Monday, January 28, 2008
- É.
- Karkaroff nem olha para ela, deveria estar comemorando. - Max insistiu.
Max observou calado o amigo por um tempo, e perguntou chocado:
- Ah não... Não me diga que você está gostando dela?
- Não vou dizer... – foi a resposta de Luka e ficou olhando para a garota loira que conversava com as amigas do outro lado do salão principal.
- Vocês não têm nada a ver um com o outro. – comentou Max.
- Mas poderia dar certo, pelo menos por um tempo... Não dizem que os opostos se atraem?
- Definitivamente você está com problemas mentais depois daqueles balaços.
Nesta hora duas garotas da Mannaz passaram por perto, sorriram para eles e continuaram seu caminho. Luka olhou para Max e disse:
- Mas só vou testar esta teoria amanhã. - e ambos riram enquanto iam atrás das garotas.
...E numa arriscada manobra, Kovac da Ansuz, pega o pomo bem debaixo do nariz do apanhador da Mannaz, encerrando a partida: Mannaz 190, Ansuz vitoriosa por 200...
Ecoavam as palavras do locutor enquanto eu dava uma volta pelo campo de braço erguido segurando o pomo de ouro, não demorou desci e no meio do campo o time comemorava. Luka se aproximou e me abraçou junto com os outros, em dado momento sussurrou ao meu ouvido:
- Precisamos comemorar, só nós dois. - E eu respondi baixo:
- Só em seus sonhos. – e ele riu cínico, enquanto recebíamos tapas nas costas dos companheiros de time.
Quando cheguei à república com minhas amigas, havia uma coruja com um ramo de flores lilás me esperando. Não precisava ser gênio para saber quem as havia mandado e acabei sorrindo quando as coloquei num vaso perto de minha cama.
- O que vamos fazer este fim de semana?- perguntou Vina.
- Estudar? Os NIEMS estão chegando... - respondeu Nina olhando para suas anotações sem reparar em nossas caretas de desgosto. Annia disse:
- Eu não vou estar aqui este fim de semana... - ficou vermelha e Evie perguntou fingindo inocência:
- O que você vai fazer que seja mais interessante que estudar como fazer a pedra filosofal conosco??
- Vou passear com John, ele esta vindo para cá e vai ficar na Spartacus. – rimos e nesta hora uma menina do primeiro ano bateu na nossa porta, avisando que eu tinha visitas.
Desci e encontrei Luka com as mãos nos bolsos olhando pela janela:
- Hã... Oi? - cumprimentei e ele se virou com uma cara séria. Já o conhecia o bastante para saber que algo estava acontecendo e perguntei:
- Aconteceu alguma coisa??
- Podemos dar uma volta? – assenti e peguei um casaco para sairmos. Após algum tempo chegamos numa praça do vilarejo e nos sentamos enquanto ele olhava para frente e começou a falar:
- Briguei com meu pai, pela lareira. - explicou.
- Vocês dois sempre discutiram, não pode ser tão sério. Ele ficou bem não? - e um sorriso irônico se formou em sua boca quando respondeu:
- Ele sempre fica bem. Ele quer que eu saia do time principal.
- Mas por quê? Ele sabe que você quer ser jogador de quadribol e isso é importante para você. – respondi.
- Sim, por ser importante para mim ele quer que eu saia. Ele diz que isso vai me fazer perder um tempo valioso, quando poderia estar aprendendo a gerir os negócios da família. Disse que posso ficar no time da escola, porque seria... Como foram as palavras dele:
“Conquistas escolares sempre contam pontos na sociedade”.
- Vocês precisam conversar. – disse simplesmente.
- Ele não vai me ouvir, vai impor sua vontade. Sabe... Algumas vezes penso em fazer como Irina. Arrumar algum trabalho longe de casa apenas para não ficar sob as ordens dele. Porque é só isso o que recebemos dele. Ordens. - disse de cabeça baixa.
Não pude deixar de reconhecer que Luka tinha razão. Tio Mikhail sempre foi autoritário e mesmo quando nos reuníamos, não notava nele, o mesmo carinho com os filhos, que caracterizava meu pai. Era sempre distante e exibia um ar arrogante, como se nos olhasse de cima, só relaxava um pouco quando ele e meu pai começavam a contar coisas de seu tempo de escola, mas quando se falava sobre tia Nadja, ele voltava a ficar sério.
Em uma conversa de meus pais que eu havia ouvido sem querer, papai dizia que a incapacidade de Mikhail para demonstrar amor pelos filhos, o levaria a ficar sozinho, tendo apenas os frios galeões como companhia. Isso era muito triste.
Aproximei-me de Luka e sem que ele pedisse, o abracei. Achei que era o que ele precisava no momento. Ficamos algum tempo assim, e quando começamos a nos afastar, Luka disse:
- Porque veio quando pedi?
- Somos amigos, era o mínimo que poderia fazer. – respondi notando como suas pupilas se dilatavam ao me olhar tão de perto. Bem devagar, ele foi se aproximando e eu fechei meus olhos, quando começamos a nos beijar, mas eu rompi o contato dizendo:
- Está na hora de irmos embora, Luka. Tenho que estudar e você já me parece melhor.
- Porque você não fica comigo Milla?
- Não quero ser mais um troféu na sua coleção.
- Não seria assim, é diferente o que sinto por você.
- Como seria diferente? Sou capaz de dizer o nome de pelo menos duas garotas que saíram com você nestes últimos dias. Isso sem me esforçar muito. Você não leva ninguém a sério. - respondi.
- Você gosta de mim. E está com medo do que os outros possam dizer. - ele disse presunçoso, e me puxou mais para perto.
- Não gosto não... Eu não tenho medo de fofocas. Solte-me Luka, ou sou capaz de arranhar esta sua cara bonita, para demonstrar o quanto “gosto” de você. - disse começando a me irritar.
- Se não gosta nem um pouco de mim, está tremendo porque??
- Não estou tremendo. – menti e me forcei a relaxar. Ele após me olhar nos olhos me soltou bem devagar, dizendo:
- Gostaria que pensasse em nós.
- Não há “nós”.
- Mas pode haver. É só você deixar de ser cabeça dura.
- Eu é que sou cabeça dura?? Você que fica insistindo em bancar o conquistador barato, mandando flores, cartinhas melosas e o pior: bregas...
- Cartinhas bregas??? Elas não são bregas! Saiba que são palavras bonitas que escolho para você, achei que você gostasse. - ele disse indignado.
- Pois saiba que não gosto, e está perdendo o seu tempo e o meu. E algumas coisas são bregas sim. Só falta aparecer por lá o poema da batatinha quando nasce. – espetei.
- Ah é?? Então não mandarei mais nada. - disse cruzando os braços em frente do peito.
- Não mande. - disse repetindo o gesto e olhando-o feio, não queria deixá-lo com a última palavra. Após no encararmos por algum tempo, comecei a me virar para ir embora, dei alguns passos e ele disse alto:
- Milla... Obrigado por me ouvir. - virei-me para ele e dei de ombros.
Voltei para a república pensando em suas palavras e me convenci de que por mais que tentássemos nunca daria certo. Somos muito diferentes.
Thursday, January 17, 2008
- Ty você ta com algum problema?
- Hã? Não por quê???
- porque você esta batendo os pés a mais de 10 minutos e embora não seja normal, eu quero estudar. .
- Estou entediado...
- Pegue um livro. Coma uma fruta, faça um tricô... Mas pára com este barulho.
Após alguns segundos e uns suspiros...
- Estou realmente entediado... Até os patetas parecem estar se divertindo... –disse olhando pela janela, quando Micah fechou o livro e disse:
- Ok, o seu tédio me contagiou. O que vamos fazer?
E um sorriso se apoderou de Ty, enquanto abria o malão e ia tirando todo tipo de coisas de lá de dentro, e parou quando encontrou um saco pequeno:
- Já que eles gostam de ser alegres... Vamos dar motivo de alegria para eles. - e mostrou o conteúdo para Micah junto com um folheto.
- Cara, chego a ter medo quando você faz este ar maníaco sabe? Isso pega. – e começaram a rir.
Eu tinha uma poção das gemialidades Weasley chamada “Verdade instantânea” por apenas 5 minutos, você terá a verdade despejada aos seus pés. Perigo: os efeitos colaterais variam de dores de cabeça a pedidos de divórcio. Resultado garantido ou peça desconto na próxima compra.
Como achei aquilo engraçado, optei por jogar no meu malão, quem sabe em algum momento ela poderia ser útil. Peguei a poção e junto com Micah acrescentamos uns cogumelos alucinógenos que encontramos na nossa exploração à floresta, a mistura adquiriu uma cor laranja forte e foi o melhor meio de misturar ao suco de abóbora servido no café da manhã. Pela quantidade de poção, o efeito duraria apenas um ou dois minutos, mas o suficiente para darmos boas risadas. Fomos até a cozinha e enquanto Micah fazia mil perguntas aos elfos, eu joguei a poção no enorme caldeirão que usavam para fazer o suco. Voltamos para o salão e começamos a comer, para disfarçar. Logo Luka, Max e Chris chegaram e sentaram enchendo seus copos de sucos e continuaram a conversar e nos ignoraram, Micah e eu nos olhávamos em expectativa e nada. De repente as garotas chegaram e antes que falássemos alguma coisa, os rapazes empurraram seus copos com suco para elas, e se serviram de outros. Em Durmstrang quando uma jarra de suco vai chegando ao final, basta bater com a colher na mesma que ela se enche sozinha. Até tentei pegar a jarra para não aumentar o estrago, mas um cara do sétimo ano a pegou e distribuiu pros amigos. Não demorou muito e o efeito da poção se tornou visível por vários lugares do salão.
- Te amo Stanley... - gritou um garoto do 5° ano e sua resposta foi ouvida logo:
- Também te amo Viggo... - e caímos na risada quando ouvimos a resposta do garoto do 6º ano, enquanto os dois corriam para se abraçar e algumas meninas os olhavam chocadas, afinal eles eram “pegadores”.
- Estou com ódio deste exercício... Parece o Parker. Vou rasgá-lo depois de aperta-lo bem lentamente... - disse Nina e Annia tomou o papel da mão dela:
- Eu gosto dele, é tão cheio de números... Oi papel, você é bonito. Sim, tô falando com você, bonitão.
- É... Quem precisa de Aritmancia? Aquilo é um porre. – e Evie subiu na mesa gritando:
- Abaixo a Aritmancia! Abaixo os professores que nos oprimem... Abaixo avôs intransigentes... - e Annia estava picando o pergaminho em pedacinhos com os olhos vidrados:
- Bem me quer, mal me quer, bem me quer... Sim, sim John me quer e como quer... - e soltava risadinhas histéricas, enquanto ficava vermelha:
Vina depois de segurar a cabeça como se tivesse recebido um balaço e estremecer como se estivesse possuída, gritava a plenos pulmões em um lugar mais alto:
- Estou curada! Vejam eu estou curada de todos os males visíveis e invisíveis. Aleluia! Hare Krishna, Guti, guti. - e jogava para o alto seus comprimidos coloridos como se fossem confete.
Milla chorava e ria ao mesmo, e parecia apaixonada pelo mundo:
- Luka sabe que eu te amo? Você é tão bonito... Iago, você é tão forte... Quero você também... Vamos formar um trio? Hey, professor Skoblar, tem lugar pra você também, você é muito gato. Miau! – e fazia barulhos como um gato ronronando, e mostrando as garras. Iago tinha lágrimas nos olhos de riso, mas procurava ajudar ao professor de DCAT que tentava tira-las de cima da mesa.
