Tuesday, September 04, 2007

‘Está certo disso? É uma mudança e tanto’

‘Sim, estou’ Ele sorriu e olhou para trás. Um imenso muro cercava uma pequena cidade, e ao centro, um castelo podia ser visto de qualquer ponto do vilarejo. Havia chegado ao Instituto Durmstrang ‘Preciso entrar, acho que as aulas já começaram’

O homem apertou sua mão e desaparatou em seguida. Micah olhou no relógio. As aulas do dia já haviam começado há mais de uma hora, ele estava muito atrasado. Correu com a mochila nas costas conduzindo o malão enfeitiçado para flutuar até a república que o diretor havia indicado na carta e voltou aos jardins. Tinha uma entrevista com o diretor novo a ser feita, mas não queria perder mais nenhuma aula, e de acordo com seu cronograma, a de Literatura Mágica já havia terminado. Precisava chegar à sala de Transfiguração, mas olhou ao redor e começou a se arrepender de não ter embarcado no trem da escola há dois dias atrás: Não fazia a menor idéia da direção que devia seguir.

O castelo ficava distante das repúblicas e ele acelerou o passo para não perder mais tempo. No horário dizia que a sala de Transfiguração ficava na ala oeste, próxima à sala de duelos e à redação do jornal da escola. Restava agora saber onde ficavam os outros dois, e ele encontraria a sala certa.

‘Com licença’ Um homem jovem e moreno passava pelo corredor do 4º andar e Micah o parou ‘Pode me dizer para que lado fica a sala de Transfiguração? Sou novo aqui, estou um pouco perdido’

‘Também sou novo aqui, mas por sorte vou utilizar a sala de duelos’ O homem estendeu a mão a ele, sorrindo ‘Marko Skolbar, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. A sala é no 8º andar, à esquerda da única escada que dá acesso a ela, não tem erro’

‘Obrigada, nunca conseguiria encontrar sozinho’ Micah apertou a mão dele aliviado ‘Micah Wade, e acho que suas aulas vão ser as melhores aqui. Ao menos vou ser o único a me sair bem, já que ninguém nunca estudou isso’

‘Bom saber que ao menos um aluno poderá me auxiliar’ Respondeu rindo ‘Mas vá depressa, ainda precisa subir quatro andares e a professora Ivana Mesic não é muito tolerante’

Ele assentiu com a cabeça e recomeçou a correr. Quando alcançou o último andar, já estava sem fôlego. O corredor era extenso, mas não foi difícil localizar a sala. Era a única barulhenta.

Quando abriu a porta, pensou que estava em uma festa infantil, com aqueles animadores que sempre sofrem nas mãos das crianças e ficam pedindo atenção, mas em vão. E tinha até um animador. Na frente da sala estava uma garota morena muito bonita, tentando inutilmente conter a gritaria, enquanto o resto da turma encantava bolinhas e aviões de papel para voarem de um lado para o outro na sala. Mas não havia sinal de professor algum. Ele ficou parado na porta olhando abismado para o circo, até que a menina notou sua presença e deixou cair o livro que pretendia atirar em algum colega. Ele riu da cara de espanto dela e fechou a porta.

‘Essa é a turma de Transfiguração do 6º ano?’ Perguntou caminhando até ela com a mochila nas costas ‘Ou é a turma de regressão?’

‘Transfiguração’ Evie respondeu como se não tivesse notado a ironia, ainda em transe ‘O que está fazendo aqui?’

‘Ah, então você se lembra de mim’ Micah falou em tom de brincadeira ‘A bolada não causou nenhum dano, muito bom’

‘O recreio acabou, estou de volta’ Uma mulher de cabelos grisalhos entrou na sala e em menos de cinco segundos transformou todos os aviões e bolinhas em fumaça ‘Srtª Parvanov, quando a nomeei monitora da minha classe, esperava que exercesse algum controle sobre seus colegas. Vejo que me enganei’

‘Desculpe professora, não vai se repetir’ Evie respondeu sem graça e correu de volta ao seu lugar ao lado de Milla, seu rosto queimando

Micah fez menção de imitar seu gesto, mas Ivana pousou a mão em seu ombro, o encarando com ar de curiosidade.

‘Outro aluno novo, eu suponho’ Ele confirmou com a cabeça e ela deu um sorriso. Mas era mais um sorriso de deboche do que simpatia ‘Não me lembro de tê-lo visto quando iniciei a aula, e ainda está com a mochila nas costas. Não tolero atrasos em minha classe, vou deixá-lo em detenção para que não esqueça a regra numero 1 de Ivana Mesic. Pode se sentar ao lado daquele rapaz na última cadeira, ele também é aluno novo. Depois da aula a Srtª Parvanov irá lhe mostrar o resto do castelo, desse modo saberá a localização de nossas salas de aula e evitará futuros atrasos’

Ele considerou a idéia de responder, principalmente porque sabia que cada um dos alunos que observavam o sermão fazia força para não rir, mas um minuto na presença daquela mulher deixou bem claro que ela não era alguém para se enfrentar. Derrotado, sentou ao lado do novato que tinha a mesma expressão desanimada que a dele.

‘Ty McGregor’ O garoto sorriu e estendeu a mão a ele ‘Bem vindo ao Alaska. Ou talvez um lugar mais frio que ele’

‘Micah Wade’ Ele apertou a mão dele aliviado que alguém ali não parecia ter se divertido com o sermão ‘Começou com o pé direito também?’

‘Imagina, só chamei a professora mais gata da escola de velhota, e depois insinuei que a avó dela era uma múmia’

‘Pelo menos ela era bonita, e não o Hitler de saias que me deu uma detenção no primeiro dia, e nem perguntou meu nome’

‘Cara, por um acaso tem bosta de dragão na minha testa? Eles me olham como se tivesse’ Falou esfregando a mão no rosto e retribuindo o olhar torto de alguns garotos

‘Também notei os olhares de quem comeu e não gostou’ Respondeu encarando um garoto de cabelos espetados que o analisava de cima a baixo ‘Estou me sentindo tão bem vindo! A qualquer instante uma vovó usando xale deve aparecer trazendo leite com biscoitos’

Ty deixou uma risada alta escapar e no mesmo instante a professora ergueu a cabeça e estreitos os olhos como um general na direção deles, ajeitando os óculos no rosto e voltando a folhear o livro sem dizer nada. Receptividade definitivamente não era o forte das pessoas de Durmstrang.

Monday, September 03, 2007

- Ty, vou precisar ir mais cedo para o trabalho, hoje fico de plantão no Departamento dos Mistérios, então seu padrinho vai te levar pra Bulgária, amanhã de manhã antes da primeira aula ok?
- Claro mãe, sem problemas.
- Então me dá um abraço apertado meu menino lindo. Sabe que eu te amo?
- Credo mãe, que as pessoas não escutem isso. - disse brincando, mas erguendo minha mãe do chão enquanto a abraçava apertado.
- Deixa de ser bobo: mãe pode tudo, já não te ensinei isso? Nos vemos no Natal certo?
- Sim. Até o Natal! Também te amo mãe. – nos despedimos e fui dormir, teria um dia cheio.

Meu padrinho chegou atrasado em casa e aparatamos para a Bulgária em cima da hora para assistir as aulas. Larguei minhas coisas no vestíbulo do castelo e fui até a sala do diretor, saber aonde deveria ir. Como ele não estava, falei com o vice-diretor e ele me mandou ir até a aula de Literatura Mágica, tudo iria bem se eu não tivesse me perdido num daqueles corredores que pareciam um labirinto. Quando chego à tal sala, encontro um aviso:

Aula de Literatura Mágica, nos jardins, ao lado da estufa Imperial.

Maravilha! Aqui eles tem uma estufa "imperial"? ¬¬. Acelerei para tentar achar os jardins e no caminho dei uma trombada com um homem usando roupas de peles.
- Desculpe.
- Ahá! Um dos pestinhas matando aula. Começamos cedo este ano. - disse mal humorado.
Pelos trajes e pelo cheiro de cachorro molhado só podia ser um guarda-caças. Respirei fundo e disse:
- Por favor, sou novo aqui e não sei onde fica a estufa Imperial. Minha aula é lá.
- Até parece que acredito nisso! Todos sabem que a Estufa imperial fica no lado leste, para melhor aproveitar os raios solares e... – nem terminei de ouvir o que aprecia ser uma longa explicação, já estava atrasado, saí correndo na direção indicada. Por sorte, a mania de meus pais de me manter treinando nas férias, me deu um bom condicionamento físico e não vomitei o café da manhã, depois de correr tanto. Acabei encontrando o grupo de alunos sentados, nos jardins e ficaram me olhando quando cheguei. Alguns cochichavam entre si, olhei para um garoto, que me examinava com olhar crítico e exclamei, sem intenção de ser ouvido, enquanto jogava meu material ao meu lado:
- Que sorte! Consegui chegar antes da velhota.
- Me avise quando ela chegar também para pegar uma cadeira para a pobrezinha, ela vai chegar exausta depois desta corrida. – disse uma voz suave às minhas costas. – e eu senti meu pescoço quente e ouvi alguns risinhos, enquanto a mulher passava por mim e se dirigia à frente da classe. Ela era alta, jovem e tinha olhos claros, e um sorriso... Pra resumir ela era: Linda! - meu queixo estava caído.
- Bem, após o atraso do seu novo colega o senhor... (e ela olhou as suas anotações) McGregor, vamos continuar o nosso assunto sobre os deuses mitológicos que representam as emoções humanas. Eu ia começar a falar sobre Éris, alguém sabe quem é?- olhou para a sala e uma garota de cabelos castanhos levantou a mão. Ela olhou para toda a classe e perguntou novamente:
- Só Ivanovich, sabe quem foi Éris? Não é possível. O que fizeram nestas férias? Divertiram-se? - e a sala riu com ela.
Como eu queria me redimir com a professora, agora era a hora de mostrar que as aulas da Emily entraram na minha cabeça, levantei a mão e ela me mandou ir em frente.
- Éris, segundo Hesíodo, é a deusa da discórdia na Mitologia grega, é a primogênita de Nix (a noite) e a mãe da Dor (Algea), da Fome (Limos), da Desordem (Dysnomia) e de outros flagelos. Porém Homero, na Ilíada diz que ela é a irmã de Ares, presumindo-se que seja filha de Zeus e Hera.- ai pra fechar com chave de ouro lembrei de um versinho do livro:

"(...) a Discórdia infatigável,
Companheira e irmã do homicida Ares,
Quem a princípio se apresenta timidamente, mas que logo
Anda pela terra enquanto a fronte toca o céu
."

- Muito bem senhor McGregor, acaba de ganhar um ponto para a Othila.
Como a professora batesse palmas e sorrisse, não me contive e fiz uma reverência como se estivesse me apresentando num palco. Percebi que a garota que havia erguido a mão, me olhou de cara feia. Mas quem se importa? A professora agora sabe quem eu sou.
Ao final da aula e antes de ir para a próxima aula, me aproximei da professora:
- Posso falar com a senhora?
- Pois não, senhor McGregor.
- Quero pedir desculpas, por me referir à senhora como uma velhota. Foi rude de minha parte. Mas é que eram as informações que eu tinha a respeito de quem lecionava esta matéria.
- E quem lhe disse isso? Posso saber?
- Foi meu padrinho, Sergei Menken. Ele disse que a mulher que dava esta matéria, devia estar com uns 200 anos. Parecia embalsamada já rsrs.
- Ah, ele deve ter sido aluno de minha avó. Nós temos o mesmo nome. – Bonito Ty, agora você chamou a avó dela de múmia. Ela deve ter notado que eu estava novamente envergonhado, pois riu me tranquilizando:
- Ela foi a responsável por esta matéria durante muitos muitos anos, e quando se aposentou eu me ofereci para tomar seu lugar. Desculpas aceitas senhor McGregor. Agora aconselho-o a seguir seus colegas para sua aula de Transfiguração. A professora Mesic, não costuma encarar com bom humor o atraso de seus alunos.
Nos despedimos e eu me limitei a seguir os alunos até a sala de Transfiguração, uma vez que eles apenas me olhavam e não falavam comigo. Talvez eu tenha pisado em bosta de dragão e não percebi ou quem sabe eles sejam tão fechados quanto as muralhas do castelo. Já vi que vou demorar a me adaptar a este país gelado.

Sunday, September 02, 2007

2 de Setembro de 1998

‘O Sr. Diperma está em uma reunião, mas irá lhe atender em 15 minutos’

‘Obrigado Anita, vou esperá-lo aqui’

A secretária já de idade sorriu gentil e fechou a porta do escritório, deixando Micah sozinho na sala do diretor. Ele largou a mochila no chão e sentou-se no sofá, apoiando a cabeça no encosto e fechando os olhos, cansado.

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Dois meses antes

‘Vamos Ryan, acorde!’ Shannon dava socos no peito do garoto, chorando ‘Ande seu idiota, levante!’

‘Pare Shan, ele-’ Sean pôs as mãos no ombro da amiga, mas ela o empurrou

‘NÃO. Não diga isso!’

‘Não há nada que você possa fazer, Shan’ Micah segurou suas mãos, forçando-a a soltar Ryan ‘Ele está morto’

A garota tentou se soltar, mas Micah a puxou para junto dele e a abraçou, deixando que ela chorasse em seu ombro. Gabriel e Evan estavam sentados na beira do rio chorando em desespero e Sean confortava Connor, enquanto Josh era o único de pé encarando o corpo sem vida de Ryan na terra úmida que beirava Fall Creek Lake.

‘O que vamos fazer agora?’ A voz de Micah estava vacilante quando ele falou

‘Como assim o que vamos fazer?’ Evan tremia, mas tentava manter a voz firme ‘Vamos levá-lo de volta’

‘Levá-lo de volta? O que você acha que vai acontecer se chegarmos com um corpo no meio da cidade?’ Josh tinha a voz alterada ‘Acha que vão nos confortar pela perda, ou nos acusar de assassinato?’

