"Nossa dúvidas são traiçoeiras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
Passar 48h acorrentado a alguém que não quer sequer ouvir sua voz não é o que se pode chamar de uma atividade produtiva, mas aquele fim de semana revelou muita coisa a Ozzy sobre a pessoa presa ao seu pulso esquerdo. Ele agora podia dizer, com toda certeza, que Parvati era alguém que não se deve contrariar. Foi de longe o pior fim de semana que ele já passou e quando a hora de tirar as correntes chegou, os dois foram os primeiros a aparecer na sala de aula. Dr. Pace as retirou e ambos notaram o olhar de reprovação, mas não havia nada que pudessem fazer. Ozzy ainda tentou conversar com ela, pedir desculpas, mas depois de ser ignorado pela quarta vez, deu-se por vencido. A avaliação seria ruim, mas ele ao menos poderia dizer que havia se esforçado.
A semana não prometia ser muito melhor. Se quando estava atado a ela não conseguiu convencê-la a ouvi-lo, agora que estavam livres um do outro seria mais complicado. A esperança de Ozzy em força-la a escutar o que tinha a dizer era na consulta com o Dr. Pace, mas encontrar ele naquela semana significava ouvir tudo que ele tinha a dizer sobre a dinâmica do fim de semana e o quão mal eles se saíram, e aquilo era algo que Ozzy não estava nem um pouco ansioso para presenciar.
Parvati já estava na sala quando ele chegou, mas apenas Dr. Pace o cumprimentou quando se sentou em seu lugar no sofá.
- Sinto que a sessão hoje será interessante – ele comentou e Ozzy deixou escapar uma risada nervosa – Vamos começar com a avaliação da dinâmica das correntes.
- Nos saímos bem? – Parvati perguntou sarcástica.
- Você acha isso divertido, Parvati? Todas as duplas tiveram contratempos, mas conseguiram encontrar um ritmo. E vocês dois, os únicos que eu tinha certeza que se sairiam bem, foram os únicos a serem reprovados no exercício. Isso não é pra ser engraçado, o futuro de vocês como auror depende da avaliação final do curso. Uma avaliação ruim, ou até mesmo mediada, e nenhuma academia aceitará os dois. Ainda querem rir ou acha que já podemos falar sério?
- Foi minha culpa, doutor, eu disse coisas que não devia, mas tentei pedir desculpas e ela se recusou a aceitar – Ozzy respondeu e Parvati reagiu ao seu lado.
- Falar e depois pedir desculpas é muito fácil, porque não pensa antes de abrir a boca? – ela retrucou, irritada.
- Ah, está falando comigo agora?
- Você é ridículo, não acredito que um dia pensei que isso daria certo.
- Não daria mesmo, não tenho vocação pra corno manso, isso é função do Hölzenben.
- Ah, olhe só, você ouviu, não é? – Parvati olhou para o psicólogo – Agora ele pede desculpas e devemos todos fingir que nada aconteceu. Hipócrita!
- Chega! – Dr. Pace interferiu, visivelmente irritado – Parem agora mesmo. Não estou acreditando no que estou vendo. Quantos anos vocês dois têm? Vão mesmo jogar fora toda a evolução que fizeram nesses últimos meses por causa de uma desavença sem sentido? Os dois estão errados! Eu não me especializei em psicologia infantil, trabalho com adultos e espero esse comportamento de duas pessoas que já completaram 17 anos e são considerados maiores de idade pelas leis bruxas – nenhum dos dois respondeu, o que fez com que Dr. Pace balançasse a cabeça cansado – Muito bem, acho que agora é a hora de vocês me dizerem o que aconteceu de verdade.
- O que quer dizer? – Ozzy perguntou sem entender – Já contamos o que houve.
- Não estou me referindo ao último sábado. Quero saber o que aconteceu há dois anos e meio atrás, que desencadeou essa série de brigas sem sentido entre os dois. E que eles nunca haviam contado aquilo para ninguém, nem mesmo seus amigos mais próximos.
Ninguém disse nada. Agora, pela primeira vez desde que entraram na sala, os dois se encararam. Trocaram um olhar cheio de mágoa, mas não disseram uma única palavra. Estava mais do que claro para Martin que uma parte importante da história dos dois estava sendo omitida e ele não estava disposto a liberá-los sem antes ouvi-la.
- Ninguém sai dessa sala hoje sem contar essa história – ele alertou e os dois o encararam surpresos – Não importa se é algo que não gostam de comentar. Já ficou claro que, o que quer que tenha acontecido, é o que impede que vocês deixem suas diferenças de lado e tenham uma boa convivência. Então, quem vai começar?
Silêncio outra vez. Os dois trocaram outro olhar magoado e acusatório e Parvati abaixou a cabeça, mas Ozzy encarou Martin. Houve um segundo de hesitação, mas ele contou tudo. Martin ouviu durante uma hora Ozzy contar a história de quando as duas famílias se encontraram por acaso em um resort no Havaí, no verão de 2013. Ouviu-o contar que, naquela época, nenhum dos dois era o que poderia se considerar amigo, mas se davam bem, até passaram alguns dias de férias juntos e o que antes não significava nada, se transformou em atração, levando os dois a passarem os dois meses de férias juntos.
Martin já esperava por alguma revelação daquele tipo, no fundo ele sempre soube que os dois já haviam se envolvido de alguma forma, mas não esperava ouvir aquele desfecho, quando Ozzy contou sobre o último dia das férias. O dia em que ele havia planejado tornar especial e tudo deu errado.
- Ela me largou na praia sem roupas – ele não conseguia olhar pra ela enquanto narrava a história – Foi embora rindo, dizendo que eu era um idiota. Como não posso ter raiva de alguém assim?
- Parvati? – Martin a chamou, que até o momento parecia alheia ao que ele contava, sem interrompe-lo – Gostaria de contar a sua versão?
- Ele fala como se fosse inocente e eu a vaca que o enganou, mas eu ouvi você mais cedo naquele dia – ela o encarou pela primeira vez desde que começou a contar a história – Estava no bar do hotel.
- Você ouviu aquilo? – Ozzy reagiu surpreso.
- Sim, eu ouvi. Ainda bem que ouvi, ou teria continuado acreditando em você.
- O que você disse que ela ouviu, Oscar? – Martin interrompeu.
- Ele estava com os irmãos e eles estavam o interrogando sobre quanto tempo mais ia levar pra “subir a saia da loirinha” – Parvati disse com desprezo na voz – E ele riu, dizendo que não ia passar daquela noite. Que eu era difícil, mas ele já havia me dobrado.
- Não, você entendeu tudo errado! – ele agora parecia desesperado – Nada daquilo era verdade, só disse isso para eles saírem do meu pé! Ramon e Georgi são dois idiotas, que acham que não vale a pena se prender a uma pessoa só e estavam me enchendo desde quando começamos a ficar. Eu só os ignorava, mas estavam começando a me vigiar e a única forma de tirá-los do meu pé era concordando com eles. Eu nunca quis dizer nada daquilo. Parvati, eu ia pedir você em namoro naquela noite. As férias estavam acabando e eu tive medo que pensasse que tinha sido só um caso de verão que não significou nada, queria continuar com você quando voltássemos a Durmstrang.
Pela quarta vez naquela noite, a sala caiu em silêncio. Ambos abaixaram a cabeça e Martin percebeu quando Parvati rapidamente enxugou uma lágrima que começava a cair. Ozzy, por sua vez, permaneceu de cabeça baixa sem emitir nenhum som. A sessão havia terminado, não restava dúvida.
- Não posso força-los a dizer mais nada, a partir de agora só posso aconselhar – Martin quebrou o silencio depois de intermináveis cinco minutos de anotações – O que aconteceu foi um grave problema de falta de comunicação, mas agora que já sabem o que realmente aconteceu, os motivos que levaram aos atos de quase três anos atrás, o que pretendem fazer? Vão jogar para debaixo do tapete ou esclarecer de uma vez por todas tudo que passou? Pensem nisso, conversamos outra vez na semana que vem.
Os dois levantaram calados do sofá e saíram da sala, mas assim que pisaram no corredor, Ozzy segurou Parvati pelo braço forçando-a a parar. Ela o encarou com os olhos vermelhos por estar prendendo o choro e quando a primeira lágrima finalmente desceu, Ozzy a secou, alisando seu rosto. Parvati abaixou a cabeça, mas ele ergueu seu queixo e a puxou para um beijo. Como da última vez, Parvati cedeu ao beijo. E como também aconteceu na última vez, ela o interrompeu de forma repentina e o afastou com as mãos, correndo em seguida. Ozzy encostou-se à parede e deixou o corpo escorregar até estar sentado no chão, voltando a abaixar a cabeça e apoiá-la nos joelhos. Pela primeira vez em muito tempo, ele não tinha ideia do que fazer.
Here we are
Isn't it familiar
I haven't had someone to talk to
In a such long time
And it's strange
All we have in common
And your company was just the thing
I needed tonight
But somehow I feel I should apologize
Cause I'm just a little shaken by
What's going on inside
I Should Go – Levi Kreis
Monday, March 26, 2012
Algumas anotações de Mitchell Callahan, Março de 2016.
‘Família é o lugar onde as mentes entram em contato entre si. Se essas mentes amam umas as outras, o lar será tão bonito quanto um jardim florido. Mas se essas mentes entrarem em desarmonia umas com as outras, será como uma tempestade que destrói o jardim’. Buda
Quando cheguei na casa da Leonora, estava suado e faminto por causa do treino de quadribol, mas senti que alguma coisa estava errada. Entrei e vi que a gata dela, Condessa, estava toda arrepiada andando de um lado a outro no hall de entrada, e quando me viu, miou alto e passou pelas minhas pernas, era como se quisesse me mostrar alguma coisa, me apressei a entrar na sala, e acabei vendo que Leonora estava caída no chão chorando, rodeada por cadernos velhos. Me aproximei e ela me agarrou soluçando e tudo o que eu pude fazer, foi me sentar no chão e segura-la bem forte, esperando que a crise passasse, enquanto ela ia me falando sobre suas descobertas.
Quando ela falou que havia sido roubada na maternidade, minha primeira reação foi de choque, e depois lembrando de como aquela familia agia com ela, comecei a pensar que tudo poderia ser verdade, a ouvi dizer que ela era uma farsa, eu apenas fiz que não com a cabeça, pois já pensava numa forma de averiguarmos sobre isso, e até pensei em perguntar ao professor Wade, como funcionava uma investigação deste tipo quando a vi jogar um dos diários revoltada, antes que eu a acalmasse, Soren, entrou pela porta trazendo a sacola com a comida que eu havia pedido para ele comprar.Peguei as sacolas e o dispensei.
- Hora do jantar...- tentei soar animado.
- Estou sem fome.- ela disse séria e eu respondi:
- É comida chinesa, você adora.- e ela desviou do assunto:
- Você não devia ir embora para a casa da sua tia? Você havia dito que ela queria te ver.
- Minha tia pode esperar. Esta noite eu à sua disposição.- disse soltando a sacola e tentando beijar seu pescoço para distraí-la e ela me repeliu tensa.
- Não estou legal hoje, tenho muita coisa para fazer, quero ver todos estes diários, separar o que é relevante e levar para a república, preciso falar com meu advogado...
- Acalme-se, eu estou do seu lado, Leonora. Sei pelo que você está passando.
- Ah é? O quê? O que eu estou passando?- disse nervosa e eu tentei soar o mais racional possivel:
- Sente-se magoada por descobrir segredos que afetam a sua vida e da sua familia, através da sua avó, a pessoa que você mais amava e confiava. Também está pensando que se ela realmente a amasse deveria ter lhe contado a verdade, por mais dolorosa que fosse...
- Não queira bancar o psicólogo comigo, isso só funciona no seu curso de auror.
-Eu não tenho intenção de bancar o analista, é só que eu conheço você...- e ela me interrompeu:
- Nós temos um namoro, ou pelo fato de dormirmos juntos podemos até chamar de caso, e só por isso não quer dizer que você me conheça, então não se empolgue muito.- ela disse me dando aquele olhar superior, que às vezes me irritava e tentou sair de perto de mim, mas eu a segurei pelos braços e seus olhos se arregalaram:
- Quando você não pára de pensar numa pessoa em nenhum momento do dia, isso não é um caso....Quando você se lembra do toque dela,como se ela estivesse ao seu lado, isso não é só um caso... Se você quer ficar sozinha, para processar tudo o que descobriu, eu respeito isso, mas não queira diminuir o que nós temos, que é muito mais forte que seu mau humor de menina mimada.- disse soltando-a e sai porta afora, mas não fui longe. Fiquei sentado no degrau da entrada e Condessa veio se juntar a mim.
Depois de meia hora, achei que ela talvez estivesse mais calma, e voltei. Quando entrei, senti cheiro de queimado e vi que saía muita fumaça da cozinha. Corri para lá e Leonora estava abrindo as janelas. Fui ajuda-la:
- Fui esquentar a sopa e acho que a queimei...- ela disse entre uma tosse e outra:
- Você acha? Pelo que estou vendo sua panela esta perdida.- disse quando joguei a panela dentro da pia e corri para o forno que apitava feito um doido e tirei de lá de dentro vários pedaços de carvão fumegando. Senti o cheiro do papelão queimado. ‘Ela não sabe que tem que tirar a comida da embalagem antes?? pensei mas não disse nada. – me ocupei em dispersar aquele cheiro com um aceno da varinha.
- Mas você queimou toda aquela comida?- perguntei e ela recomeçou a chorar quando ouviu meu estômago roncar.
- Hey,não fica assim, é só comida.- disse enquanto enxugava uma lágrima do seu rosto com o meu polegar, e ela me abraçou:
- Desculpa, ter bancado a megera antes, eu estava me sentindo péssima, Mitchell, eu realmente estava...
- Eu sei, e achou que se eu a visse vulnerável, descobrindo coisas sobre seu passado e precisando de ajuda, eu fugiria e a deixaria sozinha. Não fui ok? Tava sentado na escada aqui da frente de casa com a Condessa, achei que você iria me chamar.- eu admiti e ela sorriu:
- Vi vocês pela janela, e pensei em atraí-lo de volta com a comida, mas estraguei tudo.- e eu ri:
- Leonora, ainda bem que você não precisa testar as receitas do seu concurso pessoalmente, seria um risco à saúde pública. - e ela gargalhou, mas depois tornou a ficar séria:
- Passei a minha vida toda contando apenas com meus avós, depois só com vovó, até entrar em Durmstrang e conhecer Robbie e Parvati. Nem Finn, tem tanto acesso a mim quanto eles, e agora você... Depois de descobrir sobre o meu nascimento, e pensar em todas as dúvidas que passaram pela minha cabeça sobre quem eu sou realmente, se meus amigos vão continuar sendo os meus amigos....Acabei descontando em quem não merecia
- É compreenssível, no seu lugar eu também surtaria. Sou mais forte do que pareço, e nâo tenho medo de lutar pelo que eu acredito, e eu acredito em nós, nunca tenha dúvidas disso. E você não deve ter dúvidas sobre quem você é, amor é mais forte do que o sangue. Sua avó, a amou muito e a criou para ser uma mulher forte, independente, Robert e Parvati são os irmãos que você escolheu e sei que eles pensam o mesmo, e eu...Eu vou estar ao seu lado, te apoiando, só porque amo você, se concentra nisso e tudo vai ser mais fácil.
- Eu estou com medo, Mitchell.- ela me disse após refletir sobre as minhas palavras, assenti e a segurei firme entre os meus braços, enquanto beijava o alto de sua cabeça.
‘Família é o lugar onde as mentes entram em contato entre si. Se essas mentes amam umas as outras, o lar será tão bonito quanto um jardim florido. Mas se essas mentes entrarem em desarmonia umas com as outras, será como uma tempestade que destrói o jardim’. Buda
Quando cheguei na casa da Leonora, estava suado e faminto por causa do treino de quadribol, mas senti que alguma coisa estava errada. Entrei e vi que a gata dela, Condessa, estava toda arrepiada andando de um lado a outro no hall de entrada, e quando me viu, miou alto e passou pelas minhas pernas, era como se quisesse me mostrar alguma coisa, me apressei a entrar na sala, e acabei vendo que Leonora estava caída no chão chorando, rodeada por cadernos velhos. Me aproximei e ela me agarrou soluçando e tudo o que eu pude fazer, foi me sentar no chão e segura-la bem forte, esperando que a crise passasse, enquanto ela ia me falando sobre suas descobertas.
Quando ela falou que havia sido roubada na maternidade, minha primeira reação foi de choque, e depois lembrando de como aquela familia agia com ela, comecei a pensar que tudo poderia ser verdade, a ouvi dizer que ela era uma farsa, eu apenas fiz que não com a cabeça, pois já pensava numa forma de averiguarmos sobre isso, e até pensei em perguntar ao professor Wade, como funcionava uma investigação deste tipo quando a vi jogar um dos diários revoltada, antes que eu a acalmasse, Soren, entrou pela porta trazendo a sacola com a comida que eu havia pedido para ele comprar.Peguei as sacolas e o dispensei.
- Hora do jantar...- tentei soar animado.
- Estou sem fome.- ela disse séria e eu respondi:
- É comida chinesa, você adora.- e ela desviou do assunto:
- Você não devia ir embora para a casa da sua tia? Você havia dito que ela queria te ver.
- Minha tia pode esperar. Esta noite eu à sua disposição.- disse soltando a sacola e tentando beijar seu pescoço para distraí-la e ela me repeliu tensa.
- Não estou legal hoje, tenho muita coisa para fazer, quero ver todos estes diários, separar o que é relevante e levar para a república, preciso falar com meu advogado...
- Acalme-se, eu estou do seu lado, Leonora. Sei pelo que você está passando.
- Ah é? O quê? O que eu estou passando?- disse nervosa e eu tentei soar o mais racional possivel:
- Sente-se magoada por descobrir segredos que afetam a sua vida e da sua familia, através da sua avó, a pessoa que você mais amava e confiava. Também está pensando que se ela realmente a amasse deveria ter lhe contado a verdade, por mais dolorosa que fosse...
- Não queira bancar o psicólogo comigo, isso só funciona no seu curso de auror.
-Eu não tenho intenção de bancar o analista, é só que eu conheço você...- e ela me interrompeu:
- Nós temos um namoro, ou pelo fato de dormirmos juntos podemos até chamar de caso, e só por isso não quer dizer que você me conheça, então não se empolgue muito.- ela disse me dando aquele olhar superior, que às vezes me irritava e tentou sair de perto de mim, mas eu a segurei pelos braços e seus olhos se arregalaram:
- Quando você não pára de pensar numa pessoa em nenhum momento do dia, isso não é um caso....Quando você se lembra do toque dela,como se ela estivesse ao seu lado, isso não é só um caso... Se você quer ficar sozinha, para processar tudo o que descobriu, eu respeito isso, mas não queira diminuir o que nós temos, que é muito mais forte que seu mau humor de menina mimada.- disse soltando-a e sai porta afora, mas não fui longe. Fiquei sentado no degrau da entrada e Condessa veio se juntar a mim.
Depois de meia hora, achei que ela talvez estivesse mais calma, e voltei. Quando entrei, senti cheiro de queimado e vi que saía muita fumaça da cozinha. Corri para lá e Leonora estava abrindo as janelas. Fui ajuda-la:
- Fui esquentar a sopa e acho que a queimei...- ela disse entre uma tosse e outra:
- Você acha? Pelo que estou vendo sua panela esta perdida.- disse quando joguei a panela dentro da pia e corri para o forno que apitava feito um doido e tirei de lá de dentro vários pedaços de carvão fumegando. Senti o cheiro do papelão queimado. ‘Ela não sabe que tem que tirar a comida da embalagem antes?? pensei mas não disse nada. – me ocupei em dispersar aquele cheiro com um aceno da varinha.
- Mas você queimou toda aquela comida?- perguntei e ela recomeçou a chorar quando ouviu meu estômago roncar.
- Hey,não fica assim, é só comida.- disse enquanto enxugava uma lágrima do seu rosto com o meu polegar, e ela me abraçou:
- Desculpa, ter bancado a megera antes, eu estava me sentindo péssima, Mitchell, eu realmente estava...
- Eu sei, e achou que se eu a visse vulnerável, descobrindo coisas sobre seu passado e precisando de ajuda, eu fugiria e a deixaria sozinha. Não fui ok? Tava sentado na escada aqui da frente de casa com a Condessa, achei que você iria me chamar.- eu admiti e ela sorriu:
- Vi vocês pela janela, e pensei em atraí-lo de volta com a comida, mas estraguei tudo.- e eu ri:
- Leonora, ainda bem que você não precisa testar as receitas do seu concurso pessoalmente, seria um risco à saúde pública. - e ela gargalhou, mas depois tornou a ficar séria:
- Passei a minha vida toda contando apenas com meus avós, depois só com vovó, até entrar em Durmstrang e conhecer Robbie e Parvati. Nem Finn, tem tanto acesso a mim quanto eles, e agora você... Depois de descobrir sobre o meu nascimento, e pensar em todas as dúvidas que passaram pela minha cabeça sobre quem eu sou realmente, se meus amigos vão continuar sendo os meus amigos....Acabei descontando em quem não merecia
- É compreenssível, no seu lugar eu também surtaria. Sou mais forte do que pareço, e nâo tenho medo de lutar pelo que eu acredito, e eu acredito em nós, nunca tenha dúvidas disso. E você não deve ter dúvidas sobre quem você é, amor é mais forte do que o sangue. Sua avó, a amou muito e a criou para ser uma mulher forte, independente, Robert e Parvati são os irmãos que você escolheu e sei que eles pensam o mesmo, e eu...Eu vou estar ao seu lado, te apoiando, só porque amo você, se concentra nisso e tudo vai ser mais fácil.
- Eu estou com medo, Mitchell.- ela me disse após refletir sobre as minhas palavras, assenti e a segurei firme entre os meus braços, enquanto beijava o alto de sua cabeça.
Tuesday, March 20, 2012
Chegamos às 17h em ponto na sala do curso de auror e nos deparamos com um aviso na porta mandando todos seguirem para o campo de quadribol. Ninguém tinha ideia do que nos esperava, mas uma coisa era certa: se a aula era em campo aberto, íamos cansar. E acertamos em cheio. Quando pisamos no campo vimos uma estrutura enorme montada, parecendo uma pista de obstáculos de treinamento militar: tinha uma plataforma alta, uma rede de escalada, uma pinguela, pneus enfileirados, vários troncos altos e baixos e uma pista de lama com cordas em cima, onde ficou bem claro que teríamos que rastejar por baixo delas pra passar.
- Boa noite, senhores – o professor Wade falou em seu tom de voz mais sádico. Aquilo era um mau sinal – Como já notaram, hoje vamos fazer algo diferente.
- Hoje nós vamos avaliar como anda a comunicação entre as duplas, e quanto vocês confiam um no outro – a professora O’Shea explicou – Um de vocês vai ficar vendado, enquanto o outro, de cima daquela plataforma, vai guiar o parceiro pelos obstáculos. Vocês vão começar em lados opostos e o objetivo é fazer o seu parceiro chegar até a sua plataforma em segurança.
- Não é uma corrida, isso não é Survivor e vocês não estão lutando pela imunidade, então não se apressem. Encontrem uma maneira de se comunicarem de forma eficaz, porque todos vão gritar ao mesmo tempo e vai ser difícil para o seu parceiro ouvir suas instruções. Vocês têm cinco minutos para decidir quem vai ficar vendado e quem vai guiar e bolarem uma estratégia antes de começarmos.
- Não acho que consigo gritar alto o suficiente – Parvati disse logo – Acho melhor você guiar.
- Você sabe que vai ter que rastejar na lama, não é? – perguntei rindo, mas ela deu de ombros – Ok então, eu guio.
Quando eles autorizaram o inicio do exercício, um caos se instalou. Todos gritavam ao mesmo tempo instruções confusas e os que estavam vendados, do outro lado da pista, pareciam galinhas decepadas andando rumo. Demorou até que Parvati conseguisse distinguir minha voz no meio daquela confusão, mas quando ela conseguiu me ouvir, trabalhamos bem. Passou sem muita dificuldade pela rede de escalada (quase saiu do alto dela, mas se segurou a tempo), atravessou os pneus sem pressa e seguindo minhas instruções para não tropeçar, passou pela pinguela colocando um pé na frente do outro e com os braços estendidos como mandei e pulou e passou por baixo de todas as traves que tinham no caminho sem acidentes. Só faltava o rastejo e quase todas as duplas estavam nele, as vozes começaram a se embolar outra vez e precisei gritar mais alto.
- Parvati, pra baixo! Você precisa rastejar!
- O QUE? OZZY? NÃO CONSIGO OUVÍ-LO.
- ABAIXA! VOCÊ PRECISA RASTEJAR!
- AI! – Oleg trombou feio com ela, derrubando Parvati por cima das cordas.
- Desculpa! – ele tentou ajuda-la a levantar, mas vendado estava atrapalhando mais do que ajudando – Quem caiu?
- Parvati! Quem é? Oleg?
- OLEG, SAI DAI! – Mitchell gritou da plataforma do meu lado – ESQUERDA, VAI PRA SUA ESQUERDA!
- PARVATI, FICA ABAIXADA! VOCÊ PRECISA RASTEJAR PRA ATRAVESSAR AS CORDAS!
