Quando cheguei Robbie e Parv estavam conversando e se espantaram em ver como eu estava, nem disse oi e me atirei na cama chorando. Consegui contar a eles o que havia acontecido, e claro, que eles ficaram tão indignados com Mitchell quanto eu. Depois que me acalmei, fizemos o que se faz quando se está com raiva: tomamos muito sorvete e falamos muito mal dos homens, e acabamos rindo, ao imaginar as vinganças mais malucas.
Voltamos às aulas eu procurei agir como se nada houvesse acontecido, afinal além dos deveres, eu tinha o concurso e o jornal para me ocupar, mas era dificil estar com Mitchell na mesma sala e não conseguir fazer a pergunta que mais me incomodava: ‘porque ele não confiou em mim?’.
Quando nos reunimos no grêmio para decidir o que fazer para o dia dos namorados, Mitchell que agora ocupava o lugar que havia sido de Jack, estava presente e muito participativo, o que me irritava muito, então toda sugestão que ele dava eu arrumava um jeito de menosprezar, até que chegou num ponto em que Robbie, precisou me segurar: eu estava parecendo uma megera e não estava ficando bonito. Claro, que zombei da idéia dele de um karaokê, mas quando todos aprovaram, ele sorriu vitorioso para mim, olhei-o por um momento, e sacudi a cabeça, o que eu esperava? Que ele ficasse sozinho? Até parece, pensei amarga. Bem, eu não devia estar me preocupando com isso, para mim seria um dia dos namorados como tantos outros. Solitário.
Depois do jogo, podiamos fazer o que quisessemos, enquanto Robbie e Alec, Parv e Lukas foram passear no vilarejo, eu optei por voltar para a república, ia trabalhar um pouco e verificar alguns documentos que o advogado havia me enviado com urgência.
À noite acompanhei meus amigos até o castelo, para jantar e também para a noite no karaokê, afinal eu era membro do grêmio e não poderia faltar. Fui obrigada a reconhecer que a idéia do Mitchell foi muito boa, pois o microfone estava concorrido, e não só ouvimos boas apresentações com canções românticas, como algumas obras primas assassinadas, mas também músicas que não eram românticas porém animadas.
- Leonora, podemos conversar?- Mitchell disse ao meu lado, enquanto eu aplaudia rindo, o assassinato de ‘Talk to the Moon’.
- Não. - respondi curta sem nem me virar para ele, que foi embora. Prestei atenção em Finn, que começou a cantar ‘On Brodway’ e as pessoas o acompanharam animadas. Vi quando Mitchell conseguiu o microfone e pude ver seus olhos grudados em mim. Ergui o queixo e ele soltou a voz, cantando uma das minhas favoritas:
Only you, can make this world seem right
Only you, can make the darkness bright
Only you, and you alone, can thrill me like you do
And fill my heart with love for only you
Only you, can make this change in me
For it's true, you are my destiny
When you hold my hand, I understand
the magic that you do
You're my dream come true
my one and only you
One and only you....
- Huum, acho que alguém quer pedir perdão.- disse Robbie e eu bufei, marchando até a fila do microfone. – Não sei se eu estava com uma expressão muito feia, ou as pessoas sabiam que estava rolando uma espécie de DR musical, pois consegui o microfone rápido, mesmo com a concorrência. Subi ao palco, escolhi a música e o procurei com os olhos:
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch
And it's bringing me out the dark
The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love they leave me breathless
I can't help feeling
We could've had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
To the beat
Mitchell tentou falar comigo novamente e eu o olhei feio e ele se afastou contrariado, foi pegar um drink, vi quando ele e Oleg começaram a conversar. Continuei com meus amigos vendo as apresentações, mas sempre desviava o olhar para onde ele estava e Parv e Robbie chegaram a me zoar por isso. Depois de algum tempo, vi que Mitchell voltava ao palco, decidido.
- Mais um round? Isso está ficando muito legal. Não faça assim com os olhos, rugas chegam e ficam. - zombou Robbie quando o olhei de olhos apertados e quando ouvimos os primeiros acordes da musica, meu queixo caiu. Claro, que eu não era a única surpresa naquele salão:
If I should stay
I would only be in your way
So I'll go but I know
I'll think of you
Every step of the way
And I will always love you
I will always love you
You
My Darling you
Bitter sweet memories
That is all I'm taking with me
so goodbye, please don't cry
We both know I'm not what you, you need
I hope life treats you kind
And I hope you'll have
All you dreamed of
and I do wish you joy
And happiness
But above all this, I wish you love
And I will always love you
I will always love you
I will always love you
Apesar dos risos, ele foi muito aplaudido, inclusive pela professora Geórgia e pelo diretor Ivanovich, senti um leve cutucão nas costas, e sabia que era Robbie. Caminhei até Mitchell enquanto ele vinha na mesma direção e me olhou. Sabia que depois de tudo, eu é quem deveria mostrar que estava disposta a pelo menos ouvir. Estendi a mão a ele, que sorriu e me puxou para perto dele:
- Você me perdoa por ser um idiota ciumento?
- Por ser um idiota, sim. Ciúmes algumas vezes é...bom, você fica bonitinho e depois desta música, eu é que terei que rosnar para algumas garotas que estão prontas para dar o bote e...- ele me puxou para um beijo e disse quando me soltou, olhando no relógio:
- Quer aproveitar nosso primeiro dia dos namorados? – perguntou ansioso:
- Mas eu não te comprei um presente...- respondi e ele segurou meu rosto entre suas mãos:
- Fica comigo, é só o que quero.Vamos resolver tudo ok? - assenti. Saímos do castelo e fomos para o hotel do vilarejo, festejar nossa reconciliação.
N.Autora: Músicas: Talk to the Moon (Bruno Mars), Only you (The Platters), Rolling in the deep (Adele), I will always love you (Whitney Houston)
Friday, February 17, 2012
Thursday, February 16, 2012
Sábado, 14 de fevereiro de 2016 – Valentine’s Day.
Ozzy estava no vestiário terminando de colocar o uniforme dos Ducks quando entrei com Robbie e Leo. A maioria do time já estava pronto e começava a sair, mas ele demorou mais do que o necessário amarrando os patins nos pés para ficar sozinho com a gente.
- Tudo certo? – perguntei ansiosa – Vai mesmo fazer isso?
- Já disse que sim, relaxa – ele respondeu colocando o capacete na cabeça – Sentem na ponta da proteção de vidro, vou jogar ele contra ela naquele pedaço e vocês podem pegar a amostra.
- Como exatamente vamos fazer isso sem ninguém ver? – Robbie estava nervoso.
- Ninguém vai prestar atenção em vocês, vão estar vendo o jogo – ele deu de ombros, mas Robbie não parecia menos aflito – Só peguem o sangue e pronto.
- Ok então. Boa sorte – disse quando ele pegou o taco no armário e o fechou, pronto pra sair.
- Não preciso de sorte, sou bom nisso – disse convencido piscando pra gente e saiu do vestiário.
Deixamos o vestiário logo depois e ocupamos os lugares sugeridos por ele. Estávamos na primeira fileira, bem do lado do fim da proteção de vidro, seria fácil passar o cotonete que Robbie trazia dentro de um frasco no sangue que esperávamos que sujasse aquele pedaço.
O jogo já começou violento. A maior rivalidade do Hóquei de Durmstrang era entre os Mighty Ducks e os Wild Penguins, toda partida começava e terminava em confusão e dessa vez não tinha como ser diferente. Ozzy começou a marcação em cima de Patrick assim que o disco bateu no gelo e não saiu da sua cola. Os dois se acotovelavam o tempo inteiro e um tentava esmagar o outro contra o vidro, mas depois de muitos trancos, foi Ozzy quem conseguiu bater com o rosto de Patrick contra a proteção, exatamente onde ele havia dito que faria. O sangue que saiu do nariz dele foi inevitável e tomei o frasco da mão de Robbie, que ficou com nojo, e peguei nossa amostra assim que eles se afastaram.
O que aconteceu depois, no entanto, não estava programado. Furioso, Patrick atirou o taco no chão e partiu pra cima de Ozzy. Os dois trocaram alguns socos e no meio disso o capacete de Ozzy deve ter afrouxado, porque quando Patrick lhe deu um empurrão violento e ele caiu pra trás, o capacete voou longe e ele bateu com a cabeça no gelo. Levantei da arquibancada a tempo de ver Ozzy apagar, uma poça de sangue se formando em volta da sua cabeça.
ºººººººººº
Depois que Ozzy desmaiou e foi retirado do rinque, o jogo continuou. Os Ducks venceram, mas foi uma vitória apertada. Lukas chegou logo depois da confusão e foi uma surpresa, não esperava vê-lo em Durmstrang tão cedo. Fiquei feliz, é claro. Era dia dos namorados, nada mais justo que eu o passasse com o meu. Ainda passei na enfermaria pra ver como Ozzy estava, mas ele ainda estava desmaiado e não adiantava ficar lá, então sai com Lukas para o vilarejo.
Passamos à tarde no hotel da cidade, onde ele havia reservado um quarto. Era bom tê-lo por perto, mas ainda me sentia um pouco culpada pelo que havia acontecido no casamento de Katarina. Não era justo com ele, mas também não tinha a intenção de contar nada. Era passado, Ozzy e eu já havíamos resolvido isso, não tinha necessidade de voltar com o assunto pra causar problemas.
Teria ficado com ele a noite toda por lá também, mas tivemos que voltar para o castelo. A festa de Valentine’s Day que o grêmio havia organizado já havia começado e eu, como presidente dele, tinha a obrigação de comparecer. Dessa vez optamos por algo simples e decoramos o salão com as coisas padrões da data, mas deixamos o som por conta de um Karaokê. Durmstrang tinha aula de música, então era hora de ver se todos estavam tendo algum aproveitamento nelas.
Não me aventurei a cantar naquela noite. A fila pela posse do microfone estava muito grande e preferi ficar sentada na mesa vendo as apresentações. Todas muito divertidas, por sinal. Alguns ainda aproveitaram o karaokê pra fazer declarações de amor, o que rendia muita gozação depois, mas garantiam sucesso ao autor dela.
Lukas teve que ir embora às 23h e, cansada da agitação do dia, optei por voltar para a república depois que nos despedimos, mas minha idéia de dormir cedo foi pelo ralo assim que cheguei ao quarto. Abri o armário para pegar meu pijama e esbarrei em uma caixa no fundo dele, fazendo a tampa cair. Era o patins de Jack, que havia trazido comigo em setembro. Sequer lembrava que ele estava ali, mas de repente senti vontade de experimentá-los. Eu não era uma boa patinadora, fazia anos desde que havia calçado um daqueles pela última vez, mas me senti nostálgica e larguei o pijama de lado, tirando eles da caixa.
O lago de Durmstrang estava sempre congelado, não importa a estação do ano. Nos finais de semana patinar nele era a atividade favorita dos que preferiam ficar no castelo a voltar pra casa, mas desde que havia começado meus estudos, há quase 7 anos atrás, aquela era a primeira vez que ia até ele com aquela intenção. Já estava me aproximando quando ouvi o barulho de um taco batendo em um disco repetidamente. Não esperava encontrar ninguém ali àquela hora, todos estavam na festa, então foi uma surpresa ver que o autor do barulho era Ozzy. Estava parado no meio do lado com os patins no pé, quicando o disco no taco, e notei que tinha um curativo em sua cabeça.
- Você bateu a cabeça no gelo hoje e desmaiou – falei sentando no banco e ele se assustou, deixando o disco cair – Não deveria estar longe daqui?
- Cai porque fui empurrado, não caio sozinho, estou seguro – ele pegou o disco de volta e continuou equilibrando ele no taco – O que está fazendo aqui? Não deveria estar na festa?
- Lukas já foi embora, não quis voltar sozinha. Você chegou a ir até lá? Não me lembro de tê-lo visto no salão.
- Passei bem rápido só pra ver a decoração, mas tive a sorte de ser bem na hora que baixou a Whitney Houston no Mitchell.
- Ah, então você viu tudo que valia a pena. Aquilo foi impagável.
- Cara, isso vai render gozação com a cara dele pro resto da sua vida. Ele já estava planejando isso quando deu a sugestão do karaokê, não estava?
- Sem dúvida. Ele nem estava tão bêbado assim pra ter decidido pagar o mico da vida dele de repente.
- Veio até aqui pra ficar sentada ou vai patinar? – perguntou apontando para os patins na minha mão – São os do Jack?
- Sim... Ele deixou no meu quarto antes do acidente, trouxe comigo quando voltei. Nunca tive a intenção de usá-los, até hoje.
- Então coloque-os. Eles foram feitos pro gelo, não podem ficar guardados em uma caixa. É um insulto a memória dele.
- Eu não sou exatamente o que se pode chamar de boa patinadora. A última vez que usei um desses tinha oito anos, e posso lhe garantir, não foi nada bonito.
- Esses patins foram do Jack, não pode se sair mal com eles nos pés. Faça uma tentativa, tenho certeza que vai se sair bem.
Ele voltou à atenção ao disco e resolvi calçar os patins. Jack havia decorado ele todo com adesivos e rabiscos, mas que se olhados com atenção, eram até bonitos. Eles eram muito maiores que meu pé, então usei um feitiço para ajustá-los ao meu tamanho e levantei. Acho que fiquei quase um minuto parada no mesmo lugar antes de criar coragem de pisar no gelo. Deslizei na mesma hora, mas por um milagre consegui manter o equilíbrio e evitar a queda. Ozzy agora estava dando voltas no lago a toda velocidade e o odiei naquele momento por ser tão exibido. Tentei deslizar pra frente e estava conseguindo me movimentar devagar quando ele passou feito um foguete do meu lado e a rajada de vento me desequilibrou. Dessa vez não consegui controlar e cai de bunda no gelo. Ele freou e voltou de costas, parando do meu lado já rindo.
- Você é um exibido, sabia? E para de rir, não tem graça nenhuma! – disse irritada, ainda sentada no gelo.
- Desculpe, mas tem graça sim. Acho que o gelo tremeu com a queda.
- Está me chamando de gorda?
- Não, mas foi um tombo de impacto.
- Engraçadinho. Ao invés de ficar fazendo piada, por que não me ajuda a levantar?
- Você está fazendo tudo errado – disse me levantando com um puxão só – Parece o bambi aprendendo a andar. Se não perder o medo e arriscar, não vai dar certo.
- Qual parte do “eu não sei patinar direito” você não entendeu? Isso foi uma péssima idéia, melhor dormir que corro menos risco.
- Ah não senhora, você vai me fazer companhia hoje. Já veio até aqui, não vou deixar ir embora. Todo mundo está em algum encontro e seu namorado já foi embora, então não tem nada pra fazer.
- E pra que você precisa de companhia? Está tarde, vai dormir também. Alias, não era nem pra estar aqui!
- Não posso dormir. A enfermeira me proibiu de dormir por 24h porque posso ter um treco. Acho que ela falou algo sobre entrar em coma.
- E daí? Você não vai morrer, vai?
- Isso dói, Parvati. Não é legal. E como isso é em parte culpa sua, tem a obrigação de me fazer companhia hoje. Fora que você é minha parceira, isso é seu trabalho.
- Calma Drama Queen, precisa disso tudo, eu fico. Que horas você pode dormir de novo?
- Só às 9h da manhã. Então, vamos patinar? Eu puxo você até pegar o jeito.
- Você vai me fazer cair.
- Nunca vou fazer você cair – ele pegou minha mão e deu um sorriso – Pronta?
- Não, espera!
Mas ele me ignorou por completo e começou a patinar pelo lago me arrastando junto. No começo estava indo devagar, mas aos poucos começou a acelerar até que já estávamos correndo. Comecei a gritar pra ele parar porque eu ia cair, mas ele não diminuiu e fui obrigada a segurar seu braço inteiro. Se eu caísse, ia levar ele junto. Passamos a madrugada inteira no lago. Depois de um tempo já não estava mais apavorada com a idéia de bater a cabeça no gelo e abrir um buraco nela e já conseguia patinar mais rápido que uma tartaruga sem precisar me agarrar nele. Ainda estava longe de poder entrar para um time de hóquei, mas melhorei bastante.
Nem vimos a hora passar e só percebi que a madrugada havia ido embora quando vimos o sol nascer. Naquela altura eu já estava exausta e aproveitamos que o salão principal ainda estava vazio para tomar café da manhã. Perto das 8h eu me rendi, não agüentava mais, e ele não tentou me impedir de voltar pra Atena. Despedimos-nos e cada um foi pra um lado. Mesmo sem ter planejado, aquele tinha sido sem duvidas o Valentine’s Day mais divertido que já tive.
Ozzy estava no vestiário terminando de colocar o uniforme dos Ducks quando entrei com Robbie e Leo. A maioria do time já estava pronto e começava a sair, mas ele demorou mais do que o necessário amarrando os patins nos pés para ficar sozinho com a gente.
- Tudo certo? – perguntei ansiosa – Vai mesmo fazer isso?
- Já disse que sim, relaxa – ele respondeu colocando o capacete na cabeça – Sentem na ponta da proteção de vidro, vou jogar ele contra ela naquele pedaço e vocês podem pegar a amostra.
- Como exatamente vamos fazer isso sem ninguém ver? – Robbie estava nervoso.
- Ninguém vai prestar atenção em vocês, vão estar vendo o jogo – ele deu de ombros, mas Robbie não parecia menos aflito – Só peguem o sangue e pronto.
- Ok então. Boa sorte – disse quando ele pegou o taco no armário e o fechou, pronto pra sair.
- Não preciso de sorte, sou bom nisso – disse convencido piscando pra gente e saiu do vestiário.
Deixamos o vestiário logo depois e ocupamos os lugares sugeridos por ele. Estávamos na primeira fileira, bem do lado do fim da proteção de vidro, seria fácil passar o cotonete que Robbie trazia dentro de um frasco no sangue que esperávamos que sujasse aquele pedaço.
O jogo já começou violento. A maior rivalidade do Hóquei de Durmstrang era entre os Mighty Ducks e os Wild Penguins, toda partida começava e terminava em confusão e dessa vez não tinha como ser diferente. Ozzy começou a marcação em cima de Patrick assim que o disco bateu no gelo e não saiu da sua cola. Os dois se acotovelavam o tempo inteiro e um tentava esmagar o outro contra o vidro, mas depois de muitos trancos, foi Ozzy quem conseguiu bater com o rosto de Patrick contra a proteção, exatamente onde ele havia dito que faria. O sangue que saiu do nariz dele foi inevitável e tomei o frasco da mão de Robbie, que ficou com nojo, e peguei nossa amostra assim que eles se afastaram.
O que aconteceu depois, no entanto, não estava programado. Furioso, Patrick atirou o taco no chão e partiu pra cima de Ozzy. Os dois trocaram alguns socos e no meio disso o capacete de Ozzy deve ter afrouxado, porque quando Patrick lhe deu um empurrão violento e ele caiu pra trás, o capacete voou longe e ele bateu com a cabeça no gelo. Levantei da arquibancada a tempo de ver Ozzy apagar, uma poça de sangue se formando em volta da sua cabeça.
ºººººººººº
Depois que Ozzy desmaiou e foi retirado do rinque, o jogo continuou. Os Ducks venceram, mas foi uma vitória apertada. Lukas chegou logo depois da confusão e foi uma surpresa, não esperava vê-lo em Durmstrang tão cedo. Fiquei feliz, é claro. Era dia dos namorados, nada mais justo que eu o passasse com o meu. Ainda passei na enfermaria pra ver como Ozzy estava, mas ele ainda estava desmaiado e não adiantava ficar lá, então sai com Lukas para o vilarejo.
Passamos à tarde no hotel da cidade, onde ele havia reservado um quarto. Era bom tê-lo por perto, mas ainda me sentia um pouco culpada pelo que havia acontecido no casamento de Katarina. Não era justo com ele, mas também não tinha a intenção de contar nada. Era passado, Ozzy e eu já havíamos resolvido isso, não tinha necessidade de voltar com o assunto pra causar problemas.
Teria ficado com ele a noite toda por lá também, mas tivemos que voltar para o castelo. A festa de Valentine’s Day que o grêmio havia organizado já havia começado e eu, como presidente dele, tinha a obrigação de comparecer. Dessa vez optamos por algo simples e decoramos o salão com as coisas padrões da data, mas deixamos o som por conta de um Karaokê. Durmstrang tinha aula de música, então era hora de ver se todos estavam tendo algum aproveitamento nelas.
Não me aventurei a cantar naquela noite. A fila pela posse do microfone estava muito grande e preferi ficar sentada na mesa vendo as apresentações. Todas muito divertidas, por sinal. Alguns ainda aproveitaram o karaokê pra fazer declarações de amor, o que rendia muita gozação depois, mas garantiam sucesso ao autor dela.
Lukas teve que ir embora às 23h e, cansada da agitação do dia, optei por voltar para a república depois que nos despedimos, mas minha idéia de dormir cedo foi pelo ralo assim que cheguei ao quarto. Abri o armário para pegar meu pijama e esbarrei em uma caixa no fundo dele, fazendo a tampa cair. Era o patins de Jack, que havia trazido comigo em setembro. Sequer lembrava que ele estava ali, mas de repente senti vontade de experimentá-los. Eu não era uma boa patinadora, fazia anos desde que havia calçado um daqueles pela última vez, mas me senti nostálgica e larguei o pijama de lado, tirando eles da caixa.
O lago de Durmstrang estava sempre congelado, não importa a estação do ano. Nos finais de semana patinar nele era a atividade favorita dos que preferiam ficar no castelo a voltar pra casa, mas desde que havia começado meus estudos, há quase 7 anos atrás, aquela era a primeira vez que ia até ele com aquela intenção. Já estava me aproximando quando ouvi o barulho de um taco batendo em um disco repetidamente. Não esperava encontrar ninguém ali àquela hora, todos estavam na festa, então foi uma surpresa ver que o autor do barulho era Ozzy. Estava parado no meio do lado com os patins no pé, quicando o disco no taco, e notei que tinha um curativo em sua cabeça.
- Você bateu a cabeça no gelo hoje e desmaiou – falei sentando no banco e ele se assustou, deixando o disco cair – Não deveria estar longe daqui?
- Cai porque fui empurrado, não caio sozinho, estou seguro – ele pegou o disco de volta e continuou equilibrando ele no taco – O que está fazendo aqui? Não deveria estar na festa?
- Lukas já foi embora, não quis voltar sozinha. Você chegou a ir até lá? Não me lembro de tê-lo visto no salão.
- Passei bem rápido só pra ver a decoração, mas tive a sorte de ser bem na hora que baixou a Whitney Houston no Mitchell.
- Ah, então você viu tudo que valia a pena. Aquilo foi impagável.
- Cara, isso vai render gozação com a cara dele pro resto da sua vida. Ele já estava planejando isso quando deu a sugestão do karaokê, não estava?
- Sem dúvida. Ele nem estava tão bêbado assim pra ter decidido pagar o mico da vida dele de repente.
- Veio até aqui pra ficar sentada ou vai patinar? – perguntou apontando para os patins na minha mão – São os do Jack?
- Sim... Ele deixou no meu quarto antes do acidente, trouxe comigo quando voltei. Nunca tive a intenção de usá-los, até hoje.
- Então coloque-os. Eles foram feitos pro gelo, não podem ficar guardados em uma caixa. É um insulto a memória dele.
- Eu não sou exatamente o que se pode chamar de boa patinadora. A última vez que usei um desses tinha oito anos, e posso lhe garantir, não foi nada bonito.
- Esses patins foram do Jack, não pode se sair mal com eles nos pés. Faça uma tentativa, tenho certeza que vai se sair bem.
Ele voltou à atenção ao disco e resolvi calçar os patins. Jack havia decorado ele todo com adesivos e rabiscos, mas que se olhados com atenção, eram até bonitos. Eles eram muito maiores que meu pé, então usei um feitiço para ajustá-los ao meu tamanho e levantei. Acho que fiquei quase um minuto parada no mesmo lugar antes de criar coragem de pisar no gelo. Deslizei na mesma hora, mas por um milagre consegui manter o equilíbrio e evitar a queda. Ozzy agora estava dando voltas no lago a toda velocidade e o odiei naquele momento por ser tão exibido. Tentei deslizar pra frente e estava conseguindo me movimentar devagar quando ele passou feito um foguete do meu lado e a rajada de vento me desequilibrou. Dessa vez não consegui controlar e cai de bunda no gelo. Ele freou e voltou de costas, parando do meu lado já rindo.
- Você é um exibido, sabia? E para de rir, não tem graça nenhuma! – disse irritada, ainda sentada no gelo.
- Desculpe, mas tem graça sim. Acho que o gelo tremeu com a queda.
- Está me chamando de gorda?
- Não, mas foi um tombo de impacto.
- Engraçadinho. Ao invés de ficar fazendo piada, por que não me ajuda a levantar?
- Você está fazendo tudo errado – disse me levantando com um puxão só – Parece o bambi aprendendo a andar. Se não perder o medo e arriscar, não vai dar certo.
- Qual parte do “eu não sei patinar direito” você não entendeu? Isso foi uma péssima idéia, melhor dormir que corro menos risco.
- Ah não senhora, você vai me fazer companhia hoje. Já veio até aqui, não vou deixar ir embora. Todo mundo está em algum encontro e seu namorado já foi embora, então não tem nada pra fazer.
- E pra que você precisa de companhia? Está tarde, vai dormir também. Alias, não era nem pra estar aqui!
- Não posso dormir. A enfermeira me proibiu de dormir por 24h porque posso ter um treco. Acho que ela falou algo sobre entrar em coma.
- E daí? Você não vai morrer, vai?
- Isso dói, Parvati. Não é legal. E como isso é em parte culpa sua, tem a obrigação de me fazer companhia hoje. Fora que você é minha parceira, isso é seu trabalho.
- Calma Drama Queen, precisa disso tudo, eu fico. Que horas você pode dormir de novo?
- Só às 9h da manhã. Então, vamos patinar? Eu puxo você até pegar o jeito.
- Você vai me fazer cair.
- Nunca vou fazer você cair – ele pegou minha mão e deu um sorriso – Pronta?
- Não, espera!
Mas ele me ignorou por completo e começou a patinar pelo lago me arrastando junto. No começo estava indo devagar, mas aos poucos começou a acelerar até que já estávamos correndo. Comecei a gritar pra ele parar porque eu ia cair, mas ele não diminuiu e fui obrigada a segurar seu braço inteiro. Se eu caísse, ia levar ele junto. Passamos a madrugada inteira no lago. Depois de um tempo já não estava mais apavorada com a idéia de bater a cabeça no gelo e abrir um buraco nela e já conseguia patinar mais rápido que uma tartaruga sem precisar me agarrar nele. Ainda estava longe de poder entrar para um time de hóquei, mas melhorei bastante.
Nem vimos a hora passar e só percebi que a madrugada havia ido embora quando vimos o sol nascer. Naquela altura eu já estava exausta e aproveitamos que o salão principal ainda estava vazio para tomar café da manhã. Perto das 8h eu me rendi, não agüentava mais, e ele não tentou me impedir de voltar pra Atena. Despedimos-nos e cada um foi pra um lado. Mesmo sem ter planejado, aquele tinha sido sem duvidas o Valentine’s Day mais divertido que já tive.
Friday, February 03, 2012
Depois das aulas de sexta era normal que os alunos fossem para suas casas, aproveitar o fim de semana com a família. Eu costumava fazer isso e ia para Sofia quase toda sexta-feira, mas desde que as aulas do nosso último ano começaram, aquela era a primeira vez que ficava no castelo por obrigação. Atolada com o material do curso de auror que tinha para estudar, achei sensato ficar pra trás. Nem quando Leo convidou Robbie e eu para acompanhá-la até a Itália pude ceder. Ela acabou tendo que ir sozinha, pois Robbie também estava às voltas com um trabalho para o jornal que andava tirando seu sono. Seriamos só nós dois no fim de semana todo, cada um ocupado com os seus problemas.
