Thursday, June 28, 2007

‘Não estou muito confiante que tenha conseguido um “O” em Poções...’

Um Chris desanimado se juntou ao grupo que já estava espalhado no pátio da escola. O ultimo exame dos N.O.M.s acabara de terminar e a turma do 5º ano começava a sentir o clima de liberdade no ar. Foram cinco longos e exaustivos dias de provas teóricas e práticas com examinadores velhos e rigorosos, e agora eles faziam uma avaliação de seus desempenhos.

‘Todo ano ele fala a mesma coisa, ai chega o relatório e estão lá estampadas as melhores notas da turma!’ Max riu bagunçando o cabelo do amigo

‘Não, mas é sério dessa vez!’ Chris era o único que não ria ‘O exame estava muito difícil, fiquei nervoso na parte prática, o examinador ficava cheirando minha poção e fazendo careta!’

‘Bom, mesmo que você não consiga um “O”, se conseguir um “EE” o professor Klasnic vai deixar você continuar com as aulas’ Evie tentou acalmar o amigo ‘Você faz parte do clube de poções avançadas e tem chances de ser indicado pelo professor para participar do “Caldeirão de Ouro Júnior”, não precisa se descabelar, ele nunca deixaria um aluno como você ficar de fora das aulas’

‘É Chris, relaxa’ Milla desenrolava e enrolava de volta o cachecol, indecisa entre o frio e o calor ‘Ninguém foi tão mal quanto eu em Alquimia, se tiver tirado um D, vou ficar feliz!’

‘Somos duas então!’ Nina falou rindo ‘Mas Alquimia é opcional, podemos desistir ano que vem’

‘Sem duvida fui mal também, mas se a professora Kollontai não me expulsar das aulas pela nota lamentável, não vou desistir’ Evie cruzou os braços revoltada ‘Acho um absurdo não conseguir transmutar nem uma pedrinha minúscula depois de 5 anos, vou aprender isso nem que seja a ultima coisa que eu faça!’

‘Alquimia é tão fácil, não sei porque vocês não conseguem fazer os exercícios bobos que a professora pede’ todos olharam feio para Annia e ela riu alto ‘Não adianta me olharem assim, é verdade!’

‘Eu fui o único que não lembrei o nome dos filósofos bruxos e inventei nomes ou mais alguém também se saiu mal em Literatura Mágica?’ Luka falou rindo e quase todos levantaram as mãos ‘É, bom, isso conforta um pouco... Mas a professora Mira é tão linda, espero que seja piedosa também e me deixe continuar com as aulas’

‘Argh, e Arte das Trevas?’ Vina bufou alto arrancando o cachecol do pescoço ‘Não sei como ainda temos essa matéria, é um absurdo ser avaliado em um N.O.M. e esperar ter se saído bem em como torturar e matar uma pessoa inocente! Espero sinceramente que seja reprovada nisso, e assim possa ser liberada das aulas no próximo ano’

‘Eu até que gosto das aulas’ todos olharam espantados para Max ‘Calma, não disse que acho legal sair por aí usando o que aprendemos, só acho que é bom, porque sabemos as armas do inimigo. Ou vai dizer que preferiam não ter qualquer noção do tipo de coisa que esses comensais fazem às pessoas?’

Ninguém respondeu de imediato, mas a troca de olhares deixava claro que todos concordavam com Max. Milla mudou o assunto lembrando do exame de Transfiguração, quando o grupo foi interrompido pela chegada do vice-diretor. Ivan Klasnic parou ao lado da roda e Shane, primo de Chris do 4º ano, estava ao seu lado.

‘Sr. O’Shea, pode me acompanhar, por favor’ disse sério, algo que não era comum

‘O que aconteceu?’ Chris congelou ao ver que o primo acompanhava o diretor, como se já esperasse ser chamado por ele

‘Por favor, acompanhe-me até meu escritório, preciso falar em particular com o senhor e o Sr. Foutley’

Chris olhou para Evie e Max antes de levantar e seguiu o diretor pelo corredor que levava até sua sala. Ninguém no grupo pareceu perceber que algo de errado estava acontecendo e o assunto sobre os exames continuou, mas Evie não participou mais da conversa. Ela sabia exatamente o que tanto afligia o amigo, e a idéia de que talvez as preocupações de Chris se concretizassem lhe causos calafrios.

A conversa entre o diretor e os dois primos durou cerca de 10 minutos, e logo Chris estava de volta ao pátio. Evie viu quando Shane atravessou o gramado apressado, e notou que ele tinha lágrimas no rosto. Max também notara isso, e encarou a irmã preocupado quando Chris parou em frente a eles com os olhos inchados que denunciavam que ele estivera chorando.

‘Está tudo bem, Chris?’ A pergunta era idiota, mas ainda assim inevitável

‘Minha madrinha, ela-’ ele engasgou sem conseguir terminar a frase, mas não era necessário

‘Como foi isso?’ Max ficou de pé e parou ao lado do amigo, apertando seu ombro

‘Um ataque em Hogwarts’ as palavras pareciam doer ao saírem, mas Chris continuou ‘Ela estava tirando Harry Potter do castelo quando um dos comensais lançou o avada kedavra nele’ Chris fez uma pausa, como se dizer aquilo fosse a coisa mais difícil que ele já fizera ‘Ela se atirou na frente para receber o feitiço e salvar sua vida’

‘Chris, eu sinto muito’ Evie estava de pé também e o abraçou. Chris não tentou mais reter as lágrimas e permitiu que elas caíssem

‘Meu pai está vindo nos buscar, vamos para casa hoje mesmo, o enterro é amanhã’

‘Evie e eu vamos com você’ Max falou decidido e teve o apoio da irmã

‘Não vamos deixar você sozinho, vamos ficar ao seu lado amanhã’ Evie sorriu de leve para o amigo e ele retribuiu ‘Megan sempre foi gentil conosco’

‘Obrigado, vou precisar de vocês dois lá’

‘Chris, se você precisar de alguma coisa, a gente vai estar aqui’ Milla o abraçou também, os olhos marejados

‘Fica bem, ok?’ Vina tentava segurar as lágrimas quando o abraçou

Chris se despediu dos amigos e caminhou até sua república para começar a juntar as coisas para voltar para casa. Seu pai, Kegan, já aguardava nos portões da escola com Shane quando ele chegou ao lado de Evie e Max. Seus amigos voltariam depois do enterro, mas ele ficaria em casa e só voltaria a ver o castelo em Setembro.

Tuesday, June 12, 2007

Iago e eu caminhamos até a sorveteria e ao contrário do que imaginávamos ela estava cheia. Mas logo conseguimos uma mesa e ficamos tomando sorvete com calda quente, rindo e conversando.
- Ah, mas eu não levo muito jeito pra Herbologia, nunca fui muito ligado a plantas. Mas gosto de frutas. - dizia Iago enquanto roubava as cerejas que havia em meu sorvete.
Notamos quando Luka entrou na sorveteria e vinha acompanhado de Nadja Zolkoff, uma morena alta da Ansuz, que fazia parte do grupo da Geórgia, as tais garotas populares. Notei que Iago ficou rígido ao meu lado e tornei a olhar para os dois. Ela cochichou algo no ouvido de Luka e ele assentiu enquanto vinham em nossa direção.
- Oi Karkaroff, Kovac. Podemos sentar com vocês? Está tão cheio e a mesa de vocês é ótima. - ele perguntou.
- Claro, temos lugares sobrando. – respondi após olhar para Iago.
Começamos a conversar sobre coisas comuns, até que os garotos começaram a falar do assunto que os alimenta: Quadribol, até que em determinada hora ela disse:
- Não consigo entender como vocês gostam tanto de quadribol. É tão violento e tão sujo não é Milla?
- Também acho, mas sabe que passei a apreciar os jogos? Alguns jogadores são muito bons em campo. - e coloquei a mão sobre a de Iago que a pegou sorrindo.
- Milla costuma jogar conosco nas férias por brincadeira. Por sorte o irmão dela joga muito bem, e ela só fica voando de um lado a outro, apreciando a paisagem. – provocou Luka.
- Não seja mentiroso Luka. Não tenho a obrigação de ser uma boa jogadora, afinal eu não sonho com a carreira no quadribol. - respondi.
- Claro que uma garota não deve nem pensar em jogar quadribol, ficariam masculinizadas. - disse Nadja.
-Além de que algumas não teriam cérebro para tanto. - disse Luka e o excesso de chauvinismo estava me irritando.
- Mas algumas jogam muito bem e fazem parte das seleções de seus países, vejam a Moran, da seleção da Irlanda. Ela é bem bonita e muito inteligente. - comentou Iago e Luka concordou, dizendo ter lido a última entrevista dela na Só Quadribol.
- Ah é? Você acha a Moran bonita jogando quadribol? Talvez eu deva jogar também. - provoquei e ele e Luka começaram a rir com gosto ao gritinho horrorizado de Nadja.
- Claro que isso seria um delírio né? Você não faria uma coisa idiota destas. Seria massacrada no primeiro jogo. E imagina o que falariam de você. Nem pensar! - disse Nadja.
- E você é pequena demais, o vento te levaria embora. – disse Luka e Iago riu junto com ele.
- Porque seria uma catástrofe? Já pensaram que talvez a violência nos jogos diminua se as garotas começarem a entrar em campo? Podemos ser tão boas quanto os rapazes.
- Isso não vai acontecer, Milla. Nunca uma garota conseguirá jogar aqui, sem correr riscos. E imagina termos que separar os vestiários, porque não haveria lugar pros bobs e cremes delas rsrsrs. – disse Luka.
-E se quebrarem uma unha? Olha o desastre mundial: jogo em dia de chuva. – completou Iago e ele e Luka começaram a gargalhar com gosto e Nadja ria com uma cara tonta junto com eles e disse entre uma risadinha e outra:
- Sabe que sinto falta deste seu bom humor Iago? Fomos tão felizes juntos. Oops! Escapou. - ela disse pondo a mão na boca quando viu que eu parei de rir. Olhei para Iago e ele estava calado, e Luka tinha um brilho divertido no olhar. Parecia que ele queria ver o circo pegar fogo.
Respirei fundo e olhei para Nadja e sorri dizendo:
- Iago é sempre muito engraçado mesmo. Sabe, o papo está ótimo, mas eu preciso ir embora, ainda tenho alguns pergaminhos para escrever. Tchau. – Iago rapidamente pôs o dinheiro na mesa e se despediu deles, vindo atrás de mim. Tentou por a mão em meu ombro, mas ao ver o olhar feio que lancei para ele, ele recolheu a mão. Andamos por um tempo, e de repente me virei zangada:
- Quer dizer que uma garota não pode jogar quadribol porque iria quebrar as unhas e o mundo sairia do eixo?
- Ou então vocês escorregariam nos cremes delas? ¬¬.
- Ah não, nós ficaríamos lendo a revista de fofocas, enquanto os machões suam jogando de verdade no campo.
- Lud, você ficou braba por isso? Sabe que é zoeira. - e começou a rir, mas parou, quando viu que eu não ria.
- Sim, eu percebi que a testosterona ali estava nas alturas. Tudo muito engraçado. E sua ex estava saudosa, só faltou dizer de cima dos 2 metros de altura dela:
"Iago larga esta anã e volta pra mim". Tá arrependido de estar comigo? Se quiser pode voltar lá. – disse irritada.
- Não vou voltar para lá, porque você está aqui. Você ficou com ciúmes dela? – ele perguntou incerto.
- Ciúmes eu? Qual é... Imagina se vou ter ciúmes daquilo. Só acho que você estava muito empolgado zombando das mulheres, nós podemos ser tão boas quantos vocês nos esportes.
- Sim, algumas podem ser mesmo. Mas não consigo imaginar você jogando quadribol, Lud.
- Porque posso confundir os aros com um espelho? É... Eles têm a forma parecida mesmo. ¬¬
- Não é por isso Lud, você não é assim. É que você é... (aposto que ele ia dizer baixinha, mas pensou melhor) - Leve e aqui nós jogamos duro, podemos nos machucar sério. Já levou um balaço na cara? Não! Já deslocou um ombro e teve que continuar jogando? Não, e nem queira, aquilo dói muito. É melhor você ficar na torcida, é mais seguro.
-Algumas vezes o "mais seguro", é o que machuca mais sabia? – comecei a andar e percebi que ele vinha atrás, levantei a mão fazendo um sinal e ele entendeu que eu queria ficar sozinha. Antes de ir, ele ainda disse:
- Você é que é importante para mim, Lud.
Percebi que por mais argumentos que usasse Iago iria ter a mesma opinião, talvez se ele tivesse uma prova de que as mulheres podem jogar igual, ou melhor que um garoto e ele perceba que este tipo de preconceito é ridículo. O pior era que Luka, que às vezes se mostrava tão moderno, pois Irina era tratadora de dragões, pensava igual. Talvez um dia eu possa mostrar a eles que posso ser tão boa quanto um menino num jogo.
Além de precisar engolir o fato de Nadja se mostrar arrependida por terminar o namoro com Iago, me deixou abalada.

Thursday, June 07, 2007

As últimas semanas estavam sendo difíceis para todos com a aproximação das provas e a frente fria, que parecia não querer sair nunca mais da Bulgária, não ajudava a aumentar a disposição dos alunos. No dia mais quente da semana, a temperatura máxima havia sido 3 graus.