Parvati finalmente ouviu e fez sinal de positivo, seguindo o que mandei e passando rastejando pela lama debaixo das cordas. Incentivei-a a continuar dizendo que faltava pouco e quando ela passou por todo o percurso de cordas, a professora O’Shea apitou e saltei da plataforma para encontra-la.
- Karev e Lusth estão ok, pode tirar a venda! – ela deu sinal positivo e Parvati arrancou a venda dos olhos. Estava suada, o rosto vermelho e toda suja de lama.
- Acho que fomos bem – ela falou quase sem folego, limpando a lama do rosto.
- Sim, vocês foram muito bem – a professora se aproximou – Apanharam um pouco no começo, mas quando conseguiram se comunicar Parvati confiou nas suas instruções e passou sem problemas pelo percurso – ela sorriu e apitou outra vez – Callahan e Karpov ok, pode tirar a venda!
Oleg tirou a venda dos olhos e vi que tinha um corte no supercilio direito, de quando não ouviu Mitchell mandando que abaixasse e deu uma cabeçada na trave. Também estava todo sujo, mas fora o machucado, eles passaram bem pelo percurso e tinham cumprido o objetivo da prova. Demorou mais meia hora até que todos tivessem concluído o percurso e sentamos na grama para ouvir a avaliação.
- No geral, todos se saíram bem. Alguns tiveram mais dificuldades, alguns até se machucaram – e Oleg passou a mão na testa na hora, fazendo a turma rir – Mas todos provaram que a comunicação entre as duplas está boa e que vocês confiam um no outro.
- O próximo exercício de dinâmica entre as duplas, como já havíamos avisado, é nesse fim de semana. Nós só vamos chegar aqui às 17h, então quem vai orientar vocês é o Dr.Pace. Estejam na sala de aula pontualmente às 10h.
- O que vai ser o exercício? – Mitchell perguntou com a mão levantada.
- Sábado vocês vão descobrir. Lembre-se que ninguém vai poder ir pra casa, ele vai ocupar todo o fim de semana, também já havíamos avisado sobre isso.
- Vocês vão gostar, é divertido – mais uma vez, o tom de voz sádico – Agora antes de liberarmos vocês, 50 voltas no campo. Vamos, vamos! – ele bateu palmas e gritou e todo mundo levantou depressa.
Corremos as 50 vezes que ele mandou em volta do campo de quadribol e conforme íamos terminando, éramos liberados da aula. Já eram quase 21h quando cheguei à Kratos e desmaiei na cama antes mesmo de considerar tomar banho. Ainda bem que não tinha sido eu a atravessar o percurso, ou teria dormido todo sujo de lama.
°°°°°°°°
Sexta-feira passou como um raio e quando me dei conta já era sábado e estava mais uma vez preso na escola por conta de algum trabalho do curso de Auror. Como havíamos sido orientados, às 10h estávamos todos na sala de aula esperando que o Dr. Pace chegasse para explicar o que teríamos que fazer. Foi impossível não notar que em cima da mesa dele havia uma caixa de madeira enorme e aquilo me preocupou. O que quer que fosse, se seria passado aos alunos por ele, a avaliação teria um valor muito maior do que parecia. Ele entrou logo depois que nos acomodamos e estava animado. Outro sinal de preocupação. O que deixa um psicólogo animado dificilmente anima seus pacientes.
- Bom dia, turma, como estão? – todos o cumprimentaram de volta e ele sorriu ainda mais animado – Muito bem, vou ser bem direto para podermos começar logo a dinâmica – ele abriu a caixa e puxou uma espécie de algema de dentro, mas era de pano e tinha uma corrente um pouco maior – Hoje, vocês serão acorrentados às suas duplas e terão que passar 48h assim. Só poderão retirá-las para usar o banheiro, mas a outra pessoa deverá ficar por perto. O que vamos avaliar nessa dinâmica é a habilidade de vocês em trabalhar juntos. Para a dinâmica funcionar, vocês precisam encontrar o ritmo.
- Dr. Pace, nem todos moram na mesma republica. Não podemos tirar pra dormir também? – Mitchell perguntou e todo mundo apoiou.
- Não, não podem, pois já pensamos na solução para isso – ele colocou a mão na caixa outra vez e puxou um saco de dormir – Para aqueles que não conseguirem chegar a um consenso sobre onde dormir, como é apenas uma noite vamos montar um acampamento aqui na sala e podem vir pra cá. A corrente pode ser usada nas mãos ou nos pés, cabe a vocês decidir onde fica melhor.
- Podemos ir até o vilarejo com elas? – perguntei
- Sim, podem. Só não devem ir para casa, mas podem circular normalmente pelo vilarejo. Estarei observando vocês de perto, assim como Micah e Shannon quando retornarem de Hogwarts. Amanhã às 17h recolheremos as correntes e entregaremos as avaliações durante a semana.
Um por um, as duplas foram até a mesa para receber a corrente e ser liberado. A maioria estava achando divertido e brincando com a idéia, como Oleg e Mitchell, que já começavam a ensaiar andar com os passos iguais, mas eu não estava achando aquilo muito divertido. Era verdade que se fosse um ano antes eu ia querer enforcar Parvati com aquela corrente, mas mesmo nos dando bem agora, passar 48h acorrentado a ela não tinha como dar certo.
Decidimos usar a corrente no braço, porque no pé íamos parecer uma dupla de presidiários. E no instante em que nos prendemos um ao outro, a falta de sincronia ficou clara. Passei pela porta e virei à esquerda, enquanto ela foi pra direita. Fomos puxamos de volta pra perto à força e ela alisou o pulso, reclamando de ter machucado.
- Isso não vai dar certo.
- Tem que dar certo, são 48 horas assim. Só temos que nos comunicar melhor.
- Certo, então vamos pra direita, porque eu tenho que passar no jornal.
- Eu tenho que ir ao vilarejo. Katarina pediu que a encontrasse no café às 10:30.
- Não vou ao vilarejo com isso.
- Eu tenho que ir até lá, ela disse que era importante.
- Ok, tudo bem, mas vamos passar no jornal antes.
- Não pode ser depois? Fico a tarde inteira lá se quiser, mas temos que ir até o vilarejo agora.
Ela finalmente cedeu e seguimos para a cidade. As ruas ainda estavam vazias, nenhum aluno circulava por elas ainda, todos deviam estar dormindo. Parvati caminhava depressa pra ninguém ter tempo de ver a corrente nos prendendo e sentamos na mesa mais afastada do café. Como sempre, Katarina estava atrasada. Já estávamos esperando há quase 10 minutos quando ela finalmente apareceu.
- Desculpe o atraso, maninho, mas não controle os acidentados que chegam ao hospital! – ela já chegou se explicando e puxando uma cadeira – Olá Parvati, que bom que veio!
- Não tive muita escolha – ela levantou nossas mãos e Kat viu a corrente.
- Curso de Auror? – ela perguntou e assentimos – Por isso escolhi ser Curandeira.
- Ok Kat, você disse que era urgente, então que tal começar a falar? – disse impaciente.
- Muito bem. Primeira coisa, não precisa mais bloquear a mente dela, eu já sei de tudo.
- Sabe tudo o que?
- Sei que ela morreu, e depois voltou – ela abaixou a voz e ficamos tensos – Sei o que você e os gêmeos fizeram.
- Quem contou isso a você?
- Ninguém me contou, mas você contou Eddie e isso bastou – ela deu um sorriso cínico e me amaldiçoei por ter dito a ele – Ele não teve culpa, bastou olhar pra ele e vi tudo.
- Por que você contou a ele? – Parvati perguntou nervosa.
- Ele sabia, ele leu o relatório da policia que o Dr. Pace me deu e me confrontou. Não pude mentir, ele queria saber por que só salvamos você.
- E por que você o deixou ler isso? Droga Ozzy, isso deveria ser um segredo, você mesmo disse que ninguém podia saber! – ela quase gritou, irritada.
- Eu não entreguei a ele, ok? – respondi tão irritado quanto ela – Ele viu em cima da cômoda e pegou! O que eu devia fazer? Tomar da mão dele e rasgar? Só ia piorar as coisas!
- Ok, se acalmem vocês dois! – Kat interferiu a tempo, pois já estávamos quase rosnando – Não vim aqui para dar bronca, vim para ajudar.
- O que? Você não vai nos denunciar ao Conselho?
- Está maluco? Tem idéia do que pode acontecer com vocês se eu entregá-los? Não quero perder meu irmãozinho, então não, não vou denunciar os três patetas.
- Então o que? Vai nos chantagear?
- Oscar, você tem muita pouca fé na sua irmã. Não vim chantagear ninguém, já disse que quero ajudar.
- Em que exatamente você pode ajudar? – Parvati perguntou em um tom mais gentil.
- Sei que você tem a mesma habilidade que nós dois, e existem tantas coisas que posso fazer que vocês nem podem imaginar. Isso vai muito além de ler mentes. Quero ajudá-la a aprender todas.
- E...? – emendei, pois aquela era Kat, tinha algo mais.
- E eu fiquei muito curiosa por saber que o ritual funcionou em uma mortal comum, sem ofensas – ela adiantou depressa e Parvati fez sinal de tudo bem – Não sabia que isso era possível. E você ainda voltou com poderes, achava isso ainda mais impossível.
- Por que impossível? Não é o ritual que desencadeia isso tudo?
- Eu sempre achei que fosse algo relacionado à linhagem sanguínea, mas acho que ficou provado que não é. Quero descobrir o que é.
- Cuidado com essas pesquisas, pode atrair a atenção de alguém.
- Não se preocupe, sei ser discreta quando preciso.
- O que exatamente podemos fazer, além de ler mentes? – Parvati perguntou de repente, como se só aquela parte da conversa tivesse lhe interessado.
- Ah, isso é conversa pra outra hora, quando eu tiver mais tempo – ela chamou o garçom – Um café para viagem, por favor. Preciso voltar para o hospital, mas quando forem para casa em um fim de semana e eu tiver folga, conversamos.
Kat pagou pelo café e assim que nos despedimos ela aparatou de volta pra Sofia. Pedimos cafés para viagem também e saímos para a rua. Ela já estava lotada, os moradores da cidade que ainda estavam dormindo quando chegamos agora já ocupavam a praça e as lojas do vilarejo. Parvati recolheu a corrente que nos separava e agarrou minha mão.
- O que está fazendo?
- Não quero que ninguém veja essa corrente idiota, vamos voltar depressa.
Andamos de mãos dadas cerca de um minuto até tudo dar errado. Quando fizemos a curva para pegar a estrada que subia até os portões do castelo, Lukas estava encostado no muro esperando por ela. A primeira reação dela foi sorrir animada, mas quando a expressão no rosto dele se fechou, ela percebeu que ainda segurava minha mão. Soltou depressa, mas era tarde demais. Lukas passou batido por nós dois e quando estava fora do alcance da proteção contra aparatação, desapareceu. Parvati correu até onde ele desaparatou, mas continuei parado e a corrente a freou.
- Solta essa coisa do meu pulso, tenho que ir atrás dele! – ela começou a desatar a corrente, mas segurei sua mão para impedi-la.
- Ficou maluca? Não podemos sair!
- Eu preciso ir, ele está pensando besteira!
- Ninguém morreu, então não pode sair! Estamos presos goste você ou não e eu não vou colocar em risco minha chance de ir pra Academia de Auror porque você quer ir atrás dele! Se não está levando isso a sério e prefere priorizar esse namoro falso, não devia ter se inscrito no curso!
- Namoro falso? Quem você pensa que é pra falar isso?
- Você nem gosta dele! Só está com ele porque não quer ficar sozinha! Relaxa, ele já está mais que acostumado com o peso do chifre, e um imaginário não vai fazer diferença – ok, eu tinha ido longe demais e nem teria sido necessário olhar pra expressão no rosto dela – Desculpa, não quis dizer isso.
- Não, você quis sim.
- Onde está indo? – perguntei quando ela passou por mim na direção dos portões – Ah, não vai me responder?
- Tenho que ficar 48h acorrentada a você, mas não precisamos conversar. Estamos entendidos?
Assenti sem opção e voltei para o castelo atrás dela. Como previ, não tinha como passar 48h acorrentado a Parvati sem que alguma coisa desse errado. Eu só esperava que demorasse um pouco mais para as coisas desandarem.
- Boa noite, senhores – o professor Wade falou em seu tom de voz mais sádico. Aquilo era um mau sinal – Como já notaram, hoje vamos fazer algo diferente.
- Hoje nós vamos avaliar como anda a comunicação entre as duplas, e quanto vocês confiam um no outro – a professora O’Shea explicou – Um de vocês vai ficar vendado, enquanto o outro, de cima daquela plataforma, vai guiar o parceiro pelos obstáculos. Vocês vão começar em lados opostos e o objetivo é fazer o seu parceiro chegar até a sua plataforma em segurança.
- Não é uma corrida, isso não é Survivor e vocês não estão lutando pela imunidade, então não se apressem. Encontrem uma maneira de se comunicarem de forma eficaz, porque todos vão gritar ao mesmo tempo e vai ser difícil para o seu parceiro ouvir suas instruções. Vocês têm cinco minutos para decidir quem vai ficar vendado e quem vai guiar e bolarem uma estratégia antes de começarmos.
- Não acho que consigo gritar alto o suficiente – Parvati disse logo – Acho melhor você guiar.
- Você sabe que vai ter que rastejar na lama, não é? – perguntei rindo, mas ela deu de ombros – Ok então, eu guio.
Quando eles autorizaram o inicio do exercício, um caos se instalou. Todos gritavam ao mesmo tempo instruções confusas e os que estavam vendados, do outro lado da pista, pareciam galinhas decepadas andando rumo. Demorou até que Parvati conseguisse distinguir minha voz no meio daquela confusão, mas quando ela conseguiu me ouvir, trabalhamos bem. Passou sem muita dificuldade pela rede de escalada (quase saiu do alto dela, mas se segurou a tempo), atravessou os pneus sem pressa e seguindo minhas instruções para não tropeçar, passou pela pinguela colocando um pé na frente do outro e com os braços estendidos como mandei e pulou e passou por baixo de todas as traves que tinham no caminho sem acidentes. Só faltava o rastejo e quase todas as duplas estavam nele, as vozes começaram a se embolar outra vez e precisei gritar mais alto.
- Parvati, pra baixo! Você precisa rastejar!
- O QUE? OZZY? NÃO CONSIGO OUVÍ-LO.
- ABAIXA! VOCÊ PRECISA RASTEJAR!
- AI! – Oleg trombou feio com ela, derrubando Parvati por cima das cordas.
- Desculpa! – ele tentou ajuda-la a levantar, mas vendado estava atrapalhando mais do que ajudando – Quem caiu?
- Parvati! Quem é? Oleg?
- OLEG, SAI DAI! – Mitchell gritou da plataforma do meu lado – ESQUERDA, VAI PRA SUA ESQUERDA!
- PARVATI, FICA ABAIXADA! VOCÊ PRECISA RASTEJAR PRA ATRAVESSAR AS CORDAS!
Parvati finalmente ouviu e fez sinal de positivo, seguindo o que mandei e passando rastejando pela lama debaixo das cordas. Incentivei-a a continuar dizendo que faltava pouco e quando ela passou por todo o percurso de cordas, a professora O’Shea apitou e saltei da plataforma para encontra-la.
- Karev e Lusth estão ok, pode tirar a venda! – ela deu sinal positivo e Parvati arrancou a venda dos olhos. Estava suada, o rosto vermelho e toda suja de lama.
- Acho que fomos bem – ela falou quase sem folego, limpando a lama do rosto.
- Sim, vocês foram muito bem – a professora se aproximou – Apanharam um pouco no começo, mas quando conseguiram se comunicar Parvati confiou nas suas instruções e passou sem problemas pelo percurso – ela sorriu e apitou outra vez – Callahan e Karpov ok, pode tirar a venda!
Oleg tirou a venda dos olhos e vi que tinha um corte no supercilio direito, de quando não ouviu Mitchell mandando que abaixasse e deu uma cabeçada na trave. Também estava todo sujo, mas fora o machucado, eles passaram bem pelo percurso e tinham cumprido o objetivo da prova. Demorou mais meia hora até que todos tivessem concluído o percurso e sentamos na grama para ouvir a avaliação.
- No geral, todos se saíram bem. Alguns tiveram mais dificuldades, alguns até se machucaram – e Oleg passou a mão na testa na hora, fazendo a turma rir – Mas todos provaram que a comunicação entre as duplas está boa e que vocês confiam um no outro.
- O próximo exercício de dinâmica entre as duplas, como já havíamos avisado, é nesse fim de semana. Nós só vamos chegar aqui às 17h, então quem vai orientar vocês é o Dr.Pace. Estejam na sala de aula pontualmente às 10h.
- O que vai ser o exercício? – Mitchell perguntou com a mão levantada.
- Sábado vocês vão descobrir. Lembre-se que ninguém vai poder ir pra casa, ele vai ocupar todo o fim de semana, também já havíamos avisado sobre isso.
- Vocês vão gostar, é divertido – mais uma vez, o tom de voz sádico – Agora antes de liberarmos vocês, 50 voltas no campo. Vamos, vamos! – ele bateu palmas e gritou e todo mundo levantou depressa.
Corremos as 50 vezes que ele mandou em volta do campo de quadribol e conforme íamos terminando, éramos liberados da aula. Já eram quase 21h quando cheguei à Kratos e desmaiei na cama antes mesmo de considerar tomar banho. Ainda bem que não tinha sido eu a atravessar o percurso, ou teria dormido todo sujo de lama.
°°°°°°°°
Sexta-feira passou como um raio e quando me dei conta já era sábado e estava mais uma vez preso na escola por conta de algum trabalho do curso de Auror. Como havíamos sido orientados, às 10h estávamos todos na sala de aula esperando que o Dr. Pace chegasse para explicar o que teríamos que fazer. Foi impossível não notar que em cima da mesa dele havia uma caixa de madeira enorme e aquilo me preocupou. O que quer que fosse, se seria passado aos alunos por ele, a avaliação teria um valor muito maior do que parecia. Ele entrou logo depois que nos acomodamos e estava animado. Outro sinal de preocupação. O que deixa um psicólogo animado dificilmente anima seus pacientes.
- Bom dia, turma, como estão? – todos o cumprimentaram de volta e ele sorriu ainda mais animado – Muito bem, vou ser bem direto para podermos começar logo a dinâmica – ele abriu a caixa e puxou uma espécie de algema de dentro, mas era de pano e tinha uma corrente um pouco maior – Hoje, vocês serão acorrentados às suas duplas e terão que passar 48h assim. Só poderão retirá-las para usar o banheiro, mas a outra pessoa deverá ficar por perto. O que vamos avaliar nessa dinâmica é a habilidade de vocês em trabalhar juntos. Para a dinâmica funcionar, vocês precisam encontrar o ritmo.
- Dr. Pace, nem todos moram na mesma republica. Não podemos tirar pra dormir também? – Mitchell perguntou e todo mundo apoiou.
- Não, não podem, pois já pensamos na solução para isso – ele colocou a mão na caixa outra vez e puxou um saco de dormir – Para aqueles que não conseguirem chegar a um consenso sobre onde dormir, como é apenas uma noite vamos montar um acampamento aqui na sala e podem vir pra cá. A corrente pode ser usada nas mãos ou nos pés, cabe a vocês decidir onde fica melhor.
- Podemos ir até o vilarejo com elas? – perguntei
- Sim, podem. Só não devem ir para casa, mas podem circular normalmente pelo vilarejo. Estarei observando vocês de perto, assim como Micah e Shannon quando retornarem de Hogwarts. Amanhã às 17h recolheremos as correntes e entregaremos as avaliações durante a semana.
Um por um, as duplas foram até a mesa para receber a corrente e ser liberado. A maioria estava achando divertido e brincando com a idéia, como Oleg e Mitchell, que já começavam a ensaiar andar com os passos iguais, mas eu não estava achando aquilo muito divertido. Era verdade que se fosse um ano antes eu ia querer enforcar Parvati com aquela corrente, mas mesmo nos dando bem agora, passar 48h acorrentado a ela não tinha como dar certo.
Decidimos usar a corrente no braço, porque no pé íamos parecer uma dupla de presidiários. E no instante em que nos prendemos um ao outro, a falta de sincronia ficou clara. Passei pela porta e virei à esquerda, enquanto ela foi pra direita. Fomos puxamos de volta pra perto à força e ela alisou o pulso, reclamando de ter machucado.
- Isso não vai dar certo.
- Tem que dar certo, são 48 horas assim. Só temos que nos comunicar melhor.
- Certo, então vamos pra direita, porque eu tenho que passar no jornal.
- Eu tenho que ir ao vilarejo. Katarina pediu que a encontrasse no café às 10:30.
- Não vou ao vilarejo com isso.
- Eu tenho que ir até lá, ela disse que era importante.
- Ok, tudo bem, mas vamos passar no jornal antes.
- Não pode ser depois? Fico a tarde inteira lá se quiser, mas temos que ir até o vilarejo agora.
Ela finalmente cedeu e seguimos para a cidade. As ruas ainda estavam vazias, nenhum aluno circulava por elas ainda, todos deviam estar dormindo. Parvati caminhava depressa pra ninguém ter tempo de ver a corrente nos prendendo e sentamos na mesa mais afastada do café. Como sempre, Katarina estava atrasada. Já estávamos esperando há quase 10 minutos quando ela finalmente apareceu.
- Desculpe o atraso, maninho, mas não controle os acidentados que chegam ao hospital! – ela já chegou se explicando e puxando uma cadeira – Olá Parvati, que bom que veio!
- Não tive muita escolha – ela levantou nossas mãos e Kat viu a corrente.
- Curso de Auror? – ela perguntou e assentimos – Por isso escolhi ser Curandeira.
- Ok Kat, você disse que era urgente, então que tal começar a falar? – disse impaciente.
- Muito bem. Primeira coisa, não precisa mais bloquear a mente dela, eu já sei de tudo.
- Sabe tudo o que?
- Sei que ela morreu, e depois voltou – ela abaixou a voz e ficamos tensos – Sei o que você e os gêmeos fizeram.
- Quem contou isso a você?
- Ninguém me contou, mas você contou Eddie e isso bastou – ela deu um sorriso cínico e me amaldiçoei por ter dito a ele – Ele não teve culpa, bastou olhar pra ele e vi tudo.
- Por que você contou a ele? – Parvati perguntou nervosa.
- Ele sabia, ele leu o relatório da policia que o Dr. Pace me deu e me confrontou. Não pude mentir, ele queria saber por que só salvamos você.
- E por que você o deixou ler isso? Droga Ozzy, isso deveria ser um segredo, você mesmo disse que ninguém podia saber! – ela quase gritou, irritada.
- Eu não entreguei a ele, ok? – respondi tão irritado quanto ela – Ele viu em cima da cômoda e pegou! O que eu devia fazer? Tomar da mão dele e rasgar? Só ia piorar as coisas!
- Ok, se acalmem vocês dois! – Kat interferiu a tempo, pois já estávamos quase rosnando – Não vim aqui para dar bronca, vim para ajudar.
- O que? Você não vai nos denunciar ao Conselho?
- Está maluco? Tem idéia do que pode acontecer com vocês se eu entregá-los? Não quero perder meu irmãozinho, então não, não vou denunciar os três patetas.
- Então o que? Vai nos chantagear?
- Oscar, você tem muita pouca fé na sua irmã. Não vim chantagear ninguém, já disse que quero ajudar.
- Em que exatamente você pode ajudar? – Parvati perguntou em um tom mais gentil.
- Sei que você tem a mesma habilidade que nós dois, e existem tantas coisas que posso fazer que vocês nem podem imaginar. Isso vai muito além de ler mentes. Quero ajudá-la a aprender todas.
- E...? – emendei, pois aquela era Kat, tinha algo mais.
- E eu fiquei muito curiosa por saber que o ritual funcionou em uma mortal comum, sem ofensas – ela adiantou depressa e Parvati fez sinal de tudo bem – Não sabia que isso era possível. E você ainda voltou com poderes, achava isso ainda mais impossível.
- Por que impossível? Não é o ritual que desencadeia isso tudo?
- Eu sempre achei que fosse algo relacionado à linhagem sanguínea, mas acho que ficou provado que não é. Quero descobrir o que é.
- Cuidado com essas pesquisas, pode atrair a atenção de alguém.
- Não se preocupe, sei ser discreta quando preciso.
- O que exatamente podemos fazer, além de ler mentes? – Parvati perguntou de repente, como se só aquela parte da conversa tivesse lhe interessado.
- Ah, isso é conversa pra outra hora, quando eu tiver mais tempo – ela chamou o garçom – Um café para viagem, por favor. Preciso voltar para o hospital, mas quando forem para casa em um fim de semana e eu tiver folga, conversamos.
Kat pagou pelo café e assim que nos despedimos ela aparatou de volta pra Sofia. Pedimos cafés para viagem também e saímos para a rua. Ela já estava lotada, os moradores da cidade que ainda estavam dormindo quando chegamos agora já ocupavam a praça e as lojas do vilarejo. Parvati recolheu a corrente que nos separava e agarrou minha mão.
- O que está fazendo?
- Não quero que ninguém veja essa corrente idiota, vamos voltar depressa.