- Você precisa se desafiar mais, Sr. von Hoult – Robbie imitou a voz da professora Mira e revirei os olhos – Sei que é perfeitamente capaz de escrever algo além de uma coluna de fofocas.
- Você vai passar o fim de semana inteiro reclamando? – perguntei impaciente – Se for me avise agora, que chuto o balde e vou atrás da Leo, ainda dá tempo de alcançá-la.
- Não estou reclamando, apenas desabafando. Você é minha amiga, cale a boca e me apóie.
- Por que você aceitou esse trabalho, afinal de contas?
- Porque achei que seria um desafio legal e que podia provar a ela que sou perfeitamente capaz de escrever algo sério, mas estou começando a me arrepender.
- Você é sim capaz de escrever outras coisas além de uma coluna de fofocas. Conte o que está tentando fazer, quem sabe não posso ajudar.
- Certo... – ele puxou uma folha de papel da bagunça que tinha no chão e me entregou – Ela sugeriu que eu tentasse escrever algo sério, mas não disse o que, então fiquei maluco tentando ter idéias, até que estava com Alec no vestiário dos Ducks e uma luz surgiu no meu caminho.
- O que vocês estavam fazendo no vestiário dos Ducks? – perguntei rindo e ele abanou a mão num gesto que dizia para não interrompê-lo.
- Estávamos saindo quando ouvimos um barulho de soco. Corremos pra ver quem era e a porta do armário de Lucian estava aberta e toda amassada, mas não tinha ninguém no corredor. Alec ainda correu para ver se encontrava o autor do vandalismo, mas não viu ninguém. A porta amassada do armário estava suja de sangue, provavelmente do agressor que se machucou, então pensei: e se eu tentasse bancar o repórter investigativo e descobrisse quem invadiu o vestiário?
- É uma boa idéia, mas você não está conseguindo descobrir quem foi, não é?
- Não, é mais difícil do que pensei! Minha primeira idéia foi coletar amostras do sangue da porta, porque se ele é do autor, então poderia descobrir através dele, mas não sei como fazer isso.
- Você precisa comparar com outra amostra de sangue ou não vai conseguir descobrir de quem é, a menos que tenha acesso a um computador do FBI e a pessoa tenha ficha – ele me olhou espantado e ri – Muito seriado policial nas férias e um professor que trabalha pro FBI.
- Bom, não tenho um computador do FBI, alguma outra brilhante sugestão? – ele perguntou debochado.
- Primeiro, melhore sua atitude ou não ajudo – ele me atirou uma bolinha de papel e desviei dela – Segundo, já tem um suspeito?
- Mais ou menos...
- Com licença... – ouvimos uma batida na porta e virei. Ozzy estava parado do lado de fora do quarto – Está muito ocupada?
- Sim, ela está em um raro momento de paciência com meus projetos, não interrompa! – Robbie respondeu irritado, mas não dei importância.
- Não, não estou.
- Ótimo, podemos conversar um instante? – ele olhou pro quarto, onde Jude e Penny ocupavam suas camas alheias à conversa – A sós?
- Parvati Karev, não desapareça! Preciso da sua ajuda nisso!
- Eu já vou voltar, pare de ser dramático!
Sai do quarto com ele e como a república estava uma bagunça e cheia de gente, fomos até varanda. Ele indicou o banco para eu sentar, mas não sentou de imediato. Parecia que estava se preparando para começar a falar. Finalmente ele sentou ao meu lado e por um instante achei que ele ia me contar que estava morrendo.
- Dr. Pace disse que preciso contar algumas coisas a você e disse que poderíamos fazer isso na próxima sessão, mas acho que precisamos aprender a conversar sem supervisão, então vim até aqui hoje pra isso.
- Também tenho que lhe dizer algumas coisas – admiti, um pouco aliviada por ele ter tomado a iniciativa – Você primeiro.
- Ok... Quando você foi até minha casa no Natal, se desculpar pela história da entrevista, eu menti quando disse que estava tudo bem, que já tinha esquecido aquilo – ele abaixou a cabeça para não me encarar – A verdade é que ainda não consigo perdoá-la pelo que fez. Não estou com raiva de você, não é isso. Acho que é mais mágoa, aquele era o meu sonho e por sua causa ele foi jogado fora.
- Eu sabia que você não tinha me perdoado, sabia que não estava nada bem. O que eu posso fazer pra consertar isso? Eu faço qualquer coisa, é sério.
- Não precisa fazer nada, de verdade. Tudo que preciso é de tempo pra digerir isso e então vai chegar um dia em que não vou mais estar magoado com isso e vou perdoá-la. Só preciso de tempo.
- Eu sinto muito, nunca me arrependi tanto de algo que fiz – ele assentiu, mas continuou de cabeça baixa – Minha vez. Quando você foi a minha casa depois de descobrir o que eu fiz, estava com raiva e nervoso e por isso me disse alguns insultos. Sei que estava no seu direito de estar me odiando, mas o que você disse me magoou.
- Eu me arrependi do que disse no instante em que as palavras saíram da minha boca, mas estava alterado demais pra pedir desculpas. Eu realmente sinto muito. Jack tinha razão, nada me dava o direito de falar daquela forma com você.
- Eu sei que as pessoas falam as mesmas coisas de mim pelas costas, já ouvi algumas falando na minha cara e nunca dei importância, mas quando você disse foi a primeira vez que me magoou. Acho que foi jeito como você falou, eu senti a verdade na forma como me ofendeu, você acreditava naquelas palavras.
- Não, não é verdade – ele puxou minha mão e a acariciou – Eu nunca pensei aquelas coisas de você, nem quando estava no auge da minha irritação com as nossas brigas. Eu tinha sim a intenção de magoá-la, foi por isso que repeti o que ouvia na escola, mas eu nunca pensei nada daquilo.
- Não precisa tentar abafar o que sempre soube. Algumas ofensas às vezes tinham fundamento, não é como se fosse uma novidade.
- Nunca repita isso, Parvati. Você não é nada daquilo, não acredite se alguém disser o contrário. Tivemos nossos problemas, mas hoje somos amigos e sei que você é durona, mas também tem um lado doce que as pessoas não conhecem. Você não merece aceitar desaforo das pessoas aqui e deixar pra lá, essa não é a Parvati que passou dois anos batendo de frente comigo.
- Estou cansada de brigar com as pessoas por causa disso, com o tempo aprendi que o melhor a se fazer é ignorar.
- Bom, então nesse caso vou ter que começar a defender você. Não posso permitir que ofendam minha parceira e deixar isso barato.
- Então agora eu ganhei um defensor dos fracos e oprimidos? – perguntei rindo.
- Se você não faz nada a respeito, tenho a obrigação de fazer. Eu tenho que tomar as suas dores, não foi isso que o professor Wade falou?
Não sei quanto tempo ficamos sentados naquele banco, um de frente pro outro sem dizer nada, apenas sorrindo. Quando me dei conta de que não estávamos mais conversando e ele ainda acariciava as costas da minha mão com o polegar, puxei-a de volta depressa. Isso deve tê-lo feito acordar, pois saltou do banco feito uma mola e parou quase no meio da varanda. Robbie apareceu na porta naquele exato instante, o sorriso mais debochado do mundo estampado no rosto, mas tendo noção do perigo, não ousou soltar nenhum tipo de piada enquanto não estivéssemos sozinhos.
- Se não estiver interrompendo nada, gostaria de ter a atenção dos dois de volta ao quarto.
- Eu também? – Ozzy perguntou surpreso – Já estava indo embora.
- Estava nada, suba um instante, não vai demorar.
Ele me olhou curioso, mas dei de ombros e acompanhamos Robbie escada acima. As meninas que estavam na república agora desciam apressadas com mochilas nas costas, querendo o mais rápido possível chegar em casa e subimos esbarrando nelas pelo caminho. Jude e Penny também estavam de saída do quarto quando entramos e se despediram animadas, se juntando a confusão nas escadas.
- Então, o que quer nos mostrar? Já descobriu quem arrombou o armário?
- Não, porque como você disse, preciso de provas, mas tenho um suspeito.
- Que armário? O do vestiário? – Ozzy perguntou perdido na conversa e assentimos – Alec comentou que você estava querendo descobrir quem tinha feito aquilo, mas não falou mais nada, achei que tinha desistido.
- Não posso desistir, isso virou um projeto para o jornal e a professora está de olho.
- E quem é o suspeito? Pare de enrolar – disse impaciente.
- Patrick Boris – ele disse satisfeito e quando não respondemos nada, fez cara feia – O que foi?
- Com base em quê você chegou a conclusão de que Patrick invadiu o vestiário dos Ducks e arrombou o armário do Lucian?
- Ele era namorado da Lenneth e obcecado por ela, levou uma surra do Lucian na frente da escola inteira e agora o mesmo está namorando a ex dele. Isso não é motivo?
- Isso é tudo circunstancial. Por que ele iria arrombar o armário?
- É, nada foi roubado – Ozzy completou e Robbie soltou um suspiro de frustração.
- Tenho reunião do jornal às 17h, não posso aparecer lá sem uma evolução no trabalho. Vocês não estão colaborando!
- Se você pudesse provar que o sangue na porta é dele, não precisa de um motivo. Já o colocou na cena do “crime” – e fiz aspas com as mãos – Isso já é uma prova concreta, que não tem margem pra contestação.
- Certo, mas onde vou conseguir uma amostra de sangue dele? Não acho que ele e Lenneth tenham feito algum pacto de sangue e ela tenha guardado um pouco em um frasco.
- Ele joga pelos Wild Penguins, não é? – perguntei para Ozzy e ele assentiu – Acha que pode arrancar um pouco de sangue dele no próximo jogo?
- Está vendo? Durona! – ele sorriu animado com a ideia – Moleza, sempre tem um pouco de sangue em um jogo de Hóquei. E desde aquela história com a Lenneth estou procurando por um bom motivo para dar uns socos naquele idiota. Podem contar comigo.
Robbie voltou a se animar e passamos alguns minutos discutindo como faríamos para coletar o sangue que Ozzy tirasse de Patrick sem ter que invadir o rinque, então Ozzy foi embora e fiquei sozinha com Robbie. Passei horas naquele quarto ouvindo os comentários debochados dele. E o pior era que eu não tinha moral pra contestar nenhum deles. Ia ser um longo fim de semana.
- Você precisa se desafiar mais, Sr. von Hoult – Robbie imitou a voz da professora Mira e revirei os olhos – Sei que é perfeitamente capaz de escrever algo além de uma coluna de fofocas.
- Você vai passar o fim de semana inteiro reclamando? – perguntei impaciente – Se for me avise agora, que chuto o balde e vou atrás da Leo, ainda dá tempo de alcançá-la.
- Não estou reclamando, apenas desabafando. Você é minha amiga, cale a boca e me apóie.
- Por que você aceitou esse trabalho, afinal de contas?
- Porque achei que seria um desafio legal e que podia provar a ela que sou perfeitamente capaz de escrever algo sério, mas estou começando a me arrepender.
- Você é sim capaz de escrever outras coisas além de uma coluna de fofocas. Conte o que está tentando fazer, quem sabe não posso ajudar.
- Certo... – ele puxou uma folha de papel da bagunça que tinha no chão e me entregou – Ela sugeriu que eu tentasse escrever algo sério, mas não disse o que, então fiquei maluco tentando ter idéias, até que estava com Alec no vestiário dos Ducks e uma luz surgiu no meu caminho.
- O que vocês estavam fazendo no vestiário dos Ducks? – perguntei rindo e ele abanou a mão num gesto que dizia para não interrompê-lo.
- Estávamos saindo quando ouvimos um barulho de soco. Corremos pra ver quem era e a porta do armário de Lucian estava aberta e toda amassada, mas não tinha ninguém no corredor. Alec ainda correu para ver se encontrava o autor do vandalismo, mas não viu ninguém. A porta amassada do armário estava suja de sangue, provavelmente do agressor que se machucou, então pensei: e se eu tentasse bancar o repórter investigativo e descobrisse quem invadiu o vestiário?
- É uma boa idéia, mas você não está conseguindo descobrir quem foi, não é?
- Não, é mais difícil do que pensei! Minha primeira idéia foi coletar amostras do sangue da porta, porque se ele é do autor, então poderia descobrir através dele, mas não sei como fazer isso.
- Você precisa comparar com outra amostra de sangue ou não vai conseguir descobrir de quem é, a menos que tenha acesso a um computador do FBI e a pessoa tenha ficha – ele me olhou espantado e ri – Muito seriado policial nas férias e um professor que trabalha pro FBI.
- Bom, não tenho um computador do FBI, alguma outra brilhante sugestão? – ele perguntou debochado.
- Primeiro, melhore sua atitude ou não ajudo – ele me atirou uma bolinha de papel e desviei dela – Segundo, já tem um suspeito?
- Mais ou menos...
- Com licença... – ouvimos uma batida na porta e virei. Ozzy estava parado do lado de fora do quarto – Está muito ocupada?
- Sim, ela está em um raro momento de paciência com meus projetos, não interrompa! – Robbie respondeu irritado, mas não dei importância.
- Não, não estou.
- Ótimo, podemos conversar um instante? – ele olhou pro quarto, onde Jude e Penny ocupavam suas camas alheias à conversa – A sós?
- Parvati Karev, não desapareça! Preciso da sua ajuda nisso!
- Eu já vou voltar, pare de ser dramático!
Sai do quarto com ele e como a república estava uma bagunça e cheia de gente, fomos até varanda. Ele indicou o banco para eu sentar, mas não sentou de imediato. Parecia que estava se preparando para começar a falar. Finalmente ele sentou ao meu lado e por um instante achei que ele ia me contar que estava morrendo.
- Dr. Pace disse que preciso contar algumas coisas a você e disse que poderíamos fazer isso na próxima sessão, mas acho que precisamos aprender a conversar sem supervisão, então vim até aqui hoje pra isso.
- Também tenho que lhe dizer algumas coisas – admiti, um pouco aliviada por ele ter tomado a iniciativa – Você primeiro.
- Ok... Quando você foi até minha casa no Natal, se desculpar pela história da entrevista, eu menti quando disse que estava tudo bem, que já tinha esquecido aquilo – ele abaixou a cabeça para não me encarar – A verdade é que ainda não consigo perdoá-la pelo que fez. Não estou com raiva de você, não é isso. Acho que é mais mágoa, aquele era o meu sonho e por sua causa ele foi jogado fora.
- Eu sabia que você não tinha me perdoado, sabia que não estava nada bem. O que eu posso fazer pra consertar isso? Eu faço qualquer coisa, é sério.
- Não precisa fazer nada, de verdade. Tudo que preciso é de tempo pra digerir isso e então vai chegar um dia em que não vou mais estar magoado com isso e vou perdoá-la. Só preciso de tempo.
- Eu sinto muito, nunca me arrependi tanto de algo que fiz – ele assentiu, mas continuou de cabeça baixa – Minha vez. Quando você foi a minha casa depois de descobrir o que eu fiz, estava com raiva e nervoso e por isso me disse alguns insultos. Sei que estava no seu direito de estar me odiando, mas o que você disse me magoou.
- Eu me arrependi do que disse no instante em que as palavras saíram da minha boca, mas estava alterado demais pra pedir desculpas. Eu realmente sinto muito. Jack tinha razão, nada me dava o direito de falar daquela forma com você.
- Eu sei que as pessoas falam as mesmas coisas de mim pelas costas, já ouvi algumas falando na minha cara e nunca dei importância, mas quando você disse foi a primeira vez que me magoou. Acho que foi jeito como você falou, eu senti a verdade na forma como me ofendeu, você acreditava naquelas palavras.
- Não, não é verdade – ele puxou minha mão e a acariciou – Eu nunca pensei aquelas coisas de você, nem quando estava no auge da minha irritação com as nossas brigas. Eu tinha sim a intenção de magoá-la, foi por isso que repeti o que ouvia na escola, mas eu nunca pensei nada daquilo.
- Não precisa tentar abafar o que sempre soube. Algumas ofensas às vezes tinham fundamento, não é como se fosse uma novidade.
- Nunca repita isso, Parvati. Você não é nada daquilo, não acredite se alguém disser o contrário. Tivemos nossos problemas, mas hoje somos amigos e sei que você é durona, mas também tem um lado doce que as pessoas não conhecem. Você não merece aceitar desaforo das pessoas aqui e deixar pra lá, essa não é a Parvati que passou dois anos batendo de frente comigo.
- Estou cansada de brigar com as pessoas por causa disso, com o tempo aprendi que o melhor a se fazer é ignorar.
- Bom, então nesse caso vou ter que começar a defender você. Não posso permitir que ofendam minha parceira e deixar isso barato.
- Então agora eu ganhei um defensor dos fracos e oprimidos? – perguntei rindo.
- Se você não faz nada a respeito, tenho a obrigação de fazer. Eu tenho que tomar as suas dores, não foi isso que o professor Wade falou?
Não sei quanto tempo ficamos sentados naquele banco, um de frente pro outro sem dizer nada, apenas sorrindo. Quando me dei conta de que não estávamos mais conversando e ele ainda acariciava as costas da minha mão com o polegar, puxei-a de volta depressa. Isso deve tê-lo feito acordar, pois saltou do banco feito uma mola e parou quase no meio da varanda. Robbie apareceu na porta naquele exato instante, o sorriso mais debochado do mundo estampado no rosto, mas tendo noção do perigo, não ousou soltar nenhum tipo de piada enquanto não estivéssemos sozinhos.
- Se não estiver interrompendo nada, gostaria de ter a atenção dos dois de volta ao quarto.
- Eu também? – Ozzy perguntou surpreso – Já estava indo embora.
- Estava nada, suba um instante, não vai demorar.
Ele me olhou curioso, mas dei de ombros e acompanhamos Robbie escada acima. As meninas que estavam na república agora desciam apressadas com mochilas nas costas, querendo o mais rápido possível chegar em casa e subimos esbarrando nelas pelo caminho. Jude e Penny também estavam de saída do quarto quando entramos e se despediram animadas, se juntando a confusão nas escadas.
- Então, o que quer nos mostrar? Já descobriu quem arrombou o armário?
- Não, porque como você disse, preciso de provas, mas tenho um suspeito.
- Que armário? O do vestiário? – Ozzy perguntou perdido na conversa e assentimos – Alec comentou que você estava querendo descobrir quem tinha feito aquilo, mas não falou mais nada, achei que tinha desistido.
- Não posso desistir, isso virou um projeto para o jornal e a professora está de olho.
- E quem é o suspeito? Pare de enrolar – disse impaciente.
- Patrick Boris – ele disse satisfeito e quando não respondemos nada, fez cara feia – O que foi?
- Com base em quê você chegou a conclusão de que Patrick invadiu o vestiário dos Ducks e arrombou o armário do Lucian?
- Ele era namorado da Lenneth e obcecado por ela, levou uma surra do Lucian na frente da escola inteira e agora o mesmo está namorando a ex dele. Isso não é motivo?
- Isso é tudo circunstancial. Por que ele iria arrombar o armário?
- É, nada foi roubado – Ozzy completou e Robbie soltou um suspiro de frustração.
- Tenho reunião do jornal às 17h, não posso aparecer lá sem uma evolução no trabalho. Vocês não estão colaborando!
- Se você pudesse provar que o sangue na porta é dele, não precisa de um motivo. Já o colocou na cena do “crime” – e fiz aspas com as mãos – Isso já é uma prova concreta, que não tem margem pra contestação.
- Certo, mas onde vou conseguir uma amostra de sangue dele? Não acho que ele e Lenneth tenham feito algum pacto de sangue e ela tenha guardado um pouco em um frasco.
- Ele joga pelos Wild Penguins, não é? – perguntei para Ozzy e ele assentiu – Acha que pode arrancar um pouco de sangue dele no próximo jogo?
- Está vendo? Durona! – ele sorriu animado com a ideia – Moleza, sempre tem um pouco de sangue em um jogo de Hóquei. E desde aquela história com a Lenneth estou procurando por um bom motivo para dar uns socos naquele idiota. Podem contar comigo.
Robbie voltou a se animar e passamos alguns minutos discutindo como faríamos para coletar o sangue que Ozzy tirasse de Patrick sem ter que invadir o rinque, então Ozzy foi embora e fiquei sozinha com Robbie. Passei horas naquele quarto ouvindo os comentários debochados dele. E o pior era que eu não tinha moral pra contestar nenhum deles. Ia ser um longo fim de semana.
Thursday, February 02, 2012
Anotações de Leonora Carrara - Ultima semana de janeiro 2015
Quando Mitchell e eu voltamos para a escola, pensei que teríamos a rotina de namorados que eu via entre Parv e Lukas e mesmo entre Robbie e Alec, mas nao foi o que aconteceu. Mitchell tinha que se dividir entre os treinos de quadribol, as aulas para auror, e eu além de estar no jornal, estava muito ocupada com o concurso de culinária que acabou movimentando até mesmo os alunos da escola, vários vinham comentar que seus pais haviam se inscrito no site, que mandei montar para o concurso, o que facilitava que eu acompanhasse tudo, de um laptop que comecei a usar e o carregava comigo para todo lugar. Acabei acertando um anúncio com Lucian e além de continuar a coluna de fofocas, também divulgavamos as receitas mais votadas, que ao final da votação on-line, eram avaliadas pela banca julgadora que se reunia duas vezes ao mês. E sempre que tínhamos uma folga nas aulas, Mitchell e eu nos encontravamos para namorar e tudo ia muito bem entre nós. Meu namoro com Finn foi breve, e sem querer acabava comparando-o ao de agora. E embora, Mitchell e eu não ficassemos grudados o tempo todo, nosso tempo juntos era de qualidade. Ok, a quem eu quero enganar com esta frase de workaholic de consciência pesada? Bastava ter um canto vazio que nos agarrávamos como se não houvesse amanhã, mas também conversávamos e fazíamos planos como um casal normal.
-o-o-o-o-o-
Sexta-feira, após o almoço
- Vocês têm certeza de que não podem vir?- perguntei mais uma vez para Robbie e Parv, enquanto arrumava uma mochila com algumas roupas.
- Não posso, amada. Tenho que terminar o trabalho que a professora Mira passou, olha que vergonha, até você fez o seu antes do meu.Tem algo errado no mundo.- rimos e olhei para Parv, que se mostrava chateada.
- Você acha que eu iria recusar comida boa, de graça e a oportunidade de boas risadas, se não tivesse aula? O doutor Pace já está na minha cola, e se eu faltar amanhã, posso dar adeus à carreira de auror. Porque Mitchell não vai com você?- e eu bufei:
- Porque ele já foi para Sofia, para encontrar a família, nem quis almoçar.Mas devemos voltar juntos para cá, domingo á noite.
- Há algum problema entre vocês? – ela quis saber e respondi:
- A mãe dele não gosta de mim.Acho que é questão de tempo...
- Como assim não gosta de você? Estavam todos bem, no casamento da irmã do Ozzy.Você até dançou com o pai dele.- disse Robbie e eu olhei para Parv e ela entendeu o que eu queria saber:
- Desculpe, estava com o filtro no máximo e não captei nada, mas pela aparência achei que tudo estivesse normal. Meus pais gostaram deles, e que história é esta de ‘questão de tempo’, vai terminar? Ele falou alguma coisa? - ela perguntou e eu neguei com a cabeça e Robbie se agitou:
- Vocês não podem terminar só porque a mãe dele não gosta de você, pirou? Ele é o melhor namorado que uma garota pode ter, e amiga, vocês se amam, todo mundo vê isso. E o mais importante: EU gosto do Mitch, e ele é muito amigo do Alec. Viu? Boas razões apra você não terminar com ele.
- Será que um namoro pode sobreviver quando a mãe do cara que você ama não te considera boa o bastante, ou nas palavras dela: ‘ainda se fosse a outra, Ivashkov’.- resmunguei.
- Ela falou isso na sua cara? Quem ela pensa que é? Não conhece aquela vaca da Camille. – disse Robbie nervoso e eu respondi:
- Claro que ela não falou comigo, ela é uma ‘Forbes’, e tem o mínimo de educação, então ela finge. Acabei ouvindo sem querer um comentário dela com o marido, depois da festa, na casa da tia dele. Eu havia voltado para pegar minha bolsa, que deixei na entrada, eles nem me viram.
- Não faça nada precipitado, Léo. Você contou ao Mitchell? – quis saber Parv.
- Não, e não vou contar, ele adora os pais e não quero que briguem por minha causa. Por favor, não comentem nada ok?Tudo vai se resolver.- eles concordaram e os deixei na república, e fui pegar o trem. Tinha muitos pensamentos conflitantes a respeito de Mitchell na cabeça, que sumiram quando abri o bolso da frente da minha mochila para pegar a minha passagem, e encontrei um bilhete com a caligrafia dele.
‘Estou contando os minutos para domingo. M.”
Remexi mais um pouco na bolsa e encontrei uma saquinho de veludo e dentro havia uma pulseira de prata, cheia de pequenos berloques, do tipo que as pessoas usam para ter sorte, como trevo de quatro folhas, ferradura, um coração onde havia nossas iniciais.Sorri feito boba.
- ‘Problema da mãe dele se não gosta de mim, ele gosta...E muito!’.- disse a mim mesma enquanto admirava a pulseira em meu pulso.
o-o-o-o-o-o
Quando cheguei na Itália, foi uma correria só, pois eram muitos participantes, e o senhor Vincenzo, já havia organizado boa parte das eliminatórias, e no sábado quando teriamos a prova final com a presença de juizes, escolheriamos as 3 finalistas desta etapa. Por ser uma causa beneficente, convidamos algumas celebridades, entre eles um chef americano de origem italiana chamado, Rocco Di Spirito, que estava fazendo um programa para seu canal de televisão e era amigo do avô do Damon, e como ele ofereceu a estrutura do estúdio, fomos todos para lá. Eu entrava na estúdio destinado ao programa quando ouvi alguém me chamar, me virei e era a mãe do Finn. Sorri quando nos abraçamos:
- Minha querida que saudades de você. Está linda! – ela disse amorosa e eu a abracei novamente:
- Você está muito bem, tia Moira.O que faz aqui?
- Finn está dando entrevista junto com o time, no estúdio do lado, para um programa de esportes e você sabe que a única coisa que entendo deste jogo é que quando ele defende o...o...
- Puck.- completei e ela riu concordando:
- Isso! Quando ele defende o puck, é bom para ele e para o time.- rimos e eu disse:
- Só aprendi, porque tive que ver muitos dos jogos dele na escola. Quer ficar um pouco aqui, enquanto ele termina as entrevistas? Estou esperando a ultima jurada do concurso de culinária. Rocco Di Spirito, vai apresentar o programa.
- Ah que maravilha, adoro o programa dele. Sabe que sempre uso o azeite da sua empresa e pedi a todas as minhas amigas que o usassem, Finn me contou da sua luta em salvar a fábrica, conte comigo, querida.
-Obrigada, tia, isso me ajuda e muito. Quer ser minha convidada para ver o programa e depois vamos comer em algum lugar e matar as saudades?- ficamos conversando por um tempo e logo Finn se juntava a nós, junto com alguns colegas do time, que ele apresentou a nós duas. No começo ele estava um pouco seco comigo, mas depois começou a conversar normal e logo estávamos rindo, dos comentários deles sobre a entrevista, e seus novos amigos eram muito engraçados, além de bonitos, e algumas vezes não entendiam algumas palavras que diziamos, e um deles veio colocando a mão sobre meu ombro, me convidando para sair e eu sem disfarçar, retirava sua mão e seus colegas o zoaram. O tempo foi passando e o diretor do programa veio me avisar que a convidada de Rocco teve um imprevisto e não iria comparecer, e isso poderia invalidar esta etapa do concurso.
