minha prima querida não está andando com quem não presta.
- Bom, seja lá o que for fazer, cuidado pra não acabar mal.
- E quando eu faço alguma coisa sem medir as conseqüências antes?
- Er... Sempre?

Começamos a rir nas poltronas e Robbie fez sinal para pararmos porque estávamos atrapalhando. Ficamos quietas e voltamos à atenção para as ultimas apresentações, mas foi difícil tirar os olhos das duas no fundo do teatro. Estavam abraçadas e sorridentes demais. É, já estava na hora de Julie aprender que não pode me provocar sem sofrer as conseqüências.

Música: Take Me or Leave Me – Rent.

Thursday, February 24, 2011

Anotações de Leonora ‘Aretha Franklin’ Ivashkov

- Não acredito que você nao vai fazer nada com relação a isso Ivashkov!O mínimo que eu esperava era te ver colocando pimenta no rímel daquela barbie de nariz mal retocado. - disse Robbie bufando ao ver Finn agarrado com uma garota.- e Parv completou:
- O que houve com a Leonora que conhecemos? Bateu a cabeça e assumiu outra personalidade? Porque o Finn, devia ao menos conversar com você sobre o que vocês têm....
- Finn e eu não temos nada de concreto, além de um pouco de pegação, numa época em que as pessoas ficam carentes e não são muito exigentes que é o Natal. Deixe-o com os seus brinquedos. – disse e algo em meu tom de voz, fez meus amigos trocarem olhares cúmplices e dar de ombros.


Depois que voltamos à escola, achei que Finn e eu, assumiríamos um namoro, ou algo do gênero, mas não foi assim. Finn, voltou ao seu antigo ‘modus operandi’, estava sempre com os garotos do time, e também rodeado de garotas que se enquadravam na categoria de ‘maria chuteiras’, de tão loucas por caras de uniforme esportivo elas eram, porém neste caso, elas eram ‘as rainhas do gelo’ como Ozzy e seus amigos as chamavam carinhosamente, e elas agiam como se fossem a própria realeza. Patético.
Ele e eu éramos amigos, porém eu não iria mais ficar com esperanças de que algo acontecesse entre nós. Depois do fim do ano, não sei quais fofocas chegaram até o castelo, mas eu não era mais tão ‘rejeitada’ pelos garotos como antes. Recebi alguns olhares e até mesmo alguns bilhetinhos no dia dos namorados, mas nada sério.
Depois do baile pelo dia dos namorados, ao estilo dos anos 50, ter sido muito elogiado, comecei a pesquisar algumas musicas da Brodway, que eu acreditava ser um sucesso e garantir a vitória no concurso organizado pela professora Yelchin. Pensei que Mitchel me procuraria para conversar sobre a nossa apresentação, mas vários dias haviam se passado e ele não tinha se mexido. Como havia percebido que ele estava me evitando, abordei-o na saída de nossa aula de Artes e disse incisiva:
- Hey Callaham! Somos uma dupla e até o momento você não me procurou para falarmos de nossa apresentação. Então já selecionei algumas musicas campeãs, que poderão ser nota máxima na aula da professora, perfeitas para nós. –Mitchel, que era jogador de quadribol era tão alto quanto Finn, porém era moreno, disse me encarando:
- Tenho treino, não tenho tempo para falar com você agora.
- Você não tem treino de quadribol hoje, já verifiquei, assim podemos conversar sobre a música que eu escolhi, e ela será um sucesso, já andei pesquisando os musicais que a professora Yelchin participou e sei como agrada-la....
- Você não se cansa?- olhei para ele curiosa:
- De quê?
- De citar a palavra ‘eu’ a cada frase que diz?. – senti meu rosto esquentar, abri a boca e ele me cortou:
- Como você frisou, somos uma dupla, e apesar disso, não nos conhecemos. Então você não tem que escolher uma música achando-a perfeita ‘para nós’ sendo que não conhece o meu estilo. – e não pude evitar de olha-lo de cima baixo e notei que ele usava camisa xadrez por baixo do blusão do time e botas muito usadas.
- Bem, seu estilo é fácil de decifrar:Cowboy de asfalto. - e ele suspirou balançando a cabeça e abriu a boca para falar, quando Finn se aproximou:
- Ele está te incomodando, Leo?- e ambos se fitaram irritados. Havia muita animosidade entre os times de quadribol e hóquei, e eles sempre se envolviam em brigas idiotas. Não demorou muito, o par de Finn se aproximou e o segurou pelo braço. Vi a mandíbula de Mitchel se retesar e respondi ao Finn:
- Sou grandinha, Finnegan,posso cuidar de mim mesma.- e a loira que estava com ele disse cínica:
- Ela realmente é grande, pelo menos dos lados, Marcus, deixa-a em paz. – sacudindo o cabelo platinado, e eu respondi:
- Siga o conselho do seu papagaio de pirata Finn, ela já está perdendo as penas, pode ter o pescoço torcido como o de uma galinha comum.- e vi um dos cantos da boca de Mitchel se erguer. A loira me olhou irritada e saiu pisando duro, com Finn, atrás dela, lançando olhares desconfiados para Mitchel que retribuiu. Ele se virou para mim e disse:
- Amanhã podemos ver as músicas que você escolheu...- ante meu olhar animado ele disse:
- Depois do meu jogo de quadribol, o qual você vai estar nas arquibancadas torcendo por mim.
- Um jogo de Quadribol? Eu? Nem pensar!
- Posso enrolar até o dia da apresentação, esqueceu que não pode mudar de par, haja o que houver? É pegar ou largar.
- Não entendo nada de quadribol...- comecei a protestar e ele sorriu:
- Não deve ser dificil aprender algo até nosso...Encontro de amanhã.- e foi embora, me deixando pasma.Eu havia entendido bem, ou ele havia falado encontro como sendo aquele tipo de: ‘encontro’?

Monday, February 21, 2011

Desde a aula de teatro onde a professora Yelchin havia desafiado os alunos a fazerem duetos por um premio, não tinha outro assunto entre seus alunos senão as apresentações. Todo tempo vago entre as aulas era preenchido com ensaios e era difícil encontrar uma sala desocupada. O teatro também era concorrido, mas Robbie conseguiu reservar uma hora para ensaiar com sua dupla, Ozzy. Desde o sorteio os dois ainda não haviam conversado para decidir o que iam cantar e nenhum dos dois estava satisfeito por terem que trabalhar juntos. Quando Ozzy chegou ao teatro na hora combinada, Robbie já estava lá, brincando com o piano.

- Ah, até que enfim – Robbie comentou vendo o garoto subir no palco – Não temos muito tempo.
- Fiquei preso no treino de Hóquei, mas já estou aqui, então vamos começar logo.
- Ei Ozzy, não sabia que tinha mudado de time! – um bando de garotos dos times de Hóquei passou na porta do teatro e provocou.
- Idiotas – Ozzy bufou e virou de costas – Então, vamos acabar logo com isso, tenho mais o que fazer. E já aviso que não vou cantar musica romântica com você.
- Não precisa se preocupar, ser gay não é contagioso. Você não vai sair daqui rebolando porque passou 15 minutos do meu lado.

Ozzy olhou para Robbie muito sério e bateu a mão na tampa do piano com raiva, fechando-a com um estrondo e o impedindo de continuar tocando. Robbie olhou para ele assustado, mas ficou de pé para encará-lo de igual para igual.

- Quero deixar uma coisa bem clara aqui – Ozzy começou a falar nervoso – Sei que eu tenho milhões de defeitos e da mesma forma que eu não gosto de você pelos seus, você também tem o direito de não gostar de mim pelos meus, mas uma coisa eu não admito e é que me acusem de ser preconceituoso. Não gosto de você porque te acho seboso e mimado, não porque você é gay. Seu namorado é meu melhor amigo, nós crescemos juntos. Eu sempre soube quem ele era e isso nunca me incomodou, então não venha me acusar de homofobia.
- Desculpe, não sabia o que você realmente pensava do Alec, mas entenda também o meu lado. Quase nenhum garoto dessa escola fala comigo por medo de que, se fizerem isso, vão ser taxados. Eles me tratam como se eu fosse uma doença contagiosa que precisa ser isolada e isso faz com que eu esteja sempre na defensiva. Alec não tem esse tipo de problema porque vocês o protegem, mas quem vai me socorrer se eles resolverem se juntar pra me dar uma surra? Parvati e Leo? Amo as duas, mas o que elas podem fazer por mim a não ser gritar por socorro?
- Certo, desculpe por estourar também. O problema é que não nos suportamos e estamos sendo forçados a trabalhar juntos, era inevitável começar errado.
- É, não nos suportamos, mas vamos ter que encontrar uma maneira de fazer isso dar certo. Pelo trabalho e pelo Alec.
- Tubo bem – Ozzy sentou no chão do palco – E o que você sugere, Robert?
- Não me chame de Robert, eu odeio.
- Desculpa, mas não me sinto a vontade chamado você de Robbie.
- Me chame de Raj então, Rajesh é meu segundo nome, mas não Robert.
- Ok, e o que você sugere, Raj? Não entendo nada de música, então o que você falar está bom.
- Que bom que pensa assim, por que acho que tenho a música ideal.

Robbie sentou ao seu lado no chão e lhe entregou uma partitura. Ozzy correu o olho pela folha e começou a rir quando terminou de ler. Ao menos para trabalhar juntos no dueto eles pareciam ter chegado a um entendimento.


ºººººº

O jantar já havia terminado e os alunos começavam a caminhar para suas republicas, mas Julie ainda estava longe de descansar para o dia seguinte. O dueto para a aula de teatro andava tirando seu sono e esgotando sua paciência. Sua dupla era Nina, uma garota da Avalon com quem estava sempre junto, mas as duas não andavam se entendendo desde que as aulas recomeçaram. Nina era muito bonita e popular, fazia parte da turma de elite do teatro e chamava a atenção por onde passava com seus cabelos loiros e olhos verdes, sempre gostando de ser o centro das atenções. Julie, por outro lado, era mais reservada e não gostava do exibicionismo da amiga, odiava chamar atenção de quem quer que fosse. Embora gostassem muito uma da outra, as personalidades diferentes começavam a entrar em conflito.

- Esquece, não vou cantar essa música – Julie bateu o pé – É muito exagerada, vamos escolher uma mais discreta.
- Não tem nada de errado com ela, o problema é com você! – Nina cruzou os braços e fechou a cara, irredutível – O que é? Está com medo do que vão comentar por causa de uma música?
- Você sabe que não ligo pro que os outros pensam.
- Eu achava isso mesmo, mas desde que voltamos das férias de natal já não tenho mais tanta certeza. Você voltou diferente. Voltou covarde.
- Não sou covarde, só não quero cantar essa música idiota! Será que é tão difícil assim entender que não sou como você, que gosta de chamar atenção?
- Sei que você é reservada, mas dizer que não gosta de chamar a atenção pra não dizer que prefere se esconder é diferente. Essa é outra diferença entre nós, eu sei quem eu sou e não tenho problema com isso.
- Eu sei quem eu sou e também não tenho problemas, mas ninguém tem nada com isso. Não gosto que se metam na minha vida!
- Ok Julie, diga o que quiser e tente se convencer de que está dizendo a verdade – Nina jogou a mochila nas costas e abriu a porta da sala – Quando decidir ser você mesma me avisa, e ai voltamos a falar do trabalho.

Nina saiu da sala e bateu a porta, deixando Julie sozinha. Ela ainda segurava a partitura com a letra da música e não conseguiu evitar que começasse a chorar. A porta abriu outra vez e ela se apressou em secar as lágrimas, mas não foi rápido o bastante. Alec viu seus olhos vermelhos assim que entrou na sala.