‘Foi um acidente’ Gabriel encarou Josh espantado ‘Não é culpa de ninguém, não podem nos acusar de nada’

‘Acorde Gabriel! Não sei como são as coisas onde você mora, mas não somos vistos como os modelos de garotos aqui em Los Angeles’ Josh agora achava graça do que estava falando ‘Se procurarmos a policia com um garoto morto, vamos presos no mesmo instante’

‘Gabriel tem razão, foi um acidente’ Micah agora estava de pé e de frente para o amigo ‘Vamos voltar com Ryan e contar a policia o que aconteceu, não vão nos culpar’

‘Não, vamos deixá-lo aqui e a policia que venha buscar o corpo!’ Todos encararam Josh perplexos, mas ele continuou ‘Não vou voltar com ele’

‘Fique aí então e volte nadando. Não cabe a você decidir isso, Josh. Vamos fazer o que a maioria achar melhor’ Micah abaixou ao lado de Ryan e olhou para os amigos ‘Então, o que querem fazer?’

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A viagem de volta à cidade foi silenciosa. Diferente de quando eles desciam o rio, ninguém conversava, ninguém ria, ninguém sequer se encarava. Cada um se ocupou com um remo e logo alcançaram a margem de onde haviam saído. Mesmo contra sua vontade, Josh seguiu com os demais até a casa de Ryan, onde Micah se encarregou de contar à sua mãe o que havia acontecido. A mulher entrou em desespero, mas Shannon a acalmou levando-a com eles até a delegacia trouxa mais próxima e lá informaram que o corpo de Ryan estava no barco amarrado à beira do lago Fall Creek.

Fogos em comemoração ao 4 de Julho explodiam por toda a cidade enquanto uma viatura da polícia saia em disparada para o local indicado. Connor, seu pai adotivo e a mãe de Ryan foram com eles, mas os outros ficaram retidos para interrogatório. Um delegado aparentando ter 40 anos, cabelos pouco grisalhos e expressão calma entrou na sala e encarou cada um dos 6 garotos antes de sentar. Todos contaram a mesma versão da história até onde começou a brincadeira de verdade ou desafio, e então as coisas começaram a se contradizer.

‘Então ele me provocou, insultou a mim e aos meus amigos com coisas que prefiro nem repetir’ Josh estava calmo e relatava sua parte ao delegado ‘Eu me alterei e queria brigar com ele, não nego, mas não o empurrei na água’

‘Então quem o empurrou?’ O delegado começava a suspeitar de incompatibilidade de informações, mas deixou que os garotos prosseguissem

‘Micah’ Josh foi categórico ‘A idéia de levá-lo ao rio foi dele e de empurrá-lo na água também. Foi ele quem empurrou Ryan’

‘Empurrei-o porquê você estava a ponto de matá-lo enforcado!’ Micah pôs-se de pé e apontou para Josh, furioso

‘Sente-se senhor Wade’ o delegado manteve a voz calma e Micah obedeceu ‘Quer nos contar a sua versão?’

‘Ryan conseguiu tirar a todos nós do sério e Josh perdeu o controle quando ele mencionou seu pai’

‘Ele passou dos limites com o que disse sobre meu pai!’ Josh esbravejou

‘Quero somente o senhor Wade contando a história agora’ Josh encarou a mesa quando recebeu um olhar severo do delegado ‘Por favor, prossiga’

‘Obrigado. Como dizia, Josh perdeu a cabeça com os insultos de Ryan e partiu para cima dele. No mesmo instante eu interferi na briga, tentei apartá-los, mas Josh estava com muita raiva e apertava seu pescoço’

‘Eu não tinha a intenção de matá-lo, queria apenas que ele calasse a boca!’ Josh tornou a interromper ‘Não tente fazer parecer que eu queria vê-lo morto, seu babaca. A idéia toda foi sua para começo de conversa, e você também estava de cabeça quente quando o empurrou na água!’

‘Eu desisti da brincadeira!’ Micah respondeu no mesmo tom ‘Falei que não queria mais fazer isso e foi você quem disse que eu era um fraco por isso!’

‘Já chega!’ O delegado perdeu a paciência e levantou da cadeira ‘Senhor Pace, saia da sala. Saiam todos. Quero somente o senhor Wade aqui. Vou ouvi-los um a um para não haver interrupções’

Todos os garotos deixaram a sala e aguardaram sentados na sala do delegado. O depoimento de Micah terminou depressa e um a um, o delegado foi chamando-os. Josh foi o ultimo e demorou mais do que o esperado. Todos estavam apreensivos quando ele finalmente saiu da sala e encarou Micah com um olhar cheio de raiva.

‘Se eu for preso por sua causa, você vai pagar muito caro’

‘Como pode falar isso?’ Micah levantou para enfrentar o amigo no mesmo nível ‘Eu contei a verdade, foi você quem distorceu as coisas!’

‘Eu estava tentando nos livrar do reformatório! Mas se quer saber, pouco me importa agora o que vai acontecer com você. Contei toda a verdade ao delegado, boa sorte!’

‘O que foi que você aprontou dessa vez??’ Micah agarrou Josh pela gola da camisa e o atirou contra a porta

‘Estão todos de prova que ele me atacou sem razão, não é?’ Josh falou alto, atraindo a atenção de alguns policias que circulavam no corredor ‘Depois ele vai dizer que não tinha a intenção de jogar o garoto na água e vocês vão acreditar nele’

‘Senhor Wade, por favor, entre outra vez’ o delegado apareceu na porta e encarou Micah sério

‘Escute bem Josh, porque essa pode ser a ultima vez que vai ouvir alguma coisa de mim’ Micah se aproximou dele e falou baixo, de maneira que somente ele pudesse ouvir ‘Você e eu, acabou. Nossa amizade termina aqui. Independente do que me acontecer. Vou fazer você pagar por isso, vou fazê-lo se arrepender por se meter comigo’

Micah soltou Josh e voltou à sala onde tinha prestado depoimento. Aquela noite de 4 de Julho de 1998 foi a ultima vez que eles se falaram durante um longo tempo.


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‘Então Sr. Wade, pelo que entendi de sua carta, está solicitando sua transferência de nossa escola?’

O diretor Diperma havia retornado da reunião e encarava Micah preocupado, segurando um papel nas mãos. Micah estava sentado de frente para ele e mantinha uma posição irredutível.

‘Isso mesmo, senhor’ O garoto respondeu ‘Quero ser transferido para o Instituto Durmstrang’

‘Perdoe-me a intromissão, mas por que a decisão repentina? Faltam apenas dois anos para a conclusão de seus estudos, vai deixar seus amigos aqui para estudar em uma escola tão longe? Poderia transferi-lo sem problemas para a escola do Alabama, Tenessee ou Iowa, basta escolher uma’

‘Desculpe senhor, mas não quero continuar na América’ Micah encarava o diretor decidido ‘Preciso me afastar, e como sei falar búlgaro, o Instituto Durmstrang me parece uma boa opção’

‘Espero que isso não tenha nada relacionado à morte de Ryan Merric’ Quando Micah não respondeu, ele continuou ‘Bom, se é mesmo o que quer e se tem certeza de que está tomando a decisão certa, não vejo problemas em sua transferência. Já entrei em contato com o novo diretor da escola, o senhor Igor Ivanovich, e ele disse que será bem vindo em sua escola’

‘Obrigado senhor Diperma’ Micah levantou e estendeu a mão para o diretor

‘Não agradeça, apenas não justifique seus atos pelos motivos errados. O diretor Ivanovich o aguarda amanhã na escola. Pode ir até o alojamento caso tenha deixado algo para trás e partir hoje mesmo para a Bulgária se preferir. Espero que encontre o que procura por lá, só lamento perder um de meus melhores alunos’

‘Tenho certeza que irei encontrar’

‘Boa sorte, Micah’

Micah agradeceu e fechou a porta do escritório. Olhando pela última vez para os corredores onde alunos passavam apressados para acomodas as bagagens e rever os amigos, ele deixou o prédio da escola. E naquele momento ele desejou nunca mais tornar a vê-lo.

Saturday, September 01, 2007

‘Vovó? Posso entrar?’

Evie girou a maçaneta devagar e entrou no quarto em silêncio. Ela havia chegado da Califórnia há dois dias, e depois de deixar a mala pronta para retornar a Durmstrang, foi fazer uma visita aos avôs. Toda a família já estava de volta das férias na Espanha e Andrei, que também retornaria à escola, organizava seus livros no escritório. Ela o cumprimentou e subiu para ver a avó. Evangeline melhorara muito desde que saiu do hospital, mas sua saúde não podia ser considerada a melhor. E Evie sabia disso.

‘Entre minha querida, estou só descansando’ Ela ouviu a voz fraca, mas feliz, da avó

‘Está tudo bem?’ Ela sentou na cama ao lado da avó e sorriu, tentando não parecer preocupada ‘Vovô disse que não estava se sentindo bem’

‘Andrei é exagerado, só estou com dor de cabeça’ Evangeline sorriu ‘Como foram as férias com Josh? Se divertiram?’

‘Foi legal’ Falou desinteressada ‘Está se sentindo bem mesmo?’

‘Estou. E não quero que se preocupe’ Ela foi taxativa ‘E por que está com essa carinha desanimada? O que aconteceu? Você não veio aqui só perguntar se eu me sinto bem, quer me contar alguma coisa’

Evie esboçou um sorriso fraco e deitou na cama ao lado da avó, deixando que ela mexesse em seu cabelo, começando a relatar todas as três semanas de férias na Califórnia. Ela sempre se sentiu segura em conversar com a avó sobre suas inconstantes dúvidas sobre tudo e todos. Evangeline ouvia a tudo com atenção, sem interromper a neta, e só se pronunciou quando o quarto caiu em silêncio outra vez.

‘Já esperava por isso’ Disse sem conter um riso fraco

‘O que quer dizer com isso, vovó?’

‘Quero dizer que acho você nova demais para se prender a alguém assim’ Ela encarava a neta agora séria ‘Você tinha pouco mais de 12 anos quando começou a namorar esse rapaz, ambos eram muito crianças ainda’

‘Está dizendo que eu cansei dele?’

‘Acho que sim. Você só tem 16 anos, ainda tem tanta coisa pra ver e viver. Não deve se prender desse jeito’

‘Eu não vou terminar com ele porque estou cansada’ Disse parecendo indignada ‘Só nos vemos nas férias, talvez seja isso. E não é sempre que quero ficar sozinha quando estou com ele. Ele só me cansa às vezes, e geralmente é quando está com Max’

‘Não disse para terminar com ele’ Ela agora ria ‘Mas quero que me prometa uma coisa... Não se feche a nada e nem ninguém por causa disso. Você é muito nova, e quero que faça loucuras de vez em quando, saia com outras pessoas, experimente coisas novas, quebre regras. Ao contrário do que seu avô diz, ela não foram feitas para serem seguidas à risca. Era o que eu sempre dizia à sua mãe, mas não sei se ela seguiu todos os meus conselhos. Casei com seu avô muito nova, ele foi meu único namorado. Não estou dizendo que me arrependo, pois tinha certeza dos meus sentimentos por ele. Mas você não tem, e não quero que cometa o mesmo erro de sua mãe. Promete que vai estar aberta a novas possibilidades?’

Evie ficou encarando a avó por um tempo, um pouco chocada. Ela estava mesmo lhe dizendo para agir com menos responsabilidade de vez em quando? Que ser inconseqüente às vezes era bom? E a idéia de não se fechar para outras pessoas não era de todo mal, quem sabe assim ela poderia ter certeza de algo na vida?

‘Prometo’ Disse sorrindo, deitando outra vez ao lado da avó e pegando no sono com ela

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‘Fui nomeada líder do clube de Herbologia e Botânica!’ Vina falou empolgada

O banquete de boas vindas começaria em alguns minutos e todos os alunos já estavam acomodados nas quatro mesas do salão principal. Todos aguardavam ansiosos para saber quem faria o discurso de boas vindas, e enquanto isso tentavam se atualizar sobre as novidades das férias.

‘Vina que demais!’ Evie tinha o mesmo tom empolgado ‘Também fui nomeada líder do clube, mas de Transfiguração! Não sei como isso vai funcionar, mas estou animada! E a professora Ivana também me nomeou monitora das aulas dela’

‘Que legal Evie!’ Milla falou ‘Cinco anos puxando o saco da professora serviram pra alguma coisa!’ Todas riram

‘É verdade, meu esforço não foi em vão’ Disse fingindo estar orgulhosa do trabalho árduo

‘Também recebi um distintivo desses’ Milla tornou a falar puxando o broche do bolso ‘Mas para Trato de Criaturas Mágicas. Ele é lindo, não?’

‘Ele quem?’ Evie perguntou rindo ‘O professor ou o distintivo?’