- Não sei como você consegue lidar com tudo isso ao mesmo tempo, Nina. Eu mal terminei os três rolos de pergaminho de poções...- resmungou Milla, enquanto tentava puxar os livros sem acordar Vina, que havia dormido sobre eles.
- E quem disse que eu terminei? Estava terminando de escrever um artigo para o Clube – disse Nina, com um sorriso satisfeito no rosto, jogando um pergaminho de lado – Ahá! Terminei transfiguração! Agora só mais 1 pergaminho de poções e estou livre.

Todas as garotas da República pareciam estar concentradas em seus trabalhos. Até Vina, que estava usando uma pilha de livros de adivinhação como travesseiro, acordou assustada e estava hipnotizada encarando um texto de herbologia...de cabeça para baixo. A única que parecia estar absorta em seu próprio mundo onde as provas eram uma realidade distante, era Evie.

- Evangeline, tem um trasgo montanhês atrás de você – gritou Milla, tentando arrancar uma reação da menina, que meramente disparou um raio de luz vermelha por cima da poltrona. – É assim que ela pretendia se livrar de um trasgo montanhês?
- Acho que ela está assim por causa das eleições ainda. A legalmente loira não parece estar com vontade de deixar que a gente esqueça de que ela foi a vencedora. O que você acha, Vina? – perguntou Nina para a amiga que continuava encarando o pergaminho de herbologia.
- Vina? Vina?? – Milla sacudiu as mãos freneticamente na frente do rosto da amiga, que nem sequer piscou – Ou ela está realmente concentrada ou dormiu de olhos abertos. Eu voto pela segunda opção!
- Voto? SERÁ QUE VOCÊS NÃO SABEM FALAR DE OUTRA COISA?!!! – explodiu Evie, saindo da poltrona e batendo a porta do quarto.
- Ok...o que foi aquilo?! – murmurou Milla, ainda assustada com a reação da amiga – Eu acho que as eleições não são o problema, mas aquela carta que o Josh mandou...ela ficou realmente aborrecida. E também o fato de estar um pouco atrasada na matéria por causa da suspensão. Nada colabora! Devemos conversar com ela?
- A não ser que você queira que ela te mostre como realmente atacaria um trasgo, eu diria que não! – riu Nina, fechando o livro de poções e guardando o pergaminho dentro – Terminei! Quer tomar sorvete?
- Uhnn...eu ainda tenho que terminar herbologia e poções e deve estar uns 2 graus lá fora...claro que eu quero tomar sorvete! Quer ir, Vina? – disse, cutucando o braço da amiga, sem obter nenhuma resposta. – Novas opções: ou ela está dormindo de olhos abertos ou morreu!
- Com a quantidade de remédios que ela toma? Impossível! O sistema imunológico dela deve ser imune até ao Avada Kedavra. E a Evie?
- Se você quiser bater na porta do quarto, fique à vontade... – brincou Milla

Os arredores da cidade pareciam estar completamente desertos e Nina se sentiu extremamente relapsa por estar indo tomar sorvete enquanto os outros estudavam.

- Ah, claro, você realmente acha que eles estão estudando?? Todos devem estar perto da lareira tomando uísque de fogo, você já notou o frio que está fazendo? – disse Milla, apertando o cachecol em torno do pescoço quando o filho de Karkaroff apareceu correndo.
- Hey, Lud! Olá, Olenova. – cumprimentou o menino, ruborizando, aparentemente porque havia corrido demais – Estava...passando por aqui quando vi vocês duas e resolvi dar um olá!
- Sei...passando...aposto que você estava dentro da República quando notou que nós passamos pela janela! – disse Milla, abraçando o menino que corou mais ainda. – Quer tomar sorvete?
- Hey, eu não vou ficar no meio dos dois! Pode ir com o Karkaroff, Milla, eu vou tomar meu sorvete! – respondeu Nina, empurrando a menina na direção de Iago.
- Você não se importa, Nina?
- Claro que não! Daqui a pouco eu já vou voltar para a República para tentar acordar a Vina ou acalmar a Evie.
- Boa sorte, então!! – riu Milla, andando com Iago para a direção oposta.

Nina fechou o casaco com força e se enrolou no cachecol, já duvidando que tomar sorvete havia sido uma boa idéia. Pensou em voltar para a República e terminar de estudar com Liz, mas lembrou que a garota havia saído com os amigos da Mannaz. Os trigêmeos, cada um a sua maneira, pareciam estar se adaptando muito bem a Durmstrang. Izzie já era uma das garotas mais populares, em poucas semanas. Michael, apesar de não desgrudar de Nina, parecia radiante e estava tirando notas ótimas, sendo um dos favoritos dos professores. E Chris...bom, Chris exercia um fascínio estranho sobre as garotas. Seu jeito anti-social e mal humorado fazia com que grupos de patricinhas se amontoassem e começassem com risadinhas histéricas toda vez que ele passava pelo corredor. Ao mesmo tempo em que ele parecia achar tudo aquilo extremamente entediante, estava se divertindo bastante com a situação, já que fazia questão de bagunçar os cabelos displicentemente toda vez que encontrava uma delas.

- Ninys!! – um ponto colorido parecia vir correndo na direção de Nina, despertando a menina de seus devaneios.
- Ah...oi, Michael. – Nina tentou parecer alegre com o sinal do amigo, mas realmente não estava com vontade de conversar com Mike – Como você está?
- Òtimo...bem melhor agora, aliás! – disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Tudo no garoto parecia aborrecer Nina. Sua dependência extrema, seu jeito saltitante, suas roupas arrumadinhas e cabelo metodicamente separado e fixado com gel. No entanto, não entendia porque se sentia tão incomodada, já que ele era absolutamente doce e considerado o amigo perfeito por 104% das pessoas de Durmstrang.

- Onde você está indo? – perguntou o menino, segurando a mão de Nina, como sempre insistia em fazer toda vez que a encontrava.
- Er... – enquanto tentava soltar os dedos gelados da mão de Michael, pensava no lugar mais chato que viesse a sua mente – fazer bonecos de neve! Hehe...está frio, né? É realmente uma péssima idéia!
- Claro que não! Eu adoro bonecos de neve! Quer que eu arrume uma cenoura para usar como nariz? Eu posso ir lá na República e volto rapidinh...
- Não!! Mudei de idéia...eu nem trouxe luvas...
- Eu te empresto as minhas! – disse o menino, arrancando as luvas da mão.
- Por Merlin, não! Obrigada, obrigada, mas eu não quero as suas luvas...está muito frio aqui fora, eu vou voltar para a República.
- Eu te acompanho, então. Uma menina não deve andar sozinha pelos arredores da cidade. – disse Michael, procurando os dedos da garota novamente, enquanto ela fazia questão de esconder a mão no bolso do casaco.
- E o que você vai fazer se o monstro do lago pular na nossa frente? Gritar mais alto? –retrucou Nina, rispidamente.

Antes que Michael pudesse ter tempo para responder, outro ponto colorido aparecia correndo em direção aos dois. Michael preparou sua varinha inutilmente, enquanto Nina balançava a cabeça tentando conter um muxoxo de desaprovação. Chris Parker vinha com uma coruja marrom no ombro, segurando duas cartas. Assim que o menino foi chegando mais perto, Nina teve o irresistível impulso de segurar a mão de Michael, embora não tenha parado para pensar o porquê.

- Michael. Olenova. – disse ele, sorrindo levemente e estendendo as mãos, cada uma com uma carta.
- Ei, Parker. – respondeu Nina, tentando parecer completamente indiferente e esmagando os dedos de Mike. – O que é isso?
- Se eu te contasse, você confirmaria que eu leio a sua correspondência.
- Ela está lacrada, você não poderia ter lido... – Nina parou quando encontrou o sorriso divertido de Chris ao ver o dilema da menina – Idiota. Você e Liz também receberam uma igual, certo?
- Como adivinhou, prodígio? – perguntou Chris, sem encarar Michael que parecia irritado com a situação, embora ainda apertasse a mão de Nina.
- Os remetentes são os mesmos e a sua está caindo do seu bolso – respondeu Nina, sorrindo e rasgando a carta para ler. – O QUÊ?! Nossos pais voltaram a trabalhar??? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!!
- Não é? Essa foi a minha reação! Quero dizer...eles estão um pouco velhos para vestir a capa e sair a procura dos infratores...
- ISSO É UM ABSURDO!! LOGO AGORA QUE ESTÃO DIZENDO QUE VOLDEMORT VOLTOU?! – Nina ainda não tinha parado de gritar. Michael arregalou os olhos, enquanto ainda lia a carta e Chris segurava o riso. – E não deram explicação nenhuma??? “Voltei ao trabalho” e PONTO FINAL?!
- Eu também achei isso muito estranho...eles foram convocados por alguma razão e não explicaram...
- É estranho mesmo, mas confio no meu pai e ele deve ter tomado a decisão certa – interrompeu Michael, dando um fim ao debate. – Você não ia voltar para a República? Vamos?
- Claro...vamos sim.
- Tchau, Olenova. – Chris gritou de longe, acenando, ainda com um tom de indiferença, mas com um olhar mais amistoso do que o normal.
- Ahh...até mais, Parker. – respondeu a menina, ainda sem conseguir fechar a boca devido à surpresa. Seu pai havia prometido que não voltaria a trabalhar de jeito nenhum. Aliás, sua mãe já havia dito que se ele ousasse sair da aposentadoria, pediria divórcio. O que tinha mudado? Enquanto andava de volta para a República, largou a mão de Michael, sem nem ao menos lembrar o que ela estava fazendo ali antes.

Saturday, June 02, 2007

One minute forever
A sinner regreting
My vulgar misery ends
(And I) ride the winds of a brand new day
High where mountain's stand
Found my hope and pride again
Rebirth of a man
Time to fly...

(música: Rebirth – Angra)

Maio/1998

Lua nova...
Tudo estava escuro, mas era uma noite de Iniciação e ele teria que ir até as masmorras. Nos últimos tempos ele estava odiando ter que ir até lá, chegava ao ponto de às vezes não conseguir se olhar no espelho. Mas reprimiu sua rebeldia, e foi em frente.
Olhou para os novatos. Sentiu um pouco de pena pelo estado de embriaguez em que eles se encontravam, mas fazer o que? Tudo fazia parte da Iniciação, de repente Arthur falou:
- Obrigado Breunor' Artur parou diante dos calouros e abriu a urna que Breunor trouxera 'É chegada à hora do desafio final. Somente cinco de vocês poderão entrar para a Irmandade, e quem determinará isso serão vocês mesmos' os meninos se entreolharam curiosos e Artur deixou escapar uma risada rouca 'Cador irá separar vocês em duplas e duelarão pela vaga. Os cinco que se mantiverem de pé serão merecedores de se tornarem Reis e Sombras'. Arthur afastou-se e os meninos puderam ver espadas dentro da urna. Todas brilhavam muito e aparentavam ser pesadas.
Arthur notou sua falta de entusiasmo e perguntou:
- Qual o problema Ivain?
- Eles estão muito bêbados. Podem se machucar seriamente.
- Mas aí está a graça da coisa: Sangue! - respondeu Accolon e os outros riram, Arthur continuou:
- Cada um de vocês irá duelar por seu lugar em nosso mundo. Os vencedores farão parte da Irmandade, e os perdedores... Bem, ser chamado de perdedor já diz tudo. Que comecem os duelos.
Cador empurrou os calouros para que ficassem de pé e os dividiu em cinco duplas, ordenando que cada um apanhasse uma espada. O barulho de um tiro ecoou pela sala e logo o lugar se encheu com o som das espadas se chocando uma com as outras.
Não demorou muito e o cheiro acre de sangue começou a impregnar o ar. Ao final havia cinco vitoriosos, eram os que exibiam menos cortes e se mantinham de pé, já os cinco perdedores sangravam bastante.
- Ivain quero que leve estes garotos e os largue na praça. São indignos de estar em nossa presença. Quero que lidere isso pessoalmente, como seu pai fazia no passado. - ele sentiu uma raiva surda. Ele odiava lembrar que o pai havia cruzado aquelas masmorras antes dele.
- Não farei isso. Vou levá-los ao médico, estão muito machucados. Não achei que fosse deixar eles quase se matarem, Arthur. - ele respondeu revoltado enquanto abaixava para levantar um dos feridos. Olhou em volta e alguns exibiam o mesmo ar de preocupação que ele, mas estavam parados.
- Você ousa não cumprir uma ordem minha? Seu pai não agiria assim. - Arthur disse ríspido.
- Eu não sou o meu pai. Não apóio machucar alguém apenas por prazer. Eles ainda são garotos.
- Foi escolha deles, entrar pra a Irmandade, e isto requer sacrifícios. Ou você não se lembra como foram os seus? Vejo que você está mudando suas prioridades...
- Lembro muito bem, e começo a achar que meus sacrifícios não valeram à pena. Minhas prioridades dizem respeito apenas a mim. - e todos o olharam com espanto.
Ninguém nunca havia enfrentado o seu líder antes.
- Está arrependido Ivain?- o líder perguntou venenoso.
- Sim, estou.
- E o que vai fazer a respeito?- provocou Arthur.
- Cansei-me das ordens insanas, das crueldades gratuitas, de tudo... Eu estou saindo da Irmandade.
- Ninguém abandona a Irmandade. Não se quer se manter vivo. – ameaçou Accolon.
- Posso e vou. – ele respondeu e colocou a mão em sua varinha, disposto a tudo.
- Calma senhores. Para que você deixe a Irmandade há um preço, está disposto a pagá-lo?- perguntou o líder.
- Qual é o preço?- e sentiu seu estomago dar um salto.
- Haverá um duelo, igual ao dos trouxas. E se você vencer partirá. Viraremos as costas a você, e não conte conosco para nada. Agora se você perder... Permanecerá conosco e será regiamente castigado. Ah, meu jovem, você verá que as dores destes infelizes, não serão nada comparadas às suas. Quem quer enfrentar o desertor?
- Eu! Sempre soube que você não compartilhava de nossos ideais. - disse Galahad entre dentes.
- Não quando eles perderam o rumo Galahad. - respondeu.
O duelo seria com pistolas. Ficariam de costas um para o outro, contariam 10 passos virariam e disparariam. O primeiro a sangrar perderia.
Tudo foi feito como mandado, na hora dos tiros, o que se chamava Galahad recebeu um tiro de raspão no braço e Ivain foi ágil ou sortudo o bastante para apenas ouvir a bala passar zunindo pela sua orelha esquerda.
Soltou o ar preso nos pulmões: Ele havia vencido.
Estava livre para partir.
O líder virou-lhe as costas e riscou seu nome do livro de membros.
- Você deixou de existir para nós Ivain, Cavaleiro do Leão. – sentenciou o líder e ele acenou afirmativamente com a cabeça. Enquanto ele ajudava um dos meninos machucados a se levantar, olhou em volta e viu Galahad ser atendido por Boors. Tudo ficaria bem.