- Está tudo bem? – ele sentou ao seu lado na mesa – Vi Nina sair batendo a porta e isso nunca é bom sinal.
- Está sim, só estamos nos desentendendo quanto à música. Ela quer uma coisa que eu não quero.
- Essa? – ele apontou para o papel e pegou de sua mão, lendo – Por que não quer cantar ela? É perfeita.
- Não vou me sentir confortável cantando isso na frente da turma inteira. Isso combina com ela que é espalhafatosa, não comigo.
- Tem certeza que o problema é só esse? – Alec insistiu. Ele sabia que a amiga não estava sendo sincera, mas não podia fazer nada a menos que ela falasse a verdade.
- Eu gosto dela, de verdade, mas somos tão diferentes que não conseguimos mais não brigar. E isso me deixa mal, porque odeio brigar com as pessoas que gosto.
- Vocês são mesmo água e vinho, mas sempre se deram tão bem, o que aconteceu?
- Ela me acusa de não estar sendo verdadeira. Não sei o que ela quer que eu faça, mas não vou mudar por causa dela.
- Bom, o que quer que seja, acho uma pena que se afastem. Vocês se gostam, tentem se entender. E essa música é ótima, acho que vai se divertir cantando.
- Não sei se consigo.
- Ao menos tente. Você já leu direito essa letra? Musica mais perfeita pra vocês duas nesse momento não existe.
- É, tenho que concordar, mas vai ser difícil me soltar dessa forma.
- Faça como eu, ignore os olhares dos hipócritas de plantão. Ninguém tem nada a ver com a sua vida.
- Eu tento, mas é difícil.
- Vou ajudar você a superar isso, não se preocupe. E não vamos dizer a Ozzy e Oleg que você estava chorando. Você é o nosso Yoda, se eles descobrem que você também tem momentos de fragilidade onde não sabe como agir, vão sair por ai dando cabeçada nas paredes.
- Certo, isso fica entre a gente – ela agora riu.
- Já consegui fazer você sorrir, muito bom – ele beijou sua testa – Agora vamos, está tarde. Amanhã, de cabeça fria, você procura a Nina pra conversar.

Julie assentiu e levantou da mesa junto com o amigo, voltando para as repúblicas. Alec tinha razão, ela e Nina gostavam uma da outra e precisavam encontrar um jeito de se entender outra vez, e talvez terem sido sorteadas para fazer um dueto juntas fosse ajudar a resolver o problema.


Take time to realize
Oh oh, I'm on your side
Didn't I, didn't I tell you
Take time to realize
This all can pass you by
Didn't I tell you
But I can't spell it out for you
No, it's never gonna be that simple
No, I can't spell it out for you

If you just realize
What I just realized
That we'd be perfect for each other
And we'll never find another
Just realize
What I just realized
We'd never have to wonder
If we missed out on each other, but

Realize - Colbie Caillat

Thursday, February 17, 2011

Lembranças de Lucian P. Valesti

- Tinha que ser com ela?!
- Você só está assim justamente porque é com ela! Tenho certeza que se fosse com outra garota não estaria tão exagerada!
- Sim, você tem razão! As outras garotas eu posso ter dúvida se elas estariam afim de você ou não.
- Quer parar com isso? Quantas vezes eu já te falei que ela é minha amiga, minha melhor amiga! É como uma irmã pra mim!
- Não acho que é isso que ela pensa! – Liseria falou e eu bufei.
- Francamente, Liseria, você está inventando essas coisas. Você está com o namorado dela e mesmo assim nem eu nem a Lenneth estamos falando nada, estou?
- Você não tem motivos pra reclamar. – Ela falou, emburrada.
- E você tem? Sério, Lis, chega disso. Estamos perto do Dia dos Namorados, não vamos brigar.
- Sim e você vai passar a semana inteira ensaiando com ela e sei lá mais quantas semanas! – Ela falou novamente e eu bufei cansado. A segurei pelo braço e a beijei, apesar dela reclamar no início, depois ela se entregou ao beijo com vontade.
- Se depois disso você ainda tiver dúvidas, você é louca. – Eu falei e sai andando. Ela ficou um tempo parada mas depois veio atrás de mim e me segurou.
- Desculpa, não vou duvidar de você. Só que você sabe que tenho ciúmes!
- E você sabe que não faz sentido! E não tem como mudar, você ouviu a professora. Agora, por favor não vamos tornar as coisas mais difíceis do que são.
Ela se deu por vencida e eu suspirei aliviado. Às vezes namorar com a Lis era ruim por isso: ela morria de ciúmes da minha melhor amiga. E não havia motivos para isso, pois eu e a Lenneth éramos melhores amigos, ela era como uma irmã pra mim. O motivo dessa implicância toda era que a Val me conhece a mais tempo que a Lis e nos damos muito bem juntos.
Por isso fiquei feliz com o sorteio das duplas do dueto. Não que eu não quisesse fazer dupla com a Lis, mas fiquei feliz ao ser sorteado com a Lenneth. Eu e ela tínhamos uma afinidade enorme e sei que faríamos um excelente dueto. Por ironia do destino, acabou que Lis e Patrick, o namorado da Val, fariam o par juntos. No início até tentamos trocar, mas como a professora era irredutível, eu e Val aceitamos numa boa, mas Lis e Patrick nem tanto.
Me despedi de Lis na frente da biblioteca, pois ela queria fazer algumas pesquisas para o seu dueto, enquanto eu iria encontrar com Lenneth no vilarejo. Como eu estava trabalhando na livraria e teríamos algumas tarde livres para ensaiar, Ferania permitiu que eu e Lenneth nos encontrássemos na livraria e até ensaiássemos um pouco. Quando Lis entrou na biblioteca, Orion saiu e me saldou e fomos andando conversando até as portas do castelo.
- Francamente, o Dia dos Namorados deveria ser chamado de o Dia dos Idiotas. – Ele resmungou e eu revirei os olhos. Sabia o que ele pensava sobre os namoros, e apesar de descordar eu o deixava continuar falando.
- Ah qual foi, Orion? Namorar é maravilhoso.
- Ah claro, ficar todo meloso, com apelidos idiotas, abraçadinhos o tempo todo e gastando dinheiro com presentes e bombons. Eu passo.
- Não sei porque você pensa assim. Na verdade acho que sei sim: você precisa de uma namorada!
- Nem vem com essa. – Ele resmungou, me olhando torto. – Já basta eu ter que aturar as namoradas de amigos meus. A namorada do Toghia é um porre. – Ele falou. Toghia era um amigo dele de infância que estudava em Beuxbatons. Orion não gostava da namorada dele, pois se via obrigado a dividir o tempo do amigo com ela. Sei que isso soa estranho, mas o que eu posso fazer? Mas hoje, talvez por ser perto do dia dos namorados, me irritei mais fácil com isso.
- Você não deveria falar dela assim! Ela não faz seu amigo feliz? Devia gostar dela.
- Eu não entendo porque ele está com ela! Eu sou obrigado a dividir ele com ela o tempo todo quando estamos de férias. Ela tem problemas psicológicos isso sim. Todas são assim!!
- Chega Orion, está exagerando.
- Mas é a verdade. Todo mundo quando começa a namorar só pensa nos namorados e a namorada adora escravizar o garoto. Não vê a Liseria? Você deveria dar um pé na bunda dela, porque ela também vive no seu pé. – Ele falou isso como se fosse algo banal, mas me irritou profundamente. Eu o puxei com força e olhei em seus olhos.
- Olha aqui, eu não vou permitir que fale assim da minha namorada ouviu? Se você falar desse jeito novamente você vai ver como posso ficar irritado. Eu não permito que meu melhor amigo fale isso dela, acha que vou deixar você? – Eu enfatizei o menosprezo e virei-lhe as costas seguindo a passos largos até o vilarejo.
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- Desculpa o atraso! – Eu falei, ofegante, quando cheguei correndo na livraria. Lenneth me esperava sentada num dos bancos do lado de fora, conversando com Ferania. Sorri para as duas e Ferania se levantou.
- Vou deixá-los trabalhar. Se quiserem privacidade, podem ir pro segundo andar da loja. – Ela sorriu e entrou.
- Vamos subir? – Lenneth perguntou e eu achei que era uma boa idéia, pois se decidíssemos cantar, não queria platéia antes da hora, por isso entramos na livraria e nos sentamos em alguns dos sofás do segundo andar.
- Então, já pensou em alguma música? – Eu perguntei, quando nos sentamos. Ela sorriu animada e tirou uma folha do bolso.
- Eu pensei em algumas, mas não tenho certeza. O problema é que a maioria que pensei era para cantar com o Patrick, teríamos que mudar. Não acho que a Liseria iria gostar se cantássemos “Are you the one”. – Eu ri e ela sorriu também.
- É o meu problema também, já tinha algumas idéias para cantar com a Lis. Como “Ever Dream”, “All I ask of you”. O Patrick está aceitando isso numa boa? – Eu perguntei e ela bufou, o que foi suficiente para eu entender.
- Ele não fica reclamando, mas sei que não gostou. Queríamos cantar juntos. – Ela falou, mas logo ela olhou pra mim antes de falar novamente. – Mas estou muito feliz de cantar com você!
Começamos a conversar sobre as músicas e pouco depois estávamos de pé, ensaiando alguns passos. Chegamos a conclusão que talvez fosse mais fácil começar com a coreografia, já que não conseguíamos decidir qual música usar. A música que queríamos tinha que ser especial, que representasse a nossa amizade, e seria difícil. Estávamos rindo e dançando alguns passos de valsa quando uma música começou a tocar. Ela era lenta e bonita e sem perceber fomos envolvidos pela música.
Dançamos lentamente, e eu rodopiei Lenneth, enquanto cantávamos juntos da música. Terminamos a música abraçados, os olhos bem próximos um do outro. Ficamos nos olhando assim, sem fôlego pela dança e pela música e não sei bem o que houve ali.
- Interrompo alguma coisa? – Ferania falou, com um sorriso no rosto, no topo da escada. Nos afastamos e começamos a rir.
- Não, claro que não. Algum problema? Precisa da minha ajuda? – Eu logo perguntei e Ferania disse que não.
- É só que já é quase 6 da noite, vocês tem que voltar pro castelo. – Ela falou e nós dois nos assustamos.
- Já?! Perdemos a noção da hora! – Lenneth falou. – Droga, tinha combinado de me encontrar com o Patrick às 5!
- E eu ia no gabinete do Professor Renomaru antes de encontrar com a Lis. – Nós falamos e reunimos nossas coisas, correndo escada abaixo.
- Vocês formaram um lindo dueto! Cantem essa música! – Ela gritou enquanto saíamos pela porta da loja. Acenamos para ela e corremos para o castelo. Parecíamos duas crianças, pois corríamos rindo e sem precisar falar nada, nós dois decidimos usar aquela música.
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- Desculpa a demora, professor. – Eu falei, ofegante ao entrar no gabinete dele. Tinha passado antes para encontrar com Lis e disse que tinha que correr. Ela não ficou muito feliz, mas disse que me esperava para jantarmos juntos.
- O que o fez se atrasar? Nunca aconteceu isso. E você sabe também que não gosto muito disso. – Ele falou, apontando para uma pequena pilha de folhas. Semanalmente, o professor escolhia um dos alunos do clube para ter aulas particulares com ele, de modo que todos pudessem desenvolver suas habilidade igualmente.
- Desculpa. Estava ensaiando para uma atividade da professora Yelchin. Será um dueto.
- Está bem. Quero que leia esses textos e use a alquimia para transmutar aquele relógio velho em um novo. Seu dueto é com a Liseria, sua namorada?
- Não, foi um sorteio. Eu e a Lenneth vamos cantar juntos. – Eu falei, já me concentrando nos papéis, que eram textos antigos sobre alquimia, mas percebi quando ele sorriu.
- Que ótimo, vocês trabalham bem juntos. – Ele disse, supervisionando o meu trabalho. Ele riscou uma runa que eu tinha escrito e trocou por um “ankh” e eu levantei a sobrancelha, pois não sabia que podia misturar as alquimias de origens diferentes, mas ele assentiu. – Me diga uma coisa, Lucian, ela está mesmo namorando?
- A Lenneth? Está sim, começou a namorar com o Patrick Boris nas Olimpíadas, fazem um bonito casal.
- É mesmo? Sabe de uma coisa? – Ele perguntou e eu sorri, acostumado ao modo como ele se aproximava dos seus alunos do clube. – É uma pena... Sempre achei que vocês dois terminariam juntos, formariam um lindo casal.
- Como é que é? – Eu perguntei, tossindo. – Nada disso, professor!
- É sim. Sempre apostei em vocês, é meu casal favorito, sempre torci por vocês.
- Ela é só minha amiga, Reno.
Eu falei, mas ele sorriu, dando de ombros. Ele não mais falou nada, mas o ouvi falando algo bem baixo que soou como “é o que você pensa”. Decidi ignorar isso, mas me peguei pensando em nós dois cantando e dançando aquela música. Balancei a cabeça rapidamente, voltando a me concentrar, Reno estava só me deixando confuso de propósito, tenho certeza.

Wednesday, February 09, 2011

Janeiro de 2015

- Srta. Karev, não saia ainda.