‘Os dois!’ Respondeu rindo

‘Notaram que tem alguns alunos novos da nossa idade?’ Nina estava alheia às brincadeiras e olhava ao redor curiosa ‘Não são só calouros de 11 anos’

‘Boa noite a todos’ Um homem de cabelos curtos e negros e aparência rígida ficou de pé e elas olharam assustadas. Não haviam notado sua presença. Todos fizeram silêncio, observando-o com atenção ‘Primeiramente, sejam bem vindos para mais um ano em Durmstrang. Agora quero me apresentar’ Ele caminhou para frente da mesa dos professores e encarava os alunos com uma expressão séria ‘Me chamo Igor Ivanovich, e sou o novo diretor da escola, nomeado pelo Ministro da magia búlgaro’ Os alunos começaram a cochichar, mas o homem pigarreou alto e todos se calaram ‘Entendo que vocês passaram dois anos sem alguém que pudesse comandar essa escola de maneira correta, e quero alertá-los que hoje começa uma nova era para o Instituto Durmstrang. Muitas mudanças serão estabelecidas, e uma que já começou a funcionar durante as férias de verão é a de que, a partir de hoje, este Instituto não mais será conhecido como uma escola exclusiva para alunos de sangue puro’ Mais murmúrios se espalharam pelo salão, e dessa fez Igor precisou de mais que um simples pigarro para controlar os alunos ‘Para estudar magia não é preciso vir de uma família tradicional em nossa sociedade. Se a pessoa tiver a magia dentro dela, isso é mais que suficiente. A segunda mudança, que entrará em vigor segunda-feira, é que as aulas de Artes das Trevas estão banidas para sempre’ Mais murmúrios, mas agora em quase sua totalidade de aprovação. Igor deu um leve sorriso com a reação e continuou ‘Sou extremamente intolerante com qualquer tipo de arte das trevas, e a partir de agora tudo relacionado a isso será erradicado deste castelo. As punições para as práticas ilegais serão duras, e poderão levar à expulsão. Em contrapartida à proibição das aulas dessa matéria, vocês agora aprenderão a se defender delas. Por isso, teremos uma matéria nova para vocês, a Defesa Contra as Artes das Trevas, que será lecionada pelo professor Marko Skoblar’ Ele indicou um homem muito jovem no canto da mesa, que se levantou e cumprimentou os alunos discretamente ‘Ele é um auror e foi selecionado pelo Ministro da magia em pessoa. Temos também mudanças para os alunos que freqüentam as aulas de artes. A professora Aurora se aposentou, e as aulas a partir de agora serão comandadas por um grande amigo, o professor Ivo Sanader’ Um segundo homem ficou de pé, mas parecia mais entusiasmado ‘Tenho mais um comunicado a fazer, esse de suma importância, mas acho que pode esperar até o fim do jantar. Bom apetite!’

O novo diretor estalou os dedos e as quatro longas mesas se encheram com o banquete de boas vindas. O silêncio no salão principal foi rapidamente substituído por conversas e garfos batendo nos pratos dos alunos mais famintos. Evie e as amigas tinham muita conversa para pôr em dia, mas decidiram que as novidades das férias poderiam esperar até que já estivessem na república, e todas se ocupavam em devorar a comida preparada pelos elfos. Todas, menos Annia. A garota espetava o garfo na batata e a deixava cair, espetando outra vez. Quando o ritual foi repetido pela 5ª vez, Nina resolveu interromper.

‘Qual o problema, Annia? Está sem fome?’

‘O que?’ Falou como se acabasse de notar a presença das outras ‘Ah sim, comi no trem, não estou com muita fome’

‘Legal esse diretor novo, não?’ Vina falou animada ‘Não teremos mais aquela matéria horrível!’

‘Sim, gostei muito dessa novidade’ Evie respondeu na mesma empolgação ‘E também do professor novo de artes, a Aurora era esquisita’

‘Também aprovei a entrada de alunos mestiços’ Milla falou espetando uma batata ‘Vai abaixar a crista de muita gente aqui. E você Annia, o que achou dele?’

‘Ele quem?’

‘O diretor, dãã’ Milla fez as outras rirem ‘Onde está com a cabeça hoje?’

‘Ah não me amolem!’ Annia cruzou os braços e afundou no banco

Ninguém falou mais nada durante o resto do banquete. O mau humor de Annia foi ignorado pelas amigas e quando as sobremesas começavam a se dissolver na mesa, o diretor tornou a levantar. Todos, mais uma vez, fizeram silêncio e voltaram à atenção a ele.

‘Antes de liberar todos para suas camas quentes e confortáveis, tenho mais um comunicado a fazer’ Ele tornou a se levantar e agora sorria ‘Este ano, o Instituto Durmstrang, juntamente com a Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts e a Academia de Magia Beauxbatons, estará sediando a I Olimpíadas Bruxas Interescolares’ Os alunos se agitaram nas mesas e nem mesmo o pigarro pode conter o entusiasmo. Ele teve que prosseguir com o tom de voz elevado ‘As delegações de Hogwarts e Beauxbatons, junto com as delegações de mais 20 instituições de ensino de magia do resto do mundo, chegarão à nossa escola no dia 27 de Outubro, e os jogos terão início no dia 29. A abertura será no dia 28, aqui em nossa escola, e o encerramento será sediado em Hogwarts, no dia 17 de Novembro. Os professores Ivo Sanader e Viggo Volkov têm posse de uma lista com a relação de todas as modalidades que farão parte dos jogos. Portanto, os alunos interessados em competir deverão procurá-los e fazer a inscrição. Acho que essa será uma excelente maneira de interagirmos com bruxos de diferentes culturas, será muito interessante para todos. Por hoje é só isso. Bem vindos de volta e para cama!’

O homem continuou parado em frente aos alunos, cumprimentando os que passavam por ele e acenavam com a cabeça. Ele olhou na direção onde meninas estavam sentadas e piscou, se distraindo em seguida com um aluno do 7º ano que lhe estendeu a mão.

‘Ele piscou pra gente?’ Milla olhou confusa para as amigas ‘Porque se piscou, foi meio esquisito, não?’

‘Ele não piscou pra gente’ Evie encarou Annia ‘Ele piscou pra ela!’

Annia agora se encontrava quase debaixo da mesa de tão encolhida que estava. As amigas pareciam juntar as peças de um quebra-cabeça obvio, e começavam a rir aos poucos.

‘Annia, o diretor novo é seu pai??’ Vina falou alto o suficiente para atrair a atenção dos que passavam por elas

‘Mas é claro que é, Vina! O nome dela é Anastácia Ivanovich, o homem se chama Igor Ivanovich, e acaba de piscar pra ela!’ Nina falou como se fosse obvio demais para terem demorado tanto a compreender

‘Ou isso, ou ele é tarado’ Evie falou arrancando gargalhadas das amigas

‘Ótimo’ Annia levantou mal humorada da mesa ‘Como se já não fosse ruim o suficiente ter meu pai na escola 24h por dia, agora são vocês me amolando’

‘Não se preocupe Annia, não vamos perturbar você’ Milla falou rindo ‘Talvez só um pouquinho, bonitinha do papai que ganhou uma piscadinha’ Milla apertou as bochechas da amiga e todas riram.

Annia se desvencilhou das mãos dela e desapareceu pelo meio dos alunos que deixavam o salão principal, deixando as amigas na mesa sem conseguir parar de rir. O ano prometia ser diferente.

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FIM DAS FÉRIAS DE VERÃO! Acabou a moleza, vamos estudar! =)

Sunday, July 01, 2007

Ficamos pela escola por um bom tempo tentando digerir a noticia da morte da tia do Chris, e aí começamos a prestar atenção aos alunos que o diretor Klasnic ia se aproximando para chamar para conversar na sua sala. Percebi quando ele chamou Riven e ele voltou sério, passando por nós como se fossemos invisíveis. Não demorou muito e Iago saiu correndo do castelo e o acompanhou para fora. Como os exames haviam terminado, olhei para minhas amigas e disse:
- Eu vou atrás deles, quero saber o que esta havendo. Nos vemos na república.
Corri o mais rápido que pude e fui alcançá-los quase na porta da Chronos.
- Ei Iago, você nem falou comigo depois das provas, o que foi que aconteceu?
- Desculpa Lud, mas preciso ajudar o Riven a juntar as coisas dele para ele ir embora. – olhei para Riven e ele não escondia as lágrimas que caíam e disse:
- Meu tio foi morto Milla. Estão vindo me buscar, preciso arrumar minhas coisas, o mais rápido que puder.
- Oh, Riven sinto muito. Eu vou ajudar vocês.
Entramos e o ajudamos a juntar os livros, roupas e tudo que ele havia usado na escola. Embalei com cuidado o kit de poções que ele usava e quando ele estava pronto, começamos a andar de volta para a escola. Ao chegar a frente aos portões um homem de cabelos negros e olhos cinzentos o esperava. Depois que ele abraçou ao pai, ele nos apresentou:
- Pai, este são meus amigos: Ludmilla Kovac e Iago Karkaroff. Este é meu pai, Dylan McGregor. – o homem nos acenou com a cabeça e disse rouco:
- É uma pena conhece-los numa situação destas. Espero que nos visitem assim que for possível.
Nos despedimos e ficamos encarando por um tempo, o local até onde eles andaram e usaram uma chave de portal.
- Iago porque você não foi com ele? O Max e a Evie foram com o Chris, eles voltarão depois do funeral.
- Eu não poderia ir, Lud. Por mais que eu quisesse.
- Como não? Ele é seu amigo precisa de apoio numa hora destas e...
- Eu sei disso, mas o que ele menos precisa é que o filho de um comensal da morte, seja apresentado á família neste momento. Sabia que ser auror na família dele é tradição? E que vão estar lá pelo menos uns dez deles, entre familiares e amigos? E que o tio dele que morreu, fez parte do grupo que prendeu meu pai? Foi um dos que participaram do interrogatório.
- Você tinha raiva do tio dele? – perguntei e me arrependi no ato ao ver a expressão dele.
- Não, não podia ter raiva dele. Sabe, minha mãe me contou que ela foi interrogada com Veritasserum para saberem se ela era comensal ou não. E o tio do Riven foi dos poucos que não a tratou como lixo, durante o julgamento do meu pai. Sinto muito pelo Riven e pela família dele, e mais ainda porque não posso estar ao lado do meu amigo para ajudar. – e lágrimas correram por seu rosto como se ele precisasse desabafar.
- Ele sabe que pode contar com você Iago. Ele sabe...
Abracei-o apertado e ficamos assim por um tempo. Tudo que eu queria era que a aberração chamada Lord das Trevas desaparecesse e deixasse o nosso mundo em paz.

I'm going home back to the place where I belong
where your love has always been enough for me
I'm not running from you know I think you got me all wrong
I don't regret this life I chose for me
But these places and these faces are getting old
So I'm going home

O trem que nos levava para casa ia parando de estação em estação e estávamos jogando cartas, para nos distrair, quando sentimos uma freada brusca e o baralho foi ao chão.
- Opa, isso não vale. Eu ia bater, pela décima vez. – resmungou Nina.
- Estamos em Pleven, não paramos aqui da outra vez... - disse Ricard
- O que será que houve?- perguntou Evie e Iago disse:
- Vou até o maquinista ver o que aconteceu.
- Eu vou junto. – disse Ricard, e quando abriram as portas da cabine, uma lamparina se quebrou rente á cabeça deles, e ouvimos gritos assustados:
- São comensais e estão atacando o trem. Protejam-se!
- Fiquem aqui. - disse Iago e saiu de varinha em punho seguido por Ricard e Vitor. Ouvi o barulho da porta de outras cabines se abrindo, e gritos de medo. Olhei para minhas amigas e me levantei para ir atrás deles.
- Você não ouviu Milla? Ele mandou ficar aqui. - disse Evie assustada, abraçada a Vina.
- Ouvi, mas se estão atacando o trem esta cabine não vai estar segura por muito tempo. – respondi e saí indo atrás deles.
Vi quando Luka saiu da outra cabine, e foi seguido por Max e outros garotos, com suas varinhas em punho. Saquei a minha e ao olhar para trás vi as meninas se aproximando e fomos seguindo o barulho do que parecia um combate. Alguns mascarados duelavam com pessoas na plataforma e vi os garotos saltando do trem para ajudar.
- Oh vejam, o Vlad está lutando contra eles. – disse Vina e reconhecemos seu irmão que era auror. E havia outros que eram como ele tentando defender a plataforma e impedir que os mascarados tomassem o trem.
Me protegi numa janela e comecei a mirar a lançar feitiços para desarmar. Isso aumentaria a vantagem do nosso lado. Os outros alunos começaram a fazer o mesmo, e isso pareceu equilibrar as coisas. De repente vi quando um mascarado que parecia ser o líder, apontou a varinha para um homem que estava caído e sangrando no chão, e antes que eu fizesse alguma coisa, Iago e Luka apontaram suas varinhas ao mesmo tempo:
- Avada Kedrava. – e o mascarado caiu ao chão desacordado. Os outros ao perceberem a perda de seu líder e que os alunos não hesitavam em usar maldiçoes imperdoáveis começaram a desaparatar em fuga.
Os alunos de dentro do trem começaram a bater palmas para comemorar a nossa vitória e nos juntamos a eles. Vlad, irmão de Vina, pediu que entrássemos no trem e outros aurores entraram com ele. Iriam ser nossa escolta até a última parada do trem em Sofia. Quando Iago entrou, eu o abracei com força e ele resmungou:
- Mandei ficar na cabine.
- Gostamos de quebrar regras. - pisquei marota e ele riu. Por cima de seu ombro vi Luka com os olhos apertados nos encarando e quando viu que eu o olhava ele desviou os olhos.
Pelo resto da viagem ficamos ouvindo os meninos narrando os combates e em alguns casos até aumentavam a sua participação na luta, mas ninguém se importou. Estávamos salvos.
Quem tentou levar o terror até os alunos de Durmstrang, descobriu que seríamos osso duro de roer.

Musica: Home, Chris Daughtry

Um aviso a quem acompanha as historias de Milla, Evie, Lavinia, Nina e seus amigos de Durmstrang. Estamos entrando em férias no blog, e voltaremos em Setembro. Porque isso? Porque como todo fã de Harry Potter, estamos em contagem regressiva para a estréia do filme e do livro 7, então nossas mentes estarão ocupadas por um tempo sofrendo com as decisões importantes que J.K.Rowling tomou ok?
Mas as meninas vão contar suas aventuras nas férias em seus blogs pessoais para matar as saudades.
Até breve!

Thursday, June 28, 2007

‘Não estou muito confiante que tenha conseguido um “O” em Poções...’