Um garoto do sétimo ano, agarrou a professora Mariska e ela tentava solta-lo sem machuca-lo mas ele aprecia um polvo, e falava coisas melosas:
- Mira, você é a mulher da minha vida... Vamos embora meu amor, sei que você me ama e que nosso amor é incompreendido, mas eu serei seu cavaleiro de armadura reluzente... e começou a cantar alto uma musica criada por ele:
' Você me amaaaaaaaaa, você me queeerrrrrrrr, só eu te chamo de meu amorrrrr... ' o salão ao ouvir aquela musica bizarra explodiu em gargalhadas e a professora ficava cada vez mais irritada com as tentativas do polvo em segura-la ate que lançou um feitiço do corpo preso nele.
Os três patetas resolveram soltar os bichos e era engraçado os vermos imitando macacos, com direito a briga por bananas imaginárias. Logo jogavam comida uns nos outros.
Max teve seu momento cérebro e gritou levantando a camisa:
- Nós vamos dominar o mundo. ´Somos os maiorais, ousem nos enfrentar escória”.Rátátátátá! - devia estar com uma metralhadora imaginaria na mão.
Luka parecia estar em outra dimensão, pois ficava dizendo:
- Vim em paz volcanos... A paz do universo será mantida... Sim capitão Kirk, o senhor é muito bom... É o meu herói. **
De repente um garoto do primeiro ano começou a engasgar e pareceu perder o ar. Olhei para Micah e nos aproximamos dele que ia ficando arroxeado:
- O que ele tem?? Não sei...
- Garoto o que foi que ele bebeu??
- Ele bebeu o suco de abóbora como todo mundo.
- Ele tem alguma alergia?
- Tem a cogumelos...
Não pensamos muito. Seguramos o garoto um de cada lado e o levamos para a enfermaria. Ao chegar já fomos dizendo:
- Cogumelos alucinógenos.
A enfermeira, rapidamente o recolheu nós voltamos para o salão a tempo de ver os três patetas imitando os macacos do ‘não vejo, não ouço e não falo’.
Poderíamos ate rir, se o diretor da escola não marchasse decidido em nossa direção e junto dele o professor de educação física.
- Minha sala senhores. Agora!
- Vocês têm algo a nos dizer senhores McGregor e Wade?
- A escola está transbordando de amor hoje?- respondeu Micah e eu tossi para disfarçar uma risada e fiquei calado.
- Rapazes, sei que é divertido pregar peças nos colegas, mas vocês foram longe demais. Podiam ter matado um aluno.
- Há alguma prova contra nós senhor? Ou o senhor está especulando?- perguntei.
- Os elfos disseram que os viram na cozinha, esta manhã.
- Muita gente freqüenta a cozinha, afinal lá tem comida. - respondi e vi uma veiazinha azulada pulsar na testa do diretor e ele disse:
- E já que a ficha pregressa de vocês é cheia de anotações e vocês não estão negando, presumo que meu palpite esteja certo. Agora preciso pensar em uma detenção bem “animada” para vocês. Afinal todos precisam de diversão não? Alguma sugestão Maddox? – e vi o olhar astuto do professor:
- Deixe a detenção deles sob minha responsabilidade, diretor. Garanto que será uma boa punição. - e após o diretor concordar saímos da sala acompanhados pelo professor que disse:
- McGregor, Wade. Quero vocês no campo de trancabola, após o treino.
- Eu vou poder treinar?- perguntou Micah.
- Claro que vai meu jovem, e saiba vou exigir muito de você. Quero a roupa bem suja.
- Eu tenho treino de quadribol.- disse esperançoso.
- Eu sei McGregor, vai terminar no mesmo horário que o do time de trancabola, portanto anda de atrasos.
Vimos quando ele falou com o capitão do time da minha casa e com alguns jogadores do time de trancabola. E nenhum deles ousou nos contar o que ele havia dito. E as meninas ficaram de bico conosco o restante do dia, mas não era nossa culpa se elas têm fantasias estranhas e uma poçãozinha de nada as tira do sério, não é?
Após o treino daquela noite, encontrei Micah e o professor Maddox nos esperava com um olhar matreiro no rosto. Fez um sinal e o acompanhamos. Entramos no castelo, numa parte próxima da cozinha e vimos tachos enormes com água quente, varais de roupas e elfos correndo de lá para cá. Um dele, que parecia ser o encarregado se aproximou e nos levou para uma área mais afastada. Onde havia alguns tanques e o professor nos olhou:
- Hoje vocês lavarão os uniformes dos times de quadribol e de trancabola, e garanto senhores será inesquecível. Só poderão sair depois que tiverem lavado tudo.
E nos deixou lá olhando um para o outro.De repente uma portinha no teto se abriu e as roupas começaram a cair, e o que logo sentimos foi o fedor, aquele cheiro de suor de homem que não conhece água e sabão.
- De onde tiraram isso? É cheiro de gambá e cachorro morto. - disse Micah, segurando uma onda de náusea.
- Como podem feder tanto? Parece que nenhum deles toma banho há anos. E olha este barro grudado nas vestes... Tavam no chiqueiro? - resmunguei.
Após um longo tempo, ouvimos a porta se abrir e vozes conhecidas chegaram até nós:
- Olha aqui Ty, precisa de um uniforme de criada. (e jogou um uniforme preto com rendas trouxa). Acho que vou chamá-lo de Anastácia... Não sei o nome da gata borralheira. - disse Annia e riram.
- Guarde-o Annia, se a saia for bem curta pode deixar John doidinho.- rimos quando ela me mostrou a língua.
- Micah, vou contratar seus serviços de doméstica, sabe que fica uma gracinha?- provocou Evie e Micah respondeu:
- Só se fizer parte do trabalho dormir com a patroa. - e rimos porque Evie ficou vermelha e resmungou:
- Idiota.
Vina tapava o nariz e dizia:
- Depois vocês vão demorar uma semana para se desinfetar, que lugarzinho mais cheio de bactérias. - e ameacei encostar a mão nela que se afastou soltando gritinhos. Milla nos olhava rindo e eu disse:
- Já afiou as garras tigresa? Rrraaauuuuu. - e Milla após me olhar de olhos franzidos deu risada respondendo:
- Vocês arrumaram alguns inimigos hoje.
- Bem, então ta na hora de começar a distribuição de senha, todos serão atendidos. - respondi rindo. Logo as meninas começaram a contar tudo o que sentiram e fizeram uma promessa:
- Algum dia, nós vamos pegar vocês. - olhei para Micah e respondemos:
- Só quando os porcos voarem! huahuahuahua.
Wednesday, January 16, 2008
‘Então um garoto da Mannaz surgiu do nada, literalmente voou em cima de mim, mas ao invés de tomar a goles da minha mão, me deu uma cabeçada’ Dizia imitando o ataque surpresa ‘Depois disso não lembro mais nada. Acordei na enfermaria com uma tremenda dor de cabeça e ele tava apagado na cama do lado’
‘Mas então você não passou nos testes?’ Ela interrompeu a narração dele ‘Não é justo! Esse menino louco te ataca e prejudica sua chance de passar?’
‘É por isso que gosto de você, Anna Pavlona. Sempre disposta a brigar pela causa dos amigos’ Disse rindo ‘Mas fique tranqüila, eu passei assim mesmo’
‘Será que você pode parar de me colocar apelidos?’
‘Por quê?’ Ele parou de andar e cruzou os braços, como se estivesse irritado ‘O Peter Pan não quer?’
‘Eu também gostaria muito que você parasse de falar do Chris com esse tom de voz debochado’
‘Ok, a partir de agora só chamo você de Evi. Está bom assim?’ Falou abrindo os braços, impaciente.
‘E quanto ao Chris?’ Evie queria testar a paciência dele
‘Aí você já está querendo demais! Um desejo por vez, não sou um maldito gênio da lâmpada pra atender mais de um. E você nem esfregou a lâmpada!’
‘Já entendi’ falou ignorando a insinuação e se esforçando para não rir ‘Seus modos são como uma doença. Tem que curá-los aos poucos. Essa vai ser minha meta para esse ano’
‘Já passou pela sua cabeça que o motivo de toda a implicância do Peter Pan comigo é ciúme de você?’ Ele disse sorrindo e se aproximando mais ‘Ele acha que temos um caso, ou o que seja. E não é o único que pensa assim aqui na escola’
‘Chris não tem ciúmes de mim com você, isso é besteira. Somos só amigos, ele não tem motivo para isso’
‘Quando disse que são só amigos, estava se referindo a mim ou a ele?’ Micah perguntou provocando
‘Ele’ Disse série, mas logo acrescentou ‘E você também, serve para os dois. Chris e eu somos amigos desde crianças, nunca vamos passar disso’
‘Ouch, por que não acerta logo um soco nos países baixos dele? Vai doer menos que essa afirmação’ Evie riu e ele se aproximou mais ‘Mas também não entendo essa inquietação dele comigo. Ele não arrumou uma namorada nas Olimpíadas?’
‘Não, ele não tem namorada. Se tivesse, eu saberia. Contamos tudo um ao outro’ Embora afirmasse, não tinha mais tanta certeza assim
‘Tem certeza que contam tudo mesmo?’ Ele riu e se aproximou ainda mais, encarando-a bem de perto
Ela não respondeu dessa vez. Não tinha certeza há algum tempo, pelo fato de que ela mesma andara deixando algumas informações de lado ao conversar com o melhor amigo. Micah agora estava curvado em cima de Evie e a única coisa impedindo que ele caísse sobre ela era o fato de suas mãos estarem apoiadas no banco, de maneira que ela estava cercada e não tinha como sair dali a não ser escorregando por entre as pernas dele. Seus rostos estavam a centímetros um do outro e ele sorria de um jeito malicioso. O mesmo sorriso que a fazia querer sorrir também, e dessa vez Evie não conseguiu controlar o impulso. ‘Droga’, ela pensou. Tudo que ela menos queria era que Micah notasse o quanto ela ficava vulnerável ao seu jeito de sorrir pra ela.
‘Eu poderia beijar você agora, sabia? E você não teria nem pra onde fugir’
‘Sim, eu sei’ Ele estava testando-a e Evie resolveu participar do jogo ‘Mas você não faria isso’
‘E como você pode ter tanta certeza assim?’
‘Porque você pode não respeitar as outras meninas, mas não faria nada comigo a força’
‘Você não me conhece tão bem assim pra saber’
‘Conheço sim, e sei que esse fato lhe irrita profundamente. E sei também que se você me beijar, vai levar uma detenção. Aqui é proibido, esqueceu? Só do outro lado dos muros’
‘Bom, não seja por isso! Quer que eu faça escadinha pra você pular primeiro?’
‘Não, estou bem confortável aqui no banco’ Ela se fez de sonsa e ele deixou escapar uma risada debochada
‘Olha garota, escuta bem o que eu vou te falar: o dia que você for minha, é melhor arrumar alguém pra entreter aquele seu irmão grudento, porque eu não vou deixar você sair de dentro daquela republica por uma semana’
‘Quanto a isso não tenho com o que me preocupar’ Evie o encarou retribuindo o sorriso debochado ‘Eu nunca vou ser sua’
‘Veremos’
Micah ainda ficou na mesma posição algum tempo, encarando-a, esperando a reação dela diante de sua certeza de que um dia ela seria só dele. Evie apenas deixou escapar um leve sorriso, mas que para Micah dizia tudo que ele precisava saber. Irritada com a demonstração grátis de fraqueza diante dele, ela o empurrou para o lado, encontrando espaço para sair. Micah se largou no banco jogando as pernas por cima de seu braço de madeira, encarando-a sorridente, vitorioso. ‘Droga’, Evie tornou a reclamar em pensamentos. Ela odiava quando ele a olhava com aquele ar de triunfo. A sensação que ela tinha quando ele fazia isso era de que estava invadindo sua mente, lendo seus pensamentos, e os usando contra ela. Decidindo não deixar ele a irritar, Evie se abaixou perto dele para pegar os sapatos e voltar pra republica. Ele colocou os pés em cima da bota para que ela não a pegasse.
