Thursday, May 29, 2008
O Raimbow Room, era um lugar simplesmente maravilhoso, todo chique e elegante e nos estávamos todas super arrumadas, afinal Evie havia dito que era um jantar formal. Não imaginávamos o quão formal seria e ficamos de boca aberta com o que vimos. Havia dezenas de talheres, taças de cristal de todos os tamanhos, e os homens usavam ternos. Entramos e logo estávamos rodeadas pela família da Evie e nos acomodamos perto dela e de sua prima Pilar. Geórgia chegou um pouco depois e se entrosou com o avô e o tio da Evie, num animado bate papo.
- Nossa, ela puxa o saco até numa ocasião festiva... Patético. – disse Nina.
- Mas se ela não fizer isso não é a Geórgia que conhecemos não é? Pelo menos com ela lá, o avô da Evie não fica de olho em nós. – comentei e rimos.
- Evie...Acho que não vou saber nem começar a comer...- Annia comentou ao olhar os talheres.
- Não se preocupe com isso, Pilar e eu ajudamos vocês, basta nos observar. - respondeu Evie.
Logo os meninos chegaram e já na entrada dava pra ver que eles estavam curiosos com o local, Ty e Ricard iam explicando as coisas e após cumprimentar a aniversariante, todos nos acomodamos e Iago estava sentado na minha frente. Olhou-me sério e disse:
- Você está bonita.
- Er..Hummm. Obrigada, você também. – respondi sorrindo e a Vina, deu a famosa tossidinha, olhei torto e ela disse cínica:
- Deve ter algo no ar condicionado que está fazendo meus brônquios expandirem...
Logo o jantar começava com os garçons servindo as bebidas pelo lado direito e era engraçado observar os meninos com professores tão exigentes:
- Não é para usar o guardanapo como toalha de banho e nem babador, Victor. – resmungou Ricard e Victor obedeceu, colocando o guardanapo no colo rindo debochado.
Iago pegou um pãozinho e esticou o braço para pegar outro quando Ty falou baixo:
- Apenas um pãozinho, Karkaroff.
- Estou com fome...
- UM! Quer que eu resolva seu problema de fome em definitivo?- resmungou Ty e logo ele virava para o Micah.
- Solta esta taça agora, isso não é limonada.
- Não? Mas está com uma cara ótima e eu estou com sede.
- Isso é para lavar as pontas dos dedos. – Ty explicou e Micah riu:
- Você tá me zoando né?- e olhou para Pilar e Evie que sacudiram a cabeça concordando com Ty e vimos Victor levantar a mão e acenar:
- Vou chamar o garçom...
- Ele não é cego, sabe que seu copo está vazio. Abaixe esta mão, não sabe ter paciência? - censurou Ricard.
Quando estávamos comendo o filet, Ty olhou feio para Iago que comentava animado sobre o ultimo jogo e usava os talheres para enfatizar suas palavras:
- Yéti, menos animação, daqui a pouco a vaca salta da sua boca.
- Ele vai matar alguém esfaqueado antes disso, Ty. - comentou Ricard e vimos Iago abaixar os talheres sem graça.
- O que é isso? – perguntou Micah
- Escargot, é muito bom e é assim que se come. - respondeu Ty pegando uma pinça e uma faquinha pontuda, tirou uma carne de dentro da concha e comeu.
Micah segurou a concha com cuidado e fez o mesmo, colocou uma daquelas na boca, quando Victor comentou:
- Até que lesma não é tão ruim assim não é?
- Lesma? – Micah começou a ficar verde e Ty disse:
- Segura, respira pelo nariz, e engole. Não vá vomitar aqui. Olha o vexame.
O resto da noite e do jantar foram tranqüilos, e era muito engraçado ver Ty sempre tão estabanado, dando aulas de etiqueta para os meninos. Foi uma noite muito divertida.
o-o-o-o-o
- O que temos hoje??- perguntei com cara de sono.
- O de sempre...Aulas, aulas e OH! Alarme falso, aulas de novo. - respondeu Nina e rimos.
Quando entramos no castelo, os alunos estavam agitados. Começamos a tomar café e logo o pai da Annia pedia silêncio:
- Bom dia a todos! Esta semana será uma semana de novidades nesta escola...
- Mais?- gritou um aluno e até o diretor riu:
- Sim, Poliakov, mas continuando... Está chegando a época de provas e pensamos numa forma de realizarmos todas de uma forma diferente, onde além do aprendizado e boas notas, vocês também tenham alguma diversão. Alguém tem alguma idéia de como faríamos isso?
- O senhor vai dar notas altas para todos enquanto fazemos uma festa?- Ty perguntou e até o diretor riu, enquanto explicava:
- Vai ser melhor senhor McGregor. Com a finalidade de ajudarmos os alunos a estudarem para os exames finais, faremos um simulado. (o pessoal se agitou e ele levantou a mão no ar e o salão silenciou). Teremos um simulado, com tarefas organizadas onde terão que utilizar todo o seu conhecimento, em situações de dificuldade criadas pelos professores. Isso os preparará para as provas finais que se realizarão de 09 a 20 de junho. Tenho certeza que este simulado, trará uma forma nova e divertida de aprendizado. Uma boa semana a todos!
Vina praticamente caiu do banco desmaiada e não estava sozinha. Por todo o salão notava-se o olhar de medo de outros alunos, os únicos que não estavam apavorados eram Micah, Ty e alguns outros alunos estrangeiros, talvez por estarem acostumados com esta história de simulado.
- O que o seu pai tem na cabeça Annia?? Ele comeu cocô? Ai, Odin, temos um diretor drogado. - perguntou Vina histérica.
- A culpa é da sua mãe Ty. Quem mandou ela apresentar diretores de outras escolas pra ele? Agora cada semana é uma idéia nova. - Annia respondeu azeda, olhando feio para o Ty que retrucou:
- Mamãe só apresentou algumas pessoas ao seu pai, não tenho culpa dele ficar animado com as novidades e querer fazer test drive na escola. E não precisam ficar histéricas, simulado é a coisa mais simples do mundo. - respondeu Ty e ele recuou quando viu 5 pares de olhos zangados na direção dele.
- Agora a coisa está feita, vamos nos organizar para estudar. - disse Nina já fazendo as listas de estudos. Teríamos muito, mas muito que revisar, acho que vamos montar acampamento na biblioteca da escola.
Wednesday, May 28, 2008
‘Ty, acho que você assustou todo mundo quando começou a dizer o que fazer com todos os talheres!’ Evie comentou rindo e todos concordaram ‘Foi chocante!’
‘É, ele é realmente uma caixinha de surpresas... ’ Jolie olhou para ele ainda incrédula e ele riu
‘Foram anos ouvindo berros histéricos e sendo atingido por uma vareta quando curvava a coluna ou pegava o talher errado’
‘Evie, você precisa levar essa turma na casa do vovô quando tiver a família toda reunida!’ Pilar falou animada ‘Já foi engraçado quando o Micah foi lá, imagina essa gente toda?’
‘Vou providenciar isso’ Respondeu e logo sua atenção foi desviada para a rua que dava no restaurante. Ela abriu um enorme sorriso ‘Dimitri!’
Um garoto magro, pálido e de cabelos cacheados vinha caminhando na direção do nosso grupo e abraçou Evie sorridente. Cumprimentou Pilar e logo começou a se desculpar por perder o jantar, voltando a abraçá-la. Depois falou rapidamente com cada um dos outros e Evie o puxou de volta para continuar o apertando. As meninas pareciam estar se divertindo e achando engraçado, mas minha atenção ficou presa no rosto do garoto. Já havia visto ele diversas vezes pela escola, mas só agora sabia que ele era irmão dela. Sem perceber comecei a caminhar para trás e me afastar do grupo.
‘Micah, onde está indo?’ Chris perguntou confuso ‘Eles ainda não voltaram’
‘Micah?’ Ty reforçou ‘Ei, espera!’
Continuei andando sem olhar para trás, mas podia ouvir os passos de Ty, Chris e Iago me alcançando. Passaram na minha frente e bloquearam o caminho, me forçando a parar.
‘O que aconteceu? Você está meio pálido’ Iago comentou olhando meu rosto
‘Nada, só estava voltando para a republica, está tarde’
‘Ah claro, e nós acreditamos!’ Ty riu ‘Não adianta tentar nos enrolar, Micah’
Os três cruzaram os braços me encarando e não via outra saída senão contar a eles. Não sabia o que poderia fazer sozinho, talvez pudessem ajudar de alguma forma.
‘Ok, eu não fui 100% sincero quando disse que tinha contado toda a história do incidente com Max e os outros’
‘Por que algo me dizia que ele não tinha contado tudo?’ Ty olhou de Iago para Chris balançando a cabeça
Fiz sinal para não me interromperem mais e contei a eles toda a história, dessa vez sem buracos no meio. Quando cheguei à parte que o garoto tirou a máscara, os três se espantaram.
‘Está dizendo que Dimitri matou aquele homem?’ Chris falou quando terminei ‘Não é possível!’
‘Foi ele, eu sei o que vi. Nunca mais vou esquecer o rosto daquele garoto, e nem a cara de desespero dele quando viu o que tinha feito’
‘Micah, porque não nos contou isso antes?’ Iago falou alto e abaixou a voz ‘Por que não falou quem era o garoto?’
‘Porque eu não sabia que ele era irmão dela!’ Respondi entre dentes ‘Não fazia idéia de quem ele era, até agora!’
‘Espera, volta um pouco!’ Ty interrompeu com uma cara de espanto ‘Você disse que o homem que deu a seringa pro Dimitri disse que era pai dele. Então o cara...? E o outro...?’
‘Sim, é o pai da Evie! E o Max também!’ ficamos nos encarando mudos por alguns instantes, até que Chris quebrou o silencio
‘Não, não pode ser’ Andava de um lado para o outro enquanto falava ‘Conheço Dimitri, ele não é desse tipo. Não duvido de Max ou do pai dela, mas o Dimitri não!’
‘Não sei se ele é ou não desse tipo, mas se continuar sendo instruído por aquele homem, esse vai ter sido só o primeiro. Max também já matou alguém, e duvido que tenha sido apenas uma vez. Evie está morando numa casa com duas pessoas perigosas’
Ficamos os quarto calados alguns segundos, assimilando as coisas. Chris comentou algo sobre escrever a seu pai assim que chegasse a republica e Ty dizia que ia contar aos tios, mas não ouvi o resto. Iago fez sinal para eles mudarem de assunto e Victor e Ricard nos alcançaram. Ricard revirando os olhos e Victor rindo alto.