Andamos de mãos dadas cerca de um minuto até tudo dar errado. Quando fizemos a curva para pegar a estrada que subia até os portões do castelo, Lukas estava encostado no muro esperando por ela. A primeira reação dela foi sorrir animada, mas quando a expressão no rosto dele se fechou, ela percebeu que ainda segurava minha mão. Soltou depressa, mas era tarde demais. Lukas passou batido por nós dois e quando estava fora do alcance da proteção contra aparatação, desapareceu. Parvati correu até onde ele desaparatou, mas continuei parado e a corrente a freou.
- Solta essa coisa do meu pulso, tenho que ir atrás dele! – ela começou a desatar a corrente, mas segurei sua mão para impedi-la.
- Ficou maluca? Não podemos sair!
- Eu preciso ir, ele está pensando besteira!
- Ninguém morreu, então não pode sair! Estamos presos goste você ou não e eu não vou colocar em risco minha chance de ir pra Academia de Auror porque você quer ir atrás dele! Se não está levando isso a sério e prefere priorizar esse namoro falso, não devia ter se inscrito no curso!
- Namoro falso? Quem você pensa que é pra falar isso?
- Você nem gosta dele! Só está com ele porque não quer ficar sozinha! Relaxa, ele já está mais que acostumado com o peso do chifre, e um imaginário não vai fazer diferença – ok, eu tinha ido longe demais e nem teria sido necessário olhar pra expressão no rosto dela – Desculpa, não quis dizer isso.
- Não, você quis sim.
- Onde está indo? – perguntei quando ela passou por mim na direção dos portões – Ah, não vai me responder?
- Tenho que ficar 48h acorrentada a você, mas não precisamos conversar. Estamos entendidos?
Assenti sem opção e voltei para o castelo atrás dela. Como previ, não tinha como passar 48h acorrentado a Parvati sem que alguma coisa desse errado. Eu só esperava que demorasse um pouco mais para as coisas desandarem.
Thursday, March 15, 2012
- Vocês não querem vir comigo? Podemos fazer uma sessão de filmes trash, a tv é ótima, Mitchell quem escolheu. Imagina ver ‘Piranhas 3D’?- comentei e observei Robbie e Parvati trocarem olhares maliciosos entre eles.
- Eu já tenho planos, e não vou ficar de vela.Já é dificil quando vocês estão juntos no grêmio...Ou na biblioteca...Ou no salão de jantar...- zoou Parv e Robbie completou:
- Adoraria uma sessão trash, mas já fiz planos com Alec. Não vou empatar, quando vocês tão claramente no estágio seis.
- Estágio seis? Que isso?- perguntei e Robbie riu:
- Vai me dizer que você não sabe o que é o estágio seis? É do manual básico em relacionamento.- e Parv riu:
- Robbie, ela parou de ler as revistas adolescentes, agora que está firme com o Mitchell, não sabe do ‘estágio seis’.- olhei feio:
- haha, muito engraçado que coisa é esta de estágio seis que não estou sabendo? E eu odeio não saber das coisas.- e Robbie assumiu um tom professoral:
- Amiga, um relacionamento sério é composto de vários estágios, começa com o estágio um que é:- e apontou para Parv que respondeu:
- Assumir que está a fim.- e Parv começou a contar nos dedos, enquanto respondia:
- Estágio dois: passar o fim de semana juntos.Vocês fazem muito isso.- e Robbie continuou, enquanto eu prestava atenção:
- Estágio três: dar a cópia das chaves, sabemos que Mitchell a tem, ou ele não teria pego você esparramada em cima do Finn e pirado de ciúmes, e causado toodo aquele drama.
- Eu não estava esparramada em cima do Finn, cai por acidente, quantas vezes vou ter que dizer isso?- e eles riram, e continuaram:
- O número quatro é o fim de semana sensual: pelas olheiras que você chegou aqui semana passada, é claro que já passaram deste estágio. Amiga, não é só Deus que mata ok?- joguei uma almofada nele que riu:
- O estágio cinco são férias prolongadas, também já tiveram isso, e o estágio seis é morar junto. Ops, já moram juntos.Estágio seis completado.
- Nós não moramos juntos.- eu disse defensiva e ambos riram:
- Seus empregados compram as frutas que ele gosta para o café da manhã?
- Sim, mas é uma cortesia, assim como fariam com qualquer hóspede...
-E ele tem roupas na sua casa, posso até dizer que você separou um espaço no closet para as coisas dele. – disse Parv e Robbie não perdeu a deixa continuando:
- Vocês enfeitiçaram uma cama juntos e o mais decisivo: compraram uma super tv cheia de recursos, trocaram os sofás...
- Ele comentou com Oleg,que se acontecer algum acidente durante os jogos ou no treinamento de auror, o contato de emergências, é o seu.
- O segurança dele, o Soren, meu pai quem tem um nome destes? Bem, o segurança dele, reforçou a segurança da sua casa.- disse Parv e eu abria e fechava a boca como se fosse um peixe, olhando para os dois e ambos riram:
- Viu? Vocês moram juntos.- finalizou Robbie e depois de olhar para eles, disse séria:
- Isso não pode continuar assim.- e eles pararam de rir.
- Ai droga, Robbie! Sabia que ela não estava preparada para ouvir a verdade, já está pensando em besteira...- disse Parv e eu ralhei com ela:
- Pára de ler meus pensamentos, é falta de educação.
- Não preciso, sua cara diz que você está apavorada e se te conheço vai fazer alguma coisa para sabotar seu namoro. Não ouse terminar com o Mitchell de novo, nós gostamos dele.
- Não vou terminar...Mas morar junto?A família dele não gosta de mim...Nem saímos da escola ainda...E se não der certo? - e Robbie me segurou pelos braços olhando em meus olhos:
- Querida, vocês estão apaixonados, e isso é o importante aqui. E sei que lá do Paraíso, vovó está torcendo por vocês dois, acalme-se. – assenti e Parv completou:
- A única certeza que temos é que viver o presente intensamente, pode fazer um futuro melhor.Não se prenda às convenções Léo, sobre serem jovens ou a aprovação das famílias. Com o tempo tudo vai se ajeitando.Nossa, a convivência com o doutor Pace está me contaminando. – rimos e nós três nos abraçamos e nos despedimos, mas eu estava com a cabeça cheia, precisava pensar em toda esta coisa dos ‘estágios’.
-o-o-o-o-o-o-
A reunião havia começado da forma usual: a apresentação dos relatórios, os comentários, George até havia começado a me provocar sobre o concurso, mas quando ele começou a ver que membros do Conselho estavam animados, comentando sobre as receitas, a publicidade positiva que havia sido gerada e me cumprimentavam pela iniciativa, ele fechou a cara e não tocou mais no assunto, e se apressou em continuar a reunião. Terminamos cedo e eu voltei para a casa que a vida inteira eu conheci como sendo a casa de minha avó, mas agora era minha. Eu ainda me sentia estranha em entrar na casa e não encontrar vovó esperando por mim e o serviço de chá pronto, mas eu tinha que seguir em frente. Mantive todos os empregados, mas fiz algumas mudanças na casa, deixando tudo com a minha cara. Claro que Robbie, me deu algumas dicas, inclusive me deu a idéia de transformar o sotão em uma academia já que eu agora levava a sério, esta coisa de malhar. Optei por manter muitas coisas da vovó pela casa, como seus livros preferidos, suas fotos antigas com meu avô, alguns objetos queridos e muitas fotos nossas, que retratavam a minha infância. Segurei o porta retratos com uma foto em que eu usava marias chiquinhas e estava ao lado do meu avô. Eu exibia toda orgulhosa, meu primeiro dólar de prata dado pela fada do dente, eu tinha seis anos. Ao longo da minha vida, eu nunca entendi o porquê destas fotos estarem aqui e não na casa de meus pais, e agora eu sabia. Entendia o porquê das mães das outras crianças sempre irem nas festas da escola e no meu caso, eram vovô e vovó que sempre estavam presentes, e quando meu avô morreu, eu tinha quase nove anos, vovó tomou para si todas estas obrigações. Ela havia sido a minha mãe em todos os sentidos, e eu sentia muita falta dela. Enxuguei o rosto, coloquei a foto no lugar e subi para o sotão, acompanhada de Condessa, que desde o Natal, morava na casa, e como vovó adorava bichos de estimação e minha gata estava feliz aqui, não me incomodava. Era sempre bom saber que pelo menos algo familiar estaria em casa me esperando.
O sótão não era como os dos filmes, todo sujo, escuro e empoeirado. Era limpo, organizado, porém havia muitas caixas por lá, que eu precisava olhar antes de mandar pintar e comprar os aparelhos de ginástica.
Comecei a olhar umas malas antigas, quando uma pequena caiu e se espalhou, deixando alguns diários cairem no chão. Reconheci a letra de minha avó e abri um deles.Vi que eram coisas do seu começo de casamento, suas dúvidas...No começo fiquei constrangida de ler coisas tão pessoais e coloquei de lado, mas em algumas havia trechos de músicas antigas, receitas, lembrei que para vovó devia ter sido dificil, orfã e pobre, casar aos dezoito anos, com um homem de trinta e cinco anos, temperamental e rico. Naquelas páginas, pude entender as dúvidas dela, seus medos, e saber que eles haviam tentado ter filhos por muito tempo, até que conseguiram minha mãe. As palavras felizes, as esperanças...Folheando mais rapidamente, pulei vários estágios daquele crescimento e li que criaram minha mãe como se ela fosse dona do mundo e ela agia como tal. Algumas vezes, eles brigaram por isso, fizeram as pazes...Vovô era um pai babão, dava tudo o que a filha queria, não a punha de castigo mesmo que ela houvesse levado suspensão da escola e minha avó, impunha limites, até que quando ele morreu, minha avó parou de fazer as vontades de minha mãe, agora uma mulher adulta e mãe de duas filhas, porém continuava extremamente mimada. Claro que as coisas não sairam bem, mas quem poderia culpa-las? Ambas tinham gênio forte e queriam tudo à sua maneira.
Pensei que se vovó escrevia tudo em diários, poderia haver alguma coisa relacionada ao meu nascimento, e me animei. Comecei a procurar pelos outros, e encontrei alguns, Condessa resmungou com fome, e eu decidi levar aqueles diários comigo para a sala, e enquanto minha gata comia a sua lata de atum, eu tomava uma xicara de café e ia folheando os diários e voltei um pouco para o tempo antes do casamento de meus pais.
Li sobre os muitos namorados de minha mãe, sua expulsão da escola secundária, por conduta inadequada, sobre suas companhias que vovó não aprovava, e depois quando ela conheceu George Ivashkov, filho de familia rica e e decidiu que ele seria seu marido.
Tornei a ler, mas vovó havia dito isso mesmo: Christine decidiu que George seria dela, e se empenhou para consegui-lo, mesmo ele sendo alguns anos mais velho. Vovó até pensou que ela realmente gostasse dele, mas após o casamento as brigas começaram e eles viviam como cão e gato, tendo se separado algumas vezes, mesmo quando minha mãe estava grávida de Camille.
Nossa, isso estava rendendo mais que novela mexicana. Senti que Condessa se deitou sobre meus pés, mas nem e mexi continuei a ler, até que cheguei na parte onde vovó falava sobre a segunda gravidez de Christine e que desta vez ela suspeitava que teria um menino, e que todos estavam muito animados, pois este bebê faria com que finalmente George rompesse com sua jovem amante, e ele e Christine, seguissem com o seu casamento.
Como assim o segundo filho dela seria um menino? George tinha uma amante?- me perguntei enquanto procurava pela continuação e quando encontrei comecei a ler sem nem me preocupar em acender as luzes. Seu relato era tão contundente, que parecia que eu estava vendo as cenas como se fossem um filme.
'O parto de minha filha foi doloroso, mas a menina mesmo prematura, tinha bom tamanho e parecia forte. George estava viajando a trabalho e viria assim que possivel, estranhei porque ele não quis saber o sexo da criança. Depois que deixei Camille com a babá, voltei para passar a noite com Christine, na maternidade, embora ela tenha insistido que não era preciso, mas algo me incomodava, e achei melhor estar com minha filha.
Quando cheguei ao hospital passava da meia noite, quase não havia movimento nos corredores. Entrei, no quarto e a vi colocando o bebê dentro do berço, e sua feição era dura ao olhar para a criança, não era a mesma mãe amorosa que eu havia visto horas antes. Já havia ouvido sobre depressão pós parto, e comecei a me preocupar.
-O que houve Christine? Você está bem? Não deveria estar em repouso?- e olhei para o bebê e notei que a roupa estava mal arrumada e também percebi coisas diferentes, como o tom do cabelo, que estava mais claro, e a criança parecia maior. Fiquei apreensiva:
- Estou muito bem.- tentei me aproximar e ela se colocou na frente, dizendo:
- Mãe, preciso de sua ajuda.É para salvar meu casamento, é sobre este bebê....
- Como assim? Seu marido, estava animado quando contei que o bebê nasceu.
- Você disse a ele o sexo?
- Não, ele só queria saber se você estava bem, e que ele estava a caminho....O que aconteceu Christine?- e ela se virou para mim nervosa:
- O que vou lhe dizer, mãe, não pode sair daqui, de maneira nenhuma. Jure por todos os santos e pela saúde desta criança, que você não vai contar a ninguém o que aconteceu. Não foi minha culpa, eu só fiz o que era preciso para salvar meu casamento...Mamãe,não conte a ninguém ou sou capaz de me matar.... JURE!- ela disse tão nervosa que jurei, inclusive beijei o crucifixo que eu usava no pescoço. Ela se acalmou, pois sabia que eu falava a sério, e após olhar para a criança mais uma vez disse:
- O bebê morreu.- e eu me desvencilhei dela e me aproximei do berço e vi que a criança dormia bem.
- Não diga tolices, Christine, sua filha está bem.
- Agora que dei um jeito, é claro que ela está bem.- ela respondeu sarcástica.
- Seria bom você dormir um pouco, não está falando coisa com coisa - e ela me encarou e deu uma risada estranha.
- A boa e velha Leonora, aquela que é perfeita em tudo, querida por todos, acha que a filha enlouqueceu, tsc, tsc...
- Não filha, você esta exausta, seu parto foi complicado....- tentei dizer mas ela me interrompeu:
-A menina estava no berço e dormia tranquila, levantei para vê-la e ela estava fria, deve ter morrido enquanto dormia. Na hora saí para o corredor para pedir ajuda, mas sabia que por mais que tentassem meu bebê estava morto, e se ela acordasse que futuro ela teria? Estava sem respirar a tempo demais, para voltar a ser uma criança normal, e ai sim George não teria mais motivos para ficar comigo, e eu não vou acabar a minha vida cuidando sozinha de uma criança retardada.Então, consegui um outro bebê.
-Como assim, Christine? Onde está minha neta, o que você fez?- segurei seus braços com força e ela se soltou:
- Por ironia, uma moça no final do corredor teve um filho quase na mesma hora e está sedada. Troquei nossas crianças, afinal nenhum filho de alguém como ela teria futuro mesmo.
- Não se pode roubar o filho de uma mãe assim, isso é monstruoso.Não posso aceitar isso...
- Não me interessa, agora esta criança será filha de George, seu único defeito é ser filha daquela mulher...Mas você jurou segredo. Se contar, não só eu, mas esta criança também morrerá.
- Christine, converse com seu marido, ele vai entender....
- Entender o quê? – e era George parado na porta do quarto, e Camille se transformou e começou a chorar:
- Que eu me enganei, não esperava um menino George, tive uma menina, desculpe-me querido...sinto-me uma fracassada.- e ele entrou no quarto e a amparou:
- Não tem problemas, querida, vamos cuidar da nossa filha com todo amor e carinho. – e ele após beijar Christine na testa, se aproximou do bercinho e segurou a criança e nesta hora ela abriu os olhos, e George sorriu:
- Veja ela tem os meus olhos...
- Sim, ela é toda você meu amor.- disse minha filha e ela tinha uma expressão calculista no rosto e George continuou:
- Ola, Leonora Marie, eu sou o seu pai.- senti um baque, e abri a boca para acabar com aquele teatro, quando ouvimos um grito de cortar o coração e as pessoas começarem a correr no corredor....’.
- Leonora? O que houve, meu amor?- meus olhos estavam tão embaçados pelas lágrimas, que sabia que era Mitchell, pelo som de sua voz.Soltei o diário e me agarrei a ele e comecei a soluçar, e embora ele estivesse todo suado por causa do treino, não me importei. Ele se sentou no chão e me segurou em seu colo até que eu parasse de chorar.
- O que aconteceu, Leonora? Porque você está triste? São os diários da sua avó?
- Ela não é minha avó.- eu disse e tornei a chorar e ele ficou sem entender, após algum tempo, eu disse, depois de assoar o nariz:
- Eu sempre quis entender, o porque eu não era amada por meus pais, e lendo os diários de vo...dela, eu entendi.
- Certo, você entendeu porque seus pais são dois estúpidos, lendo uns diários velhos, parabéns economizou uma fortuna com terapeutas.- ele disse tentando soar engraçado, mas eu o olhei séria e disse:
- Eles não são os meus pais. Fui roubada da maternidade no dia em que nasci. – apontei para mim mesma e completei: - Esta pessoa aqui na sua frente? É uma farsa!
- Eu já tenho planos, e não vou ficar de vela.Já é dificil quando vocês estão juntos no grêmio...Ou na biblioteca...Ou no salão de jantar...- zoou Parv e Robbie completou:
- Adoraria uma sessão trash, mas já fiz planos com Alec. Não vou empatar, quando vocês tão claramente no estágio seis.
- Estágio seis? Que isso?- perguntei e Robbie riu:
- Vai me dizer que você não sabe o que é o estágio seis? É do manual básico em relacionamento.- e Parv riu:
- Robbie, ela parou de ler as revistas adolescentes, agora que está firme com o Mitchell, não sabe do ‘estágio seis’.- olhei feio:
- haha, muito engraçado que coisa é esta de estágio seis que não estou sabendo? E eu odeio não saber das coisas.- e Robbie assumiu um tom professoral:
- Amiga, um relacionamento sério é composto de vários estágios, começa com o estágio um que é:- e apontou para Parv que respondeu:
- Assumir que está a fim.- e Parv começou a contar nos dedos, enquanto respondia:
- Estágio dois: passar o fim de semana juntos.Vocês fazem muito isso.- e Robbie continuou, enquanto eu prestava atenção:
- Estágio três: dar a cópia das chaves, sabemos que Mitchell a tem, ou ele não teria pego você esparramada em cima do Finn e pirado de ciúmes, e causado toodo aquele drama.
- Eu não estava esparramada em cima do Finn, cai por acidente, quantas vezes vou ter que dizer isso?- e eles riram, e continuaram:
- O número quatro é o fim de semana sensual: pelas olheiras que você chegou aqui semana passada, é claro que já passaram deste estágio. Amiga, não é só Deus que mata ok?- joguei uma almofada nele que riu:
- O estágio cinco são férias prolongadas, também já tiveram isso, e o estágio seis é morar junto. Ops, já moram juntos.Estágio seis completado.
- Nós não moramos juntos.- eu disse defensiva e ambos riram:
- Seus empregados compram as frutas que ele gosta para o café da manhã?
- Sim, mas é uma cortesia, assim como fariam com qualquer hóspede...
-E ele tem roupas na sua casa, posso até dizer que você separou um espaço no closet para as coisas dele. – disse Parv e Robbie não perdeu a deixa continuando:
- Vocês enfeitiçaram uma cama juntos e o mais decisivo: compraram uma super tv cheia de recursos, trocaram os sofás...
- Ele comentou com Oleg,que se acontecer algum acidente durante os jogos ou no treinamento de auror, o contato de emergências, é o seu.
- O segurança dele, o Soren, meu pai quem tem um nome destes? Bem, o segurança dele, reforçou a segurança da sua casa.- disse Parv e eu abria e fechava a boca como se fosse um peixe, olhando para os dois e ambos riram:
- Viu? Vocês moram juntos.- finalizou Robbie e depois de olhar para eles, disse séria:
- Isso não pode continuar assim.- e eles pararam de rir.
- Ai droga, Robbie! Sabia que ela não estava preparada para ouvir a verdade, já está pensando em besteira...- disse Parv e eu ralhei com ela:
- Pára de ler meus pensamentos, é falta de educação.
- Não preciso, sua cara diz que você está apavorada e se te conheço vai fazer alguma coisa para sabotar seu namoro. Não ouse terminar com o Mitchell de novo, nós gostamos dele.
- Não vou terminar...Mas morar junto?A família dele não gosta de mim...Nem saímos da escola ainda...E se não der certo? - e Robbie me segurou pelos braços olhando em meus olhos:
- Querida, vocês estão apaixonados, e isso é o importante aqui. E sei que lá do Paraíso, vovó está torcendo por vocês dois, acalme-se. – assenti e Parv completou:
- A única certeza que temos é que viver o presente intensamente, pode fazer um futuro melhor.Não se prenda às convenções Léo, sobre serem jovens ou a aprovação das famílias. Com o tempo tudo vai se ajeitando.Nossa, a convivência com o doutor Pace está me contaminando. – rimos e nós três nos abraçamos e nos despedimos, mas eu estava com a cabeça cheia, precisava pensar em toda esta coisa dos ‘estágios’.
-o-o-o-o-o-o-
A reunião havia começado da forma usual: a apresentação dos relatórios, os comentários, George até havia começado a me provocar sobre o concurso, mas quando ele começou a ver que membros do Conselho estavam animados, comentando sobre as receitas, a publicidade positiva que havia sido gerada e me cumprimentavam pela iniciativa, ele fechou a cara e não tocou mais no assunto, e se apressou em continuar a reunião. Terminamos cedo e eu voltei para a casa que a vida inteira eu conheci como sendo a casa de minha avó, mas agora era minha. Eu ainda me sentia estranha em entrar na casa e não encontrar vovó esperando por mim e o serviço de chá pronto, mas eu tinha que seguir em frente. Mantive todos os empregados, mas fiz algumas mudanças na casa, deixando tudo com a minha cara. Claro que Robbie, me deu algumas dicas, inclusive me deu a idéia de transformar o sotão em uma academia já que eu agora levava a sério, esta coisa de malhar. Optei por manter muitas coisas da vovó pela casa, como seus livros preferidos, suas fotos antigas com meu avô, alguns objetos queridos e muitas fotos nossas, que retratavam a minha infância. Segurei o porta retratos com uma foto em que eu usava marias chiquinhas e estava ao lado do meu avô. Eu exibia toda orgulhosa, meu primeiro dólar de prata dado pela fada do dente, eu tinha seis anos. Ao longo da minha vida, eu nunca entendi o porquê destas fotos estarem aqui e não na casa de meus pais, e agora eu sabia. Entendia o porquê das mães das outras crianças sempre irem nas festas da escola e no meu caso, eram vovô e vovó que sempre estavam presentes, e quando meu avô morreu, eu tinha quase nove anos, vovó tomou para si todas estas obrigações. Ela havia sido a minha mãe em todos os sentidos, e eu sentia muita falta dela. Enxuguei o rosto, coloquei a foto no lugar e subi para o sotão, acompanhada de Condessa, que desde o Natal, morava na casa, e como vovó adorava bichos de estimação e minha gata estava feliz aqui, não me incomodava. Era sempre bom saber que pelo menos algo familiar estaria em casa me esperando.
O sótão não era como os dos filmes, todo sujo, escuro e empoeirado. Era limpo, organizado, porém havia muitas caixas por lá, que eu precisava olhar antes de mandar pintar e comprar os aparelhos de ginástica.
Comecei a olhar umas malas antigas, quando uma pequena caiu e se espalhou, deixando alguns diários cairem no chão. Reconheci a letra de minha avó e abri um deles.Vi que eram coisas do seu começo de casamento, suas dúvidas...No começo fiquei constrangida de ler coisas tão pessoais e coloquei de lado, mas em algumas havia trechos de músicas antigas, receitas, lembrei que para vovó devia ter sido dificil, orfã e pobre, casar aos dezoito anos, com um homem de trinta e cinco anos, temperamental e rico. Naquelas páginas, pude entender as dúvidas dela, seus medos, e saber que eles haviam tentado ter filhos por muito tempo, até que conseguiram minha mãe. As palavras felizes, as esperanças...Folheando mais rapidamente, pulei vários estágios daquele crescimento e li que criaram minha mãe como se ela fosse dona do mundo e ela agia como tal. Algumas vezes, eles brigaram por isso, fizeram as pazes...Vovô era um pai babão, dava tudo o que a filha queria, não a punha de castigo mesmo que ela houvesse levado suspensão da escola e minha avó, impunha limites, até que quando ele morreu, minha avó parou de fazer as vontades de minha mãe, agora uma mulher adulta e mãe de duas filhas, porém continuava extremamente mimada. Claro que as coisas não sairam bem, mas quem poderia culpa-las? Ambas tinham gênio forte e queriam tudo à sua maneira.
Pensei que se vovó escrevia tudo em diários, poderia haver alguma coisa relacionada ao meu nascimento, e me animei. Comecei a procurar pelos outros, e encontrei alguns, Condessa resmungou com fome, e eu decidi levar aqueles diários comigo para a sala, e enquanto minha gata comia a sua lata de atum, eu tomava uma xicara de café e ia folheando os diários e voltei um pouco para o tempo antes do casamento de meus pais.
Li sobre os muitos namorados de minha mãe, sua expulsão da escola secundária, por conduta inadequada, sobre suas companhias que vovó não aprovava, e depois quando ela conheceu George Ivashkov, filho de familia rica e e decidiu que ele seria seu marido.