Parei onde estava enquanto o resto da turma de Alquimia saia da masmorra. Era a primeira semana de aula depois das férias de fim de ano e já estávamos deixando aquela aula com os braços cheios de livros para fazer a pilha de dever que o professor Kollontai havia passado. Já no primeiro dia o procurei para falar sobre a vaga no clube de Alquimia avançada, então imaginava que ele estava me segurando depois da aula para falar sobre isso. E acertei.

- Então a senhorita está interessada na vaga do meu clube – ele falou com a minha ficha na mão. Aquilo nunca era bom sinal.
- Sim, minhas notas em Alquimia são boas, acho que posso acompanhar o ritmo da turma.
- Concordo, seu histórico de notas é bom – notei que ele deu mais ênfase ao “notas”, mas ignorei – O problema, Srta. Karev, é que não vejo interesse pela Alquimia em você. Não sinto que dê a importância necessária, que está querendo essa vaga apenas pelos créditos.
- Já tenho todos os créditos que preciso como presidente do Grêmio e redatora do jornal da escola. Não preciso do clube de Alquimia para isso. Quero a vaga porque gosto da matéria e sei que posso dar conta.
- Gosto da sua atitude, mas ainda não estou certo disso – ele sentou e guardou minha ficha – Vamos fazer o seguinte. Vou observá-la durante um mês, e se achar que merece a vaga, a autorizo a se juntar ao meu clube.
- Justo – levantei e peguei meu material – Vai me ver no clube mês que vem, professor. Pode ter certeza.

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Um mês depois


- Silencio, por favor.

A professora Yelchin ergueu a mão calmamente e falou em seu tom de voz baixo, mas mesmo assim todos ouviram e obedeceram. Ela vinha a um mês falando sobre química na música e mostrando vídeos de duplas cantando, então estávamos todos curiosos para saber onde aquilo ia parar. Pela expressão em seu rosto, era naquela aula que descobriríamos.

- Alguém sabe o que é um Dueto?

Todos deviam saber, era uma pergunta óbvia, mas acho que ninguém quis arriscar falar alguma bobagem. Afinal, por que ela faria uma pergunta tão fácil como aquela?

- Dueto é quando duas vozes se juntam para se tornar uma. Ótimos duetos são como um ótimo casamento. Os cantores se completam, pressionam o outro a ser melhor. Então, para o nosso próximo trabalho, quero pares para cantar um dueto. E vai ser uma competição.
- O que o vencedor ganha? – um garoto no fundo do teatro perguntou.
- Jantar para dois, por minha conta, no Rainbow Room.
- Aquele restaurante de rico do vilarejo? – o mesmo garoto falou animado – Esse premio já é meu!
- Eu tenho que vencer isso! – o amigo dele falou meio em pânico – Vai ser meu presente de dia dos namorados pra Dani.

O auditório logo se agitou com a perspectiva de uma pequena competição. O premio podia ser qualquer coisa que já íamos adorar, poder jantar no Rainbow Room então, só deixava as coisas mais animadas. Precisava detonar naquela competição.

- Que bom que todos gostaram da idéia. As apresentações serão na semana seguinte ao Valentine’s Day e para ser justa com todos, as duplas serão sorteadas – a maioria protestou, mas ela ignorou – Dentro dessa urna existem diversos pares, seja um palitinho com a mesma cor, uma pedra com o mesmo desenho, qualquer coisa. Cada um vai tirar um e encontrar a pessoa que tirou a outra metade. Não adianta reclamar, não haverá troca.

Um por um os alunos foram ao palco tirar a sorte na urna e aos poucos iam encontrando seus pares. Alguns ficaram animados, outros nem tanto. Eu estava no grupo dos insatisfeitos. Quando puxei uma bolinha com o desenho de um hipogrifo, vi que Derek tinha uma idêntica na mão. Robbie também não parecia a mais feliz das criaturas, mas também não estava reclamando. Ele ia fazer par com Ozzy, que parecia muito mais infeliz que ele. Leo estava animadinha, tinha tirado uma fita laranja e ia fazer par com Mitchel Callahan, um garoto que era de um dos times de Quadribol da escola e muito bonito. Lucian e Lenneth tiraram um cartão com uma Runa desenhada e iam trabalhar juntos. E numa ironia do destino, Liseria ia fazer dueto com o namorado de Lenneth, Patrick.

- Preparem as músicas, vocês tem três semanas até apresentá-las. Vale qualquer música, desde que se encaixe em um bom dueto. Podem ir, estão dispensados.

Saímos do teatro já pensando em possíveis musicas para a apresentação, mas eu sabia que até chegarmos a um consenso, Derek e eu teríamos muitas brigas. Tentei ignorar isso durante o jantar e quando estava perto da hora da reunião do grêmio começar, sai apressada do salão e larguei Leo e Robbie para trás. Precisava estar sozinha na sala antes de todos chegarem.

- O que está fazendo? – Leo e Robbie entraram na sala do grêmio 10 minutos depois e pararam ao meu lado. Estava agachada do lado de uma das cadeiras.
- Tirando os parafusos da cadeira – respondi sem interromper o trabalho.
- Correndo o risco de me arrepender... – ouvi Robbie suspirar – Por quê?
- Essa é a cadeira do Lusth – tirei o último parafuso e guardei no bolso, ajeitando a cadeira para que ficasse como se estivesse com todos os parafusos no lugar – Pronto. Vamos ver se agora ele vai achar engraçado ter colocado talco no meu secador.
- Nem se incomode em dar bronca – Leo impediu Robbie de começar um sermão e foram para seus lugares.
– É seguro sentar? – ele perguntou apontando para sua cadeira e assenti.
- Ah, já chegaram, que ótimo! – a professora Mira entrou animada na sala e ocupou seu lugar – Espero que os outros não se atrasem, temos muito trabalho para hoje!

Aos poucos o resto dos alunos que formavam o conselho do grêmio foram chegando e assumindo seus lugares, e para o meu total deleite, Lusth foi o último a chegar. Já estavam todos acomodados esperando a reunião começar quando ele se sentou e a cadeira, sem seus parafusos, se abriu como um guarda-chuva e as peças voaram para todos os lados. Ele caiu de bunda no chão e ainda arrastou algumas pastas que estavam em cima da mesa quando tentou se segurar. A gargalhada na sala foi geral, mas não durou muito pela presença da professora, que fez todos se calarem depressa enquanto Finn e Lucian o ajudavam a se levantar. Jack me olhou balançando a cabeça em reprovação, mas tudo que consegui fazer foi abrir um sorriso satisfeito para ele.

- Muito bem, muito bem, vamos parar com a agitação. Oscar, pegue outra cadeira e sente-se logo para começarmos a reunião.
- Professora, posso? – levantei a mão pedindo a palavra e ela me concedeu – Bom, agora que Ozzy nos deu um pouco de divertimento como boas vindas depois das férias, vamos começar a trabalhar um pouco. Em duas semanas é Valentine’s Day e ainda não começamos os preparativos para a festa.
- Antes que continue, deixe-me dar um recado – a professora interrompeu – Embora a festa de Halloween tenha sido um sucesso, o diretor pediu que a festa de Valentine’s Day fosse dentro dos limites da escola. Em suas palavras, é uma data mais perigosa e ele quer ter o controle de onde todos estão.

Alguns protestos baixos foram ouvidos, mas todos acabaram concordando com a festa na escola mesmo, ou não teria festa nenhuma. Começamos a debater idéias de temas diferentes do que estávamos acostumados a fazer e cada um contribuía com o que podia, mas foi Robbie quem deu a idéia aprovada por unanimidade. Ele pediu a palavra e começou a falar sobre os Anos Dourados. Ninguém parecia estar entendendo no começo, mas então ele explicou que estava se referindo à década de 50 e propondo uma festa com aquela temática. Todo mundo logo se empolgou e bati o martelo. A festa se chamaria “Anos Dourados”.

Como sempre fazíamos, cada um ficou responsável por uma parte da festa e, pra variar, fiquei com a parte de decoração com Leo e Robbie. Eu não entendia muito da década de 50, mas Robbie parecia saber tudo sobre o assunto, então estávamos tranqüilas. As músicas ficaram por conta de Yanic, Lukas e Jack, que se prontificaram a ajudar com a montagem de palco e sonoplastia. Lucian e Ozzy ficaram encarregados da iluminação. Maria e Lukas iam cuidar das comidas e bebidas da festa e Valeria ia cuidar da parte do figurino, se certificar que ninguém apareça na festa sem estar vestido a caráter. Já a professora Mira ficou encarregada de cuidar da parte de fiscalização, colocando os professores de alerta no dia da festa. Saímos da sala animados, mais uma vez uma festa ia deixar sua marcar a escola, e com o grêmio sob o meu comando.

Sunday, January 09, 2011

Em uma semana de Setembro de 2007

- O que foi que aconteceu com ela?- perguntou o garoto moreno com traços indianos.
- Alguém a colou aqui, sabe que é semana das repúblicas...Qual o nome dela?- quis saber o garoto loiro.
- É a Leonora Ivashkov. Droga! Ela está congelada. Deve ter passado a noite toda aqui fora...- disse a menina loira.
A garota tremia tanto, que não conseguia falar, seus lábios estavam roxos e ela estava desnorteada.
O garoto alto e forte pra idade, pegou sua varinha e procurou se lembrar do feitiço de desfazer, mas a menina loira junto com o indiano ficaram impacientes, pegaram suas varinhas e disseram ao mesmo tempo:
- Diffindo...- e conseguiram soltar a garota, que quase caiu ao chão mas os dois meninos a seguraram a tempo.
- Nossa, ela é pesada.- resmungou o moreno e a loira disse:
- Não reclama Von Hoult, mexam-se, temos que leva-la para dentro.
- Talvez...precisem... de desenho...são garotos, Parvati...- a garota disse enquanto batia os dentes e a menina loirinha disse sorrindo:
- Até a menina picolé, está pensando mais rápido que vocês. – então os dois carregaram a garota para dentro e a levaram para o quarto indicado, colocaram cobertores em cima dela, e o menino indiano correu até a cozinha e logo voltou trazendo uma xicara cheia de chá fumegante:
- A cozinha de vocês é um horror, mas consegui fazer este chá para você se aquecer, não encontrei nada alcóolico, então isso terá que servir. Aliás eu sou Robert, sou da Osiris e ele é Marcus Finnegan, da Kratos.
- Não é melhor chamarmos algum adulto? Ela pode ficar doente...Pegar uma pneumonia...- disse o garoto loiro.
- Quem fez isso com você, meu bem?- disse Robert ajeitando os travesseiros da garota:
- Algumas garotas da Atlantis...
- Precisamos denunciá-las...- disse Finnegan e Leonora se agitou:
- NÃO! Não vamos fazer nada, quando eu parar de tremer eu mesma cuido disso.-e a garota de nome Parvati disse:
- É o que você quer? Porque eu posso botar a boca no mundo e eles vão me ouvir, te garanto.
- Sim, é o que quero. É a semana das repúblicas, e cada um resolve seus problemas não é? Além do mais, a responsável por isso foi a minha irmã e ela não espera que eu vá reagir, mandando um presente bem fedorento a ela. - e as duas garotas trocaram olhares maldosos e o menino moreno disse:
- Bem, seja o que for que fizer conte conosco, afinal somos os seus salvadores. Alguém ja avisou à vocês, que nem todo abajur da Tiffany combina com estas cores frias? – Robert disse olhando horrorizado ao redor do quarto e se pôs a dar ordens: - Finnegan, busque comida e bebia, Leonora fique na cama quentinha e Parvati, vamos redecorar este quarto! Preciso de um desafio e este é dos grandes. Começava ali umas da amizades mais estranhas daquela escola.