Caminhava devagar, pois os garotos não tinham muita força para andar e ainda estavam sob os efeitos do álcool. Não sabia quanto tempo havia passado, quando escutou passos as suas costas e se preparou para duelar com a varinha. Viu quando Galahad e Gauvain se aproximaram e o ajudaram com os garotos, sem falar nada. Caminharam silenciosos até a sua república e ele colocou os garotos lá dentro, virou-se para agradecer aos dois que ele considerava como amigos, mas eles o olharam friamente, dava para sentir o desprezo que sentiam por ele. Sentiu-se um pouco chateado, mas a sensação de liberdade logo o confortou.
Gemidos de dor o lembraram que havia muito a fazer, antes que a noite terminasse. Ouviu passos na escada e viu que teria ajuda para cuidar dos rejeitados.
- O que você fez Ivain?- perguntou um jovem.
- Não sou mais bem vindo entre eles, Kay.
- Não me chame assim, não fui digno de manter o nome de meu pai. – respondeu o jovem e após olhar para os garotos disse:
- Pelo menos eles vão ficar vivos. Devíamos ter formado nossa própria irmandade.
- Já a temos. Sempre o vi como meu irmão, Kay. – eles trocaram um sorriso e começam a fazer os curativos nos feridos. Infelizmente alguns deles, levariam as cicatrizes daquela noite pelo resto da vida.

Monday, May 28, 2007

Maio de 1998

Todos os alunos do Instituto Durmstrang dormiam um sono pesado em suas republicas e o único movimento fora delas era o de tochas acesas, caminhando em fila da direção do castelo. Mais de 40 figuras encapuzadas com longos mantos negros e máscaras brancas andavam enfileirados com suas tochas erguidas, e fechando o cortejo, 10 figuras menores com as cabeças cobertas por um manto, vinham escoltadas. Eram os novatos. Nenhum deles poderia saber a localização do santuário sagrados dos Reis & Sombras até que fossem reconhecidos como cavaleiros.

‘Agravain, tire o capuz dos calouros’ a voz de Artur, o líder, ecoou no lugar e o menino de cabelos enrolados fechou os olhos quando a claridade, mesmo que fraca, bateu em seu rosto.

Ele não sabia onde estava, mas sem duvida era um lugar bonito. Estavam em uma sala redonda, as paredes feitas de pedra e a ausência de janelas denunciavam que era uma masmorra. O chão era gravado com o emblema da Irmandade e todos os cavaleiros estavam posicionados em círculo. Os demais novatos como ele estavam ajoelhados no centro e olhavam a tudo com receio. O menino de cabelos enrolados sentia-se tonto, e imaginava se seus colegas também estavam assim. Estavam todos embriagados, foram forçados a beber cada um deles uma garrafa de whisky de fogo e ele duvidava que fosse capaz de andar sem o auxilio de outra pessoa.

‘Obrigado Breunor’ Artur parou diante dos calouros e abriu a urna que Breunor trouxera ‘É chegada à hora do desafio final. Somente cinco de vocês poderão entrar para a Irmandade, e quem determinará isso serão vocês mesmos’ os meninos se entreolharam curiosos e Artur deixou escapar uma risada rouca ‘Cador irá separar vocês em duplas e duelarão pela vaga. Os cinco que se mantiverem de pé serão merecedores de se tornarem Reis e Sombras’

Artur afastou-se e os meninos puderam ver espadas dentro da urna. Todas brilhavam muito e aparentavam ser pesadas. Cador empurrou os calouros para que ficassem de pé e os dividiu em 5 duplas, ordenando que cada um apanhasse uma espada. O barulho de um tiro ecoou pela sala e logo o lugar se encheu com o som das espadas se chocando uma com as outras.

O garoto de cabelos cacheados mal conseguia manter-se de pé e estava muito machucado. Seu oponente, um garoto loiro de cabelos até o ombro, estava vencendo sem dificuldades. Ele sentia o peso da espada de seu oponente atingir a sua e seus braços doíam com a força que fazia para não desabar. Seu pai era um membro da Irmandade e permitir que ele fizesse parte do processo de seleção talvez fosse a única coisa boa que ele lhe daria na vida, ele não desistiria agora.

Todas as outras duplas já tinham um vencedor e aguardavam pelo 5º e ultimo. O garoto loiro desferiu um golpe violento, mas o moreno conseguiu amparar a espada e evitar que ela se chocasse com sua cabeça, mas não conseguiu evitar que ela atingisse sua barriga. O corte causado pelo golpe do garoto loiro foi tão forte que ele deixou sua espada cair, levando a mão ao corte e vendo ela cobrir-se com o sangue no mesmo instante. Gauvain fez menção de socorrê-lo, mas Boors o impediu. Ele escolhera aquilo, teria que ir até o fim.

‘Acabe com ele!’ Artur ordenou e o garoto sentiu a lâmina gelada da espada de seu oponente encostar-se a seu pescoço ‘Vamos, termine com isso!’

Os olhos verdes do menino de cabelos loiros brilhavam. Seu rosto estava machucado e sujo de sangue, e ele sabia que o garoto estava apenas tomando fôlego e reunindo coragem para cravar a espada em seu pescoço. Mas em uma ação que ele não esperava, o menino loiro largou a espada no chão e estendeu a mão para ele. O menino de cabelos cacheados estava surpreso com o ato, mas aceitar sua mão era sinal de que ele havia perdido a única chance de entrar para a Irmandade. O garoto loiro tornou a estender a mão e ele a agarrou, puxando ele para o chão e lhe acertando um soco.

Todos os cavaleiros ao redor se agitaram e Artur ordenou que ninguém se movesse. O menino loiro, pego de surpresa pelo ataque, foi ao chão. O outro garoto saltou em cima dele e, com as mãos cheias de sangue do corte feito pelo loiro, desferia socos sem intervalos em seu rosto.

‘Nunca estenda a mão a um inimigo’ ele falou quando desferiu o ultimo soco, o soco que apagou o adversário.

‘Muito bem, temos um vencedor!’ Artur caminhou até os dois garotos e se certificou que o loiro estava desmaiado ‘Calouros, reúnam-se no centro do círculo’

Os cinco vencedores caminharam cansados para o centro do círculo formado pelos encapuzados e Artur andava por eles carregando uma espada. O menino de cabelos cacheados não conseguia se manter de pé e ajoelhara diante de todos, esperando sua vez.

‘Diga seu nome, para que seus companheiros o conheçam’ ele ouviu Artur falar ao primeiro garoto

‘Gareth’ o garoto de cabelos castanhos respondeu, e o nome foi abafado pelo seu grito. Um grito de dor. Ele fora marcado.

O garoto continuou ajoelhado, esperando. Seus olhos estavam inchados e ele mal conseguia mantê-los aberto. A fraca luz que iluminava a masmorra era suficiente para lhe incomodar. O corte em sua barriga sangrava cada vez mais e ele começava a se sentir tonto quando viu o vulto de Artur parar em sua frente. A espada pesada que ele carregava atingiu sem ombro com força e ele cedeu com o golpe, quase indo ao chão.

‘Um cavaleiro Rei e Sombra nunca se ajoelha diante de ninguém! Erga-se!’ O garoto apoiou as mãos no chão e com muita dificuldade ficou de pé. Suas pernas não eram confiáveis e tremiam violentamente, mas ele era mais forte e não ia cair ‘Você demonstrou ser o mais bravo guerreiro dos dez candidatos e o mais merecedor do titulo esse ano. Agora diga seu nome, para que seus companheiros o conheçam’

‘Mordred. AAAAAAHH’ Um pedaço de ferro em brasa foi imprensado contra suas costas e Mordred não resistiu à dor, se deixando cair. O chão gelado da masmorra fazia o corte em sua barriga doer ainda mais, mas nada se comparava à dor de ser marcado como um cavaleiro Rei e Sombra. Ele tornou a apoiar as mais no chão para se levantar, mas a carne viva que queimava em suas costas o impedira de continuar fazendo esforço e Mordred mais uma vez se deixou cair no chão, vendo os cavaleiros encapuzados sumirem um a um à medida que seus olhos iam se fechando.

Wednesday, May 23, 2007

Outubro de 1992

Desde a fundação da escola há mais de mil anos, as pedras cinzentas e frias daquele pedacinho do mar do Norte, abrigavam mistérios. Tanto os bons quanto os sombrios. E masmorras faziam parte desse mistério. Vultos encapuzados, usando máscaras de cor branca caminhavam com tochas acesas e lentamente o cortejo ia aumentando.
Havia um jovem que tinha a cabeça altiva e postura arrogante, ele devia ser o líder, pois os outros o obedeciam com apenas um levantar de dedos. Seu manto além de negro como o dos outros exibia um desenho de uma cruz nas costas. Os outros exibiam os mesmos desenhos em tamanho menor, ao lado direito do peito, como se fosse o emblema da escola, mas havia alguns entre eles que não exibiam nada em seus mantos. Estes eram os novos iniciados. Um deles tinha um andar vacilante, como se estivesse indo em direção do abismo. Talvez estivessem mesmo, mas para outros caminhar por ali significava apenas mais um obstáculo na vida a ser ultrapassado para ser aceito como um "igual".
Chegaram num local parecido com uma cripta á primeira vista, mas após um olhar atento e tochas acesas ao simples estalar de dedos do líder, via-se que se tratava de um salão de reuniões, muito parecido com um salão comunal de uma escola qualquer, mas ali havia bebidas, quadros de antigos membros, e num lugar elevado havia um pequeno palco, para onde os novatos foram encaminhados. Nesta noite seriam avaliados os desempenhos dos novos membros e se eles teriam o direito de pertencer àquele mundo ou não.
- Hoje é uma noite muito especial, pois saberemos se mais cinco honrados cavaleiros se juntarão a nós em nossa humilde jornada. – disse o líder e arrancou risadas e aplausos dos outros.
- Caro Arthur, nossa jornada pode ser descrita como tudo, menos humilde. - disse um dos membros antigos. - e ergueu um cálice de prata para confirmar seu ponto de vista.
- Não seja petulante Accolon. Nosso líder tem razão, é uma noite especial. – respondeu um outro e o líder continuou como se não houvesse sido interrompido:
- Estes nobres cavaleiros, passaram por vários testes ao longo de sua iniciação e agora é chegada a hora de fazerem o juramento de fidelidade ao seu líder e seus companheiros. Eu vos pergunto: Algum de vocês quer desistir?
- Não! - responderam em uníssono.
- Dispam suas vestes. É hora de receberem a marca que nos diferencia dos comuns. - mandou o líder.
Os cinco olharam uns para os outros e obedeceram. A um sinal do líder, o mascarado chamado Accolon aproximou-se com outros quatro, cada um trazendo um ferro de marcar em brasa. Ao entender o significado daquilo, ficaram apreensivos, mas se mantiveram firmes. Afinal o que era um pouco de dor, em vista do mundo novo que se descortinava à sua frente.
O líder sorriu. Eles haviam passado por mais um teste e superado. Os ferros de marcar foram devolvidos ao braseiro e o Líder, após apontar a varinha fez surgir uma tatuagem negra nos braços dos garotos, aumentou a voz enquanto olhava para o último deles:
- Agora com esta marca vocês estão ligados a nós. Quando eu a tocar, vocês terão que vir até aqui e se reunir com seus companheiros ao meu comando. Somos uma irmandade e temos nossas próprias regras. Somos Reis e Sombras, e nada pode nos separar, mesmo que sacrifícios sejam exigidos. Agora digam seus nomes alto para que seus irmãos saibam que vocês acabam de nascer para nós. – naquele momento outros mascarados seguraram os novatos pelos braços, sem que eles pudessem resistir enquanto outros se aproximavam.
- Galahad. – foi um dos nomes ouvidos quando o cheiro de carne queimada invadiu as masmorras.

Tuesday, May 15, 2007

We got everything we need right here
and everything we need is enough
Just so easy
When the whole world fits inside of your arms
Do we really need to pay attention to the alarm?