‘Victor nunca jantou fora. Ele estava tirando fotos até com o vaso sanitário no banheiro’ Ricard comentou com ar de reprovação e rimos
‘Claro que já jantei fora, mas não num lugar como esse! O banheiro é maior que meu quarto!’ Victor continuava rindo ‘Vou colocar as fotos no mural da república’
Eles continuaram avaliando o banheiro do restaurante, mas minha atenção se dissipou da conversa e voltou para a porta do restaurante onde Evie ainda abraçada o irmão, rindo. Eles pareciam ter uma ligação forte. Continuei encarando os dois e demorei a perceber que todos me olhavam com sorrisos de deboche.
‘O que foi?’
‘Micah ama Evie, Micah ama Evie’ Ty e Victor repetiram isso mais de 5 vezes com uma voz afetada e em tom de canção. Revirei os olhos ‘Micah ama Evie, Micah ama Evie’
‘Merlin, quantos anos vocês têm? Seis?’
‘Fala a verdade, quanto tempo você gastou procurando aquele presente pra ela?’ Ricard perguntou rindo ‘Deve ter levado uma eternidade. E custado uma fortuna, claro!’
‘Marcou um golaço com ele!’ Chris engrossou o coro
‘Eu presto atenção quando você fala...’ Iago me imitou com uma voz idiota e eles riram
‘Não encham meu saco’
‘Ih ficou brabinho!’ Ty fingiu estar com medo e não consegui evitar rir ‘Acalme seu coração, meu jovem. Ela também gosta de você, não há o que temer’
‘Se não gostava, depois desse presente tão “especial” passou a gostar. O amor é lindo...’ Victor provocou fazendo uma careta débil
‘Se ao menos eles admitissem que gostam um do outro, o mundo seria diferente’ Ricard falou com uma cara desapontada e revirei os olhos
‘Ok, vocês estão certos, eu gosto dela! Satisfeitos?’ Falei impaciente
‘Gosta “ela é legal pra matar o tempo” ou gosta “essa é pra casar”?’ Ty perguntou debochado
‘Só respondo na presença do meu advogado’ Respondi com a mesma cara idiota dele e sai andando em direção ao castelo
‘Huuuum! Ouço sinos!’ Victor falou alto e ouvi o coro de aprovação dos outros
Ele e Ty recomeçaram a cantar, dessa vez com todos ajudando, e vieram os quatro atrás de mim sem interromper a cantoria até a república, quando ameacei azará-los enquanto dormiam. Agora eu sabia que não teria mais paz.
Monday, May 26, 2008
‘Já disse que sim’ Georgia respondeu impaciente
‘Então está tudo certo’ Nina estendeu a mão para ela orgulhosa ‘Amanhã o Expresso Polar volta à ativa!’
‘E sábado ele sairá de manhã cedo, não se preocupe’ Micah sorriu satisfeito e se levantou, saindo da sala atrás de Nina
Ia sair atrás deles, mas fui impedida por um par de mãos que segurou meu braço. Fiquei de frente para ela e soltou meu braço.
‘Precisamos conversar’ Disse direta e me espantei
‘Já acertamos tudo para o fim da greve, o que ficou faltando?’
‘O jornal vai voltar a circular, mas essa greve o deixou sob avaliação. O diretor quer suspender as atividades dele, a menos que comece a demonstrar um bom entrosamento não só com o staff, mas com os leitores. Perdemos muitos deles com essa paralisação, e se não os resgatarmos de volta, é o fim do Expresso Polar’
‘E o que eu tenho com isso? A editora-chefe é você, não eu’
‘Quero que seja a vice editora-chefe do jornal’ Arregalei os olhos surpresa, mas ela não me deixou interrompê-la ‘Sozinha não vou conseguir fazer isso, e não sei por que, mas você parece ter a simpatia de boa parte dos alunos. Se unirmos forças, podemos salvar o jornal’
‘Me dê apenas um único motivo para ajudá-la nisso’
‘Porque não somos tão diferentes assim, Parvanov’ Ela riu debochada ‘Sei que quer conseguir um bom estágio no Departamento Internacional de Magia e para isso, nós duas sabemos que não basta apenas fazer parte de todos os clubes da escola. Temos que liderar alguma coisa, fazer mais que os outros, mostrarmos que somos capazes de resolver problemas por conta própria. Eles oferecem somente duas vagas por semestre, elas podem ser nossas. Então? O que me diz?’
Fiquei parada alguns segundos encarando-a, sem saber se aceitava ou não. Por mais doloroso que fosse admitir, Georgia estava coberta de razão. Se esperava conseguir uma daquelas duas vagas no Ministério, teria que começar a participar de coisas maiores na escola. E acho que disputar a presidência do conselho estudantil e renunciá-la em meio a uma confusão envolvendo bombinhas fedorentas não poderia ser considerado algo grande. Talvez estivesse prestes a cometer o maior erro da minha vida, mas teria que arriscar.
‘Ok. Estou dentro’ Estendi a mão para ela um pouco receosa, mas decidida. Isso não seria fácil
‘Ótimo! Bem vinda a bordo’ Georgia a apertou com entusiasmo ‘Não vai ser fácil, mas vamos conseguir’
‘Ah, Evangeline! Enfim a encontrei!’ vovô abriu a porta da sala sorridente ‘Olá Georgia, como vai?’ Mas não a deixou responder ‘Está tudo certo para hoje à noite, fiz reservas no Rainbow Room para bastante gente, então pode convidar todos os seus amigos. Igor irá liberá-los por essa noite para irem conosco’
‘Que ótimo, vovô! Vou avisar a eles agora mesmo’
‘As reservas são para 20h, não se atrasem. Você vai também, não é Georgia?’ Nos olhamos surpresas, mas ela foi mais rápida na resposta
‘Claro, professor!’
‘Ótimo. Nos vemos mais tarde’
‘Você não precisa se sentir na obrigação de ir apenas porque ele a chamou’ Falei depressa assim que vovô saiu
‘Não vai ser nenhum esforço. Temos mesmo que começar a superar nossas diferenças se vamos trabalhar juntas, e isso será um ótimo começo’ Ela sorriu esquisito e caminhou até a porta, se virando antes de sair ‘A propósito, feliz aniversário’
Fiquei parada vendo Georgia sair da sala e não sabia exatamente como reagir. Mas ela, de certa forma, tinha razão. Se não conseguir suportá-la por uma noite, nunca vamos conseguir trabalhar juntas pelo jornal.
~*~*~*~*~*~
A área reservada pelo vovô no Rainbow Room era enorme. Como ele autorizou que convidasse todos os meus amigos, foi mesmo necessária uma mesa grande. Cheguei com as meninas junto com ele pontualmente às 20h e nos espalhamos pelas cadeiras acolchoadas com garçons servindo água e vinho o tempo todo. Com vovô de olho, estávamos limitados a duas taças por pessoa.
Dimitri, que teria aula até mais tarde, ainda não havia chegado. Ele prometeu que passaria lá depois que ela terminasse mesmo que fosse apenas para comer a sobremesa. Georgia chegou logo depois da gente, e veio me cumprimentar com um presente.
‘Não precisava ter comprado nada’
‘É falta de educação ir a uma festa sem levar um presente. Posso ter sido convidada sem querer, mas as regras da etiqueta não mudam’
‘Ok, obrigada então’ Agradeci revirando os olhos e ela sorriu, indo sentar ao lado do meu avô e logo engatando em um animado papo com ele
‘Cuidado, pode ser pus de bubotúberas’ Milla esperou ela se afastar para falar e rimos
‘Acho que vou deixar abrir na república’ Coloquei em cima da mesa com cuidado
‘Os meninos chegaram’ Vina apontou para a entrada do restaurante
Eles chegaram todos em bando, olhando tudo atentamente e fazendo comentários apontando para as mesas com muitos talheres e poucos pratos. Ty ria e parecia estar explicando alguma coisa a eles. Olhei para as meninas e rimos, essa noite ia ser muito divertida.
‘Feliz aniversário’ Micah me abraçou e estendeu um pacote fino ‘Não entreguei antes porque só agora pude pegar’
‘Oba, presente!’ Peguei o embrulho da mão dele sorrindo e quando abri, não acreditei no que segurava ‘Como você...?’
Era um livro que era meu favorito quando criança, que minha mãe lia todos os dias pra mim. Havia comentado com ele que o livro fazia eu me lembrar dela e que tinha perdido o meu quando me mudei de volta para a Bulgária. Mas havia contado isso em seu primeiro dia aqui, quando estávamos fazendo um tour pelo castelo. Não estava acreditando que ele havia lembrado depois de tanto tempo.
‘Você disse uma vez que tinha perdido o livro e que não conseguia encontrar outro’
‘Mas eu falei isso há meses’ Ainda estava surpresa com o presente ‘Como pode se lembrar disso?’
‘Eu escuto o que você diz, mesmo que ache que não’ Sorriu ‘Gostou do presente, então?’
‘Amei’ Sorri também ‘Não sei nem o que dizer’
‘Um obrigada basta’
Abracei o livro contra o peito e me aproximei dele, beijando sua bochecha. 'Obrigada', disse sorrindo e sentando ao lado de Vina na mesa. As meninas me olhavam curiosas e com ares de deboche mesmo sem entender o que estava acontecendo, mas disse que explicava depois. Aquele tinha sido o melhor presente que alguém poderia ter me dado, e ele sabia disso.
Tuesday, May 20, 2008
‘Desculpa professor, mas estou um pouco cansado’ Me justifiquei, dando de ombros
‘Ok, vamos mudar o cenário! Rusty e Willard para o palco!’ Ele bateu palmas apressando Nina e Chris a subirem no palco e fez sinal para que descesse ‘E a partir de agora não quero meu elenco na farra até tarde em vésperas de ensaio, e principalmente, na véspera de peça! Vou fazer uma vigília no dia, trancar todos aqui!’
Os figurantes da próxima cena ocuparam o palco depressa e me atirei em uma das poltronas da platéia, cansado. Evie, que dividia a cena comigo, sentou na fileira de trás para prestar atenção no ensaio dos outros. Agora faltavam apenas um mês para a apresentação do musical e alguns ajustes ainda precisavam ser feitos, como as cenas de canto. Ainda faltava sintonia e nem todos conseguiam decorar as músicas inteiras. Desliguei-me da peça por alguns minutos e puxei a carta que recebi de Shannon do bolso, já amassada. Já havia lido aquele pedaço de papel centenas de vezes durante o dia, e ainda assim não conseguia deixar de me aborrecer.
‘O que é isso?’ Evie esticou o pescoço e amassei o papel ‘Ainda não decorou as músicas?’
‘Já sei cantar todas, não se preocupe. É só uma carta da Shannon’
‘Ah, então é essa carta que acabou com o seu humor hoje?’ Riu ‘Porque você está insuportável desde que o correio coruja entregou nossas correspondências’
‘Não estou mal humorado, só chateado. É diferente’
‘Ok, então por que está chateado?’ Insistiu ‘Não vai me dizer que esse bico do tamanho de um abacaxi é por causa do namorado novo dela?’