Tornei a ler, mas vovó havia dito isso mesmo: Christine decidiu que George seria dela, e se empenhou para consegui-lo, mesmo ele sendo alguns anos mais velho. Vovó até pensou que ela realmente gostasse dele, mas após o casamento as brigas começaram e eles viviam como cão e gato, tendo se separado algumas vezes, mesmo quando minha mãe estava grávida de Camille.
Nossa, isso estava rendendo mais que novela mexicana. Senti que Condessa se deitou sobre meus pés, mas nem e mexi continuei a ler, até que cheguei na parte onde vovó falava sobre a segunda gravidez de Christine e que desta vez ela suspeitava que teria um menino, e que todos estavam muito animados, pois este bebê faria com que finalmente George rompesse com sua jovem amante, e ele e Christine, seguissem com o seu casamento.
Como assim o segundo filho dela seria um menino? George tinha uma amante?- me perguntei enquanto procurava pela continuação e quando encontrei comecei a ler sem nem me preocupar em acender as luzes. Seu relato era tão contundente, que parecia que eu estava vendo as cenas como se fossem um filme.
'O parto de minha filha foi doloroso, mas a menina mesmo prematura, tinha bom tamanho e parecia forte. George estava viajando a trabalho e viria assim que possivel, estranhei porque ele não quis saber o sexo da criança. Depois que deixei Camille com a babá, voltei para passar a noite com Christine, na maternidade, embora ela tenha insistido que não era preciso, mas algo me incomodava, e achei melhor estar com minha filha.
Quando cheguei ao hospital passava da meia noite, quase não havia movimento nos corredores. Entrei, no quarto e a vi colocando o bebê dentro do berço, e sua feição era dura ao olhar para a criança, não era a mesma mãe amorosa que eu havia visto horas antes. Já havia ouvido sobre depressão pós parto, e comecei a me preocupar.
-O que houve Christine? Você está bem? Não deveria estar em repouso?- e olhei para o bebê e notei que a roupa estava mal arrumada e também percebi coisas diferentes, como o tom do cabelo, que estava mais claro, e a criança parecia maior. Fiquei apreensiva:
- Estou muito bem.- tentei me aproximar e ela se colocou na frente, dizendo:
- Mãe, preciso de sua ajuda.É para salvar meu casamento, é sobre este bebê....
- Como assim? Seu marido, estava animado quando contei que o bebê nasceu.
- Você disse a ele o sexo?
- Não, ele só queria saber se você estava bem, e que ele estava a caminho....O que aconteceu Christine?- e ela se virou para mim nervosa:
- O que vou lhe dizer, mãe, não pode sair daqui, de maneira nenhuma. Jure por todos os santos e pela saúde desta criança, que você não vai contar a ninguém o que aconteceu. Não foi minha culpa, eu só fiz o que era preciso para salvar meu casamento...Mamãe,não conte a ninguém ou sou capaz de me matar.... JURE!- ela disse tão nervosa que jurei, inclusive beijei o crucifixo que eu usava no pescoço. Ela se acalmou, pois sabia que eu falava a sério, e após olhar para a criança mais uma vez disse:
- O bebê morreu.- e eu me desvencilhei dela e me aproximei do berço e vi que a criança dormia bem.
- Não diga tolices, Christine, sua filha está bem.
- Agora que dei um jeito, é claro que ela está bem.- ela respondeu sarcástica.
- Seria bom você dormir um pouco, não está falando coisa com coisa - e ela me encarou e deu uma risada estranha.
- A boa e velha Leonora, aquela que é perfeita em tudo, querida por todos, acha que a filha enlouqueceu, tsc, tsc...
- Não filha, você esta exausta, seu parto foi complicado....- tentei dizer mas ela me interrompeu:
-A menina estava no berço e dormia tranquila, levantei para vê-la e ela estava fria, deve ter morrido enquanto dormia. Na hora saí para o corredor para pedir ajuda, mas sabia que por mais que tentassem meu bebê estava morto, e se ela acordasse que futuro ela teria? Estava sem respirar a tempo demais, para voltar a ser uma criança normal, e ai sim George não teria mais motivos para ficar comigo, e eu não vou acabar a minha vida cuidando sozinha de uma criança retardada.Então, consegui um outro bebê.
-Como assim, Christine? Onde está minha neta, o que você fez?- segurei seus braços com força e ela se soltou:
- Por ironia, uma moça no final do corredor teve um filho quase na mesma hora e está sedada. Troquei nossas crianças, afinal nenhum filho de alguém como ela teria futuro mesmo.
- Não se pode roubar o filho de uma mãe assim, isso é monstruoso.Não posso aceitar isso...
- Não me interessa, agora esta criança será filha de George, seu único defeito é ser filha daquela mulher...Mas você jurou segredo. Se contar, não só eu, mas esta criança também morrerá.
- Christine, converse com seu marido, ele vai entender....
- Entender o quê? – e era George parado na porta do quarto, e Camille se transformou e começou a chorar:
- Que eu me enganei, não esperava um menino George, tive uma menina, desculpe-me querido...sinto-me uma fracassada.- e ele entrou no quarto e a amparou:
- Não tem problemas, querida, vamos cuidar da nossa filha com todo amor e carinho. – e ele após beijar Christine na testa, se aproximou do bercinho e segurou a criança e nesta hora ela abriu os olhos, e George sorriu:
- Veja ela tem os meus olhos...
- Sim, ela é toda você meu amor.- disse minha filha e ela tinha uma expressão calculista no rosto e George continuou:
- Ola, Leonora Marie, eu sou o seu pai.- senti um baque, e abri a boca para acabar com aquele teatro, quando ouvimos um grito de cortar o coração e as pessoas começarem a correr no corredor....’.
- Leonora? O que houve, meu amor?- meus olhos estavam tão embaçados pelas lágrimas, que sabia que era Mitchell, pelo som de sua voz.Soltei o diário e me agarrei a ele e comecei a soluçar, e embora ele estivesse todo suado por causa do treino, não me importei. Ele se sentou no chão e me segurou em seu colo até que eu parasse de chorar.
- O que aconteceu, Leonora? Porque você está triste? São os diários da sua avó?
- Ela não é minha avó.- eu disse e tornei a chorar e ele ficou sem entender, após algum tempo, eu disse, depois de assoar o nariz:
- Eu sempre quis entender, o porque eu não era amada por meus pais, e lendo os diários de vo...dela, eu entendi.
- Certo, você entendeu porque seus pais são dois estúpidos, lendo uns diários velhos, parabéns economizou uma fortuna com terapeutas.- ele disse tentando soar engraçado, mas eu o olhei séria e disse:
- Eles não são os meus pais. Fui roubada da maternidade no dia em que nasci. – apontei para mim mesma e completei: - Esta pessoa aqui na sua frente? É uma farsa!
Friday, February 17, 2012
Quando cheguei Robbie e Parv estavam conversando e se espantaram em ver como eu estava, nem disse oi e me atirei na cama chorando. Consegui contar a eles o que havia acontecido, e claro, que eles ficaram tão indignados com Mitchell quanto eu. Depois que me acalmei, fizemos o que se faz quando se está com raiva: tomamos muito sorvete e falamos muito mal dos homens, e acabamos rindo, ao imaginar as vinganças mais malucas.
Voltamos às aulas eu procurei agir como se nada houvesse acontecido, afinal além dos deveres, eu tinha o concurso e o jornal para me ocupar, mas era dificil estar com Mitchell na mesma sala e não conseguir fazer a pergunta que mais me incomodava: ‘porque ele não confiou em mim?’.
Quando nos reunimos no grêmio para decidir o que fazer para o dia dos namorados, Mitchell que agora ocupava o lugar que havia sido de Jack, estava presente e muito participativo, o que me irritava muito, então toda sugestão que ele dava eu arrumava um jeito de menosprezar, até que chegou num ponto em que Robbie, precisou me segurar: eu estava parecendo uma megera e não estava ficando bonito. Claro, que zombei da idéia dele de um karaokê, mas quando todos aprovaram, ele sorriu vitorioso para mim, olhei-o por um momento, e sacudi a cabeça, o que eu esperava? Que ele ficasse sozinho? Até parece, pensei amarga. Bem, eu não devia estar me preocupando com isso, para mim seria um dia dos namorados como tantos outros. Solitário.
Depois do jogo, podiamos fazer o que quisessemos, enquanto Robbie e Alec, Parv e Lukas foram passear no vilarejo, eu optei por voltar para a república, ia trabalhar um pouco e verificar alguns documentos que o advogado havia me enviado com urgência.
À noite acompanhei meus amigos até o castelo, para jantar e também para a noite no karaokê, afinal eu era membro do grêmio e não poderia faltar. Fui obrigada a reconhecer que a idéia do Mitchell foi muito boa, pois o microfone estava concorrido, e não só ouvimos boas apresentações com canções românticas, como algumas obras primas assassinadas, mas também músicas que não eram românticas porém animadas.
- Leonora, podemos conversar?- Mitchell disse ao meu lado, enquanto eu aplaudia rindo, o assassinato de ‘Talk to the Moon’.
- Não. - respondi curta sem nem me virar para ele, que foi embora. Prestei atenção em Finn, que começou a cantar ‘On Brodway’ e as pessoas o acompanharam animadas. Vi quando Mitchell conseguiu o microfone e pude ver seus olhos grudados em mim. Ergui o queixo e ele soltou a voz, cantando uma das minhas favoritas:
Only you, can make this world seem right
Only you, can make the darkness bright
Only you, and you alone, can thrill me like you do
And fill my heart with love for only you
Only you, can make this change in me
For it's true, you are my destiny
When you hold my hand, I understand
the magic that you do
You're my dream come true
my one and only you
One and only you....
- Huum, acho que alguém quer pedir perdão.- disse Robbie e eu bufei, marchando até a fila do microfone. – Não sei se eu estava com uma expressão muito feia, ou as pessoas sabiam que estava rolando uma espécie de DR musical, pois consegui o microfone rápido, mesmo com a concorrência. Subi ao palco, escolhi a música e o procurei com os olhos:
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch
And it's bringing me out the dark
The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love they leave me breathless
I can't help feeling
We could've had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
To the beat
Mitchell tentou falar comigo novamente e eu o olhei feio e ele se afastou contrariado, foi pegar um drink, vi quando ele e Oleg começaram a conversar. Continuei com meus amigos vendo as apresentações, mas sempre desviava o olhar para onde ele estava e Parv e Robbie chegaram a me zoar por isso. Depois de algum tempo, vi que Mitchell voltava ao palco, decidido.
- Mais um round? Isso está ficando muito legal. Não faça assim com os olhos, rugas chegam e ficam. - zombou Robbie quando o olhei de olhos apertados e quando ouvimos os primeiros acordes da musica, meu queixo caiu. Claro, que eu não era a única surpresa naquele salão:
If I should stay
I would only be in your way
So I'll go but I know
I'll think of you
Every step of the way
And I will always love you
I will always love you
You
My Darling you
Bitter sweet memories
That is all I'm taking with me
so goodbye, please don't cry
We both know I'm not what you, you need
I hope life treats you kind
And I hope you'll have
All you dreamed of
and I do wish you joy
And happiness
But above all this, I wish you love
And I will always love you
I will always love you
I will always love you
Apesar dos risos, ele foi muito aplaudido, inclusive pela professora Geórgia e pelo diretor Ivanovich, senti um leve cutucão nas costas, e sabia que era Robbie. Caminhei até Mitchell enquanto ele vinha na mesma direção e me olhou. Sabia que depois de tudo, eu é quem deveria mostrar que estava disposta a pelo menos ouvir. Estendi a mão a ele, que sorriu e me puxou para perto dele:
- Você me perdoa por ser um idiota ciumento?
- Por ser um idiota, sim. Ciúmes algumas vezes é...bom, você fica bonitinho e depois desta música, eu é que terei que rosnar para algumas garotas que estão prontas para dar o bote e...- ele me puxou para um beijo e disse quando me soltou, olhando no relógio:
- Quer aproveitar nosso primeiro dia dos namorados? – perguntou ansioso:
- Mas eu não te comprei um presente...- respondi e ele segurou meu rosto entre suas mãos:
- Fica comigo, é só o que quero.Vamos resolver tudo ok? - assenti. Saímos do castelo e fomos para o hotel do vilarejo, festejar nossa reconciliação.
N.Autora: Músicas: Talk to the Moon (Bruno Mars), Only you (The Platters), Rolling in the deep (Adele), I will always love you (Whitney Houston)
Voltamos às aulas eu procurei agir como se nada houvesse acontecido, afinal além dos deveres, eu tinha o concurso e o jornal para me ocupar, mas era dificil estar com Mitchell na mesma sala e não conseguir fazer a pergunta que mais me incomodava: ‘porque ele não confiou em mim?’.
Quando nos reunimos no grêmio para decidir o que fazer para o dia dos namorados, Mitchell que agora ocupava o lugar que havia sido de Jack, estava presente e muito participativo, o que me irritava muito, então toda sugestão que ele dava eu arrumava um jeito de menosprezar, até que chegou num ponto em que Robbie, precisou me segurar: eu estava parecendo uma megera e não estava ficando bonito. Claro, que zombei da idéia dele de um karaokê, mas quando todos aprovaram, ele sorriu vitorioso para mim, olhei-o por um momento, e sacudi a cabeça, o que eu esperava? Que ele ficasse sozinho? Até parece, pensei amarga. Bem, eu não devia estar me preocupando com isso, para mim seria um dia dos namorados como tantos outros. Solitário.
Depois do jogo, podiamos fazer o que quisessemos, enquanto Robbie e Alec, Parv e Lukas foram passear no vilarejo, eu optei por voltar para a república, ia trabalhar um pouco e verificar alguns documentos que o advogado havia me enviado com urgência.
À noite acompanhei meus amigos até o castelo, para jantar e também para a noite no karaokê, afinal eu era membro do grêmio e não poderia faltar. Fui obrigada a reconhecer que a idéia do Mitchell foi muito boa, pois o microfone estava concorrido, e não só ouvimos boas apresentações com canções românticas, como algumas obras primas assassinadas, mas também músicas que não eram românticas porém animadas.
- Leonora, podemos conversar?- Mitchell disse ao meu lado, enquanto eu aplaudia rindo, o assassinato de ‘Talk to the Moon’.
- Não. - respondi curta sem nem me virar para ele, que foi embora. Prestei atenção em Finn, que começou a cantar ‘On Brodway’ e as pessoas o acompanharam animadas. Vi quando Mitchell conseguiu o microfone e pude ver seus olhos grudados em mim. Ergui o queixo e ele soltou a voz, cantando uma das minhas favoritas:
Only you, can make this world seem right
Only you, can make the darkness bright
Only you, and you alone, can thrill me like you do
And fill my heart with love for only you
Only you, can make this change in me
For it's true, you are my destiny
When you hold my hand, I understand
the magic that you do
You're my dream come true
my one and only you
One and only you....
- Huum, acho que alguém quer pedir perdão.- disse Robbie e eu bufei, marchando até a fila do microfone. – Não sei se eu estava com uma expressão muito feia, ou as pessoas sabiam que estava rolando uma espécie de DR musical, pois consegui o microfone rápido, mesmo com a concorrência. Subi ao palco, escolhi a música e o procurei com os olhos:
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch
And it's bringing me out the dark
The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love they leave me breathless
I can't help feeling
We could've had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
To the beat
Mitchell tentou falar comigo novamente e eu o olhei feio e ele se afastou contrariado, foi pegar um drink, vi quando ele e Oleg começaram a conversar. Continuei com meus amigos vendo as apresentações, mas sempre desviava o olhar para onde ele estava e Parv e Robbie chegaram a me zoar por isso. Depois de algum tempo, vi que Mitchell voltava ao palco, decidido.
- Mais um round? Isso está ficando muito legal. Não faça assim com os olhos, rugas chegam e ficam. - zombou Robbie quando o olhei de olhos apertados e quando ouvimos os primeiros acordes da musica, meu queixo caiu. Claro, que eu não era a única surpresa naquele salão:
If I should stay
I would only be in your way
So I'll go but I know
I'll think of you
Every step of the way
And I will always love you
I will always love you
You
My Darling you
Bitter sweet memories
That is all I'm taking with me
so goodbye, please don't cry
We both know I'm not what you, you need
I hope life treats you kind
And I hope you'll have
All you dreamed of
and I do wish you joy
And happiness
But above all this, I wish you love
And I will always love you
I will always love you
I will always love you
Apesar dos risos, ele foi muito aplaudido, inclusive pela professora Geórgia e pelo diretor Ivanovich, senti um leve cutucão nas costas, e sabia que era Robbie. Caminhei até Mitchell enquanto ele vinha na mesma direção e me olhou. Sabia que depois de tudo, eu é quem deveria mostrar que estava disposta a pelo menos ouvir. Estendi a mão a ele, que sorriu e me puxou para perto dele:
- Você me perdoa por ser um idiota ciumento?
- Por ser um idiota, sim. Ciúmes algumas vezes é...bom, você fica bonitinho e depois desta música, eu é que terei que rosnar para algumas garotas que estão prontas para dar o bote e...- ele me puxou para um beijo e disse quando me soltou, olhando no relógio:
- Quer aproveitar nosso primeiro dia dos namorados? – perguntou ansioso:
- Mas eu não te comprei um presente...- respondi e ele segurou meu rosto entre suas mãos:
- Fica comigo, é só o que quero.Vamos resolver tudo ok? - assenti. Saímos do castelo e fomos para o hotel do vilarejo, festejar nossa reconciliação.
N.Autora: Músicas: Talk to the Moon (Bruno Mars), Only you (The Platters), Rolling in the deep (Adele), I will always love you (Whitney Houston)
Thursday, February 16, 2012
Sábado, 14 de fevereiro de 2016 – Valentine’s Day.
Ozzy estava no vestiário terminando de colocar o uniforme dos Ducks quando entrei com Robbie e Leo. A maioria do time já estava pronto e começava a sair, mas ele demorou mais do que o necessário amarrando os patins nos pés para ficar sozinho com a gente.
- Tudo certo? – perguntei ansiosa – Vai mesmo fazer isso?
- Já disse que sim, relaxa – ele respondeu colocando o capacete na cabeça – Sentem na ponta da proteção de vidro, vou jogar ele contra ela naquele pedaço e vocês podem pegar a amostra.
- Como exatamente vamos fazer isso sem ninguém ver? – Robbie estava nervoso.
- Ninguém vai prestar atenção em vocês, vão estar vendo o jogo – ele deu de ombros, mas Robbie não parecia menos aflito – Só peguem o sangue e pronto.
- Ok então. Boa sorte – disse quando ele pegou o taco no armário e o fechou, pronto pra sair.
- Não preciso de sorte, sou bom nisso – disse convencido piscando pra gente e saiu do vestiário.
Deixamos o vestiário logo depois e ocupamos os lugares sugeridos por ele. Estávamos na primeira fileira, bem do lado do fim da proteção de vidro, seria fácil passar o cotonete que Robbie trazia dentro de um frasco no sangue que esperávamos que sujasse aquele pedaço.
O jogo já começou violento. A maior rivalidade do Hóquei de Durmstrang era entre os Mighty Ducks e os Wild Penguins, toda partida começava e terminava em confusão e dessa vez não tinha como ser diferente. Ozzy começou a marcação em cima de Patrick assim que o disco bateu no gelo e não saiu da sua cola. Os dois se acotovelavam o tempo inteiro e um tentava esmagar o outro contra o vidro, mas depois de muitos trancos, foi Ozzy quem conseguiu bater com o rosto de Patrick contra a proteção, exatamente onde ele havia dito que faria. O sangue que saiu do nariz dele foi inevitável e tomei o frasco da mão de Robbie, que ficou com nojo, e peguei nossa amostra assim que eles se afastaram.
O que aconteceu depois, no entanto, não estava programado. Furioso, Patrick atirou o taco no chão e partiu pra cima de Ozzy. Os dois trocaram alguns socos e no meio disso o capacete de Ozzy deve ter afrouxado, porque quando Patrick lhe deu um empurrão violento e ele caiu pra trás, o capacete voou longe e ele bateu com a cabeça no gelo. Levantei da arquibancada a tempo de ver Ozzy apagar, uma poça de sangue se formando em volta da sua cabeça.
ºººººººººº
Depois que Ozzy desmaiou e foi retirado do rinque, o jogo continuou. Os Ducks venceram, mas foi uma vitória apertada. Lukas chegou logo depois da confusão e foi uma surpresa, não esperava vê-lo em Durmstrang tão cedo. Fiquei feliz, é claro. Era dia dos namorados, nada mais justo que eu o passasse com o meu. Ainda passei na enfermaria pra ver como Ozzy estava, mas ele ainda estava desmaiado e não adiantava ficar lá, então sai com Lukas para o vilarejo.
Passamos à tarde no hotel da cidade, onde ele havia reservado um quarto. Era bom tê-lo por perto, mas ainda me sentia um pouco culpada pelo que havia acontecido no casamento de Katarina. Não era justo com ele, mas também não tinha a intenção de contar nada. Era passado, Ozzy e eu já havíamos resolvido isso, não tinha necessidade de voltar com o assunto pra causar problemas.
Teria ficado com ele a noite toda por lá também, mas tivemos que voltar para o castelo. A festa de Valentine’s Day que o grêmio havia organizado já havia começado e eu, como presidente dele, tinha a obrigação de comparecer. Dessa vez optamos por algo simples e decoramos o salão com as coisas padrões da data, mas deixamos o som por conta de um Karaokê. Durmstrang tinha aula de música, então era hora de ver se todos estavam tendo algum aproveitamento nelas.
Não me aventurei a cantar naquela noite. A fila pela posse do microfone estava muito grande e preferi ficar sentada na mesa vendo as apresentações. Todas muito divertidas, por sinal. Alguns ainda aproveitaram o karaokê pra fazer declarações de amor, o que rendia muita gozação depois, mas garantiam sucesso ao autor dela.
Lukas teve que ir embora às 23h e, cansada da agitação do dia, optei por voltar para a república depois que nos despedimos, mas minha idéia de dormir cedo foi pelo ralo assim que cheguei ao quarto. Abri o armário para pegar meu pijama e esbarrei em uma caixa no fundo dele, fazendo a tampa cair. Era o patins de Jack, que havia trazido comigo em setembro. Sequer lembrava que ele estava ali, mas de repente senti vontade de experimentá-los. Eu não era uma boa patinadora, fazia anos desde que havia calçado um daqueles pela última vez, mas me senti nostálgica e larguei o pijama de lado, tirando eles da caixa.
O lago de Durmstrang estava sempre congelado, não importa a estação do ano. Nos finais de semana patinar nele era a atividade favorita dos que preferiam ficar no castelo a voltar pra casa, mas desde que havia começado meus estudos, há quase 7 anos atrás, aquela era a primeira vez que ia até ele com aquela intenção. Já estava me aproximando quando ouvi o barulho de um taco batendo em um disco repetidamente. Não esperava encontrar ninguém ali àquela hora, todos estavam na festa, então foi uma surpresa ver que o autor do barulho era Ozzy. Estava parado no meio do lado com os patins no pé, quicando o disco no taco, e notei que tinha um curativo em sua cabeça.
- Você bateu a cabeça no gelo hoje e desmaiou – falei sentando no banco e ele se assustou, deixando o disco cair – Não deveria estar longe daqui?
- Cai porque fui empurrado, não caio sozinho, estou seguro – ele pegou o disco de volta e continuou equilibrando ele no taco – O que está fazendo aqui? Não deveria estar na festa?
- Lukas já foi embora, não quis voltar sozinha. Você chegou a ir até lá? Não me lembro de tê-lo visto no salão.
- Passei bem rápido só pra ver a decoração, mas tive a sorte de ser bem na hora que baixou a Whitney Houston no Mitchell.
- Ah, então você viu tudo que valia a pena. Aquilo foi impagável.
- Cara, isso vai render gozação com a cara dele pro resto da sua vida. Ele já estava planejando isso quando deu a sugestão do karaokê, não estava?
- Sem dúvida. Ele nem estava tão bêbado assim pra ter decidido pagar o mico da vida dele de repente.
- Veio até aqui pra ficar sentada ou vai patinar? – perguntou apontando para os patins na minha mão – São os do Jack?
- Sim... Ele deixou no meu quarto antes do acidente, trouxe comigo quando voltei. Nunca tive a intenção de usá-los, até hoje.
- Então coloque-os. Eles foram feitos pro gelo, não podem ficar guardados em uma caixa. É um insulto a memória dele.
- Eu não sou exatamente o que se pode chamar de boa patinadora. A última vez que usei um desses tinha oito anos, e posso lhe garantir, não foi nada bonito.
- Esses patins foram do Jack, não pode se sair mal com eles nos pés. Faça uma tentativa, tenho certeza que vai se sair bem.
Ele voltou à atenção ao disco e resolvi calçar os patins. Jack havia decorado ele todo com adesivos e rabiscos, mas que se olhados com atenção, eram até bonitos. Eles eram muito maiores que meu pé, então usei um feitiço para ajustá-los ao meu tamanho e levantei. Acho que fiquei quase um minuto parada no mesmo lugar antes de criar coragem de pisar no gelo. Deslizei na mesma hora, mas por um milagre consegui manter o equilíbrio e evitar a queda. Ozzy agora estava dando voltas no lago a toda velocidade e o odiei naquele momento por ser tão exibido. Tentei deslizar pra frente e estava conseguindo me movimentar devagar quando ele passou feito um foguete do meu lado e a rajada de vento me desequilibrou. Dessa vez não consegui controlar e cai de bunda no gelo. Ele freou e voltou de costas, parando do meu lado já rindo.