Banana Pancakes – Jack Johnson

‘Vamos Evie, levanta’ Evie sentiu seu cobertor ser puxado e o puxou de volta

‘Não, vão embora, está frio e chovendo’ a garota respondeu escondendo o rosto

‘E desde quando isso é desculpa em Durmstrang?’ Com um puxão forte, Milla arrancou o grosso cobertor da amiga e o atirou longe ‘Sai já dessa cama!’

Evie ainda tentou se enrolar em um lençol e ignorar as amigas no quarto, mas Vina já tinha escondido ele também. Elas já estavam prontas, de uniforme, esperando por ela. Evie fitou as duas de braços cruzados por alguns segundos e percebendo que aquela era uma batalha perdida, se arrastou para fora da cama.

As duas semanas de suspensão terminavam hoje, e embora Evie soubesse que passar duas semanas sem aulas haviam a deixado atrasada em relação aos outros alunos, ela não queria voltar para as salas de aula e encarar o resto da escola. “Estava tão bom aqui, escondida”, ela falou baixo quando passou pelas amigas e foi tomar banho.

-------------

Quando se acorda com o pé esquerdo, a melhor coisa a se fazer é não sair da cama. E Evie se arrependia de não ter enfrentado as amigas e continuado dormindo. Era uma manhã de segunda-feira muito fria, e a chuva forte que caía obrigava os alunos a permanecerem dentro do castelo nos intervalos entre as aulas. Durante todo o dia, Evie percebeu o quanto as duas semanas afastada das aulas a deixaram para trás. Nem mesmo tendo copiado as matérias das amigas adiantou, ela sabia que para conseguir ótimas notas em seus N.O.M.s, teria que correr atrás do prejuízo. E começaria chegando no horário para a orientação vocacional com a diretora da Berkana, Ivana Mesic.

‘Está vendo, Evie? Ninguém nem lembra mais o que aconteceu’ Vina tentou animar a amiga

‘Os alunos podem não lembrar, mas sei que nosso professor de Aritmancia se recorda perfeitamente bem do desastre que foi a minha campanha’

‘Você devia se importar menos com o que seu avô pensa, sabia?’ Milla falava sério enquanto caminhavam pelo corredor ‘Você se esforça tanto para agradá-lo, e ele nem ao menos reconhece isso’

‘Eu sei disso’ ela disse triste ‘Acha que já não tentei mudar? Queria ser mais relaxada, queria por um dia poder não me importar com ninguém, ser egoísta, mas não consigo’

‘Não adianta Milla, é o jeito dela’ Vina parou na entrada da sala de Transfiguração ‘Eu também não conseguiria viver sem os meus remédios, embora tenha consciência que algumas vezes seja exagero meu’

‘Não gosto dos meus defeitos, mas o que posso fazer? Não podem dizer que nunca tentei mudar’

‘Claro que você não gosta dos seus defeitos, ninguém gosta’ Milla falou rindo ‘Se gostassem, não seriam defeitos, né? Boa sorte na entrevista! A gente se vê mais tarde’

Milla e Vina continuaram andando no corredor e Evie entrou no escritório da professora, sem muita certeza do que diria a ela.

-------------

‘Então quer trabalhar no Deptº de Cooperação Internacional em Magia?’ Ivana tinha os óculos na ponta do nariz e lia uma ficha ‘O que exatamente pensa em fazer lá, Srtª Parvanov?’

Evie estava sentada de frente para a professora de Transfiguração e acabara de lhe dizer em que pretendia trabalhar quando se formasse. Ela não sabia exatamente em que se especializar, mas sabia que queria trabalhar com bruxos de outros países. Ivana parecia interessada na profissão escolhida e Evie não conseguia esconder o sorriso de satisfação. Ela era sua professora predileta.

‘Não sei em que área poderia trabalhar. Talvez algo ligado a eventos entre os países, como a organização do Torneio Tribruxo’

‘Sabe que para fazer isso, precisa falar no mínimo quatro idiomas, não é?’ Evie confirmou com a cabeça e ela continuou ‘Quantas sabe falar?’

‘Bem, só búlgaro e espanhol... Mas posso aprender outras, claro!’

‘Então sugiro que aprenda inglês, que é indispensável, e se me permite uma opinião pessoal, aprenda o francês’ Ivana pôs os óculos direito no rosto e sorriu saudosa ‘É um idioma lindo de se falar, Paris é magnífica’

‘E que matérias posso desistir no próximo ano?

‘Eu nunca aconselho aos alunos da Berkana desistir de matérias. Independente da profissão escolhida, nós não sabemos o dia de amanhã e pode ser necessário usar o conhecimento em todas elas. Mas se quer mesmo desistir de alguma, indicaria adivinhação. Boris sabe que não aprecio seu dom’ ela riu e voltou a abaixar os óculos, encarando Evie séria ‘E mais importante, a Berkana tem uma tradição em Durmstrang, meus alunos são sempre os mais aplicados e sempre se formam com excelentes notas em todos os exames. Não admito que a reputação de minha casa seja arruinada com episódios como as eleições, portanto procure alcançar seus amigos nas aulas e continue com todas as matérias até o 7º ano. Compense o ocorrido não decepcionando mais seus colegas de casa’

Evie não conseguiu responder, então apenas assentiu com a cabeça e saiu da sala com as mãos enterradas no bolso. O dia havia sido tão corrido e tudo estava dando tão errado que ela havia esquecido completamente da carta que recebera de manha cedo de Josh. Ela puxou a carta amassada do bolso do casaco e sentou no pátio vazio por causa da chuva para ler. Ao menos um momento do dia daria certo.

-------------

‘Oi!’

Milla e Vina sentaram uma de cada lado de Evie e a cumprimentaram animadas ao mesmo tempo. A chuva ainda insistia em cair, cada vez mais forte, mas elas pareciam alheias ao vento gelado que atravessava o pátio. Evie levantou a cabeça devagar e tentou sorrir, mas o papel molhado em sua mão denunciava que ela havia chorado.

‘O que aconteceu?’ Milla olhou para ela preocupada

‘De quem é a carta?’ Vina tinha um tom de voz receoso ‘Más notícias?’

‘Não, é do Josh’

Evie não estava mais chorando, mas sua voz ainda era vacilante quando estendeu a carta para Vina. Ela leu em voz alta para que Milla ouvisse e quando acabou se virou para Evie.

‘Não entendo... O que tem de errado? Ele parece feliz na carta’

‘É exatamente esse o problema’ quando as amigas continuavam sem entender, ela continuou ‘Deveríamos estar felizes juntos, não? Mas ele parece estar bem, mesmo longe’

‘Você queria que ele estivesse em prantos?’ Milla perguntou querendo rir

‘Não, claro que não. Mas ele nem mesmo cita que está com saudades, e para ser sincera, eu também não estou. Não deveria ser o contrario?’

‘Você ama o Josh, Evie?’ Milla falou sem rodeios

Ela hesitou. E ao hesitar, se surpreendeu. Evie nunca havia sido questionada sobre isso, nem mesmo por Josh, mas sempre pensou que se um dia fosse, responderia sem pensar. O tempo que ela demorou para conseguir responder a deixou espantada. Milla e Vina já começavam a rir da sua expressão de choque quando conseguiu falar outra vez.

‘Não sei’ ela falou baixo ‘Eu realmente não sei. Josh e eu nos conhecemos desde bebês, sempre fomos melhores amigos’

‘Pois é, acho que você gosta dele do mesmo jeito que gosta do Chris’ Vina não se conteve e citou o garoto, mesmo com a careta de Evie ‘Vocês também se conhecem desde crianças, não?’

‘Acho que você precisa é de um namorado mais próximo’ Milla continuou o assunto ‘Um que possa abraçar e beijar quando quer, e não só nas férias. Tem tanto menino bonito em Durmstrang, como o Chris, por exemplo’

‘Parem com esse assunto do Chris, por favor!’ as duas riram e Evie acabou rindo também ‘Vamos sair daqui, estou congelando. Depois penso nesse assunto, hoje não consigo mais raciocinar!’

‘Isso, vamos até a cabana, o pessoal está lá hoje fazendo fogueira’

A cabana era a antiga casa dos guarda-caças de Durmstrang, quando eles ainda dormiam dentro da floresta. Mas desde que Karkaroff saiu, eles foram acomodados em uma republica vazia. E desde então, Evie e os amigos a usavam como refugio do castelo, era um lugar só deles para conversar e esquecer os dias ruins na escola. Nina havia selado a porta com um feitiço e apenas as varinhas deles eram capazes de abrir a fechadura. Milla usou a dela para abrir, e encontraram Nina, Elizabeth, Michael, Victor, Ricard, Annia e Reno acendendo uma fogueira para espantar o frio.

‘Noite boa para uma bate papo, não?’ Evie falou mais animada quando entrou

‘Os meninos ficaram de trazer alguns marshmallows para assarmos, mas não sei onde vão conseguir isso’ Annia se largou em uma das poltronas cansada ‘Porcaria de dia que tive hoje, não seria nada ruim se eles realmente conseguissem alguns’

‘Quem está disposto a assar alguns marshmallows hoje?’ a porta tornou a se abrir e Max, Chris e Iago entraram cada um com um pacote do doce na mão

‘Trouxemos alguns gravetos também, vi isso em um filme trouxa’ Iago jogou os pedaços de madeira no tapete e sentou no chão, abrindo o primeiro pacote

Na mesma hora todos se acomodaram em volta da fogueira e imitaram seu gesto, espetando o doce no graveto e colocando no fogo. Viver como os trouxas às vezes era bom.

‘A professora Ivana quase arrancou meu fígado hoje’ Chris falou rindo ao engolir um marshmallow inteiro ‘Disse que não admitiria que eu manchasse a reputação da Berkana outra vez’

‘Ela falou a mesma coisa pra mim’ Evie não achava a mesma graça que Chris na bronca ‘O que disse a ela que quer fazer depois da escola?’

‘Medibruxo, claro. Não me imagino fazendo outra coisa’ ele espetou outro pedaço no graveto e tornou a falar ‘O único ruim disso é que não posso desistir de praticamente nada, mas ela também não me aconselharia a desistir mesmo que quisesse ser faxineiro, então não faz muita diferença’

‘Também disse ao professor Nicolai que quero ser medibruxa, vamos trabalhar juntos, Chris!’ Vina falou animada ‘E também não vou desistir de nada’

‘Também não pretendo largar nenhuma matéria, e nem sequer posso cogitar isso!’ Ricard falou sério ‘Quero ser um Inominável, então não sei o que vou precisar’

‘Perfeito!’ Victor estava tão empolgado que todos pararam para ouvi-lo ‘Eu vou ser um obliviador, então você pode contar todos os segredos do departamento dos mistérios pra gente, e depois apago a memória deles!’

‘E quem vai apagar a sua?’ Ricard riu da tentativa do amigo

‘Ah, bom, o mundo não é perfeito... Você vai ter que confiar os segredos a mim’

‘Pode deixar que eu sou um bom obliviador, apago a memória dele’ Max falou rindo, frustrando os planos de Victor ‘Eu disse ao professor Mikhail que quero seguir carreira de auror. Acho o trabalho deles o maior barato!’

‘Pensava que você seria jogador de quadribol’ Iago interrompeu ‘Foi o que escolhi ano passado, na minha orientação vocacional’

‘Acho que ser auror é mais emocionante que jogar quadribol’ foi a vez de Reno falar ‘Mas vou seguir os passos da minha mãe e do meu avô mesmo, alquimia está no sangue da família’

‘Não está no meu sangue, mas também quero ser uma alquimista’ Annia concordou com Reno ‘O professor Nicolai se espantou, mas me deu apoio’

‘Definitivamente não tenho o dom da alquimia!’ Milla falou irônica e todos riram ‘Acho que vou trabalhar no departamento de controle de criaturas mágicas. Só espero que não pegue nada muito burocrático’

‘É por isso que queria ser medibruxa, para fugir da burocracia!’ Nina sacudiu seu graveto indignada e o marshmallow caiu no fogo ‘Mas meus pais querem que eu me torne ministra, e não estão inclinados a mudar de idéia. Quer coisa mais burocrática que isso?’

‘Nina, se você for Ministra, promete que vai forçar o diretor da escola a acabar com essa regra idiota de que namoros são proibidos?’ Milla pediu em tom de desespero, arrancando risadas dos outros

‘Prometo que essa será minha primeira lei como nova Ministra da magia búlgara!’

‘Então meu voto já é seu!’ Evie falou rindo ‘Pelo bem estar e sanidade mental dos nossos filhos, vote em Nina Olenova para Ministra da magia!’

Todos bateram palmas em apoio a Evie e Nina ficou de pé, agradecendo os votos já garantidos em sua futura campanha forçada. A chuva continuava a cair cada vez mais forte e violenta do lado de fora, mas naquele momento, ninguém tinha pressa de sair dali. Tudo que eles precisavam por hora estava ali dentro, e a vida pós-formatura parecia ser a coisa mais simples do mundo. Enquanto estavam ali, eram capazes de tudo, até se elegerem a ministros da magia.