‘Será que dá pra tirar a pata de cima da minha bota?’
‘Pata?’ Micah fingiu estar ofendido ‘Olha os modos, Anna Pavlona! Pede direito que eu removo meus pés’
‘Esquece, pode ficar com ela’
Levantando e tentando ao máximo não deixar transparecer a irritação, Evie saiu andando descalça pela neve, deixando ele com aquele ar de triunfo irritante estampado na cara. Por mais que aquilo a enlouquecesse, não ia dar o braço a torcer. E a bota estava velha, ela queria mais usá-la de qualquer jeito...
Tuesday, January 15, 2008
- Ah oi, Ty. Como foi de ano novo? – Reno perguntou quando um alcançou o outro, meio desligado enquanto mexia em uma proveta.
- Foi demais. E almocei na casa dos Chronos no Natal, fui visitar o Seth, o Griffon e a Ártemis, minha afilhada, revi minha irmã e meus primos, aproveitei muito a festa de casamento de minha mãe, enfim tudo ótimo.
- Se tivesse me avisado, eu teria preparado algo para o Seth... Ando melhorando no preparo de venenos.
- Por que tanta rivalidade com o Seth? E caso não lembre, ele é meio-vampiro, um veneno não iria matá-lo. Talvez até o deixasse mais forte rsrs.
- Então eu conjuro algo para dar cabo daquele idiota depois. ¬¬
- Por falar em vampiros... O início do ano foi agitado para eles. Um vampiro, Hellion, que odeia os Chronos, tentou atacar minha irmã.
- Ah, a professora de Beauxbatons? O Griffon tem uma queda por ela.
- Sim, ela é professora em Beauxbatons, e como sabe que o Griffon tem uma queda por ela? Ele falou alguma coisa?
- Nem precisava. Eu vi a baba escorrendo da boca dele durante os jogos naquela escola. E como descobriu sobre o ataque aos Chronos? Minha mãe também foi avisada sobre isso.
- Sou amigo deles não? E eles avisaram a todos ligados à família. Hellion não tem escrúpulos, ele atacou inocentes várias vezes e fará de novo, então fui avisado.
- Por isso quer minha companhia é? Para te proteger? – Reno falou enquanto ria com sarcasmo.
- Ah, claro, como se eu precisasse da ajuda e sua proteção Kollontai.
- Claro que precisa. Um bebê como você ainda não sabe se cuidar, McGregor.
- Sei me cuidar melhor do que você...
Ficaram se provocando e rindo, quando Ty parou no meio da fala, com os olhos atentos. Por um momento ele pensou ter visto o mesmo brilho de alerta nos olhos de Kollontai, como se ele também percebesse algo. O treinamento que Ty recebera de seu Tio Alucard dizia que havia algo muito errado no ar. Como se uma nuvem negra e venenosa tocasse o chão.
Com espanto eles notaram que tudo estava negro ao redor deles, que sem notar haviam se afastado demais e saído do povoado. A escuridão parecia se intensificar ao redor deles, e quase podiam ouvir uma gargalhada. Ty sacou a varinha rapidamente, se pondo em posição de combate, os olhos varrendo a escuridão. Reno sacou a varinha também, ao mesmo tempo em que abria uma de suas provetas e despejava um líquido branco em suas mãos. Rapidamente ele também despejou o líquido nas mãos de Ty, que ficou sem entender, até o momento em que o líquido começou a brilhar, tornando-se uma fonte de luz. Reno esticou uma mão à frente, girando e apontando-a em diversas direções. Em uma das direções, a luz que saia da mão dele se tornou vermelha, e com um movimento rápido ele jogou uma pequena bola de vidro naquela direção. Ao quebrar a bola de vidro liberou um gás vermelho, e puderam ouvir um guincho quando uma figura humana surgiu diante deles. Seus olhos estavam vermelhos, e os caninos protuberantes a mostra. Ele urrava de raiva com a fumaça que o revelara e encarou os dois garotos:
- Então você estava se escondendo aí. – Reno falou sério, com a varinha apontada para o peito do vampiro.
- Não posso acreditar na minha sorte! Vim caçar apenas o jovem McGregor amigo daquela família nojenta e achei outra presa suculenta: Um Kollontai. – os olhos do vampiro piscaram de prazer enquanto ele sorria malignamente.
- Você só pode ser Hellion. O que quer de nós, seu verme? – Ty encarou-o sério, pronto para um ataque iminente. Sempre ouvira falar do vampiro que transformara seu Tio Alucard, e pela primeira vez estava diante dele.
- Como eu falei, McGregor. Sua família é uma grande amiga dos Chronos, então se não posso atacá-los, ataco aqueles próximos a eles. (e virou-se para Reno):
- Sua família também é próxima dos Chronos, Kollontai, eu pesquisei tudo sobre o passado de vocês. Não esperava encontra-lo tão cedo.
- Tenho certeza que não pesquisou nem metade, vampiro. – Reno falou com um olhar que misturou desprezo e raiva. Ty notou alguma coisa escondida no ar naquela conversa.
- Será, Kollontai? Sabe o que é melhor de atacar vocês aqui? Ninguém virá ajudar vocês! Não há amiguinhos, ou parentes. Por falar nisso, McGregor. Seu pai me deu muito trabalho antigamente, se não fosse por ele eu teria eliminado a família Chronos antes. Queria muito ter estado no ataque que o matou... Adoraria sugar o seu sangue antes dele morrer, quem sabe ele não imploraria para que eu o transformasse? Eu teria o poder de mantê-lo vivo.
Hellion soltou um sorriso maligno, tentando provocar Ty. Mas Ty havia sido avisado disso e se manteve calmo, ganhando tempo para Reno, que sem que Hellion notasse, fazia círculos no ar sutilmente com a varinha. Reno finalmente gritou uma palavra que Ty não reconheceu e atirou um frasco no ar onde ele estivera fazendo os círculos. O frasco ficou suspenso no ar alguns instantes antes de explodir em desenas de cacos, jogando um líquido vermelho no ar. Ty por instinto sabia o que fazer e com um floreio lateral da varinha, empurrou líquido magicamente para Hellion. O líquido o atingiu no rosto, e Reno acertou um soco no chão, segurando um frasco com o mesmo líquido. No mesmo momento o líquido no rosto de Hellion tomou vida própria e entrou pela boca do vampiro quando ele saltava sobre os garotos. Ty conjurou um patrono que atacou Hellion, enquanto lançava outros feitiços que aprendera em seus treinamentos, todos inspirados no fogo. Hellion uivava de dor, mas por algum motivo não conseguia se mover.
Ty e Reno tomaram posição para lançar um feitiço incendiário juntos aproveitando que Hellion estava paralisado. Porém algo os interrompeu quando uma pedra foi jogada contra eles, e foram obrigados a saltar. Quando se levantaram em prontidão, Hellion conseguira escapar e a ilusão desapareceu, e eles notaram que estavam próximos dos limites do povoado.
- Que droga! Onde é que ele foi?! – Reno xingou enquanto olhava em volta.
- Ele conseguiu fugir! E alguém o ajudou, mas quem?!
- Não sei, mas é melhor sairmos daqui antes que ele apareça de novo!
- Concordo, vamos rápido para a escola, aí você pode procurar sua mãe, ela precisa saber do atentado.
- Tudo bem. Eu nunca tinha ouvido falar dele, apenas minha mãe sabia dele e tinha me alertado apenas para ser cauteloso, dizendo que havia um vampiro a solta e que podíamos estar em perigo. Por isso preparei algumas coisas.
- O que você fez?
- Sangue. Usei meu próprio sangue e o transmutei em sangue de morto. Dizem que pode paralisar um vampiro. A nuvem que usei para achá-lo era também de sangue de morto, mas em forma gasosa. E você? Como sabe tantos feitiços?
- Recebi treinamento de auror do Tio Alucard, o pai dos gêmeos. Ele me ensinou dezenas de feitiços contra as Artes das Trevas.
- Que bom, isso ajudou muito, porque eu não saberia o que usar contra ele! Então copiei o feitiço que você estava usando.
- Eu preciso avisar aos Chronos e a minha mãe. Nunca imaginei que ele poderia me atacar e aqui, então outras pessoas podem estar em perigo! Meus amigos também!- disse preocupado:
- Ele me pareceu desesperado...
- É, percebi isso, mais um motivo para redobrarmos nossos esforços... Aliás, quero que me ensine este negócio aí do sangue. Precisaremos de proteção extra, já que ele pelo jeito não está sozinho.
- Isso é Alquimia Avançada, é demais para você, que nem consegue fazer o básico. – disse Reno presunçoso.
- Tá que não sou genial como você (disse fazendo uma reverência zombeteira), e eu não quero meus amigos sendo usados como isca. Preciso fazer alguma coisa.
Reno começou a pensar e após algum tempo disse:
- Está certo, ensino a você, mas aviso que não tenho a paciência da Annia.
- Certo, vou me esforçar. Mas vamos procurar sua mãe, agora você se tornou um alvo dele, apenas por estar comigo.
- Não, não foi por isso. Em alguma hora ele viria atrás de mim, ele mesmo disse isso.
- Por quê?
- Assuntos de família. - e foram para o castelo, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Sunday, January 13, 2008
-... E as italianas são lindas. Quer dizer “Bellíssimas”. – disse Max e o som de beijo estalado foi ouvido, gerando algumas risadas... - ele continuou falando.
- Krum como sempre chamou a atenção, choviam garotas atrás dele, mas quem me surpreendeu foi Karkaroff, que ficou com a mais bonita, e olha que Luka estava de olho nela, mas ela preferiu a fera rsrsrs.
- há, há, há... E você que ficou sozinho Max? – respondeu Luka e todos riram mais ainda.
- Mas Karkaroff tem namorada. Não acho isso certo. - comentou um dos rapazes.
- Vários ali têm, mas o que os olhos não vêm o coração não sente, certo? - disse outro e arrancou risos.
- Esperem aí..., só o vimos conversando com a garota nada mais. - disse Luka e um outro emendou:
- Claro, eles poderiam estar trocando receitas de pizza... – riram e começaram a entoar uma musica elogiando os atributos masculinos, praticamente um grito de guerra de muito mau gosto. Desisti de ouvir aquilo e fui embora. Não conseguia me decidir se procurava Iago para brigar ou me sentia aliviada. Afinal, ele não era tão inocente assim... Cheguei na Avalon e havia uma coruja me esperando. Abri a carta e dei-lhe um biscoito para comer enquanto lia a carta, que já sabia que não era de Iago. Ele nunca fazia nada romântico:
‘Your lips were made for kisses so tender
I'm almost in love tonight
When we are close, my heart says surrender
I'm almost in love tonight
Sei que não tenho direito de te falar isso, só queria que soubesse como estou feliz por estar de volta...
L.’
Aspirei o perfume da rosa mais uma vez e guardei mais uma das cartas diárias de Luka, dentro de um dos livros de alquimia e deitei-me de barriga para cima e comecei a olhar o teto de nosso quarto na república. Minhas amigas já dormiam a sono solto e eu me via perguntando o que fazer, agora que os dias quentes e ensolarados ficaram para trás. Era hora de enfrentar os problemas, tomar decisões e arcar com as conseqüências...
o-o-o-o-
It's so strange he doesn't show me more affection than he needs
Almost formal, too respectful, never takes romantic leads
There are times when I imagine I'm not always on his mind
He's not thinking what I'm thinking, always half a beat behind
Always half a beat behind
Iago como acontecia nos últimos dias, estava preso em mais uma das reuniões de estratégia do time principal e só nos víamos na escola. Mesmo quando ele se aproximava e me dava um beijo era algo tão rápido e logo ele começava a falar sobre o time, e de seus planos para a seleção principal. Várias vezes eu o abracei, enquanto falava, e algumas vezes ele deixava de se preocupar com seus projetos e me perguntava o que me fazia estar triste e distante, e eu respondia que era apenas cansaço. Algumas vezes ao olhar para ele, percebia a dúvida naqueles olhos castanhos, mas ele se calava, parecia ter medo do que iria ouvir ou talvez não quisesse mesmo saber.
o-o-o-o-o-o--
- Você está me traindo com o Luka não é? - Iago perguntou irritado, e vi que ele segurava o meu livro de Alquimia na mão. Engoli seco.