Um Chris desanimado se juntou ao grupo que já estava espalhado no pátio da escola. O ultimo exame dos N.O.M.s acabara de terminar e a turma do 5º ano começava a sentir o clima de liberdade no ar. Foram cinco longos e exaustivos dias de provas teóricas e práticas com examinadores velhos e rigorosos, e agora eles faziam uma avaliação de seus desempenhos.

‘Todo ano ele fala a mesma coisa, ai chega o relatório e estão lá estampadas as melhores notas da turma!’ Max riu bagunçando o cabelo do amigo

‘Não, mas é sério dessa vez!’ Chris era o único que não ria ‘O exame estava muito difícil, fiquei nervoso na parte prática, o examinador ficava cheirando minha poção e fazendo careta!’

‘Bom, mesmo que você não consiga um “O”, se conseguir um “EE” o professor Klasnic vai deixar você continuar com as aulas’ Evie tentou acalmar o amigo ‘Você faz parte do clube de poções avançadas e tem chances de ser indicado pelo professor para participar do “Caldeirão de Ouro Júnior”, não precisa se descabelar, ele nunca deixaria um aluno como você ficar de fora das aulas’

‘É Chris, relaxa’ Milla desenrolava e enrolava de volta o cachecol, indecisa entre o frio e o calor ‘Ninguém foi tão mal quanto eu em Alquimia, se tiver tirado um D, vou ficar feliz!’

‘Somos duas então!’ Nina falou rindo ‘Mas Alquimia é opcional, podemos desistir ano que vem’

‘Sem duvida fui mal também, mas se a professora Kollontai não me expulsar das aulas pela nota lamentável, não vou desistir’ Evie cruzou os braços revoltada ‘Acho um absurdo não conseguir transmutar nem uma pedrinha minúscula depois de 5 anos, vou aprender isso nem que seja a ultima coisa que eu faça!’

‘Alquimia é tão fácil, não sei porque vocês não conseguem fazer os exercícios bobos que a professora pede’ todos olharam feio para Annia e ela riu alto ‘Não adianta me olharem assim, é verdade!’

‘Eu fui o único que não lembrei o nome dos filósofos bruxos e inventei nomes ou mais alguém também se saiu mal em Literatura Mágica?’ Luka falou rindo e quase todos levantaram as mãos ‘É, bom, isso conforta um pouco... Mas a professora Mira é tão linda, espero que seja piedosa também e me deixe continuar com as aulas’

‘Argh, e Arte das Trevas?’ Vina bufou alto arrancando o cachecol do pescoço ‘Não sei como ainda temos essa matéria, é um absurdo ser avaliado em um N.O.M. e esperar ter se saído bem em como torturar e matar uma pessoa inocente! Espero sinceramente que seja reprovada nisso, e assim possa ser liberada das aulas no próximo ano’

‘Eu até que gosto das aulas’ todos olharam espantados para Max ‘Calma, não disse que acho legal sair por aí usando o que aprendemos, só acho que é bom, porque sabemos as armas do inimigo. Ou vai dizer que preferiam não ter qualquer noção do tipo de coisa que esses comensais fazem às pessoas?’

Ninguém respondeu de imediato, mas a troca de olhares deixava claro que todos concordavam com Max. Milla mudou o assunto lembrando do exame de Transfiguração, quando o grupo foi interrompido pela chegada do vice-diretor. Ivan Klasnic parou ao lado da roda e Shane, primo de Chris do 4º ano, estava ao seu lado.

‘Sr. O’Shea, pode me acompanhar, por favor’ disse sério, algo que não era comum

‘O que aconteceu?’ Chris congelou ao ver que o primo acompanhava o diretor, como se já esperasse ser chamado por ele

‘Por favor, acompanhe-me até meu escritório, preciso falar em particular com o senhor e o Sr. Foutley’

Chris olhou para Evie e Max antes de levantar e seguiu o diretor pelo corredor que levava até sua sala. Ninguém no grupo pareceu perceber que algo de errado estava acontecendo e o assunto sobre os exames continuou, mas Evie não participou mais da conversa. Ela sabia exatamente o que tanto afligia o amigo, e a idéia de que talvez as preocupações de Chris se concretizassem lhe causos calafrios.

A conversa entre o diretor e os dois primos durou cerca de 10 minutos, e logo Chris estava de volta ao pátio. Evie viu quando Shane atravessou o gramado apressado, e notou que ele tinha lágrimas no rosto. Max também notara isso, e encarou a irmã preocupado quando Chris parou em frente a eles com os olhos inchados que denunciavam que ele estivera chorando.

‘Está tudo bem, Chris?’ A pergunta era idiota, mas ainda assim inevitável

‘Minha madrinha, ela-’ ele engasgou sem conseguir terminar a frase, mas não era necessário

‘Como foi isso?’ Max ficou de pé e parou ao lado do amigo, apertando seu ombro

‘Um ataque em Hogwarts’ as palavras pareciam doer ao saírem, mas Chris continuou ‘Ela estava tirando Harry Potter do castelo quando um dos comensais lançou o avada kedavra nele’ Chris fez uma pausa, como se dizer aquilo fosse a coisa mais difícil que ele já fizera ‘Ela se atirou na frente para receber o feitiço e salvar sua vida’

‘Chris, eu sinto muito’ Evie estava de pé também e o abraçou. Chris não tentou mais reter as lágrimas e permitiu que elas caíssem

‘Meu pai está vindo nos buscar, vamos para casa hoje mesmo, o enterro é amanhã’

‘Evie e eu vamos com você’ Max falou decidido e teve o apoio da irmã

‘Não vamos deixar você sozinho, vamos ficar ao seu lado amanhã’ Evie sorriu de leve para o amigo e ele retribuiu ‘Megan sempre foi gentil conosco’

‘Obrigado, vou precisar de vocês dois lá’

‘Chris, se você precisar de alguma coisa, a gente vai estar aqui’ Milla o abraçou também, os olhos marejados

‘Fica bem, ok?’ Vina tentava segurar as lágrimas quando o abraçou

Chris se despediu dos amigos e caminhou até sua república para começar a juntar as coisas para voltar para casa. Seu pai, Kegan, já aguardava nos portões da escola com Shane quando ele chegou ao lado de Evie e Max. Seus amigos voltariam depois do enterro, mas ele ficaria em casa e só voltaria a ver o castelo em Setembro.

Tuesday, June 12, 2007

Iago e eu caminhamos até a sorveteria e ao contrário do que imaginávamos ela estava cheia. Mas logo conseguimos uma mesa e ficamos tomando sorvete com calda quente, rindo e conversando.
- Ah, mas eu não levo muito jeito pra Herbologia, nunca fui muito ligado a plantas. Mas gosto de frutas. - dizia Iago enquanto roubava as cerejas que havia em meu sorvete.
Notamos quando Luka entrou na sorveteria e vinha acompanhado de Nadja Zolkoff, uma morena alta da Ansuz, que fazia parte do grupo da Geórgia, as tais garotas populares. Notei que Iago ficou rígido ao meu lado e tornei a olhar para os dois. Ela cochichou algo no ouvido de Luka e ele assentiu enquanto vinham em nossa direção.
- Oi Karkaroff, Kovac. Podemos sentar com vocês? Está tão cheio e a mesa de vocês é ótima. - ele perguntou.
- Claro, temos lugares sobrando. – respondi após olhar para Iago.
Começamos a conversar sobre coisas comuns, até que os garotos começaram a falar do assunto que os alimenta: Quadribol, até que em determinada hora ela disse:
- Não consigo entender como vocês gostam tanto de quadribol. É tão violento e tão sujo não é Milla?
- Também acho, mas sabe que passei a apreciar os jogos? Alguns jogadores são muito bons em campo. - e coloquei a mão sobre a de Iago que a pegou sorrindo.
- Milla costuma jogar conosco nas férias por brincadeira. Por sorte o irmão dela joga muito bem, e ela só fica voando de um lado a outro, apreciando a paisagem. – provocou Luka.
- Não seja mentiroso Luka. Não tenho a obrigação de ser uma boa jogadora, afinal eu não sonho com a carreira no quadribol. - respondi.
- Claro que uma garota não deve nem pensar em jogar quadribol, ficariam masculinizadas. - disse Nadja.
-Além de que algumas não teriam cérebro para tanto. - disse Luka e o excesso de chauvinismo estava me irritando.
- Mas algumas jogam muito bem e fazem parte das seleções de seus países, vejam a Moran, da seleção da Irlanda. Ela é bem bonita e muito inteligente. - comentou Iago e Luka concordou, dizendo ter lido a última entrevista dela na Só Quadribol.
- Ah é? Você acha a Moran bonita jogando quadribol? Talvez eu deva jogar também. - provoquei e ele e Luka começaram a rir com gosto ao gritinho horrorizado de Nadja.
- Claro que isso seria um delírio né? Você não faria uma coisa idiota destas. Seria massacrada no primeiro jogo. E imagina o que falariam de você. Nem pensar! - disse Nadja.
- E você é pequena demais, o vento te levaria embora. – disse Luka e Iago riu junto com ele.
- Porque seria uma catástrofe? Já pensaram que talvez a violência nos jogos diminua se as garotas começarem a entrar em campo? Podemos ser tão boas quanto os rapazes.
- Isso não vai acontecer, Milla. Nunca uma garota conseguirá jogar aqui, sem correr riscos. E imagina termos que separar os vestiários, porque não haveria lugar pros bobs e cremes delas rsrsrs. – disse Luka.
-E se quebrarem uma unha? Olha o desastre mundial: jogo em dia de chuva. – completou Iago e ele e Luka começaram a gargalhar com gosto e Nadja ria com uma cara tonta junto com eles e disse entre uma risadinha e outra:
- Sabe que sinto falta deste seu bom humor Iago? Fomos tão felizes juntos. Oops! Escapou. - ela disse pondo a mão na boca quando viu que eu parei de rir. Olhei para Iago e ele estava calado, e Luka tinha um brilho divertido no olhar. Parecia que ele queria ver o circo pegar fogo.
Respirei fundo e olhei para Nadja e sorri dizendo:
- Iago é sempre muito engraçado mesmo. Sabe, o papo está ótimo, mas eu preciso ir embora, ainda tenho alguns pergaminhos para escrever. Tchau. – Iago rapidamente pôs o dinheiro na mesa e se despediu deles, vindo atrás de mim. Tentou por a mão em meu ombro, mas ao ver o olhar feio que lancei para ele, ele recolheu a mão. Andamos por um tempo, e de repente me virei zangada:
- Quer dizer que uma garota não pode jogar quadribol porque iria quebrar as unhas e o mundo sairia do eixo?
- Ou então vocês escorregariam nos cremes delas? ¬¬.
- Ah não, nós ficaríamos lendo a revista de fofocas, enquanto os machões suam jogando de verdade no campo.
- Lud, você ficou braba por isso? Sabe que é zoeira. - e começou a rir, mas parou, quando viu que eu não ria.
- Sim, eu percebi que a testosterona ali estava nas alturas. Tudo muito engraçado. E sua ex estava saudosa, só faltou dizer de cima dos 2 metros de altura dela:
"Iago larga esta anã e volta pra mim". Tá arrependido de estar comigo? Se quiser pode voltar lá. – disse irritada.
- Não vou voltar para lá, porque você está aqui. Você ficou com ciúmes dela? – ele perguntou incerto.
- Ciúmes eu? Qual é... Imagina se vou ter ciúmes daquilo. Só acho que você estava muito empolgado zombando das mulheres, nós podemos ser tão boas quantos vocês nos esportes.
- Sim, algumas podem ser mesmo. Mas não consigo imaginar você jogando quadribol, Lud.
- Porque posso confundir os aros com um espelho? É... Eles têm a forma parecida mesmo. ¬¬
- Não é por isso Lud, você não é assim. É que você é... (aposto que ele ia dizer baixinha, mas pensou melhor) - Leve e aqui nós jogamos duro, podemos nos machucar sério. Já levou um balaço na cara? Não! Já deslocou um ombro e teve que continuar jogando? Não, e nem queira, aquilo dói muito. É melhor você ficar na torcida, é mais seguro.
-Algumas vezes o "mais seguro", é o que machuca mais sabia? – comecei a andar e percebi que ele vinha atrás, levantei a mão fazendo um sinal e ele entendeu que eu queria ficar sozinha. Antes de ir, ele ainda disse:
- Você é que é importante para mim, Lud.
Percebi que por mais argumentos que usasse Iago iria ter a mesma opinião, talvez se ele tivesse uma prova de que as mulheres podem jogar igual, ou melhor que um garoto e ele perceba que este tipo de preconceito é ridículo. O pior era que Luka, que às vezes se mostrava tão moderno, pois Irina era tratadora de dragões, pensava igual. Talvez um dia eu possa mostrar a eles que posso ser tão boa quanto um menino num jogo.
Além de precisar engolir o fato de Nadja se mostrar arrependida por terminar o namoro com Iago, me deixou abalada.

Thursday, June 07, 2007

As últimas semanas estavam sendo difíceis para todos com a aproximação das provas e a frente fria, que parecia não querer sair nunca mais da Bulgária, não ajudava a aumentar a disposição dos alunos. No dia mais quente da semana, a temperatura máxima havia sido 3 graus.

- Não sei como você consegue lidar com tudo isso ao mesmo tempo, Nina. Eu mal terminei os três rolos de pergaminho de poções...- resmungou Milla, enquanto tentava puxar os livros sem acordar Vina, que havia dormido sobre eles.
- E quem disse que eu terminei? Estava terminando de escrever um artigo para o Clube – disse Nina, com um sorriso satisfeito no rosto, jogando um pergaminho de lado – Ahá! Terminei transfiguração! Agora só mais 1 pergaminho de poções e estou livre.

Todas as garotas da República pareciam estar concentradas em seus trabalhos. Até Vina, que estava usando uma pilha de livros de adivinhação como travesseiro, acordou assustada e estava hipnotizada encarando um texto de herbologia...de cabeça para baixo. A única que parecia estar absorta em seu próprio mundo onde as provas eram uma realidade distante, era Evie.