Monday, May 14, 2007

- Não acredito que estou fazendo isso. Devo ter desmaiado e acordado num universo paralelo.
- Não reclama Evie, não é tão ruim assim. É só um jogo pela vaga na semifinal. - eu disse.
- E também porque Iago quer se exibir pra você não é Milla? Ouvimos o jeito que ele pediu para você vir ao jogo. Tão bonitinho... – disse Vina.
- É, e ela até sabe que é pela semifinal, antes ela nem saberia explicar porque este jogo é importante. - disse Annia , e começou a rir com as outras.
- Há, há muito engraçado, suas tontas. – respondi de bom humor e tornei a olhar para o alto. O jogo estava acirrado, a Ansuz precisava vencer se quisesse uma chance de disputar a copa das casas e um dos times havia pedido tempo.
- Recomeça o jogo. E a goles está com Oblonsky, que faz uma jogada ensaiada com Kerenin e é ponto da Berkana. - e a metade do estádio vaiou e a outra metade aplaudia. Logo a Ansuz recuperava a goles. O narrador se empolgou:
- E os artilheiros da Ansuz estão mostrando garra: a posse está com Ivanov, ele está jogando com força total, lançou para Parvanov que desviou de um balaço lançado por Karkaroff, mas o batedor da Berkana Zagrev chegou a tempo e rebateu o balaço, que desequilibrou o artilheiro da Ansuz e ele soltou a goles. Vejam Dimitrov recuperou e parte com tudo pra cima do seu adversário, o goleiro Dolohov.
É agora, é agora, arrreeeeeee o goleiro salvou o aro, e a Berkana tem a posse da goles novamente, mas por pouco tempo vejam como Ivanov roubou a goles e dá uma volta para escapar de Karkaroff, lá vem um balaço lançado por Zagrev, Tolstoi da Ansuz rebate o balaço com força e quase acerta Medved que desvia. É, o jogo vai ser longo, e ninguém quer desistir, é a vaga para a semifinal.
De repente o apanhador da Ansuz viu alguma coisa e começou a descer rápido, o apanhador da Berkana foi atrás, e logo estavam emparelhados de braços esticados, e a arquibancada prendia o fôlego.
- Eles vão bater. - disse Vina apavorada.
- Eles não, só o nosso apanhador vai se dar mal nesta. – respondi automaticamente percebendo que a vassoura dele não iria frear e levantar vôo antes da pancada.
Não deu outra. Logo o narrador gritava:
- E VENCE A BERKANA! Medved pega o pomo e encerra partida: 250 a 100, este é o placar. A Berkana vai disputar a semifinal... - e continuou falando. Eu e minhas amigas começávamos a sair da arquibancada, enquanto os dois times se reuniam no campo. Um para comemorar e o outro para superar a decepção, quando ouvi uma menina do meu lado:
- É briga! Aposto que foi o Karkaroff...
- Porque ele iria brigar? Ele venceu. – respondeu Evie, não parei para ouvir mais nada, já descia rápido em direção ao campo. Logo os professores entravam e apartavam a briga, mas de onde eu estava já dava para ver alguns narizes sangrando. Consegui chegar perto de Iago e ele não era exceção. Parecia ter levado um bastão no rosto, o nariz sangrava e um hematoma já se formava no seu queixo. Luka tinha o lábio e o supercílio sangrando, além de um olho que ia ficando roxo. Ambos ainda se encaravam de punhos fechados. Ao ver o estado dos dois assim tão de perto, fiquei assustada. Só ouvi as ultimas palavras que trocavam:
- Da próxima vez controle a boca do seu apanhador Luka...
- Sabia que isso não ia durar muito. Você não resiste a uma pancadaria...
- Iago o que houve?- perguntei e tentei por a mão em seu braço, tentando acalmá-lo.
- Nada. Deixe-me sozinho. – ele se esquivou do meu toque e saiu do campo rapidamente. Fiquei ressentida e ameacei ir atrás dele, Luka me segurou:
- É melhor deixar ele esfriar a cabeça.
- Porque estavam brigando? O jogo já tinha acabado, e você nunca briga – disse irritada enquanto puxava meu braço.
- Talvez antes eu não tivesse um motivo real para brigar com ele, Milla. - e me encarava sério. Seu olho direito começava a fechar e antes que eu dissesse mais alguma coisa o professor de vôo o mandou para a enfermaria. Encontrei minhas amigas e após verificarmos na enfermaria que Max, o irmão de Evie estava bem, eu disse:
- Quero saber onde o Iago está. Ele não veio para cá e está machucado.
- Ele deve ter voltado para a república dele. Para onde mais ele iria?- respondeu Vina enquanto íamos para nossa casa. Ao passar em frente da Chronos, disse a elas para continuar que logo eu voltaria para casa. Entrei e estava tudo silencioso. Ouvi uma movimentação na parte de cima e resolvi subir até os quartos. Aproximei-me e bati na porta antes de entrar.
Iago estava deitado na cama coberto com um lençol, de olhos fechados e uma pasta alaranjada estava em cima do seu queixo. O amigo dele Riven, estava terminando de amassar alguma coisa numa tigela.
- Oi Milla. Estava me perguntando quando você chegaria aqui. - sorriu.
- O que você está fazendo? - perguntei me aproximando da cama e notando as vestes sujas de sangue jogadas no chão. Iago parecia dormir e marcas azuladas estavam em volta do seu nariz.
- Já consertei o nariz dele, agora estou fazendo este ungüento para a dor. Ele vai ter dificuldade para respirar por um tempo, depois que acordar. Tive que sedá-lo, a pancada foi feia.
- Riven, sei que sua intenção é boa, mas ele estaria melhor sendo tratado por um curandeiro de verdade e não por um aluno. Pode haver seqüelas...
- As poções que uso foram ensinadas pelo meu pai, curandeiro chefe em Glasgow. Sei o que estou fazendo, e não é a primeira vez que cuido dos ferimentos dele.
O amigo do Iago era tão cuidadoso no preparo da poção, e parecia tão confiante que relaxei:
- Desculpe duvidar de você. Vai ser bom termos um auror curandeiro no Ministério. O que faço para ajudar?- ele após pensar um momento no que eu havia dito, sorriu e me entregou uma bacia com água limpa e antisséptico. Enquanto Riven espalhava o medicamento no rosto dele, eu limpava os outros vestígios de sangue com uma esponja molhada. Em dado momento eu comentei:
- Queria entender porque houve esta briga idiota. Era só um jogo.
- O Volchanov, disse que a Berkana estava roubando e quando Iago o chamou de mau perdedor, ele perguntou se Iago ia exibir a marca negra para assustar, aí ele perdeu a cabeça. O Iago odeia ser comparado ao pai.
- Como vocês ficaram amigos?- perguntei.
- Havia uma turminha aqui que adorava espancar os alunos e os roubava. Um dia, ele sem me conhecer comprou briga com eles. Era uma turminha que achava serem os donos da escola, mas tinham certo respeito por ele, pois Iago já tinha fama de ser violento. Deixaram-me em paz, mas no fim daquela semana, Iago voltou para casa todo machucado e eu percebi o que tinha acontecido. Peguei meu kit de poções e lembrei de tudo que meu pai havia ensinado e cuidei dele. Nunca falamos sobre isso, mas começamos a andar juntos. – eu olhava com admiração para Iago e via sua respiração se tornar mais suave, a expressão de dor havia sumido.
- Fico feliz porque ele pode contar com você Riven.
- Ele é meu amigo. Vai poder contar comigo sempre. - ele respondeu sério. Ficamos cuidando dele até tarde. Depois Riven me acompanhou até a Avalon e ao me deitar agradeci a Odin, pelos bons amigos que surgiam em nosso caminho.

Riven acabou se tornando um medibruxo, Iago se machucava demais nos jogos.


Thursday, May 03, 2007

‘Como todas as campanhas, é uma luta dura e sei como é difícil para um candidato perder, e também para sua família. Mas podem sair fortalecidos como homens em conseqüência da derrota desde que não se deixem abater’

Richard Nixon

A semana que se seguiu após as descobertas de ambos os lados na disputa pela presidência do conselho estudantil foi movimentada. Evie se recusava a desistir de sua candidatura e recebia o apoio das amigas, enquanto Georgia estava decidida a fazê-la abandonar a disputa. E a divergência de opiniões acabou por fazer as coisas saírem do controle.

Como prometido, Georgia espalhou cópias do jornal trouxa pela escola, e Nina entrou em pânico. Logo ela bolou uma estratégia para que o professor Andrei, avô de Evie, não colocasse as mãos em nenhum exemplar, e seu plano de guerra foi bem sucedido. Mas Nina não conseguiu evitar que suas amigas se vingassem pelo ataque gratuito. No dia seguinte, todos os murais da escola amanheceram decorados com fotos da infância oculta de Georgia. Os alunos riam ao olharem as fotos e apontavam para ela nos corredores, despertando a fúria da garota e desencadeando uma verdadeira guerra pelo poder.

Por duas semanas seguidas, Evie e Georgia se defenderam com as armas que possuíam, e sempre contando com a ajuda de sua equipe eleitoral. Nenhum truque era baixo demais, nenhum insulto era suficiente. Logo, porém, as coisas começaram a se tornarem pessoais. E Evie logo entendeu o significado da política em Durmstrang: não se tratava de ganhar uma eleição, mas sim de destruir o adversário.

~*~*~*~*~

O dia do debate entre os candidatos havia finalmente chegado e Evie deveria enfrentar Georgia diante de toda a escola no auditório, e supostamente fazer um discurso de campanha e responder perguntas dos alunos. A idéia, simples do ponto de vista de Nina, tinha uma outra proporção na cabeça de Evie. A perspectiva de ficar em frente a mais de 200 alunos e discursar era, no mínimo, assustadora. E nem mesmo um discurso pronto ela tinha. Nina se recusara a fazer um, pois segundo ela, Evie era perfeitamente capaz de escrever o que pretendia fazer em seu mandato.

‘Já terminou seu discurso?’ Nina sentou ao lado dela na aula de Poções ‘Pois presumo que já tenha começado, estou certa?’

‘Estou trabalhando nele’ Evie respondeu sem olhar para a amiga

‘Discurso de Campanha, por Evie Parvanov... Isso é o seu discurso??’ Nina arrancou um papel da mão de Evie, onde não tinha nada além de desenhos, e no alto da folha, o titulo.

‘Eu disse que estou trabalhando nele, não disse que terminei. Se você parasse de frescura e fizesse por mim...’

‘Não, já disse que não vou ajudar a trapacear. Os candidatos devem escrever seus próprios discursos’

‘A Nina pode não querer ajudar, mas nós sim... Abra, vamos’ Milla chegou com Vina, Annia, Max e Chris e entregou um papel amassado para Evie

‘O que é isso?’ Mas Evie sabia o que era, só queria ter certeza

‘O discurso da Georgia. Annia roubou da mochila dela e copiou’ Vina estava empolgada com a aparente virada de mesa ‘Se você falar antes dela, não vai ter problema’

‘Você não vai usar isso, não é?’ Quando Evie não respondeu, Nina lhe lançou um olhar reprovador ‘Merlin, você vai fazer isso, não acredito!’

‘O que deu na Nina?’ Chris perguntou quando a garota esbarrou nele e em Max

‘Ela perdeu o controle da campanha da Evie, e vocês sabem como a Nina detesta não saber o que fazer’ Milla respondeu rindo

‘Bom, que seja... Nós temos a solução para esse debate ser todo seu, mana!’ Max puxou uma caixinha do bolso e Chris riu

‘O que é isso?’

‘Bombinhas fedorentas. Vamos soltá-las no meio do auditório na hora do discurso da Georgia, assim ninguém vai ouvir o que ela tem a dizer’ Chris falou orgulhoso do plano

‘E dessa forma, ninguém vai saber que os discursos são iguais’ Max concluiu sorridente

‘É bom que esse plano funcione’ Evie foi taxativa

‘Vai funcionar, confie em mim’

~*~*~*~*~

Todos os alunos do Instituto Durmstrang já estavam acomodados no auditório da escola, aguardando o debate. Como de costume, os adversários já estavam no palco, junto de seus gerentes de campanha. Nina estava séria sentada ao seu lado e Evie sabia o motivo, mas não conseguira escrever seu próprio discurso e não tinha mais controle de nada. Tudo que ela queria era massacrar Georgia até o limite, pois sabia que a garota desejava a mesma coisa.

‘Boa tarde alunos, professores’ O vice-diretor falou no microfone e todos fizeram silencio ‘Nosso debate começará com cada oponente fazendo um discurso individual, vocês terão chance de fazer perguntas, e por fim, um debate entre as duas candidatas. Vou chamar a aluna Nina Olenova para apresentar sua candidata. Srtª Olenova, por favor’

Nina levantou da cadeira e antes de caminhar até a bancada, olhou pela ultima vez para Evie, implorando em silencio que ela não prosseguisse com aquilo, mas não parecia funcionar.

‘Evangeline Parvanov é uma garota direita. Ela é legal, leal aos amigos e honesta. E eu escolhi apoiar sua campanha porque sei que ela faz as escolhas certas. Porque sei que se ela for eleita, será da maneira justa’

Enquanto Nina falava diante dos alunos, Evie ia se encolhendo na cadeira. Tudo que ela queria naquele momento era saber aparatar e desaparecer dali. Chris e Max sacudiam a caixinha com as bombinhas e apontavam para ela, para que Evie pudesse ver. Talvez fosse uma boa idéia eles estourarem elas, mas ao invés de fazerem isso no discurso de Georgia, poderiam fazer um favor a Evie e solta-las em seu próprio discurso.