- Você é um exibido, sabia? E para de rir, não tem graça nenhuma! – disse irritada, ainda sentada no gelo.
- Desculpe, mas tem graça sim. Acho que o gelo tremeu com a queda.
- Está me chamando de gorda?
- Não, mas foi um tombo de impacto.
- Engraçadinho. Ao invés de ficar fazendo piada, por que não me ajuda a levantar?
- Você está fazendo tudo errado – disse me levantando com um puxão só – Parece o bambi aprendendo a andar. Se não perder o medo e arriscar, não vai dar certo.
- Qual parte do “eu não sei patinar direito” você não entendeu? Isso foi uma péssima idéia, melhor dormir que corro menos risco.
- Ah não senhora, você vai me fazer companhia hoje. Já veio até aqui, não vou deixar ir embora. Todo mundo está em algum encontro e seu namorado já foi embora, então não tem nada pra fazer.
- E pra que você precisa de companhia? Está tarde, vai dormir também. Alias, não era nem pra estar aqui!
- Não posso dormir. A enfermeira me proibiu de dormir por 24h porque posso ter um treco. Acho que ela falou algo sobre entrar em coma.
- E daí? Você não vai morrer, vai?
- Isso dói, Parvati. Não é legal. E como isso é em parte culpa sua, tem a obrigação de me fazer companhia hoje. Fora que você é minha parceira, isso é seu trabalho.
- Calma Drama Queen, precisa disso tudo, eu fico. Que horas você pode dormir de novo?
- Só às 9h da manhã. Então, vamos patinar? Eu puxo você até pegar o jeito.
- Você vai me fazer cair.
- Nunca vou fazer você cair – ele pegou minha mão e deu um sorriso – Pronta?
- Não, espera!
Mas ele me ignorou por completo e começou a patinar pelo lago me arrastando junto. No começo estava indo devagar, mas aos poucos começou a acelerar até que já estávamos correndo. Comecei a gritar pra ele parar porque eu ia cair, mas ele não diminuiu e fui obrigada a segurar seu braço inteiro. Se eu caísse, ia levar ele junto. Passamos a madrugada inteira no lago. Depois de um tempo já não estava mais apavorada com a idéia de bater a cabeça no gelo e abrir um buraco nela e já conseguia patinar mais rápido que uma tartaruga sem precisar me agarrar nele. Ainda estava longe de poder entrar para um time de hóquei, mas melhorei bastante.
Nem vimos a hora passar e só percebi que a madrugada havia ido embora quando vimos o sol nascer. Naquela altura eu já estava exausta e aproveitamos que o salão principal ainda estava vazio para tomar café da manhã. Perto das 8h eu me rendi, não agüentava mais, e ele não tentou me impedir de voltar pra Atena. Despedimos-nos e cada um foi pra um lado. Mesmo sem ter planejado, aquele tinha sido sem duvidas o Valentine’s Day mais divertido que já tive.
Ozzy estava no vestiário terminando de colocar o uniforme dos Ducks quando entrei com Robbie e Leo. A maioria do time já estava pronto e começava a sair, mas ele demorou mais do que o necessário amarrando os patins nos pés para ficar sozinho com a gente.
- Tudo certo? – perguntei ansiosa – Vai mesmo fazer isso?
- Já disse que sim, relaxa – ele respondeu colocando o capacete na cabeça – Sentem na ponta da proteção de vidro, vou jogar ele contra ela naquele pedaço e vocês podem pegar a amostra.
- Como exatamente vamos fazer isso sem ninguém ver? – Robbie estava nervoso.
- Ninguém vai prestar atenção em vocês, vão estar vendo o jogo – ele deu de ombros, mas Robbie não parecia menos aflito – Só peguem o sangue e pronto.
- Ok então. Boa sorte – disse quando ele pegou o taco no armário e o fechou, pronto pra sair.
- Não preciso de sorte, sou bom nisso – disse convencido piscando pra gente e saiu do vestiário.
Deixamos o vestiário logo depois e ocupamos os lugares sugeridos por ele. Estávamos na primeira fileira, bem do lado do fim da proteção de vidro, seria fácil passar o cotonete que Robbie trazia dentro de um frasco no sangue que esperávamos que sujasse aquele pedaço.
O jogo já começou violento. A maior rivalidade do Hóquei de Durmstrang era entre os Mighty Ducks e os Wild Penguins, toda partida começava e terminava em confusão e dessa vez não tinha como ser diferente. Ozzy começou a marcação em cima de Patrick assim que o disco bateu no gelo e não saiu da sua cola. Os dois se acotovelavam o tempo inteiro e um tentava esmagar o outro contra o vidro, mas depois de muitos trancos, foi Ozzy quem conseguiu bater com o rosto de Patrick contra a proteção, exatamente onde ele havia dito que faria. O sangue que saiu do nariz dele foi inevitável e tomei o frasco da mão de Robbie, que ficou com nojo, e peguei nossa amostra assim que eles se afastaram.
O que aconteceu depois, no entanto, não estava programado. Furioso, Patrick atirou o taco no chão e partiu pra cima de Ozzy. Os dois trocaram alguns socos e no meio disso o capacete de Ozzy deve ter afrouxado, porque quando Patrick lhe deu um empurrão violento e ele caiu pra trás, o capacete voou longe e ele bateu com a cabeça no gelo. Levantei da arquibancada a tempo de ver Ozzy apagar, uma poça de sangue se formando em volta da sua cabeça.
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Depois que Ozzy desmaiou e foi retirado do rinque, o jogo continuou. Os Ducks venceram, mas foi uma vitória apertada. Lukas chegou logo depois da confusão e foi uma surpresa, não esperava vê-lo em Durmstrang tão cedo. Fiquei feliz, é claro. Era dia dos namorados, nada mais justo que eu o passasse com o meu. Ainda passei na enfermaria pra ver como Ozzy estava, mas ele ainda estava desmaiado e não adiantava ficar lá, então sai com Lukas para o vilarejo.
Passamos à tarde no hotel da cidade, onde ele havia reservado um quarto. Era bom tê-lo por perto, mas ainda me sentia um pouco culpada pelo que havia acontecido no casamento de Katarina. Não era justo com ele, mas também não tinha a intenção de contar nada. Era passado, Ozzy e eu já havíamos resolvido isso, não tinha necessidade de voltar com o assunto pra causar problemas.
Teria ficado com ele a noite toda por lá também, mas tivemos que voltar para o castelo. A festa de Valentine’s Day que o grêmio havia organizado já havia começado e eu, como presidente dele, tinha a obrigação de comparecer. Dessa vez optamos por algo simples e decoramos o salão com as coisas padrões da data, mas deixamos o som por conta de um Karaokê. Durmstrang tinha aula de música, então era hora de ver se todos estavam tendo algum aproveitamento nelas.
Não me aventurei a cantar naquela noite. A fila pela posse do microfone estava muito grande e preferi ficar sentada na mesa vendo as apresentações. Todas muito divertidas, por sinal. Alguns ainda aproveitaram o karaokê pra fazer declarações de amor, o que rendia muita gozação depois, mas garantiam sucesso ao autor dela.
Lukas teve que ir embora às 23h e, cansada da agitação do dia, optei por voltar para a república depois que nos despedimos, mas minha idéia de dormir cedo foi pelo ralo assim que cheguei ao quarto. Abri o armário para pegar meu pijama e esbarrei em uma caixa no fundo dele, fazendo a tampa cair. Era o patins de Jack, que havia trazido comigo em setembro. Sequer lembrava que ele estava ali, mas de repente senti vontade de experimentá-los. Eu não era uma boa patinadora, fazia anos desde que havia calçado um daqueles pela última vez, mas me senti nostálgica e larguei o pijama de lado, tirando eles da caixa.
O lago de Durmstrang estava sempre congelado, não importa a estação do ano. Nos finais de semana patinar nele era a atividade favorita dos que preferiam ficar no castelo a voltar pra casa, mas desde que havia começado meus estudos, há quase 7 anos atrás, aquela era a primeira vez que ia até ele com aquela intenção. Já estava me aproximando quando ouvi o barulho de um taco batendo em um disco repetidamente. Não esperava encontrar ninguém ali àquela hora, todos estavam na festa, então foi uma surpresa ver que o autor do barulho era Ozzy. Estava parado no meio do lado com os patins no pé, quicando o disco no taco, e notei que tinha um curativo em sua cabeça.
- Você bateu a cabeça no gelo hoje e desmaiou – falei sentando no banco e ele se assustou, deixando o disco cair – Não deveria estar longe daqui?
- Cai porque fui empurrado, não caio sozinho, estou seguro – ele pegou o disco de volta e continuou equilibrando ele no taco – O que está fazendo aqui? Não deveria estar na festa?
- Lukas já foi embora, não quis voltar sozinha. Você chegou a ir até lá? Não me lembro de tê-lo visto no salão.
- Passei bem rápido só pra ver a decoração, mas tive a sorte de ser bem na hora que baixou a Whitney Houston no Mitchell.
- Ah, então você viu tudo que valia a pena. Aquilo foi impagável.
- Cara, isso vai render gozação com a cara dele pro resto da sua vida. Ele já estava planejando isso quando deu a sugestão do karaokê, não estava?
- Sem dúvida. Ele nem estava tão bêbado assim pra ter decidido pagar o mico da vida dele de repente.
- Veio até aqui pra ficar sentada ou vai patinar? – perguntou apontando para os patins na minha mão – São os do Jack?
- Sim... Ele deixou no meu quarto antes do acidente, trouxe comigo quando voltei. Nunca tive a intenção de usá-los, até hoje.
- Então coloque-os. Eles foram feitos pro gelo, não podem ficar guardados em uma caixa. É um insulto a memória dele.
- Eu não sou exatamente o que se pode chamar de boa patinadora. A última vez que usei um desses tinha oito anos, e posso lhe garantir, não foi nada bonito.
- Esses patins foram do Jack, não pode se sair mal com eles nos pés. Faça uma tentativa, tenho certeza que vai se sair bem.
Ele voltou à atenção ao disco e resolvi calçar os patins. Jack havia decorado ele todo com adesivos e rabiscos, mas que se olhados com atenção, eram até bonitos. Eles eram muito maiores que meu pé, então usei um feitiço para ajustá-los ao meu tamanho e levantei. Acho que fiquei quase um minuto parada no mesmo lugar antes de criar coragem de pisar no gelo. Deslizei na mesma hora, mas por um milagre consegui manter o equilíbrio e evitar a queda. Ozzy agora estava dando voltas no lago a toda velocidade e o odiei naquele momento por ser tão exibido. Tentei deslizar pra frente e estava conseguindo me movimentar devagar quando ele passou feito um foguete do meu lado e a rajada de vento me desequilibrou. Dessa vez não consegui controlar e cai de bunda no gelo. Ele freou e voltou de costas, parando do meu lado já rindo.
- Você é um exibido, sabia? E para de rir, não tem graça nenhuma! – disse irritada, ainda sentada no gelo.
- Desculpe, mas tem graça sim. Acho que o gelo tremeu com a queda.
- Está me chamando de gorda?
- Não, mas foi um tombo de impacto.
- Engraçadinho. Ao invés de ficar fazendo piada, por que não me ajuda a levantar?
- Você está fazendo tudo errado – disse me levantando com um puxão só – Parece o bambi aprendendo a andar. Se não perder o medo e arriscar, não vai dar certo.
- Qual parte do “eu não sei patinar direito” você não entendeu? Isso foi uma péssima idéia, melhor dormir que corro menos risco.
- Ah não senhora, você vai me fazer companhia hoje. Já veio até aqui, não vou deixar ir embora. Todo mundo está em algum encontro e seu namorado já foi embora, então não tem nada pra fazer.
- E pra que você precisa de companhia? Está tarde, vai dormir também. Alias, não era nem pra estar aqui!
- Não posso dormir. A enfermeira me proibiu de dormir por 24h porque posso ter um treco. Acho que ela falou algo sobre entrar em coma.
- E daí? Você não vai morrer, vai?
- Isso dói, Parvati. Não é legal. E como isso é em parte culpa sua, tem a obrigação de me fazer companhia hoje. Fora que você é minha parceira, isso é seu trabalho.
- Calma Drama Queen, precisa disso tudo, eu fico. Que horas você pode dormir de novo?
- Só às 9h da manhã. Então, vamos patinar? Eu puxo você até pegar o jeito.
- Você vai me fazer cair.
- Nunca vou fazer você cair – ele pegou minha mão e deu um sorriso – Pronta?
- Não, espera!
Mas ele me ignorou por completo e começou a patinar pelo lago me arrastando junto. No começo estava indo devagar, mas aos poucos começou a acelerar até que já estávamos correndo. Comecei a gritar pra ele parar porque eu ia cair, mas ele não diminuiu e fui obrigada a segurar seu braço inteiro. Se eu caísse, ia levar ele junto. Passamos a madrugada inteira no lago. Depois de um tempo já não estava mais apavorada com a idéia de bater a cabeça no gelo e abrir um buraco nela e já conseguia patinar mais rápido que uma tartaruga sem precisar me agarrar nele. Ainda estava longe de poder entrar para um time de hóquei, mas melhorei bastante.
Nem vimos a hora passar e só percebi que a madrugada havia ido embora quando vimos o sol nascer. Naquela altura eu já estava exausta e aproveitamos que o salão principal ainda estava vazio para tomar café da manhã. Perto das 8h eu me rendi, não agüentava mais, e ele não tentou me impedir de voltar pra Atena. Despedimos-nos e cada um foi pra um lado. Mesmo sem ter planejado, aquele tinha sido sem duvidas o Valentine’s Day mais divertido que já tive.
Friday, February 03, 2012
Depois das aulas de sexta era normal que os alunos fossem para suas casas, aproveitar o fim de semana com a família. Eu costumava fazer isso e ia para Sofia quase toda sexta-feira, mas desde que as aulas do nosso último ano começaram, aquela era a primeira vez que ficava no castelo por obrigação. Atolada com o material do curso de auror que tinha para estudar, achei sensato ficar pra trás. Nem quando Leo convidou Robbie e eu para acompanhá-la até a Itália pude ceder. Ela acabou tendo que ir sozinha, pois Robbie também estava às voltas com um trabalho para o jornal que andava tirando seu sono. Seriamos só nós dois no fim de semana todo, cada um ocupado com os seus problemas.
- Você precisa se desafiar mais, Sr. von Hoult – Robbie imitou a voz da professora Mira e revirei os olhos – Sei que é perfeitamente capaz de escrever algo além de uma coluna de fofocas.
- Você vai passar o fim de semana inteiro reclamando? – perguntei impaciente – Se for me avise agora, que chuto o balde e vou atrás da Leo, ainda dá tempo de alcançá-la.
- Não estou reclamando, apenas desabafando. Você é minha amiga, cale a boca e me apóie.
- Por que você aceitou esse trabalho, afinal de contas?
- Porque achei que seria um desafio legal e que podia provar a ela que sou perfeitamente capaz de escrever algo sério, mas estou começando a me arrepender.
- Você é sim capaz de escrever outras coisas além de uma coluna de fofocas. Conte o que está tentando fazer, quem sabe não posso ajudar.
- Certo... – ele puxou uma folha de papel da bagunça que tinha no chão e me entregou – Ela sugeriu que eu tentasse escrever algo sério, mas não disse o que, então fiquei maluco tentando ter idéias, até que estava com Alec no vestiário dos Ducks e uma luz surgiu no meu caminho.
- O que vocês estavam fazendo no vestiário dos Ducks? – perguntei rindo e ele abanou a mão num gesto que dizia para não interrompê-lo.
- Estávamos saindo quando ouvimos um barulho de soco. Corremos pra ver quem era e a porta do armário de Lucian estava aberta e toda amassada, mas não tinha ninguém no corredor. Alec ainda correu para ver se encontrava o autor do vandalismo, mas não viu ninguém. A porta amassada do armário estava suja de sangue, provavelmente do agressor que se machucou, então pensei: e se eu tentasse bancar o repórter investigativo e descobrisse quem invadiu o vestiário?
- É uma boa idéia, mas você não está conseguindo descobrir quem foi, não é?
- Não, é mais difícil do que pensei! Minha primeira idéia foi coletar amostras do sangue da porta, porque se ele é do autor, então poderia descobrir através dele, mas não sei como fazer isso.
- Você precisa comparar com outra amostra de sangue ou não vai conseguir descobrir de quem é, a menos que tenha acesso a um computador do FBI e a pessoa tenha ficha – ele me olhou espantado e ri – Muito seriado policial nas férias e um professor que trabalha pro FBI.
- Bom, não tenho um computador do FBI, alguma outra brilhante sugestão? – ele perguntou debochado.
- Primeiro, melhore sua atitude ou não ajudo – ele me atirou uma bolinha de papel e desviei dela – Segundo, já tem um suspeito?
- Mais ou menos...
- Com licença... – ouvimos uma batida na porta e virei. Ozzy estava parado do lado de fora do quarto – Está muito ocupada?
- Sim, ela está em um raro momento de paciência com meus projetos, não interrompa! – Robbie respondeu irritado, mas não dei importância.
- Não, não estou.
- Ótimo, podemos conversar um instante? – ele olhou pro quarto, onde Jude e Penny ocupavam suas camas alheias à conversa – A sós?
- Parvati Karev, não desapareça! Preciso da sua ajuda nisso!
- Eu já vou voltar, pare de ser dramático!
Sai do quarto com ele e como a república estava uma bagunça e cheia de gente, fomos até varanda. Ele indicou o banco para eu sentar, mas não sentou de imediato. Parecia que estava se preparando para começar a falar. Finalmente ele sentou ao meu lado e por um instante achei que ele ia me contar que estava morrendo.
- Dr. Pace disse que preciso contar algumas coisas a você e disse que poderíamos fazer isso na próxima sessão, mas acho que precisamos aprender a conversar sem supervisão, então vim até aqui hoje pra isso.
- Também tenho que lhe dizer algumas coisas – admiti, um pouco aliviada por ele ter tomado a iniciativa – Você primeiro.
- Ok... Quando você foi até minha casa no Natal, se desculpar pela história da entrevista, eu menti quando disse que estava tudo bem, que já tinha esquecido aquilo – ele abaixou a cabeça para não me encarar – A verdade é que ainda não consigo perdoá-la pelo que fez. Não estou com raiva de você, não é isso. Acho que é mais mágoa, aquele era o meu sonho e por sua causa ele foi jogado fora.
- Eu sabia que você não tinha me perdoado, sabia que não estava nada bem. O que eu posso fazer pra consertar isso? Eu faço qualquer coisa, é sério.
- Não precisa fazer nada, de verdade. Tudo que preciso é de tempo pra digerir isso e então vai chegar um dia em que não vou mais estar magoado com isso e vou perdoá-la. Só preciso de tempo.
- Eu sinto muito, nunca me arrependi tanto de algo que fiz – ele assentiu, mas continuou de cabeça baixa – Minha vez. Quando você foi a minha casa depois de descobrir o que eu fiz, estava com raiva e nervoso e por isso me disse alguns insultos. Sei que estava no seu direito de estar me odiando, mas o que você disse me magoou.
- Eu me arrependi do que disse no instante em que as palavras saíram da minha boca, mas estava alterado demais pra pedir desculpas. Eu realmente sinto muito. Jack tinha razão, nada me dava o direito de falar daquela forma com você.
- Eu sei que as pessoas falam as mesmas coisas de mim pelas costas, já ouvi algumas falando na minha cara e nunca dei importância, mas quando você disse foi a primeira vez que me magoou. Acho que foi jeito como você falou, eu senti a verdade na forma como me ofendeu, você acreditava naquelas palavras.
- Não, não é verdade – ele puxou minha mão e a acariciou – Eu nunca pensei aquelas coisas de você, nem quando estava no auge da minha irritação com as nossas brigas. Eu tinha sim a intenção de magoá-la, foi por isso que repeti o que ouvia na escola, mas eu nunca pensei nada daquilo.
- Não precisa tentar abafar o que sempre soube. Algumas ofensas às vezes tinham fundamento, não é como se fosse uma novidade.
- Nunca repita isso, Parvati. Você não é nada daquilo, não acredite se alguém disser o contrário. Tivemos nossos problemas, mas hoje somos amigos e sei que você é durona, mas também tem um lado doce que as pessoas não conhecem. Você não merece aceitar desaforo das pessoas aqui e deixar pra lá, essa não é a Parvati que passou dois anos batendo de frente comigo.
- Estou cansada de brigar com as pessoas por causa disso, com o tempo aprendi que o melhor a se fazer é ignorar.
- Bom, então nesse caso vou ter que começar a defender você. Não posso permitir que ofendam minha parceira e deixar isso barato.
- Então agora eu ganhei um defensor dos fracos e oprimidos? – perguntei rindo.
- Se você não faz nada a respeito, tenho a obrigação de fazer. Eu tenho que tomar as suas dores, não foi isso que o professor Wade falou?
Não sei quanto tempo ficamos sentados naquele banco, um de frente pro outro sem dizer nada, apenas sorrindo. Quando me dei conta de que não estávamos mais conversando e ele ainda acariciava as costas da minha mão com o polegar, puxei-a de volta depressa. Isso deve tê-lo feito acordar, pois saltou do banco feito uma mola e parou quase no meio da varanda. Robbie apareceu na porta naquele exato instante, o sorriso mais debochado do mundo estampado no rosto, mas tendo noção do perigo, não ousou soltar nenhum tipo de piada enquanto não estivéssemos sozinhos.
- Se não estiver interrompendo nada, gostaria de ter a atenção dos dois de volta ao quarto.
- Eu também? – Ozzy perguntou surpreso – Já estava indo embora.
- Estava nada, suba um instante, não vai demorar.
Ele me olhou curioso, mas dei de ombros e acompanhamos Robbie escada acima. As meninas que estavam na república agora desciam apressadas com mochilas nas costas, querendo o mais rápido possível chegar em casa e subimos esbarrando nelas pelo caminho. Jude e Penny também estavam de saída do quarto quando entramos e se despediram animadas, se juntando a confusão nas escadas.
- Então, o que quer nos mostrar? Já descobriu quem arrombou o armário?
- Não, porque como você disse, preciso de provas, mas tenho um suspeito.
- Que armário? O do vestiário? – Ozzy perguntou perdido na conversa e assentimos – Alec comentou que você estava querendo descobrir quem tinha feito aquilo, mas não falou mais nada, achei que tinha desistido.
- Não posso desistir, isso virou um projeto para o jornal e a professora está de olho.
- E quem é o suspeito? Pare de enrolar – disse impaciente.
- Patrick Boris – ele disse satisfeito e quando não respondemos nada, fez cara feia – O que foi?
- Com base em quê você chegou a conclusão de que Patrick invadiu o vestiário dos Ducks e arrombou o armário do Lucian?
- Ele era namorado da Lenneth e obcecado por ela, levou uma surra do Lucian na frente da escola inteira e agora o mesmo está namorando a ex dele. Isso não é motivo?
- Isso é tudo circunstancial. Por que ele iria arrombar o armário?
- É, nada foi roubado – Ozzy completou e Robbie soltou um suspiro de frustração.
- Tenho reunião do jornal às 17h, não posso aparecer lá sem uma evolução no trabalho. Vocês não estão colaborando!
- Se você pudesse provar que o sangue na porta é dele, não precisa de um motivo. Já o colocou na cena do “crime” – e fiz aspas com as mãos – Isso já é uma prova concreta, que não tem margem pra contestação.
- Certo, mas onde vou conseguir uma amostra de sangue dele? Não acho que ele e Lenneth tenham feito algum pacto de sangue e ela tenha guardado um pouco em um frasco.
- Ele joga pelos Wild Penguins, não é? – perguntei para Ozzy e ele assentiu – Acha que pode arrancar um pouco de sangue dele no próximo jogo?
- Está vendo? Durona! – ele sorriu animado com a ideia – Moleza, sempre tem um pouco de sangue em um jogo de Hóquei. E desde aquela história com a Lenneth estou procurando por um bom motivo para dar uns socos naquele idiota. Podem contar comigo.
Robbie voltou a se animar e passamos alguns minutos discutindo como faríamos para coletar o sangue que Ozzy tirasse de Patrick sem ter que invadir o rinque, então Ozzy foi embora e fiquei sozinha com Robbie. Passei horas naquele quarto ouvindo os comentários debochados dele. E o pior era que eu não tinha moral pra contestar nenhum deles. Ia ser um longo fim de semana.
- Você precisa se desafiar mais, Sr. von Hoult – Robbie imitou a voz da professora Mira e revirei os olhos – Sei que é perfeitamente capaz de escrever algo além de uma coluna de fofocas.
- Você vai passar o fim de semana inteiro reclamando? – perguntei impaciente – Se for me avise agora, que chuto o balde e vou atrás da Leo, ainda dá tempo de alcançá-la.
- Não estou reclamando, apenas desabafando. Você é minha amiga, cale a boca e me apóie.
- Por que você aceitou esse trabalho, afinal de contas?
- Porque achei que seria um desafio legal e que podia provar a ela que sou perfeitamente capaz de escrever algo sério, mas estou começando a me arrepender.