- Por Odin, o que faço agora? Não posso dizer ao Rocco que não vai ter mais concurso e a gravação dele ser prejudicada. E se tiver, a prova pode ser invalidada porque não temos todos os juízes imparciais do regulamento. – comentei aflita, peguei o celular para ligar para o avô de Damon, quem sabe ele poderia conhecer alguém quando tia Moira, disse:
- Se você precisa de gente famosa para dar audiência ao programa, poderia convidar Finn e os amigos, o time deles é famoso ou não dariam entrevista para televisão daqui não é? – ela disse e olhei suplicante para Finn e ele quis saber:
- É importante para você? Só me apresento na próxima temporada, mas os caras aqui, já estão na ativa...
- Sim, e eu ficaria muito agradecida se você e seus amigos me ajudassem.
Ele conversou com os amigos e após ligarem para o técnico, que ainda estava no estúdio ao lado, concordaram. Corri até o diretor e conversei com ele, e ele só faltou pular de alegria, quando os rapazes entraram no estúdio. E Rocco, como já conhecia e era fã do Bolzano na Itália, adorou os novos convidados, e os apresentou á platéia, que ficou eufórica, pois em sua maioria eram mulheres. Quando o programa acabou e as três vencedoras da etapa tiravam fotos com os convidados, eu respirei aliviada, abraçando tia Moira e sua ótima idéia.O diretor do programa veio contente dizer que o show havia sido lider de audiência, e que se numa próxima oportunidade quisesse trabalhar com eles novamente, era só ligar para ele.
Depois de tudo resolvido, agradeci a todos os amigos do time do Finn, e prometi me tornar a sua mais nova torcedora, ganhei pares de ingressos, e um deles, o engraçadinho do Enrico, disse que se um dia eu precisasse de um guia na cidade, era só ligar para ele, claro que ele recuou quando Finn rosnou para ele, dizendo que estava brincando, mas piscou para mim quando Finn não estava olhando. Embora eu tivesse muita coisa para fazer, optei por ficar com Finn e sua mãe, e fomos passear por alguns pontos turisticos que ficavam lindos à noite e ela adorou. Como ficamos paseando até tarde, no dia seguinte optamos por voltar todos juntos para Sofia, acompanhei Finn até a casa de sua mãe e depois fomos para a minha casa, onde eu ficaria para esperar por Mitchell.
Já era começo da tarde de domngo, e Finn estava sentado na sala, e fui buscar alguma coisa para comermos, e quando voltei acabei tropeçando e ele agilmente me segurou, e começamos a rir, pois eu sempre fui estabanada.Mitchell nos encontrou assim e disse:
- O que está acontecendo aqui? – e antes que eu abrisse a boca, vi que sua mãe, que estava com ele me olhava sarcástica. Finn, notando o clima tenso disse:
- Léo, é melhor eu ir embora...
- Não, você não vai, porque a casa é minha e recebo quem eu quiser aqui, especialmente meus amigos.- respondi olhando Mitchell, que havia me olhado de cima a baixo e se demorou nos meus pés descalços, quando me encarou novamente, havia julgamento em seus olhos:
- Passaram o fim de semana juntos?- perguntou frio e antes que eu respondesse, sua mãe disse:
- Eu disse que era perda de tempo tentar ter alguma amizade com esta garota Mitchell, nota-se que ela não é para você.
- Sim, passamos.- respondi o mais fria possível, mas por dentro eu fervia de irritação com o comentário da mãe dele, e ela o puxou pelo braço:
- Vamos embora, querido. Já vimos o bastante.- e ele começou a se virar com ela, quando eu explodi:
- Isso, esconda-se atrás da mamãe, sem saber realmente o que está acontecendo.- provoquei.
- Não ouse falar assim com meu filho...- ela se virou defensiva e sua voz se elevou um pouco, e eu respondi mais alto:
- Abaixe o tom, pois está na minha casa e aqui quem grita sou eu. Eu não a convidei para vir.- ela ofegou, talvez porque ninguém nunca tenha falado assim com ela e Mitchell disse nervoso:
- Não fale assim com a minha mãe.
- Ela que não fale comigo deste jeito, ela nunca ouviu dizer que em briga de...de casal ninguém mete a colher?- respondi e ele novamente me olhou e encarou novamente Finn, dizendo:
- Busco as minhas coisas assim, que possível...- não deixaria ele ter a última palavra:
- Não se dê ao trabalho, eu as mando para você. – ele saiu e a porta ficou entreaberta, fui até lá e a bati com força.
- Léo, sinto muito...Você está bem? - ouvi Finn perguntando enquanto meus olhos começaram a arder, mas respirei fundo e disse:
- Vou buscar minha mochila, preciso voltar para a escola agora, você vem comigo?
-Sim, claro.
Eu sabia que iria chorar e muito, mas o inferno congelaria se eu chorasse na frente de um ex-namorado.
Quando Mitchell e eu voltamos para a escola, pensei que teríamos a rotina de namorados que eu via entre Parv e Lukas e mesmo entre Robbie e Alec, mas nao foi o que aconteceu. Mitchell tinha que se dividir entre os treinos de quadribol, as aulas para auror, e eu além de estar no jornal, estava muito ocupada com o concurso de culinária que acabou movimentando até mesmo os alunos da escola, vários vinham comentar que seus pais haviam se inscrito no site, que mandei montar para o concurso, o que facilitava que eu acompanhasse tudo, de um laptop que comecei a usar e o carregava comigo para todo lugar. Acabei acertando um anúncio com Lucian e além de continuar a coluna de fofocas, também divulgavamos as receitas mais votadas, que ao final da votação on-line, eram avaliadas pela banca julgadora que se reunia duas vezes ao mês. E sempre que tínhamos uma folga nas aulas, Mitchell e eu nos encontravamos para namorar e tudo ia muito bem entre nós. Meu namoro com Finn foi breve, e sem querer acabava comparando-o ao de agora. E embora, Mitchell e eu não ficassemos grudados o tempo todo, nosso tempo juntos era de qualidade. Ok, a quem eu quero enganar com esta frase de workaholic de consciência pesada? Bastava ter um canto vazio que nos agarrávamos como se não houvesse amanhã, mas também conversávamos e fazíamos planos como um casal normal.
-o-o-o-o-o-
Sexta-feira, após o almoço
- Vocês têm certeza de que não podem vir?- perguntei mais uma vez para Robbie e Parv, enquanto arrumava uma mochila com algumas roupas.
- Não posso, amada. Tenho que terminar o trabalho que a professora Mira passou, olha que vergonha, até você fez o seu antes do meu.Tem algo errado no mundo.- rimos e olhei para Parv, que se mostrava chateada.
- Você acha que eu iria recusar comida boa, de graça e a oportunidade de boas risadas, se não tivesse aula? O doutor Pace já está na minha cola, e se eu faltar amanhã, posso dar adeus à carreira de auror. Porque Mitchell não vai com você?- e eu bufei:
- Porque ele já foi para Sofia, para encontrar a família, nem quis almoçar.Mas devemos voltar juntos para cá, domingo á noite.
- Há algum problema entre vocês? – ela quis saber e respondi:
- A mãe dele não gosta de mim.Acho que é questão de tempo...
- Como assim não gosta de você? Estavam todos bem, no casamento da irmã do Ozzy.Você até dançou com o pai dele.- disse Robbie e eu olhei para Parv e ela entendeu o que eu queria saber:
- Desculpe, estava com o filtro no máximo e não captei nada, mas pela aparência achei que tudo estivesse normal. Meus pais gostaram deles, e que história é esta de ‘questão de tempo’, vai terminar? Ele falou alguma coisa? - ela perguntou e eu neguei com a cabeça e Robbie se agitou:
- Vocês não podem terminar só porque a mãe dele não gosta de você, pirou? Ele é o melhor namorado que uma garota pode ter, e amiga, vocês se amam, todo mundo vê isso. E o mais importante: EU gosto do Mitch, e ele é muito amigo do Alec. Viu? Boas razões apra você não terminar com ele.
- Será que um namoro pode sobreviver quando a mãe do cara que você ama não te considera boa o bastante, ou nas palavras dela: ‘ainda se fosse a outra, Ivashkov’.- resmunguei.
- Ela falou isso na sua cara? Quem ela pensa que é? Não conhece aquela vaca da Camille. – disse Robbie nervoso e eu respondi:
- Claro que ela não falou comigo, ela é uma ‘Forbes’, e tem o mínimo de educação, então ela finge. Acabei ouvindo sem querer um comentário dela com o marido, depois da festa, na casa da tia dele. Eu havia voltado para pegar minha bolsa, que deixei na entrada, eles nem me viram.
- Não faça nada precipitado, Léo. Você contou ao Mitchell? – quis saber Parv.
- Não, e não vou contar, ele adora os pais e não quero que briguem por minha causa. Por favor, não comentem nada ok?Tudo vai se resolver.- eles concordaram e os deixei na república, e fui pegar o trem. Tinha muitos pensamentos conflitantes a respeito de Mitchell na cabeça, que sumiram quando abri o bolso da frente da minha mochila para pegar a minha passagem, e encontrei um bilhete com a caligrafia dele.
‘Estou contando os minutos para domingo. M.”
Remexi mais um pouco na bolsa e encontrei uma saquinho de veludo e dentro havia uma pulseira de prata, cheia de pequenos berloques, do tipo que as pessoas usam para ter sorte, como trevo de quatro folhas, ferradura, um coração onde havia nossas iniciais.Sorri feito boba.
- ‘Problema da mãe dele se não gosta de mim, ele gosta...E muito!’.- disse a mim mesma enquanto admirava a pulseira em meu pulso.
o-o-o-o-o-o
Quando cheguei na Itália, foi uma correria só, pois eram muitos participantes, e o senhor Vincenzo, já havia organizado boa parte das eliminatórias, e no sábado quando teriamos a prova final com a presença de juizes, escolheriamos as 3 finalistas desta etapa. Por ser uma causa beneficente, convidamos algumas celebridades, entre eles um chef americano de origem italiana chamado, Rocco Di Spirito, que estava fazendo um programa para seu canal de televisão e era amigo do avô do Damon, e como ele ofereceu a estrutura do estúdio, fomos todos para lá. Eu entrava na estúdio destinado ao programa quando ouvi alguém me chamar, me virei e era a mãe do Finn. Sorri quando nos abraçamos:
- Minha querida que saudades de você. Está linda! – ela disse amorosa e eu a abracei novamente:
- Você está muito bem, tia Moira.O que faz aqui?
- Finn está dando entrevista junto com o time, no estúdio do lado, para um programa de esportes e você sabe que a única coisa que entendo deste jogo é que quando ele defende o...o...
- Puck.- completei e ela riu concordando:
- Isso! Quando ele defende o puck, é bom para ele e para o time.- rimos e eu disse:
- Só aprendi, porque tive que ver muitos dos jogos dele na escola. Quer ficar um pouco aqui, enquanto ele termina as entrevistas? Estou esperando a ultima jurada do concurso de culinária. Rocco Di Spirito, vai apresentar o programa.
- Ah que maravilha, adoro o programa dele. Sabe que sempre uso o azeite da sua empresa e pedi a todas as minhas amigas que o usassem, Finn me contou da sua luta em salvar a fábrica, conte comigo, querida.
-Obrigada, tia, isso me ajuda e muito. Quer ser minha convidada para ver o programa e depois vamos comer em algum lugar e matar as saudades?- ficamos conversando por um tempo e logo Finn se juntava a nós, junto com alguns colegas do time, que ele apresentou a nós duas. No começo ele estava um pouco seco comigo, mas depois começou a conversar normal e logo estávamos rindo, dos comentários deles sobre a entrevista, e seus novos amigos eram muito engraçados, além de bonitos, e algumas vezes não entendiam algumas palavras que diziamos, e um deles veio colocando a mão sobre meu ombro, me convidando para sair e eu sem disfarçar, retirava sua mão e seus colegas o zoaram. O tempo foi passando e o diretor do programa veio me avisar que a convidada de Rocco teve um imprevisto e não iria comparecer, e isso poderia invalidar esta etapa do concurso.
- Por Odin, o que faço agora? Não posso dizer ao Rocco que não vai ter mais concurso e a gravação dele ser prejudicada. E se tiver, a prova pode ser invalidada porque não temos todos os juízes imparciais do regulamento. – comentei aflita, peguei o celular para ligar para o avô de Damon, quem sabe ele poderia conhecer alguém quando tia Moira, disse:
- Se você precisa de gente famosa para dar audiência ao programa, poderia convidar Finn e os amigos, o time deles é famoso ou não dariam entrevista para televisão daqui não é? – ela disse e olhei suplicante para Finn e ele quis saber:
- É importante para você? Só me apresento na próxima temporada, mas os caras aqui, já estão na ativa...
- Sim, e eu ficaria muito agradecida se você e seus amigos me ajudassem.
Ele conversou com os amigos e após ligarem para o técnico, que ainda estava no estúdio ao lado, concordaram. Corri até o diretor e conversei com ele, e ele só faltou pular de alegria, quando os rapazes entraram no estúdio. E Rocco, como já conhecia e era fã do Bolzano na Itália, adorou os novos convidados, e os apresentou á platéia, que ficou eufórica, pois em sua maioria eram mulheres. Quando o programa acabou e as três vencedoras da etapa tiravam fotos com os convidados, eu respirei aliviada, abraçando tia Moira e sua ótima idéia.O diretor do programa veio contente dizer que o show havia sido lider de audiência, e que se numa próxima oportunidade quisesse trabalhar com eles novamente, era só ligar para ele.
Depois de tudo resolvido, agradeci a todos os amigos do time do Finn, e prometi me tornar a sua mais nova torcedora, ganhei pares de ingressos, e um deles, o engraçadinho do Enrico, disse que se um dia eu precisasse de um guia na cidade, era só ligar para ele, claro que ele recuou quando Finn rosnou para ele, dizendo que estava brincando, mas piscou para mim quando Finn não estava olhando. Embora eu tivesse muita coisa para fazer, optei por ficar com Finn e sua mãe, e fomos passear por alguns pontos turisticos que ficavam lindos à noite e ela adorou. Como ficamos paseando até tarde, no dia seguinte optamos por voltar todos juntos para Sofia, acompanhei Finn até a casa de sua mãe e depois fomos para a minha casa, onde eu ficaria para esperar por Mitchell.
Já era começo da tarde de domngo, e Finn estava sentado na sala, e fui buscar alguma coisa para comermos, e quando voltei acabei tropeçando e ele agilmente me segurou, e começamos a rir, pois eu sempre fui estabanada.Mitchell nos encontrou assim e disse:
- O que está acontecendo aqui? – e antes que eu abrisse a boca, vi que sua mãe, que estava com ele me olhava sarcástica. Finn, notando o clima tenso disse:
- Léo, é melhor eu ir embora...
- Não, você não vai, porque a casa é minha e recebo quem eu quiser aqui, especialmente meus amigos.- respondi olhando Mitchell, que havia me olhado de cima a baixo e se demorou nos meus pés descalços, quando me encarou novamente, havia julgamento em seus olhos:
- Passaram o fim de semana juntos?- perguntou frio e antes que eu respondesse, sua mãe disse:
- Eu disse que era perda de tempo tentar ter alguma amizade com esta garota Mitchell, nota-se que ela não é para você.
- Sim, passamos.- respondi o mais fria possível, mas por dentro eu fervia de irritação com o comentário da mãe dele, e ela o puxou pelo braço:
- Vamos embora, querido. Já vimos o bastante.- e ele começou a se virar com ela, quando eu explodi:
- Isso, esconda-se atrás da mamãe, sem saber realmente o que está acontecendo.- provoquei.
- Não ouse falar assim com meu filho...- ela se virou defensiva e sua voz se elevou um pouco, e eu respondi mais alto:
- Abaixe o tom, pois está na minha casa e aqui quem grita sou eu. Eu não a convidei para vir.- ela ofegou, talvez porque ninguém nunca tenha falado assim com ela e Mitchell disse nervoso:
- Não fale assim com a minha mãe.
- Ela que não fale comigo deste jeito, ela nunca ouviu dizer que em briga de...de casal ninguém mete a colher?- respondi e ele novamente me olhou e encarou novamente Finn, dizendo:
- Busco as minhas coisas assim, que possível...- não deixaria ele ter a última palavra:
- Não se dê ao trabalho, eu as mando para você. – ele saiu e a porta ficou entreaberta, fui até lá e a bati com força.
- Léo, sinto muito...Você está bem? - ouvi Finn perguntando enquanto meus olhos começaram a arder, mas respirei fundo e disse:
- Vou buscar minha mochila, preciso voltar para a escola agora, você vem comigo?
-Sim, claro.
Eu sabia que iria chorar e muito, mas o inferno congelaria se eu chorasse na frente de um ex-namorado.
Wednesday, February 01, 2012
Memórias de Lucian P. Valesti e Lenneth V. Aesir
Janeiro de 2015 – Primeira semana após os feriados.
Lucian
Voltar a escola depois de tudo que tinha acontecido antes dos feriados foi estranho.
Primeiro, Liseria não voltaria... Sua mãe me procurou na véspera do Natal e me falou que sua filha desejava ficar em Beauxbatons e já estavam preparando todas as papeladas para a sua transferência. Ela me contou que Liseria estava arrasada e irritada comigo e que não queria me ver. Conversei com a mãe dela longamente e expliquei tudo que tinha acontecido. Ela não ficou feliz, mas preferiu que eu tivesse terminado agora do que ficar enganando sua filha por mais tempo.
E agora havia a questão da Lenneth... E era uma questão muito complexa.
Eu não tinha dúvidas do que sentia por ela, já tivera provas suficientes de que estava gostando dela, amando-a para ser mais exato. Mas no que isso implicaria? Éramos amigos desde criança, eu cresci com ela ao meu lado, a tratei como minha irmã por longos anos... E agora?
No casamento da irmã do Ozzy dançamos juntos, apesar de eu ter tentado passar a festa inteira fugindo dela. Mas quando dançamos foi especial de um modo como jamais senti.
E parecia que ela sentia o mesmo... Mas eu poderia estar errado... Poderia estragar uma amizade para sempre...
Como eu odeio “se”!
Lenneth
Liseria não voltara a Durmstrang. Recebi essa notícia chocada, pois significava que a briga entre ela e Lucian havia sido feia.
Não tinha conversado muito com ele desde o acontecido, pois ele parecia querer fugir de mim o tempo todo. Eu decidi dar a ele o espaço que queria, pois também não gostava da sensação de estar me aproveitando da distância de Liseria.
Agora, não sei o que fazer! Se ela não vai voltar, é porque eles se separaram realmente... Mas vou parecer uma aproveitadora caso vá atrás dele agora. E tudo que ele não precisa é de mais mentiras e acusações contra ele naquele maldito jornal clandestino.
Conversei isso tudo com Julie e ela me ouviu pacientemente, mas depois quase me deu uma bronca.
- Quem é você e o que fez com minha amiga? – Ela perguntou e eu a olhei sem entender. – Lenneth, desde quando você se importa com o que os outros pensam ou deixam de pensar? Você tem que correr atrás daquilo que acha certo. E nós duas sabemos que você tem chances com o Lucian, altíssimas!
- Você acha? – Eu perguntei.
- Está estampado na cara dele, e também na sua. Vocês se gostam, Lenneth, não deveriam ter medo de assumir isso.
Eu pensei por muito tempo no que ela disse, mas finalmente decidi tomar uma atitude. Eu gostava do Lucian, sempre gostei e sempre que tentei ignorar isso ou esquecê-lo, o que eu sentia ficou apenas mais forte.
No sábado de manhã eu tive que ir às pressas para a escola de música que eu tinha sido admitida e perdi toda a manhã finalizando minha matrícula.
Assim que voltei para Durmstrang, no meio da tarde procurei o Lucian pela escolha inteira e logo depois fui para o vilarejo, esperando encontrá-lo na livraria da Ferania, mas ele não estava lá. Então me lembrei sobre algo que Lucian falou uma vez.
Tinha um lugar que ele gostava de ir quando estava triste e queria ficar sozinho. Era um depósito da livraria, mas eu não fazia idéia de onde ficava.
- Ferania, preciso da sua ajuda! Onde o Lucian está? – Perguntei, quando entrei correndo na livraria. Ferania terminava de fazer anotações em um bloco, pronta para fechar a loja.
- Aconteceu alguma coisa? – Ferania perguntou, ao me ver tão exaltada.
- Eu estou procurando o Lucian, mas não o encontro! – Falei.
- Eu não faço idéia de onde ele possa estar. – Ela falou, mas eu sabia que não era verdade.
- Fer, nós conhecemos desde pequenas, eu tenho certeza que você sabe onde ele está! É no armazém da loja, mas não sei onde fica.
- Lenneth, queria poder te ajudar, mas não sei onde o Lucian está. – Ela falou e eu senti meu ânimo desaparecer e me sentei em uma das poltronas.
- Eu preciso falar com ele... Se não for hoje não sei se terei coragem depois!
- Eu não deveria fazer isso, tanto como professora, como amiga de vocês. – Ela suspirou e sentou do meu lado. – Ele quer ficar sozinho, Lenneth, por isso me pediu o dia de hoje de folga e prometi não contar a ninguém onde ele estava... – Eu comecei a falar algo, mas ela levantou a mão. – Mas acho que ele precisa é de você, e você dele. Ele está no armazém, vou fazer um mapa para você.
Eu então gritei de alegria e beijei seu rosto e assim que ela me entregou o mapa, sai correndo.
O armazém ficava afastado da vila, em uma região remota e cheia de árvores. Era um lugar muito calmo que combinava com Lucian. Não havia som algum além do farfalhar das árvores e dos meus passos apressados, abafados um pouco pela neve fina.
Estava chegando perto do local indicado pelo mapa de Ferania e vi fumaça, proveniente de uma chaminé. Eu joguei o mapa fora e comecei a correr, pois sabia que estava perto.
O armazém era uma cabana mediana e antiga, provavelmente alguma casa de campo da família de Ferania. Ele era todo de madeira, com exceção da chaminé de pedra, provavelmente conectada a uma lareira. Havia luz dentro da cabana e corri até a porta.
Bati na porta com pressa e ouvi quando alguém se levantou de uma cadeira. Ouvi os passos se aproximando da porta, enquanto meu coração saltava acelerado.
- Algum problema Ferania? – Lucian perguntou ao abrir a porta, mas ficou calado ao me ver.
Ele segurava um livro em uma das mãos e ficou paralisado ao me ver. Seus olhos ficaram fixos nos meus e eu abri um sorriso enorme e saltei para ele abraçando-o com força.
- Lenneth? O que houve? Como chegou aqui? – Ele perguntou, mas eu só queria abraçá-lo e, mais devido às emoções do que a corrida, fiquei um tempo sem conseguir falar.
Então pensei que melhor do que palavras seriam atitudes.
Eu o beijei, um beijo longo e quente. De início ele pareceu surpreso, mas então soltou o livro e segurou minha cintura, beijando-me com vontade e carinho.
Não sei quanto tempo esse beijo durou, mas depois de um tempo nos soltamos e eu sorri, enquanto lágrimas desciam pelos meus olhos.
- Lenneth... Você é a garota daquela festa?! – Ele perguntou, a surpresa em seus olhos.
- Eu sou. – Eu consegui dizer e antes que ele pudesse falar algo, voltei a falar rapidamente. – Eu... Me perdoe pelo que fiz, mas daquela vez queria... Eu queria tê-lo para mim pelo menos uma vez. – Eu falei e ele ficou calado um tempo. – Você está irritado comigo?
- Não... Estou feliz. Lenneth, eu te amo. – Ele falou sorrindo para mim e me puxou para outro beijo, um pouco mais rápido que o anterior, mas ainda com muita vontade. Enquanto nos beijávamos, eu fechei a porta com o pé e senti quando ele me puxou para dentro da cabana, ainda abraçados e nos beijando.
- Eu te amo, Lucian. – Eu falei, entre beijos e o sentei na poltrona, sentando em seu colo, ainda nos beijando.
Sentia suas mãos nas minhas costas e não pude mais resistir.
Tirei a blusa que ele usava e depois deixei que ele tirasse a minha. Nos beijamos novamente, enquanto eu me deitava sobre ele no sofá.
A nossa primeira vez foi diante da lareira, com a neve caindo lá fora, enquanto nos entregávamos a um amor que levou anos para acontecer.
Janeiro de 2015 – Primeira semana após os feriados.
Lucian
Voltar a escola depois de tudo que tinha acontecido antes dos feriados foi estranho.
Primeiro, Liseria não voltaria... Sua mãe me procurou na véspera do Natal e me falou que sua filha desejava ficar em Beauxbatons e já estavam preparando todas as papeladas para a sua transferência. Ela me contou que Liseria estava arrasada e irritada comigo e que não queria me ver. Conversei com a mãe dela longamente e expliquei tudo que tinha acontecido. Ela não ficou feliz, mas preferiu que eu tivesse terminado agora do que ficar enganando sua filha por mais tempo.
E agora havia a questão da Lenneth... E era uma questão muito complexa.
Eu não tinha dúvidas do que sentia por ela, já tivera provas suficientes de que estava gostando dela, amando-a para ser mais exato. Mas no que isso implicaria? Éramos amigos desde criança, eu cresci com ela ao meu lado, a tratei como minha irmã por longos anos... E agora?
No casamento da irmã do Ozzy dançamos juntos, apesar de eu ter tentado passar a festa inteira fugindo dela. Mas quando dançamos foi especial de um modo como jamais senti.
E parecia que ela sentia o mesmo... Mas eu poderia estar errado... Poderia estragar uma amizade para sempre...
Como eu odeio “se”!
Lenneth
Liseria não voltara a Durmstrang. Recebi essa notícia chocada, pois significava que a briga entre ela e Lucian havia sido feia.
Não tinha conversado muito com ele desde o acontecido, pois ele parecia querer fugir de mim o tempo todo. Eu decidi dar a ele o espaço que queria, pois também não gostava da sensação de estar me aproveitando da distância de Liseria.
Agora, não sei o que fazer! Se ela não vai voltar, é porque eles se separaram realmente... Mas vou parecer uma aproveitadora caso vá atrás dele agora. E tudo que ele não precisa é de mais mentiras e acusações contra ele naquele maldito jornal clandestino.
Conversei isso tudo com Julie e ela me ouviu pacientemente, mas depois quase me deu uma bronca.
- Quem é você e o que fez com minha amiga? – Ela perguntou e eu a olhei sem entender. – Lenneth, desde quando você se importa com o que os outros pensam ou deixam de pensar? Você tem que correr atrás daquilo que acha certo. E nós duas sabemos que você tem chances com o Lucian, altíssimas!
- Você acha? – Eu perguntei.
- Está estampado na cara dele, e também na sua. Vocês se gostam, Lenneth, não deveriam ter medo de assumir isso.
Eu pensei por muito tempo no que ela disse, mas finalmente decidi tomar uma atitude. Eu gostava do Lucian, sempre gostei e sempre que tentei ignorar isso ou esquecê-lo, o que eu sentia ficou apenas mais forte.
No sábado de manhã eu tive que ir às pressas para a escola de música que eu tinha sido admitida e perdi toda a manhã finalizando minha matrícula.
Assim que voltei para Durmstrang, no meio da tarde procurei o Lucian pela escolha inteira e logo depois fui para o vilarejo, esperando encontrá-lo na livraria da Ferania, mas ele não estava lá. Então me lembrei sobre algo que Lucian falou uma vez.