Evie percebeu que era sua vez de ir até a bancada e começar a discursar e não viu outra saída senão ir até lá. Georgia cochichava alguma coisa com sua gerente de campanha e ria debochada. Evie parou de frente a todos os alunos, abriu o papel amassado com o discurso de Georgia e encarou Nina. O papel estava ali, em sua frente, e lê-lo sem duvida lhe garantiria a presidência do conselho estudantil, mas na hora H, Evie recuou. Aquilo não era algo que ela faria. Ela não era assim, não sabia trapacear para se dar bem em alguma coisa. Nina tinha razão, Evie se desviara do real motivo da campanha e só queria humilhar Georgia. E então, sem pensar duas vezes, ela sabia o que tinha que fazer.

‘Caros alunos, professores, eu-’ Evie viu Chris apontando para a bombinha mais uma vez e desviou o olhar dos amigos ‘eu renuncio a minha candidatura’

O auditório se encheu com o falatório dos alunos diante da atitude inesperada de Evie. Ela podia ver Milla, Vina e Annia olhando para ela em choque, Nina tinha uma expressão que misturava surpresa e satisfação, e Georgia não poderia estar mais espantada. Mas a reação que causou de fato algum impacto foi a de Chris. Max levantou de repente ao ouvir a renuncia e esbarrou em Chris, fazendo com que ele derrubasse a caixa com as bombinhas. Elas estouraram no instante em que se chocaram com o chão.

‘Bombinha fedorenta!!’ Max gritou olhando para o liquido escorrendo em seu pé

A cena que seguiu o grito seria engraçada se o momento não fosse quase dramático. Todos os alunos levantaram juntos e começaram a gritar, correndo para fora do auditório com os cachecóis enrolados nos rostos. Evie continuou parada no palco, olhando a tudo estarrecida. Nina também ainda estava sentada na cadeira, e só restavam as duas no lugar. Olhando para os últimos alunos correndo na direção da porta, Evie só comprovou o que sempre soube: política fedia.

~*~*~*~*~

Dois dias depois, toda a escola votou em quem queria para presidente. Georgia ganhou disparado, com mais 60% dos votos, Nina levou 15% deles mesmo sem concorrer, alguns alunos não votaram e outros anularam seus votos escolhendo personagens de desenhos. Evie não teve sequer seu próprio voto, mas ela não se arrependeu por ter concorrido a presidente do conselho estudantil. E nem pelas duas semanas de suspensão que se seguiram. Na verdade, de muitas formas, ela se tornara uma pessoa melhor graças a tudo aquilo. Evie aprendeu que não é passando por cima dos outros que se chega a algum lugar na vida, mesmo tendo perdido as eleições até para o pato Donald... De qualquer forma, estava na hora de deixar a política para os políticos.

Friday, April 27, 2007

"Nada pode ser obtido sem uma espécie de sacrifício. É preciso oferecer algo em troca de valor equivalente. Esse é o princípio básico da Alquimia, a Lei da Troca Equivalente."

Fullmetal Alchemist


.... "A alquimia é uma ciência na qual se compreende a estrutura da matéria para que se possa então, quebrá-la e reconstruí-la. No entanto, por se tratar de uma ciência, a alquimia também é regida pelas leis da natureza: cria-se algo com determinada massa apenas a partir de outro objeto de massa semelhante, usando-se, para isto, um Círculo de Transmutação..."
- Eu não vou conseguir...- resmunguei após ler pela décima vez o paragrafo do livro de Alquimia..
Sentia-me exausta. Havíamos ido dormir tarde por causa das descobertas dos segredos de Geórgia, e nossa primeira aula do dia era o meu pesadelo: Alquimia
Não que a professora fosse ruim, pelo contrario:ela era a melhor em sua área. O problema era que em Poções eu conseguia acompanhar a matéria, mas em alquimia, eu acabava me perdendo nas fórmulas matemáticas que acompanhavam os circulos de transmutação. Após algum tempo ela pediu que saíssemos da sala e voltassemos em alguns minutos. Voltamos na hora combinada e vimos que a classe havia sido ampliada magicamente, e nos olhávamos curiosos. Dentro da sala, não se ouvia sequer o sussurro do vento, tamanha a aura de poder que emanava daquela mulher.
Ela olhou cada um de nós atentamente e disse:
- Agora que já estudamos a parte teórica , creio que todos já têm noção básica de que um Circulo de Transmutação é uma coisa importante no estudo de alquimia e não um desenho bonitinho como os tatuadores trouxas costumam acreditar. No exercicio de hoje, quero que os alunos novos os observem, e se estiverem confortáveis com a situação e quiserem tentar a transmutação, sintam-se á vontade. – disse olhando para os trigemeos transferidos de Hogwarts.- e continuou:
- Vou sorteá-los em duplas.Quero que cada um pegue um monte de areia e o transfigure em qualquer outra coisa. As maiores notas serão dadas ao alto grau de complexidade da transformação.
Para minha infelicidade cai com Luka. Ele se aproximou com um ar presunçoso no rosto:
- Será que vou ter que salvar sua nota hoje? Você é péssima, em Alquimia.
- Não faço questão de fazer dupla com você, fale com a Kollontai. – respondi azeda.
- Eu quero ficar com você. Soube que invadiram a sala que era do antigo diretor?
- Jura? Coitado. Roubaram alguma coisa?- tentei ser cínica.
- Não roubaram nada...Importante. Sei quem foi e o porque.- disse baixo me encarando, e ele estava bem perto.
Sustentei seu olhar e respondi:
- Você devia contar ao vice-diretor, já que está tão seguro.
- Não vou fazer isso, porque não sou dedo-duro. Acho que as pessoas que pediram tal “serviço” devem tomar cuidado. Se forem pegas, podem ser expulsas.
- E com toda razão. Onde já se viu entar no escritorio do vice-diretor.Deve ser uma pessoa muito louca não? Ou quem sabe era alguma aposta... Você e seus amigos esnobes fazem muito disso não? Lembro-me da vez que vocês correram de sunga pelo castelo para mergulhar no lago em pleno inverno. Por pouco não morreram de hipotermia.Esta escola está uma bagunça sem diretor fixo. - ele deu risada, ficando quieto.
Desenhei meu circulo e peguei o monte de areia. Achei que conseguiria tansmuta-lo em um peso de papel mas o máximo que consegui foi um brilho fraquinho. Claro que para alguns alunos como Reno e Annia, isso era mais básico do que respirar e logo exibiam esculturas de formas humanas, após um brilho intenso. Minhas amigas enfrentavam dificuldades. Eu não conseguia sequer me concentrar no meu monte de areia e ele continuava lá.
Imóvel.
Feio
Seco.
Olhei para o lado e Luka já tinha um peso de papel meio disforme mas pelo menos havia virado alguma coisa, ele olhou para mim com um ar arrogante, não me contive e disse:
- Metido.
- Você precisa se concentrar Milla, ou vai ter que dividir nota comigo.
Concentrei-me e nada aconteceu, a professora se aproximava e Luka resolveu tomar conta da situação:
- Ouça: você tem uma pedra, entenda sua composição, decomponha-a e a transmute.
Prestei atenção em sua explicação e tentei novamente. Minhas mãos apenas esquentaram um pouco. Ele se aproximou, ficando por trás de mim e pondo suas mãos em cima das minhas. Sua boca estava próxima da minha orelha enquanto ele falava:
- Você não vai mudar a massa do objeto. Só reorganizar as moléculas.
Nossas mãos ficaram quentes e assumiram um brilho intenso, prateado. E aquela pedra virou um peso de papel, com melhor acabamento do que o dele.O meu problema era que sentia meu corpo todo quente. Minhas amigas me olharam com sobrancelhas levantadas. Annia tinha um ar de deboche no rosto e cochichou algo com Reno, que apenas assentiu com a cabeça.
- Muito bem, senhor Ivanov. Juntar forças com sua colega fez sua energia duplicar melhorando o acabamento de seu trabalho. Terão uma boa nota pela iniciativa. – ele saiu de perto de mim e comecei a voltar ao normal.
Logo os outros colegas uniam as mãos e as mudanças começavam a ocorrer.Ao final ela pediu que lêssemos o capitulo sobre objetos que podem fazer a amplificação de poderes do alquimista.

o-o-o-o

- Não vai sair hoje com o Iago?- perguntou Nina ao final do dia na república.
- Hoje ele tem treino, amanhã eles jogam. Berkana versus Ansuz.
- Ah, é mesmo. Amanhã é dia do mundo parar por causa do quadribol. Não vejo a menor graça nisso.- disse Evie.
- Eu gosto dos jogadores de quadribol, alguns são meio burrinhos, mas bem bonitinhos. – comentou Lizzie e concordamos com ela dando risadas enquanto elegíamos os jogadores mais bonitos da escola e Luka acabou sendo citado.
- Milla, que clima era aquele entre você e o Luka?- perguntou Evie.
- Clima nenhum Evie, ele foi meu parceiro numa transmutação, só isso. Você sabe que sou péssima nesta matéria. – respondi.
- Vocês estavam tão bonitinhos juntos. – comentou Vina e deu uma risadinha irritante com Evie.
- Não existe este "juntos" Vina. Eu tenho namorado. ¬¬
- Ah mas você tiveram uma reação alquímica muito boa, Milla quer você goste ou não. Isso é incomum.- comentou Annia.
- Aquilo foi trabalho do Luka, não fiz nada. O máximo que consigo é transmutar uma pedra em areia, usando uma marreta. – respondi.
- Annia tem razão. Vocês reagem bem alquimicamente. A escultura ficou mais completa com a energia de vocês dois, se fizerem a prova juntos vão se dar bem. – comentou Nina.
- Hummm...Reagem bem alquimicamente. Cuidado pode haver uma explosão, de proporções avassaladoras. – comentou Evie maliciosamente.
- Ha-há-há.- resolvi mudar de assunto:
- O Luka disse que sabe quem invadiu o escritorio do diretor e que quem encomendou o serviço precisa tomar cuidado, pois pode ser expulso. Eu disse a ele para ir contar ao professor Klasnic, já que ele tinha tanta certeza.
- Você disse o quê? – Nina quase gritou e rimos ante seu desespero.
- Se eu dissesse que não era pra fazer isso, ele teria a confirmação de que estamos envolvidas nisso. E sinceramente, não creio ele vá nos entregar, ele tem seus defeitos, e ser fofoqueiro não é um deles.- tranquilizei-a antes que tivessemos que acionar uma bombinha para asma. Vimos quando Nina puxou sua agenda de campanha e sem que ela percebesse começamos a nos movimentar devagar.
- Espero que esta eleição termine logo e nossa candidata vença. Não sei se vou ter saúde para um segundo turno.Aliás falando nisso.. Podemos enfeitiçar alguns bottons com a foto da Evie, e distribuir amanhã antes do jogo o que vocês acham?... Pessoal? Hei cadê vocês?
A sala estava vazia.
Havíamos conseguido escapar para ter uma boa noite de sono, antes de nos preocuparmos novamente com eleições, invasões e leis de alquimia.

Tuesday, April 24, 2007

‘Filhos de famosa bailarina espanhola curtem a noite búlgara!’ Evie ouviu uma voz irritantemente conhecida se aproximando e parou o que estava fazendo para ouvir ‘Evangeline e Maxmillian Parvanov, 15, filhos da famosa bailarina espanhola Eva Hernandez, passaram a madrugada de sábado no pub Irlandês Shenanigan’s, bebendo e dançando com alguns amigos. Foram vistos deixando o local com uma mulher morena por volta das 4hs...’ Georgia parou de ler e encarou Evie com ar de deboche ‘Preciso continuar ou posso parar aqui? O resto não é muito agradável’

‘Onde arrumou isso?’ Evie arrancou o jornal da mão de Georgia e transformou em cinzas com a varinha

‘Tenho cópias, Parvanov. Acha mesmo que sou burra ao ponto de lhe entregar a única?’ Georgia riu e Evie teve que controlar o impulso de voar no pescoço dela ‘Não sabia que sua mãe era espanhola’

‘O que você quer?’

‘Desista dessa eleição, ou espalho cópias desse jornal pela escola’ ela foi direta, mas Evie já esperava por isso ‘Aposto que seu avô não lê o noticiário trouxa’

‘Está me chantageando?’

‘Entenda como quiser, Parvanov. Tenha um bom dia de aula!’

Georgia sorriu cínica e virou de costas, indo embora. Evie ainda continuou sentada no banco na mesma posição que estava, tentando organizar as idéias. Ela levantou um tempo depois, recolheu os livros e correu para a direção do castelo. Ela não ia desistir das eleições, mas precisava reverter o quadro.

~*~*~*~*~

‘Ela tem o que???’

Evie estava sentada no refeitório e acabara de contar as amigas a abordagem de Georgia. Nina, como Evie já esperava, começava a ficar com falta de ar imaginando sua campanha indo pelo ralo. Vina já tirava alguns frascos da mochila e procurava algo que a ajudasse, mas Milla, por outro lado, estava pensativa. Evie olhava para ela intrigada, mas torcendo para que ela estivesse bolando uma solução. Qualquer uma servia.

‘Ok, acho que tive uma idéia, mas não sei se vai funcionar...’ ela falou de repente, abandonando o ar vago e parecendo decidida

‘Que idéia? Qualquer coisa é bem vinda, Milla!’ Nina agarrou as mãos dela em pânico

‘Não, preciso saber se é viável antes... Não saiam daqui, volto rápido!’