- Não! Não estou te traindo com ele.
- Mas aconteceu alguma coisa... O seu jeito e isso aqui. - mostrou a carta de Luka.
- Ele... Nós... Nós nos beijamos.
O livro foi ao chão, quando ele socou a parede e pronunciou um palavrão. Eu me mantive firme, mas tremia por dentro:
- Foi apenas uma vez, quando estávamos brigados por causa da boate...
- Devia ter me contado...
- Estou te contando agora.
- Só por que não tem opção.
- Eu não queria magoar você... - e ele ergueu os cantos da boca em um sorriso irônico e perguntou:
- Você gosta dele?
- Não sei...
- E eu? O que você sente por mim?
- Gosto de você... Não quero te perder, mas não acho justo pensar em outra pessoa quando estamos juntos...
- Bem, isso encerra a questão: quem não quer agora sou eu. Até qualquer hora, Kovac.
Thought that everything was perfect,
Isn't that how it's supposed to be?
Thought you thought that I was worth it,
Now I think a little differently.
All i wanted was your
Love, love, love, love, love, love.
Pelos arredores do castelo, podiam-se ver grupos de alunos conversando e aguardando a hora do jantar terminar para irem até as salas para as aulas extras. Alguns alunos do sexto ano estavam conversando, e perto dali Micah e Ty, verificavam suas anotações de Alquimia com Annia quando viram a cara irritada de Iago e perceberam que alguma coisa ia mal, e ficaram alertas.
Iago vinha andando decidido e mal respondia aos cumprimentos que recebia pelo caminho. Olhou ao redor e localizou o seu alvo. Um garoto alto de cabelos e olhos escuros que ria de alguma piada contada pelos amigos. O grandalhão, se aproximou do garoto e com uma agilidade incrível, praticamente o ergueu do chão, o prensou na parede e apertou o seu pescoço com o cotovelo. Micah e Ty viram que os amigos de Luka iriam reagir e se aproximaram, com suas varinhas em punho, dizendo respectivamente:
- Paradinhos aí, libélulas. É assunto deles.
- Guardem a purpurina, a festa não é para vocês.
Max e Chris olharam de um para outro avaliando as possibilidades de enfrentá-los quando Luka disse:
- Não se envolvam. Isso é coisa minha. - Iago afrouxou um pouco o aperto e disse entre dentes:
- Não sei o que você fez, mas aviso: não a machuque.
- Ou o quê? Vai me bater para tê-la de volta?
- Não, mas vou ficar de olho em você. Não tente usa-la para me atingir. – ficaram se encarando por um tempo quando Luka disse provocando:
- Você se valoriza demais, Karkaroff. - e após mais uma troca de olhares raivosos, Iago o soltou, e quando ia embora ouviu as palavras irônicas de Luka:
- Diz o velho ditado: Quem não dá assistência, abre para a concorrência.
POW!
Ele deu apenas um soco, e saiu andando de volta para sua república, nem precisou olhar para trás, para saber que era seguido por seus dois amigos.
N.AUTORA:
Almost in love - Elvis Presley
Hate (I really don’t like you) - Plain White T’s
Wednesday, January 09, 2008
‘Muito bem, podem parar aqui!’ Maddox assoprou um apito alto e a turma cessou as voltas ao redor do campo de quadribol, parando em volta dele ‘Acho que para nossa primeira aula está bom, não é?’ Disse animado e concordamos. Evi, Nina e Vina tinham um palmo de língua pra fora
‘As aulas vão ser sempre assim?’ Nina levantou a mão quase sem forças ‘Correndo em círculos?’
‘Claro que não, hoje foi só um aquecimento’ Respondeu sorrindo ‘Semana que vem vamos praticar alguns esportes’ Nina fez uma careta de dor e Vina levou a mão ao peito como se fosse enfartar ‘E falando em esportes, queria fazer um comunicado: a quem possa interessar, estarei fazendo testes para montar um time de trancabola para competir com as escolas da Europa. Soube que Durmstrang teve um desempenho bom nas Olimpíadas, apesar do 4º lugar, e acho que com treino podemos ter um dos times mais fortes da Liga Européia Estudantil. Os que se interessarem basta me procurarem para deixar os nomes. O dia dos testes será pregado no mural de avisos da escola. Agora podem ir, ou se atrasarão para a próxima aula’
Deixamos o campo de quadribol comentando a aula e nos separamos das meninas para nos trocarmos nos vestiários. Não falei nada com os garotos, mas tinha gostado da idéia do time de trancabola. Não era nenhum profissional, mas tinha uma noção do jogo e até seria legal competir pela escola. Mostrar um pouco de espírito vermelho e vestir a camisa do Instituto não faz mal a ninguém, não é? Ainda tinha algum tempo livre até a reunião do jornal e fui procurar o professor. Ele se mostrou bastante entusiasmado por ter sido o primeiro aluno a se inscrever e ficamos muito tempo conversando sobre esportes bruxos. Já estava quase na hora da reunião e voltei ao castelo, mas o barulho de uma discussão no corredor do 5º andar me chamou a atenção. Era Evi e o irmão besta dela, Max. Parei no meio da escada para ouvir.
‘E qual vai ser a sua desculpa pra ele?’ Ouvi Max falar em tom autoritário ‘Papai estava furioso porque não apareceu’
‘Sabe Max, estou começando a não me importar com o que ele pensa’ Evi respondeu no mesmo tom. Não pude evitar sorrir ‘Se ele não se importa, porque vou me dar ao trabalho?’
‘Ele se importa sim, sua mal agradecida! Veio até aqui procurá-la e não lhe encontrou. Onde esteve? Pensei que tinha dito que ficaria na escola!’
‘Não é da sua conta pra onde fui durante as férias. Meta-se na sua vida!’ Ela respondeu com raiva ‘E ele não se importa não, pois se veio me procurar, parece que deixou o assunto pra trás quando não me encontrou aqui. Se estivesse realmente preocupado comigo, e não apenas em me repreender e sabe-se lá o que mais, teria acionado até o Ministro da Magia pra me localizar!’
Houve um silêncio momentâneo e não podia ver o que estavam fazendo. Era um silêncio até constrangedor, que foi quebrado pela voz debochada dela.
‘O que foi, Max? Está tentando encontrar uma justificativa pra ele?’ Ela riu ‘Não precisa ter esse trabalho, não vou acreditar de qualquer forma’
‘Não sei o que anda contando aos seus amiguinhos, mas aviso logo que é melhor parar! Se o vovô por acaso acreditar nas mentiras que você conta, vai acabar pagando um preço alto’ Max segurou o braço dela com força e saltei da escada para o corredor
‘Algum problema, Evi?’ Falei alto, encarando ele
‘Não, nenhum. Max já estava indo embora, não é?’ Ela puxou o braço da mão dele com força e deu dois passos para trás, parando perto de mim
‘Por que não se mete na sua vida?’ Respondeu me encarando ‘Isso é assunto de família’
‘Ora, mas você não gosta de se intrometer na vida dela? Com que moral cobra isso de outra pessoa?’ Respondi o desafiando
‘Parem, não vão começar a brigar aqui no meio do corredor!’ Evi se pôs entre nós dois ‘Max, vá caçar algo de útil pra fazer e me deixem em paz! Micah, vamos embora ou Georgia vai comer nosso fígado’
Max ainda nos fitou alguns segundos e eu já estava pronto para a briga, mas acabou virando de costas e descendo as escadas. Evi me olhou com um ar cansado e saiu andando pelo corredor sem dizer nada. Ficou calada durante toda a reunião do jornal, e nem mesmo contestou quando Georgia lhe delegou a pior matéria da lista. Apenas pegou o papel e foi para sua mesa sem reclamar. Deixei meus recortes sobre o campeonato de quadribol da escola em cima da mesa e caminhei até ela. Todos já estavam ocupados demais com seus artigos para notar qualquer movimento na sala.
‘Vai mesmo escrever sobre o problema com o excesso de neve?’ Sentei-me à mesa e ela olhou para cima para me encarar. Percebi que tinha os olhos vermelhos
‘Se é isso que ela quer, sim. Não estou com animo de entrar o ano batendo boca com aquela vaca’
‘Está tudo bem?’ Indiquei os olhos vermelhos dela e ela se ajeitou na cadeira ‘É por causa do Max?’ Ela balançou a cabeça negando, mas continuou me encarando muda ‘Ok, não quer conversar, tudo bem’
‘É meu avô’ Disse por fim ‘Ele está chateado porque não fui ao enterro da vovó e nem dei uma satisfação’
‘A morte dela ainda está muito recente, é normal ele estar assim’
‘Se você visse como ele me tratou não diria isso. Era como se eu fosse uma estranha. Estava diferente, distante. Ele-’ Ela cortou a frase e encarou a mesa antes de completar ‘Ele parecia meu pai’
‘Dê um tempo a ele, Evi. Seu avô é legal, só é um pouco rigoroso. Quando a dor diminuir, ele amolece’ Ela me encarou outra vez e deu um sorriso fraco. Senti que precisava mudar o assunto ‘Já contei que me inscrevi para os testes de trancabola?’
‘Olha só quem resolveu vestir a camisa da escola!’ Evi sorriu mais animada
‘Pois é, já que estudo aqui agora, não me custa nada defender as cores de Durmstrang de vez em quando’
‘Legal, Micah. Gostei’ Disse sincera ‘Acho que desviar um pouco as atenções do quadribol vai fazer bem à escola’
‘Também acho. E fora que trancabola é mais divertido! Os testes são semana que vem, vamos ver como me saio e quem mais vai aparecer’
‘E os testes do musical?’ Ela riu e percebi que queria me provocar ‘É no fim do mês, não vai mesmo participar?’
‘Claro que não’ Georgia apareceu na mesa com as mãos na cintura. Evi revirou os olhos e a encarou ‘Micah sabe que não tem a menor chance contra Alexsei. Aquele teste foi pura sorte. Agora que isso está esclarecido, que tal trabalharmos um pouco? Parvanov, quero sua matéria na minha mesa amanhã, pois como não é de muita importância, vou decidir se entrará na edição de acordo com o que escrever’
Evi bateu continência como um soldado com um ar de deboche na cara e o sorriso no rosto de Georgia tremeu levemente. Ela empurrou uma pasta grossa na minha mão, que logo percebi serem coisas para arquivar, e saiu da sala. Evi fez uma careta imitando ela falar e ri, caminhando até o armário de arquivo para começar a guardar aquela montoeira de papel. O poder estava subindo à cabeça da Barbie e estava na hora de reagir. Pode ser intuição minha, ou algo meio obvio, mas acho que poderia contar com o apoio da Evi para uma pequena rebelião na redação do Expresso Polar...
‘... Don't you no that there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby…’
Eu, Gabriel e Miyako cantamos o ultimo verso da musica agradecemos e liberamos o microfone do karaokê para outros que estavam animados para tirar a poeira de alguns clássicos do passado, e era cada coisa que chegava a arrepiar. Minha avó me espantou ao cantar ‘I don’t wanna miss you thing’, e eu optei por colocar a culpa na bebida, vovó agia como a típica mãe da noiva e parecia feliz por isso.