Tinha um lugar que ele gostava de ir quando estava triste e queria ficar sozinho. Era um depósito da livraria, mas eu não fazia idéia de onde ficava.
- Ferania, preciso da sua ajuda! Onde o Lucian está? – Perguntei, quando entrei correndo na livraria. Ferania terminava de fazer anotações em um bloco, pronta para fechar a loja.
- Aconteceu alguma coisa? – Ferania perguntou, ao me ver tão exaltada.
- Eu estou procurando o Lucian, mas não o encontro! – Falei.
- Eu não faço idéia de onde ele possa estar. – Ela falou, mas eu sabia que não era verdade.
- Fer, nós conhecemos desde pequenas, eu tenho certeza que você sabe onde ele está! É no armazém da loja, mas não sei onde fica.
- Lenneth, queria poder te ajudar, mas não sei onde o Lucian está. – Ela falou e eu senti meu ânimo desaparecer e me sentei em uma das poltronas.
- Eu preciso falar com ele... Se não for hoje não sei se terei coragem depois!
- Eu não deveria fazer isso, tanto como professora, como amiga de vocês. – Ela suspirou e sentou do meu lado. – Ele quer ficar sozinho, Lenneth, por isso me pediu o dia de hoje de folga e prometi não contar a ninguém onde ele estava... – Eu comecei a falar algo, mas ela levantou a mão. – Mas acho que ele precisa é de você, e você dele. Ele está no armazém, vou fazer um mapa para você.
Eu então gritei de alegria e beijei seu rosto e assim que ela me entregou o mapa, sai correndo.
O armazém ficava afastado da vila, em uma região remota e cheia de árvores. Era um lugar muito calmo que combinava com Lucian. Não havia som algum além do farfalhar das árvores e dos meus passos apressados, abafados um pouco pela neve fina.
Estava chegando perto do local indicado pelo mapa de Ferania e vi fumaça, proveniente de uma chaminé. Eu joguei o mapa fora e comecei a correr, pois sabia que estava perto.
O armazém era uma cabana mediana e antiga, provavelmente alguma casa de campo da família de Ferania. Ele era todo de madeira, com exceção da chaminé de pedra, provavelmente conectada a uma lareira. Havia luz dentro da cabana e corri até a porta.
Bati na porta com pressa e ouvi quando alguém se levantou de uma cadeira. Ouvi os passos se aproximando da porta, enquanto meu coração saltava acelerado.
- Algum problema Ferania? – Lucian perguntou ao abrir a porta, mas ficou calado ao me ver.
Ele segurava um livro em uma das mãos e ficou paralisado ao me ver. Seus olhos ficaram fixos nos meus e eu abri um sorriso enorme e saltei para ele abraçando-o com força.
- Lenneth? O que houve? Como chegou aqui? – Ele perguntou, mas eu só queria abraçá-lo e, mais devido às emoções do que a corrida, fiquei um tempo sem conseguir falar.
Então pensei que melhor do que palavras seriam atitudes.
Eu o beijei, um beijo longo e quente. De início ele pareceu surpreso, mas então soltou o livro e segurou minha cintura, beijando-me com vontade e carinho.
Não sei quanto tempo esse beijo durou, mas depois de um tempo nos soltamos e eu sorri, enquanto lágrimas desciam pelos meus olhos.
- Lenneth... Você é a garota daquela festa?! – Ele perguntou, a surpresa em seus olhos.
- Eu sou. – Eu consegui dizer e antes que ele pudesse falar algo, voltei a falar rapidamente. – Eu... Me perdoe pelo que fiz, mas daquela vez queria... Eu queria tê-lo para mim pelo menos uma vez. – Eu falei e ele ficou calado um tempo. – Você está irritado comigo?
- Não... Estou feliz. Lenneth, eu te amo. – Ele falou sorrindo para mim e me puxou para outro beijo, um pouco mais rápido que o anterior, mas ainda com muita vontade. Enquanto nos beijávamos, eu fechei a porta com o pé e senti quando ele me puxou para dentro da cabana, ainda abraçados e nos beijando.
- Eu te amo, Lucian. – Eu falei, entre beijos e o sentei na poltrona, sentando em seu colo, ainda nos beijando.
Sentia suas mãos nas minhas costas e não pude mais resistir.
Tirei a blusa que ele usava e depois deixei que ele tirasse a minha. Nos beijamos novamente, enquanto eu me deitava sobre ele no sofá.
A nossa primeira vez foi diante da lareira, com a neve caindo lá fora, enquanto nos entregávamos a um amor que levou anos para acontecer.
Friday, January 27, 2012
- Que horas são? – Parvati puxou o braço de Robbie e consultou seu relógio – Droga.
- O que foi? – ele puxou o braço de volta – O que tem de errado com 17h?
- Nada. Vejo vocês depois.
Parvati levantou da mesa sem dizer mais nada e saiu do salão principal sem sequer ter tocado no jantar. Por mais que tentasse disfarçar, estava ansiosa com a sessão de terapia sem a companhia de Ozzy. Não que ela pretendesse contar alguma coisa mais relevante ao psicólogo, mas a perspectiva de ficar uma hora sozinha com ele, sem um apoio, era preocupante.
Ozzy a alcançou antes que chegasse aos degraus da escada. Ele também estava preocupado. “Não vá contar nada que se arrependa depois”, ele lhe advertiu. Ela riu, nervosa, “Quem sabe ler mentes sou eu, me dê um pouco de crédito”. No entanto, nenhum dos dois estava convencido de que aquele dia ia terminar de maneira positiva. A caminhada até o escritório no quarto andar foi longa e silenciosa. Quando bateu a porta, ouviu a já familiar voz do Dr. Pace a mandando entrar. Recebeu-a com um sorriso alegre no rosto. “Claro, não é ele quem vai ser encurralado aqui dentro”, ela pensou ao sentar-se no sofá em sua frente, forçando um sorriso.
- Tudo bem, Parvati? Como está sendo a semana?
- As aulas estão um pouco puxadas, mas é o último ano, nada que não esperássemos.
- Ótimo. Antes de começarmos a sessão, preciso pedir que parasse de tentar penetrar minha mente – Martin Pace fitou Parvati, mas sua expressão não era zangada. Parecia estar se divertindo – Embora fique feliz em saber que é uma boa oclumente, devo alertá-la que sou um excelente legilimente. Não conseguirá ler nada.
- Desculpe. – ela disse sem graça.
- Sem problemas. Assunto esclarecido, vamos começar a sessão.
Ela o observou pegar uma pasta roxa da mesa e abrir, folheando suas páginas com atenção. Aquela pasta roxa não era um bom sinal. Além de conter anotações detalhadas sobre a vida acadêmica dos alunos, trazia péssimas recordações à Parvati. Fora por causa dela que uma cadeia de eventos catastróficos se sucedeu, terminando no acidente no último verão. Quando ele pareceu encontrar o que queria, voltou a encará-la.
- Estou com a sua ficha acadêmica nas mãos e devo dizer, estou impressionado. Já havia lido algumas coisas quando comecei a trabalhar com a turma do curso, mas dessa vez pedi a ficha completa e você tem um histórico e tanto.
- Obrigada? – ela deu de ombros e ele riu.
- Um extenso histórico de detenções, frequentemente causadas por implicar com outros alunos, mas muitas por insubordinação e desrespeito às regras, inúmeros relatos de brigas envolvendo você e Oscar... Devo acrescentar que fico até aliviado em ler que as brigas nunca chegaram ao nível físico, estava esperando pelo pior enquanto lia esse material.
- Nós não nos dávamos muito bem.
- E então tudo parou. O último relato de mau comportamento foi em junho do ano passado, pouco antes das férias. Nada depois disso, nem mesmo uma reclamação simples vinda de qualquer professor. O que mudou?
- Eu só... Sei lá, acho que percebi que era imatura e decidi mudar.
- Aqui também diz que você sofreu um acidente de carro no final de julho, onde as duas pessoas que estavam com você no carro faleceram.
- Não quero falar sobre isso, desculpe – disse na defensiva, recuando.
- Precisamos falar sobre isso, Parvati. Sabe por quê? Porque eu acho que foi isso que fez você mudar, e eu quero entender o motivo.
- Minha irmã e meu primo morreram. Isso não é motivo o suficiente pra você querer deixar de ser uma imbecil com as pessoas?
- Não, não é. Isso normalmente revolta ainda mais as pessoas, não as faz recuar. Gostaria que você me contasse o que aconteceu no dia do acidente. O que estava fazendo antes dele? Para onde estava indo quando o carro bateu?
Parvati abaixou a cabeça por um momento, incapaz de impedir que uma lágrima escorresse por seu rosto. Nunca havia conversado com ninguém sobre aquele dia, mas sabia que um dia teria que fazer isso e talvez aquela fosse a hora certa. Dr. Pace era um pessoa em quem ela sabia que podia confiar, mas se era para contar a história, precisaria começar com a confissão do roubo da pasta roxa.
Ele ouviu pacientemente ela contar tudo. Desde o dia em que roubou a pasta com a ajuda de Leonora, destruiu os documentos e foi quase expulsa, levando-a a conclusão de que Ozzy, o único a tê-las visto com a pasta, havia contado ao diretor. Contou também o que fez para vingar-se dele, mesmo sem provas de que havia sido ele o autor da denuncia, e o que aconteceu quando ele descobriu. Falar do dia do acidente, da discussão que a levou a sair de casa atordoada, foi mais difícil.
- Leve o tempo que precisar – disse lhe estendendo um copo com água – A discussão entre vocês ficou séria? – e ela assentiu, bebendo a água.
- Insultos foram ditos de ambos os lados. Ele estava fora de si, eu acabei me exaltando também e dissemos coisas que não devíamos.
- Como você se sentiu ouvindo as coisas que Oscar disse?
- Magoada. Ele estava com razão em ficar furioso e me ofender pra liberar a raiva, mas as palavras que ele disse me machucaram.
- Você se sentiria melhor se ele pedisse desculpas? – e ela assentiu novamente.
- Se nada disso tivesse acontecido, eu não teria saído de casa naquele estado e não teria batido com o carro. Se eu nunca tivesse interferido na entrevista dele com o time de Hóquei, minha irmã e meu primo ainda estariam aqui.
- Você se culpa pelo acidente? – mais uma vez ela assentiu, outra lágrima escorrendo antes que ela pudesse impedir – Tenho algo que gostaria que lesse.
Martin consultou a pasta roxa mais uma vez, mas demorou um pouco mais de tempo para encontrar o que procurava. Encontrou uma cópia de um relatório policial sobre o acidente e estendeu a ela, mas antes que pudesse ler o que ele dizia, ele se adiantou.
- Fique com essa cópia, mas quando a ler vai descobrir que o acidente não poderia ter sido evitado. Não importa quem estivesse ao volante, o carro ia se chocar.
- Como? – perguntou com a voz embargada pelo choro.
- A posição do carro na estrada e a maneira como o caminhão veio ao encontro dele só lhe dava duas opções para tentar desviar. Se jogasse o carro para a esquerda, ia capotar ao subir o barranco. Se jogasse ele pra direita, estaria o arremessando de um penhasco. Nenhuma das opções evitaria o choque, não importa se não estava atenta e não conseguiu evitar a colisão frontal. Não se culpe por algo que não poderia evitar.
Ela assentiu, ainda chorando, e levantou do sofá com a cópia do relatório na mão. Sua hora já havia acabado, mas a conversa, embora séria, fluiu tão bem que parecia ter passado apenas alguns minutos. Parvati se pegou desejando que tivesse mais um tempo com o psicólogo, mas precisava sair para dar a vez a Ozzy. Ele já estava esperando do lado de fora quando saiu e se assustou quando viu que a garota estava chorando.
- O que aconteceu? – perguntou preocupado
- Nada, está tudo bem. Ele está esperando você – ela respondeu sem estender o assunto, apertando o passo para sumir da vista dele.
Ozzy não teve tempo de dizer nada, pois a voz do psicólogo o convidou a entrar. Ele também reparou na pasta roxa em sua mão, mas diferente de Parvati, não se sentia intimidado por ela. Acomodou-se no sofá como de costume, um pouco mais desconfortável do que das outras vezes.
- Oscar Lusth... – Martin olhou da ficha para ele e sorriu – Seu histórico é muito bom. Salvo uma detenção ou outra por brigas nos jogos de Hóquei ou uma brincadeira de mau gosto, seu saldo é positivo. Aluno exemplar, notas excelentes, atleta dedicado. O único saldo negativo no histórico são os extensivos relatos de brigas entre você e Parvati.
- É, a gente não se dava muito bem até o ano passado.
- Aqui diz que as brigas começaram de uma hora pra outra a dois anos atrás, e da mesma forma acabaram – Ozzy deu de ombros, rindo – Pode me dizer o motivo?
- Nós passamos por muitas coisas nas férias, perdemos pessoas que amávamos e isso faz a gente repensar nossas escolhas.
- Então o acidente foi o motivo? Conte-me o que aconteceu naquele dia. Você e Parvati discutiram, não é?
- Você perguntou isso a ela? Por isso ela saiu chorando?
- Não estamos aqui pra falar dela. Quero ouvir o seu lado da história.
- Não gosto de lembrar daquele dia. Foi minha culpa o que aconteceu.
- Você fala da discussão? Parvati saiu de casa nervosa porque discutiram?
- Não... Olha doutor, é complicado. Não posso falar sobre isso.
- Tente descomplicar então. Não estou aqui para julgar ninguém.
- Não é questão de julgar. Você tem o poder de me colocar em uma camisa de força, não vou lhe dar material pra isso.
- O que está acontecendo, Oscar? – Martin percebeu que, o que quer que estivesse acontecendo, era mais sério do que ele julgava – Estou aqui para ajudar, mas se você não começar a ser honesto comigo, não vou poder fazer isso.
Ozzy considerou por um momento. Era loucura contar a verdade, gente demais já sabia dela e mais um poderia fazer tudo sair do controle, mas por outro lado ele sabia que podia confiar no Dr. Pace.
- Tudo que for dito aqui...
- Não sairá dessa sala. Não posso discutir o que é dito aqui com outras pessoas, é antiético.
- Certo. A história vai parecer maluca, mas não é.
- Estou ouvindo.
E ele lhe contou toda a história. Começou com a acusação falsa de Parvati sobre tê-la denunciado ao diretor e de como isso o fez perder a vaga que sempre sonhou no time de Hóquei que é fã. Contou da discussão e de como, minutos depois de Parvati ter saído de casa, encontrou o carro capotado na estrada. E então Ozzy o encarou, e começou a contar a história da sua família. Achava que ele não acreditaria, mas logo percebeu que não estava se passando por louco. Martin ouvia atentamente, assentindo sem dizer nada, como se aquela história não fosse tão surpreendente assim. Ozzy interrompeu a narração quando voltou à parte onde encontraram os corpos no local do acidente.
- Já havia ouvido falar das famílias de Imortais, mas nunca havia conhecido um.
- Não acha que sou louco?
- Não, claro que não. Não esperava que fosse ouvir isso, mas sei que está dizendo a verdade.
- Que bom, porque a história não acabou. Quando nós chegamos lá, estavam todos mortos. Todos, inclusive a Parvati. O processo de imortalizarão só funciona porque conseguimos trazer a alma de volta, mas se ela já tiver feito a travessia não funciona. Jack e Alexis não estavam mais lá, mas Parvati não foi embora.
- E vocês a trouxeram de volta? – Ozzy assentiu – Isso significa que ela também é como você? – ele assentiu novamente e Martin encostou no sofá – Uau.
- Oleg sabia como fazer, mas eu dei a idéia. Entrei em desespero, estava me sentindo culpado e precisava fazer alguma coisa.
- Por que você estava se sentindo culpado?
- Porque eu disse a ela pra bater com o carro. Quando Parvati estava saindo, disse a ela que estaria fazendo um favor se batesse com ele.
- Oscar, não é só porque desejou que algo acontecesse que a culpa é sua.
- Você não entende. Todo Imortal tem uma espécie de habilidade. A minha é ler mentes, mas posso fazer muito mais que isso. Eu consigo manipulá-las. Eu não tinha a intenção de manipulá-la, mas estava tão nervoso que posso ter feito sem querer.
Martin entregou a ele outra cópia do relatório policial, o mesmo que havia dado a Parvati. Ozzy leu com atenção, mas ele sabia pela sua expressão que ainda não estava convencido. Não importa o que digam, ele sempre carregará consigo aquela duvida. E infelizmente aquilo era algo que ninguém poderia ajudar. Para se livrar da culpa, ele teria que encontrar o caminho sozinho.
- Vamos falar sobre o motivo da briga antes do acidente. Você disse que Parvati interferiu em uma entrevista que estava esperando.
- Ela destruiu meu sonho. Jogar pelo Vancouver Cannucks era algo que eu sonhava desde criança e aquela oportunidade era única.
- Vocês já conversaram sobre isso? – ele assentiu, sem encarar o psicólogo – E você a perdoou por isso?
- Sim... Não, na verdade não. Disse a ela que estava tudo bem, que já tinha esquecido, mas era mentira.
- E por que mentiu pra ela?
- Porque não queria falar sobre isso. Foi mais fácil dizer que já estava esquecido.
- Você sabe que vão precisar conversar sobre isso, não sabe?
- Sim, eu sei, mas ainda não estou pronto para perdoá-la. Não estou com raiva nem quero me vingar, estamos nos dando bem agora, só não consigo perdoar ainda. Isso me magoou muito.
- Um passo para você encontrar uma maneira de perdoá-la é ser honesto com ela. Parvati precisa entender as conseqüências de seus atos e saber como você se sente é importante – ele abaixou a cabeça sem responder, mas acabou assentindo – Façamos assim: se você quiser conversar com ela por conta própria sobre isso, faça. Se não quiser, na próxima sessão nós três faremos isso, juntos. Vou ajudá-los se quiserem, mas fica a seu critério.
Ozzy concordou e prometeu pensar se ia conversar com ela sozinho ou esperar pela próxima sessão, mas no fundo ele sabia que não teria coragem de puxar o assunto. Tudo era mais fácil de ser dito nas sessões, então Dr. Pace teria que fazer isso por ele. Pela primeira vez ele iria para a terapia sabendo exatamente o que esperar, mas a perspectiva era ainda menos animadora.
- O que foi? – ele puxou o braço de volta – O que tem de errado com 17h?
- Nada. Vejo vocês depois.
Parvati levantou da mesa sem dizer mais nada e saiu do salão principal sem sequer ter tocado no jantar. Por mais que tentasse disfarçar, estava ansiosa com a sessão de terapia sem a companhia de Ozzy. Não que ela pretendesse contar alguma coisa mais relevante ao psicólogo, mas a perspectiva de ficar uma hora sozinha com ele, sem um apoio, era preocupante.
Ozzy a alcançou antes que chegasse aos degraus da escada. Ele também estava preocupado. “Não vá contar nada que se arrependa depois”, ele lhe advertiu. Ela riu, nervosa, “Quem sabe ler mentes sou eu, me dê um pouco de crédito”. No entanto, nenhum dos dois estava convencido de que aquele dia ia terminar de maneira positiva. A caminhada até o escritório no quarto andar foi longa e silenciosa. Quando bateu a porta, ouviu a já familiar voz do Dr. Pace a mandando entrar. Recebeu-a com um sorriso alegre no rosto. “Claro, não é ele quem vai ser encurralado aqui dentro”, ela pensou ao sentar-se no sofá em sua frente, forçando um sorriso.
- Tudo bem, Parvati? Como está sendo a semana?
- As aulas estão um pouco puxadas, mas é o último ano, nada que não esperássemos.
- Ótimo. Antes de começarmos a sessão, preciso pedir que parasse de tentar penetrar minha mente – Martin Pace fitou Parvati, mas sua expressão não era zangada. Parecia estar se divertindo – Embora fique feliz em saber que é uma boa oclumente, devo alertá-la que sou um excelente legilimente. Não conseguirá ler nada.
- Desculpe. – ela disse sem graça.
- Sem problemas. Assunto esclarecido, vamos começar a sessão.
Ela o observou pegar uma pasta roxa da mesa e abrir, folheando suas páginas com atenção. Aquela pasta roxa não era um bom sinal. Além de conter anotações detalhadas sobre a vida acadêmica dos alunos, trazia péssimas recordações à Parvati. Fora por causa dela que uma cadeia de eventos catastróficos se sucedeu, terminando no acidente no último verão. Quando ele pareceu encontrar o que queria, voltou a encará-la.
- Estou com a sua ficha acadêmica nas mãos e devo dizer, estou impressionado. Já havia lido algumas coisas quando comecei a trabalhar com a turma do curso, mas dessa vez pedi a ficha completa e você tem um histórico e tanto.
- Obrigada? – ela deu de ombros e ele riu.
- Um extenso histórico de detenções, frequentemente causadas por implicar com outros alunos, mas muitas por insubordinação e desrespeito às regras, inúmeros relatos de brigas envolvendo você e Oscar... Devo acrescentar que fico até aliviado em ler que as brigas nunca chegaram ao nível físico, estava esperando pelo pior enquanto lia esse material.
- Nós não nos dávamos muito bem.
- E então tudo parou. O último relato de mau comportamento foi em junho do ano passado, pouco antes das férias. Nada depois disso, nem mesmo uma reclamação simples vinda de qualquer professor. O que mudou?
- Eu só... Sei lá, acho que percebi que era imatura e decidi mudar.
- Aqui também diz que você sofreu um acidente de carro no final de julho, onde as duas pessoas que estavam com você no carro faleceram.
- Não quero falar sobre isso, desculpe – disse na defensiva, recuando.
- Precisamos falar sobre isso, Parvati. Sabe por quê? Porque eu acho que foi isso que fez você mudar, e eu quero entender o motivo.
- Minha irmã e meu primo morreram. Isso não é motivo o suficiente pra você querer deixar de ser uma imbecil com as pessoas?
- Não, não é. Isso normalmente revolta ainda mais as pessoas, não as faz recuar. Gostaria que você me contasse o que aconteceu no dia do acidente. O que estava fazendo antes dele? Para onde estava indo quando o carro bateu?
Parvati abaixou a cabeça por um momento, incapaz de impedir que uma lágrima escorresse por seu rosto. Nunca havia conversado com ninguém sobre aquele dia, mas sabia que um dia teria que fazer isso e talvez aquela fosse a hora certa. Dr. Pace era um pessoa em quem ela sabia que podia confiar, mas se era para contar a história, precisaria começar com a confissão do roubo da pasta roxa.
Ele ouviu pacientemente ela contar tudo. Desde o dia em que roubou a pasta com a ajuda de Leonora, destruiu os documentos e foi quase expulsa, levando-a a conclusão de que Ozzy, o único a tê-las visto com a pasta, havia contado ao diretor. Contou também o que fez para vingar-se dele, mesmo sem provas de que havia sido ele o autor da denuncia, e o que aconteceu quando ele descobriu. Falar do dia do acidente, da discussão que a levou a sair de casa atordoada, foi mais difícil.
- Leve o tempo que precisar – disse lhe estendendo um copo com água – A discussão entre vocês ficou séria? – e ela assentiu, bebendo a água.
- Insultos foram ditos de ambos os lados. Ele estava fora de si, eu acabei me exaltando também e dissemos coisas que não devíamos.
- Como você se sentiu ouvindo as coisas que Oscar disse?
- Magoada. Ele estava com razão em ficar furioso e me ofender pra liberar a raiva, mas as palavras que ele disse me machucaram.
- Você se sentiria melhor se ele pedisse desculpas? – e ela assentiu novamente.
- Se nada disso tivesse acontecido, eu não teria saído de casa naquele estado e não teria batido com o carro. Se eu nunca tivesse interferido na entrevista dele com o time de Hóquei, minha irmã e meu primo ainda estariam aqui.
- Você se culpa pelo acidente? – mais uma vez ela assentiu, outra lágrima escorrendo antes que ela pudesse impedir – Tenho algo que gostaria que lesse.
Martin consultou a pasta roxa mais uma vez, mas demorou um pouco mais de tempo para encontrar o que procurava. Encontrou uma cópia de um relatório policial sobre o acidente e estendeu a ela, mas antes que pudesse ler o que ele dizia, ele se adiantou.
- Fique com essa cópia, mas quando a ler vai descobrir que o acidente não poderia ter sido evitado. Não importa quem estivesse ao volante, o carro ia se chocar.
- Como? – perguntou com a voz embargada pelo choro.
- A posição do carro na estrada e a maneira como o caminhão veio ao encontro dele só lhe dava duas opções para tentar desviar. Se jogasse o carro para a esquerda, ia capotar ao subir o barranco. Se jogasse ele pra direita, estaria o arremessando de um penhasco. Nenhuma das opções evitaria o choque, não importa se não estava atenta e não conseguiu evitar a colisão frontal. Não se culpe por algo que não poderia evitar.
Ela assentiu, ainda chorando, e levantou do sofá com a cópia do relatório na mão. Sua hora já havia acabado, mas a conversa, embora séria, fluiu tão bem que parecia ter passado apenas alguns minutos. Parvati se pegou desejando que tivesse mais um tempo com o psicólogo, mas precisava sair para dar a vez a Ozzy. Ele já estava esperando do lado de fora quando saiu e se assustou quando viu que a garota estava chorando.
- O que aconteceu? – perguntou preocupado
- Nada, está tudo bem. Ele está esperando você – ela respondeu sem estender o assunto, apertando o passo para sumir da vista dele.
Ozzy não teve tempo de dizer nada, pois a voz do psicólogo o convidou a entrar. Ele também reparou na pasta roxa em sua mão, mas diferente de Parvati, não se sentia intimidado por ela. Acomodou-se no sofá como de costume, um pouco mais desconfortável do que das outras vezes.
- Oscar Lusth... – Martin olhou da ficha para ele e sorriu – Seu histórico é muito bom. Salvo uma detenção ou outra por brigas nos jogos de Hóquei ou uma brincadeira de mau gosto, seu saldo é positivo. Aluno exemplar, notas excelentes, atleta dedicado. O único saldo negativo no histórico são os extensivos relatos de brigas entre você e Parvati.
- É, a gente não se dava muito bem até o ano passado.
- Aqui diz que as brigas começaram de uma hora pra outra a dois anos atrás, e da mesma forma acabaram – Ozzy deu de ombros, rindo – Pode me dizer o motivo?
- Nós passamos por muitas coisas nas férias, perdemos pessoas que amávamos e isso faz a gente repensar nossas escolhas.
- Então o acidente foi o motivo? Conte-me o que aconteceu naquele dia. Você e Parvati discutiram, não é?
- Você perguntou isso a ela? Por isso ela saiu chorando?
- Não estamos aqui pra falar dela. Quero ouvir o seu lado da história.
- Não gosto de lembrar daquele dia. Foi minha culpa o que aconteceu.
- Você fala da discussão? Parvati saiu de casa nervosa porque discutiram?
- Não... Olha doutor, é complicado. Não posso falar sobre isso.
- Tente descomplicar então. Não estou aqui para julgar ninguém.
- Não é questão de julgar. Você tem o poder de me colocar em uma camisa de força, não vou lhe dar material pra isso.
- O que está acontecendo, Oscar? – Martin percebeu que, o que quer que estivesse acontecendo, era mais sério do que ele julgava – Estou aqui para ajudar, mas se você não começar a ser honesto comigo, não vou poder fazer isso.
Ozzy considerou por um momento. Era loucura contar a verdade, gente demais já sabia dela e mais um poderia fazer tudo sair do controle, mas por outro lado ele sabia que podia confiar no Dr. Pace.
- Tudo que for dito aqui...
- Não sairá dessa sala. Não posso discutir o que é dito aqui com outras pessoas, é antiético.