Milla saltou da mesa e correu na direção de Iago, que estava sentado com alguns amigos do outro lado. Ela conversou com ele apenas alguns minutos, mas pareceu uma eternidade para as três na outra mesa. Quando ela voltou, estava sorridente.

‘Iago vai invadir a sala do diretor e roubar os arquivos da Georgia para nós’ Milla falou triunfante ‘Vamos ver se ela não tem mesmo nada a esconder...’

~*~*~*~*~

Como prometido, Iago invadiu a sala do diretor com a ajuda de um amigo e roubou todas as pastas com o nome de Georgia Yelchin, entregando a Milla no final do dia. A noite na republica Avalon foi movimentada. Milla, Evie, Vina e Annia viraram a noite lendo a ficha dela, relatório de notas, histórico escolar, familiar, tudo em que conseguiram pôr as mãos. Nina, no entanto, reprovava a atitude das amigas. Para ela, aquela não era a solução. Mas eram 5 contra 1, pois até Elizabeth se animou e se juntou a elas, e Nina foi obrigada a ver as amigas procurando por algo que pudessem usar com a adversária.

Não foi difícil encontrar. Georgia vinha de uma família muito rica e tradicional no mundo bruxo, mas nem sempre fora a menina loira, bonita e magra que estuda em Durmstrang. Revirando as pastas pessoais dela, Vina encontrou uma foto de Georgia aos 9 anos, em um acampamento para crianças mais gordinhas. Ela tinha os dentes tortos, usava óculos, cabelos muito volumosos e era bem gorda, completamente diferente da Georgia que elas conhecem.

‘Ah não, essa foto merece um pôster!’ Milla tomou a foto da mão de Vina e olhou atentamente, soltando uma gargalhada

‘Miss Piggy!’ Evie sentou ao lado da amiga para ver a foto e riu alto ‘Duvido que ela queira que os seus seguidores vejam com ela era antes de Durmstrang...’

‘Ela fez uma daquelas plásticas trouxas, não?’ Elizabeth pegou a foto para olhar melhor ‘Porque essa não é aquela menina que estuda aqui!’

‘Deixem-me ver essa foto’ Nina sentou perto delas e esticou a mão para Elizabeth, mas Evie tomou a foto antes que ela visse

‘Está curiosa, Nina?’ Vina falou rindo

‘Só quero ver a foto, podem me mostrar, por favor?’

‘Só se prometer nos ajudar e parar de dizer que estamos nos desviando da campanha’

Nina ameaçou levantar e voltar para a cama, afinal já passava das 2hs da manha, mas não conseguiu sair do chão. Sua curiosidade acabou falando mais alto.

‘Não posso prometer ajudar vocês a denegrir a imagem de alguém, mas prometo não reclamar mais’ Nina falou torcendo o nariz e Evie lhe entregou a foto ‘Merlin, que criança feia!’

As meninas riram e recolheram as coisas espalhadas pelo quarto antes de se atirarem nas camas. Para participar de uma guerra, é preciso ter armas. E agora, elas tinham nas mãos a mais poderosa de todas: a chantagem.

Monday, April 16, 2007

Um garoto de cabelos espetados e escuros estava sentado sozinho no banco dos jardins de uma mansão. Enquanto Dimitri alisava a grama com os pés, aproveitava para tentar colocar as idéias em ordem em sua cabeça. Ele agradecia a Merlin por não ter a obrigação dos irmãos em comparecer sempre a essas reuniões. Não que elas o incomodassem, mas quando se tratava das reuniões da família Stanislav, ele não se queixava por não fazer parte dela de fato.

Dimitri era o filho da segunda esposa, aquele que nem mesmo era filho legítimo do pai dos irmãos. Seu pai verdadeiro desapareceu quando soube da gravidez de sua mãe e ela o criou sozinha por 5 anos, quando conheceu Josef Parvanov e se casaram. Mas apesar de Josef e seus dois filhos gêmeos, na época com 9 anos, terem aceitado Dimitri como membro de verdade da família, ele não se sentia parte dela. E nem mesmo sendo sempre bem vindo à casa dos avôs maternos de Evie e Max faziam o quadro se reverter. Muito pelo contrario, o faziam se sentir cada vez mais excluído quando participava das reuniões familiares com os gêmeos.

Dessa vez não estava sendo diferente. O almoço de páscoa na casa dos Stanislav acontecia com todo seu clã reunido e Dimitri fora convidado pessoalmente por Andrei, não podendo recusar o convite. A família Stanislav era muito grande, na opinião dele. Andrei e Evangeline tiveram 7 filhos, 4 homens e 3 mulheres. E todos os filhos já estavam casados e com filhos, tendo um total de 15 netos para o casal. E cada um dos filhos e netos era diferente. E como em toda família grande, nem todos se davam bem fora da vista dos patriarcas.

O filho mais velho, Nikolai, teve dois filhos: Andrei, de 20 anos e Pilar, de 18. Andrei, por ter o nome do avô e ser o mais velho, não media esforços para agradá-lo, o que acaba por torná-lo irritante. Pilar, ao contrario do irmão, era legal e pouco se lixava para tradições familiares. Ambos se formaram na Academia de Aurores, para a felicidade do avô e desespero da avó. Andrei casara-se recentemente e sua esposa estava grávida.

Eva era a segunda filha, mãe de Evie e Max. Por ter sido a primeira menina, era a protegida de Andrei e isso nunca foi segredo. E agora que ela havia falecido, ele via nos filhos dela a oportunidade de estar sempre com ela, exagerando nas cobranças.

Ivo foi o 3º filho e dentre todos os 6, era o que Dimitri menos gostava. Sempre arrogante, acabou por passar a personalidade aos filhos gêmeos, Dario e Hanna. Eles tinham a mesma idade de Evie e Max e disputavam com eles a atenção dos avôs, mesmo que seus irmãos não se importassem com quem o avô preferia. E para a sorte e o bem estar de todos, os dois estudavam na Academia de Magia Beauxbatons.

A quarta filha do casal era Madalena e a primeira de todos a se mudar para a Espanha. Dimitri gostava dela, sempre era gentil com ele, e seus filhos também. Ela tinha três: Afonso, o mais velho de 14 anos; Marta, de 13; e Santiago, de 12. Santiago era o que mais se entendia com ele, por terem idades aproximadas. E ele era também o 3º neto favorito de Andrei. Os três estudavam na Escola de Magia Espanhola.

Heinrich era o quinto filho e segundo os relatos de sua mãe, o filho que mais lhe deu trabalho. E como se fosse uma espécie de castigo, seus filhos gêmeos lhe davam o mesmo trabalho que ele deu aos pais. Mario e Diego tinham 13 anos e eram endiabrados. E talvez os únicos netos que não tinham medo do avô, desobedecendo suas tão cobradas regras e enlouquecendo a todos quando a família se reunia. Heinrich também morava na Espanha e seus filhos estudavam na mesma turma de Marta.

A sexta filha do casal era Sofia. Ela não era a mais gentil de todas e tão pouco a mais educada, mas nunca fez qualquer tipo de desfeita a Dimitri, embora ele soubesse o quanto ela desejasse isso. Sofia era a protegida de Eva e nunca se conformou com a morte da irmã e o repentino casamento de Josef, que um ano depois estava casado com a mãe de Dimitri sem nunca sequer ter aparentado estar envolvido com alguém. Por sorte, Sofia morava na Espanha com as duas filhas, Helena, de 14 anos, e Letícia, de 11. Letícia também se dava bem com ele, mesmo contra a vontade de sua mãe. Já Helena não, ela preferia não criar laços com nenhum dos primos. Era a mais seca de todos os 15.

Por ultimo, o caçula da família, vinha Johann. Johann por ser o mais novo, era o mais brincalhão. Sua única arma de defesa contra os irmãos era o sarcasmo e isso fez com que ele se tornasse um homem engraçado. Dimitri o adorava, era o seu favorito disparado. Seu casamento foi conturbado, Johann só subiu ao altar porque seu pai o obrigou. Evie contou a Dimitri que ele queria desistir do casamento depois de sua despedida de solteiro, mas seu pai nunca aceitaria uma atitude dessas de um de seus filhos e o arrastou até a igreja. Ele também teve um casal de gêmeos, Luísa e Filipe, de 8 anos. Eles eram os protegidos da avó, por serem os netos mais novos e serem também alvo de brincadeiras que ela considerava maldosas de alguns de seus outros netos.

O garoto observava todos sentados à mesa, em seus devidos lugares, parecendo estar em total sintonia. E por um instante, desejou ter uma família como aquela. Não aquela família, mas uma similar. Eles não eram exemplo de harmonia e cumplicidade, mas era uma família unida. Dimitri sabia que as diferenças seriam deixadas de lado sem questionamentos se um precisasse da ajuda do outro. Naquele instante, ele odiou seu verdadeiro pai por tê-lo privado de fazer parte de uma família assim, abandonando ele e sua mãe há 11 anos atrás. E isso talvez, ele nunca superasse. Dimitri sempre se sentiria sozinho...

Sunday, April 15, 2007

Nina trancou o livro de feitiços no malão, muito satisfeita por ter conseguido juntar todo o material de Durmstrang e deixar tudo organizado em menos de 2 horas. Sem magia! Os últimos dias de férias haviam sido ótimos. Seus irmãos passavam o tempo todo fazendo objetos adquirirem formas estranhas e emitirem sons bizarros só para arrancar um sorriso da garota e, mesmo que ela não demonstrasse, estava radiante por ter a companhia dos dois novamente. Além disso, Liz e Michael estavam tentando aprender costumes da Bulgária e Nina se divertiu ao ver os dois com roupa típicas e ensaiando uma dança folclórica falsa improvisada por Nicolau.

- Beth, você está fazendo o passo com o pé esquerdo. Use o direito! E quero ouvir um “Hey” na hora do refrão, ok? – dizia Ivan, provocando gargalhadas de todos, inclusive da própria Liz.

- O que eu não faço para ser aceita aqui, hein? Ainda bem que isso não vai chegar aos ouvidos dos meus amigos de Londres... não dá para ficar pior!

- Engano seu, Lizzie, dá para ficar bem pior! O Ivan acabou de chegar com as perucas de veela para você e o Michael – disse Nicolau, apontando para o irmão que saia do porão com uma caixa cheia de fios louros.

Michael e Elizabeth estavam encarando as brincadeiras incrivelmente bem e se divertiam com a história toda. O único que parecia querer estar em qualquer lugar do mundo, menos ali, era Chris. Além de ter se recusado a almoçar os pratos típicos e ter pedido peixe com fritas, passou o dia inteiro usando uma camisa com a foto de um ônibus vermelho de dois andares, que provocou comentários de Ivan (“O tribruxo de vocês só tem dois andares? Depois falam do desenvolvimento do Reino Unido...”) e um resmungo ríspido do menino.

- Chris, olha que sorte! Achamos uma peruca para você também, não vá se sentir excluído – disse Nico, arremessando a peruca de veela para Chris, que limitou-se a levantar do sofá e ir para o quarto de hóspedes.

- Anti-social ele, não? – brincou Ivan, pegando a peruca e ensaiando o que parecia ser uma dança havaiana.

- Ah, vocês...ele não gosta desse tipo de brincadeira e ainda não se adaptou à Bulgária! – Nina havia acabado de voltar da cozinha com 3 potes de feijõezinhos de todos os sabores – Uhnn...alguém sabe por que nós não temos essas coisas aqui? São realmente bons!

- Se eu fosse você tomava cuidado com os verdes, Ninys. Não é nada agradável. – disse Ivan, enchendo a mão de feijõezinhos e tentando adivinhar os sabores.

- De qualquer forma, eu vou conversar com o Chris e ver se ele precisa de alguma coisa, seus insensíveis. E vocês dois deviam deixar essa dança estranha de lado e arrumar seus malões para Durmstrang! As férias acabam amanhã!

- Você fareja a diversão, né, irmãzinha? Deixe os dois se divertirem e vai lá conversar com o garoto mala. – disse Ivan, fazendo gestos para a irmã deixar a sala.

- Ah, a Ninys está certa...eu vou me aprontar para Hogs...Durmstrang! Nin, você me ajuda a arrumar o malão? – perguntou Michael, puxando delicadamente a mão da menina.

- Er...claro, mas não tem mistério, sabe? Basta ter mãos...e meu nome é Nina. Separa seus livros que eu vou conversar com o Chris e já vou te ajudar. – Nina se desvencilhou da mão do garoto e bateu na porta do quarto de Chris. Os gêmeos e Lizzie ainda cantavam músicas inventadas e Michael parecia muito empenhado em impressionar Nina e arrumar seu próprio malão.

- Sim? – respondeu Chris, abrindo uma fresta da porta – Ah, Olenova. Posso te ajudar em alguma coisa?

- Olá! – sorriu Nina, tentando parecer simpática como quem lida com uma criança – Você pode me chamar de Nina e, na verdade, eu queria saber se eu poderia te ajudar...

- Por que eu estaria precisando da sua ajuda...Olenova? – perguntou Chris, tirando o sorriso doentio do rosto da menina.

- Er...Parker...você não parece estar se adaptando muito bem ao país e eu imaginei...

- Você imagina demais. Estou muito bem, obrigado pela sua atenção. – respondeu, finalizando a conversa com rispidez.