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Véspera de Natal 2014

Após o jantar em minha casa, onde tivemos uma troca de presentes constrangedora, pedi licença e fui para meu quarto. Minha avó já havia se retirado mais cedo com dor de cabeça após mais um dos rompantes de minha mãe e minha irmã, a respeito dos presentes que haviam recebido de minha avó.
Deitei-me usando o suéter novo que ganhei de Parvati e enquanto saboreava meus caramelos favoritos lia e via fotos de uma biografia não autorizada de um artista famoso que tinha ganhado de Robbie, quando ouvi um baulho na minha janela.Levantei-me e descobri que era o Finn. Estávamos meio estremecidos desde as Olimpiadas, mas me preocupei quando o vi escalar a treliça, ao lado da minha janela.
- Você enlouqueceu? Poderia cair e se machucar sériamente. –e ele riu:
- Faço isso há tempo demais para me deixar cair, Leo. Relaxa. Vai me deixar entrar ou eu vou ficar aqui morrendo de frio? Seja boazinha, é Natal.- olhei para ele, mas era dificil ficar zangada. Abri a porta de vidro e ele entrou, enquanto eu voltava para minha cama.
- Já deitada? Porque não está la embaixo festejando? Sabe que esta é a melhor época do ano para se estar com a familia.
- Finn, nesta casa não costumamos recriar o clima de ‘filme de sessão da tarde com a familia feliz’ , então não enche...- Joguei um caramelo para ele que o apanhou rápido.
- Ok, ok, não vim aqui para brigar. Vim te buscar para ir até a minha casa.
- E eu iria até a sua casa, porque?
- Porque minha mãe já perguntou por você umas quinze vezes, meu pai adora seus comentários sobre os jogos na tv, e ah ia me esquecendo: você é minha amiga e quero te dar o meu presente, nesta ordem.- disse e eu ri:
- Você poderia ter trazido e me dar agora...
- Não teria graça, tem que ser na manhã de Natal.
- Ah, claro e aposto que você vai colocar biscoitos e leite para o Papai Noel também?- o provoquei porque Finn adorava estas tradições, e ele ficou vermelho, mas não respondeu a minha pergunta.
- Você vem?Por favor?Por favor?- e eu sorri com a sua insistência e fiz que sim. Deixei um bilhete avisando aonde estava indo, apenas por força do hábito. Meus pais não iriam me procurar de qualquer forma.

A casa de Finn, era um sobrado e estava decorado com muitas luzes, e havia até mesmo um boneco de neve na entrada, usando um cachecol e segurando um taco de hóquei, e os pais dele pareciam felizes por me ver ali.
A mãe de Finn estava tão acostumada comigo em sua casa, que ela não agia como os outros pais, que proibiam garotas e garotos de ficarem no mesmo quarto de portas fechadas. Eles confiavam em seu filho e em mim. E eu procurava estar à altura desta confiança.
Depois de beber, comer e conversarmos seus pais se despediram, e eu e Finn fomos para seu quarto e ficamos conversando até muito tarde, jogando video game, enquanto bebiamos cervejas amanteigadas. Dava para ouvir que nas casas vizinhas havia música sendo tocada, e nós acabavamos cantarolando juntos.
Acordei com alguém me beijando de leve e não evitei um suspiro, mas continuei de olhos fechados. Queria continuar sonhando...
- Leonora acorda..É Natal!- abri os olhos e ele estava a centímetros de meu rosto sorrindo.Ficamos nos olhando e ele até começou a abaixar o rosto novamente, mas ouvimos sua mãe gritar o nome dele, e ele se afastou:
- Vamos abrir os presentes...- ele me puxou e não houve outro jeito de não segui-lo.
O engraçado era que Finn lembrava um daqueles garotos de filme de sessão da tarde, que ficam de olhos arregalados quando encontra a árvore cheia de presentes. Ele estava realmente alegre por ser manhã de Natal e era uma sensação contagiante. Ajudei a mãe dele a fazer o café da manhã, e fiz uma das receitas de minha avó para rabanadas, e passamos a manhã aproveitando os presentes trocados. Depois fomos patinar no lago perto de sua casa e foi muito divertido. Algumas garotas olhavam para Finn e sorriam animadas, ele até olhava para algumas delas, mas não saía de perto de mim, sempre segurando a minha mão quando patinávamos, levantando a gola de meu casaco quando começava a fazer frio, ou tirando uma mecha do meu cabelo do rosto. Em um destes momentos, ele me beijou.
Quando nos separamos nos olhamos e sorrimos um ao outro, e tornamos a nos beijar. Não estávamos começando um namoro ou algo do tipo, eram apenas duas pessoas que se gostavam e queriam passar um tempo juntos, era nisso que eu acreditaria hoje e talvez, só talvez...O dia de Natal, torne-se o meu dia favorito do ano.

I can't fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show

And even as I wonder I'm keeping you in sight
You're a candle in the window on a cold dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might


N.Autora: Can’t fight this feeling, Glee

Wednesday, January 05, 2011

As Olimpíadas na Austrália haviam terminado e voltamos a nossa rotina diária, mas pra mim as coisas estavam um pouco diferentes. Piores, eu diria. Por ter perdido a aposta do Triatlo para Parvati, estava sendo obrigado a ser seu elfo doméstico por uma semana inteira. A semana escolhida foi a última de aula. Foi um verdadeiro inferno ter que segui-la pra todo lado carregando livros, arrumando o quarto delas (que era o quarto mais bagunçado do mundo) e fazendo chá de todos os tipos, só para ela falar que estava ruim e me mandar fazer de novo.

Já era fim de tarde do último dia de escravidão. Ela estava na sala da Atena conversando com Leo, Robbie, Alec, Julie, Penny, Jude e Flora. Alec, aquele traidor, agora estava amiguinho do inimigo, tudo graças ao namoradinho que ele arrumou. Estava sentado no balcão da cozinha ouvindo a conversa de longe. Eles falavam sobre a final do tênis, onde Parvati e Robert, ou Parvesh, como chamavam a dupla, derrotaram os canadenses com tanta disposição que até assustaram os adversários.

Jude dizia alguma coisa sobre não deixar que pegassem uma raquete outra vez quando levantei e subi as escadas sem ser notado. Estava planejando uma despedida da semana de escravidão em grande estilo e nada melhor que a noite onde teríamos uma festa promovida pelo grêmio para isso. Fui direto para o quarto de Parvati e peguei seu secador de cabelo na cômoda. Estava tão concentrado que não percebi que Julie me viu sair da sala e me seguiu até lá.

- O que pensa que está fazendo? – Julie entrou no quarto bem na hora.
- Nada – tentei esconder o talco, mas ela já tinha visto.
- Você estava colocando talco no secador de cabelo?
- Vai me dedurar?
- Não preciso, ela vai saber que foi você – Julie me olhava com seu habitual ar de reprovação – Ozzy, não faça isso.
- Relaxa, é só uma brincadeirinha.
- Não, não é. Isso vai desencadear uma série de “brincadeirinhas” que vão terminar mal.
- Está exagerando – desdenhei – Claro que ela vai revidar e eu vou fazer algo de volta, mas são brincadeiras inofensivas.
- Você não sabe onde está se metendo. Parvati não tem limites, ela não vai parar até que tenha realmente o atingido.
- Ela não vai conseguir me derrubar, posso garantir isso.
- Não subestime uma Karev.
- Fique tranqüila, Jules. Não vamos nos matar.
- Bom, depois não venha dizer que não avisei – ela bateu no meu ombro antes de caminhar até a porta – Está por conta própria.

Continuei o que estava fazendo e limpei a bagunça antes de sair, deixando tudo onde estava quando entrei. Tive que ficar de plantão na sala mais uma hora, e quando a aposta expirou, sai bem depressa. Não fiquei para ver o show, mas Alec ainda estava na Atena quando ela saiu do banho e foi se arrumar no quarto, ligando o secador com o corpo ainda molhado. Ele chegou à Kratos dizendo que ela ficou parecendo um mímico com a cara cheia de pasta d’água, que foi o que o talco virou em contato com a água.

Sabia que ela ia querer revidar, já que era óbvio que tinha sido eu, mas não estava me importando. Ia embora pra casa para um natal muito mais feliz que os dos últimos anos.

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- Foi difícil não rir – Alec comentou rindo - Robbie me olhou alarmado quando viu que ia deixar escapar uma gargalhada e sai correndo da republica.
- Queria ter visto a cara dela, daria uma excelente foto pro álbum do ano! – joguei os pés em cima da mesa satisfeito e minha mãe bateu no meu tênis.
- Saiam daqui, vão esperar lá fora ou não consigo terminar de arrumar a mesa!

Ela nos expulsou da sala e voltamos para o quintal, onde Oleg e Edgar conversavam animados. Era véspera de Natal e já era tradição as duas famílias comemoraram a data juntas. Sempre foi assim, não é a toa que conheço os gêmeos desde que ainda usávamos fraldas. Quando sentamos ao lado deles no banco, Oleg estava dando dicas a Edgar de como chamar uma garota para sair.

- Opa, quem é a vitima? – perguntei animado.
- Você está mesmo fazendo essa pergunta? – Alec me olhou como se eu fosse idiota – É claro que é a Alexis.
- Mano, sério, o que você vê naquela garota? – resmunguei. Não me conformava que meu irmão fosse tão ligado a irmã da Parvati – Você não pode unir nossa família com a dela.
- Unir famílias? Está maluco, Ozzy? – Oleg me olhou assustado – Quem está falando em casamento? Ele só quer dar uns pegas na garota e pronto!
- Ei, olha como fala dela! – Edgar protestou – Ela não é qualquer uma.
- Olha ai, ele está apaixonado pela irmã do capeta! – dei um tapa na cabeça dele – Eu não vou deixar você se envolver mais do que já está envolvido com aquela garota!
- Você não pode me dizer o que fazer, não é o papai! – Edgar retrucou irritado – E ela não é como a irmã, pare com essa implicância idiota! Você nem conhece a Lexie direito pra julgá-la.
- Se ela tem os genes da irmã, conheço o suficiente.
- Parem com isso! – Alec interveio – Ozzy, a Parvati nem é tão horrível assim. Na verdade, vocês dois são muito parecidos, por isso não se bicam – fechei a cara, mas ele não me deixou interromper – Se seu irmão gosta da irmã dela, isso não é da sua conta. Deixe que ele viva a vida do próprio jeito, não do jeito que você acha que deve ser! Conhece a campanha pela vida? Não? Cada um que cuide da sua!

Alec levantou do banco arrastando Edgar pela manga da camisa para dentro de casa e me deixou sozinho no quintal com Oleg. Ninguém falou mais nada sobre o sermão, mas Alec podia falar o que quisesse, que pra mim não importava. Eu não ia permitir que meu irmão namorasse a irmã daquela coisa.

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Natal na família Karev era sempre a mesma coisa. Todo ano a família se reunia na casa dos meus avôs paternos, e isso incluía os meus avôs maternos e seus filhos. O resultado dessa mistura era sempre a mansão lotada de tios e primos pra todos os lados.

Eu me dava bem com todos os meus primos, na medida do possível. Era criança e adolescente demais para socializar. Eu tentava, mas no fim acabava sempre na mesa conversando com Jack, e de vez em quando, Julie. Esse ano não fugiu à regra, e estava em uma das mesas do jardim com os gêmeos e minha irmã. Jack lia um grosso livro de Alquimia, totalmente alheia a conversa.

- Jack, esse livro é da turma de Alquimia Avançada? – perguntei e ele assentiu – Pode me emprestar depois?
- Claro, mas pra que? A matéria dele não cai nos exames normais, só pra turma avançada mesmo.
- Eu sei, mas não teve um aluno que desistiu das aulas? Quero tentar a vaga dele.
- Você? – Julie riu descrente e aquilo me irritou – Não faz o perfil.
- Está me chamando de burra?
- Não, só dizendo que não faz o perfil de alguém que freqüente aula avançada de qualquer coisa.
- Eu não sou burra, só fico com preguiça de estudar.
- Então você tem MUITA preguiça de estudar.
- Ok, parem – Jack agarrou meu pulso na hora que ele ia acertar um soco em sua irmã – Parv, tem certeza disso? Essas aulas são muito diferentes das aulas normais de Alquimia. O professor Reno é ótimo, mas ele sabe ser estúpido quando percebe que alguém não está interessado na matéria como ele acha que deveria estar.
- Não vou lá pra brincar, eu gosto de Alquimia. Minhas notas são ótimas, eu sei que posso entrar pra turma.
- Se tem certeza que é isso que quer, pode ficar com o livro – ele me empurrou o pesado exemplar de Alquimia Avançada e comecei a folhear – Vou dizer a ele quando voltarmos que você está interessada na vaga.

Julie não me perturbou mais quanto a minha capacidade de entender alquimia avançada tão bem quanto eles e o assunto mudou para a vida amoroso na escola. Resolvi ignorar e ler alguns capítulos do livro, mas minha concentração foi pro espaço quando eles começaram a falar da minha irmã. Não que eu não quisesse que ela tivesse um namorado. O problema era quando esse namorado que ela já tinha em vista era irmão do idiota do Ozzy.