- Certo. A história vai parecer maluca, mas não é.
- Estou ouvindo.
E ele lhe contou toda a história. Começou com a acusação falsa de Parvati sobre tê-la denunciado ao diretor e de como isso o fez perder a vaga que sempre sonhou no time de Hóquei que é fã. Contou da discussão e de como, minutos depois de Parvati ter saído de casa, encontrou o carro capotado na estrada. E então Ozzy o encarou, e começou a contar a história da sua família. Achava que ele não acreditaria, mas logo percebeu que não estava se passando por louco. Martin ouvia atentamente, assentindo sem dizer nada, como se aquela história não fosse tão surpreendente assim. Ozzy interrompeu a narração quando voltou à parte onde encontraram os corpos no local do acidente.
- Já havia ouvido falar das famílias de Imortais, mas nunca havia conhecido um.
- Não acha que sou louco?
- Não, claro que não. Não esperava que fosse ouvir isso, mas sei que está dizendo a verdade.
- Que bom, porque a história não acabou. Quando nós chegamos lá, estavam todos mortos. Todos, inclusive a Parvati. O processo de imortalizarão só funciona porque conseguimos trazer a alma de volta, mas se ela já tiver feito a travessia não funciona. Jack e Alexis não estavam mais lá, mas Parvati não foi embora.
- E vocês a trouxeram de volta? – Ozzy assentiu – Isso significa que ela também é como você? – ele assentiu novamente e Martin encostou no sofá – Uau.
- Oleg sabia como fazer, mas eu dei a idéia. Entrei em desespero, estava me sentindo culpado e precisava fazer alguma coisa.
- Por que você estava se sentindo culpado?
- Porque eu disse a ela pra bater com o carro. Quando Parvati estava saindo, disse a ela que estaria fazendo um favor se batesse com ele.
- Oscar, não é só porque desejou que algo acontecesse que a culpa é sua.
- Você não entende. Todo Imortal tem uma espécie de habilidade. A minha é ler mentes, mas posso fazer muito mais que isso. Eu consigo manipulá-las. Eu não tinha a intenção de manipulá-la, mas estava tão nervoso que posso ter feito sem querer.
Martin entregou a ele outra cópia do relatório policial, o mesmo que havia dado a Parvati. Ozzy leu com atenção, mas ele sabia pela sua expressão que ainda não estava convencido. Não importa o que digam, ele sempre carregará consigo aquela duvida. E infelizmente aquilo era algo que ninguém poderia ajudar. Para se livrar da culpa, ele teria que encontrar o caminho sozinho.
- Vamos falar sobre o motivo da briga antes do acidente. Você disse que Parvati interferiu em uma entrevista que estava esperando.
- Ela destruiu meu sonho. Jogar pelo Vancouver Cannucks era algo que eu sonhava desde criança e aquela oportunidade era única.
- Vocês já conversaram sobre isso? – ele assentiu, sem encarar o psicólogo – E você a perdoou por isso?
- Sim... Não, na verdade não. Disse a ela que estava tudo bem, que já tinha esquecido, mas era mentira.
- E por que mentiu pra ela?
- Porque não queria falar sobre isso. Foi mais fácil dizer que já estava esquecido.
- Você sabe que vão precisar conversar sobre isso, não sabe?
- Sim, eu sei, mas ainda não estou pronto para perdoá-la. Não estou com raiva nem quero me vingar, estamos nos dando bem agora, só não consigo perdoar ainda. Isso me magoou muito.
- Um passo para você encontrar uma maneira de perdoá-la é ser honesto com ela. Parvati precisa entender as conseqüências de seus atos e saber como você se sente é importante – ele abaixou a cabeça sem responder, mas acabou assentindo – Façamos assim: se você quiser conversar com ela por conta própria sobre isso, faça. Se não quiser, na próxima sessão nós três faremos isso, juntos. Vou ajudá-los se quiserem, mas fica a seu critério.
Ozzy concordou e prometeu pensar se ia conversar com ela sozinho ou esperar pela próxima sessão, mas no fundo ele sabia que não teria coragem de puxar o assunto. Tudo era mais fácil de ser dito nas sessões, então Dr. Pace teria que fazer isso por ele. Pela primeira vez ele iria para a terapia sabendo exatamente o que esperar, mas a perspectiva era ainda menos animadora.
Wednesday, January 11, 2012
Uma boa noite de sono não foi exatamente o que eu tive depois que minha mãe deixou meu quarto. Estava me sentindo péssima por ter beijado Ozzy e demorei a cair no sono. Quando finalmente adormeci, sonhei com a cena e acordei outra vez. Daí em diante não voltei a dormir. Sempre que fechava os olhos via o beijo em minha mente e começava a chorar. Quando mamãe entrou no meu quarto na manhã seguinte minha aparência devia estar horrível, porque o sorriso sumiu de seu rosto e ela correu até a minha cama, espalmando a mão na minha testa com uma expressão preocupada.
- Ai querida, você está ardendo em febre. Conseguiu dormir essa noite? – ela passou a mão no meu rosto, estava suado. Eu neguei – Bom, você não vai a lugar algum assim, então tente dormir um pouco agora enquanto chamo seu pai e trago um remédio. Vou mandar um recado ao Igor pela Julie. Você vai ficar aqui até melhorar.
Mamãe saiu do quarto e voltou minutos depois com meu pai e um copo d’água, com um comprimido na mão. Ele confirmou que minha febre era alta e mamãe me empurrou o remédio. Quando eles saíram do quarto, fechei os olhos e apaguei no mesmo instante.
ºººººº
A febre não foi embora pelo resto do dia e os planos de voltar a Durmstrang no trem com meus amigos foram por água abaixo. E honestamente, eu estava um pouco aliviada. Não fazia idéia de como seria encarar Ozzy outra vez e teria muito pouco tempo para descobrir se voltasse pra escola com eles. Só acordei outra vez no final do domingo, e como ainda estava com febre, mamãe me deu outro remédio e voltei a dormir.
Segunda-feira não foi muito diferente. Ainda com febre alta quando acordei, a perspectiva de sair da cama não era muito animadora. Mason havia voltado pra escola e só estaria de volta em casa depois das 17h, então passei boa parte do dia sozinha. O que foi péssimo, porque me deu muito tempo para pensar. E tudo que eu conseguia pensar era no maldito beijo e aquilo estava me deixando louca. Estava com raiva de mim mesma por ter feito isso com Lukas, logo depois dele ter ido embora. Sei que fiz isso muitas vezes no passado, mas não queria mais ser aquela pessoa. Eu achava que tinha mudado, mas agora não estava mais tão certa disso.
Mamãe voltou de seus compromissos no final da tarde e foi direto ver como eu estava. A febre tinha diminuído, mas ainda não tinha ido embora por completo. Ainda sentia meu corpo mole e frio e calor ao mesmo tempo, mas se tinha diminuído, então talvez eu pudesse sair da cama no dia seguinte. Ela me fez beber uma poção que papai tinha deixado preparada e sentou do meu lado na cama, me acolhendo no colo. Era tão bom ficar assim que quase desejei que a febre não fosse mais embora.
- Acho que já vai estar boa pra voltar à escola amanhã – disse enquanto alisava meu cabelo. Se não tivesse passado boa parte do dia dormindo, já teria apagado.
- Espero que sim. Já perdi um monte de aula importante hoje, não posso perder mais um dia inteiro – era verdade, não queria nem ver a quantidade de matéria de Poções e Transfiguração eu tinha perdido – Essa febre sem sentido não veio em boa hora.
- Talvez não tenha sido tão sem sentido assim – olhei pra ela sem entender e ela fez aquela cara que as mães fazem que você se sente um ignorante – Acredito que sua febre tenha sido emocional.
- Como assim emocional?
- Eu reparei em como as coisas estão diferentes entre você e Lukas. Vejo o modo como ele olha pra você, mas não vejo o mesmo olhar em você pra ele. Alguma coisa mudou.
- Não tem nada diferente, mãe. Eu gosto do Lukas.
- Mas você não o ama, essa é a diferença no relacionamento de vocês. Você pode nunca tê-lo amado, mas nunca foi indiferente. Você está mais distante dele e não está conseguindo disfarçar. Seu olhar perdido lhe entrega.
- Aconteceram tantas coisas depois do acidente, minha cabeça não está mais focada no meu namoro com ele.
- Existe outra pessoa?
- O que? Não! – disse na defensiva e ela se assustou um pouco – Não estou traindo o Lukas.
- Não disse que estava o traindo, perguntei apenas se você se interessou por outra pessoa.
- Não tem ninguém.
- Sua febre é culpa. E negue o quanto quiser, mas alguém despertou sua atenção e não está sabendo lidar com isso. Se não ama o Lukas, não pode se sentir culpada por isso, mas precisa terminar com ele antes de se envolver com outra pessoa.
- Minha cabeça está pesada – não era mentira, estava mesmo começando a me sentir tonta.
- Vou deixá-la descansar e refletir um pouco – ela levantou da cama e beijou minha testa – Lembre-se, não tem nada com que se sentir culpada.
Mamãe saiu do quarto e fechou a porta, me deixando outra vez sozinha. Eram tantos pensamentos passando pela minha cabeça que em um instante ela já estava latejando. Sem vontade alguma de pensar no assunto, peguei o resto da poção do sono que meu pai havia deixado e tomei, adormecendo em seguida. Podia lidar com isso amanhã.
ºººººº
- Você já está ótima, pode voltar pra escola.
Papai “me deu alta” na manhã de terça-feira. Mamãe queria a todo custo me acompanhar de volta a Durmstrang, mas consegui convencê-la de que eu estava realmente bem e podia pegar a chave de portal sozinha. Cheguei à escola depois das 10h, o que significava que já tinha perdido metade da aula de DCAT e o professor não ia me deixar entrar, então fui direto pra república desfazer a mochila e aproveitar um raro momento de silêncio nela. Quando as aulas terminaram para o intervalo do almoço fui para o castelo procurar Robbie e Leo. Encontrei os dois a caminho do salão principal.
- Ah, quem é vivo sempre aparece! – Robbie me abraçou – Está melhor?
- Sim, a febre já passou. Estou de volta.
- Ótimo, porque estávamos aqui loucos pra saber das novidades! – Leo disse animada e ela e Robbie trocaram um olhar ansioso.
- Que novidades?
- Você não tem nada pra nos contar? – Robbie perguntou e neguei – Não acredito que não pretendia nos contar que beijou o Ozzy!
- Fala baixo! – tapei a boca dele desesperada e eles me arrastaram pra fora do transito de alunos – Como vocês sabem disso?
- Todo mundo sabe – Leo riu – Vocês estavam no meio da pista de dança, as pessoas tem olhos, sabe?
- Nem todos viram, mas isso meio que foi o assunto do resto do casamento depois que você foi embora – Robbie completou e devo ter feito uma cara de pânico, porque ele se apressou em explicar – Ozzy não estava na roda de fofoca, não vimos muito ele depois também.
- O que aconteceu?
- Não sei. Só... Aconteceu.
- Vocês já conversaram?
- Não, mas podem tirar esses sorrisos do rosto, isso não vai acontecer outra vez.
- Claro, porque pelo que lembro, não ia acontecer nunca, não é? – Robbie debochou.
- Estou falando sério, não vou mais fazer isso com o Lukas, ele não merece. E por favor, esse assunto morre aqui. Estou tentando esquecer que isso aconteceu e com vocês me lembrando o tempo todo vai ser difícil.
- Ok, não vamos mais falar disso, mas só uma última pergunta, pode? – Leo fez uma cara de pidona e revirei os olhos, mas concordei – Foi bom?
- Você só pode estar de brincadeira.
- Não, estou falando sério. O que foi? Nunca teve medo de responder essa pergunta. Ficou balançada? – ela perguntou debochada e os dois me encararam me desafiando a negar.
- Não, não fiquei balançada – respondi irritada – E foi bom sim, mas não vai acontecer outra vez.
- Quer aumentar a aposta? – Robbie estendeu a mão a Leo, que apertou na mesma hora.
- Manda ver. 20 galeões que não passa do mês que vem.
Deixei os dois rindo no meio do corredor e voltei pra república, sem a mínima vontade de comer. Minha fome tinha evaporado, assim como a vontade de assistir ao resto das aulas do dia.
ºººººº
Passei o resto do tempo de aula escondida na república, mas não podia ficar lá pra sempre. Na verdade, precisava sair naquela mesma tarde. O psicólogo havia remarcado a sessão da semana para aquele dia, às 17h, e se eu faltasse seria pior. Então às 16:40 sai do quarto e caminhei lentamente até a sala de duelos.
Ozzy já estava em pé do lado de fora esperando dar a hora de entrar. Quando me viu desencostou da parede e fez menção de ir ao meu encontro, mas desistiu e esperou que eu me aproximasse. Foram longos segundos em silêncio, que pareceram horas, até que ele quebrou o silêncio.
- Está melhor? Julie disse que estava doente.
- Sim, obrigada. Foi só uma febre.
- Está usando a pulseira – disse olhando para o meu pulso.
- Disse que ia usar, gostei do presente.
- Achei que não ia mais usar, sabe, depois que a gente...
- Ozzy, será que tem alguma chance de deixarmos isso pra lá? O que aconteceu foi um erro.
- Sim! – ele parecia aliviado – Não sabia como falar isso com você, mas, por favor, vamos esquecer isso. Aquilo não devia ter acontecido.
- Exatamente. Foi só um beijo, nada demais, não vamos fazer tempestade em um copo d’água. Não quero abrir essa porta outra vez.
- Nem eu. Vamos esquecer então?
- Já nem lembro mais.
A porta da sala se abriu em seguida e duas meninas do curso saíram. Elas nos cumprimentaram rápido e sumiram no corredor. A voz do Dr. Pace nos mandou entrar e nos acomodamos no sofá de sempre, de frente pra ele.
- Desculpem ter remarcado a sessão, mas preciso estar em outro lugar na quinta-feira.
- Não tem problema, não faz muita diferença o dia da semana – Ozzy respondeu e assenti.
- Então, como foram as festas de fim de ano?
- Foi legal, minha família estava toda na minha casa – ele começou a falar animado – Tenho uma família muito grande, então foram dias tumultuados, mas divertidos.
- E você, Parvati? Como foi a comemoração na sua casa?
- Normal, como todo ano. Nos reunimos na casa da minha avó pro Natal e o ano novo, só a família.
- Vocês se encontraram durante o recesso?
- Sim, ela foi até a minha casa pra trocarmos presentes. Ganhei uma camisa do Vancouver Cannucks autografada por todos os jogadores, o namorado dela é do time.
- Pela sua empolgação, foi um excelente presente – ele riu – E o que deu a ela?
- Isso – mostrei a pulseira a ele. Ele olhou com atenção, mas não fez nenhum comentário sobre o símbolo.
- Muito bonita. Alguma coisa de diferente que tenham feito e queiram compartilhar?
- Minha irmã casou no sábado, todos os nossos amigos foram – ele disse olhando pra mim e confirmei – Foi bem legal, fui padrinho dela.
- Adoro festas de casamento, sempre saio com muitas histórias pra contar. Alguma que queiram dividir?
- Não, nenhuma – só foi preciso um olhar pra concordarmos que ele não ia saber sobre o beijo – Só as coisas de sempre.
- Lenneth pegou o buquê, você já tinha ido embora – Ozzy falou me olhando – Foi um momento embaraçoso na mesa, todo mundo olhando pra ela e pro Lucian, mas depois todo mundo acabou rindo.
- Preciso me lembrar de mexer com ela – disse rindo, imaginando a cena.
A conversa seguiu morna até o fim da sessão. Ele puxava os assuntos e respondíamos apenas o que não ia nos comprometer. Isso acontecia desde o primeiro encontro e desconfiava que ele soubesse que não estávamos sendo sinceros, mas a confirmação só veio no final daquela sessão.
- Na semana que vem vamos experimentar algo diferente – ele falou antes de levantarmos, fazendo anotações – Vamos ter dois dias se sessão. Parvati, você virá na terça às 17h e Oscar às 18h. Quero conversar com vocês separados e depois, na quinta, teremos a sessão normal com os dois juntos.
- Por que isso? – perguntei desconfiada.
- Quero ouvi-los separado, quem sabe fazê-los falar algo que não querem estando juntos. Vai ser só dessa vez. Estão liberados, podem sair.
Saímos da sala preocupados. O que ele pretendia arrancar de nós, nos separando? O que quer que fosse, não ia conseguir. Íamos combinar histórias que ele possivelmente ia perguntar e evitar contradições. Tudo que eu não precisava era dar ao Dr. Pace mais motivos para estender as sessões.
- Ai querida, você está ardendo em febre. Conseguiu dormir essa noite? – ela passou a mão no meu rosto, estava suado. Eu neguei – Bom, você não vai a lugar algum assim, então tente dormir um pouco agora enquanto chamo seu pai e trago um remédio. Vou mandar um recado ao Igor pela Julie. Você vai ficar aqui até melhorar.
Mamãe saiu do quarto e voltou minutos depois com meu pai e um copo d’água, com um comprimido na mão. Ele confirmou que minha febre era alta e mamãe me empurrou o remédio. Quando eles saíram do quarto, fechei os olhos e apaguei no mesmo instante.
ºººººº
A febre não foi embora pelo resto do dia e os planos de voltar a Durmstrang no trem com meus amigos foram por água abaixo. E honestamente, eu estava um pouco aliviada. Não fazia idéia de como seria encarar Ozzy outra vez e teria muito pouco tempo para descobrir se voltasse pra escola com eles. Só acordei outra vez no final do domingo, e como ainda estava com febre, mamãe me deu outro remédio e voltei a dormir.
Segunda-feira não foi muito diferente. Ainda com febre alta quando acordei, a perspectiva de sair da cama não era muito animadora. Mason havia voltado pra escola e só estaria de volta em casa depois das 17h, então passei boa parte do dia sozinha. O que foi péssimo, porque me deu muito tempo para pensar. E tudo que eu conseguia pensar era no maldito beijo e aquilo estava me deixando louca. Estava com raiva de mim mesma por ter feito isso com Lukas, logo depois dele ter ido embora. Sei que fiz isso muitas vezes no passado, mas não queria mais ser aquela pessoa. Eu achava que tinha mudado, mas agora não estava mais tão certa disso.
Mamãe voltou de seus compromissos no final da tarde e foi direto ver como eu estava. A febre tinha diminuído, mas ainda não tinha ido embora por completo. Ainda sentia meu corpo mole e frio e calor ao mesmo tempo, mas se tinha diminuído, então talvez eu pudesse sair da cama no dia seguinte. Ela me fez beber uma poção que papai tinha deixado preparada e sentou do meu lado na cama, me acolhendo no colo. Era tão bom ficar assim que quase desejei que a febre não fosse mais embora.
- Acho que já vai estar boa pra voltar à escola amanhã – disse enquanto alisava meu cabelo. Se não tivesse passado boa parte do dia dormindo, já teria apagado.
- Espero que sim. Já perdi um monte de aula importante hoje, não posso perder mais um dia inteiro – era verdade, não queria nem ver a quantidade de matéria de Poções e Transfiguração eu tinha perdido – Essa febre sem sentido não veio em boa hora.
- Talvez não tenha sido tão sem sentido assim – olhei pra ela sem entender e ela fez aquela cara que as mães fazem que você se sente um ignorante – Acredito que sua febre tenha sido emocional.
- Como assim emocional?
- Eu reparei em como as coisas estão diferentes entre você e Lukas. Vejo o modo como ele olha pra você, mas não vejo o mesmo olhar em você pra ele. Alguma coisa mudou.
- Não tem nada diferente, mãe. Eu gosto do Lukas.
- Mas você não o ama, essa é a diferença no relacionamento de vocês. Você pode nunca tê-lo amado, mas nunca foi indiferente. Você está mais distante dele e não está conseguindo disfarçar. Seu olhar perdido lhe entrega.
- Aconteceram tantas coisas depois do acidente, minha cabeça não está mais focada no meu namoro com ele.
- Existe outra pessoa?
- O que? Não! – disse na defensiva e ela se assustou um pouco – Não estou traindo o Lukas.
- Não disse que estava o traindo, perguntei apenas se você se interessou por outra pessoa.
- Não tem ninguém.
- Sua febre é culpa. E negue o quanto quiser, mas alguém despertou sua atenção e não está sabendo lidar com isso. Se não ama o Lukas, não pode se sentir culpada por isso, mas precisa terminar com ele antes de se envolver com outra pessoa.
- Minha cabeça está pesada – não era mentira, estava mesmo começando a me sentir tonta.
- Vou deixá-la descansar e refletir um pouco – ela levantou da cama e beijou minha testa – Lembre-se, não tem nada com que se sentir culpada.
Mamãe saiu do quarto e fechou a porta, me deixando outra vez sozinha. Eram tantos pensamentos passando pela minha cabeça que em um instante ela já estava latejando. Sem vontade alguma de pensar no assunto, peguei o resto da poção do sono que meu pai havia deixado e tomei, adormecendo em seguida. Podia lidar com isso amanhã.
ºººººº
- Você já está ótima, pode voltar pra escola.
Papai “me deu alta” na manhã de terça-feira. Mamãe queria a todo custo me acompanhar de volta a Durmstrang, mas consegui convencê-la de que eu estava realmente bem e podia pegar a chave de portal sozinha. Cheguei à escola depois das 10h, o que significava que já tinha perdido metade da aula de DCAT e o professor não ia me deixar entrar, então fui direto pra república desfazer a mochila e aproveitar um raro momento de silêncio nela. Quando as aulas terminaram para o intervalo do almoço fui para o castelo procurar Robbie e Leo. Encontrei os dois a caminho do salão principal.
- Ah, quem é vivo sempre aparece! – Robbie me abraçou – Está melhor?
- Sim, a febre já passou. Estou de volta.
- Ótimo, porque estávamos aqui loucos pra saber das novidades! – Leo disse animada e ela e Robbie trocaram um olhar ansioso.
- Que novidades?
- Você não tem nada pra nos contar? – Robbie perguntou e neguei – Não acredito que não pretendia nos contar que beijou o Ozzy!
- Fala baixo! – tapei a boca dele desesperada e eles me arrastaram pra fora do transito de alunos – Como vocês sabem disso?
- Todo mundo sabe – Leo riu – Vocês estavam no meio da pista de dança, as pessoas tem olhos, sabe?
- Nem todos viram, mas isso meio que foi o assunto do resto do casamento depois que você foi embora – Robbie completou e devo ter feito uma cara de pânico, porque ele se apressou em explicar – Ozzy não estava na roda de fofoca, não vimos muito ele depois também.
- O que aconteceu?
- Não sei. Só... Aconteceu.
- Vocês já conversaram?
- Não, mas podem tirar esses sorrisos do rosto, isso não vai acontecer outra vez.
- Claro, porque pelo que lembro, não ia acontecer nunca, não é? – Robbie debochou.
- Estou falando sério, não vou mais fazer isso com o Lukas, ele não merece. E por favor, esse assunto morre aqui. Estou tentando esquecer que isso aconteceu e com vocês me lembrando o tempo todo vai ser difícil.
- Ok, não vamos mais falar disso, mas só uma última pergunta, pode? – Leo fez uma cara de pidona e revirei os olhos, mas concordei – Foi bom?
- Você só pode estar de brincadeira.
- Não, estou falando sério. O que foi? Nunca teve medo de responder essa pergunta. Ficou balançada? – ela perguntou debochada e os dois me encararam me desafiando a negar.
- Não, não fiquei balançada – respondi irritada – E foi bom sim, mas não vai acontecer outra vez.
- Quer aumentar a aposta? – Robbie estendeu a mão a Leo, que apertou na mesma hora.
- Manda ver. 20 galeões que não passa do mês que vem.
Deixei os dois rindo no meio do corredor e voltei pra república, sem a mínima vontade de comer. Minha fome tinha evaporado, assim como a vontade de assistir ao resto das aulas do dia.
ºººººº
Passei o resto do tempo de aula escondida na república, mas não podia ficar lá pra sempre. Na verdade, precisava sair naquela mesma tarde. O psicólogo havia remarcado a sessão da semana para aquele dia, às 17h, e se eu faltasse seria pior. Então às 16:40 sai do quarto e caminhei lentamente até a sala de duelos.
Ozzy já estava em pé do lado de fora esperando dar a hora de entrar. Quando me viu desencostou da parede e fez menção de ir ao meu encontro, mas desistiu e esperou que eu me aproximasse. Foram longos segundos em silêncio, que pareceram horas, até que ele quebrou o silêncio.
- Está melhor? Julie disse que estava doente.
- Sim, obrigada. Foi só uma febre.
- Está usando a pulseira – disse olhando para o meu pulso.
- Disse que ia usar, gostei do presente.
- Achei que não ia mais usar, sabe, depois que a gente...
- Ozzy, será que tem alguma chance de deixarmos isso pra lá? O que aconteceu foi um erro.
- Sim! – ele parecia aliviado – Não sabia como falar isso com você, mas, por favor, vamos esquecer isso. Aquilo não devia ter acontecido.
- Exatamente. Foi só um beijo, nada demais, não vamos fazer tempestade em um copo d’água. Não quero abrir essa porta outra vez.
- Nem eu. Vamos esquecer então?
- Já nem lembro mais.
A porta da sala se abriu em seguida e duas meninas do curso saíram. Elas nos cumprimentaram rápido e sumiram no corredor. A voz do Dr. Pace nos mandou entrar e nos acomodamos no sofá de sempre, de frente pra ele.
- Desculpem ter remarcado a sessão, mas preciso estar em outro lugar na quinta-feira.
- Não tem problema, não faz muita diferença o dia da semana – Ozzy respondeu e assenti.
- Então, como foram as festas de fim de ano?
- Foi legal, minha família estava toda na minha casa – ele começou a falar animado – Tenho uma família muito grande, então foram dias tumultuados, mas divertidos.
- E você, Parvati? Como foi a comemoração na sua casa?
- Normal, como todo ano. Nos reunimos na casa da minha avó pro Natal e o ano novo, só a família.
- Vocês se encontraram durante o recesso?
- Sim, ela foi até a minha casa pra trocarmos presentes. Ganhei uma camisa do Vancouver Cannucks autografada por todos os jogadores, o namorado dela é do time.
- Pela sua empolgação, foi um excelente presente – ele riu – E o que deu a ela?
- Isso – mostrei a pulseira a ele. Ele olhou com atenção, mas não fez nenhum comentário sobre o símbolo.
- Muito bonita. Alguma coisa de diferente que tenham feito e queiram compartilhar?
- Minha irmã casou no sábado, todos os nossos amigos foram – ele disse olhando pra mim e confirmei – Foi bem legal, fui padrinho dela.
- Adoro festas de casamento, sempre saio com muitas histórias pra contar. Alguma que queiram dividir?
- Não, nenhuma – só foi preciso um olhar pra concordarmos que ele não ia saber sobre o beijo – Só as coisas de sempre.
- Lenneth pegou o buquê, você já tinha ido embora – Ozzy falou me olhando – Foi um momento embaraçoso na mesa, todo mundo olhando pra ela e pro Lucian, mas depois todo mundo acabou rindo.
- Preciso me lembrar de mexer com ela – disse rindo, imaginando a cena.
A conversa seguiu morna até o fim da sessão. Ele puxava os assuntos e respondíamos apenas o que não ia nos comprometer. Isso acontecia desde o primeiro encontro e desconfiava que ele soubesse que não estávamos sendo sinceros, mas a confirmação só veio no final daquela sessão.
- Na semana que vem vamos experimentar algo diferente – ele falou antes de levantarmos, fazendo anotações – Vamos ter dois dias se sessão. Parvati, você virá na terça às 17h e Oscar às 18h. Quero conversar com vocês separados e depois, na quinta, teremos a sessão normal com os dois juntos.