- Ahhh... – Nina segurou a porta antes que ela fechasse na sua cara. Mais uma vez, a mania de querer ajudar os pobres e oprimidos e consertar todos (mesmo que eles não tivesse a intenção de ser “consertados”) entrava em ação – Você tem certeza de que não quer nada...para se sentir mais à vontade! Biscoitos, suco, cerveja amanteigada?

- Você quer dinheiro emprestado ou algo assim? Que coisa... Não, obrigado, se eu quiser algo, tenho duas mãos. Viu? E elas estão dizendo “adeus” para você, olha só! – disse, acenando as mãos e conseguindo trancar a porta, deixando uma Nina completamente atônita do lado de fora. A garota passou pela sala e correu em direção ao quarto para arrumar o malão com Michael (Liz, Ivan e Nicolau agora cantavam uma versão estranha do hino da Bulgária e celebravam todas as frases com brindes de cerveja amanteigada). Os irmãos Parker não podiam ser mais diferentes.

Saturday, April 14, 2007

O teste vocacional com o professor Nicolai, foi no mínimo, rápido! Mal entrei na sala, e ele elogiando minhas notas perguntou que carreira eu queria seguir quando me formasse. Respondi que queria ser medibruxo com tanta empolgação, que o professor me encarou uns instantes antes de dar uma risadinha. Era a primeira vez que o via sorrir.

NL: Vejo que a senhorita já tem uma cabeça bastante formada nesse assunto, hein?

Respondi um pouco tímida que desde criança quero ser medibruxo, e graças a Merlin, ele não pediu para que eu o explicasse por que. Depois, passou as matérias que eu deveria continuar fazendo, o que eu achei completamente desnecessário, uma vez que não pensava em desistir de nenhuma delas, e me dispensou. Antes de eu sair da sala, me chamou pelo nome e eu parei quase em choque.

NL: Seu irmão esteve aqui mais cedo... Mas pelo que vi, a senhorita não iria mudar de idéia de qualquer maneira. Parabéns. Gostei de ver a sua confiança. Boa noite!

A última revelação do dia foi bombástica. Não acreditei que o Vlade pudesse ser tão estúpido a ponto de ir procurar o professor Nicolai e pedi-lo para me convencer de ser auror. Voltei para a República bufando...

°°°

Já contei o quanto amo a Irlanda? Não que eu não goste da Bulgária! Oxalá! Gosto sim, e muito. Mas a Irlanda é ainda melhor! Os irlandeses são extremamente simpáticos e acolhedores aos estrangeiros! E sempre muito bem-humorados!

Sempre quando volto para Dublin, me lembro da minha infância... Tudo bem que eu levava uma vida tipicamente trouxa, mas adorava os festivais públicos. Aquela mistura de cores e músicas nacionais tomando as ruas!

E o dia de São Patrick, que por coincidência também é meu aniversário, não só é feriado nacional, como é comemorado com muita festa, alegria e verde!!! As pessoas saindo com as peças verdes do vestuário, todos de verde nas ruas. É engraçado.

Quando eu e Ricard, que gentilmente aceitou meu convite para passar o feriado conosco, descemos na estação de Dublin, minha família já nos esperava. Pai, mãe, Marcela e Vlade. Ainda não tinha tido oportunidade de falar alguma coisa com ele, mas senti uma raiva crescente quando o vi sorrindo cínico para mim...

RD: Se acalme... Se começar a brigar em público com seu irmão, dou meia volta e entro nesse trem! – Ricard sussurrou no meu ouvido não tirando um sorrisinho do rosto enquanto nos aproximávamos.

Ter Ricard para feriados e férias não era mais novidade na nossa família. Como os pais dele haviam falecido quando ele era criança, e ele morava com os padrinhos, raramente passava alguma comemoração com eles. Acho que por isso nos identificamos tanto, logo no início. Eu fugindo das festas em família, ele fugindo das festas em família... Em algumas férias ele vinha passar conosco, em algumas férias eu ia passar com os padrinhos dele. Ou viajávamos com nossos amigos. Mas sempre passávamos juntos. Ah, sim, e depois que comecei a namorar Victor, às vezes íamos os dois para a casa do Victor, ou o Victor vinha no pacote.

Mas o Victor não tinha problemas com a família dele. O que eu achava extremamente mágico. Sério! Sou apaixonada em famílias reunidas. Chego até a ter uma ponta de inveja... Mas isso não vem ao caso. Victor iria viajar para a casa dos avôs maternos para passarem o feriado de Páscoa, e sabendo que minha família iria para Galway, Ricard aceitou de imediato vir.

Galway é sem sombra de dúvidas a cidade mais descontraída da Irlanda! Meus pais às vezes alugavam uma casa para saírem de Dublin por uns dias. Apesar de ser uma cidade grande, tem um estilo de vila, pacato, boêmio. O bom de Galway são os festivais e os pubs.

Na primeira noite do feriado, eu, Ricard, Marcela e Vlade fomos até o principal pub da cidade, que àquela hora do começo de noite, já estava lotado. Marcela logo encontrou alguns amigos trouxas que moravam lá, e foi se sentar com eles. Ricard adora me comparar com meus irmãos, coisa que ele fazia exclusivamente para me irritar!

Marcela é jovem de tudo. Espírito, aparência, atitude. Tem os olhos verdes e os cabelos loiros como eu, mas é mais corada, mais saltitante! Torna-se amiga das pessoas com uma facilidade sobrenatural. Completamente natural, ainda mais do que eu. Fala o que dá na telha e não está nem aí. Ricard tem um encantamento platônico pelo jeito de ela ser... Acho que se ele tivesse ventosas, sugaria um pouco disso para ele.

Vlade, ao contrário, é fechado com grande parte das pessoas. Ele parece viver em um universo paralelo. Não é de demonstrar sentimentos, e nem gosta de jogar conversas fora. Quieto, calado, observador e muito esforçado. Ricard diz que eu sou uma mistura de meus irmãos, mas Vlade consegue me prender mais... O que devo concordar!

Sentamos os três em uma mesa e pedimos cervejas. Lá é natural. Cerveja pra lá, cerveja pra cá... O silêncio absoluto. Uma das dançarinas de músicas típicas puxou Ricard pela mão e saiu o arrastando até a pista, o ensinando os passos. Não agüentei e comecei a rir da cara de espanto e medo que Ricard fez antes de relaxar os músculos para tentar acompanhar a moça. Vlade pigarreou. O encarei.

SV: Você não me contou como foi seu teste vocacional...
LD: Preciso? – comecei com o tom de voz já alterado. – Imagino que você já tenha ido atrás do Nicolai saber...
SV: Vínia eu...
LD: Não precisa se explicar Steven, é sério! Não começa seu discurso outra vez. Foi bom, e o professor Nicolai me incentivou muito a seguir o que eu quero. Estou tranqüila.
SV: Você nunca me chamou de Steven... – disse parecendo assustado e chateado ao mesmo tempo.
LD: E você nunca deixou de se intrometer na minha vida! Daqui pra frente vai ser assim, então. Tratamento informal até você perceber que o que eu quero não é o que você quer para mim.

Ele apenas abaixou os olhos e tomou o restante da cerveja. A dançarina veio arrastando Ricard de volta à mesa e agarrou minha mão, me fazendo segurar a dele.

- É a hora de ele mostrar que aprendeu os passos corretamente.

Rindo, sai arrastada por Ricard e pela dançarina para o meio da multidão, deixando um Vlade contrariado na mesa.

Oh brother I can’t, I can’t get through
I’ve been trying hard to reach you cause I don’t know what to do
Oh brother I can’t believe it’s true
I’m so scared about the future and I wanna talk to you
Oh I wanna talk to you

You could take a picture of something you see
In the future where will I be?
You could climb a ladder up to the sun
Or write a song nobody had sung or do
Something that’s never been done...

Música: Talk - Coldplay

Friday, April 13, 2007

Ela estava com os braços abertos e a cabeça jogada para trás, girando conforme a musica. O teto decorado rodava depressa à medida que ela ia intensificando seus movimentos. Luzes piscavam em sincronia e impossibilitavam uma visão clara das pessoas ao seu redor. O copo que segurava em uma das mãos, e o cigarro na outra, não pareciam atrapalhar. Tudo que ela queria naquele momento era que aquela sensação de liberdade, sensação de leveza, durasse para sempre...

Evie abriu os olhos e a claridade do quarto a fez fechá-los novamente. Ela ficou deitada na mesma posição, sem abrir os olhos, tentando se lembrar dos fatos. Sua cabeça estava a ponto de explodir e cada músculo de seu corpo doía. Ela não sabia onde estava, e nem como havia chegado lá, quando fragmentos da noite anterior vieram à sua memória. Um pub Irlandês cheio. Alguma coisa chamada música punk-rock. Uma bebida forte, colorida e esfumaçada. Cigarros. Flashes. Mais bebidas coloridas. Claro, como não poderia se recordar: ela havia saído para uma de suas famosas noitadas com seu irmão.

Um ronco alto a despertou do transe e ela se forçou a abrir os olhos. Sem movimentar a cabeça, olhou ao redor e constatou que estava em seu quarto, no apartamento de Sofia. Ela olhou para a cama ao pé da sua e encontrou seu irmão dormindo embolado em um lençol, a roupa que ele usara no jantar ainda em seu corpo.

Evie sentou com dificuldade, seu corpo ainda doía, e empurrou Max com o pé. O garoto abriu os e a encarou como se não a reconhecesse por um momento, então afundou o rosto no travesseiro, deixando escapar um resmungo.

‘O que está fazendo no meu quarto?’ ela perguntou com a voz rouca que denunciava a ressaca

‘Acho que a pergunta certa é: como viemos parar aqui?’ Max tirou o rosto do travesseiro e deitou com a barriga para cima, cobrindo os olhos com as mãos

‘Espero que não tenha sido o papai que nos trouxe para casa’ sua voz vacilou quando falou

‘Se fosse isso, estaríamos com a marca da mão dele, pode ter certeza’

‘Ah que bom que vocês acordaram!’

Evie e Max olharam assustados quando a porta do quarto abriu, mas suas expressões relaxaram ao verem o rosto de Evelyn aparecer. Ela era sua madrasta, esposa de Josef, seu pai. Mas apesar do posto, Evelyn era ótima com os enteados. De fato, era ela que os livrava na maioria das vezes dos castigos impostos por seu marido. A mulher fechou a porta com cuidado e se aproximou deles, que ainda a observavam calados.

‘Saiam da cama logo, tomem um banho para espantar essas caras de ressaca e sentem-se na mesa para tomar café com o seu pai em 15 minutos. Ele não sabe que vocês saíram ontem e não precisa saber’

‘Foi você que...’ Evie ia perguntar, mas o sorriso de Evelyn lhe respondeu antes que chegasse a completar a sentença

‘Vamos, andem, levantem dessas camas!’

----------

O café da manha na casa dos Parvanov funcionava quase como um ritual. Josef sentava-se à ponta da mesa e lia seus jornais em silencio, enquanto seu café esfriava; Evelyn sentava na outra ponta e não comia nada além de frutas e suco; Dimitri, o caçula, sentava à direita da mãe e tomava seu leite calado; Evie e Max sentavam à direita do pai e, especialmente hoje, bebiam apenas café com algumas torradas. O elfo da família, Nikko, ficava ao lado da mesa pronto para servir seus mestres, fazendo esforço para não respirar alto demais.

Josef havia terminado o Profeta Diário e folheava as páginas do jornal trouxa de maior circulação da Bulgária quando algo reteve sua atenção. Todos na mesa pararam de comer para observar sua reação. Josef sacudiu o jornal para ler com mais clareza e seu corpo ficava mais rígido conforme seus olhos desciam à página. Ninguém falava nada e observaram quando Josef afastou sua cadeira e levantou, parando atrás da cadeira dos dois filhos. Ainda com o jornal aberto na página que lia, ele o pôs diante dos olhos de ambos. O silencio que caia sobre a cozinha era tão intenso que todos puderam ouvir quando Evie engoliu a torrada de uma vez só. Uma foto ocupando quase 1/3 da página mostrava Max com uma garrafa de uísque na mão dançando com sua irmã, que fumava enquanto segurava uma taça vazia.

‘Qual dos dois vai explicar essa foto?’ Sua voz saiu tão baixa que era quase um sussurro ‘Saiam da mesa, agora’

Josef agarrou os filhos pela roupa e os arrastou para fora da cozinha, derrubando Nikko ao passar. Evelyn se pôs de pé no mesmo instante e correu atrás do marido, mas quando chegou à sala ele batia a porta do quarto dos meninos. Não havia mais nada que ela pudesse fazer. Dimitri saiu da cozinha assustado com Nikko em seus calcanhares e encarou a mãe a procura de uma explicação.

‘Nikko, limpe a bagunça na cozinha, por favor’

‘Ele vai...’ mas Evelyn cortou o filho antes que ele terminasse

‘Vá para o seu quarto, Dimitri. Não saia de lá até segunda ordem’

‘Vamos mestre, obedeça à mestra, é para o seu bem’ Nikko apertava as vestes aflito, vendo que Dimitri não se movia

‘Dimitri, lhe dei uma ordem! Para o quarto, agora!’

O garoto ainda se manteve no mesmo lugar alguns segundos antes de sentir uma pequena mão o puxar pelo braço e percebeu que o elfo ainda estava ao seu lado. Ele abaixou a cabeça e seguiu até seu quarto e ao bater a porta, ouviu o barulho de algo se quebrando no quarto ao lado. Tudo que ele desejou naquele momento foi voltar para Durmstrang o quanto antes.