- Você é sim capaz de escrever outras coisas além de uma coluna de fofocas. Conte o que está tentando fazer, quem sabe não posso ajudar.
- Certo... – ele puxou uma folha de papel da bagunça que tinha no chão e me entregou – Ela sugeriu que eu tentasse escrever algo sério, mas não disse o que, então fiquei maluco tentando ter idéias, até que estava com Alec no vestiário dos Ducks e uma luz surgiu no meu caminho.
- O que vocês estavam fazendo no vestiário dos Ducks? – perguntei rindo e ele abanou a mão num gesto que dizia para não interrompê-lo.
- Estávamos saindo quando ouvimos um barulho de soco. Corremos pra ver quem era e a porta do armário de Lucian estava aberta e toda amassada, mas não tinha ninguém no corredor. Alec ainda correu para ver se encontrava o autor do vandalismo, mas não viu ninguém. A porta amassada do armário estava suja de sangue, provavelmente do agressor que se machucou, então pensei: e se eu tentasse bancar o repórter investigativo e descobrisse quem invadiu o vestiário?
- É uma boa idéia, mas você não está conseguindo descobrir quem foi, não é?
- Não, é mais difícil do que pensei! Minha primeira idéia foi coletar amostras do sangue da porta, porque se ele é do autor, então poderia descobrir através dele, mas não sei como fazer isso.
- Você precisa comparar com outra amostra de sangue ou não vai conseguir descobrir de quem é, a menos que tenha acesso a um computador do FBI e a pessoa tenha ficha – ele me olhou espantado e ri – Muito seriado policial nas férias e um professor que trabalha pro FBI.
- Bom, não tenho um computador do FBI, alguma outra brilhante sugestão? – ele perguntou debochado.
- Primeiro, melhore sua atitude ou não ajudo – ele me atirou uma bolinha de papel e desviei dela – Segundo, já tem um suspeito?
- Mais ou menos...
- Com licença... – ouvimos uma batida na porta e virei. Ozzy estava parado do lado de fora do quarto – Está muito ocupada?
- Sim, ela está em um raro momento de paciência com meus projetos, não interrompa! – Robbie respondeu irritado, mas não dei importância.
- Não, não estou.
- Ótimo, podemos conversar um instante? – ele olhou pro quarto, onde Jude e Penny ocupavam suas camas alheias à conversa – A sós?
- Parvati Karev, não desapareça! Preciso da sua ajuda nisso!
- Eu já vou voltar, pare de ser dramático!
Sai do quarto com ele e como a república estava uma bagunça e cheia de gente, fomos até varanda. Ele indicou o banco para eu sentar, mas não sentou de imediato. Parecia que estava se preparando para começar a falar. Finalmente ele sentou ao meu lado e por um instante achei que ele ia me contar que estava morrendo.
- Dr. Pace disse que preciso contar algumas coisas a você e disse que poderíamos fazer isso na próxima sessão, mas acho que precisamos aprender a conversar sem supervisão, então vim até aqui hoje pra isso.
- Também tenho que lhe dizer algumas coisas – admiti, um pouco aliviada por ele ter tomado a iniciativa – Você primeiro.
- Ok... Quando você foi até minha casa no Natal, se desculpar pela história da entrevista, eu menti quando disse que estava tudo bem, que já tinha esquecido aquilo – ele abaixou a cabeça para não me encarar – A verdade é que ainda não consigo perdoá-la pelo que fez. Não estou com raiva de você, não é isso. Acho que é mais mágoa, aquele era o meu sonho e por sua causa ele foi jogado fora.
- Eu sabia que você não tinha me perdoado, sabia que não estava nada bem. O que eu posso fazer pra consertar isso? Eu faço qualquer coisa, é sério.
- Não precisa fazer nada, de verdade. Tudo que preciso é de tempo pra digerir isso e então vai chegar um dia em que não vou mais estar magoado com isso e vou perdoá-la. Só preciso de tempo.
- Eu sinto muito, nunca me arrependi tanto de algo que fiz – ele assentiu, mas continuou de cabeça baixa – Minha vez. Quando você foi a minha casa depois de descobrir o que eu fiz, estava com raiva e nervoso e por isso me disse alguns insultos. Sei que estava no seu direito de estar me odiando, mas o que você disse me magoou.
- Eu me arrependi do que disse no instante em que as palavras saíram da minha boca, mas estava alterado demais pra pedir desculpas. Eu realmente sinto muito. Jack tinha razão, nada me dava o direito de falar daquela forma com você.
- Eu sei que as pessoas falam as mesmas coisas de mim pelas costas, já ouvi algumas falando na minha cara e nunca dei importância, mas quando você disse foi a primeira vez que me magoou. Acho que foi jeito como você falou, eu senti a verdade na forma como me ofendeu, você acreditava naquelas palavras.
- Não, não é verdade – ele puxou minha mão e a acariciou – Eu nunca pensei aquelas coisas de você, nem quando estava no auge da minha irritação com as nossas brigas. Eu tinha sim a intenção de magoá-la, foi por isso que repeti o que ouvia na escola, mas eu nunca pensei nada daquilo.
- Não precisa tentar abafar o que sempre soube. Algumas ofensas às vezes tinham fundamento, não é como se fosse uma novidade.
- Nunca repita isso, Parvati. Você não é nada daquilo, não acredite se alguém disser o contrário. Tivemos nossos problemas, mas hoje somos amigos e sei que você é durona, mas também tem um lado doce que as pessoas não conhecem. Você não merece aceitar desaforo das pessoas aqui e deixar pra lá, essa não é a Parvati que passou dois anos batendo de frente comigo.
- Estou cansada de brigar com as pessoas por causa disso, com o tempo aprendi que o melhor a se fazer é ignorar.
- Bom, então nesse caso vou ter que começar a defender você. Não posso permitir que ofendam minha parceira e deixar isso barato.
- Então agora eu ganhei um defensor dos fracos e oprimidos? – perguntei rindo.
- Se você não faz nada a respeito, tenho a obrigação de fazer. Eu tenho que tomar as suas dores, não foi isso que o professor Wade falou?
Não sei quanto tempo ficamos sentados naquele banco, um de frente pro outro sem dizer nada, apenas sorrindo. Quando me dei conta de que não estávamos mais conversando e ele ainda acariciava as costas da minha mão com o polegar, puxei-a de volta depressa. Isso deve tê-lo feito acordar, pois saltou do banco feito uma mola e parou quase no meio da varanda. Robbie apareceu na porta naquele exato instante, o sorriso mais debochado do mundo estampado no rosto, mas tendo noção do perigo, não ousou soltar nenhum tipo de piada enquanto não estivéssemos sozinhos.
- Se não estiver interrompendo nada, gostaria de ter a atenção dos dois de volta ao quarto.
- Eu também? – Ozzy perguntou surpreso – Já estava indo embora.
- Estava nada, suba um instante, não vai demorar.
Ele me olhou curioso, mas dei de ombros e acompanhamos Robbie escada acima. As meninas que estavam na república agora desciam apressadas com mochilas nas costas, querendo o mais rápido possível chegar em casa e subimos esbarrando nelas pelo caminho. Jude e Penny também estavam de saída do quarto quando entramos e se despediram animadas, se juntando a confusão nas escadas.
- Então, o que quer nos mostrar? Já descobriu quem arrombou o armário?
- Não, porque como você disse, preciso de provas, mas tenho um suspeito.
- Que armário? O do vestiário? – Ozzy perguntou perdido na conversa e assentimos – Alec comentou que você estava querendo descobrir quem tinha feito aquilo, mas não falou mais nada, achei que tinha desistido.
- Não posso desistir, isso virou um projeto para o jornal e a professora está de olho.
- E quem é o suspeito? Pare de enrolar – disse impaciente.
- Patrick Boris – ele disse satisfeito e quando não respondemos nada, fez cara feia – O que foi?
- Com base em quê você chegou a conclusão de que Patrick invadiu o vestiário dos Ducks e arrombou o armário do Lucian?
- Ele era namorado da Lenneth e obcecado por ela, levou uma surra do Lucian na frente da escola inteira e agora o mesmo está namorando a ex dele. Isso não é motivo?
- Isso é tudo circunstancial. Por que ele iria arrombar o armário?
- É, nada foi roubado – Ozzy completou e Robbie soltou um suspiro de frustração.
- Tenho reunião do jornal às 17h, não posso aparecer lá sem uma evolução no trabalho. Vocês não estão colaborando!
- Se você pudesse provar que o sangue na porta é dele, não precisa de um motivo. Já o colocou na cena do “crime” – e fiz aspas com as mãos – Isso já é uma prova concreta, que não tem margem pra contestação.
- Certo, mas onde vou conseguir uma amostra de sangue dele? Não acho que ele e Lenneth tenham feito algum pacto de sangue e ela tenha guardado um pouco em um frasco.
- Ele joga pelos Wild Penguins, não é? – perguntei para Ozzy e ele assentiu – Acha que pode arrancar um pouco de sangue dele no próximo jogo?
- Está vendo? Durona! – ele sorriu animado com a ideia – Moleza, sempre tem um pouco de sangue em um jogo de Hóquei. E desde aquela história com a Lenneth estou procurando por um bom motivo para dar uns socos naquele idiota. Podem contar comigo.
Robbie voltou a se animar e passamos alguns minutos discutindo como faríamos para coletar o sangue que Ozzy tirasse de Patrick sem ter que invadir o rinque, então Ozzy foi embora e fiquei sozinha com Robbie. Passei horas naquele quarto ouvindo os comentários debochados dele. E o pior era que eu não tinha moral pra contestar nenhum deles. Ia ser um longo fim de semana.
Thursday, February 02, 2012
Anotações de Leonora Carrara - Ultima semana de janeiro 2015
Quando Mitchell e eu voltamos para a escola, pensei que teríamos a rotina de namorados que eu via entre Parv e Lukas e mesmo entre Robbie e Alec, mas nao foi o que aconteceu. Mitchell tinha que se dividir entre os treinos de quadribol, as aulas para auror, e eu além de estar no jornal, estava muito ocupada com o concurso de culinária que acabou movimentando até mesmo os alunos da escola, vários vinham comentar que seus pais haviam se inscrito no site, que mandei montar para o concurso, o que facilitava que eu acompanhasse tudo, de um laptop que comecei a usar e o carregava comigo para todo lugar. Acabei acertando um anúncio com Lucian e além de continuar a coluna de fofocas, também divulgavamos as receitas mais votadas, que ao final da votação on-line, eram avaliadas pela banca julgadora que se reunia duas vezes ao mês. E sempre que tínhamos uma folga nas aulas, Mitchell e eu nos encontravamos para namorar e tudo ia muito bem entre nós. Meu namoro com Finn foi breve, e sem querer acabava comparando-o ao de agora. E embora, Mitchell e eu não ficassemos grudados o tempo todo, nosso tempo juntos era de qualidade. Ok, a quem eu quero enganar com esta frase de workaholic de consciência pesada? Bastava ter um canto vazio que nos agarrávamos como se não houvesse amanhã, mas também conversávamos e fazíamos planos como um casal normal.
-o-o-o-o-o-
Sexta-feira, após o almoço
- Vocês têm certeza de que não podem vir?- perguntei mais uma vez para Robbie e Parv, enquanto arrumava uma mochila com algumas roupas.
- Não posso, amada. Tenho que terminar o trabalho que a professora Mira passou, olha que vergonha, até você fez o seu antes do meu.Tem algo errado no mundo.- rimos e olhei para Parv, que se mostrava chateada.
- Você acha que eu iria recusar comida boa, de graça e a oportunidade de boas risadas, se não tivesse aula? O doutor Pace já está na minha cola, e se eu faltar amanhã, posso dar adeus à carreira de auror. Porque Mitchell não vai com você?- e eu bufei:
- Porque ele já foi para Sofia, para encontrar a família, nem quis almoçar.Mas devemos voltar juntos para cá, domingo á noite.
- Há algum problema entre vocês? – ela quis saber e respondi:
- A mãe dele não gosta de mim.Acho que é questão de tempo...
- Como assim não gosta de você? Estavam todos bem, no casamento da irmã do Ozzy.Você até dançou com o pai dele.- disse Robbie e eu olhei para Parv e ela entendeu o que eu queria saber:
- Desculpe, estava com o filtro no máximo e não captei nada, mas pela aparência achei que tudo estivesse normal. Meus pais gostaram deles, e que história é esta de ‘questão de tempo’, vai terminar? Ele falou alguma coisa? - ela perguntou e eu neguei com a cabeça e Robbie se agitou:
- Vocês não podem terminar só porque a mãe dele não gosta de você, pirou? Ele é o melhor namorado que uma garota pode ter, e amiga, vocês se amam, todo mundo vê isso. E o mais importante: EU gosto do Mitch, e ele é muito amigo do Alec. Viu? Boas razões apra você não terminar com ele.
- Será que um namoro pode sobreviver quando a mãe do cara que você ama não te considera boa o bastante, ou nas palavras dela: ‘ainda se fosse a outra, Ivashkov’.- resmunguei.
- Ela falou isso na sua cara? Quem ela pensa que é? Não conhece aquela vaca da Camille. – disse Robbie nervoso e eu respondi:
- Claro que ela não falou comigo, ela é uma ‘Forbes’, e tem o mínimo de educação, então ela finge. Acabei ouvindo sem querer um comentário dela com o marido, depois da festa, na casa da tia dele. Eu havia voltado para pegar minha bolsa, que deixei na entrada, eles nem me viram.
- Não faça nada precipitado, Léo. Você contou ao Mitchell? – quis saber Parv.
- Não, e não vou contar, ele adora os pais e não quero que briguem por minha causa. Por favor, não comentem nada ok?Tudo vai se resolver.- eles concordaram e os deixei na república, e fui pegar o trem. Tinha muitos pensamentos conflitantes a respeito de Mitchell na cabeça, que sumiram quando abri o bolso da frente da minha mochila para pegar a minha passagem, e encontrei um bilhete com a caligrafia dele.
‘Estou contando os minutos para domingo. M.”
Remexi mais um pouco na bolsa e encontrei uma saquinho de veludo e dentro havia uma pulseira de prata, cheia de pequenos berloques, do tipo que as pessoas usam para ter sorte, como trevo de quatro folhas, ferradura, um coração onde havia nossas iniciais.Sorri feito boba.
- ‘Problema da mãe dele se não gosta de mim, ele gosta...E muito!’.- disse a mim mesma enquanto admirava a pulseira em meu pulso.
o-o-o-o-o-o
Quando cheguei na Itália, foi uma correria só, pois eram muitos participantes, e o senhor Vincenzo, já havia organizado boa parte das eliminatórias, e no sábado quando teriamos a prova final com a presença de juizes, escolheriamos as 3 finalistas desta etapa. Por ser uma causa beneficente, convidamos algumas celebridades, entre eles um chef americano de origem italiana chamado, Rocco Di Spirito, que estava fazendo um programa para seu canal de televisão e era amigo do avô do Damon, e como ele ofereceu a estrutura do estúdio, fomos todos para lá. Eu entrava na estúdio destinado ao programa quando ouvi alguém me chamar, me virei e era a mãe do Finn. Sorri quando nos abraçamos:
- Minha querida que saudades de você. Está linda! – ela disse amorosa e eu a abracei novamente:
- Você está muito bem, tia Moira.O que faz aqui?
- Finn está dando entrevista junto com o time, no estúdio do lado, para um programa de esportes e você sabe que a única coisa que entendo deste jogo é que quando ele defende o...o...
- Puck.- completei e ela riu concordando:
- Isso! Quando ele defende o puck, é bom para ele e para o time.- rimos e eu disse:
- Só aprendi, porque tive que ver muitos dos jogos dele na escola. Quer ficar um pouco aqui, enquanto ele termina as entrevistas? Estou esperando a ultima jurada do concurso de culinária. Rocco Di Spirito, vai apresentar o programa.
- Ah que maravilha, adoro o programa dele. Sabe que sempre uso o azeite da sua empresa e pedi a todas as minhas amigas que o usassem, Finn me contou da sua luta em salvar a fábrica, conte comigo, querida.
-Obrigada, tia, isso me ajuda e muito. Quer ser minha convidada para ver o programa e depois vamos comer em algum lugar e matar as saudades?- ficamos conversando por um tempo e logo Finn se juntava a nós, junto com alguns colegas do time, que ele apresentou a nós duas. No começo ele estava um pouco seco comigo, mas depois começou a conversar normal e logo estávamos rindo, dos comentários deles sobre a entrevista, e seus novos amigos eram muito engraçados, além de bonitos, e algumas vezes não entendiam algumas palavras que diziamos, e um deles veio colocando a mão sobre meu ombro, me convidando para sair e eu sem disfarçar, retirava sua mão e seus colegas o zoaram. O tempo foi passando e o diretor do programa veio me avisar que a convidada de Rocco teve um imprevisto e não iria comparecer, e isso poderia invalidar esta etapa do concurso.
- Por Odin, o que faço agora? Não posso dizer ao Rocco que não vai ter mais concurso e a gravação dele ser prejudicada. E se tiver, a prova pode ser invalidada porque não temos todos os juízes imparciais do regulamento. – comentei aflita, peguei o celular para ligar para o avô de Damon, quem sabe ele poderia conhecer alguém quando tia Moira, disse:
- Se você precisa de gente famosa para dar audiência ao programa, poderia convidar Finn e os amigos, o time deles é famoso ou não dariam entrevista para televisão daqui não é? – ela disse e olhei suplicante para Finn e ele quis saber:
- É importante para você? Só me apresento na próxima temporada, mas os caras aqui, já estão na ativa...
- Sim, e eu ficaria muito agradecida se você e seus amigos me ajudassem.
Ele conversou com os amigos e após ligarem para o técnico, que ainda estava no estúdio ao lado, concordaram. Corri até o diretor e conversei com ele, e ele só faltou pular de alegria, quando os rapazes entraram no estúdio. E Rocco, como já conhecia e era fã do Bolzano na Itália, adorou os novos convidados, e os apresentou á platéia, que ficou eufórica, pois em sua maioria eram mulheres. Quando o programa acabou e as três vencedoras da etapa tiravam fotos com os convidados, eu respirei aliviada, abraçando tia Moira e sua ótima idéia.O diretor do programa veio contente dizer que o show havia sido lider de audiência, e que se numa próxima oportunidade quisesse trabalhar com eles novamente, era só ligar para ele.
Depois de tudo resolvido, agradeci a todos os amigos do time do Finn, e prometi me tornar a sua mais nova torcedora, ganhei pares de ingressos, e um deles, o engraçadinho do Enrico, disse que se um dia eu precisasse de um guia na cidade, era só ligar para ele, claro que ele recuou quando Finn rosnou para ele, dizendo que estava brincando, mas piscou para mim quando Finn não estava olhando. Embora eu tivesse muita coisa para fazer, optei por ficar com Finn e sua mãe, e fomos passear por alguns pontos turisticos que ficavam lindos à noite e ela adorou. Como ficamos paseando até tarde, no dia seguinte optamos por voltar todos juntos para Sofia, acompanhei Finn até a casa de sua mãe e depois fomos para a minha casa, onde eu ficaria para esperar por Mitchell.
Já era começo da tarde de domngo, e Finn estava sentado na sala, e fui buscar alguma coisa para comermos, e quando voltei acabei tropeçando e ele agilmente me segurou, e começamos a rir, pois eu sempre fui estabanada.Mitchell nos encontrou assim e disse:
- O que está acontecendo aqui? – e antes que eu abrisse a boca, vi que sua mãe, que estava com ele me olhava sarcástica. Finn, notando o clima tenso disse:
- Léo, é melhor eu ir embora...
- Não, você não vai, porque a casa é minha e recebo quem eu quiser aqui, especialmente meus amigos.- respondi olhando Mitchell, que havia me olhado de cima a baixo e se demorou nos meus pés descalços, quando me encarou novamente, havia julgamento em seus olhos:
- Passaram o fim de semana juntos?- perguntou frio e antes que eu respondesse, sua mãe disse:
- Eu disse que era perda de tempo tentar ter alguma amizade com esta garota Mitchell, nota-se que ela não é para você.
- Sim, passamos.- respondi o mais fria possível, mas por dentro eu fervia de irritação com o comentário da mãe dele, e ela o puxou pelo braço:
- Vamos embora, querido. Já vimos o bastante.- e ele começou a se virar com ela, quando eu explodi:
- Isso, esconda-se atrás da mamãe, sem saber realmente o que está acontecendo.- provoquei.
- Não ouse falar assim com meu filho...- ela se virou defensiva e sua voz se elevou um pouco, e eu respondi mais alto:
- Abaixe o tom, pois está na minha casa e aqui quem grita sou eu. Eu não a convidei para vir.- ela ofegou, talvez porque ninguém nunca tenha falado assim com ela e Mitchell disse nervoso:
- Não fale assim com a minha mãe.
- Ela que não fale comigo deste jeito, ela nunca ouviu dizer que em briga de...de casal ninguém mete a colher?- respondi e ele novamente me olhou e encarou novamente Finn, dizendo:
- Busco as minhas coisas assim, que possível...- não deixaria ele ter a última palavra:
- Não se dê ao trabalho, eu as mando para você. – ele saiu e a porta ficou entreaberta, fui até lá e a bati com força.
- Léo, sinto muito...Você está bem? - ouvi Finn perguntando enquanto meus olhos começaram a arder, mas respirei fundo e disse:
- Vou buscar minha mochila, preciso voltar para a escola agora, você vem comigo?
-Sim, claro.
Eu sabia que iria chorar e muito, mas o inferno congelaria se eu chorasse na frente de um ex-namorado.
Quando Mitchell e eu voltamos para a escola, pensei que teríamos a rotina de namorados que eu via entre Parv e Lukas e mesmo entre Robbie e Alec, mas nao foi o que aconteceu. Mitchell tinha que se dividir entre os treinos de quadribol, as aulas para auror, e eu além de estar no jornal, estava muito ocupada com o concurso de culinária que acabou movimentando até mesmo os alunos da escola, vários vinham comentar que seus pais haviam se inscrito no site, que mandei montar para o concurso, o que facilitava que eu acompanhasse tudo, de um laptop que comecei a usar e o carregava comigo para todo lugar. Acabei acertando um anúncio com Lucian e além de continuar a coluna de fofocas, também divulgavamos as receitas mais votadas, que ao final da votação on-line, eram avaliadas pela banca julgadora que se reunia duas vezes ao mês. E sempre que tínhamos uma folga nas aulas, Mitchell e eu nos encontravamos para namorar e tudo ia muito bem entre nós. Meu namoro com Finn foi breve, e sem querer acabava comparando-o ao de agora. E embora, Mitchell e eu não ficassemos grudados o tempo todo, nosso tempo juntos era de qualidade. Ok, a quem eu quero enganar com esta frase de workaholic de consciência pesada? Bastava ter um canto vazio que nos agarrávamos como se não houvesse amanhã, mas também conversávamos e fazíamos planos como um casal normal.
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Sexta-feira, após o almoço
- Vocês têm certeza de que não podem vir?- perguntei mais uma vez para Robbie e Parv, enquanto arrumava uma mochila com algumas roupas.
- Não posso, amada. Tenho que terminar o trabalho que a professora Mira passou, olha que vergonha, até você fez o seu antes do meu.Tem algo errado no mundo.- rimos e olhei para Parv, que se mostrava chateada.
- Você acha que eu iria recusar comida boa, de graça e a oportunidade de boas risadas, se não tivesse aula? O doutor Pace já está na minha cola, e se eu faltar amanhã, posso dar adeus à carreira de auror. Porque Mitchell não vai com você?- e eu bufei:
- Porque ele já foi para Sofia, para encontrar a família, nem quis almoçar.Mas devemos voltar juntos para cá, domingo á noite.
- Há algum problema entre vocês? – ela quis saber e respondi:
- A mãe dele não gosta de mim.Acho que é questão de tempo...
- Como assim não gosta de você? Estavam todos bem, no casamento da irmã do Ozzy.Você até dançou com o pai dele.- disse Robbie e eu olhei para Parv e ela entendeu o que eu queria saber:
- Desculpe, estava com o filtro no máximo e não captei nada, mas pela aparência achei que tudo estivesse normal. Meus pais gostaram deles, e que história é esta de ‘questão de tempo’, vai terminar? Ele falou alguma coisa? - ela perguntou e eu neguei com a cabeça e Robbie se agitou:
- Vocês não podem terminar só porque a mãe dele não gosta de você, pirou? Ele é o melhor namorado que uma garota pode ter, e amiga, vocês se amam, todo mundo vê isso. E o mais importante: EU gosto do Mitch, e ele é muito amigo do Alec. Viu? Boas razões apra você não terminar com ele.
- Será que um namoro pode sobreviver quando a mãe do cara que você ama não te considera boa o bastante, ou nas palavras dela: ‘ainda se fosse a outra, Ivashkov’.- resmunguei.
- Ela falou isso na sua cara? Quem ela pensa que é? Não conhece aquela vaca da Camille. – disse Robbie nervoso e eu respondi:
- Claro que ela não falou comigo, ela é uma ‘Forbes’, e tem o mínimo de educação, então ela finge. Acabei ouvindo sem querer um comentário dela com o marido, depois da festa, na casa da tia dele. Eu havia voltado para pegar minha bolsa, que deixei na entrada, eles nem me viram.
- Não faça nada precipitado, Léo. Você contou ao Mitchell? – quis saber Parv.