- Por que isso? – perguntei desconfiada.
- Quero ouvi-los separado, quem sabe fazê-los falar algo que não querem estando juntos. Vai ser só dessa vez. Estão liberados, podem sair.
Saímos da sala preocupados. O que ele pretendia arrancar de nós, nos separando? O que quer que fosse, não ia conseguir. Íamos combinar histórias que ele possivelmente ia perguntar e evitar contradições. Tudo que eu não precisava era dar ao Dr. Pace mais motivos para estender as sessões.
Tuesday, January 10, 2012
Ivana Karev chamou todos os netos da varanda, carregando Alexis no colo enquanto fazia a contagem dos que iam passando por ela. Parvati, Jack e Julie foram os últimos a entrar, ainda pendurados nos braços do avô Georgi. A mesa da sala, enorme, estava toda ocupada com bolos, pães de todos os tipos, sucos, leite e café, para os netos mais velhos que sempre pediam para experimentar.
- Kurt não está aqui – Ivana observou recontando os netos sentados na mesa, atacando os bolos.
- Karl, onde está seu irmão? – Georgi perguntou ao neto mais velho. Karl era o líder dos primos, com seus poucos 13 anos.
- Disse que ia dar comida ao Rambo – Karl respondeu dando de ombros, com um pão doce inteiro na boca.
- Ah, ai está ele – Ivana apontou para a porta aliviada, mas seu semblante logo mudou quando viu que o neto de 7 anos estava chorando – Kurt, querido, o que houve?
- Rambo fugiu! – ele abraçou a avó aos prantos – Fui levar um pedaço de bolo pra ele e a coleira estava arrebentada.
- Fique calmo, baixinho, Rambo deve ter saído para um passeio na floresta, logo ele volta – seu avô tentou acalmá-lo, abaixando ao seu lado para ficarem no mesmo nível.
- Mas já está escurecendo, e se ele não achar o caminho de volta?
Como se tivesse sido planejado, um trovão fez o chão da casa tremer no instante que Kurt terminou de falar. Logo depois um relâmpago iluminou a sala e todos saltaram assustados na mesa. Kurt olhou para a avó com uma expressão que era de puro terror e Georgi ficou de pé.
- Não se preocupe, nós vamos encontra-lo. Karl, engula esse pão doce e me ajude a organizar grupos de busca. Vamos trazer seu cachorro de volta antes da chuva cair.
°°°°°°°°
- Parvati? – a voz de Lukas a trouxe de volta a realidade – Chegamos, não vai descer?
Parvati abriu os olhos e estava outra vez dentro do carro de seu pai, sentada ao lado de Lukas e Mason no banco de trás. Estavam parados do lado de fora do portão da mansão dos Lusth, o manobrista aguardando para levar o carro. Seus tios, com Julie, saíram do carro de trás. Seu pai lhe entregou as chaves e logo apareceu alguém do cerimonial para acompanha-los até a mesa. O casamento seria na própria casa, que era grande o bastante para a festa. Todo o jardim estava decorado com tulipas brancas, mas foi quando se aproximaram da parte dos fundos que viram a decoração completa.
Um espaço para a cerimonia havia sido montado em uma parte de destaque do jardim, com um altar improvisado e espaço suficiente apenas para os casais de padrinhos, o restante dos convidados deveriam assistir de suas mesas, que estavam montadas próximas à área. Cada mesa comportava dez pessoas e também tinham como arranjo um lindo buquê de tulipas. Parvati se acomodou com seus pais em uma das mesas mais próximas ao altar, junto de seus tios. Julie não sentou com eles, preferiu se juntar à mesa ao lado, que estava sendo ocupada por Lucian, seu irmão e seus pais, Finn e sua mãe e Lenneth e seus pais. Os gêmeos Karpov estavam sentados com a família, do outro lado do jardim. Apenas acenaram de longe ao verem os amigos, mas não podiam ir até eles antes da cerimônia.
- Você viu a Leo? – Parvati perguntou a Lukas, mas sua pergunta foi respondida antes que ele pudesse olhar em volta.
Leonora chegou acompanhada de Mitchell e sua família. Eles vinham de braços dados, como um casal, e sentaram na mesa atrás da dela. Leo piscou quando passou por Parvati, mas não podia sentar com eles naquele momento. Parvati já estava quase ligando para Robbie quando viu o amigo chegar ao lado dos pais, muito elegante em um terno de risca de giz. Sempre muito sério quando estava na presença do pai, Robbie ocupou uma cadeira vaga ao lado de Parvati e seus pais ocuparam as duas últimas duas vagas da mesa ao lado de seus tios, cumprimentando a todos com educação. A família de Leonora também estava presente, mas sentados em uma mesa afastada, um claro sinal de que não estavam junto da garota.
- Viu isso? - Parvati indicou a mesa de Leo para ele – Acho que era essa a novidade que ela só queria contar pessoalmente.
- Sim, Mitchell me procurou antes do Natal querendo saber o que a Leo tinha com o Damon – Robbie cochichou de modo que só a amiga podia ouvir – Estava se rasgando de ciúmes, mas obvio que não admitiu.
- Então parece que é sério – Parvati abriu um sorriso – Você me deve 5 galeões.
- Pago depois, já vai começar o casamento.
Ele apontou para o altar, onde o padre havia acabado de aparecer e uma música anunciou que a cerimônia estava prestes a começar. O noivo, Joffrey, entrou primeiro com sua mãe. Usava uma farda da Marinha muito bonita, exibindo com orgulho sua patente de Tenente-Coronel das Forças Armadas Búlgara. Quando eles chegaram ao altar, começou a entrada dos padrinhos. Eram quatro casais para cada e do lado da noiva, todos os seus irmãos estavam presentes. Ozzy foi o primeiro deles a entrar, acompanhado de uma garota morena que aparentava ter a sua idade. Katarina entrou por último, de braços dados com seu pai. Estava linda em um vestido branco tomara que caia, bem simples, mas lindíssimo, com tulipas bordadas em todo o comprimento da saia.
A cerimônia foi curta e bonita. Sem enrolação demais, o padre fez algumas brincadeiras para descontrair, passou pelas partes de praxe e em menos de vinte minutos os padrinhos escolhidos para servirem de testemunhas já estavam assinando o livro. Ozzy foi o escolhido por Katarina, enquanto Joffrey escolheu a madrinha devia ser sua irmã, pela semelhança. Os dois voltaram aos seus lugares e o padre autorizou o beijo, encerrando a cerimônia.
Todos continuaram em suas mesas enquanto o jantar era servido e os noivos passavam em uma de cada vez para falar com seus convidados. Quando tudo isso acabou, Parvati puxou Lukas e Robbie para fora da mesa, tirou Leo e Mitchell da mesa de seus pais e encontrou uma vazia para ocuparem. Não demorou muito e Lucian, Finn, Lenneth, Julie, Oleg e Alec se juntaram a eles. Seus pais, se vendo seus os filhos, rapidamente se juntaram também e engataram em um animado bate papo. Edgar tirou Lawfer da conversa de adultos e Mason logo encontrou alguns amigos da mesma idade, desaparecendo entre os convidados.
O clima na mesa estava estranho. Leo agora estava namorando Mitchell, oficialmente, e Finn não gostou da novidade. Lançava olhares rancorosos aos dois de tempo em tempo, parando sempre que Oleg lhe dava uma cotovelada. Lucian e Lenneth ainda estavam distantes. Sem se falar desde a apresentação no vilarejo, ele tentava agir como se tudo estivesse normal, mas não estava tendo muito sucesso. Robbie também não estava relaxado. Mesmo Alec lhe pedindo para não dar atenção às pessoas, não parava de olhar na direção da mesa dos pais para saber o que estavam fazendo. Ele nunca ficava a vontade com o pai por perto. As coisas já estavam estranhas na mesa, mas piorou quando Ozzy apareceu. Estava acompanhado da garota que entrou com ele no altar e puxou duas cadeiras da mesa ao lado, sentando com os amigos.
- Pessoal, aos que ainda não conhecem, essa é a Jane – disse apontando para a garota, que sorriu simpática e acenou para as pessoas na mesa – Bom, tirando Alec, Oleg, Lenneth e Lucian, que você já conhece, esses são Julie, Robbie, Parvati, Lukas, Leonora, Mitchell e Finn. Todos estudam comigo.
Ela cumprimentou a todos e de repente todas as atenções da mesa estavam voltadas para ela. Os que já a conheciam queriam saber como havia sido o ano, os que haviam acabado de conhecer queriam saber mais ao seu respeito. Em questão de minutos Parvati se viu sendo a única a não demonstrar um interesse fora do comum na garota. Ela não estava certa do que estava acontecendo, mas sem dúvida era estranho.
- Com licença, preciso atender isso – Lukas levantou da mesa quando seu celular tocou e Parvati aproveitou para puxar Robbie para perto dela.
- Quem é essa Jane, que eu nunca ouvi falar? – falou baixo para só o amigo ouvir, mas Leonora já estava atenta do outro lado – O que tem de tão interessante nela, que todo mundo está lhe enchendo de perguntas?
- Merlin mulher, seu namorado está logo ali, controle-se! – ele brincou e Parvati lhe lançou um olhar feio, procurando apoio em Leo.
- É Parv, qual é, está ficando evidente – o apoio não apareceu.
- Ah por Merlin, não comecem! Só perguntei quem ela é, estou curiosa com o interesse geral.
- Aham, sei. Quem não te conhece que te compre, querida – Robbie fez uma de suas caretas habituais e Leo riu.
- Ok, se não dá pra falar sério, deixa pra lá – ela levantou e saiu atrás de Lukas.
- Ela cai tão fácil na pilha ultimamente – Leo comentou ainda rindo quando a amiga se afastou – Mas sério, também não entendi todo mundo interrogando a pobre da garota.
- Nem eu, mas depois pergunto ao Alec quem ela é. Vamos deixar a Parv sofrer mais um pouco.
Os dois riram e voltaram à atenção aos seus namorados, quando uma musica mais lenta começou a tocar na pista de dança. Oleg levantou e convidou uma das damas de honra que estava passando para dançar. Mitchell prontamente ficou de pé, estendendo a mão a Leo. Os dois saíram juntos e foram seguidos por Ozzy e Jane e Alec e Robbie. Finn levantou também, estendendo a mão a Julie, que aceitou. Lucian ficou sem alternativa quando se viu sozinho na mesa com Lenneth e a tirou para dançar. O clima entre eles era o mais romântico possível, mas nenhum dos dois admitia e faziam o possível para não deixar transparecer mais do que já estava claro.
- Algum problema? – Parvati perguntou se aproximando de Lukas.
- Sinto muito, vou ter que ir embora – ele parecia realmente chateado – Era o meu agente, tenho que estar no centro de treinamento em uma hora para um confinamento. Tenho que ir para casa pegar minhas coisas e conseguir uma chave de portal pro Canadá. Você me perdoa por abandona-la no meio do casamento?
- Tudo bem, não tem problema. Nem ao menos esperava que fosse poder vir, já estou satisfeita que pode ao menos assistir a cerimonia.
- Você é a melhor – ele a beijou carinhoso – Vou me despedir dos seus pais antes de ir. Assim que tiver uma folga venho lhe visitar, prometo.
Lukas a beijou outra vez e se afastou, indo se despedir de seus pais. Parvati decidiu não acompanhá-lo, tampouco voltar para a mesa. Se fosse ficar sozinha, preferia que fosse em um dos bancos espalhados pelo jardim. Dele tinha uma boa visão da pista de dança, onde seus amigos ainda estavam. Viu Lucian e Lenneth dançarem com os rostos colados, ambos de olhos fechados, lutando para resistir à tentação de se entregar ao que sentiam um pelo outro. Viu Leo com um olhar apaixonado nos braços de Mitchell, sem perceber os olhares magoados vindos de Finn, que dançava a poucos passos de distancia com Julie. E Robbie, sempre tão reservado quando estava perto do pai, dançava abraçado a Alec sem se importar com os olhares de censura. Parvati notou que o Sr. von Hoult os observava, mas não exibia uma expressão zangada. Não estava feliz também, mas parecia conformado. Sem duvida o sorriso de sua esposa, que segurava sua mão com firmeza, estava ajudando naquela fase de aceitação.
Sua atenção de repente se voltou para Ozzy, que estava próximo a Oleg e sua dama de honra. Ele dançava com Jane e ambos tinham sorrisos radiantes no rosto. Não estavam de rosto colado, mantinham distancia e conversavam o tempo inteiro, mas sempre exibindo um sorriso. Estavam se divertindo, sem dúvida. Parvati sentiu um pouco de inveja, queria estar dançando também ao invés de estar sentada de fora, apenas assistindo. A dança dos dois foi interrompida pela chegada de um rapaz loiro um pouco mais alto que Ozzy, com um terno azul marinho. Depois de algumas palavras rápidas, mais sorrisos e um caloroso aperto de mão seguido de um abraço, Ozzy se afastou e Jane começou a dançar com o rapaz, agora com mais intimidade. Antes que Parvati pudesse ver para onde Ozzy tinha ido, os dois já estavam se beijando.
- Por que está aqui sozinha? – ela se assustou quando viu que Ozzy já estava sentando ao seu lado no banco – Perdeu o Lukas?
- Ele precisou ir embora, algo sobre um confinamento e estar no Canadá em uma hora. Perdeu a namorada para o bonitão?
- Quem, Jane? – ele riu com gosto – Ela não é minha namorada, é minha prima. O “bonitão” é Loki, seu namorado.
- Desculpa, mas vocês estavam tão íntimos, pareciam mais namorados.
- Isso é um pouco nojento. Jane e eu fomos criados juntos, temos a mesma idade. Passamos pelo ritual na mesma época, mas logo depois ela foi para o Japão passar um ano estudando na escola de lá, quase não tivemos oportunidade de conversar sobre as mudanças que aconteceram.
- Está acontecendo alguma coisa entre o Lucian e a Lenneth? - ela perguntou de repente, mudando de assunto.
- Não, mas é complicado – ele ficou de pé e estendeu a mão a ela – Não pode vir a um casamento e não dançar pelo menos uma música.
Parvati hesitou por um momento, mas ele tinha razão, não podia passar o casamento inteiro sem ir ao menos uma vez à pista de dança. Se Lukas não estava ali para dançar com ela, não ia se privar por causa disso. Segurou sua mão sorrindo e deixou que a conduzisse até a pista. Ela reconheceu a música assim que se aproximaram dos casais já dançando, era de um dos seus filmes favoritos. Ozzy deslizou a mão pela sua cintura, mas mantiveram uma distancia segura, seguindo o ritmo da melodia. A música era sobre o tempo que a pessoa esperou para estar com quem ela ama, o quanto ela sempre esteve tão perto e ao mesmo tão longe de conseguir o seu final feliz. E sem que percebessem o espaço entre eles foi aos poucos diminuindo.
A cada novo verso da música eles sentiam seus corpos mais próximos. Parvati fechou os olhos e deixou que a letra da música a invadisse. Quando os abriu novamente, seu rosto estava tão próximo do rosto de Ozzy que estavam se tocando, mas algo a impediu de se afastar. Alguma força inexplicável fez sua mão subir até seu pescoço e se entrelaçar em seus cabelos e ela sentiu a mão dele deslizar carinhosamente pelas suas costas. Estavam tão próximos que ela estava respirando em seu pescoço, sentindo seu cheiro. A boca dele tocou sua orelha e ela sentiu seu corpo reagir. Seus olhares se encontraram e Ozzy encostou sua testa na dela, acariciando seu rosto. O beijo foi inevitável. Começou tímido, guiado pela incerteza, mas logo se transformou em um beijo intenso. Era como se eles fossem os únicos na pista de dança e a música tivesse parado para dar lugar àquele momento. Tudo ao redor parou por alguns segundos, e então Parvati percebeu o que estava acontecendo. Ela interrompeu o beijo e pôs as mãos no peito dele, o afastando.
- Preciso ir – disse sem conseguir olhá-lo nos olhos – Desculpe.
Ela não esperou para ouvir o que ele tinha a dizer. Atravessou a pista de dança esbarrando nas pessoas sem pedir desculpa e parou diante da mesa dos pais, ainda ofegante por causa do beijo. Sua mãe a olhou preocupada, estava sempre alerta desde o acidente.
- Podemos ir embora? Não estou me sentindo bem. – era mentira e ela se sentia mal por fazer aquilo com sua mãe, mas sabia que era a única maneira de convencê-los a ir para casa sem questionamentos.
- Claro minha querida, o que você está sentindo? – ela levantou depressa e colocou a mão em sua testa.
- Estou um pouco tonta, preciso deitar um pouco.
- Vamos embora então, Mason já está dormindo na mesa – e apontou para seu primo, deitado em duas cadeiras desmaiado.
- Saia na frente com ela e peça ao manobrista para tirar o carro, Karen – seu pai levantou também – Vou me despedir de Katarina por todos nós e depois pego o Mason, encontro vocês lá fora.
- Tubo bem, vamos querida – Karen se despediu rapidamente dos amigos na mesa, Parvati fez o mesmo e seguiram em direção à saída.
Ela não olhou para trás enquanto caminhavam. Não queria correr o risco de ver Leo ou Robbie e tê-los correndo até ela para perguntar o que tinha acontecido. Pior, ver Ozzy a olhando. Não sabia qual seria sua reação e não estava preparada para descobrir. Seu pai apareceu cinco minutos depois com Mason dormindo no colo e menos de uma hora depois Parvati já estava de pijama, deitada em sua cama. Sua mãe ficou com ela até se certificar de que não estava passando mal e deixou-a sozinha. Assim que a mãe fechou a porta do quarto, Parvati afundou a cabeça no travesseiro e começou a chorar.
How could I face the faceless days
If I should lose you now?
We’re so close
To reaching that famous happy end
And almost believing this was not pretend
Let’s go on dreaming for we know we are
So close
So close
And still so far
Jon McLaughlin – So Close, Trilha Sonora de Encantada
- Kurt não está aqui – Ivana observou recontando os netos sentados na mesa, atacando os bolos.
- Karl, onde está seu irmão? – Georgi perguntou ao neto mais velho. Karl era o líder dos primos, com seus poucos 13 anos.
- Disse que ia dar comida ao Rambo – Karl respondeu dando de ombros, com um pão doce inteiro na boca.
- Ah, ai está ele – Ivana apontou para a porta aliviada, mas seu semblante logo mudou quando viu que o neto de 7 anos estava chorando – Kurt, querido, o que houve?
- Rambo fugiu! – ele abraçou a avó aos prantos – Fui levar um pedaço de bolo pra ele e a coleira estava arrebentada.
- Fique calmo, baixinho, Rambo deve ter saído para um passeio na floresta, logo ele volta – seu avô tentou acalmá-lo, abaixando ao seu lado para ficarem no mesmo nível.
- Mas já está escurecendo, e se ele não achar o caminho de volta?
Como se tivesse sido planejado, um trovão fez o chão da casa tremer no instante que Kurt terminou de falar. Logo depois um relâmpago iluminou a sala e todos saltaram assustados na mesa. Kurt olhou para a avó com uma expressão que era de puro terror e Georgi ficou de pé.
- Não se preocupe, nós vamos encontra-lo. Karl, engula esse pão doce e me ajude a organizar grupos de busca. Vamos trazer seu cachorro de volta antes da chuva cair.
°°°°°°°°
- Parvati? – a voz de Lukas a trouxe de volta a realidade – Chegamos, não vai descer?
Parvati abriu os olhos e estava outra vez dentro do carro de seu pai, sentada ao lado de Lukas e Mason no banco de trás. Estavam parados do lado de fora do portão da mansão dos Lusth, o manobrista aguardando para levar o carro. Seus tios, com Julie, saíram do carro de trás. Seu pai lhe entregou as chaves e logo apareceu alguém do cerimonial para acompanha-los até a mesa. O casamento seria na própria casa, que era grande o bastante para a festa. Todo o jardim estava decorado com tulipas brancas, mas foi quando se aproximaram da parte dos fundos que viram a decoração completa.
Um espaço para a cerimonia havia sido montado em uma parte de destaque do jardim, com um altar improvisado e espaço suficiente apenas para os casais de padrinhos, o restante dos convidados deveriam assistir de suas mesas, que estavam montadas próximas à área. Cada mesa comportava dez pessoas e também tinham como arranjo um lindo buquê de tulipas. Parvati se acomodou com seus pais em uma das mesas mais próximas ao altar, junto de seus tios. Julie não sentou com eles, preferiu se juntar à mesa ao lado, que estava sendo ocupada por Lucian, seu irmão e seus pais, Finn e sua mãe e Lenneth e seus pais. Os gêmeos Karpov estavam sentados com a família, do outro lado do jardim. Apenas acenaram de longe ao verem os amigos, mas não podiam ir até eles antes da cerimônia.
- Você viu a Leo? – Parvati perguntou a Lukas, mas sua pergunta foi respondida antes que ele pudesse olhar em volta.
Leonora chegou acompanhada de Mitchell e sua família. Eles vinham de braços dados, como um casal, e sentaram na mesa atrás da dela. Leo piscou quando passou por Parvati, mas não podia sentar com eles naquele momento. Parvati já estava quase ligando para Robbie quando viu o amigo chegar ao lado dos pais, muito elegante em um terno de risca de giz. Sempre muito sério quando estava na presença do pai, Robbie ocupou uma cadeira vaga ao lado de Parvati e seus pais ocuparam as duas últimas duas vagas da mesa ao lado de seus tios, cumprimentando a todos com educação. A família de Leonora também estava presente, mas sentados em uma mesa afastada, um claro sinal de que não estavam junto da garota.
- Viu isso? - Parvati indicou a mesa de Leo para ele – Acho que era essa a novidade que ela só queria contar pessoalmente.
- Sim, Mitchell me procurou antes do Natal querendo saber o que a Leo tinha com o Damon – Robbie cochichou de modo que só a amiga podia ouvir – Estava se rasgando de ciúmes, mas obvio que não admitiu.
- Então parece que é sério – Parvati abriu um sorriso – Você me deve 5 galeões.
- Pago depois, já vai começar o casamento.
Ele apontou para o altar, onde o padre havia acabado de aparecer e uma música anunciou que a cerimônia estava prestes a começar. O noivo, Joffrey, entrou primeiro com sua mãe. Usava uma farda da Marinha muito bonita, exibindo com orgulho sua patente de Tenente-Coronel das Forças Armadas Búlgara. Quando eles chegaram ao altar, começou a entrada dos padrinhos. Eram quatro casais para cada e do lado da noiva, todos os seus irmãos estavam presentes. Ozzy foi o primeiro deles a entrar, acompanhado de uma garota morena que aparentava ter a sua idade. Katarina entrou por último, de braços dados com seu pai. Estava linda em um vestido branco tomara que caia, bem simples, mas lindíssimo, com tulipas bordadas em todo o comprimento da saia.
A cerimônia foi curta e bonita. Sem enrolação demais, o padre fez algumas brincadeiras para descontrair, passou pelas partes de praxe e em menos de vinte minutos os padrinhos escolhidos para servirem de testemunhas já estavam assinando o livro. Ozzy foi o escolhido por Katarina, enquanto Joffrey escolheu a madrinha devia ser sua irmã, pela semelhança. Os dois voltaram aos seus lugares e o padre autorizou o beijo, encerrando a cerimônia.
Todos continuaram em suas mesas enquanto o jantar era servido e os noivos passavam em uma de cada vez para falar com seus convidados. Quando tudo isso acabou, Parvati puxou Lukas e Robbie para fora da mesa, tirou Leo e Mitchell da mesa de seus pais e encontrou uma vazia para ocuparem. Não demorou muito e Lucian, Finn, Lenneth, Julie, Oleg e Alec se juntaram a eles. Seus pais, se vendo seus os filhos, rapidamente se juntaram também e engataram em um animado bate papo. Edgar tirou Lawfer da conversa de adultos e Mason logo encontrou alguns amigos da mesma idade, desaparecendo entre os convidados.
O clima na mesa estava estranho. Leo agora estava namorando Mitchell, oficialmente, e Finn não gostou da novidade. Lançava olhares rancorosos aos dois de tempo em tempo, parando sempre que Oleg lhe dava uma cotovelada. Lucian e Lenneth ainda estavam distantes. Sem se falar desde a apresentação no vilarejo, ele tentava agir como se tudo estivesse normal, mas não estava tendo muito sucesso. Robbie também não estava relaxado. Mesmo Alec lhe pedindo para não dar atenção às pessoas, não parava de olhar na direção da mesa dos pais para saber o que estavam fazendo. Ele nunca ficava a vontade com o pai por perto. As coisas já estavam estranhas na mesa, mas piorou quando Ozzy apareceu. Estava acompanhado da garota que entrou com ele no altar e puxou duas cadeiras da mesa ao lado, sentando com os amigos.
- Pessoal, aos que ainda não conhecem, essa é a Jane – disse apontando para a garota, que sorriu simpática e acenou para as pessoas na mesa – Bom, tirando Alec, Oleg, Lenneth e Lucian, que você já conhece, esses são Julie, Robbie, Parvati, Lukas, Leonora, Mitchell e Finn. Todos estudam comigo.
Ela cumprimentou a todos e de repente todas as atenções da mesa estavam voltadas para ela. Os que já a conheciam queriam saber como havia sido o ano, os que haviam acabado de conhecer queriam saber mais ao seu respeito. Em questão de minutos Parvati se viu sendo a única a não demonstrar um interesse fora do comum na garota. Ela não estava certa do que estava acontecendo, mas sem dúvida era estranho.
- Com licença, preciso atender isso – Lukas levantou da mesa quando seu celular tocou e Parvati aproveitou para puxar Robbie para perto dela.
- Quem é essa Jane, que eu nunca ouvi falar? – falou baixo para só o amigo ouvir, mas Leonora já estava atenta do outro lado – O que tem de tão interessante nela, que todo mundo está lhe enchendo de perguntas?
- Merlin mulher, seu namorado está logo ali, controle-se! – ele brincou e Parvati lhe lançou um olhar feio, procurando apoio em Leo.
- É Parv, qual é, está ficando evidente – o apoio não apareceu.
- Ah por Merlin, não comecem! Só perguntei quem ela é, estou curiosa com o interesse geral.
- Aham, sei. Quem não te conhece que te compre, querida – Robbie fez uma de suas caretas habituais e Leo riu.
- Ok, se não dá pra falar sério, deixa pra lá – ela levantou e saiu atrás de Lukas.
- Ela cai tão fácil na pilha ultimamente – Leo comentou ainda rindo quando a amiga se afastou – Mas sério, também não entendi todo mundo interrogando a pobre da garota.
- Nem eu, mas depois pergunto ao Alec quem ela é. Vamos deixar a Parv sofrer mais um pouco.
Os dois riram e voltaram à atenção aos seus namorados, quando uma musica mais lenta começou a tocar na pista de dança. Oleg levantou e convidou uma das damas de honra que estava passando para dançar. Mitchell prontamente ficou de pé, estendendo a mão a Leo. Os dois saíram juntos e foram seguidos por Ozzy e Jane e Alec e Robbie. Finn levantou também, estendendo a mão a Julie, que aceitou. Lucian ficou sem alternativa quando se viu sozinho na mesa com Lenneth e a tirou para dançar. O clima entre eles era o mais romântico possível, mas nenhum dos dois admitia e faziam o possível para não deixar transparecer mais do que já estava claro.
- Algum problema? – Parvati perguntou se aproximando de Lukas.