Mesmo com as coreografias de tia Yulli, tio Scott, e de minha mãe com tio Ben não me fizeram rir tanto quanto a apresentação de Evie, Nina, Vina, e Milla, que estavam tão bêbedas que cantaram ‘Lady Marmelade’ como se tivessem nascido no palco do Moulin Rouge, com direito a rebolados para lá de interessantes. Iago, Micah, Victor babavam ao mesmo tempo em que olhavam feio para os gritos e assobios dos convidados para elas. Parker se mantinha sério, mas era uma calma aparente, prestes a explodir. Reparando bem, faltava alguém naquele palco e era Annia. Comecei a procurá-la, e a vi alheia ao show das amigas conversando com John. E meu primo estava empenhado em conquistá-la.
- E porque você acha que os argentinos são tão bons no futebol???Você viu que eles roubam... São violentos.- dizia Annia.
- Não os vi roubando, os vi defendendo o campo, com garra. O jogo dos escoceses é igual, duro e violento. Mas você não entenderia uma coisa assim. – John provocou:
- Só porque sou mulher acha que não tenho opinião? - ela perguntou inflamada.
- Adoro suas opiniões, são interessantes como você.
*silêncio*
- Er...Hum... Não tente mudar de assunto... - e ele se aproximou mais, ficando bem próximo:
- Gosto de você.
- Também gosto de você... Você é legal e... - e ele tampou a boca dela com os dedos e perguntou:
- Quer fazer algo a respeito??
- Estamos numa festa e... - não falou muito, pois ele a beijou e a soltou olhando-a nos olhos, esperando alguma reação irritada. Mas tudo o que viu foi ela, continuar de olhos fechados e depois lentamente os abrir e dizer corada:
- Quero continuar o que estamos fazendo John. - deram-se as mãos e saíram da festa que demorou muito para acabar.
-o-o-o-o-
- O que faz aqui?- perguntei baixo para não acordar os outros que dormiam no quarto, após a festa.
- Porque você acha que estou aqui Ty??- Julianne perguntou baixo:
- Talvez queira brincar com fogo, mas aviso que pode se queimar.
- É o que eu espero. - e me mordeu no pescoço, deslizando a mão sobre meu peito.
- Você é louca!
- E você não? – sorrimos e o jeito foi pegar minha varinha e sussurrar apontando para as cortinas ao redor da cama:
-Abbafiato!
Após algum tempo, nos despedimos e fui tomar um banho, quando tentei voltar a dormir, ouvi a porta do quarto se abrir novamente e John resmungou de sua cama:
- Isso está agitado demais. Vou dormir na biblioteca.
Antes que eu acendesse a luz, alguém deslizou para baixo do lençol e começou a me beijar. Pelo perfume e o jeito, sabia que não era Julianne.
- O que quer aqui Beatrice??
- Você.
- Isso não está certo... Sua irmã...
- Não ligo e te garanto que nem ela... A menos você não tenha se recuperado... - disse após passar a mão na minha perna, e ameaçou se levantar. Segurei-a pela cintura e a beijei rude. Ela sorriu quando a soltei:
- E eu achando que você era do tipo gentil...
- É gentileza o que você quer? – perguntei.
- Não. - ela respondeu e se colocou por cima de mim com um olhar astuto. Sorri indulgente e inverti as posições, segurando seus braços acima de sua cabeça, enquanto ela arregalava os olhos surpresa, mas os fechou quando a beijei.
Dia seguinte
- Garotos, eu estou grávida!- foi o anuncio de minha mãe na hora que levantei depois de uma noite agitada. Abracei-a feliz, pois sempre quis ter um irmãozinho e Ethan estava sério na mesa, e mamãe perguntou, depois de lançar um olhar preocupado para Logan:
- Tudo bem Ethan?
- Sim. Parabéns. – e ele ficou empurrando a comida de um lado a outro no prato. Logo Brianna veio buscá-lo para irem conhecer o rio junto com Jack, o capataz e não o vi mais. Na hora do jantar ele comeu rápido e estava tenso, fiquei observando-o. Já passei pela idade dele, e sei que a gente sempre apronta, quando tá engasgado com alguma coisa.
Nesta noite, sem que as gêmeas soubessem troquei de lugar com Riven, não queria distrações, e fiquei aguardando.
Estava sentado na janela quando vi uma sombra pequena sair pela porta da frente. O segui e logo o alcancei:
- Está fugindo Ethan? – e ele parou assustado, mas empinou o queixo e disse:
- Vou embora e você não vai me impedir.
- Você não é um prisioneiro. Só queria entender o porquê – respondi e aos poucos ia me aproximando.
- Vão me mandar embora, e não vou para um orfanato. - e achei ter visto seu queixo tremer, mas ele continuou falando:
- Eles vão ter um bebê...
- Fugir não é a solução, e não sei se você lembra, mas mamãe é uma espécie de policial, te acharia rápido. – e ele começou a pensar no que eu disse e eu continuei:
- Tem alguma comida ai?- apontei para a jaqueta dele.
- Não.
- Como você quer fugir em um lugar cheio de lobos, durante a noite sem comida para distraí-los?- nesta hora ouvimos um uivo bem alto e ele me olhou agitado:
- Cara você ouviu isso? É um lobo de verdade.
- Sim, só espero que não seja um lobisomen...
- Ah eles não existem... Não é?- perguntou incerto.
- Hollywood, não tem idéias sobre criaturas fantásticas do nada. – e ele parou de andar e me encarou:
- Porque você não me deixa ir embora?
- Você é meu irmão, e tenho que cuidar de você.
- Não somos irmãos de verdade...
- Pra mim isso não importa. E com a chegada de nosso irmãozinho, mamãe vai precisar muito de você, eu vou estar na escola.
- Acho que eles nem gostam tanto assim de mim.
- Não? Minha mãe vive de olho para saber aonde você esta, e Logan o apresenta como filho para todo mundo, já pensou que eles fazem isso porque gostam de você? Olha sei que você passou por coisas ruins na vida, mas já parou para pensar que ter medo de se apegar a alguém é o mesmo que estar de volta ao inferno? Só poderemos ser sua família se você quiser. – ele ficou pensando e eu cheguei até a porta de entrada, olhei para ele e esperei.
Ele respirou fundo e se aproximou entrando na casa comigo, quando chegamos na cozinha, meus primos lá estavam sentados e faziam sanduíches, e até Gabriel e Miyako estavam no meio, Ethan me olhou curiosos, e eu disse levantando os ombros, enquanto me sentava:
- Cuidamos uns dos outros, é assim que somos. - e ele se sentou perto de Mary e ia ouvindo com atenção as brincadeiras que fazíamos entre nós. Algum tempo depois o fiz montar em minhas costas e o levei para a cama, e ele disse sonolento:
- Vou gostar de ser seu irmão. – e adormeceu.
Sorri, sabia que ele ficaria bem.
Sunday, January 06, 2008
‘Lembra daquele ano que você, Marcella e eu fomos ao desfile do St. Patrick’s Day vestidos de vermelho?’ Vlade perguntou rindo e eu quase cuspi o vinho.
As love is fading
For all the things that we are,
We are not saying
Can we see beyond the scars
And make it to the dawn?
No dia de Natal, Vlade me levou até a casa da Milla e passamos o dia lá. No começo, me senti na obrigação de ficar perto dele, mas depois ele e Yuri, o irmão da Milla, começaram a conversar assuntos burocráticos como trabalho, quadribol e notícias, que senti à vontade para ir até o quarto da Milla conversar com ela e Annia, que também estava lá.
No final do dia, me despedi de Vlade e fiquei por lá. Ty havia nos convidado para a festa de casamento da sua mãe, no Reveillon, e iríamos juntas...
A cerimônia do casamento foi tradicional e muito bonita. Acompanhada inclusive de quilos e quilos de arroz que um grupo de amigos da mãe do Ty lançava em cima deles, quando passavam por nós de mãos dadas, recém-casados. A festa, porém, estava sendo muito diferente do que eu jamais imaginara!
Uma mistura de country e rock estourava por todos os lados. Muitas pessoas sapateavam e pulavam na pista de dança, fazendo trenzinhos e cortando as mesas. Além disso, do outro lado, tinha karaokê e a bebida rolava solta para quem quisesse beber.
Evie e Micah, que não tinham tido um Natal muito feliz, agora se juntavam a outras pessoas e tentavam aprender a coreografia maluca. Não preciso dizer: sem sucesso algum! A coreografia maluca era antes de tudo... descompassada! Quando eles perceberam que não havia ritmo e nem ordem, começaram a sapatear e pular juntos.
Annia e Milla saíram atrás de Ben O’Shea, que hora ou outra passava por nossa mesa acompanhado de um outro cara L.I.N.D.O., rindo. Mais tarde, descobrimos que o outro homem era padrinho do Gabriel.
Falando em Gabriel e companhia, Miyako também estava lá. Ricard e ela estavam dançando, um pouco mais coordenados que Evie e Micah, mas mesmo assim sem qualquer compasso. Eu e ela estávamos nos esforçando a manter a maior distância possível uma da outra, e apesar do fato de Ricard ter me abandonado completamente, descobri que aquilo não me aborrecia mais. Nina e eu estávamos sentadas na mesa rindo e tecendo comentários sobre a festa e as pessoas
E Victor... Bom, ele parecia muito bem. Bebia, dançava e conversava com os primos do Ty que ele havia conhecido nas Olimpíadas. Nem se quer olhava na minha direção.
And open up to
The ways you made me feel alive
The ways I loved you
For all the things that never died,
To make it through the night,
Love will find you.
O céu já adquiria um tom cinza pálido e a festa agora se limitava ao canto do karaokê. Muitos convidados, já bem “felizes” sob efeito do álcool disputavam o microfone e cantavam suas melhores melodias. Evie e Micah, ambos MUITO bêbados, haviam dado uma palinha cantando “The time of my life”, mas tirando eu, Nina, e talvez Michael Parker, todo o restante dos nossos amigos estavam bêbados demais para fotografarem com perfeição a cena.
Annia havia desaparecido. Milla e Iago dançavam ao som das cantorias. Até Nina parecia estar se divertindo, pois algumas primas do Ty se sentaram na nossa mesa, onde tínhamos uma melhor visão do palco improvisado, e conversavam conosco. Estávamos assistindo a mãe e o padrinho de Gabriel cantando “Ebony and Ivory”, quando senti um par de mãos agarrando meu braço. Era Victor.
Não disse nada, mas puxou minha mão e saiu me arrastando para longe. Paramos em um lado da pista de dança, já praticamente deserta, e ele ficou me encarando uns segundos. Eu tinha muitas coisas a dizer, mas estava esperando que ele começasse... Só não esperava o que veio a seguir: sem qualquer precedente, sem dizer uma única palavra, sem nem ao menos nos entendermos, ele me puxou pela cintura e me beijou com tanta vontade que não consegui tomar qualquer tipo de atitude. Senti tudo ao redor ficar silencioso e girar por uns segundos e envolvi meus braços ao redor do seu pescoço, correspondendo. Como disse Ricard uma vez: “vocês mais discutem a relação do que namoram!”, então, por que eu iria estragar aquele momento que eu entendi como nosso “entendimento não-verbal”?
What about today?
What if you’re making me all that I was meant to be?
What if our love never went away?
What if it’s lost behind words we could never find?
Baby, before it’s too late,
What about now?
O dia 1° de janeiro amanheceu com muita ressaca no rancho, e um sol muito, muito quente. Estava sofrendo para sobreviver naquele lugar, mas me sentindo feliz. Eu e Victor não havíamos dito uma única palavra na noite anterior, mas estávamos juntos novamente e isso seria esquecido. Tudo seria apagado de nossas memórias, como se nunca tivéssemos nos “dado um tempo”.
To start a new day
This broken heart can still survive
With a touch of your grace
Shatters fade into the light
I am by your side,
Where love will find you.
What about today?
What if you’re making me all that I was meant to be?
What if our love it never went away?
What if it’s lost behind words we could never find?
Baby, before it’s too late,
What about now?