- Por Merlin, o que você vê naquele garoto esquisito? – entrei na conversa – Ele é problemático demais.
- Eddie não é esquisito, você nem o conhece pra falar assim – Alexis o defendeu, enfezada.
- Não acho que ele seja a pessoa certa pra você, tem muitos garotos melhores na escola e que não precisam de medicamento pra não sair por ai socando as pessoas.
- Você é ridícula! – Alexis se levantou furiosa, mas não me abalei. Ela precisava ouvir aquilo, aquele garoto não ia entrar pra nossa família – Não se meta na minha vida, eu namoro quem eu quiser e ninguém vai me impedir!
- Você devia cuidar mais da sua vida antes de querer controlar a de outras pessoas. – Julie levantou também – Sabe por que vocês dois se odeiam tanto? Por que são igualmente presunçosos e arrogantes, que se acham donos do mundo. É muita prepotência pra pouco espaço, por isso precisam brigar pelo território.

Antes que eu pudesse responder, ou quem sabe voar no pescoço dela, Julie já estava caminhando atrás da minha irmã e as duas sumiram pela porta de vidro que dava para a sala de estar. Jack me olhou com a cara de sempre quando eu estava reclamando do amigo dele, e sabia que ia vir mais sermão.

- Julie tem razão, sabe? – ele falou cauteloso – Eu não falaria com as mesmas palavras, mas a idéia seria a mesma.
- Sua irmã é uma idiota, odeio ela.
- Odeia nada. Assim como no fundo você não odeia o Ozzy. Tenho certeza que um dia vocês ainda vão se entender, e rir disso tudo.
- Sinto lhe informar que você não vai viver para ver esse dia, primo querido.

No instante em que disse isso, uma rajada de vento bateu no jardim e varreu tudo que tinha em cima da nossa mesa, menos o livro. As paginas passaram depressa e pararam em um capitulo que falava sobre imortalidade. Olhei para Jack assustada, mas ele ria.

- Não deboche – disse séria – Não gosto quando essas coisas acontecem.
- Acontecem com freqüência? – ele parou de rir.
- Não muita, mas o suficiente para me impressionar.
- Imortalidade – ele puxou o livro pra si e leu o titulo do capítulo – Estou ansioso para chegar nessa parte da matéria.
- Existem famílias de Imortais... Você conhece alguma?
- Sim, ouvi falar delas, mas não conheço nenhuma – algo me dizia que ele estava mentindo, mas não quis entrar em detalhes.
- Deve ser horrível – ele me olhou sem entender e completei – Ser imortal, não morrer nunca. Não deve ser agradável.
- Por que não? Deve ser ótimo viver sem medo de morrer de repente, sem explicação. Imagine não envelhecer nunca? Você não ia precisar se preocupar com rugas.
- E viver pra sempre, enquanto as pessoas que você ama morrem? Isso também é ótimo? – vi que ele ficou pensativo.
- Talvez as famílias de Imortais só possam se relacionar com outros Imortais, isso facilitaria muito.
- Imagino que sim, já que eles não podem sair por ai dando imortalidade a pessoas comuns.
- Como sabe disso?
- Já disse que não sou burra, eu leio – ele fez uma careta – Não sei como funciona, mas só quem tem o sangue de um Imortal pode viver pra sempre. Uma pessoa comum com imortalidade nunca seria a mesma coisa. É como se eu casasse com um Rei. Eu ia ser uma Rainha, mas não teria o “sangue azul”. Seria um deles, mas não como eles.
- Meio preconceituoso isso, não acha?
- Suponho que sim, mas é uma maneira de controlar as coisas. Imagine se o mundo inteiro tivesse esse dom? Íamos ter uma superlotação no planeta! – falei num tom divertido, quebrando a seriedade do papo.
- Bom, eu gostaria de não morrer nunca, mas você pelo visto não.
- Eu posso ter muitas dúvidas na vida, e eu tenho, mas de uma coisa eu tenho certeza, nunca ia querer viver para sempre.

Tive a sensação de que Jack ia dizer alguma coisa, mas nunca soube o que era. Um dos nossos primos apareceu na varanda com uma bola de vôlei na mão, dizendo que precisa de mais duas pessoas para completar seu time. Quando soube que Julie já estava no time adversário, fechei o livro e corri com eles até a quadra. Era Natal e estava com a minha família toda reunida, não era hora para nenhum assunto sério tomar o lugar da diversão.

Tuesday, December 14, 2010

Melbourne, Australia, Novembro de 2014

Algumas anotações de Marcus Finnegan

Eu estava indo em direção ao campo de Trancabola para encontrar o resto do time, quando encontrei o amigo da Leo, Damon, abraçado a uma garota loira. Preciam muito proximos, achei um absurdo, e me aproximei:
- Hey Damon, preciso falar com você. È importante.- disse firme. Ele me olhou curioso e disse para a garota:
- Depois nos vemos, Gabi!- e a beijou e a menina saiu toda sorridente.
- O que você quer? Espero que seja realmente importante, porque aquela garota me deu trabalho, francesas são muito desconfiadas e Gabriela é mais ainda.
- Damon, você não está saindo com a Leonora?
- Porque quer saber? Está saindo com ela também?
- Não, eu sou amigo dela e me preocupo que ela esteja fazendo papel de boba com você.- ele me olhou e riu:
- Você deve ter um vida social nula, para se meter no que não é de sua conta.E Leonora e eu temos algo que não diz respeito a ninguem, aliás, você não nos entenderia.
- Mas você é muito canalha mesmo, eu devia era partir a sua cara.- eu disse nervoso e não percebi que Ozzy e Lucian estavam perto de mim, tentando me conter. Alguns amigos de Damon se aproximaram, e eu queria brigar. Após discutirmos e ele me provocar a ponto de eu querer partir pra cima dele, Ozzy e Lucian me arrastaram dali para evitar uma punição pelo nosso diretor que estava por perto.
- Finn, o que foi aquilo? Você não costuma perder a cabeça à toa.- disse Lucian.
- À toa? Aquele Damon é um sacana de marca maior. Tem saído com a Leonora e eu o encontro aos beijos com uma garota de Beauxbatons. Ninguém faz amiga minha de idiota.- De repente escutei a risada de Ozzy:
- Você estava tomando as dores da Leonora? Da Leonora? O sol realmente te afetou. Se alguém tenta fazer aquela garota de besta, tá pedindo pra morrer.
- Finn, a Leonora não é tão indefesa assim, nós todos sabemos do que ela é capaz, e ela conhece este Damon há tempos não é?- disse Lucian e Finn respondeu:
- Leo esta sendo enganada, eu não vou ficar quieto, vendo aquele babaca a fazer de idiota. Alguém precisa abrir os olhos dela. – e Ozzy o encarou parando de rir:
- Ah, Finn...Você gosta da gordinha.Diga que isso começou quando o Lukas te acertou o ‘puck’ que eu acerto outro em você e tudo volta ao normal.
- Claro que não... quer dizer ela é minha amiga e eu defendo os meus amigos.
-Finn, sou obrigado a concordar com o Ozzy. Esta sua reação, é a de alguém que gosta românticamente de outra. E quando isso começou? Vocês são amigos há anos...
- E a Leonora não é tão indefesa assim,pow ela anda com a Parvati e o Robert, sabe que eles não são chamados de ‘Twisted Sisters’ à toa. E repetindo: quando esta ‘preocupação’ começou?- disse Ozzy.
- Lembram do Halloween??
- Ah aquela festa, ainda rende...- disse Ozzy mau humorado e eu continuei:
- Eu estava com a Leo, e acabamos bebendo muito, enquanto andavamos pelo vilarejo e ao final da noite, acabamos num quarto da Luxury.- Ozzy e Lucian arregalaram os olhos:
- Não olhem assim, não aconteceu nada. Quer dizer quase nada.
- Mas você disse que não lembrava sequer o nome da garota... E que vocês...Então não rolou nada 'sério'? – disse Ozzy um pouco decepcionado.
- Eu não podia dizer para a Leo que lembrava do que tinha acontecido, ela já estava surtada.
- Não podia ou será que você não queria dar esperanças a ela, Marcus?- disse Lucian sério e eu fiquei sem jeito.
- Eu não sei ok? Eu me senti confuso e quando me vi saindo debaixo de um chuveiro frio e ela me olhando assustada, achei melhor não complicar para o meu lado. Egoísta? Sim, mas a Leo é diferente das outras garotas...
- Sim, pelo menos uns 15 kilos.
- Oscar, isso nao tem graça.- disse Lucian e Ozzy deu de ombros.
- Enfim, você está a fim da gordinha.Cara, você sabe que se resolver assumir a Leo, vai gastar mais com comida não sabe?
- Não seja grosseiro Ozzy, a Leonora é...
- Muito bem, senhor aspirante a Tolkien, diz ai que a Leonora seria uma namorada legal, sem se arrepiar.
- A Leonora é uma garota peculiar, com alguns defeitos mas tem seus encantos. No fundo ela é...Interessante.- disse Lucian e Ozzy zombou:
- Háh! Palavras diferentes com o mesmo significado: ela é pirada e se você quer viver, amigo, corra.
- Não liga para o que o Ozzy está dizendo, ele às vezes exagera. (vi Ozzy revirar os olhos). Acho que se você gosta da Leonora, deveria falar com ela, e se for de comum acordo, poderiam começar algo sério. O que não pode é você querer sair no braço com o Damon, bancando o namorado ciumento, sem nunca ter sido.
- Não seja estraga prazeres Lucian, se ele quer bater no Damon no campo, nós não vamos impedir, tensão demais faz mal.E Lucian tem razão, chega logo na Leonora e resolve isso, o pior que pode acontecer, é ela rir na sua cara, enquanto mastiga seu coração com catchup.Vamos para o treino, agora é questão de honra vencer Hogwarts.
Ficamos um tempo maior em campo e acabei não encontrando Leonora naquele dia.

-o-o-o-o-o

Depois da semifinal do Trancabola
Após o jogo em que vencemos Hogwarts, com um touchdown incrível, estavamos comemorando quando senti alguém puxar o meu braço.Virei-me e era Leonora.
- O que foi aquilo Finn?- ela quis saber e eu a abracei girando com ela.
- Um jogo oras. Vencemos Leozinha, vamos disputar a final.
- Eu sei que vão, mas eu quero saber porque você bateu tanto no Damon.Não precisava daquela violência toda...
- Porquê? Ele foi reclamar com você? Frouxo ¬¬
- Finnegan, eu não ajudo a fazer uma coluna de fofocas em Durmstrang à toa. As pessoas falam e andei ouvindo que vocês dois se estranharam ontem, quero saber o porquê, foi por alguma garota?
- Ele estava te traindo e eu disse a ele que ninguem fazia a minha amiga de tola.
- Você fez o quê? Ou melhor quem lhe deu este direito?- ela me perguntou e parecia irritada.
- Somos amigos, Leonora e ninguém vai te fazer de idiota e...
- O que rola entre Damon e eu, é assunto nosso, e ninguém tem que se meter nisso. Ou você acha que eu não sei que ele sai com outras garotas? Finn, achei que você me considerasse inteligente.
- Quer dizer que você sabia disso este tempo todo? Não sabia que você gostava do tipo cafajeste.- disse azedo e ela respondeu:
- Eu não tenho tipo, eu tenho pressa. E embora não pareça, eu ja tenho um pai e ele não se mete em minha vida, ok?
- Eu achei que estava te protegendo...Nós somos amigos, não quero ninguém magoando você...- eu disse e ela riu.
- Eu lhe pedi proteção? Eu sei me defender muito bem, e você sabe disso.E Finn, são poucas as pessoas que têm a capacidade de me magoar e Damon não é uma delas. - ela se virou e eu a segurei pelo braço.
-Aonde você vai? Venha celebrar a vitória conosco.- pedi mas o olhar dela me fez solta-la.
-Fico muito feliz por vocês, mas eu vou ficar com Damon já estava combinado.E você já tem a sua companhia.- nesta hora uma garota da escola australiana, que eu havia ficado apareceu e sorriu calorosa para Leo, que deu um sorrisinho forçado e foi embora.
- Atrapalhei alguma coisa?
- Não, ela é.... minha amiga.- sai com ela dali e resolvi que não iria me incomodar mais com a Leonora.
Ter algo sério com ela? Além de amizade? Não, Ozzy tem razão, eu levei uma pancada na cabeça e andei confundindo as coisas, mas a vontade de socar Damon Salvatore, quando o vi do outro lado do campo, abraçado a ela, ainda era muito grande.