- Sinto muito, vou ter que ir embora – ele parecia realmente chateado – Era o meu agente, tenho que estar no centro de treinamento em uma hora para um confinamento. Tenho que ir para casa pegar minhas coisas e conseguir uma chave de portal pro Canadá. Você me perdoa por abandona-la no meio do casamento?
- Tudo bem, não tem problema. Nem ao menos esperava que fosse poder vir, já estou satisfeita que pode ao menos assistir a cerimonia.
- Você é a melhor – ele a beijou carinhoso – Vou me despedir dos seus pais antes de ir. Assim que tiver uma folga venho lhe visitar, prometo.
Lukas a beijou outra vez e se afastou, indo se despedir de seus pais. Parvati decidiu não acompanhá-lo, tampouco voltar para a mesa. Se fosse ficar sozinha, preferia que fosse em um dos bancos espalhados pelo jardim. Dele tinha uma boa visão da pista de dança, onde seus amigos ainda estavam. Viu Lucian e Lenneth dançarem com os rostos colados, ambos de olhos fechados, lutando para resistir à tentação de se entregar ao que sentiam um pelo outro. Viu Leo com um olhar apaixonado nos braços de Mitchell, sem perceber os olhares magoados vindos de Finn, que dançava a poucos passos de distancia com Julie. E Robbie, sempre tão reservado quando estava perto do pai, dançava abraçado a Alec sem se importar com os olhares de censura. Parvati notou que o Sr. von Hoult os observava, mas não exibia uma expressão zangada. Não estava feliz também, mas parecia conformado. Sem duvida o sorriso de sua esposa, que segurava sua mão com firmeza, estava ajudando naquela fase de aceitação.
Sua atenção de repente se voltou para Ozzy, que estava próximo a Oleg e sua dama de honra. Ele dançava com Jane e ambos tinham sorrisos radiantes no rosto. Não estavam de rosto colado, mantinham distancia e conversavam o tempo inteiro, mas sempre exibindo um sorriso. Estavam se divertindo, sem dúvida. Parvati sentiu um pouco de inveja, queria estar dançando também ao invés de estar sentada de fora, apenas assistindo. A dança dos dois foi interrompida pela chegada de um rapaz loiro um pouco mais alto que Ozzy, com um terno azul marinho. Depois de algumas palavras rápidas, mais sorrisos e um caloroso aperto de mão seguido de um abraço, Ozzy se afastou e Jane começou a dançar com o rapaz, agora com mais intimidade. Antes que Parvati pudesse ver para onde Ozzy tinha ido, os dois já estavam se beijando.
- Por que está aqui sozinha? – ela se assustou quando viu que Ozzy já estava sentando ao seu lado no banco – Perdeu o Lukas?
- Ele precisou ir embora, algo sobre um confinamento e estar no Canadá em uma hora. Perdeu a namorada para o bonitão?
- Quem, Jane? – ele riu com gosto – Ela não é minha namorada, é minha prima. O “bonitão” é Loki, seu namorado.
- Desculpa, mas vocês estavam tão íntimos, pareciam mais namorados.
- Isso é um pouco nojento. Jane e eu fomos criados juntos, temos a mesma idade. Passamos pelo ritual na mesma época, mas logo depois ela foi para o Japão passar um ano estudando na escola de lá, quase não tivemos oportunidade de conversar sobre as mudanças que aconteceram.
- Está acontecendo alguma coisa entre o Lucian e a Lenneth? - ela perguntou de repente, mudando de assunto.
- Não, mas é complicado – ele ficou de pé e estendeu a mão a ela – Não pode vir a um casamento e não dançar pelo menos uma música.
Parvati hesitou por um momento, mas ele tinha razão, não podia passar o casamento inteiro sem ir ao menos uma vez à pista de dança. Se Lukas não estava ali para dançar com ela, não ia se privar por causa disso. Segurou sua mão sorrindo e deixou que a conduzisse até a pista. Ela reconheceu a música assim que se aproximaram dos casais já dançando, era de um dos seus filmes favoritos. Ozzy deslizou a mão pela sua cintura, mas mantiveram uma distancia segura, seguindo o ritmo da melodia. A música era sobre o tempo que a pessoa esperou para estar com quem ela ama, o quanto ela sempre esteve tão perto e ao mesmo tão longe de conseguir o seu final feliz. E sem que percebessem o espaço entre eles foi aos poucos diminuindo.
A cada novo verso da música eles sentiam seus corpos mais próximos. Parvati fechou os olhos e deixou que a letra da música a invadisse. Quando os abriu novamente, seu rosto estava tão próximo do rosto de Ozzy que estavam se tocando, mas algo a impediu de se afastar. Alguma força inexplicável fez sua mão subir até seu pescoço e se entrelaçar em seus cabelos e ela sentiu a mão dele deslizar carinhosamente pelas suas costas. Estavam tão próximos que ela estava respirando em seu pescoço, sentindo seu cheiro. A boca dele tocou sua orelha e ela sentiu seu corpo reagir. Seus olhares se encontraram e Ozzy encostou sua testa na dela, acariciando seu rosto. O beijo foi inevitável. Começou tímido, guiado pela incerteza, mas logo se transformou em um beijo intenso. Era como se eles fossem os únicos na pista de dança e a música tivesse parado para dar lugar àquele momento. Tudo ao redor parou por alguns segundos, e então Parvati percebeu o que estava acontecendo. Ela interrompeu o beijo e pôs as mãos no peito dele, o afastando.
- Preciso ir – disse sem conseguir olhá-lo nos olhos – Desculpe.
Ela não esperou para ouvir o que ele tinha a dizer. Atravessou a pista de dança esbarrando nas pessoas sem pedir desculpa e parou diante da mesa dos pais, ainda ofegante por causa do beijo. Sua mãe a olhou preocupada, estava sempre alerta desde o acidente.
- Podemos ir embora? Não estou me sentindo bem. – era mentira e ela se sentia mal por fazer aquilo com sua mãe, mas sabia que era a única maneira de convencê-los a ir para casa sem questionamentos.
- Claro minha querida, o que você está sentindo? – ela levantou depressa e colocou a mão em sua testa.
- Estou um pouco tonta, preciso deitar um pouco.
- Vamos embora então, Mason já está dormindo na mesa – e apontou para seu primo, deitado em duas cadeiras desmaiado.
- Saia na frente com ela e peça ao manobrista para tirar o carro, Karen – seu pai levantou também – Vou me despedir de Katarina por todos nós e depois pego o Mason, encontro vocês lá fora.
- Tubo bem, vamos querida – Karen se despediu rapidamente dos amigos na mesa, Parvati fez o mesmo e seguiram em direção à saída.
Ela não olhou para trás enquanto caminhavam. Não queria correr o risco de ver Leo ou Robbie e tê-los correndo até ela para perguntar o que tinha acontecido. Pior, ver Ozzy a olhando. Não sabia qual seria sua reação e não estava preparada para descobrir. Seu pai apareceu cinco minutos depois com Mason dormindo no colo e menos de uma hora depois Parvati já estava de pijama, deitada em sua cama. Sua mãe ficou com ela até se certificar de que não estava passando mal e deixou-a sozinha. Assim que a mãe fechou a porta do quarto, Parvati afundou a cabeça no travesseiro e começou a chorar.
How could I face the faceless days
If I should lose you now?
We’re so close
To reaching that famous happy end
And almost believing this was not pretend
Let’s go on dreaming for we know we are
So close
So close
And still so far
Jon McLaughlin – So Close, Trilha Sonora de Encantada
Wednesday, January 04, 2012
17 de Dezembro de 2015
Hang a shining star upon the highest bow, oh yeah, oh
And have yourself a merry little Christmas now, oh, oh
Faithful friends who are dear to us
They gather near to us once more, oh, oh
Through the years we all will be together and
If the fates allow, oh yeah
But 'til then we'll have to muddle through somehow, oh yeah, oh, oh
And have yourself a merry little Christmas now, ooh yeah, oh, ooh
Após o show maravilhoso, a professor Yelchin brindou conosco e nos deu os parabéns, estavamos conversando na mesa, quando Mitchell se aproximou querendo conversar comigo. Troquei um olhar nervoso com Parv e o segui, e fomos ate uma área que as pessoas estavam usando para dançar, e começamos fazer o mesmo:
- Nossa apresentação foi incrivel não é? – comecei a puxar assunto e ele me olhava de forma intensa, perguntei:
-Tem sujeira no meu rosto?
- Não tem nada errado com seu rosto. Foi uma apresentação maravilhosa, como você.- sorri descrente:
- Claro, e você vai dizer que meus olhos brilhavam como estrelas ao luar, e eu vou responder que foi devido ao clima natalino.
- Mas seus olhos realmente brilhavam... Espera, eu achei que brilhassem por minha causa, fiquei frustrado agora. – e com isso ele me girou e eu ri.
- Aonde você vai passar o Natal? Robbie me disse que você não vai ficar com ele.- ele quis saber.
- Vou até a Italia, na casa de alguns amigos, tenho coisas a resolver por lá e...
- Meu irmão me contou sobre a aposta. Achei muito corajosos de sua parte. Sabe, eu gostaria que viesse co...
-Mitchell!- paramos de dançar e vimos o pai dele parado junto com uma mulher bonita, que nos encarava:
- Pai, mãe...Que bom que chegaram...- dizia Mitchell enquanto os abraçava, depois ele se virou para mim:
- Pai, mãe, esta é Leonora Carrara Ivashkov, minha parceira e amiga, nós fizemos um dueto no show. – o pai dele me estendeu a mão e sorriu, mas a mãe após me olhar criticamente de cima a baixo, estendeu a mão e mal nos tocamos ela se soltou e se virou para o filho:
- Sinto não termos conseguido chegar mais cedo, querido, tenho certeza de que você estava maravilhoso.Está pronto? Sua tia está nos esperando. Adeus, foi um prazer conhece-la.- e foi embora junto com o marido que trocou olhares significativos com o filho.
- Sua mãe é uma mulher muito bonita.- comentei e Mitchell me olhou um pouco sem graça:
- Sim, ela é, e normalmente é mais amável do que isso. Desculpa, não sei o que está havendo com a minha mãe...Então gostaria que você viesse...- não consegui ouvir o restante da sua frase, pois duas mãos calosas tamparam meus olhos e uma voz macia disse perto do meu ouvido:
- Sentiu saudades minhas, Leonora Marie?- acabei sorrindo depois de tirar as mãos do meu rosto:
- Damon, o que faz aqui?- e ele me abraçou apertado.
- Vim te buscar para irmos para a Itália, você ainda não fez o teste de aparatação e precisa de uma carona.Opa, acho que interrompi a sua conversa. Sou Damon Salvatori.- estendeu uma das mãos para Mitchell e pousou a outra em meu ombro. Mitchell o cumprimentou e eu quis saber esperançosa:
- O que você ia me dizer, Mitchell?- e ele respondeu:
- Quero que você tenha um ótimo feriado de fim de ano, Leonora, te desejo tudo de bom.- e foi embora para se encontrar com seus pais que o aguardavam perto da saída.
- Atrapalhei alguma coisa Leonora Marie? – quis saber Damon e eu respondi:
- Não havia nada para atrapalhar Damon. – nos despedimos de meus amigos e fomos para a Itália.
Início da noite de 25 de Dezembro de 2015
Cheguei da Itália exausta, pois não havia descansado direito nem mesmo durante as festas na casa de Damon. O avô dele, Vincenzo quandou soube da aposta com meu pai, se ofereceu para me ajudar e ele cumpriu a palavra. Foi comigo à casa de vários operários antigos da fábrica, que me deram idéias para melhorar a produção, e Damon não saía de meu lado, porém foi seu irmão, Stefan, quem deu a idéia mais maluca de todas, mas que poderia fazer a fábrica ganhar notoriedade e as pessoas lembrarem de nossa qualidade: criar um concurso de culinária, com o nosso azeite e o dinheiro das inscrições ser revertido para alguma instituição de caridade, e ele mesmo passou a ajudar, criando um novo layout para o rótulo das embalagens, que ficaram lindos.Liguei para Robbie e Parv e eles também me davam ótimas idéias para divulgação. Trabalhamos muito, ainda tive a idéia de fazer uma lista de todos os grandes chefs que conhecia e encaminhei a cada um deles uma cesta com os nossos produtos, convidando-os a serem juizes do concurso, e um que Damon, sugeriu entusiasticamente, foi um chef brasileiro famoso, que era aparentado com uma de suas ex- namoradas, e pela carta que recebi com sua resposta positiva e os livros autografados, achei o chef Foutley muito simpático.
Subi para meu quarto e tomei um banho demorado, e até pensei em ir até a casa de Parv ou de Robbie, porém acabei caindo no sono. Algumas horas depois, acordei com alguém batendo na porta da frente. Estranhei pois o segurança não deixaria nenhum estranho passar sem me avisar antes. Desci de pijama, e rosto amassado e com os cabelos desalinhados e quando abri a porta quase cai de costas, era Mitchell.
-Oi! – foi só o que consegui dizer enquanto ele me olhava de cima a baixo e abria um sorriso.
- Espero que tenha deixado leite e biscoitos para o bom velhinho, afinal ainda é dia de Natal.- ele disse quando abri a porta um pouco mais e ele entrou.
- Como soube que eu estava de volta?- quis saber e ele respondeu:
- Estou na casa da minha tia, saí para caminhar e vi as luzes acesas, e como o segurança me conhece, ele me deixou entrar. Achei que você deveria estar com fome.- e me esticou uma sacola de papel de onde saía um aroma incrivel.
- Obrigada, estou mesmo com fome.- ajeitei o cabelo e comecei a me virar para colocar a sacola na cozinha, quando ele segurou a minha mão, me impedindo de sair.Nossos dedos se entrelaçaram, e começamos a nos virar um para o outro, mal ouvi o barulho quando a sacola caiu no chão, enquanto era envolvida por seus braços e sua boca procurava a minha.
o-o-o-o-o-o-o
Estava dormindo quando senti que era observada. Abri os olhos devagar e deparei com Mitchell me encarando, olhei-o de forma aparvalhada por alguns segundos, mas abaixei os olhos, sentindo que ficava vermelha, comecei a me levantar mas ele me segurou:
- Você está bem?? Está arrependida? perguntou e notei que ele estava realmente preocupado, sorri e disse:
- Estou bem e não estou arrependida. E você está bem?- e ele após se esticar na cama, assentiu. Fu tomar banho e quando saí, o quarto estava vazio. Fiquei decepcionada, mas o que eu poderia fazer? Não haviamos conversado e nem dito nada. Desci para a cozinha e para minha surpresa, encontrei Mitchell com os cabelos molhados, abrindo uma caixa de suco de laranja e havia posto a mesa para um jantar.
- Tomei banho no quarto de hóspedes, e como estou faminto e não sou capaz de jogar fora a comida que meu primo faz, optei por esquenta-la para o café da manhã. Tudo bem para você?
Assenti e depois que me sentei, ele serviu duas porções generosas de uma comida muito saborosa e após umas boas garfadas, eu disse:
- O que vamos fazer agora?- Mitchell me olhou e respondeu após tomar um bom gole de suco de laranja.
- Vamos sair para comprar uma cama maior, me recuso a dormir na casa da minha namorada em uma cama de solteiro. Quase cai no chão, durante a noite umas duas vezes. Olhei-o divertida:
- Ah é? E depois de comprar a tal cama, vai fazer o quê? Esvaziar um lado do guarda roupa e ditar aos empregados as suas preferências? Ainda não ouvi nenhuma pergunta importante aqui...- e ele riu, se levantando da mesa e virou a minha cadeira de frente pra ele e me olhou sério:
- Estou totalmente apaixonado por você, e quero que seja a minha namorada, você quer, Leonora?- levantei de um pulo derrubando a cadeira, e o abracei rindo:
- Sim, é claro que sim.- começamos a nos beijar, e as coisas foram ficando animadas, até que parei de beijá-lo e sussurrei em seu ouvido:
- Mitchell...Somos bruxos, não precisamos sair para comprar uma cama maior...- e ele gargalhou, enquanto subíamos as escadas para o quarto correndo.
Hang a shining star upon the highest bow, oh yeah, oh
And have yourself a merry little Christmas now, oh, oh
Faithful friends who are dear to us
They gather near to us once more, oh, oh
Through the years we all will be together and
If the fates allow, oh yeah
But 'til then we'll have to muddle through somehow, oh yeah, oh, oh
And have yourself a merry little Christmas now, ooh yeah, oh, ooh
Após o show maravilhoso, a professor Yelchin brindou conosco e nos deu os parabéns, estavamos conversando na mesa, quando Mitchell se aproximou querendo conversar comigo. Troquei um olhar nervoso com Parv e o segui, e fomos ate uma área que as pessoas estavam usando para dançar, e começamos fazer o mesmo:
- Nossa apresentação foi incrivel não é? – comecei a puxar assunto e ele me olhava de forma intensa, perguntei:
-Tem sujeira no meu rosto?
- Não tem nada errado com seu rosto. Foi uma apresentação maravilhosa, como você.- sorri descrente:
- Claro, e você vai dizer que meus olhos brilhavam como estrelas ao luar, e eu vou responder que foi devido ao clima natalino.
- Mas seus olhos realmente brilhavam... Espera, eu achei que brilhassem por minha causa, fiquei frustrado agora. – e com isso ele me girou e eu ri.
- Aonde você vai passar o Natal? Robbie me disse que você não vai ficar com ele.- ele quis saber.
- Vou até a Italia, na casa de alguns amigos, tenho coisas a resolver por lá e...
- Meu irmão me contou sobre a aposta. Achei muito corajosos de sua parte. Sabe, eu gostaria que viesse co...
-Mitchell!- paramos de dançar e vimos o pai dele parado junto com uma mulher bonita, que nos encarava:
- Pai, mãe...Que bom que chegaram...- dizia Mitchell enquanto os abraçava, depois ele se virou para mim:
- Pai, mãe, esta é Leonora Carrara Ivashkov, minha parceira e amiga, nós fizemos um dueto no show. – o pai dele me estendeu a mão e sorriu, mas a mãe após me olhar criticamente de cima a baixo, estendeu a mão e mal nos tocamos ela se soltou e se virou para o filho:
- Sinto não termos conseguido chegar mais cedo, querido, tenho certeza de que você estava maravilhoso.Está pronto? Sua tia está nos esperando. Adeus, foi um prazer conhece-la.- e foi embora junto com o marido que trocou olhares significativos com o filho.
- Sua mãe é uma mulher muito bonita.- comentei e Mitchell me olhou um pouco sem graça:
- Sim, ela é, e normalmente é mais amável do que isso. Desculpa, não sei o que está havendo com a minha mãe...Então gostaria que você viesse...- não consegui ouvir o restante da sua frase, pois duas mãos calosas tamparam meus olhos e uma voz macia disse perto do meu ouvido:
- Sentiu saudades minhas, Leonora Marie?- acabei sorrindo depois de tirar as mãos do meu rosto:
- Damon, o que faz aqui?- e ele me abraçou apertado.
- Vim te buscar para irmos para a Itália, você ainda não fez o teste de aparatação e precisa de uma carona.Opa, acho que interrompi a sua conversa. Sou Damon Salvatori.- estendeu uma das mãos para Mitchell e pousou a outra em meu ombro. Mitchell o cumprimentou e eu quis saber esperançosa:
- O que você ia me dizer, Mitchell?- e ele respondeu:
- Quero que você tenha um ótimo feriado de fim de ano, Leonora, te desejo tudo de bom.- e foi embora para se encontrar com seus pais que o aguardavam perto da saída.
- Atrapalhei alguma coisa Leonora Marie? – quis saber Damon e eu respondi:
- Não havia nada para atrapalhar Damon. – nos despedimos de meus amigos e fomos para a Itália.
Início da noite de 25 de Dezembro de 2015
Cheguei da Itália exausta, pois não havia descansado direito nem mesmo durante as festas na casa de Damon. O avô dele, Vincenzo quandou soube da aposta com meu pai, se ofereceu para me ajudar e ele cumpriu a palavra. Foi comigo à casa de vários operários antigos da fábrica, que me deram idéias para melhorar a produção, e Damon não saía de meu lado, porém foi seu irmão, Stefan, quem deu a idéia mais maluca de todas, mas que poderia fazer a fábrica ganhar notoriedade e as pessoas lembrarem de nossa qualidade: criar um concurso de culinária, com o nosso azeite e o dinheiro das inscrições ser revertido para alguma instituição de caridade, e ele mesmo passou a ajudar, criando um novo layout para o rótulo das embalagens, que ficaram lindos.Liguei para Robbie e Parv e eles também me davam ótimas idéias para divulgação. Trabalhamos muito, ainda tive a idéia de fazer uma lista de todos os grandes chefs que conhecia e encaminhei a cada um deles uma cesta com os nossos produtos, convidando-os a serem juizes do concurso, e um que Damon, sugeriu entusiasticamente, foi um chef brasileiro famoso, que era aparentado com uma de suas ex- namoradas, e pela carta que recebi com sua resposta positiva e os livros autografados, achei o chef Foutley muito simpático.
Subi para meu quarto e tomei um banho demorado, e até pensei em ir até a casa de Parv ou de Robbie, porém acabei caindo no sono. Algumas horas depois, acordei com alguém batendo na porta da frente. Estranhei pois o segurança não deixaria nenhum estranho passar sem me avisar antes. Desci de pijama, e rosto amassado e com os cabelos desalinhados e quando abri a porta quase cai de costas, era Mitchell.
-Oi! – foi só o que consegui dizer enquanto ele me olhava de cima a baixo e abria um sorriso.
- Espero que tenha deixado leite e biscoitos para o bom velhinho, afinal ainda é dia de Natal.- ele disse quando abri a porta um pouco mais e ele entrou.
- Como soube que eu estava de volta?- quis saber e ele respondeu:
- Estou na casa da minha tia, saí para caminhar e vi as luzes acesas, e como o segurança me conhece, ele me deixou entrar. Achei que você deveria estar com fome.- e me esticou uma sacola de papel de onde saía um aroma incrivel.
- Obrigada, estou mesmo com fome.- ajeitei o cabelo e comecei a me virar para colocar a sacola na cozinha, quando ele segurou a minha mão, me impedindo de sair.Nossos dedos se entrelaçaram, e começamos a nos virar um para o outro, mal ouvi o barulho quando a sacola caiu no chão, enquanto era envolvida por seus braços e sua boca procurava a minha.
o-o-o-o-o-o-o
Estava dormindo quando senti que era observada. Abri os olhos devagar e deparei com Mitchell me encarando, olhei-o de forma aparvalhada por alguns segundos, mas abaixei os olhos, sentindo que ficava vermelha, comecei a me levantar mas ele me segurou:
- Você está bem?? Está arrependida? perguntou e notei que ele estava realmente preocupado, sorri e disse:
- Estou bem e não estou arrependida. E você está bem?- e ele após se esticar na cama, assentiu. Fu tomar banho e quando saí, o quarto estava vazio. Fiquei decepcionada, mas o que eu poderia fazer? Não haviamos conversado e nem dito nada. Desci para a cozinha e para minha surpresa, encontrei Mitchell com os cabelos molhados, abrindo uma caixa de suco de laranja e havia posto a mesa para um jantar.
- Tomei banho no quarto de hóspedes, e como estou faminto e não sou capaz de jogar fora a comida que meu primo faz, optei por esquenta-la para o café da manhã. Tudo bem para você?
Assenti e depois que me sentei, ele serviu duas porções generosas de uma comida muito saborosa e após umas boas garfadas, eu disse:
- O que vamos fazer agora?- Mitchell me olhou e respondeu após tomar um bom gole de suco de laranja.
- Vamos sair para comprar uma cama maior, me recuso a dormir na casa da minha namorada em uma cama de solteiro. Quase cai no chão, durante a noite umas duas vezes. Olhei-o divertida:
- Ah é? E depois de comprar a tal cama, vai fazer o quê? Esvaziar um lado do guarda roupa e ditar aos empregados as suas preferências? Ainda não ouvi nenhuma pergunta importante aqui...- e ele riu, se levantando da mesa e virou a minha cadeira de frente pra ele e me olhou sério:
- Estou totalmente apaixonado por você, e quero que seja a minha namorada, você quer, Leonora?- levantei de um pulo derrubando a cadeira, e o abracei rindo:
- Sim, é claro que sim.- começamos a nos beijar, e as coisas foram ficando animadas, até que parei de beijá-lo e sussurrei em seu ouvido:
- Mitchell...Somos bruxos, não precisamos sair para comprar uma cama maior...- e ele gargalhou, enquanto subíamos as escadas para o quarto correndo.
- Estão prontos? – Georgia se aproximou de Ozzy e Parvati nos bastidores – Robbie está terminando seu solo, vocês entram em seguida.
Ambos assentiram e ela sorriu animada, os deixando sozinhos outra vez. Quando Robbie encerrou sua apresentação e agradeceu ao público, caminhou para trás do piano e deu a introdução da música que eles iam cantar. Os dois entraram no palco e enquanto interpretavam a canção, era inegável a química que existia entre eles. Embora eles não conseguissem enxergar ou admitir, ela estava lá. Deixaram o palco sob muitos aplausos e deram a vez a Finn.
Todas as apresentações foram um sucesso. Apesar do nervosismo de se apresentar pela primeira vez para um público daquele tamanho, todos se saíram bem e houveram ainda alguns pedidos de bis. Depois de brindar o sucesso nos bastidores com seus alunos, Georgia os liberou para aproveitarem o resto da festa e depois irem para suas casas para as festas de fim de ano. O clima entre Lucian e Lenneth durante o dueto era o mais romântico possível, mas depois as coisas ficaram estranhas, então assim que foram liberados Alec puxou Lucian para longe da multidão, enquanto Julie levava Lenneth para o lado oposto.
- Tenho que confessar que não achei que fosse ser tão divertido – Ozzy admitiu encostando-se em uma mesa com Oleg, Leo e Parvati.
- Eu também não estava botando muita fé nisso, mas gostei bastante – Oleg concordou se servindo de um whisky de fogo que o garçom carregava.
- Desculpa interromper o papo - Mitchell parou ao lado deles e pegou a mão de Leo – Podemos conversar um instante? – e ela assentiu, lançando um olhar rápido na direção de Parvati antes de se afastar com o garoto. Oleg inventou uma desculpa qualquer e saiu na direção oposta logo depois.
- Você se saiu muito bem, parecia bem à vontade no palco – Parvati comentou quando os dois ficaram sozinhos.
- Estava um pouco nervoso quando entrei, mas aquilo parecia tão natural pra você que acabei relaxando.
- Que bom, porque ainda vamos fazer muito disso até o fim do ano.
- E eu vou estar em cada uma das apresentações – Parvati ouviu a voz familiar e se virou espantada.
- Lukas! – ela não esperava ver o namorado ali e ficou sem reação por alguns segundos antes de abraçá-lo – Por que não disse que viria?
- Quis fazer uma surpresa. Você estava ótima – disse orgulhoso e segurou seu rosto, lhe dando um beijo apaixonado – Merlin, como senti falta disso.
- Também senti sua falta.
- Lusth – ele se virou para Ozzy com a mão estendida, que ainda estava parado na mesa se sentindo desconfortável.
- Hölzenben – ele apertou sua mão, cordial – Como anda a vida de centro reserva profissional?
- Não tenho do que reclamar. Como disse a Parv da última vez que nos falamos, estou vivendo um sonho que não sabia que tinha.
- Que bom que está gostando. Sou um grande fã do Vancouver Canucks, assisti a seu último jogo pela TV no vilarejo. O gol que fez em cima do Blackhawks foi sensacional, o goleiro ainda deve estar sentindo o gosto do disco.