- Evangeline, tem um trasgo montanhês atrás de você – gritou Milla, tentando arrancar uma reação da menina, que meramente disparou um raio de luz vermelha por cima da poltrona. – É assim que ela pretendia se livrar de um trasgo montanhês?
- Acho que ela está assim por causa das eleições ainda. A legalmente loira não parece estar com vontade de deixar que a gente esqueça de que ela foi a vencedora. O que você acha, Vina? – perguntou Nina para a amiga que continuava encarando o pergaminho de herbologia.
- Vina? Vina?? – Milla sacudiu as mãos freneticamente na frente do rosto da amiga, que nem sequer piscou – Ou ela está realmente concentrada ou dormiu de olhos abertos. Eu voto pela segunda opção!
- Voto? SERÁ QUE VOCÊS NÃO SABEM FALAR DE OUTRA COISA?!!! – explodiu Evie, saindo da poltrona e batendo a porta do quarto.
- Ok...o que foi aquilo?! – murmurou Milla, ainda assustada com a reação da amiga – Eu acho que as eleições não são o problema, mas aquela carta que o Josh mandou...ela ficou realmente aborrecida. E também o fato de estar um pouco atrasada na matéria por causa da suspensão. Nada colabora! Devemos conversar com ela?
- A não ser que você queira que ela te mostre como realmente atacaria um trasgo, eu diria que não! – riu Nina, fechando o livro de poções e guardando o pergaminho dentro – Terminei! Quer tomar sorvete?
- Uhnn...eu ainda tenho que terminar herbologia e poções e deve estar uns 2 graus lá fora...claro que eu quero tomar sorvete! Quer ir, Vina? – disse, cutucando o braço da amiga, sem obter nenhuma resposta. – Novas opções: ou ela está dormindo de olhos abertos ou morreu!
- Com a quantidade de remédios que ela toma? Impossível! O sistema imunológico dela deve ser imune até ao Avada Kedavra. E a Evie?
- Se você quiser bater na porta do quarto, fique à vontade... – brincou Milla

Os arredores da cidade pareciam estar completamente desertos e Nina se sentiu extremamente relapsa por estar indo tomar sorvete enquanto os outros estudavam.

- Ah, claro, você realmente acha que eles estão estudando?? Todos devem estar perto da lareira tomando uísque de fogo, você já notou o frio que está fazendo? – disse Milla, apertando o cachecol em torno do pescoço quando o filho de Karkaroff apareceu correndo.
- Hey, Lud! Olá, Olenova. – cumprimentou o menino, ruborizando, aparentemente porque havia corrido demais – Estava...passando por aqui quando vi vocês duas e resolvi dar um olá!
- Sei...passando...aposto que você estava dentro da República quando notou que nós passamos pela janela! – disse Milla, abraçando o menino que corou mais ainda. – Quer tomar sorvete?
- Hey, eu não vou ficar no meio dos dois! Pode ir com o Karkaroff, Milla, eu vou tomar meu sorvete! – respondeu Nina, empurrando a menina na direção de Iago.
- Você não se importa, Nina?
- Claro que não! Daqui a pouco eu já vou voltar para a República para tentar acordar a Vina ou acalmar a Evie.
- Boa sorte, então!! – riu Milla, andando com Iago para a direção oposta.

Nina fechou o casaco com força e se enrolou no cachecol, já duvidando que tomar sorvete havia sido uma boa idéia. Pensou em voltar para a República e terminar de estudar com Liz, mas lembrou que a garota havia saído com os amigos da Mannaz. Os trigêmeos, cada um a sua maneira, pareciam estar se adaptando muito bem a Durmstrang. Izzie já era uma das garotas mais populares, em poucas semanas. Michael, apesar de não desgrudar de Nina, parecia radiante e estava tirando notas ótimas, sendo um dos favoritos dos professores. E Chris...bom, Chris exercia um fascínio estranho sobre as garotas. Seu jeito anti-social e mal humorado fazia com que grupos de patricinhas se amontoassem e começassem com risadinhas histéricas toda vez que ele passava pelo corredor. Ao mesmo tempo em que ele parecia achar tudo aquilo extremamente entediante, estava se divertindo bastante com a situação, já que fazia questão de bagunçar os cabelos displicentemente toda vez que encontrava uma delas.

- Ninys!! – um ponto colorido parecia vir correndo na direção de Nina, despertando a menina de seus devaneios.
- Ah...oi, Michael. – Nina tentou parecer alegre com o sinal do amigo, mas realmente não estava com vontade de conversar com Mike – Como você está?
- Òtimo...bem melhor agora, aliás! – disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Tudo no garoto parecia aborrecer Nina. Sua dependência extrema, seu jeito saltitante, suas roupas arrumadinhas e cabelo metodicamente separado e fixado com gel. No entanto, não entendia porque se sentia tão incomodada, já que ele era absolutamente doce e considerado o amigo perfeito por 104% das pessoas de Durmstrang.

- Onde você está indo? – perguntou o menino, segurando a mão de Nina, como sempre insistia em fazer toda vez que a encontrava.
- Er... – enquanto tentava soltar os dedos gelados da mão de Michael, pensava no lugar mais chato que viesse a sua mente – fazer bonecos de neve! Hehe...está frio, né? É realmente uma péssima idéia!
- Claro que não! Eu adoro bonecos de neve! Quer que eu arrume uma cenoura para usar como nariz? Eu posso ir lá na República e volto rapidinh...
- Não!! Mudei de idéia...eu nem trouxe luvas...
- Eu te empresto as minhas! – disse o menino, arrancando as luvas da mão.
- Por Merlin, não! Obrigada, obrigada, mas eu não quero as suas luvas...está muito frio aqui fora, eu vou voltar para a República.
- Eu te acompanho, então. Uma menina não deve andar sozinha pelos arredores da cidade. – disse Michael, procurando os dedos da garota novamente, enquanto ela fazia questão de esconder a mão no bolso do casaco.
- E o que você vai fazer se o monstro do lago pular na nossa frente? Gritar mais alto? –retrucou Nina, rispidamente.

Antes que Michael pudesse ter tempo para responder, outro ponto colorido aparecia correndo em direção aos dois. Michael preparou sua varinha inutilmente, enquanto Nina balançava a cabeça tentando conter um muxoxo de desaprovação. Chris Parker vinha com uma coruja marrom no ombro, segurando duas cartas. Assim que o menino foi chegando mais perto, Nina teve o irresistível impulso de segurar a mão de Michael, embora não tenha parado para pensar o porquê.

- Michael. Olenova. – disse ele, sorrindo levemente e estendendo as mãos, cada uma com uma carta.
- Ei, Parker. – respondeu Nina, tentando parecer completamente indiferente e esmagando os dedos de Mike. – O que é isso?
- Se eu te contasse, você confirmaria que eu leio a sua correspondência.
- Ela está lacrada, você não poderia ter lido... – Nina parou quando encontrou o sorriso divertido de Chris ao ver o dilema da menina – Idiota. Você e Liz também receberam uma igual, certo?
- Como adivinhou, prodígio? – perguntou Chris, sem encarar Michael que parecia irritado com a situação, embora ainda apertasse a mão de Nina.
- Os remetentes são os mesmos e a sua está caindo do seu bolso – respondeu Nina, sorrindo e rasgando a carta para ler. – O QUÊ?! Nossos pais voltaram a trabalhar??? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!!
- Não é? Essa foi a minha reação! Quero dizer...eles estão um pouco velhos para vestir a capa e sair a procura dos infratores...
- ISSO É UM ABSURDO!! LOGO AGORA QUE ESTÃO DIZENDO QUE VOLDEMORT VOLTOU?! – Nina ainda não tinha parado de gritar. Michael arregalou os olhos, enquanto ainda lia a carta e Chris segurava o riso. – E não deram explicação nenhuma??? “Voltei ao trabalho” e PONTO FINAL?!
- Eu também achei isso muito estranho...eles foram convocados por alguma razão e não explicaram...
- É estranho mesmo, mas confio no meu pai e ele deve ter tomado a decisão certa – interrompeu Michael, dando um fim ao debate. – Você não ia voltar para a República? Vamos?
- Claro...vamos sim.
- Tchau, Olenova. – Chris gritou de longe, acenando, ainda com um tom de indiferença, mas com um olhar mais amistoso do que o normal.
- Ahh...até mais, Parker. – respondeu a menina, ainda sem conseguir fechar a boca devido à surpresa. Seu pai havia prometido que não voltaria a trabalhar de jeito nenhum. Aliás, sua mãe já havia dito que se ele ousasse sair da aposentadoria, pediria divórcio. O que tinha mudado? Enquanto andava de volta para a República, largou a mão de Michael, sem nem ao menos lembrar o que ela estava fazendo ali antes.

Saturday, June 02, 2007

One minute forever
A sinner regreting
My vulgar misery ends
(And I) ride the winds of a brand new day
High where mountain's stand
Found my hope and pride again
Rebirth of a man
Time to fly...

(música: Rebirth – Angra)

Maio/1998

Lua nova...
Tudo estava escuro, mas era uma noite de Iniciação e ele teria que ir até as masmorras. Nos últimos tempos ele estava odiando ter que ir até lá, chegava ao ponto de às vezes não conseguir se olhar no espelho. Mas reprimiu sua rebeldia, e foi em frente.
Olhou para os novatos. Sentiu um pouco de pena pelo estado de embriaguez em que eles se encontravam, mas fazer o que? Tudo fazia parte da Iniciação, de repente Arthur falou:
- Obrigado Breunor' Artur parou diante dos calouros e abriu a urna que Breunor trouxera 'É chegada à hora do desafio final. Somente cinco de vocês poderão entrar para a Irmandade, e quem determinará isso serão vocês mesmos' os meninos se entreolharam curiosos e Artur deixou escapar uma risada rouca 'Cador irá separar vocês em duplas e duelarão pela vaga. Os cinco que se mantiverem de pé serão merecedores de se tornarem Reis e Sombras'. Arthur afastou-se e os meninos puderam ver espadas dentro da urna. Todas brilhavam muito e aparentavam ser pesadas.
Arthur notou sua falta de entusiasmo e perguntou:
- Qual o problema Ivain?
- Eles estão muito bêbados. Podem se machucar seriamente.
- Mas aí está a graça da coisa: Sangue! - respondeu Accolon e os outros riram, Arthur continuou:
- Cada um de vocês irá duelar por seu lugar em nosso mundo. Os vencedores farão parte da Irmandade, e os perdedores... Bem, ser chamado de perdedor já diz tudo. Que comecem os duelos.
Cador empurrou os calouros para que ficassem de pé e os dividiu em cinco duplas, ordenando que cada um apanhasse uma espada. O barulho de um tiro ecoou pela sala e logo o lugar se encheu com o som das espadas se chocando uma com as outras.
Não demorou muito e o cheiro acre de sangue começou a impregnar o ar. Ao final havia cinco vitoriosos, eram os que exibiam menos cortes e se mantinham de pé, já os cinco perdedores sangravam bastante.
- Ivain quero que leve estes garotos e os largue na praça. São indignos de estar em nossa presença. Quero que lidere isso pessoalmente, como seu pai fazia no passado. - ele sentiu uma raiva surda. Ele odiava lembrar que o pai havia cruzado aquelas masmorras antes dele.
- Não farei isso. Vou levá-los ao médico, estão muito machucados. Não achei que fosse deixar eles quase se matarem, Arthur. - ele respondeu revoltado enquanto abaixava para levantar um dos feridos. Olhou em volta e alguns exibiam o mesmo ar de preocupação que ele, mas estavam parados.
- Você ousa não cumprir uma ordem minha? Seu pai não agiria assim. - Arthur disse ríspido.
- Eu não sou o meu pai. Não apóio machucar alguém apenas por prazer. Eles ainda são garotos.
- Foi escolha deles, entrar pra a Irmandade, e isto requer sacrifícios. Ou você não se lembra como foram os seus? Vejo que você está mudando suas prioridades...
- Lembro muito bem, e começo a achar que meus sacrifícios não valeram à pena. Minhas prioridades dizem respeito apenas a mim. - e todos o olharam com espanto.
Ninguém nunca havia enfrentado o seu líder antes.
- Está arrependido Ivain?- o líder perguntou venenoso.
- Sim, estou.
- E o que vai fazer a respeito?- provocou Arthur.
- Cansei-me das ordens insanas, das crueldades gratuitas, de tudo... Eu estou saindo da Irmandade.
- Ninguém abandona a Irmandade. Não se quer se manter vivo. – ameaçou Accolon.
- Posso e vou. – ele respondeu e colocou a mão em sua varinha, disposto a tudo.
- Calma senhores. Para que você deixe a Irmandade há um preço, está disposto a pagá-lo?- perguntou o líder.
- Qual é o preço?- e sentiu seu estomago dar um salto.
- Haverá um duelo, igual ao dos trouxas. E se você vencer partirá. Viraremos as costas a você, e não conte conosco para nada. Agora se você perder... Permanecerá conosco e será regiamente castigado. Ah, meu jovem, você verá que as dores destes infelizes, não serão nada comparadas às suas. Quem quer enfrentar o desertor?
- Eu! Sempre soube que você não compartilhava de nossos ideais. - disse Galahad entre dentes.
- Não quando eles perderam o rumo Galahad. - respondeu.
O duelo seria com pistolas. Ficariam de costas um para o outro, contariam 10 passos virariam e disparariam. O primeiro a sangrar perderia.
Tudo foi feito como mandado, na hora dos tiros, o que se chamava Galahad recebeu um tiro de raspão no braço e Ivain foi ágil ou sortudo o bastante para apenas ouvir a bala passar zunindo pela sua orelha esquerda.
Soltou o ar preso nos pulmões: Ele havia vencido.
Estava livre para partir.
O líder virou-lhe as costas e riscou seu nome do livro de membros.
- Você deixou de existir para nós Ivain, Cavaleiro do Leão. – sentenciou o líder e ele acenou afirmativamente com a cabeça. Enquanto ele ajudava um dos meninos machucados a se levantar, olhou em volta e viu Galahad ser atendido por Boors. Tudo ficaria bem.