‘Como você sabe que ela ta de namorado novo?’ Perguntei desconfiado ‘Nunca mencionei nada com você’
‘Você não, mas ela sim’ Continuei com cara de quem não estava entendendo e ela riu ‘Conversamos ainda durante as Olimpíadas e ela disse que tinha conhecido um garoto nos jogos que não se importava com o fato de que ela podia nocauteá-lo em 5 segundos. Pelo jeito que ela falava dele, a coisa parecia séria. Até disse que iam tentar manter o relacionamento depois que os jogos terminassem!’
‘Quem é esse garoto?’
‘Sei lá, pode ser qualquer um. Tinham milhares de alunos juntos’
‘Ela não comentou nada disso’
‘Acho que a Shannon arrumou um amiguinho novo e não quer mais brincar com você’ Me provocou, rindo. Fechei a cara ela riu ainda mais
‘Está achando divertido, não é?’
‘Lógico! Você está se mordendo de ciúmes do namorado da sua amiga e nem sabe quem ele é! Isso é melhor que um dia num parque de diversões’
‘Não estou com ciúmes! Já disse que só estou chateado, e nem tem nada a ver com namorado de Shannon’
‘Então o que é? Se não falar, vou insistir no ciúme’
‘É idiota, prefiro não falar’ Ela me olhou com uma cara impaciente de dar medo que achei melhor contar ‘É que todo ano no verão nós trabalhamos, para juntar nosso próprio dinheiro, sair sem precisar pedir nada emprestado a ninguém, e sempre combinamos para pegar o mesmo trabalho ou ao menos algo próximo. Esse ano íamos pegar a vaga de monitores de um acampamento, e quando escrevi para ela para saber se já tinham aberto as inscrições, ela respondeu dizendo que já tinha feito a dela. Nem me avisou, e agora não vou mais conseguir a mesma posição. Não custava nada ter me dito que já ia preencher as fichas’
‘Ah Micah, vai ver ela esqueceu, não exagere. Mas engraçado, Chris comentou comigo esses dias que ia trabalhar nesse verão como monitor de um acampamento. Coincidência, não?’ Nunca trabalhei nas férias, acho que devia começar’ Evie falou despreocupada, mas não ouvi o resto da frase. Meus olhos congelaram em Chris, que ensaiava uma cena de dança com Nina.
‘O que foi?’ Ela percebeu que não estava mais prestando atenção e viu o que eu olhava
‘Shannon não se inscreveu sozinha para a vaga’ Abri a carta e joguei no colo dela ‘Inscreveu o namorado também!’
Evie finalmente compreendeu o mesmo que eu e levantei da poltrona, traçando uma reta até o palco. O professor olhou assustado quando subi os degraus fazendo barulho e apontei para Chris, que soltou Nina e recuou 3 passos.
‘VOCÊ!’ Parei em cima do palco apontando para ele ‘Seu traidor!’
‘Calma, ok?’ Chris olhou nervoso em volta, todo mundo estava prestando atenção ‘Não precisa fazer escândalo, não é pra tanto!’
‘Não é pra tanto?’ Parti para cima dele e o imprensei contra o cenário pela metade ‘Está pensando que pode brincar com a minha irmã? Que vai usá-la enquanto não consegue quem realmente quer?’
‘Quem eu realmente quero? Do que você está falando?’
‘Não se faça de idiota, pois sei que você não é! Você gosta da Evie!’ Tive o bom senso de abaixar a voz para falar, ela não precisava ouvir
‘Professor, nos dá licença um minuto?’ Chris olhou para o professor tenso e ele assentiu com a cabeça, assustado ‘Vamos conversar lá fora!’
Passamos por toda turma de teatro nos olhando espantados e curiosos. Ele parou de andar quando estávamos do lado de fora do teatro e fechou a porta.
‘Então? Vai admitir que esteja só querendo passar o tempo com a Shannon enquanto não consegue conquistar a Evie?’
‘Não! Eu não gosto da Evie!’ Dei uma risada debochada e ele balançou a cabeça ‘Gostava, mas não gosto mais. Ao menos não do jeito de antes’
‘E quer que eu acredite nisso?’
‘Sim! Desisti pouco antes dos jogos começarem. Percebi enfim que nunca vou passar de um amigo para ela. Não quero perder a amizade que temos e prefiro que as coisas fiquem assim, não quero arriscar perder isso com uma coisa que sei que nunca vai dar certo’
‘Estão namorando desde que os jogos começaram?’
‘Sim. E eu gosto muito dela, juro que não estou enganando ninguém. Não é só uma diversão, é pra valer’ Chris parecia desesperado para que acreditasse nele. E eu acreditei ‘Desculpa não ter falado nada antes, mas nem éramos amigos e achei que isso deveria partir dela’
‘Preciso me acostumar com isso ainda, me dê um tempo, ok?’
‘Tudo bem. Também vou pedir um tempo para me acostumar quando você e Evie finalmente admitirem que se gostam e começarem a namorar’
‘Cale a boca’
‘Merlin, você e a Shannon são mesmo muito parecidos...’
Não consegui segurar a risada e ele riu também, quebrando o clima tenso. Não estava acostumado a ser amigo dos namorados dela, geralmente os espantava. Mas gostava do Chris, e ia ter que me acostumar com isso. Afinal, se ela estava feliz, eu também deveria estar.
Monday, May 19, 2008
- E aí eu disse a ele: quero a metade da grana ou conto para os seus amigos...- ela disse enquanto enrolava um bob na franja.
- Não acredito...- Disse Nina apreciando suas unhas do pé em tom vermelho sangue. Depois de pintar tudo, ela pegou a varinha e eliminou o esmalte. Olhávamos em choque e ela disse:
- Há coisas que ainda não tenho coragem de fazer. – rimos.
- Mas então ele não ganhou a aposta...- disse Vina e eu interrompi:
- Ganhou sim, Ricard disse para “sair” de lá com a garota, e não “ficar” com a garota. Ele saiu oras.
- Isso é verdade, Ricard deveria ter formulado a aposta de forma mais clara. De qualquer forma, Ty “ficou” com a garota no final. - disse Evie tirando as rodelas de pepinos dos olhos e rimos quando Jolie bufou.
- Não conhecíamos o lado músico do Ty. O que sempre esteve presente foi o lado conquistador e o faminto. Então foi uma surpresa quando ele entrou na banda. – disse Annia e conjurou a caixa de brownie que Jolie havia trazido para a nossa “reunião”.
-Não se esqueça do lado piadista, este é constante. Quando se junta com Micah e Chris... – disse Nina.
-Ele tem o lado irritante também, basta estar certo em alguma coisa, que só falta lançar fogos de artifício. – disse Jolie e concordamos com ela.
- Mas isso é um defeito da raça masculina, todos são assim. Pelo menos ele é agradável quando quer, alguns não conseguem isso nem que seja pelo bem da humanidade. Queria ter coragem e petrificar o infeliz. - Ela se referia a Michael Parker.
- Mas você sabe que a culpa é sua. NÃO é uma palavra que deve ser usada em larga escala neste caso, mas você tem medo de magoá-lo. – disse Evie.
- Ele acabou de perder o pai...Não teria coragem...
- Chris também perdeu o pai e está seguindo em frente. O Ty perdeu o pai, posso enumerar um monte de pessoas que conhecemos que perdeu alguém importante na família e está seguindo em frente, sem fazer disso uma desculpa para por as mãos de polvo em você. – disse Annia e Vina completou:
-Acho que ele está fingindo... Sinto o cheiro de falso drama. Já fiz alguns...
Começamos uma guerra de travesseiros enquanto riamos, quando Annia disse:
- John quer dar o próximo passo. - e ela parou pondo a mão na boca como se houvesse falado demais.
- Que próximo passo? – perguntou Jolie boiando e a olhamos:
- Ele quer avançar no namoro deles. – disse Nina animada porque ela havia deixado de ser nosso alvo.
- Ah sim... O próximo passo. Oon! Que bonitinho.
- Annia, estamos com você. O que precisar ajudamos. Já tem uma data?
- Calma, deixa a menina respirar. Annia, você não ia falar isso conosco se não tivesse dúvidas, que suas revistas não solucionaram. - e puxei a caixa que ela guardava embaixo da cama e começamos a distribuir as revistas adolescentes que Annia lia. Ela nem perdeu tempo em dar bronca.
- Sabe, vejo vocês felizes com os garotos que escolheram, e se ainda não estão com eles é questão de tempo. - disse olhando para Evie e ela jogou um de seus pepinos em Annia.
- Quero saber se tudo está bem. Tenho receio de não saber agir e o pior: de me arrepender.
- Você quer dar este passo, ou é ele que está te pressionando? Porque você só deve fazer se estiver preparada e não porque seu namorado quer. - perguntou Jolie.
- Eu estou preparada e sou apaixonada pelo John.
- Mais apaixonada do que era pelo Ty?- perguntou Nina.
- Ops! – disse Evie sem graça, e Nina explicou rápido, para uma Jolie desconfiada:
- Não foi nada sério, Ty foi o professor de beijo dela. - Jolie depois de alguns segundos em que parecia digerir a revelação disse:
- Ele foi o professor de mais alguém aqui?- timidamente levantei a mão:
- Eu o forcei a me beijar para fazer ciúmes no Luka. Nem lembro mais como foi. – esperei Joli encrencar, mas ela sorriu:
- Aquele garoto, ele realmente tem amigas que gostam dele...
- Mas vamos nos ater ao problema da Annia: você o ama e ele te ama, certo? Então seja feliz, e deixa que no final tudo se resolve. – eu disse e olhei para Jolie, ela parecia ter deixado de lado a questão “beijos no Ty” e Vina disse:
- Milla tem razão, no final tudo se resolve, porque vocês se gostam bastante e já têm confiança um no outro. E quanto à parte técnica da coisa, ele já deve ter experiência não?
- Sim, imagina se sendo primo do Ty, não iria conhecer algum lugar... Desculpe Jolie. - disse baixo e Jolie a mandou continuar sem se importar:
- Será que não vou fazer papel de boba?
- Annia, nos já vimos o John com você e ele tem todo o cuidado do mundo com você sem ser do tipo grudento. Isso é amor. – disse Evie e concordamos.
- E você sabe dos cuidados que deve tomar e, por favor, nada de encher a cara para tomar coragem ok? Isso não funciona bem no dia seguinte. - disse Vina e rimos. Pelo jeito havíamos tirado as dúvidas de Annia, quando Jolie disse:
- Posso fazer uma pergunta a vocês?- assentimos e ela disse:
- Qual a nota na escala para o beijo do Ty? Ou vocês nunca fizeram uma lista dos beijos que já deram?- rimos e eu disse:
- Para mim o beijo do Ty foi 5. Não por falta de técnica, mas porque parecia que eu beijava meu irmão. Luka e Iago são 10. Mas como namoro Luka, vou aumentar a nota dele em mais 0,5 ponto. - ri.