Wednesday, December 08, 2010

Austrália, Novembro de 2014

- Calma, cara! – segurei meu irmão pelo ombro, enquanto ele pulava inquieto no mesmo lugar – Não vai com muita sede ao pote, é preciso ter cautela!
- Só quero fazer o loirinho beijar a lona, e rápido – ele respondeu agitado e segurei o riso.
- E você vai, mas se sair daqui feito um touro de novo pode acabar perdendo – o sacudi forte e o obriguei a parar um instante e me encarar – Sei que você é bom e pode vencer, então segura a onda e volta pra lá concentrado!
- Boa sorte, Ed! – a irmã de Parvati deu um beijo no rosto do meu irmão e vi ele corar.
- Boa sorte, cara! – Lawfer, o irmão de Lucian, deu um soco em seu ombro e ele se sacudiu, voltando para o ringue.

A luta era final do Boxe 13 a 14 anos masculino e meu irmão disputava a medalha de ouro contra um garoto de Hogwarts chamado Alucard Chronos. Ele tinha uma torcida fiel e era muito bom, mas meu irmão era um garoto de 14 anos hiperativo e extremamente bruto, aquele esporte foi feito pra ele. E ele já havia perdido para aquele mesmo garoto na final do Karatê, então era uma questão de honra para o meu irmão.

Era o 4º e último round e Edgar e Alucard se cercavam no ringue, arriscando golpes rápidos. Alucard acertou meu irmão com um direito, mas Edgar se recuperou depressa e partiu pra cima dele com uma seqüência de ganchos que o deixaram tonto. Quando ele ameaçou reagir com um cruzado, Edgar desferiu um Jab certeiro e o garoto foi a nocaute. O juiz contou até cinco e como ele não levantou, ergueu o braço direito do meu irmão. O ouro era de Durmstrang.

ºººººº

- Vamos, vamos! – gritava em incentivo à equipe, que vinha patinando logo atrás de mim – Mais duas voltas!

Patinava ao redor do rinque oval com Jack, Oleg e Lucian enfileirados atrás de mim, e começávamos nossa penúltima volta na final da Patinação de Velocidade. Já havia conquistado o ouro na prova individual na tarde anterior e agora estávamos dominando a prova em equipe. Atrás da gente vinha a equipe americana e eles se achavam os donos do gelo, gritando USA antes da corrida começar e se exibindo de nariz em pé, mas agora estavam descobrindo quem eram os verdadeiros reis.

Entramos na última volta com uma vantagem de três homens para o líder da equipe deles, e aquilo era muito na patinação. Foi muito fácil manter a posição e quando cruzamos a linha de chegada em primeiro, gritamos “Durmstrang” em alto e bom som, encarando a torcida americana. A equipe da Coréia do Sul cruzou a linha em terceiro lugar e foi muito aplaudida pelas outras torcidas.

Aquela era minha segunda medalha de ouro, e a quarta ao todo. A equipe da canoagem era a mesma da patinação e ficamos com a medalha de prata, chegamos logo atrás da equipe de Hogwarts. E também tinha conquistado a medalha de bronze ainda na canoagem, mas com o caiaque em dupla. Disputei essa prova com meu irmão e chegamos colados com a dupla de Beauxbatons. O ouro ficou com Derek e Yanic.

Chegar em segundo e terceiro lugar não era ruim, era uma medalha a mais na coleção e não tinha ficado chateado com nenhuma dessas colocações. Minha decepção mesmo nas Olimpíadas foi o triatlo. Consegui cruzar a linha de chegada em 6º lugar e estava bastante satisfeito com o tempo que havia feito, até Alec me lembrar da aposta que tinha feito com Parvati, e que ela havia ganhado uma medalha de bronze na mesma modalidade. Minha satisfação por ter quebrado meu próprio recorde no esporte evaporou na mesma hora. Servir de elfo doméstico para ela durante uma semana seria uma coisa muito desagradável, ainda mais com as coisas do jeito que estavam entre nós dois. Se antes eram ruins, depois do Halloween estavam ainda piores.

- Bem feito, sabia? – Julie falou enquanto terminava de se maquiar – Eu disse para não provocá-la, mas você me ouviu? Claro que não. Agora vai ter que agüentar.
- Eu sei, não vou fugir da aposta, tenho palavra.
- Está pronta? – Alec apareceu no camarim já arrumado – Somos os próximos.
- Sim, estou pronta – Julie levantou com um salto, respirando fundo – Seja o que Merlin quiser.
- Vocês vão se sair bem, vamos estar torcendo da arquibancada – dei um beijo no rosto dela e Alec me encarou de braços cruzados, então fiz o mesmo com ele – Boa sorte!

Sai do vestiário e caminhei com Robert até onde a torcida de Durmstrang estava concentrada. Era a final da Patinação Artística e Alec e Julie haviam se classificado em 3º lugar para ela, então agora era a hora de não errar e conquistar duas posições. Ele foi se sentar com Leo e Parvati e sentei ao lado de Oleg, que estava mais nervoso que o irmão. Era muito legal a relação que os dois tinham. Independente do que fosse, um sempre apoiava o outro e sofria junto quando as coisas não saiam como o esperado.

Quando o locutor anunciou o próximo casal a se apresentar e Alec e Julie entraram de mãos dadas no gelo, começamos a gritar e aplaudir. Vi Julie sorrir nervosa na nossa direção, mas fizemos sinal de positivo com as mãos e ela relaxou o sorriso. Eles usavam uma roupa com as cores de Durmstrang e quando o juiz autorizou o inicio da apresentação, tivemos uma surpresa. A musica escolhida para a final havia sido Bohemian Rhapsody, do Queen. Uma escolha no mínimo excêntrica, mas que se mostrou excelente.

Eu não entendia nada de patinação artística, não sabia como eram as regras e que movimentos ou piruetas contavam mais pontos, mas pra mim eles estavam indo muito bem. Os dois se moviam de acordo com a música e a cada passo mais complicado a arquibancada aplaudia. Alec e Julie nos surpreenderam com a sutileza dos movimentos, que eram de uma sincronia de dar inveja a qualquer um. Quando ele agarrou as mãos dela e começaram a girar rápido no gelo, a torcida de Durmstrang veio abaixo. Foi uma espera longa e torturante até que todas as duplas terminassem de se apresentar e as notas saíssem, mas compensou. Eles haviam conquistado o ouro, batendo duplas como a do Canadá e da China, que eram consideradas as favoritas.

- Vocês foram demais! – falávamos todos ao mesmo tempo quando os encontramos depois da premiação.
- Que orgulho da minha cópia! – Oleg abraçou o irmão.
- Foi muito bom mesmo, mas agora está na hora de abandonar a delicadeza, porque precisamos de vocês dois em campo – Jack falou abraçando a irmã.
- É isso ai, é hora de jogar pesado – falei com um sorriso maldoso no rosto.

O pensamento era unânime: aquela medalha no Trancabola ia ser nossa, custe o que custar.

ºººººº

A final do Trancabola foi contra o time da Noruega, mas antes de chegar nela tivemos uma semifinal histórica contra Hogwarts. O time deles estava bem organizado e contava com Elena Kovac, antiga aluna de Durmstrang muito melhor que muitos garotos do time dela, mas nós tínhamos Julie do nosso lado. Ela foi à responsável por marcar duro em cima de Elena e fez um trabalho excelente. Sempre que a goles era arremessada para ela, Julie vinha como um touro e interceptava o passe derrubando-a e permitindo que recuperássemos a posse. Depois de uma boa quantidade de passes interceptados, os garotos pararam de tentar lhe passar a goles.

Edgar era nosso melhor running back e ficava a cargo dele finalizar a maioria das jogadas, e por isso estava sendo marcado por um moleque magro e alto chamado Salvatore e por um mais baixo, mas forte, chamado Thruston. Os dois não davam uma trégua e quando bloquearam um passe de Edgar que o lançou a quase dois metros de distancia, eu me enfureci. Estávamos a um touchdown de vencer a partida e eu não ia permitir que aqueles dois estragassem nossa festa.

- Ok, a jogada é a seguinte – reuni o time na condição de quarterback para passar a jogada – Shotgun no três.
- Você está louco? Nada passa pelos linebackers deles! – Derek chamou minha atenção.
- Acho que Finn pode cuidar do Salvatore, certo Finn? – e ele assentiu, com cara de quem queria ver sangue – Derek e Finn cuidam do Salvatore, Oleg e eu cuidamos do Thruston. Quando a goles já estiver em jogo, passem pro Edgar, ele sabe o que fazer. Quero todo o time limpando o caminho para ele.

O time se separou da roda e entrou em formação. Quando Yanic colocou a goles em jogo, colocamos a jogada em prática. Edgar correu para o outro lado do campo com a goles protegida debaixo do braço e Salvatore e Thruston já corriam como dois búfalos em sua direção. A divisão da jogada foi quase tão sincronizada quanto à apresentação de Alec e Julie. Derek e Finn se atiraram contra o corpo do Salvatore e ele foi esmagado pelos dois, ficando colado na grama sem conseguir se mover. Oleg e eu colocamos toda a força que tínhamos no impacto com Thruston. O choque foi tão violento que o capacete dele voou para longe e ele ficou estirado no chão como uma banana amassada, gemendo de dor.

Edgar conseguiu passar pelos linebackers tombados saltando por cima deles e foi à vez do resto do time limpar o caminho para ele. Cada um que corria na sua direção era arremessado pra longe. Jack e Lucian bateram de frente com Johnny Weasley com tanta vontade que ele foi parar do lado de fora do campo, Noah e Leonard derrubaram um loirinho chamado Zach Walker, que quase teve o ombro deslocado, e Alec e Orion tiraram Julian McGregor e Justin Silverhorn de percurso bem na hora que eles iam derrubar Edgar. Com os running back deles no chão, meu irmão conseguiu chegar à End Zone e jogar a goles dentro do caldeirão. Como já não havia mais tempo para Hogwarts se recuperar, o juiz apitou o final da partida e avançamos para a final.

Na final nós atropelamos os noruegueses como tratores passando por cima de carros e conquistamos o ouro. Eu disse aquela medalha ia ser nossa, independente do que custasse. No caso dos dois últimos jogos, deve ter custado alguns ombros deslocados e ossos quebrados, mas quem disse que Trancabola é esporte para fracos?

Friday, November 26, 2010

Lembranças de Lucian P. Valesti

- Lucian, Lis, Lenneth, Ozzy, Jack! – Ouvimos alguém nos chamar logo que a cerimônia de abertura havia terminado. Eu, Lenneth, Ozzy, Liseria, Olec, Alec, Jack e Julie nos viramos a tempo de ver Philip vindo correndo na nossa direção. Ele sorria e era acompanhado por outros 2 garotos.
- Phil! – Eu falei e nos abraçamos com força e depois ele abraçava todos os outros.
- Deixem apresentar: esses são Naploni e Lorenzo, são alguns dos meus amigos de Beuxbatons. E esses são meus amigos de Durmstrang, mas não vou dizer o nome de todos, são muitos! – Ele falou e os dois se apresentaram e foi mais uma longa rodada de apertos de mãos, enquanto todos sorriam.
- Phil, como você consegue correr com esse calor?! – Jack perguntou, se abanando com a mão.
- Esqueci, vocês não estão acostumados. Os verões da França podem ser quentes! – Ele falou rindo e fomos todos juntos para o refeitório, que era muito mais fresco. No caminho íamos todos conversando alegremente, colocando os assuntos em dia. Phil ia nos apresentando os outros amigos e colegas de Beauxbatons, que eram muitos, pois Phil sempre teve facilidade de fazer amigos.