- Não, e não vou contar, ele adora os pais e não quero que briguem por minha causa. Por favor, não comentem nada ok?Tudo vai se resolver.- eles concordaram e os deixei na república, e fui pegar o trem. Tinha muitos pensamentos conflitantes a respeito de Mitchell na cabeça, que sumiram quando abri o bolso da frente da minha mochila para pegar a minha passagem, e encontrei um bilhete com a caligrafia dele.
‘Estou contando os minutos para domingo. M.”
Remexi mais um pouco na bolsa e encontrei uma saquinho de veludo e dentro havia uma pulseira de prata, cheia de pequenos berloques, do tipo que as pessoas usam para ter sorte, como trevo de quatro folhas, ferradura, um coração onde havia nossas iniciais.Sorri feito boba.
- ‘Problema da mãe dele se não gosta de mim, ele gosta...E muito!’.- disse a mim mesma enquanto admirava a pulseira em meu pulso.
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Quando cheguei na Itália, foi uma correria só, pois eram muitos participantes, e o senhor Vincenzo, já havia organizado boa parte das eliminatórias, e no sábado quando teriamos a prova final com a presença de juizes, escolheriamos as 3 finalistas desta etapa. Por ser uma causa beneficente, convidamos algumas celebridades, entre eles um chef americano de origem italiana chamado, Rocco Di Spirito, que estava fazendo um programa para seu canal de televisão e era amigo do avô do Damon, e como ele ofereceu a estrutura do estúdio, fomos todos para lá. Eu entrava na estúdio destinado ao programa quando ouvi alguém me chamar, me virei e era a mãe do Finn. Sorri quando nos abraçamos:
- Minha querida que saudades de você. Está linda! – ela disse amorosa e eu a abracei novamente:
- Você está muito bem, tia Moira.O que faz aqui?
- Finn está dando entrevista junto com o time, no estúdio do lado, para um programa de esportes e você sabe que a única coisa que entendo deste jogo é que quando ele defende o...o...
- Puck.- completei e ela riu concordando:
- Isso! Quando ele defende o puck, é bom para ele e para o time.- rimos e eu disse:
- Só aprendi, porque tive que ver muitos dos jogos dele na escola. Quer ficar um pouco aqui, enquanto ele termina as entrevistas? Estou esperando a ultima jurada do concurso de culinária. Rocco Di Spirito, vai apresentar o programa.
- Ah que maravilha, adoro o programa dele. Sabe que sempre uso o azeite da sua empresa e pedi a todas as minhas amigas que o usassem, Finn me contou da sua luta em salvar a fábrica, conte comigo, querida.
-Obrigada, tia, isso me ajuda e muito. Quer ser minha convidada para ver o programa e depois vamos comer em algum lugar e matar as saudades?- ficamos conversando por um tempo e logo Finn se juntava a nós, junto com alguns colegas do time, que ele apresentou a nós duas. No começo ele estava um pouco seco comigo, mas depois começou a conversar normal e logo estávamos rindo, dos comentários deles sobre a entrevista, e seus novos amigos eram muito engraçados, além de bonitos, e algumas vezes não entendiam algumas palavras que diziamos, e um deles veio colocando a mão sobre meu ombro, me convidando para sair e eu sem disfarçar, retirava sua mão e seus colegas o zoaram. O tempo foi passando e o diretor do programa veio me avisar que a convidada de Rocco teve um imprevisto e não iria comparecer, e isso poderia invalidar esta etapa do concurso.
- Por Odin, o que faço agora? Não posso dizer ao Rocco que não vai ter mais concurso e a gravação dele ser prejudicada. E se tiver, a prova pode ser invalidada porque não temos todos os juízes imparciais do regulamento. – comentei aflita, peguei o celular para ligar para o avô de Damon, quem sabe ele poderia conhecer alguém quando tia Moira, disse:
- Se você precisa de gente famosa para dar audiência ao programa, poderia convidar Finn e os amigos, o time deles é famoso ou não dariam entrevista para televisão daqui não é? – ela disse e olhei suplicante para Finn e ele quis saber:
- É importante para você? Só me apresento na próxima temporada, mas os caras aqui, já estão na ativa...
- Sim, e eu ficaria muito agradecida se você e seus amigos me ajudassem.
Ele conversou com os amigos e após ligarem para o técnico, que ainda estava no estúdio ao lado, concordaram. Corri até o diretor e conversei com ele, e ele só faltou pular de alegria, quando os rapazes entraram no estúdio. E Rocco, como já conhecia e era fã do Bolzano na Itália, adorou os novos convidados, e os apresentou á platéia, que ficou eufórica, pois em sua maioria eram mulheres. Quando o programa acabou e as três vencedoras da etapa tiravam fotos com os convidados, eu respirei aliviada, abraçando tia Moira e sua ótima idéia.O diretor do programa veio contente dizer que o show havia sido lider de audiência, e que se numa próxima oportunidade quisesse trabalhar com eles novamente, era só ligar para ele.
Depois de tudo resolvido, agradeci a todos os amigos do time do Finn, e prometi me tornar a sua mais nova torcedora, ganhei pares de ingressos, e um deles, o engraçadinho do Enrico, disse que se um dia eu precisasse de um guia na cidade, era só ligar para ele, claro que ele recuou quando Finn rosnou para ele, dizendo que estava brincando, mas piscou para mim quando Finn não estava olhando. Embora eu tivesse muita coisa para fazer, optei por ficar com Finn e sua mãe, e fomos passear por alguns pontos turisticos que ficavam lindos à noite e ela adorou. Como ficamos paseando até tarde, no dia seguinte optamos por voltar todos juntos para Sofia, acompanhei Finn até a casa de sua mãe e depois fomos para a minha casa, onde eu ficaria para esperar por Mitchell.
Já era começo da tarde de domngo, e Finn estava sentado na sala, e fui buscar alguma coisa para comermos, e quando voltei acabei tropeçando e ele agilmente me segurou, e começamos a rir, pois eu sempre fui estabanada.Mitchell nos encontrou assim e disse:
- O que está acontecendo aqui? – e antes que eu abrisse a boca, vi que sua mãe, que estava com ele me olhava sarcástica. Finn, notando o clima tenso disse:
- Léo, é melhor eu ir embora...
- Não, você não vai, porque a casa é minha e recebo quem eu quiser aqui, especialmente meus amigos.- respondi olhando Mitchell, que havia me olhado de cima a baixo e se demorou nos meus pés descalços, quando me encarou novamente, havia julgamento em seus olhos:
- Passaram o fim de semana juntos?- perguntou frio e antes que eu respondesse, sua mãe disse:
- Eu disse que era perda de tempo tentar ter alguma amizade com esta garota Mitchell, nota-se que ela não é para você.
- Sim, passamos.- respondi o mais fria possível, mas por dentro eu fervia de irritação com o comentário da mãe dele, e ela o puxou pelo braço:
- Vamos embora, querido. Já vimos o bastante.- e ele começou a se virar com ela, quando eu explodi:
- Isso, esconda-se atrás da mamãe, sem saber realmente o que está acontecendo.- provoquei.
- Não ouse falar assim com meu filho...- ela se virou defensiva e sua voz se elevou um pouco, e eu respondi mais alto:
- Abaixe o tom, pois está na minha casa e aqui quem grita sou eu. Eu não a convidei para vir.- ela ofegou, talvez porque ninguém nunca tenha falado assim com ela e Mitchell disse nervoso:
- Não fale assim com a minha mãe.
- Ela que não fale comigo deste jeito, ela nunca ouviu dizer que em briga de...de casal ninguém mete a colher?- respondi e ele novamente me olhou e encarou novamente Finn, dizendo:
- Busco as minhas coisas assim, que possível...- não deixaria ele ter a última palavra:
- Não se dê ao trabalho, eu as mando para você. – ele saiu e a porta ficou entreaberta, fui até lá e a bati com força.
- Léo, sinto muito...Você está bem? - ouvi Finn perguntando enquanto meus olhos começaram a arder, mas respirei fundo e disse:
- Vou buscar minha mochila, preciso voltar para a escola agora, você vem comigo?
-Sim, claro.
Eu sabia que iria chorar e muito, mas o inferno congelaria se eu chorasse na frente de um ex-namorado.
Wednesday, February 01, 2012
Memórias de Lucian P. Valesti e Lenneth V. Aesir
Janeiro de 2015 – Primeira semana após os feriados.
Lucian
Voltar a escola depois de tudo que tinha acontecido antes dos feriados foi estranho.
Primeiro, Liseria não voltaria... Sua mãe me procurou na véspera do Natal e me falou que sua filha desejava ficar em Beauxbatons e já estavam preparando todas as papeladas para a sua transferência. Ela me contou que Liseria estava arrasada e irritada comigo e que não queria me ver. Conversei com a mãe dela longamente e expliquei tudo que tinha acontecido. Ela não ficou feliz, mas preferiu que eu tivesse terminado agora do que ficar enganando sua filha por mais tempo.
E agora havia a questão da Lenneth... E era uma questão muito complexa.
Eu não tinha dúvidas do que sentia por ela, já tivera provas suficientes de que estava gostando dela, amando-a para ser mais exato. Mas no que isso implicaria? Éramos amigos desde criança, eu cresci com ela ao meu lado, a tratei como minha irmã por longos anos... E agora?
No casamento da irmã do Ozzy dançamos juntos, apesar de eu ter tentado passar a festa inteira fugindo dela. Mas quando dançamos foi especial de um modo como jamais senti.
E parecia que ela sentia o mesmo... Mas eu poderia estar errado... Poderia estragar uma amizade para sempre...
Como eu odeio “se”!
Lenneth
Liseria não voltara a Durmstrang. Recebi essa notícia chocada, pois significava que a briga entre ela e Lucian havia sido feia.
Não tinha conversado muito com ele desde o acontecido, pois ele parecia querer fugir de mim o tempo todo. Eu decidi dar a ele o espaço que queria, pois também não gostava da sensação de estar me aproveitando da distância de Liseria.
Agora, não sei o que fazer! Se ela não vai voltar, é porque eles se separaram realmente... Mas vou parecer uma aproveitadora caso vá atrás dele agora. E tudo que ele não precisa é de mais mentiras e acusações contra ele naquele maldito jornal clandestino.
Conversei isso tudo com Julie e ela me ouviu pacientemente, mas depois quase me deu uma bronca.
- Quem é você e o que fez com minha amiga? – Ela perguntou e eu a olhei sem entender. – Lenneth, desde quando você se importa com o que os outros pensam ou deixam de pensar? Você tem que correr atrás daquilo que acha certo. E nós duas sabemos que você tem chances com o Lucian, altíssimas!
- Você acha? – Eu perguntei.
- Está estampado na cara dele, e também na sua. Vocês se gostam, Lenneth, não deveriam ter medo de assumir isso.
Eu pensei por muito tempo no que ela disse, mas finalmente decidi tomar uma atitude. Eu gostava do Lucian, sempre gostei e sempre que tentei ignorar isso ou esquecê-lo, o que eu sentia ficou apenas mais forte.
No sábado de manhã eu tive que ir às pressas para a escola de música que eu tinha sido admitida e perdi toda a manhã finalizando minha matrícula.
Assim que voltei para Durmstrang, no meio da tarde procurei o Lucian pela escolha inteira e logo depois fui para o vilarejo, esperando encontrá-lo na livraria da Ferania, mas ele não estava lá. Então me lembrei sobre algo que Lucian falou uma vez.
Tinha um lugar que ele gostava de ir quando estava triste e queria ficar sozinho. Era um depósito da livraria, mas eu não fazia idéia de onde ficava.
- Ferania, preciso da sua ajuda! Onde o Lucian está? – Perguntei, quando entrei correndo na livraria. Ferania terminava de fazer anotações em um bloco, pronta para fechar a loja.
- Aconteceu alguma coisa? – Ferania perguntou, ao me ver tão exaltada.
- Eu estou procurando o Lucian, mas não o encontro! – Falei.
- Eu não faço idéia de onde ele possa estar. – Ela falou, mas eu sabia que não era verdade.
- Fer, nós conhecemos desde pequenas, eu tenho certeza que você sabe onde ele está! É no armazém da loja, mas não sei onde fica.
- Lenneth, queria poder te ajudar, mas não sei onde o Lucian está. – Ela falou e eu senti meu ânimo desaparecer e me sentei em uma das poltronas.
- Eu preciso falar com ele... Se não for hoje não sei se terei coragem depois!
- Eu não deveria fazer isso, tanto como professora, como amiga de vocês. – Ela suspirou e sentou do meu lado. – Ele quer ficar sozinho, Lenneth, por isso me pediu o dia de hoje de folga e prometi não contar a ninguém onde ele estava... – Eu comecei a falar algo, mas ela levantou a mão. – Mas acho que ele precisa é de você, e você dele. Ele está no armazém, vou fazer um mapa para você.
Eu então gritei de alegria e beijei seu rosto e assim que ela me entregou o mapa, sai correndo.
O armazém ficava afastado da vila, em uma região remota e cheia de árvores. Era um lugar muito calmo que combinava com Lucian. Não havia som algum além do farfalhar das árvores e dos meus passos apressados, abafados um pouco pela neve fina.
Estava chegando perto do local indicado pelo mapa de Ferania e vi fumaça, proveniente de uma chaminé. Eu joguei o mapa fora e comecei a correr, pois sabia que estava perto.
O armazém era uma cabana mediana e antiga, provavelmente alguma casa de campo da família de Ferania. Ele era todo de madeira, com exceção da chaminé de pedra, provavelmente conectada a uma lareira. Havia luz dentro da cabana e corri até a porta.
Bati na porta com pressa e ouvi quando alguém se levantou de uma cadeira. Ouvi os passos se aproximando da porta, enquanto meu coração saltava acelerado.
- Algum problema Ferania? – Lucian perguntou ao abrir a porta, mas ficou calado ao me ver.
Ele segurava um livro em uma das mãos e ficou paralisado ao me ver. Seus olhos ficaram fixos nos meus e eu abri um sorriso enorme e saltei para ele abraçando-o com força.
- Lenneth? O que houve? Como chegou aqui? – Ele perguntou, mas eu só queria abraçá-lo e, mais devido às emoções do que a corrida, fiquei um tempo sem conseguir falar.
Então pensei que melhor do que palavras seriam atitudes.
Eu o beijei, um beijo longo e quente. De início ele pareceu surpreso, mas então soltou o livro e segurou minha cintura, beijando-me com vontade e carinho.
Não sei quanto tempo esse beijo durou, mas depois de um tempo nos soltamos e eu sorri, enquanto lágrimas desciam pelos meus olhos.
- Lenneth... Você é a garota daquela festa?! – Ele perguntou, a surpresa em seus olhos.
- Eu sou. – Eu consegui dizer e antes que ele pudesse falar algo, voltei a falar rapidamente. – Eu... Me perdoe pelo que fiz, mas daquela vez queria... Eu queria tê-lo para mim pelo menos uma vez. – Eu falei e ele ficou calado um tempo. – Você está irritado comigo?
- Não... Estou feliz. Lenneth, eu te amo. – Ele falou sorrindo para mim e me puxou para outro beijo, um pouco mais rápido que o anterior, mas ainda com muita vontade. Enquanto nos beijávamos, eu fechei a porta com o pé e senti quando ele me puxou para dentro da cabana, ainda abraçados e nos beijando.
- Eu te amo, Lucian. – Eu falei, entre beijos e o sentei na poltrona, sentando em seu colo, ainda nos beijando.
Sentia suas mãos nas minhas costas e não pude mais resistir.
Tirei a blusa que ele usava e depois deixei que ele tirasse a minha. Nos beijamos novamente, enquanto eu me deitava sobre ele no sofá.
A nossa primeira vez foi diante da lareira, com a neve caindo lá fora, enquanto nos entregávamos a um amor que levou anos para acontecer.
Janeiro de 2015 – Primeira semana após os feriados.
Lucian
Voltar a escola depois de tudo que tinha acontecido antes dos feriados foi estranho.
Primeiro, Liseria não voltaria... Sua mãe me procurou na véspera do Natal e me falou que sua filha desejava ficar em Beauxbatons e já estavam preparando todas as papeladas para a sua transferência. Ela me contou que Liseria estava arrasada e irritada comigo e que não queria me ver. Conversei com a mãe dela longamente e expliquei tudo que tinha acontecido. Ela não ficou feliz, mas preferiu que eu tivesse terminado agora do que ficar enganando sua filha por mais tempo.
E agora havia a questão da Lenneth... E era uma questão muito complexa.
Eu não tinha dúvidas do que sentia por ela, já tivera provas suficientes de que estava gostando dela, amando-a para ser mais exato. Mas no que isso implicaria? Éramos amigos desde criança, eu cresci com ela ao meu lado, a tratei como minha irmã por longos anos... E agora?
No casamento da irmã do Ozzy dançamos juntos, apesar de eu ter tentado passar a festa inteira fugindo dela. Mas quando dançamos foi especial de um modo como jamais senti.
E parecia que ela sentia o mesmo... Mas eu poderia estar errado... Poderia estragar uma amizade para sempre...
Como eu odeio “se”!
Lenneth
Liseria não voltara a Durmstrang. Recebi essa notícia chocada, pois significava que a briga entre ela e Lucian havia sido feia.
Não tinha conversado muito com ele desde o acontecido, pois ele parecia querer fugir de mim o tempo todo. Eu decidi dar a ele o espaço que queria, pois também não gostava da sensação de estar me aproveitando da distância de Liseria.
Agora, não sei o que fazer! Se ela não vai voltar, é porque eles se separaram realmente... Mas vou parecer uma aproveitadora caso vá atrás dele agora. E tudo que ele não precisa é de mais mentiras e acusações contra ele naquele maldito jornal clandestino.
Conversei isso tudo com Julie e ela me ouviu pacientemente, mas depois quase me deu uma bronca.
- Quem é você e o que fez com minha amiga? – Ela perguntou e eu a olhei sem entender. – Lenneth, desde quando você se importa com o que os outros pensam ou deixam de pensar? Você tem que correr atrás daquilo que acha certo. E nós duas sabemos que você tem chances com o Lucian, altíssimas!
- Você acha? – Eu perguntei.
- Está estampado na cara dele, e também na sua. Vocês se gostam, Lenneth, não deveriam ter medo de assumir isso.
Eu pensei por muito tempo no que ela disse, mas finalmente decidi tomar uma atitude. Eu gostava do Lucian, sempre gostei e sempre que tentei ignorar isso ou esquecê-lo, o que eu sentia ficou apenas mais forte.
No sábado de manhã eu tive que ir às pressas para a escola de música que eu tinha sido admitida e perdi toda a manhã finalizando minha matrícula.
Assim que voltei para Durmstrang, no meio da tarde procurei o Lucian pela escolha inteira e logo depois fui para o vilarejo, esperando encontrá-lo na livraria da Ferania, mas ele não estava lá. Então me lembrei sobre algo que Lucian falou uma vez.
Tinha um lugar que ele gostava de ir quando estava triste e queria ficar sozinho. Era um depósito da livraria, mas eu não fazia idéia de onde ficava.
- Ferania, preciso da sua ajuda! Onde o Lucian está? – Perguntei, quando entrei correndo na livraria. Ferania terminava de fazer anotações em um bloco, pronta para fechar a loja.
- Aconteceu alguma coisa? – Ferania perguntou, ao me ver tão exaltada.
- Eu estou procurando o Lucian, mas não o encontro! – Falei.
- Eu não faço idéia de onde ele possa estar. – Ela falou, mas eu sabia que não era verdade.
- Fer, nós conhecemos desde pequenas, eu tenho certeza que você sabe onde ele está! É no armazém da loja, mas não sei onde fica.
- Lenneth, queria poder te ajudar, mas não sei onde o Lucian está. – Ela falou e eu senti meu ânimo desaparecer e me sentei em uma das poltronas.
- Eu preciso falar com ele... Se não for hoje não sei se terei coragem depois!
- Eu não deveria fazer isso, tanto como professora, como amiga de vocês. – Ela suspirou e sentou do meu lado. – Ele quer ficar sozinho, Lenneth, por isso me pediu o dia de hoje de folga e prometi não contar a ninguém onde ele estava... – Eu comecei a falar algo, mas ela levantou a mão. – Mas acho que ele precisa é de você, e você dele. Ele está no armazém, vou fazer um mapa para você.
Eu então gritei de alegria e beijei seu rosto e assim que ela me entregou o mapa, sai correndo.
O armazém ficava afastado da vila, em uma região remota e cheia de árvores. Era um lugar muito calmo que combinava com Lucian. Não havia som algum além do farfalhar das árvores e dos meus passos apressados, abafados um pouco pela neve fina.
Estava chegando perto do local indicado pelo mapa de Ferania e vi fumaça, proveniente de uma chaminé. Eu joguei o mapa fora e comecei a correr, pois sabia que estava perto.
O armazém era uma cabana mediana e antiga, provavelmente alguma casa de campo da família de Ferania. Ele era todo de madeira, com exceção da chaminé de pedra, provavelmente conectada a uma lareira. Havia luz dentro da cabana e corri até a porta.
Bati na porta com pressa e ouvi quando alguém se levantou de uma cadeira. Ouvi os passos se aproximando da porta, enquanto meu coração saltava acelerado.
- Algum problema Ferania? – Lucian perguntou ao abrir a porta, mas ficou calado ao me ver.
Ele segurava um livro em uma das mãos e ficou paralisado ao me ver. Seus olhos ficaram fixos nos meus e eu abri um sorriso enorme e saltei para ele abraçando-o com força.
- Lenneth? O que houve? Como chegou aqui? – Ele perguntou, mas eu só queria abraçá-lo e, mais devido às emoções do que a corrida, fiquei um tempo sem conseguir falar.
Então pensei que melhor do que palavras seriam atitudes.
Eu o beijei, um beijo longo e quente. De início ele pareceu surpreso, mas então soltou o livro e segurou minha cintura, beijando-me com vontade e carinho.
Não sei quanto tempo esse beijo durou, mas depois de um tempo nos soltamos e eu sorri, enquanto lágrimas desciam pelos meus olhos.
- Lenneth... Você é a garota daquela festa?! – Ele perguntou, a surpresa em seus olhos.
- Eu sou. – Eu consegui dizer e antes que ele pudesse falar algo, voltei a falar rapidamente. – Eu... Me perdoe pelo que fiz, mas daquela vez queria... Eu queria tê-lo para mim pelo menos uma vez. – Eu falei e ele ficou calado um tempo. – Você está irritado comigo?
- Não... Estou feliz. Lenneth, eu te amo. – Ele falou sorrindo para mim e me puxou para outro beijo, um pouco mais rápido que o anterior, mas ainda com muita vontade. Enquanto nos beijávamos, eu fechei a porta com o pé e senti quando ele me puxou para dentro da cabana, ainda abraçados e nos beijando.
- Eu te amo, Lucian. – Eu falei, entre beijos e o sentei na poltrona, sentando em seu colo, ainda nos beijando.
Sentia suas mãos nas minhas costas e não pude mais resistir.
Tirei a blusa que ele usava e depois deixei que ele tirasse a minha. Nos beijamos novamente, enquanto eu me deitava sobre ele no sofá.
A nossa primeira vez foi diante da lareira, com a neve caindo lá fora, enquanto nos entregávamos a um amor que levou anos para acontecer.
Friday, January 27, 2012
- Que horas são? – Parvati puxou o braço de Robbie e consultou seu relógio – Droga.
- O que foi? – ele puxou o braço de volta – O que tem de errado com 17h?
- Nada. Vejo vocês depois.
Parvati levantou da mesa sem dizer mais nada e saiu do salão principal sem sequer ter tocado no jantar. Por mais que tentasse disfarçar, estava ansiosa com a sessão de terapia sem a companhia de Ozzy. Não que ela pretendesse contar alguma coisa mais relevante ao psicólogo, mas a perspectiva de ficar uma hora sozinha com ele, sem um apoio, era preocupante.
Ozzy a alcançou antes que chegasse aos degraus da escada. Ele também estava preocupado. “Não vá contar nada que se arrependa depois”, ele lhe advertiu. Ela riu, nervosa, “Quem sabe ler mentes sou eu, me dê um pouco de crédito”. No entanto, nenhum dos dois estava convencido de que aquele dia ia terminar de maneira positiva. A caminhada até o escritório no quarto andar foi longa e silenciosa. Quando bateu a porta, ouviu a já familiar voz do Dr. Pace a mandando entrar. Recebeu-a com um sorriso alegre no rosto. “Claro, não é ele quem vai ser encurralado aqui dentro”, ela pensou ao sentar-se no sofá em sua frente, forçando um sorriso.
- Tudo bem, Parvati? Como está sendo a semana?
- As aulas estão um pouco puxadas, mas é o último ano, nada que não esperássemos.
- Ótimo. Antes de começarmos a sessão, preciso pedir que parasse de tentar penetrar minha mente – Martin Pace fitou Parvati, mas sua expressão não era zangada. Parecia estar se divertindo – Embora fique feliz em saber que é uma boa oclumente, devo alertá-la que sou um excelente legilimente. Não conseguirá ler nada.
- Desculpe. – ela disse sem graça.
- Sem problemas. Assunto esclarecido, vamos começar a sessão.