- Pra mim foi 8, Ty foi o primeiro garoto que me beijou e eu quase perdi a cabeça... Com John é 10, 11, 12 melhora a cada dia. - disse Annia e dissemos em coro:
- Omm, ela tá amando. – rimos quando ela ficou vermelha.
Evie falou dos beijos dela em Josh, e assobiamos muito quando ela falou da “vaga lembrança” do beijo de Micah que mereceu um 10, Nina também contou sobre os seus beijos e rimos quando ela deu -1 ao Michael e Jolie foi a última:
- Eu beijei Sayd, no Marrocos e foi um 7, depois conheci Serj aqui e foi um 8. Aí quando conheci o Ty, não levei muita fé, e fui completamente despreparada. Para mim, o beijo dele, ultrapassou a escala. Depois que nos beijamos, eu percebi que ele estragou tudo para os outros. Vou ficar comparando sabe? Não vou querer nada menos que fora da escala.
- Nooossa, quer dizer que o Ty é o garoto com lábios de mel??- zombou Evie e rimos. Passamos o restante da noite batendo papo e falando sobre nossas “experiências”. Era tão bom, ter uma noite das meninas.
That's all they really want
Some fun
When the working day is done
Oh girls... they wanna have fun
Oh girls just wanna have fun
N.autora: trecho da música de Cindi Lauper, Girls just wanna to have fun
Friday, May 09, 2008
Enquanto conversávamos em francês sobre as novidades e ela comparava Durmstrang com a escola francesa, claro que a minha nova escola, não era “charmant”, mas para Fleur nenhum outro lugar no mundo que não fosse Beauxbatons era.
Embora fosse uma festa mágica, haveria muitas brincadeiras trouxas com direito a brindes que iam desde bichos de pelúcia, artigos para poção, vales dourados para um jantar a dois no melhor restaurante do vilarejo. Vi quando Serj, se postou ao lado de Jolie e ia com ela a todos os lugares, não me dando chance de me aproximar dela, Annia me vendo sozinho resolveu fazer par comigo, e foi muito bom, pois me diverti muito, principalmente quando ela começava a falar sonhadora sobre John. Acho que meu primo não tem noção do quanto ela está apaixonada por ele.
Participei da corrida com três pernas junto com Annia, e perdemos por meia perna rsrs, para Micah e Evie. Milla veio em terceiro lugar com Luka.Vina e Ricard até começaram a correr, mas ela teve um ataque de asma, quando começamos a levantar poeira durante a corrida. A animação continuou durante a corrida do saco onde garotos do primeiro ano foram as estrelas e com a pescaria de chave na torta aonde vimos uma Lavinia deixando de lado aquele jeito hipocondríaco e vencendo a prova, e como não íamos deixar passar batido, tiramos fotos das meninas lambuzadas de merengue, claro que quando Vina correu para vomitar, a deixamos com a enfermeira. Há mistérios que você prefere não ver revelados rsrs. Jolie ria muito, e quando me aproximei tirei com o dedo um pouco de torta do seu queixo, e ela ficou séria, mordendo os lábios. O momento passou rápido, pois logo o “empata caso” do Serj apareceu, oferecendo uma toalha para ela se limpar e a chamando para torcer por ele no concurso de comida, claro que ele não contava com a minha participação. Não chegou nem à metade da prova e eu tive que disputar o primeiro lugar com um garoto da Berkana que tinha o dobro do meu tamanho e comia muito, mas Miyako não apelidou meu estômago de buraco negro à toa não é? Claro que eu ia lutar pelo primeiro lugar e ganhei uns vales para jantar no Scavurska, um restaurante novo e caro que abriu no vilarejo e combinei de ir com meus amigos até lá.
Após a apresentação da banda The Dobbys, o professor Assimov, premiou a Miss Liberação dos Elfos e a vencedora foi Kolya, uma elfa de Durmstrang que havia participado do desfile de Vina, foi muito engraçado ver as meninas comemorando a vitória, e andando pelo palco com a elfa como se elas houvessem ganhado a coroa de miss. Mais fotos para a coleção rsrs.
Luna veio dar sua palestra sobre a diversidade de criaturas do mundo mágico e como já tinha amigos aqui, por conta das Olimpíadas foi bem recebida.Dividimos nossas preocupações com os gêmeos Chronos, e depois fomos aproveitar o restante das atrações.
Aplaudimos muito o desfile dos centauros, a apresentação do balé das sereias, e logo era a hora do show de talentos que teve de tudo: ventríloquo, mímica, malabarismo, teve uma garota que tocou musica nos copos com água, e a banda da escola, depois dos primeiros segundos de nervosismo de Jolie se saiu bem, e quando acabou comemoramos. Quando guardávamos os instrumentos, ante de ir assistir ao jogo do pó de arroz, vimos uma loira muito bonita vir em nossa direção. O baixista e o guitarrista se animaram com os sorrisos que ela lançou a eles, mas se cutucaram quando ela acenou indicando que queria falar comigo e eu retribuí animado. Quando desci para conversar com a garota nos abraçamos calorosamente e Jolie ficou nos olhando séria. Começamos a conversar em céltico:
- Que ótima surpresa. Você está linda.
- Você fez falta na África, teria adorado tudo por lá.
- Podemos ir nas férias. Seu namorado Marko já a viu?
- Meu amigo Marko, você quer dizer... E sim, já nos vimos, ele que me disse aonde te encontrar. - ela respondeu.
- Amigo? Ok! Você tem muito que contar sobre isso.
- E você tem muito a contar sobre a vocalista querer me cortar com os olhos. Ela está com ciúmes, está até saindo do palco...
- Ah é? Deixe-a ir, não vai muito longe. - sorri maroto e ela suspirou dizendo:
- Espero que saiba o que está fazendo. Vamos lá, apresente-me ao resto da banda.
Após muitas risadas e gritar muitos incentivos para o time do Micah, que acabou vencendo graças a uma manobra muito eficaz, resolvi procurar Jolie e pela última vez, descobrir se entre nós poderia haver alguma coisa. Annia me informou que ela estava no vestiário ainda, e fui até lá. Quando entrei, vi que ela usava uma bolsa de gelo no joelho. Ela olhou para cima quando me viu e disse:
- É um vestiário feminino. Meninos não podem entrar.
- Errado: é um vestiário para atletas e eu já não sou um menino há tempos.
Ficamos nos encarando e depois ela levantou o ombro indiferente:
- Faça como quiser. – fiquei vendo-a colocar a bolsa de gelo da forma errada e intervi:
- Deste jeito não vai conseguir melhorar a dor, me dá isto.
- Tá me chamando de incompetente? Sei usar uma bolsa de gelo. - ela disse com olhos apertados.
- Tenho mais experiência que você em se tratando de pancadas em jogos. E estou dizendo que do jeito que está fazendo não vai conseguir resultado nenhum. - ela relutou em me entregar bolsa de gelo que segurava, mas cedeu:
- Minhas mãos já estão frias mesmo.
Comecei a aplicar o gelo nas regiões que eu sabia que ela iria sentir dor, e ela a contragosto foi relaxando.
- E a sua garota? Deve estar com saudades. - perguntou
- Sim, ela estava. Mas eu queria ver você. – respondi.
- Já disse que não vai haver nada sério entre nós...
- Quem disse que precisa ser sério? Você nunca se diverte?
- Não gosto de me divertir com as pessoas, mas acho que isso é um hábito seu. Já o vi com uma dúzia de garotas...
- Uma dúzia é exagero, nove ou dez pode ser...- e ri, isso a deixou irritada.
- Você é muito convencido, arrogante e...
- Você me observa muito, para quem não está interessada.
- Impossível não olhar quando você é do tipo escandaloso.
- Se quiser serei silencioso, mas não em todos os momentos. - provoquei.
- Que presunção...Não sei se rio ou se choro de pena. – e eu estava com a bolsa de gelo em seu pescoço e notei que ela estava nervosa.
- Sou fiel em meus relacionamentos... – comecei a dizer.
- Mesmo que eles durem 1 minuto? – provocou.
- Não me compare com Serj, estou vários níveis acima. – respondi e ela bufou:
- Não tenho nada com ele, ao contrário de você com aquela loira esnobe. Têm até linguagem própria. – sorri.
- Sou fiel a Emily e ela sempre fará parte da minha vida. Terá que aceitar isso.
- Não divido o que é meu com ninguém, e não vou começar agora.
- Eu também não divido o que é meu com ninguém e não quero saber de Serj com as mãos em você. Vou arrancar a cabeça dele se ele fizer isso novamente.
- Ele não tem as mãos bobas como você que anda com a escola toda. E você não é meu namorado. - estávamos com as vozes alteradas.
- Não ando com a escola toda, só com minhas amigas e se não sou seu namorado, porque estamos discutindo?- ela estava tão perto que acabamos nos beijando. Quando acabamos ficamos com as testas coladas uma na outra. Ela suspirou e disse:
- Não quero saber daquela loira no seu pescoço.
- Ficou com ciúmes?- ela suspirou de novo e respondeu contrariada:
- Tá! Eu admito que fiquei com ciúmes. Isso não vai mais acontecer.
- Você vai adorar conhecer a Emily, gostaria que se tornassem amigas. - e a abracei.
- Não vou ser amiga de uma ex-namorada sua. – não agüentei mais e ri, e ela levantou o rosto para mim indignada e resolvi explicar:
- Emily, é minha irmã.
- E você se divertiu muito com isso não?- me deu um soco no peito e começamos a rir. Nos beijamos e saímos dali para aproveitar o resto da noite.
Tuesday, April 29, 2008
Por conta dos ensaios para o show de talentos, todas as aulas dos clubes foram suspensas durante essa semana para que os alunos que fossem se apresentar durante a feira pudesse ensaiar. Micah tinha cancelado o treino daquela noite depois que duas das meninas do time se machucaram no treino da noite anterior e estava com algumas horas livres. De imediato pensei em visitar meu avô. Desde que discuti com Max na frente dele, há quase um mês, não passava em sua sala para uma visita sem compromisso.
Cheguei até seu escritório no 2º andar e antes que pudesse colocar as mãos na maçaneta, alguém a girou primeiro e a porta se abriu, dando passagem para Max. Ele me encarou sério e como sustentei o olhar, saiu calado. Não tinha percebido que vovô estava parado logo atrás dele, e sem dizer nada, fez sinal para que entrasse. Sentei no sofá de frente para a poltrona dele e continuei calada. Não esperava esbarrar com Max, e muito menos na presença dele. Não sabia o que dizer, pois sabia que ele estava esperando algo sobre isso. Mas foi ele que falou primeiro.