Thursday, December 27, 2007
- Me obrigue – cortou Nina, empurrando os braços do garoto para longe – Para onde nós vamos?
Nina mexeu no cabelo, impaciente. Tentou evitar ao máximo que o encontro prometido realmente acontecesse. Porém, quando começou a se trancar em armários de vassoura toda vez que Michael passava pelo corredor, percebeu que havia chegado longe demais. Depois da data marcada, encarou uma semana de zoações de Evie, Milla e Vina e agora se sentia extremamente desconfortável. Michael parava diversas vezes no meio de uma frase e ficava encarando a menina, abobado.
- MICHAEL?! – Nina gritou, estalando os dedos na frente dos olhos do garoto – Para onde nós vamos?
- Eu fiz reserva para nós dois em um lugarzinho lindo – respondeu, como quem acorda de um coma profundo – Sugestão do Chris. É impressionante como nós estamos ficando próximos, sempre sonhei com isso!
- Por Merlin – disse Nina, cerrando os punhos com toda força – Michael, o Parker te enganou. Não tem nenhum lugar decente por aqui...
Uma casinha rosa surgiu no meio das árvores. Tinha uma chaminé de tijolos em formato de coração e tossia uma fumaça quente, vermelha.
- ...a não ser o Ivy&Leo...mas você não espera que eu entre aí...certo?
- Ahá! Deve ser esse. Que lugarzinho fofo, bem que o Chris falou que era tão doce e delicado como você...
- Eu não vou entrar aí! Isso é um motel disfarçado de restaurante! Não...não...NÃO! – gritou, quando Michael tentou puxar seu braço delicadamente.
- Eu liguei para eles para fazer a reserva! É um lugar fantástico...acredita que a fila de espera para conseguir uma mesa nele é de cinco meses?
- ...então eu acho que isso significa que o encontro está cancelado...
- Mas eu consegui dar um jeito...
- ...é até bom, porque eu precisava terminar meu pergaminho de poções mesmo...
- ...tive que pagar 60 galeões...
- AH?! – Nina congelou por alguns segundos, encarando o menino absolutamente chocada – Poxa...que pena, né? Eu te compro um sorvete no caminho.
- Não, Ninys, por favor! Eu tive que gastar economias de um ano para conseguir uma mesa...vai valer a pena, por favor!
- Ah não, não, Michael...por favor digo eu! Esse lugar é...er...abafado! – Nina falava encarando o chão para não capturar um relance dos olhos marejados do menino – Não acredito nisso...ok, ok, mas só por meia hora, tudo bem?
- Obrigada, Ninys! Você não vai se arrepender!
- Pouco. Não vou me arrepender pouco – sussurrou para si mesma.
O Ivy&Leo pertencia a um simpático casal de velhinhos ingleses que se mudou para a Bulgária há oito anos. Inspirado no Madame Puddiffoot, seu restaurante era completamente decorado de rosa e vermelho, com direito a fadinhas, anjinhos, confete e casais apaixonados, que não faziam parte da decoração, mas eram quase figuras permanentes. Nina tremeu da cabeça aos pés quando pisou no lugar e foi recebida por fadinhas cor de rosa. Mike contemplava o local com o queixo caído.
- Vale cada galeão...
- Meef...- Nina tentou balbuciar alguma coisa, mas parecia estar assistindo a um filme de terror.
- Vem, aquela é a nossa mesa. – Mike conduziu a menina até uma mesa no fundo, decorada com azevinhos e mais fadas. Nina sacudia os braços freneticamente para espantar as criaturas de seu rosto – Pronto...ah, senhora? Obrigada. Eu vou querer uma cerveja amantegada. E você, Ninys?
- O que a senhora tiver de mais forte... – respondeu Nina, ainda tentando dizimar as fadas como mosquitos.
- Ah, Nin...- os olhos de Michael voltaram o foco para a menina, com um brilho assustador – Olha! Azevinho...duas pessoas embaixo de azevinho, você sabe o que isso quer dizer?
Nina limitou-se esticar o braço e esmagar lentamente o azevinho com as mãos, sem tirar o olhar fulminante de Michael.
- Er...eles estavam me incomodando, de qualquer maneira – disse o menino, mordendo os lábios – Mas então...do que você quer falar?
A menina tinha uma boa resposta na ponta da língua, mas quando iria começar seu monólogo, o sininho da porta tocou, indicando que mais um casal havia chegado. Uma menina loira, com uma expressão tão confusa quanto a de Nina, deu dois passos para trás ao ser recebida pelas fadas. Seu acompanhante era um garoto mais ao menos da altura de Michael, com os olhos de Michael, cabelo de Michael e um sorriso cínico nos lábios.
- Eu...não...acredito – Nina ressaltou cada sílaba com tamanho ódio que fez as fadas desistirem de vez de animar o casal – O que o seu irmão está fazendo aqui?
- Onde? Ah, o Chris veio! Em troca dos diversos favores, eu consegui uma reserva para ele também. Bonita menina, mas não tanto quanto você – respondeu, porém Nina já não estava mais prestando atenção. Se esticava para enxergar o rosto da garota loira, quando pareceu ter levado um choque da cadeira.
- Georgia?! – engasgou com a palavra e escorregou no banco até ficar invisível. Georgia também parecia prestes a cavar um buraco e enterrar a cabeça. Girava os olhos de um lado para outro, tentando localizar algum conhecido. Chris parecia imensamente satisfeito. – Dessa vez...dessa vez...! – os resquícios de azevinho na mão de Nina estavam sendo triturados.
- O que aconteceu? O que tem a garota?!
- “O que tem a garota?!” – repetiu Nina, com uma voz esganiçada que nem de longe lembrava a de Michael. – É só a garota mais...mais...ridícula e idiota e estúpida e... de toda Durmstrang! – Nina agora cravava as unhas na madeira da mesa – Ai, Merlin, ela está olhando para cá! – exclamou Nina, quase de joelhos no chão do Ivy&Leo.
- E qual é o problema? Ah, as nossas bebidas! Aqui, aqui, senhora! – Michael sacudia os braços no ar, atraindo a atenção de metade do restaurante. Chris fingiu um olhar de surpresa e convidou Georgia a se levantar e ir até a mesa do irmão.
- Michael! Que surpresa agradável...e quem seria a sua acompanhante escondida debaixo da mesa? – perguntou Chris, com um sorriso de orelha a orelha. – Ah, Olenova. – Nina foi surgindo lentamente, sentindo o rosto pegar fogo.
- Eu estava procurando a minha...er...lente – respondeu Nina, apontando para algo invisível na palma da mão.
- Já te apresentei a minha amiga? Essa é a Gretchen. Gretchen, Olenova. – Georgia franziu a testa absolutamente revoltada e soltou a mão de Chris.
- É Georgia!
- Tanto faz. Já conhece, Olenova? – perguntou Chris, sem desviar o olhar de Nina.
- Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei vir aqui com você...e eu já conheço a Nina. – disse a menina, afastando as mechas loiras do rosto com violência.
- Muito infelizmente, diga-se de passagem – respondeu Nina, levantando da mesa e encarando a garota. Precisava descontar a raiva em alguém. Georgia não se intimidou e deu um passo a frente. – Que patético, Georgia. A garota mais popular da escola aceitando convites do Parker?! Tempos decadentes...
- Decadentes mesmo. É duro sair com uma pessoa exatamente idêntica ao namorado de alguém como você!
Michael parecia assistir a uma partida de tênis e Chris filmava mentalmente o confronto, encantado. A senhora, que deveria se chamar Ivy, saiu apressada da cozinha para tentar acabar com a confusão.
- Meus queridos, os ânimos parecem estar exaltados...
- Não tem ninguém exaltado aqui, minha senhora! – disse Georgia, praticamente gritando – Para falar a verdade, eu já estou de saída! – pegou a bolsa, lançou um último olhar de desprezo para Chris e bateu a porta com tanta força que as fadas soltaram gritinhos.
- E eu também, não vou participar do seu espetáculo patético! – falou Nina, apontando as garras para Chris. Michael ainda estava mudo, ao lado da senhora Ivy.
- Mas não foi você que dizia ter taaanto interesse no meu irmão? Pois eu te entrego tudo de bandeja e você se esconde debaixo da mesa, Olenova? Assim fica complicado – disse Chris, ficando de pé para chamar a atenção da menina. Ainda tinha um tom cínico na voz, mas estava sério.
- Você...é...patético. Você e toda a sua ceninha ridícula! Ótima pesquisa, eu realmente não gosto da Georgia. Mas acho que ainda tenho mais pena dela do que de você! – respondeu Nina, voltando dois passos, as mãos tremendo.
- Er...queridos...por que todos não resolvemos isso com uma boa xícara de chá fumegante? – disse a senhora Ivy, parando na metade da frase ao encontrar o olhar assassino de Nina.
- Eu realmente sinto muito por toda a confusão, senhora Ivy. Tome, – tirou 10 galeões do bolso – depois eu pago o resto do seu prejuízo. – começou a caminhar em direção a porta, mas ainda foi surpreendida pela última provocação de Chris.
- Pelo menos o meu encontro foi melhor do que o seu. – disse, com uma expressão desafiadora, tentando testar os limites da garota. O restaurante inteiro havia parado e o senhor Leo segurava o braço da esposa para que ela não interrompesse. Nina sentia o olhos arderem e o rosto pegar fogo. Caminhou a passos longos em direção a Chris, o empurrou para o lado e beijou Michael. A cabeça girava, mas simplesmente ignorou a voz descontrolada que gritava dentro dela e focou a atenção no olhar genuinamente surpreso do outro gêmeo. Puxou a bolsa, engoliu seco e bateu com violência a porta do Ivy&Leo, deixando um Chris com a certeza de que tinha passado dos limites.
Wednesday, December 26, 2007
O natal em família, apesar da falta que meu pai faz, foi muito divertido. Os pais de tia Megan que são trouxas, estiveram conosco e tanto eles quanto Ethan, o garoto que minha mãe e Logan querem adotar ficavam estarrecidos em ver as coisas acontecerem magicamente em nossa casa. Vovó mostrou os elfos domésticos que cuidam de nós aqui e era engraçado ver a alegria de Ethan quando um deles aparecia atrás dele com alguma guloseima. Ele olhava maravilhado para as fadinhas pulando de galho em galho na enorme árvore de Natal e foi muito engraçado vê-lo pular assustado quando a rede de Flú foi ligada para que tio Sergei, tia Yulli e Miyako viessem nos dar um abraço.
Meus tios, não estavam aceitando a presença de Logan muito bem. Apesar de eles o conhecerem há anos, ainda se ressentiam com o fato de minha mãe estar se casando poucos meses após a morte de meu pai, mas não falavam nada diretamente a ele, tudo era na base das indiretas, ou gestos.
- Não sente nesta cadeira Logan, era de Kyle...
- Kyle adorava comer manjar turco lembra??
- Você não gosta de doces?Kyle adorava.
- E quando Kyle arrumou briga naquele bar em Glasgow com aquele motoqueiro enorme, só porque ele chamou a Alex de gatinha?
-Sim, ele era o melhor... Não que você não seja bom cowboy...
Quando minha mãe se aproximava meus tios disfarçavam e não citavam meu pai ou faziam algum comentário depreciativo, e tio Logan agüentava tudo calado. Riven comentou depois de ouvir umas destas pérolas:
- Eles estão sendo cruéis. Mamãe ontem fez meu pai dormir na biblioteca por isso, mas não adiantou.
- Se o Logan não agüentar a pressão não serve para casar com nossa tia. - disse Declan categórico, e John deu-lhe um soco no braço dizendo:
- Deixa de ser baba ovo de tia, garoto. O cara esperou por ela a vida toda, agora que ela tá livre, vai desistir? Desculpe Ty.- disse meio sem jeito.