Caminhava devagar, pois os garotos não tinham muita força para andar e ainda estavam sob os efeitos do álcool. Não sabia quanto tempo havia passado, quando escutou passos as suas costas e se preparou para duelar com a varinha. Viu quando Galahad e Gauvain se aproximaram e o ajudaram com os garotos, sem falar nada. Caminharam silenciosos até a sua república e ele colocou os garotos lá dentro, virou-se para agradecer aos dois que ele considerava como amigos, mas eles o olharam friamente, dava para sentir o desprezo que sentiam por ele. Sentiu-se um pouco chateado, mas a sensação de liberdade logo o confortou.
Gemidos de dor o lembraram que havia muito a fazer, antes que a noite terminasse. Ouviu passos na escada e viu que teria ajuda para cuidar dos rejeitados.
- O que você fez Ivain?- perguntou um jovem.
- Não sou mais bem vindo entre eles, Kay.
- Não me chame assim, não fui digno de manter o nome de meu pai. – respondeu o jovem e após olhar para os garotos disse:
- Pelo menos eles vão ficar vivos. Devíamos ter formado nossa própria irmandade.
- Já a temos. Sempre o vi como meu irmão, Kay. – eles trocaram um sorriso e começam a fazer os curativos nos feridos. Infelizmente alguns deles, levariam as cicatrizes daquela noite pelo resto da vida.

Monday, May 28, 2007

Maio de 1998

Todos os alunos do Instituto Durmstrang dormiam um sono pesado em suas republicas e o único movimento fora delas era o de tochas acesas, caminhando em fila da direção do castelo. Mais de 40 figuras encapuzadas com longos mantos negros e máscaras brancas andavam enfileirados com suas tochas erguidas, e fechando o cortejo, 10 figuras menores com as cabeças cobertas por um manto, vinham escoltadas. Eram os novatos. Nenhum deles poderia saber a localização do santuário sagrados dos Reis & Sombras até que fossem reconhecidos como cavaleiros.

‘Agravain, tire o capuz dos calouros’ a voz de Artur, o líder, ecoou no lugar e o menino de cabelos enrolados fechou os olhos quando a claridade, mesmo que fraca, bateu em seu rosto.

Ele não sabia onde estava, mas sem duvida era um lugar bonito. Estavam em uma sala redonda, as paredes feitas de pedra e a ausência de janelas denunciavam que era uma masmorra. O chão era gravado com o emblema da Irmandade e todos os cavaleiros estavam posicionados em círculo. Os demais novatos como ele estavam ajoelhados no centro e olhavam a tudo com receio. O menino de cabelos enrolados sentia-se tonto, e imaginava se seus colegas também estavam assim. Estavam todos embriagados, foram forçados a beber cada um deles uma garrafa de whisky de fogo e ele duvidava que fosse capaz de andar sem o auxilio de outra pessoa.

‘Obrigado Breunor’ Artur parou diante dos calouros e abriu a urna que Breunor trouxera ‘É chegada à hora do desafio final. Somente cinco de vocês poderão entrar para a Irmandade, e quem determinará isso serão vocês mesmos’ os meninos se entreolharam curiosos e Artur deixou escapar uma risada rouca ‘Cador irá separar vocês em duplas e duelarão pela vaga. Os cinco que se mantiverem de pé serão merecedores de se tornarem Reis e Sombras’

Artur afastou-se e os meninos puderam ver espadas dentro da urna. Todas brilhavam muito e aparentavam ser pesadas. Cador empurrou os calouros para que ficassem de pé e os dividiu em 5 duplas, ordenando que cada um apanhasse uma espada. O barulho de um tiro ecoou pela sala e logo o lugar se encheu com o som das espadas se chocando uma com as outras.

O garoto de cabelos cacheados mal conseguia manter-se de pé e estava muito machucado. Seu oponente, um garoto loiro de cabelos até o ombro, estava vencendo sem dificuldades. Ele sentia o peso da espada de seu oponente atingir a sua e seus braços doíam com a força que fazia para não desabar. Seu pai era um membro da Irmandade e permitir que ele fizesse parte do processo de seleção talvez fosse a única coisa boa que ele lhe daria na vida, ele não desistiria agora.

Todas as outras duplas já tinham um vencedor e aguardavam pelo 5º e ultimo. O garoto loiro desferiu um golpe violento, mas o moreno conseguiu amparar a espada e evitar que ela se chocasse com sua cabeça, mas não conseguiu evitar que ela atingisse sua barriga. O corte causado pelo golpe do garoto loiro foi tão forte que ele deixou sua espada cair, levando a mão ao corte e vendo ela cobrir-se com o sangue no mesmo instante. Gauvain fez menção de socorrê-lo, mas Boors o impediu. Ele escolhera aquilo, teria que ir até o fim.

‘Acabe com ele!’ Artur ordenou e o garoto sentiu a lâmina gelada da espada de seu oponente encostar-se a seu pescoço ‘Vamos, termine com isso!’

Os olhos verdes do menino de cabelos loiros brilhavam. Seu rosto estava machucado e sujo de sangue, e ele sabia que o garoto estava apenas tomando fôlego e reunindo coragem para cravar a espada em seu pescoço. Mas em uma ação que ele não esperava, o menino loiro largou a espada no chão e estendeu a mão para ele. O menino de cabelos cacheados estava surpreso com o ato, mas aceitar sua mão era sinal de que ele havia perdido a única chance de entrar para a Irmandade. O garoto loiro tornou a estender a mão e ele a agarrou, puxando ele para o chão e lhe acertando um soco.

Todos os cavaleiros ao redor se agitaram e Artur ordenou que ninguém se movesse. O menino loiro, pego de surpresa pelo ataque, foi ao chão. O outro garoto saltou em cima dele e, com as mãos cheias de sangue do corte feito pelo loiro, desferia socos sem intervalos em seu rosto.

‘Nunca estenda a mão a um inimigo’ ele falou quando desferiu o ultimo soco, o soco que apagou o adversário.

‘Muito bem, temos um vencedor!’ Artur caminhou até os dois garotos e se certificou que o loiro estava desmaiado ‘Calouros, reúnam-se no centro do círculo’

Os cinco vencedores caminharam cansados para o centro do círculo formado pelos encapuzados e Artur andava por eles carregando uma espada. O menino de cabelos cacheados não conseguia se manter de pé e ajoelhara diante de todos, esperando sua vez.

‘Diga seu nome, para que seus companheiros o conheçam’ ele ouviu Artur falar ao primeiro garoto

‘Gareth’ o garoto de cabelos castanhos respondeu, e o nome foi abafado pelo seu grito. Um grito de dor. Ele fora marcado.

O garoto continuou ajoelhado, esperando. Seus olhos estavam inchados e ele mal conseguia mantê-los aberto. A fraca luz que iluminava a masmorra era suficiente para lhe incomodar. O corte em sua barriga sangrava cada vez mais e ele começava a se sentir tonto quando viu o vulto de Artur parar em sua frente. A espada pesada que ele carregava atingiu sem ombro com força e ele cedeu com o golpe, quase indo ao chão.

‘Um cavaleiro Rei e Sombra nunca se ajoelha diante de ninguém! Erga-se!’ O garoto apoiou as mãos no chão e com muita dificuldade ficou de pé. Suas pernas não eram confiáveis e tremiam violentamente, mas ele era mais forte e não ia cair ‘Você demonstrou ser o mais bravo guerreiro dos dez candidatos e o mais merecedor do titulo esse ano. Agora diga seu nome, para que seus companheiros o conheçam’

‘Mordred. AAAAAAHH’ Um pedaço de ferro em brasa foi imprensado contra suas costas e Mordred não resistiu à dor, se deixando cair. O chão gelado da masmorra fazia o corte em sua barriga doer ainda mais, mas nada se comparava à dor de ser marcado como um cavaleiro Rei e Sombra. Ele tornou a apoiar as mais no chão para se levantar, mas a carne viva que queimava em suas costas o impedira de continuar fazendo esforço e Mordred mais uma vez se deixou cair no chão, vendo os cavaleiros encapuzados sumirem um a um à medida que seus olhos iam se fechando.

Wednesday, May 23, 2007

Outubro de 1992

Desde a fundação da escola há mais de mil anos, as pedras cinzentas e frias daquele pedacinho do mar do Norte, abrigavam mistérios. Tanto os bons quanto os sombrios. E masmorras faziam parte desse mistério. Vultos encapuzados, usando máscaras de cor branca caminhavam com tochas acesas e lentamente o cortejo ia aumentando.
Havia um jovem que tinha a cabeça altiva e postura arrogante, ele devia ser o líder, pois os outros o obedeciam com apenas um levantar de dedos. Seu manto além de negro como o dos outros exibia um desenho de uma cruz nas costas. Os outros exibiam os mesmos desenhos em tamanho menor, ao lado direito do peito, como se fosse o emblema da escola, mas havia alguns entre eles que não exibiam nada em seus mantos. Estes eram os novos iniciados. Um deles tinha um andar vacilante, como se estivesse indo em direção do abismo. Talvez estivessem mesmo, mas para outros caminhar por ali significava apenas mais um obstáculo na vida a ser ultrapassado para ser aceito como um "igual".
Chegaram num local parecido com uma cripta á primeira vista, mas após um olhar atento e tochas acesas ao simples estalar de dedos do líder, via-se que se tratava de um salão de reuniões, muito parecido com um salão comunal de uma escola qualquer, mas ali havia bebidas, quadros de antigos membros, e num lugar elevado havia um pequeno palco, para onde os novatos foram encaminhados. Nesta noite seriam avaliados os desempenhos dos novos membros e se eles teriam o direito de pertencer àquele mundo ou não.
- Hoje é uma noite muito especial, pois saberemos se mais cinco honrados cavaleiros se juntarão a nós em nossa humilde jornada. – disse o líder e arrancou risadas e aplausos dos outros.
- Caro Arthur, nossa jornada pode ser descrita como tudo, menos humilde. - disse um dos membros antigos. - e ergueu um cálice de prata para confirmar seu ponto de vista.
- Não seja petulante Accolon. Nosso líder tem razão, é uma noite especial. – respondeu um outro e o líder continuou como se não houvesse sido interrompido:
- Estes nobres cavaleiros, passaram por vários testes ao longo de sua iniciação e agora é chegada a hora de fazerem o juramento de fidelidade ao seu líder e seus companheiros. Eu vos pergunto: Algum de vocês quer desistir?
- Não! - responderam em uníssono.
- Dispam suas vestes. É hora de receberem a marca que nos diferencia dos comuns. - mandou o líder.
Os cinco olharam uns para os outros e obedeceram. A um sinal do líder, o mascarado chamado Accolon aproximou-se com outros quatro, cada um trazendo um ferro de marcar em brasa. Ao entender o significado daquilo, ficaram apreensivos, mas se mantiveram firmes. Afinal o que era um pouco de dor, em vista do mundo novo que se descortinava à sua frente.
O líder sorriu. Eles haviam passado por mais um teste e superado. Os ferros de marcar foram devolvidos ao braseiro e o Líder, após apontar a varinha fez surgir uma tatuagem negra nos braços dos garotos, aumentou a voz enquanto olhava para o último deles:
- Agora com esta marca vocês estão ligados a nós. Quando eu a tocar, vocês terão que vir até aqui e se reunir com seus companheiros ao meu comando. Somos uma irmandade e temos nossas próprias regras. Somos Reis e Sombras, e nada pode nos separar, mesmo que sacrifícios sejam exigidos. Agora digam seus nomes alto para que seus irmãos saibam que vocês acabam de nascer para nós. – naquele momento outros mascarados seguraram os novatos pelos braços, sem que eles pudessem resistir enquanto outros se aproximavam.
- Galahad. – foi um dos nomes ouvidos quando o cheiro de carne queimada invadiu as masmorras.

Tuesday, May 15, 2007

We got everything we need right here
and everything we need is enough
Just so easy
When the whole world fits inside of your arms
Do we really need to pay attention to the alarm?

Banana Pancakes – Jack Johnson

‘Vamos Evie, levanta’ Evie sentiu seu cobertor ser puxado e o puxou de volta

‘Não, vão embora, está frio e chovendo’ a garota respondeu escondendo o rosto

‘E desde quando isso é desculpa em Durmstrang?’ Com um puxão forte, Milla arrancou o grosso cobertor da amiga e o atirou longe ‘Sai já dessa cama!’

Evie ainda tentou se enrolar em um lençol e ignorar as amigas no quarto, mas Vina já tinha escondido ele também. Elas já estavam prontas, de uniforme, esperando por ela. Evie fitou as duas de braços cruzados por alguns segundos e percebendo que aquela era uma batalha perdida, se arrastou para fora da cama.

As duas semanas de suspensão terminavam hoje, e embora Evie soubesse que passar duas semanas sem aulas haviam a deixado atrasada em relação aos outros alunos, ela não queria voltar para as salas de aula e encarar o resto da escola. “Estava tão bom aqui, escondida”, ela falou baixo quando passou pelas amigas e foi tomar banho.

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Quando se acorda com o pé esquerdo, a melhor coisa a se fazer é não sair da cama. E Evie se arrependia de não ter enfrentado as amigas e continuado dormindo. Era uma manhã de segunda-feira muito fria, e a chuva forte que caía obrigava os alunos a permanecerem dentro do castelo nos intervalos entre as aulas. Durante todo o dia, Evie percebeu o quanto as duas semanas afastada das aulas a deixaram para trás. Nem mesmo tendo copiado as matérias das amigas adiantou, ela sabia que para conseguir ótimas notas em seus N.O.M.s, teria que correr atrás do prejuízo. E começaria chegando no horário para a orientação vocacional com a diretora da Berkana, Ivana Mesic.