‘Max mencionou que não estão se falando’ Disse me servindo uma xícara de chá e me olhando
‘Sim. Não temos nos entendido nos últimos dias’ Respondi vaga e ele sorriu
‘Não precisa explicar o que aconteceu, Evangeline. Vocês não são mais crianças, e se acham que podem resolver suas diferenças ignorando a presença um do outro, não sou eu que devo interferir’
‘Nossas diferenças são tão gritantes que essa foi a única solução’ Respondi um pouco azeda, mas logo voltei ao tom de voz normal ‘Não concordo com as coisas que Max faz, principalmente quando interferem na minha vida’
‘Está certo, confio no seu julgamento’ Ele continuava sorrindo e desfiz a cara fechada ‘Então quer dizer que está treinando para o jogo do pó-de-arroz?’
‘Pois é, olhe onde fui me meter?’ Ele riu ‘Mas confesso que estou adorando. Acho pouco provável que a gente ganhe a partida, mas sem dúvida vamos nos divertir!’
‘Como assim acha pouco provável que vençam?’ Vovô parecia espantado com a minha falta de credibilidade no time ‘Seu amigo não está treinando vocês direito?’
‘Ah não, Micah está fazendo um ótimo, nós que não levamos jeito pra coisa. Ele bem que se esforça, mas o outro time é muito melhor, parecem já ter todas as jogadas ensaiadas!’
‘Nesse caso, vocês precisam de algo novo’ Vovô levantou de repente com um sorriso esquisito no rosto. Fiquei sentada olhando para ele confusa ‘Uma jogada que o outro garoto certamente não irá se lembrar... Anda, levante! Vamos até o campo!’
‘Er... Fazer o que? Vovô? Ei! Me espera!’ Larguei a xícara na mesa e sai atrás dele, que caminhava animado pelo corredor...
~*~*~*~*~
Domingo, 27 de Abril, jogo do pó-de-arroz
‘Vina, a goles! Pega a goles!’ Micah berrou sacudindo os braços ‘Não, não foge dela! O que está fazendo? Levanta do chão!’
A partida já estava no fim e perdíamos por uma diferença não muito grande. Amélia aproveitou minha distração e passou correndo, me derrubando. Ainda sentada, olhei na direção dos gritos e caí na gargalhada. Vina estava deitada no chão se protegendo das meninas que passavam correndo de um lado para o outro e Micah queria invadir o campo para carregar Vina de lá, mas Chris ameaçou expulsá-lo do banco e ele sossegou. Eu não era muito boa no esporte, mas ela conseguia ser pior. Vina simplesmente não conseguia agarrar a goles. Ao invés disso, corria sempre que a lançavam na sua direção. Micah pediu tempo e Milla estendeu a mão para ajudá-la a levantar enquanto caminhávamos para o banco. Ele parou ao lado de Nina e discutiam alguma coisa enquanto rabiscava sem parar em uma prancheta. Alguns minutos depois pediu que nos reuníssemos.
‘Precisamos nos organizar’ Disse rindo de nervoso ‘O time do Igor está anos luz à nossa frente’
‘Mas eles têm Georgia’ Annia respondeu olhando para o outro time que ensaiava algumas jogadas nos esperando ‘Duvido que ele esteja no comando de alguma coisa. É ela que manda ali’
‘Quem comanda o time é o de menos, pois não muda o fato de estarmos perdendo, mesmo que de pouco’ Micah virou a página da prancheta com um monte de riscos ‘Vamos mudar algumas coisas: Milla e Nina, quero vocês na frente do time todo o tempo. Não interessa se mais ninguém consegue correr com a goles até o caldeirão, pois sem alguém para segurá-las a goles nem ao menos chega nas nossas mãos. Vocês não podem deixar ninguém passar, entenderam?’ Elas bateram continência e ele riu ‘Annia, você marca a Georgia. Cole nela como chiclete, mas não deixe que ela toque na goles ou completar algum passo. Quanto a você, Jolie...’ Micah levantou a cabeça e encarou uma das garotas do outro time ‘Esqueça a diplomacia, não quero perder. Derrube a Sarah. Só você consegue jogar ela no chão, então mantenha aquela garota longe do resto do time’
‘Por que não tentamos uma manobra falsa?’ Sugeri tentando fazer minha cara mais séria, pois Micah me olhou espantado ‘Se elas pensarem que vamos passar a goles para Milla ou Jolie, todas vão para cima delas e deixam o resto de nós livre para correr. Só precisamos de um touchdown e vencemos, não está tão apertado assim’ Ele continuava me olhando com cara de assombro e me mantive séria ‘O que foi? Eu presto atenção quando você fala’
‘Não, não presta. Quem é você e o que fez com a Evi?’ Micah disse espantado e as meninas riram
‘OK, foi meu avô quem me disse isso. Ele jogou dois anos pela seleção da Bulgária’ Admiti e ri ‘Mas pode funcionar, não?’
‘Sim, pode funcionar sim...’ Micah ficou pensativo por alguns segundos e depois sorriu ‘Isso que Evi sugeriu se chama engana trouxa, e foi usada pela primeira vez pela seleção búlgara em 1962. É uma excelente idéia e Igor não tem cérebro pra pensar nisso, então vamos fazer essa jogada. Annia, quando Chris apitar, deixe a goles no chão e Nina, proteja-a sem que percebam que ela ficou com você. Annia deve correr como se estivesse protegendo a goles até Milla, finja que completou o passe para ela. Milla, fique dando voltas no campo como se estivesse mesmo com a goles. Deixe que elas derrubem você, não tem problema. Jolie, Lizzie, Katarina, Natasha e Angelina, façam o mesmo. Cada uma corre para uma direção como se estivesse protegendo a goles, vamos espalhar elas. Nina, quando Annia fingir que passou a goles para a Milla, corra para o lado contrario e passe para Evi. Ela vai completar a jogada’
‘Como é que é?’ Agora quem soava espantada era eu ‘Não, não podem passar pra Evi, porque a Evi sou eu!’
‘Eu sei que você consegue’ Ele deu um tapa nas minhas costas e riu
‘E eu? O que faço?’ Vina perguntou temendo a resposta ‘Posso sentar no banco?’
‘Nada disso. Você vai para o campo e quero que corra’ Micah apoiou as mãos no ombro dela e ficaram cara a cara ‘Corra como se não houvesse amanhã, Lavínia. Se por acaso o passe der errado e alguma delas pegar a goles, quero que corra para cima de quem for gritando a plenos pulmões. Se quiser puxar seus cabelos para dar um ar de maníaca, fique a vontade. Pode fazer isso por mim e pelo seu time?’
‘Sem goles para cima de mim?’ Ele confirmou com a cabeça e ela sorriu ‘Ok então. Vamos lá, time!!!’ Vina gritou empolgada e rimos
‘Isso ai, vamos lá, time! E se alguém passar a goles para a Vina, juro que arrumo um jeito de levarem uma detenção depois!’ Micah gritou enquanto voltávamos para o campo
Nos posicionamos outra vez na linha e quando Chris apitou, a jogada do vovô foi se desenvolvendo aos poucos. Quando Igor finalmente percebeu o que estávamos fazendo e tentou avisar às meninas, já era tarde demais. Nina já corria a toda velocidade e atirava a goles para mim. Demorei alguns segundos para processar o que exatamente deveria fazer, mas ela gritou comigo e acordei, disparando na direção do caldeirão. Agora o time adversário inteiro corria na minha direção, mas as meninas aderiram à tarefa da Vina e vinham correndo atrás delas aos berros, conseguindo dar alguns sustos. Meu avô e Micah vinham correndo na lateral do campo gritando junto com elas e, rindo muito, consegui chegar ao caldeirão e trancar a goles dentro dele. Chris apitou e apontou para o nosso lado do campo, indicando que havíamos vencido. Micah invadiu o campo e me agarrou me erguendo do chão, e segundos depois as meninas fizeram um montinho em cima da gente, nos derrubando no chão. O jogo podia não valer nada, mas a sensação de vencer era sempre boa...
- O que você está fazendo, Vina? – Evie se sentou na cama esfregando os olhos. O domingo mal começara.
- Te acordei, Evie? – Levantei a cabeça para olhá-la. No chão, ao meu redor, estava uma verdadeira zona de peças de roupas, sapatos, perucas e colares extravagantes.
- Não, não me acordou. Mas agora estou curiosa... O que você está fazendo? Definitivamente não está arrumando o armário, está?
- Não chegou nem perto. – Sorri satisfeita. – Tive uma idéia um pouco... divertida, para o show de talentos.
- Me conta! – Evie disse já se animando. – De onde vieram tantas roupas?
- Algumas doações do professor de teatro... Algumas minhas... – falei pensativa analisando cada uma delas. Evie pareceu ansiosa e eu ri. – Ok, vou contar tudo. Mas antes, vamos acordar as outras. Vou precisar de muita ajuda.
- Escuta, Bashful. Não somos nós a quem você deve servir. Não estamos te dando roupas. Só queremos proporcionar um pouco de diversão para vocês... Vocês podem participar do show de talentos, sabia?
- Melhor começarmos a ensaiar logo. Temos muito trabalho a fazer! – Annia disse, também sorrindo.
Annia e Milla haviam conseguido um rádio e colocamos músicas da The Dobbys para entrarmos no clima...
Quando estava chegando ao final, um dos pés finalmente saiu do sapato largo e ele tropeçou, caindo. Nina correu para ajudá-lo a se levantar, mas ele foi mais rápido, levantando-se sozinho e arrumando a peruca. Riu. Nos entreolhamos e rimos também.
Chegamos ao Salão Principal para almoçar e como era domingo, muitos dos estudantes comiam sem pressa e conversavam despreocupadamente. Mal havia sentado com as meninas e Ricard veio correndo em minha direção. Parou diante de mim, pálido, e não disse nada. Me estendeu um exemplar de jornal, apontando uma notícia. Li.
O laudo dos curandeiros que foram chamados a prestar socorro imediatamente após a morte dos dois aurores atesta que foram envenenados. Ainda não se sabe exatamente que tipo de substância pode ter sido a causa do envenenamento, mas o Ministro da Magia, Boyardo Molov, declarou ainda esta manhã, que as investigações serão rigorosas e em breve todas as perguntas acerca do caso serão esclarecidas.
Tohry era solteiro e sem filhos, ao contrário de Johnny, que era casado e tinha dois filhos. Nenhuma das duas famílias quis se pronunciar sobre o ocorrido.
- Johnny Alenxinsky! Esse nome não te lembra nada? – Ricard perguntou aflito e pareceu ainda mais, quando fiz sinal negativo com a cabeça. – Ele é casado com uma medibruxa que trabalha no St. Alborghetti. O nome dela é Agatha. Agatha...
-... Neitchez. – eu completei ligando as peças e arregalando os olhos. Ricard concordou.