- Foi um jogo e tanto mesmo. Olha, sei que nunca tivemos um bom relacionamento, mas Parvati diz que você a ajudou muito depois de tudo que aconteceu e qualquer um que tenha feito algo de bom a garota que eu amo merece o meu respeito – ele estendeu a mão outra vez e Ozzy a apertou – Podemos apagar o passado?
- Já nem lembro mais dele.
- Ótimo. E se é mesmo fã do Canucks, quando tiver uma folga dos estudos, ligue e coloco você no melhor lugar do estádio para assistir ao jogo.
- Vou ligar, pode ter certeza. Preciso ir agora, Lucian não está muito bem e vou levá-lo para casa. Feliz Natal – e apertou a mão de Lukas outra vez – Aproveite sua nova vida, está vivendo o meu sonho – e Lukas sorriu, sem imaginar o quanto aquelas palavras eram verdadeiras.
– Feliz Natal – Parvati o abraçou, algo que nunca haviam feito antes. Foi um abraço estranho – Nos vemos no casamento da Kat.
Ele se afastou do casal e deu uma última olhada antes de descer para o primeiro andar da casa de shows. Lukas havia puxado-a para um abraço e beijava sua testa, mas seu olhar ainda estava em Ozzy. Era um olhar triste e ele sabia o motivo. Abaixou a cabeça e desceu as escadas, triste também.
ºººººº
25 de dezembro de 2015
- Pois não? – a voz no interfone ecoou na rua silenciosa.
- Oi, boa noite. Estou procurando Edgar e Oscar Lusth, eles estão? – Parvati respondeu, tentando equilibrar as duas caixas que segurava enquanto mantinha o casaco nos ombros – É Parvati Karev quem fala.
- Sim, reconheci-a pelo monitor – e o homem na pequena tela em sua frente sorriu – Eles estão em uma festa de Natal em família, muita gente lá dentro. Não posso sair daqui, mas se não se incomodar de procurá-los sozinha, pode entrar.
- Eu os encontro, obrigada. Feliz Natal.
- Feliz Natal – ele deu outro sorriso simpático e o portão automático abriu.
O portão por si só já era intimidador, alto, negro e com um enorme L dos Lusth desenhado no meio, mas a casa era ainda pior. Não, não era uma casa. Definitivamente era uma mansão, Parvati pensou. Uma mansão vitoriana do século 17 que lembrava muito as repúblicas de Durmstrang, mas era dez vezes maior. Suas paredes eram de tijolo em um tom de bege, com colunas de madeira por todo lado em verde, todas muito bem trabalhadas com o símbolo da família. O telhado era de telhas verde água e lilás e as janelas eram quase todas ovais, com entalhes tão lindos que ela demorou mais que o normal percorrendo o caminho de pedras admirando-as. Os quartos não tinham varanda, exceto o do último andar, que ela sabia ser o quarto de Ozzy pelo que Jack havia dito.
- Está perdida, senhorita? – um elfo doméstico apareceu do seu lado e a tirou do transe. Seus grandes olhos negros piscavam amigáveis e ela sorriu.
- Não, só estava admirando. É muito bonita.
- Sim, o mestre tem uma bela mansão. É preciso muitos elfos como Elvis para mantê-la limpa, mas é um prazer trabalhar para a família Lusth.
- Você é um elfo livre? – perguntou, mas imediatamente se arrependeu. Sabia que muitos elfos eram livres, mas o que não eram ainda se ofendiam com a hipótese.
- Ah sim, Elvis é um elfo livre. Todos os elfos que trabalham aqui são livres, mestre Ilana não gosta de trabalho escravo – disse orgulhoso, fazendo Parvati sorrir.
- Estou procurando Edgar e Oscar, sabe onde posso encontrá-los?
- Mestre Edgar está logo ali – ele apontou para um banco na varanda da casa – Mestre Oscar está com os primos, vou procurá-lo para a senhorita.
- Obrigada, Elvis.
O elfo entrou na casa apressado e Parvati se aproximou da varanda onde Edgar estava sentado sozinho. Estava todo enrolado em cachecóis e as grossas luvas que protegiam suas mãos estavam cobertas de neve. As crianças que corriam pelo jardim atirando bolas de neve uma nas outras indicavam que, minutos antes, ele fazia parte da brincadeira. Ela se aproximou e sentou ao seu lado, e só então ele levantou a cabeça para encarar quem o fazia companhia.
- Oi. Está perdida? – perguntou sem ânimo.
- Não, estava procurando você – ela esticou uma das caixas que tinha na mão, a de madeira, para ele – Vim lhe trazer isso.
- O que é? – ele pegou a caixa mesmo que desconfiado.
- Não sei. Alexis... – sua voz morreu ao dizer o nome da irmã – Alexis queria que ficasse com isso.
- Ela também falou com você no Halloween – não foi uma pergunta, mas ela assentiu assim mesmo – Sinto sua falta. Tudo que ela queria era que você e meu irmão entendessem que nunca fizemos parte dessa guerra e nos gostávamos de verdade. Ainda gosto, na verdade. É como se ela ainda estivesse aqui, não consigo esquecer o que sinto.
- Eu sei, e eu sinto muito que tenhamos envolvido vocês nisso tudo. Sei o quanto minha irmã gostava de você e queria poder consertar as coisas, mas é tarde demais.
- Meu avô diz que nunca é tarde demais para reconhecer seus erros.
- Então nesse caso, pode me perdoar pelos meus? – ele a encarou com um olhar triste e distante, mas assentiu.
- Era o que Alexis queria, que todos nos déssemos bem – ele olhou para a caixa no colo e abriu a tampa. Tinham muitas coisas dentro, mas a única que Parvati reconheceu foi um álbum de fotos. Edgar o abriu e um sorriso se espalhou em seu rosto. O primeiro desde o acidente – Nossas fotos de infância. Como o Lawyfer era baixinho quando criança.
- Está incompleto – ela observou à medida que ele virara as páginas – Acho que ela quer que você o termine.
- Obrigado – ele fechou o álbum e a abraçou antes de levantar e entrar na casa.
- Sabia que essa foi a primeira vez que Eddie sorriu, desde que sua irmã e Jack morreram? – ela ouviu a voz de Ozzy e virou para vê-lo parado ao lado da porta por onde o irmão tinha acabado de passar, com uma caneca soltando fumaça em uma das mãos – Não ouvi toda a conversa, mas obrigado.
Ele se aproximou do banco e ela ficou de pé, parada de frente para ele. Quando se despediram depois do show, Parvati sabia que ele estava chateado por causa da conversa com seu namorado. Lukas não sabia a verdade e estava sendo legal, a culpa era dela. E embora soubesse que nada que fizesse repararia o dado causado por aquela atitude que teve, não podia simplesmente fingir que nada aconteceu.
- Não vim só para falar com seu irmão, vim para lhe pedir desculpas.
- Desculpa pelo que?
- Pela vaga que era sua e dei a Lukas – ele abaixou a cabeça e soltou uma risada forçada – Vi que ficou chateado no sábado e tem todo o direito.
- Parvati, pare – ele a encarou sério – Não vamos fazer isso.
- Mas eu preciso me desculpar com você.
- Está bem, já se desculpou, não precisa dizer mais nada. Está tudo bem, é sério. Eu quero ser auror, não ia poder jogar profissionalmente. Estou feliz que alguém bom como Lukas está no meu lugar.
- Posso ao menos terminar de falar? Não vou me estender, mas ensaiei pra isso e não quero que tenha sido em vão. Prometo não tocar mais no assunto.
- Você não vai deixar pra lá se eu disser não, não é? – ela fez que não com a cabeça e ele riu – Está certo, fale.
- O que eu fiz foi errado, sei disso, mas não posso voltar atrás e desfazer. Acredite, se pudesse já teria feito isso e mudado muitas coisas, mas não é possível. Sei também que nada que eu faça vai compensar isso, mas ainda assim posso fazer o que está ao meu alcance para ao menos tentar – ela estendeu a outra caixa que havia trazido a ele – Feliz Natal.
- Você comprou um presente?
- Abra logo.
Ele largou o eggnogg que tinha na mão e desfez o laço na caixa, tirando a tampa. Seus olhos se arregalaram e a caixa foi ao chão quando ele pôs as mãos em seu conteúdo. Uma camisa do Vancouver Canucks estava esticada em suas mãos, com o autógrafo de todos os jogadores do time de Hóquei. Ozzy passou quase um minuto encarando a camisa em silêncio, então puxou Parvati para um abraço entusiasmado e em seguida segurou seu rosto, a beijando rápido. Só percebeu o que tinha feito quando a soltou e ela tinha a mesma expressão espantada que a dele quando viu o presente.
- Merlin, desculpa! – se apressou em dizer, sentindo o rosto esquentar. O dela já estava da cor de um tomate – Mil desculpas! Não estava pensando direito, foi a empolgação. Teria beijado até o diretor Ivanovich se ele me desse um presente desses.
- Agora você me ofendeu.
- Ok, um pouco exagerado, mas você entendeu. Desculpe.
- Tudo bem, sem problemas. Posso assumir então que gostou do presente?
- Se eu gostei? Digo até que isso compensa sim ter perdido a vaga.
- Fico feliz que tenha gostado. Pedi a Lukas que me ajudasse com isso e ele nem hesitou.
- Tenho uma coisa para você também – ele guardou a camisa na caixa – Vamos lá dentro, está na árvore.
- Se não se importa, prefiro esperar aqui. A casa está muito cheia e bebi um pouco em casa, não estou em condições de me concentrar.
- Certo, sem problemas. Volto logo.
Ele entrou outra vez e Parvati se viu sozinha na varanda. A bagunça no jardim continuava, a guerra de bolas de neve cada vez mais intensa. Não pode evitar pensar que, muito provavelmente, todas aquelas crianças nunca morreriam. Como devia ser saber que é imortal desde o dia em que nasceu? Não ter a opção de escolher e simplesmente aceitar aquele destino como se fosse a coisa mais normal do mundo? Uma delas subiu a varanda correndo e se escondeu atrás dela, não devia ter mais que seis anos. Quando uma bola de neve destinada ao menino a acertou em cheio, ele sorriu pedindo desculpas e pulou a grade, fugindo para os fundos do jardim.
- Foi pega pela guerra? – Ozzy estava de volta com uma caixa pequena na mão e riu, apontando para seu casaco sujo de neve.
- Servi de escudo para um deles, acabou de pular a grade e fugir.
- Tommem. Ele sempre faz isso – ele esticou a caixa a ela e sorriu – Feliz Natal.
- Uma caixa pequena assim... Devo ficar preocupada?
- Eu beijei você num impulso, mas não sou louco. Não é nada demais, na verdade.
- Ozzy... – ela abriu a caixa e tirou uma pulseira dourada com um pingente pendurado.
- Existe uma tradição, um pouco idiota até, que é fazermos uma tatuagem em homenagem a nossa imortalidade no dia do ritual. Não acho que vou conseguir convencê-la a fazer parte disso, então a pulseira é para que saiba que é uma de nós, é parte da família. Esse símbolo é um-
- Uróboro. O símbolo da Imortalidade.
- Exato.
- É lindo. Obrigada.
Ele a ajudou a prender a pulseira e Parvati a admirou em seu pulso, um sorriso sincero no rosto. Ficaram de frente um para o outro sorrindo, sem dizerem nada, por um longo tempo, até que o clima começou a ficar desconfortável e Parvati quebrou o silêncio.
- Preciso voltar, disse a meu pai que sairia só por meia hora. Não quero que fique preocupado.
- Quer que a leve pra casa? Sei que não fez seu teste de aparatação ainda.
- Não precisa, o motorista me trouxe aqui, está esperando lá fora – ela o abraçou outra vez, o mesmo abraço desconfortável de uma semana atrás – Obrigada pelo presente.
- Obrigado pelo meu também, foi o melhor que recebi acho que da vida inteira.
Eles quebraram o contato depressa e Ozzy ficou observando Parvati descer a estrada de pedras que levava aos portões da mansão. Só quando já não podia mais vê-la entrou em casa. Parou no meio da sala e tirou a camisa que havia ganhado da caixa, sacudindo para que seus primos a vissem. Uma roda se formou ao seu redor no mesmo instante, e enquanto se gabava do presente para eles, já pensava em acordar cedo na manhã seguinte para mandar colocá-la em uma moldura de vidro e pendurar na parede do quarto.
I really can't stay - Baby, it's cold outside
I've got to go away - Baby, it's cold out there
This evening has been - Been hoping that you'd drop in
So very nice - I'll hold your hands, they're just like ice
Baby It’s Cold Outside – Casey Abrams & Haley Reinhart version
Ambos assentiram e ela sorriu animada, os deixando sozinhos outra vez. Quando Robbie encerrou sua apresentação e agradeceu ao público, caminhou para trás do piano e deu a introdução da música que eles iam cantar. Os dois entraram no palco e enquanto interpretavam a canção, era inegável a química que existia entre eles. Embora eles não conseguissem enxergar ou admitir, ela estava lá. Deixaram o palco sob muitos aplausos e deram a vez a Finn.
Todas as apresentações foram um sucesso. Apesar do nervosismo de se apresentar pela primeira vez para um público daquele tamanho, todos se saíram bem e houveram ainda alguns pedidos de bis. Depois de brindar o sucesso nos bastidores com seus alunos, Georgia os liberou para aproveitarem o resto da festa e depois irem para suas casas para as festas de fim de ano. O clima entre Lucian e Lenneth durante o dueto era o mais romântico possível, mas depois as coisas ficaram estranhas, então assim que foram liberados Alec puxou Lucian para longe da multidão, enquanto Julie levava Lenneth para o lado oposto.
- Tenho que confessar que não achei que fosse ser tão divertido – Ozzy admitiu encostando-se em uma mesa com Oleg, Leo e Parvati.
- Eu também não estava botando muita fé nisso, mas gostei bastante – Oleg concordou se servindo de um whisky de fogo que o garçom carregava.
- Desculpa interromper o papo - Mitchell parou ao lado deles e pegou a mão de Leo – Podemos conversar um instante? – e ela assentiu, lançando um olhar rápido na direção de Parvati antes de se afastar com o garoto. Oleg inventou uma desculpa qualquer e saiu na direção oposta logo depois.
- Você se saiu muito bem, parecia bem à vontade no palco – Parvati comentou quando os dois ficaram sozinhos.
- Estava um pouco nervoso quando entrei, mas aquilo parecia tão natural pra você que acabei relaxando.
- Que bom, porque ainda vamos fazer muito disso até o fim do ano.
- E eu vou estar em cada uma das apresentações – Parvati ouviu a voz familiar e se virou espantada.
- Lukas! – ela não esperava ver o namorado ali e ficou sem reação por alguns segundos antes de abraçá-lo – Por que não disse que viria?
- Quis fazer uma surpresa. Você estava ótima – disse orgulhoso e segurou seu rosto, lhe dando um beijo apaixonado – Merlin, como senti falta disso.
- Também senti sua falta.
- Lusth – ele se virou para Ozzy com a mão estendida, que ainda estava parado na mesa se sentindo desconfortável.
- Hölzenben – ele apertou sua mão, cordial – Como anda a vida de centro reserva profissional?
- Não tenho do que reclamar. Como disse a Parv da última vez que nos falamos, estou vivendo um sonho que não sabia que tinha.
- Que bom que está gostando. Sou um grande fã do Vancouver Canucks, assisti a seu último jogo pela TV no vilarejo. O gol que fez em cima do Blackhawks foi sensacional, o goleiro ainda deve estar sentindo o gosto do disco.
- Foi um jogo e tanto mesmo. Olha, sei que nunca tivemos um bom relacionamento, mas Parvati diz que você a ajudou muito depois de tudo que aconteceu e qualquer um que tenha feito algo de bom a garota que eu amo merece o meu respeito – ele estendeu a mão outra vez e Ozzy a apertou – Podemos apagar o passado?
- Já nem lembro mais dele.
- Ótimo. E se é mesmo fã do Canucks, quando tiver uma folga dos estudos, ligue e coloco você no melhor lugar do estádio para assistir ao jogo.
- Vou ligar, pode ter certeza. Preciso ir agora, Lucian não está muito bem e vou levá-lo para casa. Feliz Natal – e apertou a mão de Lukas outra vez – Aproveite sua nova vida, está vivendo o meu sonho – e Lukas sorriu, sem imaginar o quanto aquelas palavras eram verdadeiras.
– Feliz Natal – Parvati o abraçou, algo que nunca haviam feito antes. Foi um abraço estranho – Nos vemos no casamento da Kat.
Ele se afastou do casal e deu uma última olhada antes de descer para o primeiro andar da casa de shows. Lukas havia puxado-a para um abraço e beijava sua testa, mas seu olhar ainda estava em Ozzy. Era um olhar triste e ele sabia o motivo. Abaixou a cabeça e desceu as escadas, triste também.
ºººººº
25 de dezembro de 2015
- Pois não? – a voz no interfone ecoou na rua silenciosa.
- Oi, boa noite. Estou procurando Edgar e Oscar Lusth, eles estão? – Parvati respondeu, tentando equilibrar as duas caixas que segurava enquanto mantinha o casaco nos ombros – É Parvati Karev quem fala.
- Sim, reconheci-a pelo monitor – e o homem na pequena tela em sua frente sorriu – Eles estão em uma festa de Natal em família, muita gente lá dentro. Não posso sair daqui, mas se não se incomodar de procurá-los sozinha, pode entrar.
- Eu os encontro, obrigada. Feliz Natal.
- Feliz Natal – ele deu outro sorriso simpático e o portão automático abriu.
O portão por si só já era intimidador, alto, negro e com um enorme L dos Lusth desenhado no meio, mas a casa era ainda pior. Não, não era uma casa. Definitivamente era uma mansão, Parvati pensou. Uma mansão vitoriana do século 17 que lembrava muito as repúblicas de Durmstrang, mas era dez vezes maior. Suas paredes eram de tijolo em um tom de bege, com colunas de madeira por todo lado em verde, todas muito bem trabalhadas com o símbolo da família. O telhado era de telhas verde água e lilás e as janelas eram quase todas ovais, com entalhes tão lindos que ela demorou mais que o normal percorrendo o caminho de pedras admirando-as. Os quartos não tinham varanda, exceto o do último andar, que ela sabia ser o quarto de Ozzy pelo que Jack havia dito.
- Está perdida, senhorita? – um elfo doméstico apareceu do seu lado e a tirou do transe. Seus grandes olhos negros piscavam amigáveis e ela sorriu.
- Não, só estava admirando. É muito bonita.
- Sim, o mestre tem uma bela mansão. É preciso muitos elfos como Elvis para mantê-la limpa, mas é um prazer trabalhar para a família Lusth.
- Você é um elfo livre? – perguntou, mas imediatamente se arrependeu. Sabia que muitos elfos eram livres, mas o que não eram ainda se ofendiam com a hipótese.
- Ah sim, Elvis é um elfo livre. Todos os elfos que trabalham aqui são livres, mestre Ilana não gosta de trabalho escravo – disse orgulhoso, fazendo Parvati sorrir.
- Estou procurando Edgar e Oscar, sabe onde posso encontrá-los?
- Mestre Edgar está logo ali – ele apontou para um banco na varanda da casa – Mestre Oscar está com os primos, vou procurá-lo para a senhorita.
- Obrigada, Elvis.
O elfo entrou na casa apressado e Parvati se aproximou da varanda onde Edgar estava sentado sozinho. Estava todo enrolado em cachecóis e as grossas luvas que protegiam suas mãos estavam cobertas de neve. As crianças que corriam pelo jardim atirando bolas de neve uma nas outras indicavam que, minutos antes, ele fazia parte da brincadeira. Ela se aproximou e sentou ao seu lado, e só então ele levantou a cabeça para encarar quem o fazia companhia.
- Oi. Está perdida? – perguntou sem ânimo.
- Não, estava procurando você – ela esticou uma das caixas que tinha na mão, a de madeira, para ele – Vim lhe trazer isso.
- O que é? – ele pegou a caixa mesmo que desconfiado.
- Não sei. Alexis... – sua voz morreu ao dizer o nome da irmã – Alexis queria que ficasse com isso.
- Ela também falou com você no Halloween – não foi uma pergunta, mas ela assentiu assim mesmo – Sinto sua falta. Tudo que ela queria era que você e meu irmão entendessem que nunca fizemos parte dessa guerra e nos gostávamos de verdade. Ainda gosto, na verdade. É como se ela ainda estivesse aqui, não consigo esquecer o que sinto.
- Eu sei, e eu sinto muito que tenhamos envolvido vocês nisso tudo. Sei o quanto minha irmã gostava de você e queria poder consertar as coisas, mas é tarde demais.
- Meu avô diz que nunca é tarde demais para reconhecer seus erros.
- Então nesse caso, pode me perdoar pelos meus? – ele a encarou com um olhar triste e distante, mas assentiu.
- Era o que Alexis queria, que todos nos déssemos bem – ele olhou para a caixa no colo e abriu a tampa. Tinham muitas coisas dentro, mas a única que Parvati reconheceu foi um álbum de fotos. Edgar o abriu e um sorriso se espalhou em seu rosto. O primeiro desde o acidente – Nossas fotos de infância. Como o Lawyfer era baixinho quando criança.
- Está incompleto – ela observou à medida que ele virara as páginas – Acho que ela quer que você o termine.
- Obrigado – ele fechou o álbum e a abraçou antes de levantar e entrar na casa.
- Sabia que essa foi a primeira vez que Eddie sorriu, desde que sua irmã e Jack morreram? – ela ouviu a voz de Ozzy e virou para vê-lo parado ao lado da porta por onde o irmão tinha acabado de passar, com uma caneca soltando fumaça em uma das mãos – Não ouvi toda a conversa, mas obrigado.
Ele se aproximou do banco e ela ficou de pé, parada de frente para ele. Quando se despediram depois do show, Parvati sabia que ele estava chateado por causa da conversa com seu namorado. Lukas não sabia a verdade e estava sendo legal, a culpa era dela. E embora soubesse que nada que fizesse repararia o dado causado por aquela atitude que teve, não podia simplesmente fingir que nada aconteceu.
- Não vim só para falar com seu irmão, vim para lhe pedir desculpas.
- Desculpa pelo que?
- Pela vaga que era sua e dei a Lukas – ele abaixou a cabeça e soltou uma risada forçada – Vi que ficou chateado no sábado e tem todo o direito.
- Parvati, pare – ele a encarou sério – Não vamos fazer isso.
- Mas eu preciso me desculpar com você.
- Está bem, já se desculpou, não precisa dizer mais nada. Está tudo bem, é sério. Eu quero ser auror, não ia poder jogar profissionalmente. Estou feliz que alguém bom como Lukas está no meu lugar.
- Posso ao menos terminar de falar? Não vou me estender, mas ensaiei pra isso e não quero que tenha sido em vão. Prometo não tocar mais no assunto.
- Você não vai deixar pra lá se eu disser não, não é? – ela fez que não com a cabeça e ele riu – Está certo, fale.
- O que eu fiz foi errado, sei disso, mas não posso voltar atrás e desfazer. Acredite, se pudesse já teria feito isso e mudado muitas coisas, mas não é possível. Sei também que nada que eu faça vai compensar isso, mas ainda assim posso fazer o que está ao meu alcance para ao menos tentar – ela estendeu a outra caixa que havia trazido a ele – Feliz Natal.
- Você comprou um presente?
- Abra logo.
Ele largou o eggnogg que tinha na mão e desfez o laço na caixa, tirando a tampa. Seus olhos se arregalaram e a caixa foi ao chão quando ele pôs as mãos em seu conteúdo. Uma camisa do Vancouver Canucks estava esticada em suas mãos, com o autógrafo de todos os jogadores do time de Hóquei. Ozzy passou quase um minuto encarando a camisa em silêncio, então puxou Parvati para um abraço entusiasmado e em seguida segurou seu rosto, a beijando rápido. Só percebeu o que tinha feito quando a soltou e ela tinha a mesma expressão espantada que a dele quando viu o presente.
- Merlin, desculpa! – se apressou em dizer, sentindo o rosto esquentar. O dela já estava da cor de um tomate – Mil desculpas! Não estava pensando direito, foi a empolgação. Teria beijado até o diretor Ivanovich se ele me desse um presente desses.
- Agora você me ofendeu.
- Ok, um pouco exagerado, mas você entendeu. Desculpe.
- Tudo bem, sem problemas. Posso assumir então que gostou do presente?
- Se eu gostei? Digo até que isso compensa sim ter perdido a vaga.
- Fico feliz que tenha gostado. Pedi a Lukas que me ajudasse com isso e ele nem hesitou.
- Tenho uma coisa para você também – ele guardou a camisa na caixa – Vamos lá dentro, está na árvore.
- Se não se importa, prefiro esperar aqui. A casa está muito cheia e bebi um pouco em casa, não estou em condições de me concentrar.
- Certo, sem problemas. Volto logo.
Ele entrou outra vez e Parvati se viu sozinha na varanda. A bagunça no jardim continuava, a guerra de bolas de neve cada vez mais intensa. Não pode evitar pensar que, muito provavelmente, todas aquelas crianças nunca morreriam. Como devia ser saber que é imortal desde o dia em que nasceu? Não ter a opção de escolher e simplesmente aceitar aquele destino como se fosse a coisa mais normal do mundo? Uma delas subiu a varanda correndo e se escondeu atrás dela, não devia ter mais que seis anos. Quando uma bola de neve destinada ao menino a acertou em cheio, ele sorriu pedindo desculpas e pulou a grade, fugindo para os fundos do jardim.
- Foi pega pela guerra? – Ozzy estava de volta com uma caixa pequena na mão e riu, apontando para seu casaco sujo de neve.
- Servi de escudo para um deles, acabou de pular a grade e fugir.
- Tommem. Ele sempre faz isso – ele esticou a caixa a ela e sorriu – Feliz Natal.
- Uma caixa pequena assim... Devo ficar preocupada?
- Eu beijei você num impulso, mas não sou louco. Não é nada demais, na verdade.
- Ozzy... – ela abriu a caixa e tirou uma pulseira dourada com um pingente pendurado.
- Existe uma tradição, um pouco idiota até, que é fazermos uma tatuagem em homenagem a nossa imortalidade no dia do ritual. Não acho que vou conseguir convencê-la a fazer parte disso, então a pulseira é para que saiba que é uma de nós, é parte da família. Esse símbolo é um-
- Uróboro. O símbolo da Imortalidade.
- Exato.
- É lindo. Obrigada.
Ele a ajudou a prender a pulseira e Parvati a admirou em seu pulso, um sorriso sincero no rosto. Ficaram de frente um para o outro sorrindo, sem dizerem nada, por um longo tempo, até que o clima começou a ficar desconfortável e Parvati quebrou o silêncio.
- Preciso voltar, disse a meu pai que sairia só por meia hora. Não quero que fique preocupado.
- Quer que a leve pra casa? Sei que não fez seu teste de aparatação ainda.
- Não precisa, o motorista me trouxe aqui, está esperando lá fora – ela o abraçou outra vez, o mesmo abraço desconfortável de uma semana atrás – Obrigada pelo presente.
- Obrigado pelo meu também, foi o melhor que recebi acho que da vida inteira.
Eles quebraram o contato depressa e Ozzy ficou observando Parvati descer a estrada de pedras que levava aos portões da mansão. Só quando já não podia mais vê-la entrou em casa. Parou no meio da sala e tirou a camisa que havia ganhado da caixa, sacudindo para que seus primos a vissem. Uma roda se formou ao seu redor no mesmo instante, e enquanto se gabava do presente para eles, já pensava em acordar cedo na manhã seguinte para mandar colocá-la em uma moldura de vidro e pendurar na parede do quarto.
I really can't stay - Baby, it's cold outside
I've got to go away - Baby, it's cold out there
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