‘Está vendo, Evie? Ninguém nem lembra mais o que aconteceu’ Vina tentou animar a amiga

‘Os alunos podem não lembrar, mas sei que nosso professor de Aritmancia se recorda perfeitamente bem do desastre que foi a minha campanha’

‘Você devia se importar menos com o que seu avô pensa, sabia?’ Milla falava sério enquanto caminhavam pelo corredor ‘Você se esforça tanto para agradá-lo, e ele nem ao menos reconhece isso’

‘Eu sei disso’ ela disse triste ‘Acha que já não tentei mudar? Queria ser mais relaxada, queria por um dia poder não me importar com ninguém, ser egoísta, mas não consigo’

‘Não adianta Milla, é o jeito dela’ Vina parou na entrada da sala de Transfiguração ‘Eu também não conseguiria viver sem os meus remédios, embora tenha consciência que algumas vezes seja exagero meu’

‘Não gosto dos meus defeitos, mas o que posso fazer? Não podem dizer que nunca tentei mudar’

‘Claro que você não gosta dos seus defeitos, ninguém gosta’ Milla falou rindo ‘Se gostassem, não seriam defeitos, né? Boa sorte na entrevista! A gente se vê mais tarde’

Milla e Vina continuaram andando no corredor e Evie entrou no escritório da professora, sem muita certeza do que diria a ela.

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‘Então quer trabalhar no Deptº de Cooperação Internacional em Magia?’ Ivana tinha os óculos na ponta do nariz e lia uma ficha ‘O que exatamente pensa em fazer lá, Srtª Parvanov?’

Evie estava sentada de frente para a professora de Transfiguração e acabara de lhe dizer em que pretendia trabalhar quando se formasse. Ela não sabia exatamente em que se especializar, mas sabia que queria trabalhar com bruxos de outros países. Ivana parecia interessada na profissão escolhida e Evie não conseguia esconder o sorriso de satisfação. Ela era sua professora predileta.

‘Não sei em que área poderia trabalhar. Talvez algo ligado a eventos entre os países, como a organização do Torneio Tribruxo’

‘Sabe que para fazer isso, precisa falar no mínimo quatro idiomas, não é?’ Evie confirmou com a cabeça e ela continuou ‘Quantas sabe falar?’

‘Bem, só búlgaro e espanhol... Mas posso aprender outras, claro!’

‘Então sugiro que aprenda inglês, que é indispensável, e se me permite uma opinião pessoal, aprenda o francês’ Ivana pôs os óculos direito no rosto e sorriu saudosa ‘É um idioma lindo de se falar, Paris é magnífica’

‘E que matérias posso desistir no próximo ano?

‘Eu nunca aconselho aos alunos da Berkana desistir de matérias. Independente da profissão escolhida, nós não sabemos o dia de amanhã e pode ser necessário usar o conhecimento em todas elas. Mas se quer mesmo desistir de alguma, indicaria adivinhação. Boris sabe que não aprecio seu dom’ ela riu e voltou a abaixar os óculos, encarando Evie séria ‘E mais importante, a Berkana tem uma tradição em Durmstrang, meus alunos são sempre os mais aplicados e sempre se formam com excelentes notas em todos os exames. Não admito que a reputação de minha casa seja arruinada com episódios como as eleições, portanto procure alcançar seus amigos nas aulas e continue com todas as matérias até o 7º ano. Compense o ocorrido não decepcionando mais seus colegas de casa’

Evie não conseguiu responder, então apenas assentiu com a cabeça e saiu da sala com as mãos enterradas no bolso. O dia havia sido tão corrido e tudo estava dando tão errado que ela havia esquecido completamente da carta que recebera de manha cedo de Josh. Ela puxou a carta amassada do bolso do casaco e sentou no pátio vazio por causa da chuva para ler. Ao menos um momento do dia daria certo.

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‘Oi!’

Milla e Vina sentaram uma de cada lado de Evie e a cumprimentaram animadas ao mesmo tempo. A chuva ainda insistia em cair, cada vez mais forte, mas elas pareciam alheias ao vento gelado que atravessava o pátio. Evie levantou a cabeça devagar e tentou sorrir, mas o papel molhado em sua mão denunciava que ela havia chorado.

‘O que aconteceu?’ Milla olhou para ela preocupada

‘De quem é a carta?’ Vina tinha um tom de voz receoso ‘Más notícias?’

‘Não, é do Josh’

Evie não estava mais chorando, mas sua voz ainda era vacilante quando estendeu a carta para Vina. Ela leu em voz alta para que Milla ouvisse e quando acabou se virou para Evie.

‘Não entendo... O que tem de errado? Ele parece feliz na carta’

‘É exatamente esse o problema’ quando as amigas continuavam sem entender, ela continuou ‘Deveríamos estar felizes juntos, não? Mas ele parece estar bem, mesmo longe’

‘Você queria que ele estivesse em prantos?’ Milla perguntou querendo rir

‘Não, claro que não. Mas ele nem mesmo cita que está com saudades, e para ser sincera, eu também não estou. Não deveria ser o contrario?’

‘Você ama o Josh, Evie?’ Milla falou sem rodeios

Ela hesitou. E ao hesitar, se surpreendeu. Evie nunca havia sido questionada sobre isso, nem mesmo por Josh, mas sempre pensou que se um dia fosse, responderia sem pensar. O tempo que ela demorou para conseguir responder a deixou espantada. Milla e Vina já começavam a rir da sua expressão de choque quando conseguiu falar outra vez.

‘Não sei’ ela falou baixo ‘Eu realmente não sei. Josh e eu nos conhecemos desde bebês, sempre fomos melhores amigos’

‘Pois é, acho que você gosta dele do mesmo jeito que gosta do Chris’ Vina não se conteve e citou o garoto, mesmo com a careta de Evie ‘Vocês também se conhecem desde crianças, não?’

‘Acho que você precisa é de um namorado mais próximo’ Milla continuou o assunto ‘Um que possa abraçar e beijar quando quer, e não só nas férias. Tem tanto menino bonito em Durmstrang, como o Chris, por exemplo’

‘Parem com esse assunto do Chris, por favor!’ as duas riram e Evie acabou rindo também ‘Vamos sair daqui, estou congelando. Depois penso nesse assunto, hoje não consigo mais raciocinar!’

‘Isso, vamos até a cabana, o pessoal está lá hoje fazendo fogueira’

A cabana era a antiga casa dos guarda-caças de Durmstrang, quando eles ainda dormiam dentro da floresta. Mas desde que Karkaroff saiu, eles foram acomodados em uma republica vazia. E desde então, Evie e os amigos a usavam como refugio do castelo, era um lugar só deles para conversar e esquecer os dias ruins na escola. Nina havia selado a porta com um feitiço e apenas as varinhas deles eram capazes de abrir a fechadura. Milla usou a dela para abrir, e encontraram Nina, Elizabeth, Michael, Victor, Ricard, Annia e Reno acendendo uma fogueira para espantar o frio.

‘Noite boa para uma bate papo, não?’ Evie falou mais animada quando entrou

‘Os meninos ficaram de trazer alguns marshmallows para assarmos, mas não sei onde vão conseguir isso’ Annia se largou em uma das poltronas cansada ‘Porcaria de dia que tive hoje, não seria nada ruim se eles realmente conseguissem alguns’

‘Quem está disposto a assar alguns marshmallows hoje?’ a porta tornou a se abrir e Max, Chris e Iago entraram cada um com um pacote do doce na mão

‘Trouxemos alguns gravetos também, vi isso em um filme trouxa’ Iago jogou os pedaços de madeira no tapete e sentou no chão, abrindo o primeiro pacote

Na mesma hora todos se acomodaram em volta da fogueira e imitaram seu gesto, espetando o doce no graveto e colocando no fogo. Viver como os trouxas às vezes era bom.

‘A professora Ivana quase arrancou meu fígado hoje’ Chris falou rindo ao engolir um marshmallow inteiro ‘Disse que não admitiria que eu manchasse a reputação da Berkana outra vez’

‘Ela falou a mesma coisa pra mim’ Evie não achava a mesma graça que Chris na bronca ‘O que disse a ela que quer fazer depois da escola?’

‘Medibruxo, claro. Não me imagino fazendo outra coisa’ ele espetou outro pedaço no graveto e tornou a falar ‘O único ruim disso é que não posso desistir de praticamente nada, mas ela também não me aconselharia a desistir mesmo que quisesse ser faxineiro, então não faz muita diferença’

‘Também disse ao professor Nicolai que quero ser medibruxa, vamos trabalhar juntos, Chris!’ Vina falou animada ‘E também não vou desistir de nada’

‘Também não pretendo largar nenhuma matéria, e nem sequer posso cogitar isso!’ Ricard falou sério ‘Quero ser um Inominável, então não sei o que vou precisar’

‘Perfeito!’ Victor estava tão empolgado que todos pararam para ouvi-lo ‘Eu vou ser um obliviador, então você pode contar todos os segredos do departamento dos mistérios pra gente, e depois apago a memória deles!’

‘E quem vai apagar a sua?’ Ricard riu da tentativa do amigo

‘Ah, bom, o mundo não é perfeito... Você vai ter que confiar os segredos a mim’

‘Pode deixar que eu sou um bom obliviador, apago a memória dele’ Max falou rindo, frustrando os planos de Victor ‘Eu disse ao professor Mikhail que quero seguir carreira de auror. Acho o trabalho deles o maior barato!’

‘Pensava que você seria jogador de quadribol’ Iago interrompeu ‘Foi o que escolhi ano passado, na minha orientação vocacional’

‘Acho que ser auror é mais emocionante que jogar quadribol’ foi a vez de Reno falar ‘Mas vou seguir os passos da minha mãe e do meu avô mesmo, alquimia está no sangue da família’

‘Não está no meu sangue, mas também quero ser uma alquimista’ Annia concordou com Reno ‘O professor Nicolai se espantou, mas me deu apoio’

‘Definitivamente não tenho o dom da alquimia!’ Milla falou irônica e todos riram ‘Acho que vou trabalhar no departamento de controle de criaturas mágicas. Só espero que não pegue nada muito burocrático’

‘É por isso que queria ser medibruxa, para fugir da burocracia!’ Nina sacudiu seu graveto indignada e o marshmallow caiu no fogo ‘Mas meus pais querem que eu me torne ministra, e não estão inclinados a mudar de idéia. Quer coisa mais burocrática que isso?’

‘Nina, se você for Ministra, promete que vai forçar o diretor da escola a acabar com essa regra idiota de que namoros são proibidos?’ Milla pediu em tom de desespero, arrancando risadas dos outros

‘Prometo que essa será minha primeira lei como nova Ministra da magia búlgara!’

‘Então meu voto já é seu!’ Evie falou rindo ‘Pelo bem estar e sanidade mental dos nossos filhos, vote em Nina Olenova para Ministra da magia!’

Todos bateram palmas em apoio a Evie e Nina ficou de pé, agradecendo os votos já garantidos em sua futura campanha forçada. A chuva continuava a cair cada vez mais forte e violenta do lado de fora, mas naquele momento, ninguém tinha pressa de sair dali. Tudo que eles precisavam por hora estava ali dentro, e a vida pós-formatura parecia ser a coisa mais simples do mundo. Enquanto estavam ali, eram capazes de tudo, até se elegerem a ministros da magia.