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- Como é que é?! – Phil perguntou, os olhos esbugalhados, enquanto conversávamos. Ele tinha acabado de ganhar a medalha de Prata no Karatê e ela ainda estava pendurada em seu peito. Depois da comemoração dele, decidi contar para ele o que aconteceu na festa de Halloween.
- É isso que você ouviu. – Eu suspirei, e contei novamente toda a história, uma vez que ele parecia não acreditar.
- Cara, como você beija uma garota que nem conhece?! Trocaram meu amigo! – Ele falou ainda surpreso.
- Eu fui beijado! Ok, retribui, mas a iniciativa não foi minha! – Eu falei na defensiva e ele gargalhou.
- Tudo bem, tudo bem. Mas você está guardando uma foto dela, isso é sério. Lucian, pára de procurá-la, isso só pode causar problemas a você e no seu namoro. Já imaginou o que a Liseria faria se descobrisse? Ela não ia se importar do fato de que você foi beijado.
- Eu sei. Mas não consigo deixar de pensar nisso. Quero saber quem foi e porque! – Eu respondi novamente, pois Ozzy e Lenneth já tinham falado a mesma coisa.
- Temos opções: ela fez isso só para mexer com essa sua cabeça de vento (e conseguiu), ou ela gosta de você, mas não quer falar, ou ela era doida e saiu beijando quem encontrava pela festa. – Ele falou e eu acabei rindo.
- Acredito na última opção. – Eu falei rindo e ele riu mais.
- Ou não... Eu sou mais a opção de que você tem uma admiradora secreta! – Ele falou. – Para quem mais você falou?
- Lenneth foi a primeira e o Ozzy encontrou a foto. – Eu expliquei e o seu olhar mudou um pouco, levantando a sobrancelha. – Precisava falar com alguma garota sobre isso e a Val é minha melhor amiga. Queria contar para o Aya também, mas pessoalmente.
- Tudo bem. Bom, vou guardar seu segredo também... O Aya ia querer fazer uma análise de você! – Ele falou rindo e imitando a voz de Ayala – “Lucian, você bebeu ou consumiu algo ilícito no dia?! Acho que não estava em seu estado normal... Posso tirar sangue para fazer testes?”

Eu gargalhei e logo voltamos para os chalés.

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- Foi você! – Phil falou, acusador para Lenneth. Os dois estiveram torcendo por Lucian que competia na Natação, modalidade de 200m. Ele havia ganhado a prata, e o ouro ficara com um garoto de Hogwarts, cujo nome era Tuor. Phil e Lenneth aproveitaram enquanto os outros iam parabenizar Lucian para conversarem um pouco a sós.
- Do que está falando? – Ela perguntou evasiva.
- Não se faça de boba! Você sabe do que estou falando! O Lucian me contou ontem. E se ele te descobrisse, o que você ia fazer?!
- Ele não descobriu, está bem? Julie me ajudou e usamos vários feitiços para mudar a cor do meu cabelo e tudo mais. Além disso eu sabotei a neblina para me esconder. – Ela falou, derrotada, contando com detalhes para o amigo. Phil ouviu calado, mas no final abriu um sorriso.
- E aí, como é beijar o seu amado, hein? – Ele perguntou e Lenneth ficou tão vermelha quanto seus cabelos. – Mas e agora, o que vai fazer? Ele quer descobrir quem é a garota.
- Ele não vai descobrir. Mas agora, eu vou uma vez mais tentar encontrar outro garoto. Tem um que está afim de mim.
- Não é difícil ter alguém afim de você. – Ele falou e ela ficou mais vermelha. – Quem é? Eu conheço?
- O Lucian te apresentou, é o Boris. Na verdade o Lucian diz que eu deveria ficar com ele.
- Bom, ele parece um cara legal e gostar de você. Dá uma chance a ele então.
- E se não funcionar de novo, Phil? Já perdi as contas de quantas vezes tentei esquecer o Lucian com outros... – Ela falou, e lágrimas surgiram em seus olhos. Phil a abraçou.
- Você não devia ter feito aquilo... Agora será ainda mais difícil esquecê-lo. – Ele falou o que Lenneth já percebera e ela começou a chorar mais, enquanto Phil a abraçava calado.

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- Boa sorte, garotas! – Eu falei, beijando Lis nos lábios e beijando Lenneth no rosto. – Quero uma medalha!

As duas trocaram olhares animados e foram para os vestiários da quadra de tênis. As duas iriam competir na final contra a dupla de Hogwarts, Haley e Elizabeth. Liseria e Lenneth aceitaram competir juntas no Tênis de Dupla por sugestão de Lucian. No início foram contra, mas como ele insistiu, elas aceitaram e descobriram que tinham uma boa sincronia e logo chegaram as finais.

- Durmstrang! Vai L&L! – Gritavam Lucian e todos seus amigos. Todos torciam para a dupla de Durmstrang. Eles haviam improvisado cartazes que piscavam com o “L & L”, um dos L’s era amarelo e o outro vermelho, em alusão às duas competidoras.
- Olá, Patrick, veio torcer? – Eu perguntei, quando Patrick se sentou do meu lado.
- Não perderia por nada! Ela está linda! – Ele comentou, olhando para Lenneth que apertava a mão das competidoras de Hogwarts.
- Sim, está. E ai como andam as coisas com ela? – Perguntei curioso. Phil estava do meu lado e ouvia também. Lis e Lenneth bateram as raquetes no ar, enquanto Lis se preparava para o primeiro saque. Eu gritei seu nome em incentivo.
- Bom, na mesma. Desde que chegamos ela tem andado meio evasiva. – Ele falou, dando de ombros.
- Não desista. Ela é assim mesmo, mas dá pra perceber que você está conseguindo! – Phil o animou. – Seguinte, seja o primeiro a parabenizá-la no final da partida, não importa o placar! – Eu concordei e Patrick assentiu e vi seus olhos determinados e fiquei feliz, pois ele realmente gostava da Lenneth. Minha irmãzinha merecia alguém como ele.

O jogo foi equilibrado, porém a dupla de Hogwarts ganhou o primeiro set. No intervalo eu e Patrick corremos até onde elas descansavam e as incentivamos, e elas sorriram felizes. As duas conseguiram ganhar o outro set e ficaram empatadas. Hpgwarts acabou ganhando o ouro, pois ganharam o último set.

Assim que as medalhas foram distribuídas eu corri para elas, com os demais junto de mim. Abracei Liseria alegre, beijando-a enquanto levantava-a do chão com um abraço. Ela riu animada, enquanto eu a parabenizava-a. Patrick foi o primeiro a falar com Lenneth e a abraçou alegre. Ela ria também e para surpresa de todos, inclusive do Patrick, ela o beijou. Ele retribuiu o beijo enquanto todos nós batíamos palmas, comemorando.

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Foi um impulso. Quando vi Lucian vindo em nossa direção, percebi que ele iria parebenizar primeiro Lis e notei que isso sempre aconteceria. Ele tinha uma namorada, era feliz com ela. Não podia estragar a felicidade o meu melhor amigo, o garoto que eu amava. Então Patrick veio falar comigo, alegre e solidário. Eu o beijei.

Mas estava confusa.

O beijo de Patrick foi bom. Melhor do que os outros garotos que havia beijado. Seu beijo me tocou e mexeu comigo.

Mas não era o beijo de Lucian. Não era o Lucian.

Senti um aperto no peito ao perceber isso e as palavras de Phil ecoavam em minha cabeça. Mas não havia como voltar atrás. Eu daria uma chance a Patrick.

Consegui inventar uma desculpa, e com a ajuda de Julie, sai de perto de todos, e pedi que ela me deixasse um pouco sozinha. Ela me abraçou antes de voltar para os outros. Eu sai correndo dali, indo para um local que achei recentemente. Era num local escondido do lago, muito belo e calmo. Minhas lágrimas se perdiam no vento.

Mas o local não estava vazio e encontrei uma garota ali. Ela era muito bela, mais ou menos da minha altura, com intensos olhos azuis e cabelos castanhos. Ela chorava e seus olhos pareciam ainda mais belos. Ela tentou disfarçar quando cheguei, e sentei ao seu lado. Ambas tocadas por sentimentos confusos e semelhantes. Ambas tristes, perdidas e confusas.

Artemis. Uma amizade nasceu ali. Era esse o nome da garota, Artemis, e foi como se a presença dela me desse força para continuar e conseguir sair dali mais calma, mais decidida. Senti também que eu consegui de alguma forma acalmá-la e ajudá-la. Fiquei feliz.

Ninguém substituiria Lucian, eu sei disso. Mas não deixaria de dar uma chance a Patrick. Ele era especial também.

Wednesday, November 24, 2010

Austrália, Novembro de 2014

- “Você vai se arrepender e vai ver que eu sou tudo, menos uma princesa indefesa” – Leo fez uma cara afetada e jogou o cabelo pra trás, arrancando gargalhadas minhas e de Robbie – Baixinha abusada, não acham?
- Foi ela que deixou essa marca no seu pulso? – Robbie puxou o braço dela, onde uma marca levemente avermelhada ainda era visível.
- É, a invocadinha é forte, mas eu também sou. Ela que não se atreva a vir de graça comigo, ou vai sentir o peso da mão de uma gordinha.
- Calma, Leo, rolar na grama por causa de um garoto é patético demais – falei enquanto prendia meu numero no maiô – Ainda se fosse alguma promoção de bolsas ou sapatos, dá pra relevar.
- Parv tem razão, deixe essa menina pra lá, está na cara que é pura dor de cotovelo – Robbie completou – Está com um irmão, mas quer o outro e ficou mordida porque a gordinha sexy está pegando o rapaz – e ele apertou a cintura dela, que começou a rir com a cosquinha.
- Ela está nessa prova de triatlo, não está? – perguntei com um sorriso perigoso no rosto e ela confirmou – Se quiser, posso garantir que ela não chegue ao pódio.
- Você vai atirar ela do alto da montanha? – Robbie arreganhou os olhos e rimos.
- Claro que não, mas posso tirar ela da pista sem problemas – dei de ombros, indiferente – Não sou tão delicada quanto aparento, costumava correr de bicicleta com Jack e Julie quando éramos crianças e as corridas sempre terminavam com fechadas bruscas e bicicletas descendo barrancos.
- Faça o que for preciso, mas dê um susto na princesinha - Leo consentiu, com um sorriso tão perigoso quanto o meu – Se acha que vai me ameaçar e vou ficar com medo, é porque não sabe mesmo quem eu sou.

Robbie soltou uma de suas gargalhadas idênticas às das bruxas de historinhas trouxas e começamos a rir escandalosamente, atraindo olhares assustados. Terminei de arrumar minhas coisas e eles caminharam comigo até a baia onde ficaria minha bicicleta e meu tênis de corrida, e nos separamos quando me posicionei próximo à largada. Aquela prova de triatlo era a mais importante pra mim, pois poderia me custar uma semana como elfa doméstica de Ozzy e eu não ia deixar aquilo acontecer. Precisava estar naquele pódio, e de preferência no lugar mais alto.

ºººººº

A prova estava indo bem pra mim, mas podia estar melhor. Desde a largada, quando nos atiramos no lago para percorrer os 750 metros da natação, estava conseguindo me manter entre as seis primeiras. A briga pelas duas primeiras posições estava acirrada entre duas meninas que estavam sempre mais a frente do resto do grupo, e eu oscilava no segundo grupo entre a 3ª e a 5ª posição.

Consegui sair da água em 4º lugar e passei para os 20 km de bicicleta. O percurso era todo em terreno irregular, o que dificultava um pouco as coisas. Havia treinado no terreno plano de Durmstrang, com pista lisa, e não estava acostumada a todos aqueles buracos e ladeiras. Os primeiros 10 km foram os mais sofridos. Pedalar morro acima não era tarefa fácil, minhas pernas gritavam por uma massagem enquanto colocava o máximo de força nos pedais, tentando alcançar a garota que ocupava a 3ª colocação.

Foi quando atingimos o cume da colina e o suor parou de escorrer como uma cachoeira que vi quem estava na minha frente. Era a garota que havia batido de frente com Leo. Agora estávamos em uma descida até a base, onde passaríamos para a última etapa da prova, e minha chance de tirar ela da jogada só se estendia por mais 10 km. Olhei rápido para trás e vi que tinha tomado certa dianteira da 5ª e da 6ª colocada. A garota não estava a mais que 5 metros à minha frente. Poderia facilmente ultrapassá-la e manter a posição até o final, ela já estava cansada, mas não queria. Botei mais força nas pernas e consegui alcançá-la. Não fiz nada mais que pedalar atrás dela por mais 4 km, até que atingimos uma curva aberta. Acelerei o máximo que pude e passei a frente, fechando sua bicicleta com um movimento brusco.

Já havia visto aquilo acontecer inúmeras vezes na minha infância. Ela se assustou com o vulto surgindo na sua frente pela direita e perdeu o controle do guidão, fazendo a bicicleta sair da pista e descer a encosta. Não era alto, ou não teria feito isso. Ela no máximo se arranharia um pouco e retornaria à corrida algumas posições atrás. A bicicleta dela ainda descia pela areia quando inclinei o corpo para pegar mais velocidade e alcançar a linha final da 2ª etapa. Já começava a ver pontinhos brilhantes quando avistei a baia para guardar a bicicleta.