– Você está querendo dizer que o “tio Johnny” foi assassinado? Envenenado?!
- Sabe. Ainda estávamos na República quando Karl chegou para buscar ele e Andrea. A menina estava pálida. Não disse nada. Victor disse que vai nos mandar notícias. Ainda não sabe quando voltará para Durmstrang e nem se chegará a tempo da feira.
- Como conseguiram envenenar dois aurores de uma única vez DENTRO do Ministério da Magia?
- Não sei. Mas estou com medo da resposta...
Wednesday, April 23, 2008
‘Não vou para a aula hoje’ Falei de repente, parando no meio do caminho
‘Como é que é?’ Vina parou também e as meninas continuaram caminhando
‘Nem pensar, hoje não. Vou dar uma volta no vilarejo, quer ir?’ Convidei e ela arregalou o olho
‘Está louca? É proibido?’ Veio andando atrás de mim enquanto olhava as meninas indo na outra direção
‘E daí? Um passeio do outro lado do muro faria bem a você também, Vina’
Vina parou por um segundo, olhou as meninas cada vez mais distantes e me seguiu. Sorri. Ao menos não ficaria sozinha pelo resto da tarde.
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‘Entrem’
Maddox abriu a porta de seu escritório e entramos sem dizer nada. Não havíamos ficado nem meia hora no vilarejo. Quando entramos em uma livraria, demos de cara com o professor. Ele havia saído para resolver assuntos pessoais e não chegou a tempo para a aula. Quais eram as probabilidades disso acontecer? Como íamos prever que ele não daria aula naquele dia e que, ainda por cima, nos pegaria fora dos terrenos da escola em dia de aula? Esperamos caladas e ele começou um sermão interminável sobre burlar regras e de como nunca imaginava que nós duas desobedeceríamos às regras da escola. Não ousamos interromper até ele terminar, apenas ficamos esperando que ele dissesse qual seria a detenção.
‘Desculpa treinador Maddox, não vamos fazer isso outra vez’ Vina começou quando ele finalmente parou de falar
‘Essa desculpa não cola comigo, Srtª Durigan’
‘O que teremos que limpar na detenção?’ Perguntei desanimada, pensando no meu histórico indo para o ralo
‘Não terão que limpar nada. Ao invés disso, inscrevi as duas no jogo do pó-de-arroz’ Maddox sorriu ‘Podem ir para o campo, o inicio dos treinos foi adiantado, começa em meia hora’
‘O QUE?’ Exclamamos juntas e ele riu. Sabia que, para nós duas, aquilo seria pior que limpar comadres...
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O campo de esportes da escola já estava apinhado de garotas quando chegamos. Sentamos cada uma em um canto da arquibancada observando a movimentação de mau humor. Estava considerando aquilo um pesadelo, não entendia como tantas meninas se candidataram para a partida, incluindo Milla, Annia e Nina. Como jogar trancabola pode ser considerado uma diversão, quando os jogadores praticamente lutavam em campo? Não via jeito das coisas melhorarem, e só piorou quando vi o treinador saindo do vestiário trazendo três garotos: Micah, Chris e um que reconheci vagamente como um aluno da Mannaz. O pesadelo estava apenas começando...
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‘Nina’ Micah chamou e Nina levantou animada da arquibancada, parando ao lado dele
Maddox havia deixado o campo e autorizou Micah e o outro garoto que se chamava Igor a escolherem os times. Chris seria o juiz da partida e assistiria a todos os treinos. Nina foi a primeira escolha de Micah, que esperou a vez do outro garoto e em seguida escolheu Milla.
‘Sarah’ O garoto apontou uma menina negra e bem corpulenta e ela levantou sorrindo
‘Annia, pra cá’ Micah disse sorrindo e Annia se juntou a Milla e Nina
‘Amélia’ Uma loirinha com aparência frágil se juntou ao outro time, que já tinha Georgia, e Micah me encarou
‘Evi’ Levantei e ele sorriu pra mim, mas não retribui
Logo depois ele escolheu Vina, que estava tão animada quanto eu, Jolie, e mais oito garotas. Quando a seleção finalmente chegou ao fim, os times se separaram pelo campo e Micah começou a ditar um monte de regras, mas pelas expressões das meninas, ninguém estava entendendo absolutamente nada. Ele riu.
‘Por que não começamos com algo simples hoje?’ Disse fechando o caderno que usava para tentar nos explicar as regras do jogo ‘Vamos brincar de correr e passar a goles hoje. Milla, você começa. Dêem duas voltas nessa metade do campo passando a goles sem deixar cair, ok?’
As meninas começaram a correr em volta da nossa metade do campo e a goles passava de mão em mão sem cair no chão. Micah gritava instruções a todo instante para quem estivesse com ela na mão e quando eu a deixei cair, berrou irritado para que prestasse mais atenção. Olhei na direção dele com raiva e atirei a bola para Vina, que gritou ao invés de agarrá-la, e sai do campo. Sentei outra vez na arquibancada já tirando o tênis, pois não pretendia continuar hoje, e ele veio correndo na minha direção.
‘Nina, você assume o comando. Não deixe que elas parem!’
‘Sou sua quarta opção?’ Disse seca, sem o encarar, assim que ele sentou do meu lado
‘Você nem queria estar aqui’ Se defendeu ‘A Nina é competitiva, queria garantir ela no time. E Milla e Annia são fortes’ Continuei encarando a grama ‘Não é por isso que está chateada comigo’
‘Você é um idiota, sabia?’ Olhei para ele irritada e bati em seu braço sem pensar ‘Por que não me falou nada? Não podia ter escondido isso de mim, eu tinha o direito de saber!’
‘E que bem faria isso?’ Ele agora parecia saber o que estava acontecendo e segurou meus braços para evitar outro soco ‘Não ia contar mesmo, pois sabia que ficaria assim. E eu não queria ver você desse jeito, Evi. Não queria você envolvida!’
‘Odeio quando faz isso, de querer me proteger e não confiar em mim! Devia ter me contado antes, eu podia ter feito alguma coisa!’
‘Confiança?’ Ele riu ‘Quer falar de confiança comigo, quando é você que não confia em mim?’
‘Eu quero poder confiar em você, mas a todo instante você me dá motivos para não fazer’
‘E eu quero que você confie em mim’ Ele me puxou para junto dele e não impedi que me abraçasse ‘E quero proteger você sim, nada que faça vai me fazer desistir. Ele fez alguma coisa com você?’ Neguei com a cabeça e afundei o rosto em seu ombro, começando a chorar
‘Tenho a sensação de que não o conheço mais’ Minha voz saiu abafada ‘Quando ele mudou tanto, que não percebi? Como pode ser capaz disso?’
‘Não sei, e por isso não queria envolver você nisso. Apesar de tudo, ele é seu irmão. Por mais que o odeie, nunca jogaria você contra ele’
‘Ele não é meu irmão. O irmão que cresceu comigo nunca faria isso. Não conheço mais a pessoa em que Max se transformou. Estou com medo dele, Micah’
Micah não conseguiu evitar um sorriso de satisfação ao ouvir minhas últimas palavras e o abracei com mais força, mas quando suas mãos correram pelas minhas costas, saltei para trás assustada. Ele me encarou desconfiado. Sabia que estava machucada, embora eu não admitisse.
‘O que foi? Machuquei você?’ Tentou me pressionar
‘Não, não foi nada’
‘O que aconteceu, Evi? Onde se machucou?’ Insistiu ‘Não adianta dizer que foi no treino ou que não está machucada, pois vi você andar torta a semana inteira, e não consegue colocar a mochila no ombro’
‘Você disse que quer que eu confie em você, mas você confia em mim?’ Perguntei sem responder sua pergunta. Ele confirmou com a cabeça ‘Então se confia mesmo em mim, só me prometa que se um dia eu procurar você pedindo um favor e soar desesperada, você vai me ajudar sem fazer perguntas. Pode me prometer isso?’
‘Qualquer hora, qualquer coisa, sem perguntas’ Ele se deu por vencido e assentiu com a cabeça. Sorri em agradecimento e calcei o tênis, voltando para o campo com as meninas, que tinham os olhos pregados em nós dois e caras desapontadas
Micah sabia que alguma coisa muito séria estava acontecendo, mas não perguntou mais nada. Sabia que quando eu confiasse nele, contaria. Tudo que podia fazer até lá era cumprir a promessa que me fez. E sabia que ele a cumpriria...
- Onde você estava?
- Não interessa...
- Este cheiro... Você está bêbado?
- Fui beber com alguns amigos... Estou com a cabeça estourando...
- Amigos que só querem ir pra farra e não te dão um emprego, não é? Precisamos fazer alguma coisa... Ninguém me aceita para trabalhar...
- Como você fala demais. Onde está o resto do dinheiro?- ele procura pela bolsa dela.
- Este dinheiro é meu! Foram minhas amigas que me deram. É para pagar a hospedaria, e não para sustentar você e seus vícios... – ela tenta segura-lo pelo braço, enquanto ele revira sua bolsa.
- ME SOLTA!
PAFT!
Ela cai assustada, com a mão no rosto e os olhos arregalados:
- Você me bateu!- ela diz enquanto se levanta do chão e o olha como se o visse pela primeira vez.
- Foi sem querer, me perdoa, eu não sabia o que estava fazendo, foi... Aonde você vai?
- Preciso sair daqui para respirar um pouco. – ela chega perto da porta e se encolhe trêmula, quando ele se aproxima e tenta acalmá-la. Isso sempre funcionou no passado. Mas no passado ele tinha ajuda extra quando queria controlá-la, mas agora com a falta de dinheiro ele contava com o amor que ela já deveria sentir por ele.
- Eu vou resolver esta situação de uma vez por todas... Fica aqui, me espera, por favor... Nós nos amamos... Eu não vou suportar te perder, não depois de tudo... – ele diz desesperado saindo porta afora.
- Não se perde aquilo que nunca foi seu de verdade. – ela disse para o quarto vazio enquanto segura o rosto dolorido e cai no chão desmaiada, tomada por calafrios.
o-o-o-o-o-o
Abril de 1999
- Como você pôde participar de algo assim Luka?- Milla perguntava irritada.
- Não recuso ajuda aos meus amigos.
- Isso não foi ajuda, foi uma atitude covarde...
- Não somos covardes...
- Cinco contra um é muito justo, realmente. Têm noção que vocês quase o mataram?? Sinto vergonha por você.
- Você não devia tomar tanto as dores dele, sou seu namorado e...
- Por isso espero mais de meu namorado, você sempre procurou acertar as coisas sem violência. Já pensou o que o seu pai dirá disso?
-Você não devia se doer tanto pelo novato, e meu pai não saberá sobre isso, estou avisando...