- Tudo bem. Eu já teria socado os pais de vocês. Tenho que admirar o auto controle de tio Logan. - respondi e olhei para o local onde Mary, junto com Brian e Brianna ensinavam Ethan a jogar snap explosivo.
Sorri. O garoto parecia se adaptar bem a nós, e às vezes eu o pegava olhando com admiração para minha mãe ou para as coisas ao nosso redor, como se estivesse no meio de um sonho. Voltei a prestar atenção à conversa:
- ...Tão provocando de propósito, querem ver com quem ele estoura primeiro. E depois nós é que somos crianças. - disse Chloe, a mais calada das meninas, enquanto lia seu novo livro de Runas.
- Aposto que se o Logan partir pra briga, ele ganha. Ele é frio. – disse pegando uma moeda do bolso e jogando para John, enquanto ele anotava nossos nomes.
- Eu aposto que vovó, acaba com tudo rapidamente. – disse Amber, e deu seu dinheiro. Meus primos reviraram os seus bolsos, fazendo as apostas e Sophia foi a última e disse:
- Pois eu aposto que se uma briga começar, tia Alex detona todos eles. – rimos.
Vimos quando minha mãe abriu os pergaminhos com as anotações sobre o casamento e ia dizendo, enquanto riscava as tarefas:
- Wayne vai cuidar das chaves de portal dos amigos do Brasil, Alucard vai cuidar dos amigos de Londres... Sergei já programou a deles. Hanna pegará meu buquê... Já peguei o vestido... Preciso mandar a ordem de pagamento para o florista e os músicos ficaram a cargo de Annabeth...
- Os garotos podem ficar recebendo as pessoas, assim ficam longe de confusão. – sugeriu tia Megan e mamãe concordou e anotou no pergaminho. Vovó completava a lista de comidas e bebidas que a mãe de tio Logan enviou via coruja urgente e ditava ordens para Buttler, o elfo encarregado da cozinha.
- Deixe que eu envio as ordens de pagamento Alex, é só passar a lista. – disse tio Logan prestativo.
-É tradição a família da noiva bancar a festa...- começou vovó, mas parou ao ver a cara séria de Logan.
- Não quero que você mexa em seu dinheiro. É seu e de Ty, eu pago tudo. – ele explicou.
- Alex sempre dividiu as contas com Kyle. Não sei por que mudaria agora... – disse tio Kieran, o pai de Amber, e isso inflamou tio Logan, fazendo com que respondesse ríspido:
- Não sou o Kyle. Eu pagarei as despesas que minha mulher fizer para o nosso casamento.
- Está dizendo que meu irmão não pagava as contas da mulher dele?- perguntou tio Dylan que estava jogando poker com tio Ian, tio Leonardo e tio Jack.
- Não me interessa o que Kyle fazia antes, agora eu serei o marido da Alex e vou pagar as contas. - E todos eles ficaram de pé ao mesmo tempo, aquilo cheirava a briga.
Mary empurrou os mais novos para um lugar mais seguro e eu, John e Declan nos aproximamos para segurá-los caso fossem às vias de fato, e eles começaram a se encarar. Mamãe ficou na frente deles e disse irritada:
- O que esta havendo aqui? Não vão dizer? Onde foi parar a valentia de agora a pouco?
- Eles têm provocado Logan, comparando-o ao Kyle, há dias Alex. – respondeu tia Patrícia quando entrou na sala segurando o pequeno Kayan no colo, e recebeu um olhar dardejante de tio Dylan, que ela ignorou.
- Vocês não têm vergonha em magoar alguém que não fez nada a vocês? – pela segunda vez naquela semana vi os olhos de minha mãe brilharem com lágrimas que ela segurava, e meus tios ao verem aquilo começaram a ficar embaraçados e tio Logan a olhava sem saber o que fazer.
- Estranho... O normal seria sua mãe dar uns gritos com eles... e não ficar “sensível”.- comentou Declan e eu balancei a cabeça pasmo. Mamãe tava tão... ’Mulherzinha’.
Ethan parecia procurar algum lugar para se esconder e se acalmou quando Brianna segurou a mão dele. Olhei firme para ele e pensei que tudo ficaria bem. Ele olhou nos meus olhos e pareceu entender isso. Será que meu novo irmão já sabia legilimência? E o que mais ele saberia fazer?
Vovó levantou-se e resolveu o problema:
- Meu filho, embora não demonstrasse, sempre admirou a amizade que Logan dedicou a Alex e à nossa família, e se ele estivesse aqui iria mandar vocês pastarem por agirem xomo crianças birrentas, rejeitando um colega novo. – olhava duro para cada um deles e era muito legal ver os coroas levarem bronca da vovó.
- Que falta faz uma filmadora agora... - sussurrou John e concordamos com ele, enquanto ela voltasse a dar bronca.
- Alex sempre apoiou cada membro desta família em todos os momentos e agora vocês retribuem com esta palhaçada? Logan não é o Kyle, mas uma coisa que ele tem em comum com meu filho é o amor incondicional por Alexandra e Ty, e isso para mim é o suficiente para recebê-lo de braços abertos na família. Minha vontade é dar-lhes um bom puxão de orelhas. - e acabaram sorrindo quando tio Ian protegeu as dele. Cada um deles ficou mexendo os pés sem graça e tio Leo, pigarreou e disse:
- Gostaria de conhecer aqueles cavalos que você cria Logan, dizem que são rápidos... - e olhou para os outros, os incentivando.
- Já pensou na lua de mel? Nós podemos ajudá-lo a escolher um bom lugar, pode ser o nosso presente de boas vindas à família. - disse tio Jack e os outros concordaram.
Tio Logan aproximou-se de minha mãe e perguntou, segurando seu rosto:
- Tudo bem amor?- e notei que ele não se referia aos oferecimentos de meus tios.
Ela sorriu e disse:
- Gostaria de dividir ok? Famílias dividem tudo. - e depois de pensar um pouco, ele sorriu concordando com ela. E virou-se para mim:
- Ty, já que a festa é no rancho, você poderia convidar seus amigos da escola, talvez eles apreciem escapar do frio. E se quiserem podem passar a semana lá, depois os mandamos de volta juntos, o que acha?
- Vai ser ótimo. Vou escrever para todos agora.
Subi ao meu quarto para escrever quantos pergaminhos pudesse e meus primos foram buscar suas corujas, estavam muito animados. Quando desci, vi Amber receber o dinheiro ganho com a aposta. Ela foi a única que lembrou do gênio forte de nossa avó.
Tuesday, December 25, 2007
‘Evie, apresente seu amigo’ Disse sorrindo encarando Micah
‘Desculpe’ Respondeu parando ao lado dele ‘Esse é o Micah, um amigo de Durmstrang. Micah, essas são Nicole, Vivian e Teresa’ Ela fez uma pausa e riu antes de terminar ‘Minhas mães’
‘Não meu bebê, por favor. Mamãe não gosta de ser chamada pelo nome’ A morena chamada Teresa alisou o cabelo de Evie em tom de brincadeira ‘É Tessa, Nicki e Vivi’
‘Muito prazer, Micah’ A ruiva chamada Vivian estendeu a mão a ele, com um sorriso estranho no rosto. Como se ela visse algo que mais ninguém pudesse ver ‘Obrigada por trazer a Evie até aqui. Espero que fique conosco pelo resto das férias também’
‘Sabíamos que viria, meu amor’ Nicki explicou quando ela se mostrou surpresa por elas estarem a esperando ‘Quando não a vimos no velório de sua avó, imaginamos que estaria a caminho daqui e voltamos, nem esperamos o enterro’
‘Seu quarto está pronto já, mas não temos uma cama extra nele’ Vivi acrescentou ‘Mas nada que um rápido aceno de varinha não resolva!’
‘Vou enviar uma coruja à sua tia Madalena. Ela pediu que a avisássemos quando você chegasse. Ela e Sofia estavam preocupadas com a sua ausência’
‘E Nicki e eu vamos providenciar a cama extra, voltamos logo e aí sentaremos para conversar’ Vivi empurrou Nicki para fora da sala, deixando os dois a sós
‘Evi, não sei se devo ficar’ Micah falou sem jeito ‘Acho melhor voltar pra Durmstrang, não vou me sentir a vontade’
‘Por favor, não vai’ Ela segurou sua mão num impulso ‘Amo as três mais que tudo e sei que posso contar com elas sempre que precisar, mas no momento o que eu preciso é de um amigo comigo’
‘Tudo bem, eu fico’ Respondeu depois de alguns segundos, sorrindo de leve ‘Mas tenho que mandar uma coruja pros baixinhos, eles não sabem que saímos’
‘Também vou escrever para as meninas contando que estamos aqui e o que aconteceu’
‘Elas vão colocar cama extra no seu quarto?’ Micah perguntou rindo maroto
‘Sim. Espero que não ronque’ Respondeu brincando
‘Essa devia ser a menor das suas preocupações’
‘Há Há Há, como você é engraçado!’ Disse forçando a risada e ficando séria em seguida, o fazendo rir. Tudo que ela precisava era de diversão, para se manter ocupada e não pensar na avó. E a semana prometia ajudar.
~*~*~*~*~*~
‘Evi?’ Micah se mexeu em sua cama ‘Está dormindo?’
‘Não’ Ele ouviu a amiga se mexer na cama do outro lado do quarto ‘Que horas são?’
‘Já passou de uma da manhã. Estou sem sono’
‘Eu também. Ouvi muita coisa hoje, o dia parece ter durado 30 horas’ Mesmo sem poder vê-la por causa do escuro, ele sabia pela voz que ela estava com uma expressão desanimada
‘Acho que fez bem em não ir ao velório’ Ele sentiu que precisava tocar no assunto ‘Não é agradável’
‘Velório é horrível, vovó odiava tudo isso, achava de mau gosto’ Ele a ouviu respirar pesado ‘Quando minha mãe morreu, meu pai obrigou Max e eu a ficarmos de pé ao lado do caixão recebendo condolências das pessoas. Tínhamos 9 anos!’ Ela elevou a voz e ele podia jurar que ela estava segurando o choro ‘Eu tento não lembrar, mas sempre que penso na minha mãe a primeira imagem que me vem à cabeça é a dela no caixão’
‘Não consigo imaginar como foi ruim pra vocês’ Micah se ajeitou de lado na cama para conversar melhor e acendeu a luz do abajur, deixando o quarto iluminado apenas por uma luz fraca ‘Também não gosto de velórios, e justamente por esse motivo. É de extremo mau gosto ficar velando um corpo. Seu pai foi cruel obrigando duas crianças a passar por isso’
‘Meu pai não é a pessoa mais gentil do mundo, ele acha que só os fracos choram’ Ela riu ‘Foi vovó quem nos resgatou depois de um tempo. Brigou com ele na frente de todo mundo e nos levou embora. Só deixou que voltássemos quando o caixão já estava para ser enterrado, para que deixássemos as coisas que queríamos sobre ele’
‘Sua avó parece ter sido uma ótima pessoa’
‘Ela era a melhor’ Disse com a voz já saudosa ‘Conseguia manter a família junta nas férias sem que ninguém se desentendesse. Ela simplesmente fazia a paz reinar. Assim, sem qualquer esforço’
‘Sinto falta da minha avó também’ Micah adotou o mesmo tom saudoso dela ‘Fazem dois aos que ela morreu’
‘Sinto muito, não sabia’
‘Tudo bem, não costumo sair contando por ai’ Riu ‘Depois que ela faleceu passei a morar com Andrea e Michael, mas eles precisaram viajar e optei por ficar na escola para não passar o natal sozinho’
‘Andrea e Michael? Por que não diz “meus pais”?’ Evie riu
‘Porque eles não são meus pais,’
Apesar da luz fraca, Evie percebeu que Micah estava sério. Talvez estivesse tocando em um ponto que ele não gostava de falar. E pensando assim ela resolveu não continuar a fazer perguntas, apenas o encarou muda.