Robbie e Leo começaram a pular enlouquecidos quando viram que eu estava em 3º lugar e não vinha ninguém atrás de mim. Larguei a bicicleta de qualquer jeito e disparei pela pista demarcada, para os últimos 5 km. As meninas que estavam nas duas primeiras colocações já estavam milhas à minha frente, não havia a menor possibilidade de alcançá-las, então minha meta era agarrar aquela medalha de bronze e torcer para que Ozzy não chegasse ao pódio.

- Vamos Parv! – ouvi Robbie gritar de um dos pontos de água que estava com Leo – Seremos seus massagistas de subir naquele pódio!
- Foco na medalha, foco na medalha! – Leo gritou também, me atirando uma garrafa d’água.

Consegui ter uma visão distante das duas garotas, já próximas da linha de chegada. Ainda faltavam 3 km pra mim e pela gritaria atrás, sabia que mais alguém tinha completado a 2ª etapa e agora corria para me alcançar. Não ousei olhar para trás ou ia me desesperar. 2 km. Agora via Jack, Julie e Alexis vibrando e me incentivando a continuar, pois estava quase no final.

1 km. Vi Robbie e Leo outra vez, e agora Lukas estava com eles. Um carrinho de golfe denunciava como meus amigos haviam chegado ali tão depressa. Robbie abriu o colete e vi uma camiseta com o emblema da Super Girl. Ele apontava para a camiseta e depois para mim. Era difícil não rir, mas dei apenas um sorriso discreto e me mantive focada.

500 m. 400 m. 300 m. 200 m. 100 m. Já estava vendo a linha de chegada. As duas garotas que estava na minha frente já comemoravam com os amigos e ignorei a dor que se espalhava pelo meu corpo inteiro, aumentando o ritmo da corrida. Não sabia de onde estava tirando forças para correr mais rápido, mas quando mais me aproximava daquela fita, mais vontade de acelerar eu tinha.

Quando cruzei a faixa e o placar mágico me anunciou oficialmente como a 3ª colocada, perdi as forças nas pernas e cai no chão. A grama estava quente como o inferno, mas não me importava, pra mim parecia uma nuvem. Podia ficar ali jogada no chão por horas, mas um par de mãos agarrou meus braços e me ergueu do chão. Estava vendo tantos pontinhos brilhantes que só percebi que era Lukas quando ele me beijou. Abracei-o quase sem forças e logo estava envolvida em um mar de mãos que bagunçavam meus cabelos e beijavam meu rosto. Robbie me atirou uma camiseta igual a que ele usava e vesti com um imenso sorriso no rosto.

No pódio, descobri que a menina que ganhou a medalha de ouro era da escola da Noruega, Milena Turgon, e quem ganhou a medalha de prata era uma garota de Hogwarts, Clara Lupin. A garota que havia fechado na descida da colina havia conseguido se recuperar e cruzou a linha de chegada em 4º lugar. Ela me encarava com um olhar assassino, mas estava pouco me lixando. Estava no pódio com uma linda e brilhante medalha de bronze no pescoço. Do meu ponto de vista, as olimpíadas não poderiam ter começado de um jeito melhor.

Friday, November 12, 2010

Novembro 2014

Desde o anuncio das Olimpiadas, o Expresso Polar sempre trazia notinhas sobre as preparações das equipes, seus atletas e modalidades, atletas do passado, pois Durmstrang havia sediado a primeira olimpiada bruxa intereescolar, e isso era noticia interessante. Então fizemos matérias com os perfis de nossos atletas e foi muito divertido ler as entrevistas de Robbie, Parv e a minha rs. Éramos as maiores surpresas daquela escola e adorávamos ser motivo de assunto, pois Robbie gostava de frisar ninguem imaginava que atletas de joystic conseguissem se classificar para jogos no mundo real.

Então quando os avisos sobre a data da partida, foram afixados nos murais da escola, fizemos até um calendário enfeitiçado, e era comum ver nas repúblicas, o calendário colado pelas paredes e os dias da partida serem riscados. No dia da viagem estávamos todos no saguão do castelo, nos preparando para ir até o lago e embarcarmos no navio da escola quando a professora Yelchin me chamou:

- Aonde você vai com este casaco de pele senhorita Ivashkov? Quer ser confundida com um canguru e virar comida de um nativo?
- É mink e não canguru, professora, e se o nativo for loiro, sarado de olhos azuis, não me importo de levar umas mordidas.- os cantos da boca dela tremeram, mas ela se segurou e disse:
- É melhor deixar isso na mala, ou você vai morrer de desidratação quando chegarmos lá. E nosso navio, estará se adaptando a temperaturas amenas, para não haver choque térmico e vocês ficarem doentes. E por favor, deixem para ficar doentes quando voltarmos, lá nós temos que arrasar. – ai ela sacou a varinha e encolheu magicamente o meu casaco e eu pude coloca-lo na mochila que Robbie havia personalizado.
- Já disse que amo esta mulher??- disse Robbie, enquanto me ajudava a fechar a mochila.
- Não foi isso que você disse quando recebemos os uniformes que teremos que usar na Australia. ‘Megera sem senso de moda’, foi o mais suave que você usou.- disse Parv e Robbie virou os olhos.
- Mas eu pirei quando vi os uniformes, você tem noção que minha pele é sensivel, e só se dá bem com linho egípcio? E meu rosto parece em eterna ressaca quando uso cáqui? E o chapéuzinho molenga? Parece um alface murcho, fora o corte horrível, era só ter boa vontade e encomendar com a D&G.
- Ai pára de reclamar, Robbie, pelo menos as nossas coisas você conseguiu dar um jeito. E só você poderia pôr em prática o mantra do Tim Gunn ‘make work’, e estamos apresentáveis.- eu disse e logo estavamos embarcando no navio que nos levaria rumo ás melhores duas semanas de nossas vidas.

Depois de uma viagem de quase oito horas, aportamos num lago enorme e ao sair do navio de Durmstrang, que estava com uma temperatura super agradavel, entramos numa verdadeira sauna. O calor era enorme e de todos nós Robbie era o mais preparado pois sacou um ventiladorzinho portátil. Olhamos feio e ele disse mexendo os lábios: ‘Nasci na Índia’.
Fomos recebidos pelo diretor e alguns professores que nos direcionaram para a Vila Olimpica, onde ficariamos hospedados e o contato com atletas anfitriões e de de outras escolas, seria feio apenas no dia seguinte, na cerimonia de abertura.

Instituto de Bruxaria de Melbourne, 14 de Novembro de 2014.

- Atenção todos!- era a voz do diretor Ivanovich, enquanto estavamos reunidos depois do café da manhã, e iriamos nos reunir junto das outras delegações em meia hora e ele queria passar mais um daqueles sermões sobre o bom comportamento e que éramos uma escola de tradição blá, blá, blá. Como estavamos agitados demais, ele olhou feio e disse com a voz ampliada:
- Silêncio!- e nos calamos:
- Assim está melhor: Dentro de instantes, nos reuniremos nos jardins da escola com as outras 21 escolas, e devo lembrá-los que Durmstrang é uma escola de tradição e o fato de termos sido os primeiros anfitriões dos jogos olimpicos interescolares, aumenta o foco em nós. Portanto eu espero o melhor comportamento da parte de todos vocês, durante a nossa interação com o resto do mundo bruxo. Não desfaçam a formação que os professores Maddox e Yelchin organizaram, isso é importante. Hogwarts ficará posicionada à direita da escola anfitriã no semicírculo, Beauxbatons ficará à direita de Hogwarts e nós viremos à direita da escola francesa, respeitando a ordem de fundação das três escolas mais tradicionais.- ele parou de falar um instante para checar se todos estavam prestando atenção antes de continuar – O senhor Jack Karev, foi o aluno mais votado por todos vocês e irá ao meu lado, à frente da delegação, carregando a bandeira de Durmstrang, senhor Karev, por favor.- e não resistimos a assobiar quando Jack deu um passo à frente, segurando o estandarte da escola e o diretor nos olhou feio, nos calando.

Seguimos em fila, e enquanto a professora Yelchin a na frente, o professor Maddox ia fechando o cortejo, para ter certeza que ninguem sairia da formação. Quando chegamos, Hogwarts e Beauxbatons ja estavam posicionadas e logo as outras delegações foram chegando e se posicionando ao redor do semi circulo. Quando o semi circulo estava completo, o diretor australiano, pegou o microfone e após acenar aos diretores das escolas, ele nos deu as boas vindas e anunciou o inicio da cerimônia. Durante duas horas vimos as aprensentações culturais das escolas, e depois ouvimos o coral australiano cantar o tema das Olimpiadas, por sorte Lucian já tinha conseguido uma cópia da letra para mandarmos colocar no jornal, porque com o calor que fazia, eu já não conseguia prestar atenção em muita coisa. Parv se abanava desesperada e o ventiladorzinho de Robbie já havia quebrado. No final das apresentações, os alunos com as bandeiras se reuniram no centro do circulo e cada um hasteou a bandeira de sua escola, enquanto o diretor fazia um discurso sobre amizade e confraternização de diferentes culturas, e confesso que foi dificil não tirar o sapato e fazê-lo voar até o microfone, mostrando ao diretor australiano o que o calor pode fazer com a boa vontade das pessoas.

No minuto que ele deu por encerrada a cerimônia e declarou aberto os jogos, todos começaram a se movimentar para encontrar amigos de outras escolas, ou no meu caso, procurar um lugar com sombra.
Começamos andar e a desviar das pessoas quando ouvi alguém me chamar, quando me virei e vi que era um amigo.Ele se aproximou e ficamos nos encarando e sorrindo:

- Senhorita Carrara...
- Senhor Salvatore...- ele se aproximou e depois de me olhar de cima a baixo, segurou meu rosto entre suas mãos e me encarou dizendo, enquanto me olhava nos olhos:
- Devia ter dito que vinha...
- Surpresas são melhores...E você adora surpresas.- afastei meu rosto e disse:
- Quero que conheça meus amigos, estes são Robert e Alec, esta é Parvati...
- Huum, agora entendo porque este é o nome de uma deusa, foi inspirado em você não?- e por incrivel que pareça, vi Parv responder convencida:
- Com certeza foi inspirado em mim.- rimos e continei:
- Esté o Finnegan, Lucian e Liseria, Oleg...- ele acenou a todos e de repente Damon se virou e perguntou:
- Por favor, não diga que a vadia dos infernos está por ai...- e eu ri dizendo a meus amigos:
- Tem como não amá-lo? Ela não gosta de esportes, Damon.- olhei por sobre seu ombro e seu irmão Stefan, de mãos dadas com uma garota muito bonita e disse:
- Stefan está namorando? - e nos viramos para onde o gêmeo de Damon estava junto com o grupo de Hogwarts.
- É, ele está namorando.- respondeu Damon e algo no seu tom de voz me fez trocar olhares com ele.
- Uau! Vocês são tão... Iguais.- disse Finn.
- Te garanto que ele e eu somos muito diferentes, Finneus.- respondeu Damon azedo e eu disse:
- Stefan é o tipo que não faz uma garota perder o sono, ele é um tédio, de tão certinho que ele é. Já seu irmão mais velho...- e Damon me deu o seu sorriso mais sacana e eu disse:
- Não adianta não vou inflar seu ego.- e Damon riu:
- Ok, eu sobrevivo, mas nós vamos nos ver muito, Leonora Marie. – ele começou a se virar mas voltou de repente, me puxou e me deu um beijo rapido dizendo:
- E vamos curtir muito, posso garantir.- sorrimos e ele após acenar se reuniu com os seus colegas de Hogwarts. Virei-me para meus amigos chocados e disse:
- E ai? Vamos passar o dia aqui e ter insolação ou vamos procurar um lugar com sombra? Afinal temos muito o que ver e fazer antes das competições.

Não precisei falar novamente, pois todos começamos a ir para o salão de jantar, mas quando olhei para Parv e Robbie, ambos exibiam os olhares de: ‘você terá muito o que explicar’. Apenas sorri, e continuei a ir para o castelo que seria a nossa casa pelas próximas duas semanas. É...os jogos olímpicos interescolares haviam começado muito bem.