Monday, May 14, 2007

- Não acredito que estou fazendo isso. Devo ter desmaiado e acordado num universo paralelo.
- Não reclama Evie, não é tão ruim assim. É só um jogo pela vaga na semifinal. - eu disse.
- E também porque Iago quer se exibir pra você não é Milla? Ouvimos o jeito que ele pediu para você vir ao jogo. Tão bonitinho... – disse Vina.
- É, e ela até sabe que é pela semifinal, antes ela nem saberia explicar porque este jogo é importante. - disse Annia , e começou a rir com as outras.
- Há, há muito engraçado, suas tontas. – respondi de bom humor e tornei a olhar para o alto. O jogo estava acirrado, a Ansuz precisava vencer se quisesse uma chance de disputar a copa das casas e um dos times havia pedido tempo.
- Recomeça o jogo. E a goles está com Oblonsky, que faz uma jogada ensaiada com Kerenin e é ponto da Berkana. - e a metade do estádio vaiou e a outra metade aplaudia. Logo a Ansuz recuperava a goles. O narrador se empolgou:
- E os artilheiros da Ansuz estão mostrando garra: a posse está com Ivanov, ele está jogando com força total, lançou para Parvanov que desviou de um balaço lançado por Karkaroff, mas o batedor da Berkana Zagrev chegou a tempo e rebateu o balaço, que desequilibrou o artilheiro da Ansuz e ele soltou a goles. Vejam Dimitrov recuperou e parte com tudo pra cima do seu adversário, o goleiro Dolohov.
É agora, é agora, arrreeeeeee o goleiro salvou o aro, e a Berkana tem a posse da goles novamente, mas por pouco tempo vejam como Ivanov roubou a goles e dá uma volta para escapar de Karkaroff, lá vem um balaço lançado por Zagrev, Tolstoi da Ansuz rebate o balaço com força e quase acerta Medved que desvia. É, o jogo vai ser longo, e ninguém quer desistir, é a vaga para a semifinal.
De repente o apanhador da Ansuz viu alguma coisa e começou a descer rápido, o apanhador da Berkana foi atrás, e logo estavam emparelhados de braços esticados, e a arquibancada prendia o fôlego.
- Eles vão bater. - disse Vina apavorada.
- Eles não, só o nosso apanhador vai se dar mal nesta. – respondi automaticamente percebendo que a vassoura dele não iria frear e levantar vôo antes da pancada.
Não deu outra. Logo o narrador gritava:
- E VENCE A BERKANA! Medved pega o pomo e encerra partida: 250 a 100, este é o placar. A Berkana vai disputar a semifinal... - e continuou falando. Eu e minhas amigas começávamos a sair da arquibancada, enquanto os dois times se reuniam no campo. Um para comemorar e o outro para superar a decepção, quando ouvi uma menina do meu lado:
- É briga! Aposto que foi o Karkaroff...
- Porque ele iria brigar? Ele venceu. – respondeu Evie, não parei para ouvir mais nada, já descia rápido em direção ao campo. Logo os professores entravam e apartavam a briga, mas de onde eu estava já dava para ver alguns narizes sangrando. Consegui chegar perto de Iago e ele não era exceção. Parecia ter levado um bastão no rosto, o nariz sangrava e um hematoma já se formava no seu queixo. Luka tinha o lábio e o supercílio sangrando, além de um olho que ia ficando roxo. Ambos ainda se encaravam de punhos fechados. Ao ver o estado dos dois assim tão de perto, fiquei assustada. Só ouvi as ultimas palavras que trocavam:
- Da próxima vez controle a boca do seu apanhador Luka...
- Sabia que isso não ia durar muito. Você não resiste a uma pancadaria...
- Iago o que houve?- perguntei e tentei por a mão em seu braço, tentando acalmá-lo.
- Nada. Deixe-me sozinho. – ele se esquivou do meu toque e saiu do campo rapidamente. Fiquei ressentida e ameacei ir atrás dele, Luka me segurou:
- É melhor deixar ele esfriar a cabeça.
- Porque estavam brigando? O jogo já tinha acabado, e você nunca briga – disse irritada enquanto puxava meu braço.
- Talvez antes eu não tivesse um motivo real para brigar com ele, Milla. - e me encarava sério. Seu olho direito começava a fechar e antes que eu dissesse mais alguma coisa o professor de vôo o mandou para a enfermaria. Encontrei minhas amigas e após verificarmos na enfermaria que Max, o irmão de Evie estava bem, eu disse:
- Quero saber onde o Iago está. Ele não veio para cá e está machucado.
- Ele deve ter voltado para a república dele. Para onde mais ele iria?- respondeu Vina enquanto íamos para nossa casa. Ao passar em frente da Chronos, disse a elas para continuar que logo eu voltaria para casa. Entrei e estava tudo silencioso. Ouvi uma movimentação na parte de cima e resolvi subir até os quartos. Aproximei-me e bati na porta antes de entrar.
Iago estava deitado na cama coberto com um lençol, de olhos fechados e uma pasta alaranjada estava em cima do seu queixo. O amigo dele Riven, estava terminando de amassar alguma coisa numa tigela.
- Oi Milla. Estava me perguntando quando você chegaria aqui. - sorriu.
- O que você está fazendo? - perguntei me aproximando da cama e notando as vestes sujas de sangue jogadas no chão. Iago parecia dormir e marcas azuladas estavam em volta do seu nariz.
- Já consertei o nariz dele, agora estou fazendo este ungüento para a dor. Ele vai ter dificuldade para respirar por um tempo, depois que acordar. Tive que sedá-lo, a pancada foi feia.
- Riven, sei que sua intenção é boa, mas ele estaria melhor sendo tratado por um curandeiro de verdade e não por um aluno. Pode haver seqüelas...
- As poções que uso foram ensinadas pelo meu pai, curandeiro chefe em Glasgow. Sei o que estou fazendo, e não é a primeira vez que cuido dos ferimentos dele.
O amigo do Iago era tão cuidadoso no preparo da poção, e parecia tão confiante que relaxei:
- Desculpe duvidar de você. Vai ser bom termos um auror curandeiro no Ministério. O que faço para ajudar?- ele após pensar um momento no que eu havia dito, sorriu e me entregou uma bacia com água limpa e antisséptico. Enquanto Riven espalhava o medicamento no rosto dele, eu limpava os outros vestígios de sangue com uma esponja molhada. Em dado momento eu comentei:
- Queria entender porque houve esta briga idiota. Era só um jogo.
- O Volchanov, disse que a Berkana estava roubando e quando Iago o chamou de mau perdedor, ele perguntou se Iago ia exibir a marca negra para assustar, aí ele perdeu a cabeça. O Iago odeia ser comparado ao pai.
- Como vocês ficaram amigos?- perguntei.
- Havia uma turminha aqui que adorava espancar os alunos e os roubava. Um dia, ele sem me conhecer comprou briga com eles. Era uma turminha que achava serem os donos da escola, mas tinham certo respeito por ele, pois Iago já tinha fama de ser violento. Deixaram-me em paz, mas no fim daquela semana, Iago voltou para casa todo machucado e eu percebi o que tinha acontecido. Peguei meu kit de poções e lembrei de tudo que meu pai havia ensinado e cuidei dele. Nunca falamos sobre isso, mas começamos a andar juntos. – eu olhava com admiração para Iago e via sua respiração se tornar mais suave, a expressão de dor havia sumido.
- Fico feliz porque ele pode contar com você Riven.
- Ele é meu amigo. Vai poder contar comigo sempre. - ele respondeu sério. Ficamos cuidando dele até tarde. Depois Riven me acompanhou até a Avalon e ao me deitar agradeci a Odin, pelos bons amigos que surgiam em nosso caminho.

Riven acabou se tornando um medibruxo, Iago se machucava demais nos jogos.


Thursday, May 03, 2007

‘Como todas as campanhas, é uma luta dura e sei como é difícil para um candidato perder, e também para sua família. Mas podem sair fortalecidos como homens em conseqüência da derrota desde que não se deixem abater’

Richard Nixon

A semana que se seguiu após as descobertas de ambos os lados na disputa pela presidência do conselho estudantil foi movimentada. Evie se recusava a desistir de sua candidatura e recebia o apoio das amigas, enquanto Georgia estava decidida a fazê-la abandonar a disputa. E a divergência de opiniões acabou por fazer as coisas saírem do controle.

Como prometido, Georgia espalhou cópias do jornal trouxa pela escola, e Nina entrou em pânico. Logo ela bolou uma estratégia para que o professor Andrei, avô de Evie, não colocasse as mãos em nenhum exemplar, e seu plano de guerra foi bem sucedido. Mas Nina não conseguiu evitar que suas amigas se vingassem pelo ataque gratuito. No dia seguinte, todos os murais da escola amanheceram decorados com fotos da infância oculta de Georgia. Os alunos riam ao olharem as fotos e apontavam para ela nos corredores, despertando a fúria da garota e desencadeando uma verdadeira guerra pelo poder.

Por duas semanas seguidas, Evie e Georgia se defenderam com as armas que possuíam, e sempre contando com a ajuda de sua equipe eleitoral. Nenhum truque era baixo demais, nenhum insulto era suficiente. Logo, porém, as coisas começaram a se tornarem pessoais. E Evie logo entendeu o significado da política em Durmstrang: não se tratava de ganhar uma eleição, mas sim de destruir o adversário.

~*~*~*~*~

O dia do debate entre os candidatos havia finalmente chegado e Evie deveria enfrentar Georgia diante de toda a escola no auditório, e supostamente fazer um discurso de campanha e responder perguntas dos alunos. A idéia, simples do ponto de vista de Nina, tinha uma outra proporção na cabeça de Evie. A perspectiva de ficar em frente a mais de 200 alunos e discursar era, no mínimo, assustadora. E nem mesmo um discurso pronto ela tinha. Nina se recusara a fazer um, pois segundo ela, Evie era perfeitamente capaz de escrever o que pretendia fazer em seu mandato.

‘Já terminou seu discurso?’ Nina sentou ao lado dela na aula de Poções ‘Pois presumo que já tenha começado, estou certa?’

‘Estou trabalhando nele’ Evie respondeu sem olhar para a amiga

‘Discurso de Campanha, por Evie Parvanov... Isso é o seu discurso??’ Nina arrancou um papel da mão de Evie, onde não tinha nada além de desenhos, e no alto da folha, o titulo.

‘Eu disse que estou trabalhando nele, não disse que terminei. Se você parasse de frescura e fizesse por mim...’

‘Não, já disse que não vou ajudar a trapacear. Os candidatos devem escrever seus próprios discursos’

‘A Nina pode não querer ajudar, mas nós sim... Abra, vamos’ Milla chegou com Vina, Annia, Max e Chris e entregou um papel amassado para Evie

‘O que é isso?’ Mas Evie sabia o que era, só queria ter certeza

‘O discurso da Georgia. Annia roubou da mochila dela e copiou’ Vina estava empolgada com a aparente virada de mesa ‘Se você falar antes dela, não vai ter problema’

‘Você não vai usar isso, não é?’ Quando Evie não respondeu, Nina lhe lançou um olhar reprovador ‘Merlin, você vai fazer isso, não acredito!’

‘O que deu na Nina?’ Chris perguntou quando a garota esbarrou nele e em Max

‘Ela perdeu o controle da campanha da Evie, e vocês sabem como a Nina detesta não saber o que fazer’ Milla respondeu rindo

‘Bom, que seja... Nós temos a solução para esse debate ser todo seu, mana!’ Max puxou uma caixinha do bolso e Chris riu

‘O que é isso?’

‘Bombinhas fedorentas. Vamos soltá-las no meio do auditório na hora do discurso da Georgia, assim ninguém vai ouvir o que ela tem a dizer’ Chris falou orgulhoso do plano

‘E dessa forma, ninguém vai saber que os discursos são iguais’ Max concluiu sorridente

‘É bom que esse plano funcione’ Evie foi taxativa

‘Vai funcionar, confie em mim’

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Todos os alunos do Instituto Durmstrang já estavam acomodados no auditório da escola, aguardando o debate. Como de costume, os adversários já estavam no palco, junto de seus gerentes de campanha. Nina estava séria sentada ao seu lado e Evie sabia o motivo, mas não conseguira escrever seu próprio discurso e não tinha mais controle de nada. Tudo que ela queria era massacrar Georgia até o limite, pois sabia que a garota desejava a mesma coisa.

‘Boa tarde alunos, professores’ O vice-diretor falou no microfone e todos fizeram silencio ‘Nosso debate começará com cada oponente fazendo um discurso individual, vocês terão chance de fazer perguntas, e por fim, um debate entre as duas candidatas. Vou chamar a aluna Nina Olenova para apresentar sua candidata. Srtª Olenova, por favor’

Nina levantou da cadeira e antes de caminhar até a bancada, olhou pela ultima vez para Evie, implorando em silencio que ela não prosseguisse com aquilo, mas não parecia funcionar.

‘Evangeline Parvanov é uma garota direita. Ela é legal, leal aos amigos e honesta. E eu escolhi apoiar sua campanha porque sei que ela faz as escolhas certas. Porque sei que se ela for eleita, será da maneira justa’

Enquanto Nina falava diante dos alunos, Evie ia se encolhendo na cadeira. Tudo que ela queria naquele momento era saber aparatar e desaparecer dali. Chris e Max sacudiam a caixinha com as bombinhas e apontavam para ela, para que Evie pudesse ver. Talvez fosse uma boa idéia eles estourarem elas, mas ao invés de fazerem isso no discurso de Georgia, poderiam fazer um favor a Evie e solta-las em seu próprio discurso.

Evie percebeu que era sua vez de ir até a bancada e começar a discursar e não viu outra saída senão ir até lá. Georgia cochichava alguma coisa com sua gerente de campanha e ria debochada. Evie parou de frente a todos os alunos, abriu o papel amassado com o discurso de Georgia e encarou Nina. O papel estava ali, em sua frente, e lê-lo sem duvida lhe garantiria a presidência do conselho estudantil, mas na hora H, Evie recuou. Aquilo não era algo que ela faria. Ela não era assim, não sabia trapacear para se dar bem em alguma coisa. Nina tinha razão, Evie se desviara do real motivo da campanha e só queria humilhar Georgia. E então, sem pensar duas vezes, ela sabia o que tinha que fazer.

‘Caros alunos, professores, eu-’ Evie viu Chris apontando para a bombinha mais uma vez e desviou o olhar dos amigos ‘eu renuncio a minha candidatura’

O auditório se encheu com o falatório dos alunos diante da atitude inesperada de Evie. Ela podia ver Milla, Vina e Annia olhando para ela em choque, Nina tinha uma expressão que misturava surpresa e satisfação, e Georgia não poderia estar mais espantada. Mas a reação que causou de fato algum impacto foi a de Chris. Max levantou de repente ao ouvir a renuncia e esbarrou em Chris, fazendo com que ele derrubasse a caixa com as bombinhas. Elas estouraram no instante em que se chocaram com o chão.

‘Bombinha fedorenta!!’ Max gritou olhando para o liquido escorrendo em seu pé

A cena que seguiu o grito seria engraçada se o momento não fosse quase dramático. Todos os alunos levantaram juntos e começaram a gritar, correndo para fora do auditório com os cachecóis enrolados nos rostos. Evie continuou parada no palco, olhando a tudo estarrecida. Nina também ainda estava sentada na cadeira, e só restavam as duas no lugar. Olhando para os últimos alunos correndo na direção da porta, Evie só comprovou o que sempre soube: política fedia.

~*~*~*~*~

Dois dias depois, toda a escola votou em quem queria para presidente. Georgia ganhou disparado, com mais 60% dos votos, Nina levou 15% deles mesmo sem concorrer, alguns alunos não votaram e outros anularam seus votos escolhendo personagens de desenhos. Evie não teve sequer seu próprio voto, mas ela não se arrependeu por ter concorrido a presidente do conselho estudantil. E nem pelas duas semanas de suspensão que se seguiram. Na verdade, de muitas formas, ela se tornara uma pessoa melhor graças a tudo aquilo. Evie aprendeu que não é passando por cima dos outros que se chega a algum lugar na vida, mesmo tendo perdido as eleições até para o pato Donald... De qualquer forma, estava na hora de deixar a política para os políticos.