- Ou o quê? Vai usar os punhos em mim também?– ele segurava os braços dela e nesta hora Annia que saía da sala perguntou:
- Milla estamos atrasadas para ir para a república, temos muita lição para fazer. - e olhou feio para Luka enquanto ela discretamente pegava sua varinha.
Milla o encarou e disse irritada:
- Me solta.
- Nos vemos depois. Isso não termina aqui. - ele disse entredentes, enquanto a soltava.
-Não quero vê-lo por um bom tempo, estou muito decepcionada com você. – ela respondeu e ele insistiu:
- Quero vê-la depois, Ludmilla. - e algo naquele tom de voz fez com ela parasse e após pensar por alguns segundos, dissesse com uma voz estranhamente calma:
- Está bem, Luka nos vemos depois. Annia a olhava curiosa e quando a questionou sobre essa mudança de atitude e ela respondeu mecanicamente:
- Eu o amo.
-o-o-o-o-
- Eu não vou até lá... Não posso.
- Não pegamos um bolo destes no castelo para você roer a corda agora, Yéti.
- Ela já fez a escolha dela, não vou ficar correndo atrás. É muita humilhação.
- Você que lembrou do aniversário da Milla, não está correndo atrás. Tá certo que não precisava passar tanto perfume...
- TY! Assim não você não está ajudando. – gritou Micah e Ty riu sem graça emendando:
- Seu perfume é legal, me empresta?- e os três começaram a rir.
- Quer saber? Eu vou lá sim, e se o Luka não gostar, que venha falar comigo. - disse Iago decidido.
- Isso aí, vamos quebrar alguns narizes hoje, minha mão até coça. – comentou Ty.
- Ty...- começou Chris e o garoto respondeu:
- Já sei, ser discreto e não atrair a atenção... Vou deixar para o clube de duelos. - e recebeu um olhar “reprovador” de Chris e deram risada.
Encontraram Ricard, Victor e Reno carregando algumas garrafas de cerveja amanteigada e foram até a Avalon. Ao chegar encontraram as meninas esperando e quando Milla chegou com Annia gritaram “Surpresa”. Comeram bolo, riram e conversaram sobre todas as atividades que teriam na feira e Iago pode aproveitar e conversar com Milla como nos velhos tempos, mas quando ele por força do hábito, tentou pegar a mão dela, ela sentiu uma vontade desesperada de estar com Luka.
Dias depois
Milla estava sentada fazendo algumas anotações sobre os animais que seriam expostos na Feira contra o Preconceito Contra as Criaturas Mágicas, e ela como monitora do clube de TCM, tinha que apresentar um relatório detalhado de cada animal que seria exposto e sua saúde, além de distribuir as credenciais para os encarregados de cuidar das criaturas para que não sofressem nenhum dano. Como o trabalho fosse exaustivo, contava com os membros do clube que estavam animados com a possibilidade de conhecer criaturas novas. Ela já havia passado ao professor Assimov, a carta de sua amiga Morgan, confirmando a presença na feira e trazendo um dragão de dorso cristado norueguês, com quatro anos e um ovo de dragão negro das Ilhas Hébridas, que seria exposto. Tudo corria bem, quando um par de mãos vestidas com luvas de couro de dragão, tampou os seus olhos. Ela levou as mãos até elas e sorriu dizendo:
- Yuri! Não sabia que vinha.
- Alguém tinha que trazer o dragão não é? Como você está? E aqui está o seu presente de aniversário atrasado. - e a girou nos braços enquanto se abraçavam felizes. Nicolai, estava perto e Irina exibia um sorriso, enquanto os colegas se agitavam com a expectativa de ver um dragão em tamanho natural ao de perto. - E a Morgan e o Carlinhos??- perguntou depois de notar que o irmão descansava a mão na cintura de Irina.
- Os gêmeos estão com catapora, então eles nos pediram para trazer o dragão e o ovo para a exposição. Norberto está dormindo, aonde vamos colocá-lo?- e saíram juntos para acomodar o dragão de 5 toneladas.
Quando conseguiu alguns momentos a sós com o irmão, Milla não se conteve e perguntou:
- Você e Mary brigaram?
- Não brigamos... Terminei o namoro porque descobri que amo Irina e vou me casar com ela.
- Casar? Mas vocês mal começaram a namorar...
- Ninguém explica o amor. Basta vivê-lo. E conheço Irina a minha vida toda. – e seu olhar era apaixonado.
Milla ficou triste por Mary, pois gostava dela, mas se era verdade que ele havia descoberto que queria se casar com Irina porque a amava, ela iria apóiá-lo.
- Então vocês estão juntos...
- Sim, ele me ama. – ela respondeu mais para si própria e o garoto retrucou:
- Claro que ama, quem poderia dizer o contrário? Passe a poção para cá. - disse Luka cínico e Irina disse:
- Você sabe que é perigoso usar isso... Algumas pessoas sofrem efeitos colaterais. – dizia enquanto passava a ele um vidro com uma poção de brilho perolado e quando ele abriu o vidro viu a espiral de fumaça subir e o cheiro de cera para polir vassouras encher o ambiente. Logo ele o tampou e disse:
- Não vou me arriscar mais do que você, mas se eu for apanhado, usarei a desculpa que todos usam: um amor desesperado. E se tiver que ir para a cadeia não irei sozinho... Pedirei uma cela perto da sua, para jogarmos baralho. – e após um olhar chocado da irmã, ambos sorriram enquanto observavam os dois irmãos que eram os seus respectivos “amores” conversarem ao longe.
Sunday, April 20, 2008
- Não sei se vocês estão se lembrando, mas caso não, faço questão de refrescar: neste castelo ainda não permitem namoros. Pelo menos não assim... tão... à vista. Disfarcem um pouco. – Ricard disse com uma careta de insatisfação quando Victor me abraçou no meio do corredor, mas logo sorrimos.
- Você diz isso por que nunca namorou. Quando namorar, vai entender. – Victor falou sorrindo e eu concordei com a cabeça. Ele levantou a sobrancelha.
- Muito obrigado por me lembrar do meu próprio ‘status’ de encalhado, Victor. Grande amigo que você é.
- Disponha.
- Desfaça essa sua cara feia, Ricard. Eu e Victor só estávamos nos abraçando, nada demais. Mas eu acho que é melhor irmos andando, ou vamos chegar atrasados para o Clube de Poções Avançadas. – consultei o relógio. Faltavam apenas dez minutos.
- Não sei como vocês se divertem tanto nesses clubes todos...
- Não nos divertimos. Nos garantimos, é diferente. Não jogamos trancabola como você, então temos que conseguir pontos extras em clubes. – Ricard respondeu avaliativo e eu concordei. Victor sacudiu os ombros. – Vamos andando. Nos vemos no Clube de Duelos. – Ricard saiu me puxando e acenamos para Victor.
- Vocês dois... – ele exclamou baixo, mais como um pensamento alto. Sorri.
- Voltamos sim. Nos gostamos muito. Felizmente para nós dois e infelizmente para você, imagino. – Victor disse sorrindo e Naveen também riu, ironicamente.
- Imaginou errado. Fico muito feliz por vocês. Se combinam. A hipocondríaca e o problemático. Lindo casal. Além do mais, Lavínia e eu já aproveitamos muito o nosso curto tempo juntos. Devo dizer que ela sabe o que faz... Quem sabe daqui uns dias, quando vocês brigarem de novo e você quiser ‘causar’ demais, ela não venha correndo para desabafar comigo, não é? Já que somos bons amigos... Muito bons amigos. – ele sorriu ainda mais aberto.
- Estávamos duelando, é claro. Isso aqui é um Clube de Duelos, afinal. – Naveen falou cínico guardando a varinha na bainha da calça e olhando Victor, vitorioso.
- É um clube de duelos e não um ringue de luta livre! Vou ter que falar com o professor Skoblar sobre o comportamento de vocês. Com certeza vão levar uma suspensão do Clube. – Lev Nikolaievich disse se intrometendo, sério. Naveen deu uma risadinha.
- Me faça esse favor. Acho que já vou decretar suspensão para mim mesmo, desde já. Tenham uma ótima noite.
- Você não sabe?
- Não.
- Ficamos juntos uma noite, você termina comigo sem mais nem por que, e volta correndo para ele? Que estava fazendo de tudo para que você sofresse. Devo ser mesmo muito chato, ou ter feito algo muito errado.
- Você não fez nada de errado, Naveen. Eu gosto de você. Como amigo. Mas eu amo o Victor, e eu sempre deixei isso muito claro, nunca te enganei. E você também gosta da Deborah!
- Tudo bem. Eu já tinha entendido e aceitado tudo isso, não precisava repetir para mim. Diga isso para o seu namorado, por que acho que ele não se garante... Foi ele quem começou. Se eu revidei, foi só para me defender.
- Não preciso da permissão dele pra ser sua amiga. Só não queria que ficassem lutando por aí.
- Não vai mais acontecer, não se preocupe.
- Lavínia... – Victor apareceu nos encarando sério e Naveen fechou a cara.
- A gente se vê, então... – eu disse e ele concordou. Encarou Victor mais uma vez e sumiu na escada.
- O que ele queria com você? – perguntou limpando o nariz, que ainda estava sangrando um pouco. O rosto estava muito machucado. Acompanhou Naveen com o olhar até ele desaparecer completamente e depois se virou para mim.
- Nada demais. – respondi azeda.
- Não quero te ver perto dele, Vina. Ele não presta.
- WOW, começamos a impor limites, é isso? Estamos namorando, Victor. Naveen é meu amigo. Aceite isso. Você também não é amigo daquela... menina?
- É muito diferente.
- Não vejo por que. Pare de agir feito criança. Estou namorando você agora, não precisa travar duelos com todos os meus amigos e ex-namorados. E se eu fosse você, aproveitaria o fato de que foi suspenso do Clube para ir até a enfermaria. Está ficando pálido.
- Você veio aqui em baixo, Lavínia? – ele perguntou em um tom de voz rouco e sério que me deu medo. Foi agarrando outros ramos diversos, todos mutilados.
- Não, professor. Eu somente uso a parte de cima da Estufa. O senhor mesmo separa as plantas que quer que eu estude com os outros alunos do Clube...
- Só nós dois temos a chave da Estufa, e alguém certamente esteve aqui recentemente podando a Belladona. Você sabe as conseqüências disso, não sabe? – ele perguntou se virando para mim mais sério do que nunca e eu tremi. Concordei.
- Professor, eu posso garantir que nunca estive aqui, e não toquei esta planta.
Thursday, April 17, 2008
O diretor havia pedido que todos se reunissem no campo antes do inicio das aulas para um comunicado e procurou as amigas para se juntar a elas, as encontrando nas arquibancadas da Mannaz.
‘Evie!’ Nina exclamou surpresa ‘Onde estava? Por que não voltou no trem ontem?’