‘Pode perguntar, sei que está se coçando por dentro’ Ele riu da inquietação dela ‘Prometo não responder com sarcasmo’
‘Você, hmm, eles são...’
‘Meus pais adotivos, sim’ Micah completou para ela
‘Quando seus pais morreram?’
‘Eles não morreram, ainda estão vivos’ Ele não sabia por que estava contando isso a ela, mas algo o impedia de parar ‘Acho que eram muito novos quando eu nasci, então me largaram com a minha avó para que ela me criasse e sumiram no mundo. Vinham me visitar quando eu fazia aniversário, traziam presentes e depois sumiam outra vez. Mas depois que fiz 5 anos, pararam de vir. Nunca mais os vi’
‘Mas você não tem um irmão?’ Ela estava achando aquilo tudo um absurdo e não entendia porque ele falava com tanta naturalidade. Aquilo não era a coisa mais normal do mundo, como ele fazia parecer ‘Você apresentou um menino com seu irmão nas Olimpíadas. Ele é filho de quem então?’
‘Sim, o Connor... Ele também é filho deles, fizeram a mesma coisa com ele. Mas eu não estava em casa quando eles o largaram lá, e diferente de como foi comigo, nunca apareceram nos aniversários dele’
‘Micah, isso é um absurdo! Como você aceita isso?’
‘Por que teria que me incomodar se nunca os conheci de fato?’ Ele agora a encarava na penumbra e não sorria ‘Pra mim, aqueles dois não passam de meros estranhos, que me deram alguns brinquedos quando eu era criança. Para ser sincero, pouco me lembro da fisionomia deles’
Ele parou de falar e ambos ficaram mudos por um tempo, sem se olharem. Evie pensava no quanto ele devia ter sofrido com isso, embora mesmo conhecendo ele há pouco tempo soubesse que nunca admitiria isso. Micah pensava no porque de ter dito aquelas coisas a ela, coisas que ele nunca contou a ninguém, a nenhum de seus amigos, mesmo os de anos. Como se fosse capaz de ler seus pensamentos, respondeu a pergunta que ela estava se remoendo para fazer.
‘Quando minha avó faleceu, Connor e eu fomos mandados para um orfanato. Eu já estudava, então passava o ano inteiro fora e só ia para lá nas férias. Connor acabou sendo adotado por uma família. Eles são legais, sabe, gostam dele de verdade, mas acabamos separados. Eu acabei indo morar com Andrea e Michael’
‘E você não vê mais seu irmão?’
‘Vejo sim. Sabendo o que tinha acontecido com Connor, eles procuraram a família dele e fizeram uma espécie de acordo. E com esse acordo deles, Connor sempre passa alguns dias de férias conosco’ Ele deixou um leve suspiro escapar e o transformou numa tosse ‘Queria ter ido para casa para vê-lo, mas acho que terei que esperar até a Páscoa’
Não era preciso dizer mais nada para que ambos soubessem que o assunto estava encerrado. Micah já havia falado mais do que um dia pensou em falar e mesmo sem ter pedido, ele sabia que ela não contaria a ninguém. Mesmo que não fosse nenhum segredo, não era algo que ele gostasse de explicar às pessoas. Os dois ficaram mudos no quarto pouco iluminado, mas o silencio não durou muito. Evie teve um ataque de riso causado pelo clima tenso, e Micah não conseguiu manter-se sério por mais muito tempo. Riam tão alto que não ouviram o barulho dos passos de Vivian e nem quando ela parou na porta do quarto, observando os dois sorrindo por um longo tempo antes de bater e anunciar que estava ali.
‘Chega de conversa por hoje, já são quase 2hs e vou arrancar vocês cedo da cama!’ A ouviram dizer
‘Ok’ Responderam juntos, ainda rindo
‘Boa noite, John Boy’ Evie falou se enrolando no lençol
‘Boa noite, Mary Ellen’ Micah respondeu já com a cabeça enterrada no travesseiro
‘Boa noite família Walton. Luzes apagadas’
Vivian deixou o corredor às escuras e fechou a porta rindo. Sabia que aquele era o começo de uma história complicada, mas que poderia ter um final feliz. Só dependeria dela.
You’ve got a way with words
You get me smiling even when it hurts
There’s no way to measure what your love is worth
I can’t believe the way you get through to me
Notting Hill – You’ve Got a Way
Thursday, December 20, 2007
A véspera de natal chegou e Evie nem sentiu o tempo passar. Não sentia a menor vontade de voltar para sua própria república. Voltava a Avalon vazia apenas para pegar roupas limpas e saia outra vez. Mas na última visita rápida encontrou a coruja de Max repousando em cima da cômoda de seu quarto. Havia esquecido a janela aberta e a ave entrara. Nem foi preciso pegar a carta presa à sua pata para saber seu conteúdo. A notícia que ela mais temia nos últimos dias havia enfim chegado.
Com as mãos trêmulas, Evie conseguiu soltar o envelope da pata da coruja e a soltou pela janela. Não queria abrir, tinha receio de que descobrisse estar certa. Enfiou a carta no bolso e retornou a Spartacus. Os meninos estavam na cozinha sujando tudo para conseguir preparar uma pizza e ela subiu as escadas correndo, fechando a porta do quarto e se largando na cama que era de Dimitri e que estava usando para dormir na última semana. A carta estava amassada na sua mão e ela respirou fundo antes de abrir. Max confirmara a sua maior preocupação: sua avó havia falecido naquela manhã.
~*~*~*~*~
‘Aí está você’ Micah entrou em seu quarto e encontrou Evie sentada na janela olhando distraída para os jardins ‘Pensei que tivesse ido embora sem nos avisar’
‘Se não se importa, estava pensando em ficar aqui mais um pouco’ Evie desviou a atenção dos jardins quando Micah sentou na janela ao seu lado
‘Fique o tempo que quiser, tem muita cama sobrando aqui’
‘Obrigada. Vou continuar com a do Dimitri mesmo’ ela voltou a encarar o jardim
Micah sabia em que ela estava pensando, mas não sabia se deveria tocar no assunto. ‘Talvez ela não queira falar’ foi o que ele imaginou e decidiu esperar até que ela desse o primeiro passo. Em vez de conversar, Micah passou a encarar o jardim também, sentado ao lado dela.
‘Minha avó morreu’ Evie falou de repente e Micah sentou de frente para ela
‘Eu sei... Li a carta na sua mão quando vim te chamar pra comer a pizza, fiquei preocupado quando vi que dormiu chorando. Mas achei que você talvez não quisesse falar nada sobre isso, então não perguntei’
‘Não achei que fosse falar algo também’ ela virou de frente para Micah para encará-lo ‘Eu sabia que isso ia acontecer, mas não tive coragem de ir para casa. Max disse que eu era covarde por fazer isso’
‘Então foi por isso que você brigou com ele?’
‘Sim... Mas ele tinha razão, eu sou mesmo uma covarde. Não tive coragem de ir para casa me despedir da minha avó, preferi ficar aqui e fingir que nada disso estava acontecendo. Eu sou uma covarde e agora estou arrependida e é tarde demais’
‘Ei, você não é covarde’ Micah forçou-a a olhar para ele ‘Olha pra mim, Evi. Você não é covarde por não querer ver sua avó morrer’
‘Então por que me sinto uma?’ Evie tinha uma expressão triste no rosto, mas não derramava nenhuma lágrima
‘Nunca deixe que ninguém diga isso de você’ ele soltou seu queixo e ela não desviou o olhar dele ‘Não tem nada de errado em não querer ver uma pessoa que você ama morrer na sua frente’
‘Quem chamou você de covarde?’ Micah não havia dito, mas Evie sabia que era isso. Ela não sabia como, apenas sabia
‘Ninguém importante. Mas ele estava errado’
‘É, acho que você tem razão’ ela deixou escapar um longo suspiro antes de levantar ‘Vou dormir, boa noite’
‘Boa noite’ Evie fechou a porta do quarto quando saiu e Micah permaneceu na janela, pensativo
~*~*~*~*~
‘Ei, aonde você vai?’
Micah parou no meio da escada vendo Evie sair da casa. A garota apenas sorriu e não respondeu sua pergunta, fechando a porta. Micah correu atrás dela e a deteve no meio do jardim.
‘Eu fiz uma pergunta’ ele segurou seu braço e soltou em seguida, percebendo que ela havia ficado irritada
‘Não lhe devo satisfação de nada’ Evie continuou andando e Micah foi atrás
‘Não disse que me deve satisfação, só estou perguntando aonde vai e porque ia sair escondida’
‘Vou até Sofia, para o enterro da minha avó’ ela disse por fim ‘Não sou covarde, posso fazer isso’
‘E está fazendo isso por você mesma ou só para provar para o seu irmão que ele estava errado?’
‘Por mim, claro’
‘Está bem então, eu vou com você’
‘Faça como quiser’
Ela deu as costas para ele e continuar caminhando até os portões. Micah ainda olhou para a república e lembrou que não tinha avisado nada aos meninos, mas não voltou e correu para alcançá-la. Mesmo dando coices, ele sabia que ela estava triste e não ia deixá-la sozinha.
~*~*~*~*~
O funeral de Evangeline Montez Stanislav acontecia na Igreja de Santa Sofia e toda sua família e amigos estavam presentes. Todos, menos sua segunda neta mais velha. Evie observava toda a movimentação de longe, do outro lado da rua.
‘Ela não queria nada disso, está tudo errado’ Evie falou depois de um longo tempo em silêncio
‘O que está errado?’
‘Ela não queria nada disso, odiava ser o centro das atenções e sempre falou que não queria esse monte de gente velando o corpo dela. Ninguém escutava o que ela dizia’
‘Por que não vai até lá então e diz o que ela queria?’ Micah se aproximou dela
‘Ela era minha madrinha também, temos o mesmo nome’ Evie continuou falando sem tirar os olhos das pessoas na igreja ‘Max estava certo, sou uma covarde e não consigo fazer isso’
‘Você não é covarde, Evi’
‘Ela vai fazer muita falta’ ela falou em um tom de voz tão baixo que ele provavelmente não teria ouvido se não tivesse esperando ‘Muita falta’
Era como se ela tivesse falando para si mesma, mas ainda assim queria ser ouvida. Ela então se afastou da calçada e parou em frente a ele, olhando mais uma vez para sua família na porta da igreja.
‘Tenho certeza que sim’ Micah respondeu com um sorriso leve, sem esperar o que viria a seguir. Evie se aproximou dele e o abraçou, descansando a cabeça em seu ombro e se deixando chorar de verdade pela primeira vez desde que soube da morte da avó.
Micah estava surpreso com o gesto, a princípio. Evie não costumava ter esse tipo de comportamento com ele, mesmo ele sabendo que ela era assim com seus amigos. A amizade deles era mais relaxada, mais a base de brincadeiras e briguinhas sem sentido e menos momentos calmos como esse. Mas por mais estranho que fosse, ele estava gostando dessa sensação de tranqüilidade.
Levando as mãos até as costas dela, Micah puxou seu corpo para mais perto do dele, e a deixou chorar em seus braços. Evie suspirou e deu uma última olhada em sua família antes de encará-lo.
‘Vamos embora’
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Os dois pararam em frente a uma casa de aparência antiga, como uma casa de campo. Eles estavam em Jeravna, uma cidade totalmente bruxa no interior da Bulgária. Evie olhava ao redor sorrindo e parecia estar tentando perceber alguma diferença no cenário, como se há muito tempo não o visse. A porta da casa se abriu de repente e três mulheres aparentando ter a mesma idade apareceram na soleira, olhando a menina com sorrisos saudosos no rosto.
‘Estávamos esperando você aparecer, querida’ a mulher morena de cabelos muito negros se adiantou e abraçou Evie ‘Entrem, os dois, está frio aqui fora’