Ela o observou pegar uma pasta roxa da mesa e abrir, folheando suas páginas com atenção. Aquela pasta roxa não era um bom sinal. Além de conter anotações detalhadas sobre a vida acadêmica dos alunos, trazia péssimas recordações à Parvati. Fora por causa dela que uma cadeia de eventos catastróficos se sucedeu, terminando no acidente no último verão. Quando ele pareceu encontrar o que queria, voltou a encará-la.
- Estou com a sua ficha acadêmica nas mãos e devo dizer, estou impressionado. Já havia lido algumas coisas quando comecei a trabalhar com a turma do curso, mas dessa vez pedi a ficha completa e você tem um histórico e tanto.
- Obrigada? – ela deu de ombros e ele riu.
- Um extenso histórico de detenções, frequentemente causadas por implicar com outros alunos, mas muitas por insubordinação e desrespeito às regras, inúmeros relatos de brigas envolvendo você e Oscar... Devo acrescentar que fico até aliviado em ler que as brigas nunca chegaram ao nível físico, estava esperando pelo pior enquanto lia esse material.
- Nós não nos dávamos muito bem.
- E então tudo parou. O último relato de mau comportamento foi em junho do ano passado, pouco antes das férias. Nada depois disso, nem mesmo uma reclamação simples vinda de qualquer professor. O que mudou?
- Eu só... Sei lá, acho que percebi que era imatura e decidi mudar.
- Aqui também diz que você sofreu um acidente de carro no final de julho, onde as duas pessoas que estavam com você no carro faleceram.
- Não quero falar sobre isso, desculpe – disse na defensiva, recuando.
- Precisamos falar sobre isso, Parvati. Sabe por quê? Porque eu acho que foi isso que fez você mudar, e eu quero entender o motivo.
- Minha irmã e meu primo morreram. Isso não é motivo o suficiente pra você querer deixar de ser uma imbecil com as pessoas?
- Não, não é. Isso normalmente revolta ainda mais as pessoas, não as faz recuar. Gostaria que você me contasse o que aconteceu no dia do acidente. O que estava fazendo antes dele? Para onde estava indo quando o carro bateu?
Parvati abaixou a cabeça por um momento, incapaz de impedir que uma lágrima escorresse por seu rosto. Nunca havia conversado com ninguém sobre aquele dia, mas sabia que um dia teria que fazer isso e talvez aquela fosse a hora certa. Dr. Pace era um pessoa em quem ela sabia que podia confiar, mas se era para contar a história, precisaria começar com a confissão do roubo da pasta roxa.
Ele ouviu pacientemente ela contar tudo. Desde o dia em que roubou a pasta com a ajuda de Leonora, destruiu os documentos e foi quase expulsa, levando-a a conclusão de que Ozzy, o único a tê-las visto com a pasta, havia contado ao diretor. Contou também o que fez para vingar-se dele, mesmo sem provas de que havia sido ele o autor da denuncia, e o que aconteceu quando ele descobriu. Falar do dia do acidente, da discussão que a levou a sair de casa atordoada, foi mais difícil.
- Leve o tempo que precisar – disse lhe estendendo um copo com água – A discussão entre vocês ficou séria? – e ela assentiu, bebendo a água.
- Insultos foram ditos de ambos os lados. Ele estava fora de si, eu acabei me exaltando também e dissemos coisas que não devíamos.
- Como você se sentiu ouvindo as coisas que Oscar disse?
- Magoada. Ele estava com razão em ficar furioso e me ofender pra liberar a raiva, mas as palavras que ele disse me machucaram.
- Você se sentiria melhor se ele pedisse desculpas? – e ela assentiu novamente.
- Se nada disso tivesse acontecido, eu não teria saído de casa naquele estado e não teria batido com o carro. Se eu nunca tivesse interferido na entrevista dele com o time de Hóquei, minha irmã e meu primo ainda estariam aqui.
- Você se culpa pelo acidente? – mais uma vez ela assentiu, outra lágrima escorrendo antes que ela pudesse impedir – Tenho algo que gostaria que lesse.
Martin consultou a pasta roxa mais uma vez, mas demorou um pouco mais de tempo para encontrar o que procurava. Encontrou uma cópia de um relatório policial sobre o acidente e estendeu a ela, mas antes que pudesse ler o que ele dizia, ele se adiantou.
- Fique com essa cópia, mas quando a ler vai descobrir que o acidente não poderia ter sido evitado. Não importa quem estivesse ao volante, o carro ia se chocar.
- Como? – perguntou com a voz embargada pelo choro.
- A posição do carro na estrada e a maneira como o caminhão veio ao encontro dele só lhe dava duas opções para tentar desviar. Se jogasse o carro para a esquerda, ia capotar ao subir o barranco. Se jogasse ele pra direita, estaria o arremessando de um penhasco. Nenhuma das opções evitaria o choque, não importa se não estava atenta e não conseguiu evitar a colisão frontal. Não se culpe por algo que não poderia evitar.
Ela assentiu, ainda chorando, e levantou do sofá com a cópia do relatório na mão. Sua hora já havia acabado, mas a conversa, embora séria, fluiu tão bem que parecia ter passado apenas alguns minutos. Parvati se pegou desejando que tivesse mais um tempo com o psicólogo, mas precisava sair para dar a vez a Ozzy. Ele já estava esperando do lado de fora quando saiu e se assustou quando viu que a garota estava chorando.
- O que aconteceu? – perguntou preocupado
- Nada, está tudo bem. Ele está esperando você – ela respondeu sem estender o assunto, apertando o passo para sumir da vista dele.
Ozzy não teve tempo de dizer nada, pois a voz do psicólogo o convidou a entrar. Ele também reparou na pasta roxa em sua mão, mas diferente de Parvati, não se sentia intimidado por ela. Acomodou-se no sofá como de costume, um pouco mais desconfortável do que das outras vezes.
- Oscar Lusth... – Martin olhou da ficha para ele e sorriu – Seu histórico é muito bom. Salvo uma detenção ou outra por brigas nos jogos de Hóquei ou uma brincadeira de mau gosto, seu saldo é positivo. Aluno exemplar, notas excelentes, atleta dedicado. O único saldo negativo no histórico são os extensivos relatos de brigas entre você e Parvati.
- É, a gente não se dava muito bem até o ano passado.
- Aqui diz que as brigas começaram de uma hora pra outra a dois anos atrás, e da mesma forma acabaram – Ozzy deu de ombros, rindo – Pode me dizer o motivo?
- Nós passamos por muitas coisas nas férias, perdemos pessoas que amávamos e isso faz a gente repensar nossas escolhas.
- Então o acidente foi o motivo? Conte-me o que aconteceu naquele dia. Você e Parvati discutiram, não é?
- Você perguntou isso a ela? Por isso ela saiu chorando?
- Não estamos aqui pra falar dela. Quero ouvir o seu lado da história.
- Não gosto de lembrar daquele dia. Foi minha culpa o que aconteceu.
- Você fala da discussão? Parvati saiu de casa nervosa porque discutiram?
- Não... Olha doutor, é complicado. Não posso falar sobre isso.
- Tente descomplicar então. Não estou aqui para julgar ninguém.
- Não é questão de julgar. Você tem o poder de me colocar em uma camisa de força, não vou lhe dar material pra isso.
- O que está acontecendo, Oscar? – Martin percebeu que, o que quer que estivesse acontecendo, era mais sério do que ele julgava – Estou aqui para ajudar, mas se você não começar a ser honesto comigo, não vou poder fazer isso.
Ozzy considerou por um momento. Era loucura contar a verdade, gente demais já sabia dela e mais um poderia fazer tudo sair do controle, mas por outro lado ele sabia que podia confiar no Dr. Pace.
- Tudo que for dito aqui...
- Não sairá dessa sala. Não posso discutir o que é dito aqui com outras pessoas, é antiético.
- Certo. A história vai parecer maluca, mas não é.
- Estou ouvindo.
E ele lhe contou toda a história. Começou com a acusação falsa de Parvati sobre tê-la denunciado ao diretor e de como isso o fez perder a vaga que sempre sonhou no time de Hóquei que é fã. Contou da discussão e de como, minutos depois de Parvati ter saído de casa, encontrou o carro capotado na estrada. E então Ozzy o encarou, e começou a contar a história da sua família. Achava que ele não acreditaria, mas logo percebeu que não estava se passando por louco. Martin ouvia atentamente, assentindo sem dizer nada, como se aquela história não fosse tão surpreendente assim. Ozzy interrompeu a narração quando voltou à parte onde encontraram os corpos no local do acidente.
- Já havia ouvido falar das famílias de Imortais, mas nunca havia conhecido um.
- Não acha que sou louco?
- Não, claro que não. Não esperava que fosse ouvir isso, mas sei que está dizendo a verdade.
- Que bom, porque a história não acabou. Quando nós chegamos lá, estavam todos mortos. Todos, inclusive a Parvati. O processo de imortalizarão só funciona porque conseguimos trazer a alma de volta, mas se ela já tiver feito a travessia não funciona. Jack e Alexis não estavam mais lá, mas Parvati não foi embora.
- E vocês a trouxeram de volta? – Ozzy assentiu – Isso significa que ela também é como você? – ele assentiu novamente e Martin encostou no sofá – Uau.
- Oleg sabia como fazer, mas eu dei a idéia. Entrei em desespero, estava me sentindo culpado e precisava fazer alguma coisa.
- Por que você estava se sentindo culpado?
- Porque eu disse a ela pra bater com o carro. Quando Parvati estava saindo, disse a ela que estaria fazendo um favor se batesse com ele.
- Oscar, não é só porque desejou que algo acontecesse que a culpa é sua.
- Você não entende. Todo Imortal tem uma espécie de habilidade. A minha é ler mentes, mas posso fazer muito mais que isso. Eu consigo manipulá-las. Eu não tinha a intenção de manipulá-la, mas estava tão nervoso que posso ter feito sem querer.
Martin entregou a ele outra cópia do relatório policial, o mesmo que havia dado a Parvati. Ozzy leu com atenção, mas ele sabia pela sua expressão que ainda não estava convencido. Não importa o que digam, ele sempre carregará consigo aquela duvida. E infelizmente aquilo era algo que ninguém poderia ajudar. Para se livrar da culpa, ele teria que encontrar o caminho sozinho.
- Vamos falar sobre o motivo da briga antes do acidente. Você disse que Parvati interferiu em uma entrevista que estava esperando.
- Ela destruiu meu sonho. Jogar pelo Vancouver Cannucks era algo que eu sonhava desde criança e aquela oportunidade era única.
- Vocês já conversaram sobre isso? – ele assentiu, sem encarar o psicólogo – E você a perdoou por isso?
- Sim... Não, na verdade não. Disse a ela que estava tudo bem, que já tinha esquecido, mas era mentira.
- E por que mentiu pra ela?
- Porque não queria falar sobre isso. Foi mais fácil dizer que já estava esquecido.
- Você sabe que vão precisar conversar sobre isso, não sabe?
- Sim, eu sei, mas ainda não estou pronto para perdoá-la. Não estou com raiva nem quero me vingar, estamos nos dando bem agora, só não consigo perdoar ainda. Isso me magoou muito.
- Um passo para você encontrar uma maneira de perdoá-la é ser honesto com ela. Parvati precisa entender as conseqüências de seus atos e saber como você se sente é importante – ele abaixou a cabeça sem responder, mas acabou assentindo – Façamos assim: se você quiser conversar com ela por conta própria sobre isso, faça. Se não quiser, na próxima sessão nós três faremos isso, juntos. Vou ajudá-los se quiserem, mas fica a seu critério.
Ozzy concordou e prometeu pensar se ia conversar com ela sozinho ou esperar pela próxima sessão, mas no fundo ele sabia que não teria coragem de puxar o assunto. Tudo era mais fácil de ser dito nas sessões, então Dr. Pace teria que fazer isso por ele. Pela primeira vez ele iria para a terapia sabendo exatamente o que esperar, mas a perspectiva era ainda menos animadora.
- O que foi? – ele puxou o braço de volta – O que tem de errado com 17h?
- Nada. Vejo vocês depois.
Parvati levantou da mesa sem dizer mais nada e saiu do salão principal sem sequer ter tocado no jantar. Por mais que tentasse disfarçar, estava ansiosa com a sessão de terapia sem a companhia de Ozzy. Não que ela pretendesse contar alguma coisa mais relevante ao psicólogo, mas a perspectiva de ficar uma hora sozinha com ele, sem um apoio, era preocupante.
Ozzy a alcançou antes que chegasse aos degraus da escada. Ele também estava preocupado. “Não vá contar nada que se arrependa depois”, ele lhe advertiu. Ela riu, nervosa, “Quem sabe ler mentes sou eu, me dê um pouco de crédito”. No entanto, nenhum dos dois estava convencido de que aquele dia ia terminar de maneira positiva. A caminhada até o escritório no quarto andar foi longa e silenciosa. Quando bateu a porta, ouviu a já familiar voz do Dr. Pace a mandando entrar. Recebeu-a com um sorriso alegre no rosto. “Claro, não é ele quem vai ser encurralado aqui dentro”, ela pensou ao sentar-se no sofá em sua frente, forçando um sorriso.
- Tudo bem, Parvati? Como está sendo a semana?
- As aulas estão um pouco puxadas, mas é o último ano, nada que não esperássemos.
- Ótimo. Antes de começarmos a sessão, preciso pedir que parasse de tentar penetrar minha mente – Martin Pace fitou Parvati, mas sua expressão não era zangada. Parecia estar se divertindo – Embora fique feliz em saber que é uma boa oclumente, devo alertá-la que sou um excelente legilimente. Não conseguirá ler nada.
- Desculpe. – ela disse sem graça.
- Sem problemas. Assunto esclarecido, vamos começar a sessão.
Ela o observou pegar uma pasta roxa da mesa e abrir, folheando suas páginas com atenção. Aquela pasta roxa não era um bom sinal. Além de conter anotações detalhadas sobre a vida acadêmica dos alunos, trazia péssimas recordações à Parvati. Fora por causa dela que uma cadeia de eventos catastróficos se sucedeu, terminando no acidente no último verão. Quando ele pareceu encontrar o que queria, voltou a encará-la.
- Estou com a sua ficha acadêmica nas mãos e devo dizer, estou impressionado. Já havia lido algumas coisas quando comecei a trabalhar com a turma do curso, mas dessa vez pedi a ficha completa e você tem um histórico e tanto.
- Obrigada? – ela deu de ombros e ele riu.
- Um extenso histórico de detenções, frequentemente causadas por implicar com outros alunos, mas muitas por insubordinação e desrespeito às regras, inúmeros relatos de brigas envolvendo você e Oscar... Devo acrescentar que fico até aliviado em ler que as brigas nunca chegaram ao nível físico, estava esperando pelo pior enquanto lia esse material.
- Nós não nos dávamos muito bem.
- E então tudo parou. O último relato de mau comportamento foi em junho do ano passado, pouco antes das férias. Nada depois disso, nem mesmo uma reclamação simples vinda de qualquer professor. O que mudou?
- Eu só... Sei lá, acho que percebi que era imatura e decidi mudar.
- Aqui também diz que você sofreu um acidente de carro no final de julho, onde as duas pessoas que estavam com você no carro faleceram.
- Não quero falar sobre isso, desculpe – disse na defensiva, recuando.
- Precisamos falar sobre isso, Parvati. Sabe por quê? Porque eu acho que foi isso que fez você mudar, e eu quero entender o motivo.
- Minha irmã e meu primo morreram. Isso não é motivo o suficiente pra você querer deixar de ser uma imbecil com as pessoas?
- Não, não é. Isso normalmente revolta ainda mais as pessoas, não as faz recuar. Gostaria que você me contasse o que aconteceu no dia do acidente. O que estava fazendo antes dele? Para onde estava indo quando o carro bateu?
Parvati abaixou a cabeça por um momento, incapaz de impedir que uma lágrima escorresse por seu rosto. Nunca havia conversado com ninguém sobre aquele dia, mas sabia que um dia teria que fazer isso e talvez aquela fosse a hora certa. Dr. Pace era um pessoa em quem ela sabia que podia confiar, mas se era para contar a história, precisaria começar com a confissão do roubo da pasta roxa.
Ele ouviu pacientemente ela contar tudo. Desde o dia em que roubou a pasta com a ajuda de Leonora, destruiu os documentos e foi quase expulsa, levando-a a conclusão de que Ozzy, o único a tê-las visto com a pasta, havia contado ao diretor. Contou também o que fez para vingar-se dele, mesmo sem provas de que havia sido ele o autor da denuncia, e o que aconteceu quando ele descobriu. Falar do dia do acidente, da discussão que a levou a sair de casa atordoada, foi mais difícil.
- Leve o tempo que precisar – disse lhe estendendo um copo com água – A discussão entre vocês ficou séria? – e ela assentiu, bebendo a água.
- Insultos foram ditos de ambos os lados. Ele estava fora de si, eu acabei me exaltando também e dissemos coisas que não devíamos.
- Como você se sentiu ouvindo as coisas que Oscar disse?
- Magoada. Ele estava com razão em ficar furioso e me ofender pra liberar a raiva, mas as palavras que ele disse me machucaram.
- Você se sentiria melhor se ele pedisse desculpas? – e ela assentiu novamente.
- Se nada disso tivesse acontecido, eu não teria saído de casa naquele estado e não teria batido com o carro. Se eu nunca tivesse interferido na entrevista dele com o time de Hóquei, minha irmã e meu primo ainda estariam aqui.
- Você se culpa pelo acidente? – mais uma vez ela assentiu, outra lágrima escorrendo antes que ela pudesse impedir – Tenho algo que gostaria que lesse.
Martin consultou a pasta roxa mais uma vez, mas demorou um pouco mais de tempo para encontrar o que procurava. Encontrou uma cópia de um relatório policial sobre o acidente e estendeu a ela, mas antes que pudesse ler o que ele dizia, ele se adiantou.
- Fique com essa cópia, mas quando a ler vai descobrir que o acidente não poderia ter sido evitado. Não importa quem estivesse ao volante, o carro ia se chocar.
- Como? – perguntou com a voz embargada pelo choro.
- A posição do carro na estrada e a maneira como o caminhão veio ao encontro dele só lhe dava duas opções para tentar desviar. Se jogasse o carro para a esquerda, ia capotar ao subir o barranco. Se jogasse ele pra direita, estaria o arremessando de um penhasco. Nenhuma das opções evitaria o choque, não importa se não estava atenta e não conseguiu evitar a colisão frontal. Não se culpe por algo que não poderia evitar.
Ela assentiu, ainda chorando, e levantou do sofá com a cópia do relatório na mão. Sua hora já havia acabado, mas a conversa, embora séria, fluiu tão bem que parecia ter passado apenas alguns minutos. Parvati se pegou desejando que tivesse mais um tempo com o psicólogo, mas precisava sair para dar a vez a Ozzy. Ele já estava esperando do lado de fora quando saiu e se assustou quando viu que a garota estava chorando.
- O que aconteceu? – perguntou preocupado
- Nada, está tudo bem. Ele está esperando você – ela respondeu sem estender o assunto, apertando o passo para sumir da vista dele.
Ozzy não teve tempo de dizer nada, pois a voz do psicólogo o convidou a entrar. Ele também reparou na pasta roxa em sua mão, mas diferente de Parvati, não se sentia intimidado por ela. Acomodou-se no sofá como de costume, um pouco mais desconfortável do que das outras vezes.
- Oscar Lusth... – Martin olhou da ficha para ele e sorriu – Seu histórico é muito bom. Salvo uma detenção ou outra por brigas nos jogos de Hóquei ou uma brincadeira de mau gosto, seu saldo é positivo. Aluno exemplar, notas excelentes, atleta dedicado. O único saldo negativo no histórico são os extensivos relatos de brigas entre você e Parvati.
- É, a gente não se dava muito bem até o ano passado.
- Aqui diz que as brigas começaram de uma hora pra outra a dois anos atrás, e da mesma forma acabaram – Ozzy deu de ombros, rindo – Pode me dizer o motivo?
- Nós passamos por muitas coisas nas férias, perdemos pessoas que amávamos e isso faz a gente repensar nossas escolhas.
- Então o acidente foi o motivo? Conte-me o que aconteceu naquele dia. Você e Parvati discutiram, não é?
- Você perguntou isso a ela? Por isso ela saiu chorando?
- Não estamos aqui pra falar dela. Quero ouvir o seu lado da história.
- Não gosto de lembrar daquele dia. Foi minha culpa o que aconteceu.
- Você fala da discussão? Parvati saiu de casa nervosa porque discutiram?
- Não... Olha doutor, é complicado. Não posso falar sobre isso.
- Tente descomplicar então. Não estou aqui para julgar ninguém.
- Não é questão de julgar. Você tem o poder de me colocar em uma camisa de força, não vou lhe dar material pra isso.
- O que está acontecendo, Oscar? – Martin percebeu que, o que quer que estivesse acontecendo, era mais sério do que ele julgava – Estou aqui para ajudar, mas se você não começar a ser honesto comigo, não vou poder fazer isso.
Ozzy considerou por um momento. Era loucura contar a verdade, gente demais já sabia dela e mais um poderia fazer tudo sair do controle, mas por outro lado ele sabia que podia confiar no Dr. Pace.
- Tudo que for dito aqui...
- Não sairá dessa sala. Não posso discutir o que é dito aqui com outras pessoas, é antiético.
- Certo. A história vai parecer maluca, mas não é.
- Estou ouvindo.
E ele lhe contou toda a história. Começou com a acusação falsa de Parvati sobre tê-la denunciado ao diretor e de como isso o fez perder a vaga que sempre sonhou no time de Hóquei que é fã. Contou da discussão e de como, minutos depois de Parvati ter saído de casa, encontrou o carro capotado na estrada. E então Ozzy o encarou, e começou a contar a história da sua família. Achava que ele não acreditaria, mas logo percebeu que não estava se passando por louco. Martin ouvia atentamente, assentindo sem dizer nada, como se aquela história não fosse tão surpreendente assim. Ozzy interrompeu a narração quando voltou à parte onde encontraram os corpos no local do acidente.
- Já havia ouvido falar das famílias de Imortais, mas nunca havia conhecido um.
- Não acha que sou louco?
- Não, claro que não. Não esperava que fosse ouvir isso, mas sei que está dizendo a verdade.
- Que bom, porque a história não acabou. Quando nós chegamos lá, estavam todos mortos. Todos, inclusive a Parvati. O processo de imortalizarão só funciona porque conseguimos trazer a alma de volta, mas se ela já tiver feito a travessia não funciona. Jack e Alexis não estavam mais lá, mas Parvati não foi embora.
- E vocês a trouxeram de volta? – Ozzy assentiu – Isso significa que ela também é como você? – ele assentiu novamente e Martin encostou no sofá – Uau.
- Oleg sabia como fazer, mas eu dei a idéia. Entrei em desespero, estava me sentindo culpado e precisava fazer alguma coisa.
- Por que você estava se sentindo culpado?
- Porque eu disse a ela pra bater com o carro. Quando Parvati estava saindo, disse a ela que estaria fazendo um favor se batesse com ele.
- Oscar, não é só porque desejou que algo acontecesse que a culpa é sua.
- Você não entende. Todo Imortal tem uma espécie de habilidade. A minha é ler mentes, mas posso fazer muito mais que isso. Eu consigo manipulá-las. Eu não tinha a intenção de manipulá-la, mas estava tão nervoso que posso ter feito sem querer.
Martin entregou a ele outra cópia do relatório policial, o mesmo que havia dado a Parvati. Ozzy leu com atenção, mas ele sabia pela sua expressão que ainda não estava convencido. Não importa o que digam, ele sempre carregará consigo aquela duvida. E infelizmente aquilo era algo que ninguém poderia ajudar. Para se livrar da culpa, ele teria que encontrar o caminho sozinho.
- Vamos falar sobre o motivo da briga antes do acidente. Você disse que Parvati interferiu em uma entrevista que estava esperando.
- Ela destruiu meu sonho. Jogar pelo Vancouver Cannucks era algo que eu sonhava desde criança e aquela oportunidade era única.
- Vocês já conversaram sobre isso? – ele assentiu, sem encarar o psicólogo – E você a perdoou por isso?
- Sim... Não, na verdade não. Disse a ela que estava tudo bem, que já tinha esquecido, mas era mentira.
- E por que mentiu pra ela?
- Porque não queria falar sobre isso. Foi mais fácil dizer que já estava esquecido.
- Você sabe que vão precisar conversar sobre isso, não sabe?
- Sim, eu sei, mas ainda não estou pronto para perdoá-la. Não estou com raiva nem quero me vingar, estamos nos dando bem agora, só não consigo perdoar ainda. Isso me magoou muito.
- Um passo para você encontrar uma maneira de perdoá-la é ser honesto com ela. Parvati precisa entender as conseqüências de seus atos e saber como você se sente é importante – ele abaixou a cabeça sem responder, mas acabou assentindo – Façamos assim: se você quiser conversar com ela por conta própria sobre isso, faça. Se não quiser, na próxima sessão nós três faremos isso, juntos. Vou ajudá-los se quiserem, mas fica a seu critério.
Ozzy concordou e prometeu pensar se ia conversar com ela sozinho ou esperar pela próxima sessão, mas no fundo ele sabia que não teria coragem de puxar o assunto. Tudo era mais fácil de ser dito nas sessões, então Dr. Pace teria que fazer isso por ele. Pela primeira vez ele iria para a terapia sabendo exatamente o que esperar, mas a perspectiva era ainda menos animadora.
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