‘Perdi a saída dele e meu pai não me deixou vir de Noitebus’ Respondeu sentando entre elas ‘Cheguei agora cedo, chave de portal’
‘Você sempre perde esse trem’ Milla caçoou ‘Já sei o que dar de presente no seu aniversario, um relógio!’
‘Não é sempre, só de vez em quando’ Riu também e notou que Micah a observava com uma expressão estranha ‘O que foi? Que cara é essa?’
Ele sacudiu a cabeça e não respondeu, mas ela não teve tempo de perguntar outra vez. Um silvo alto fez todos taparem os ouvidos assustados e logo a voz do diretor ecoava pelo campo. Começou relembrando pela décima vez sobre a feira cultural que a escola faria em duas semanas, repassando as atividades que teriam e dando um último prazo para os alunos que queriam participar do show de talentos a se inscreverem com o professor Ivo. Depois passou o microfone ao professor de educação física, Maddox.
‘Bom dia a todos’ Começou com seu tom seco ao natural e alguns alunos riram ‘Todos sabem que o Trancabola é um esporte violento, e embora não seja proibido para as meninas, nenhuma até hoje teve coragem de se aventurar’ Os alunos riram outra vez e ele parecia mais a vontade, arriscando sorrir ‘O que quero propor é justamente isso. Quero dar às meninas a chance de jogar Trancabola, nem que seja por um dia. Durante a feira teremos um jogo amistoso, chamado Jogo do Pó-de-arroz, entre vocês, garotas. Será bem menos violento, é claro, e algumas regras serão mudadas para garantir isso. Teremos duas equipes e eles serão treinados por dois jogadores do meu time que ainda irei escolher. É totalmente opcional, ninguém é obrigado a jogar. Mas tenho certeza que aquelas que me procurarem para se inscrever, irão se divertir bastante. Os treinos serão durante a próxima semana e a partida não irá valer pontos para nenhuma casa, é apenas pela diversão. Esse é o nosso primeiro jogo, mas se der certo, faremos dele um evento anual. As inscrições vão até domingo. Espero que participem’
Maddox encerrou sua explicação e devolveu o microfone ao diretor, mas ninguém mais prestou atenção. Annia e Milla pareciam animadas e dispostas a participar e Nina parecia considerar a idéia, mas Evie e Vina faziam caretas de reprovação. Participar desse massacre com consentimento definitivamente estava fora dos planos das duas. O diretor dispensou os alunos para se encaminharem para as salas e antes que pudesse sair da arquibancada, Micah segurou o braço de Evie.
‘Suas chaves’ Disse estendendo para ela ‘Ia devolver no sábado, mas você não apareceu na casa do Chris’
‘Meu pai inventou um almoço em família, não pude sair’ Pegou a chave e guardou na mochila, mas quando a colocou no ombro direito, tirou depressa fazendo cara de dor
‘Está tudo bem?’ Perguntou indicando seu ombro
‘Está sim, me machuquei no Noitebus, não é nada demais’ Mentiu, pendurando a mochila no outro ombro ‘Ele dá umas freadas bruscas, me pegou de surpresa. Tenho que ir, ainda não passei na republica. Vejo você depois!’
Saiu apressada para fora do campo e não deu a ele chance de questionar mais nada.
~*~*~*~*~
Já haviam se passado três dias desde que as aulas recomeçaram e embora as dores tivessem diminuído bastante, ainda não haviam sumido por completo. Evie continuava evitando que esbarrassem em suas costas e para não dar brecha para Micah questionar mais nada, passara a carregar os livros nas mãos para todos os lados, deixando a mochila no dormitório. Sentiu um grande alivio quando a única aula do dia que faltava era de artes e não precisava carregar nenhum peso.
A aula hoje, por estar perto do dia da feira, seria inteiramente para que alunos que participariam do show de talentos pudessem ensaiar. Embora não fosse apresentar nenhum numero, Evie e Nina foram para a aula normalmente, pensando em assistir aos ensaios. Chris e Ty conversavam distraídos nas poltronas da última fileira e antes que pudesse chegar até eles, Evie ouviu algo que a fez parar. Estavam falando dela.
‘Ele precisa contar para a Evie’ Chris falou sem perceber que ela estava a poucos metros de distancia ‘Já falei isso ao Micah milhões de vezes, mas até agora ele não fez nada’
‘Ela tem mesmo que saber o que o Max fez com ele, mas não somos nós que vamos contar, não é?’ Ty ponderou, mesmo que contrariado ‘Isso é ele quem tem que fazer’
‘O que eu preciso saber?’ Interrompeu os dois, que saltaram assustados da cadeira e logo começaram a balbuciar, mas sem conseguir formar sentenças ‘Então? Vão contar ou vou ter que arrancar a força? O que o Max fez que o Micah tem que me contar?’
Os dois se entreolharam sem saber o que fazer, mas Evie não estava disposta a deixar pra lá e ir embora sem uma explicação. Esperou de braços cruzados até que um dos dois se pronunciasse, e Nina também começava a ficar curiosa. Chris se ajeitou na cadeira e a encarou.
‘Que fique claro que eu não a procurei pra contar nada, estou sendo pressionado’ Disse olhando para Ty, que assentiu com a cabeça
‘Christopher William, fale de uma vez!’ Evie disse já sem paciência
‘Você sabe que bateram no Micah, certo?’ Ela confirmou com a cabeça e ele continuou ‘Sei que falamos que não sabíamos quem tinha sido, mas era mentira. A verdade é que Max, junto com Luka, Naveen, Serj e aquele idiota que anda atrás deles, o Klaus, se juntaram para bater nele’
‘Os cinco covardes o pegaram desprevenido e Micah não teve a menor chance de se defender!’ Ty completou com a voz irritada
‘Desculpa não ter dito nada antes, Evie’ Chris continuou ‘Mas Micah pediu que não contássemos e concordamos, pois quem devia ter dito isso a você era ele, e não nenhum de nós’
‘Sabemos que ele é seu irmão e sinto muito por isso, mas aquele garoto não presta’ Ty falou mais contido, mas ainda irritado
‘Não vai dizer nada?’
Evie continuou encarando os dois por mais alguns segundos com uma expressão de completo desgosto no rosto e saiu do teatro sem dizer nada. Não encontrava uma palavra exata que descrevesse o que estava sentindo depois de ouvir aquilo tudo, mas ao menos de uma coisa tinha certeza: sentia uma mistura de raiva e nojo do irmão, que dificilmente seria esquecida.
~*~*~*~*~
Evie bateu a porta da Spartacus com raiva e saiu andando pelo gramado, mas Max correu atrás dela e a fez parar. Ambos tinham expressões sérias e os rostos vermelhos, indicando que estavam discutindo. Ele ameaçou segurar seu braço, mas um único olhar dela o fez recuar.
‘Não finja que não sabia, Evie’ Max começou ‘Eu avisei para ficar longe dele’
‘Fingir que não sabia o que? Que meu irmão é um monstro e quase matou uma pessoa?’ Respondeu ríspida ‘Não Max, eu não sabia!’
‘Não acredito que vai ficar do lado de lá. Você não sabe nada sobre ele, devia confiar na sua família!’
‘Confiar na minha família?’ Ela riu e ele a encarou espantado. Esticou o braço para ele e arregaçou a manga do casaco, deixando a mostra uma marca roxa ‘Está vendo isso? Olha pro meu braço, Max!’ Gritou com ele, o forçando a olhar ‘Foi a última vez que isso aconteceu. Eu já cansei, então fique preparado, porque a partir de agora quem vai pagar a pato vai ser você’
Escondeu a marca outra vez e deu as costas para ele, se afastando. Max não se moveu e ela parou quando já estava a alguns passos de distancia, o encarando uma última vez.
‘Fica longe de mim’ Disse baixo, mas sabia que ele havia escutado. Virou as costas novamente e dessa vez não olharia mais para trás.
MURAL DE DURMSTRANG:
P.S.: Os alunos que se mostrarem ainda mais interessados pela F.A.L.E., ainda poderão se cadastrar membros e comprarem buttons, camisetas e adesivos.
09:00 – 10:00 hrs.: Palestra com Rubeus Hagrid, guarda-caças e professor de Trato das Criaturas Mágicas da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. O palestrante vai falar sobre o preconceito aos gigantes e meio-gigantes, contar experiências próprias e quebrar tabus sobre essas GRANDES criaturas. Além disso, vai apresentar seu irmão, Grope, um típico gigante das cavernas que está sendo educado a viver entre os homens.
10:00 - 12:00 hrs.: Show da The Dobbys, uma banda formada por Elfos Domésticos de Hogwarts e Grope, o Gigante. Com músicas que misturam vários estilos, para todos os gostos, a banda é uma nova explosão nas rádios bruxas.
P.S.: A origem da banda se deu após a morte de Dobby, o primeiro elfo que amou sua liberdade e levantou esta bandeira em Hogwarts. Muitos de seus integrantes eram amigos do Elfo, por isso, fizeram-lhe essa homenagem ao escolherem o nome.
- Almoço no castelo de Durmstrang.
14:00 – 16:00 hrs.: Palestras com Ivana Mesic, Remo Lupin e Gui Weasley. Ela, professora de Transfiguração do Instituto Durmstrang, falará tecnicamente sobre as transformações dos lobisomens e as dificuldades que essas criaturas enfrentam a cada mês para manterem suas maldições sob seus controles. Eles, um lobisomem e um meio-lobisomem, vão contar abertamente como foram mordidos, e o que tiveram de mudar em suas vidas, desde então... O objetivo dos palestrantes é mostrar aos bruxos que lobisomens, assim como os gigantes e demais criaturas, também podem viver socialmente sem serem agressivos.
O restante da tarde está aberto aos participantes conhecerem exposições de variados objetos dos duendes e outras criaturas, e brincadeiras variadas. Lembrando a todos que tanto as exposições e vendas de produtos, como as brincadeiras, estarão acontecendo paralelamente durante todos os dois dias do evento.
09:00 – 10:00 hrs.: Apresentação de nado sincronizado das sereias do Instituto Durmstrang, com um belíssimo espetáculo.
10:00 – 11:00 hrs.: Desfile de centauros por toda a extensão do vilarejo. Uma perfeita demonstração de beleza, união, inteligência e magnitude dessas criaturas.
12:00 hrs. - Almoço no castelo de Durmstrang.
A partir das 14:00 hrs. começará o tão esperado SHOW DE TALENTOS preparado principalmente por apresentações de diversos tipos dos alunos de Durmstrang. Imperdível!
18:00 hrs. – Jogo do Pó-de-Arroz seguido de um breve encerramento do professor Isaac Asimov e do diretor Igor Ivanovich.
- Vendas de livros sobre Criaturas Mágicas, buttons, camisetas, artesanatos e outros, também estarão abertas durante todo o evento.
Desde já, contamos com a presença e colaboração de todos vocês.